domingo, 30 de setembro de 2012

A morte de Hebe e o fascínio dos brasileiros pelo entretenimento

Não se falava em outra coisa. O assunto de ontem com certeza foi o falecimento de Hebe Camargo, a mais importante figura feminina entre os apresentadores da televisão brasileira e testemunha da instalação das primeiras emissoras de TV em nosso país.

Hebe era uma apresentadora sem igual e continuava com impressionante lucidez e jovialidade até se calar definitivamente às 10 da manhã de ontem, numa parada cardíaca ocorrida durante o sono. Ela que alegrou a todos, faleceu sem sofrimento. Vai fazer falta.

Mas aproveito a oportunidade para refletir sobre o porque dos brasileiros só se comoverem com as mortes de artistas, esportistas ou pessoas ligadas apenas ao entretenimento. Quando raro, políticos conhecidos fogem dessa regra. Mas triste, para a maioria, só a morte de pessoas ligadas à diversão.

Os brasileiros são fascinados pela diversão.Brigam, matam e sofrem por causa da diversão. Não abrem mão de qualquer erro ou futilidade que os divirta. O fascínio pela diversão é tanto que os brasileiros, em sua maioria, enxergam na copa de 2014, um evento de futebol, a redenção da humanidade: como a chegada de um messias, no caso, a própria copa. Como veem, diversão é a razão de ser para os brasileiros, moradores do "quintal" do mundo.

E é este fascínio pelo entretenimento que faz com que os brasileiros só consigam dar importância a pessoas responsáveis pela distração da população, dando ao lazer um caráter de primeiríssima necessidade, mais até do que a qualidade de vida, pois grande parte da população prefere continuar vendo esgoto nas janelas de sua casa desde que, por exemplo, consiga ver um jogo de seu time favorito, que faz com que se comovam bem mais com entertainers, como se a diversão fosse algo para ser levado a sério, como se tivesse a importância de segurança nacional.

Divulgação insistente da mídia aumenta a comoção

Brasileiro não é de se comover muito a não ser quando estimulado a isso. E a mídia sabe como conseguir provocar lágrimas nos olhos dos brasileiros, que só amam quem lhes dá benefícios e cujo senso de moral é dado pelas religiões, defensoras dos absurdos.

Para que os brasileiros se comovam com a morte de alguém, além da figura ser de conhecimento midiático maciço, famosos entre a maioria esmagadora da população, a notícia de sua morte deve ser difundida de maneira novelesca e carregada de pieguice e elogios exagerados, como se o falecido em questão fosse muito mais importante do que realmente era. É quase como uma canonização oficiosa.

Isso não acontece com mortes de pessoas realmente importantes como intelectuais, cientistas e profissionais realmente envolvidos com a qualidade de vida da população. Num ato de verdadeira ingratidão - ou alienação mesmo - profissionais sérios morrem normalmente esquecidos, lembrados apenas por poucos que já conheciam o seu trabalho. Mesmo famosos, intelectuais não costumam despertar comoção das pessoas, até porque o seu racionalismo costuma espantar a emotividade das pessoas, numa sociedade que não admite o equilíbrio entre razão e emoção, preferindo ficar, umas de um lado, outras de outro.

A morte de alguém ligado ao entretenimento comove mais, pois a diversão é facilmente associada a emoções cotidianas e fica mais fácil para alguém se sensibilizar com alguma coisa que aconteça com esta celebridade.

A morte de Hebe, assim como outras que aconteceram e que acontecerão, reflete bem essa realidade do brasileiro, pouco afeita aos seus benfeitores, mas completamente fascinados com a magia supérflua dos mestres do entretenimento, surgidos apenas para distrair as massas.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Se elas querem, eu não posso; se eu posso, elas não querem

Normalmente atraímos as mulheres que não gostamos e repelimos a que gostamos. A insensibilidade de uma sociedade que vive nas pressas e na desconfiança pelo excesso de trabalho e pela violência, faz com que as relações humanas sejam falhas e interesseiras. 

Quem ama de verdade, normalmente fica só pois não encontra quem ame da mesma forma. Este cartaz abaixo é para essa gente que não consegue um amor recíproco, repelindo o desejado e atraindo o indesejável.


domingo, 9 de setembro de 2012

Álcool, o elixir dos alienados

Já repararam que quanto mais a pessoa bebe, mais conservadora e acomodada ela fica? As pessoas que tem o hábito de beber álcool regularmente - salvo raríssimas (e põe raras nisso!) exceções - costumam não serem muito questionadoras, aceitando tranquilamente o mundo do jeito que está, por maiores que os problemas sejam.

