Impressionante. Um candidato claramente despreparado, com opiniões controversas e claras intenções de prejudicar grande parte da população e acabar com a soberania nacional, venceu a eleição que aconteceu domingo. Venceu raspando, pois seu adversário, o professor universitário Fernando Haddad obteve muitos votos, com adesões importantes.
E não é só. Somando os votos para Haddad com abstenções, nulos e brancos (muito alta, talvez a maior desde as eleições de