Há muito se sabe que bebidas alcoólicas danificam e em alguns casos, matam células cerebrais, atrofiando algumas faculdades e deixando as pessoas inúteis e até chatas. Quem bebe fica sem controle durante a embriaguez, mas quando se recupera de uma crise ébria, muitas vezes não volta a ser 100% como era antes.  Se há possibilidade de recuperação cerebral, só se a pessoa abandonar o álcool de uma vez por todas e aguardar alguns anos para recuperar a capacidade perdida.

Mas isso é muito difícil, quase impossível, pois as bebidas alcoólicas, sejam destiladas ou fermentadas, são todas bebidas rituais na sociedade. Ou seja, quem bebe esse tipo de bebida faz com a intenção de fazer ou manter amizades. Como o ser humano é um ser social, todos ficam com medo de recusar uma bebida ritual e correr o risco de perder boas oportunidades de sociabilização, já que ninguém vive sozinho.

Com isso fica difícil melhorar as coisas, já que nossa humanidade, refém do álcool, prefere perder muitas coisas do que deixar de consumir nem que seja um só gole de um elixir que traz as supostas alegrias da vida em grupo, mas que pode cobrar depois um preço bem caro ao indivíduo e à sociedade da qual pertence.

Interessante o fato dos consumidores regulares de bebidas alcoólicas nunca contestarem nada que esteja ao seu redor. Nem mesmo contestar a dispensável e inútil regra social que os obriga a beber, eles conseguem.

O Medo de Amar Pessoas

As pessoas não querem mais amar pessoas. Infelizmente este é o diagnóstico do mundo em que vivemos atualmente. O egoísmo e a desconfiança estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano, assim como muitas brigas resultantes da teimosia em defender ideias equivocadas. As pessoas não amam mais pessoas.

Mas como o amor faz parte da essência humana, essa sensação não desapareceu de nossos corações, mas foi canalizada para outras coisas. Como dizia um grande amigo meu:

As pessoas foram feitas para serem amadas e as coisas foram feitas para serem usadas. 
Mas hoje, amam-se as coisas e usam-se as pessoas.

Infelizmente esta frase de meu amigo resume bem o que vemos hoje. Pessoas fazendo de tudo para amar times de futebol, animais de estimação, símbolos religiosos e até comida. Tudo para compensar o amor que não conseguem desenvolver por uma outra pessoa, que acaba senso usada como meio de aquisição dessas novas "paixões".

É um grande retrocesso e uma demonstração clara de que ainda há muito o que aprender. Essa falta de amor humano, compensada por falsos "amores" tem transformado as pessoas em meros mecânicos e defensores árduos de ilusões, já que não admitem que tudo não passa de uma recusa em admitir que não se sabe amar. Amor é uma palavra linda, que todos sentem prazer em pronunciar. Só que seu verdadeiro significado ainda é um grande desconhecido para muita gente.

Porque ao invés de fugirmos de nossa missão de amar as pessoas, usamos o nosso discernimento e  tentamos nós mesmos acabar com os motivos que levam a tanta desconfiança e egoísmo? Será que somos tão incapazes de convencer os outros a serem melhores conosco, eliminando delas o desejo de prejudicar os outros para se dar bem?

Porque fugir de nossa essencial sociabilidade (ser humano é um ser social) e colocar paixões postiças para substituir as pessoas que deveríamos amar? Temos que ter a maturidade de encarar a vida social, aprendendo a amar os outros.

Pois coisas, bichos, comidas, símbolos, vão. Mas pessoas sempre estarão presentes tanto nesta vida como em outras. Deste lado ou do outro (mundo espiritual). pessoas sempre estarão circulando aos nossos redores. Aprender a amá-las é nosso maior desafio!

Vamos aprender a amar pessoas. São o que melhor existe em nosso universo. Podem ter certeza disso.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

E as Paraolimpíadas?

Fico chateado quando percebo o desprezo pelas Paraolimpíadas. Neste evento é que vemos os limites do ser humano e até onde podemos chegar.

Nas olimpíadas, na verdade, não deveria ser tão admirada, pois vemos verdadeiros "deuses" da perfeição física, fazendo o que se espera deles. As vitórias dos atletas convencionais só beneficiam eles mesmos, até porque os troféus ficarão com eles mesmos. E que tipo de lições podemos tirar deles? Perfeição física? Competitividade?

Mas as Paraolimpíadas, a situação é bem diferente, pois vemos exemplos de superação. Pode até não parecer, mas os atletas paraolímpicos, sem querer e sem saber, acabam gerando um gigantesco benefício social, por servirem de modelos para muitas pessoas que pensam que suas limitações, de todos os tipos, são entraves que impedem o acesso a felicidade. Nada disso. As muitas vitórias de para-atletas provam que não existem limites para isso.

E é justamente nas Paraolimpíadas que vemos um número maior de medalhas para os brasileiros, um exemplo que deveria ser observado e seguido, mostrando a todos que deficiências não são limites e mesmo com uma dificuldade um pouco maior que os outros, dá para alcançar a meta desejada.


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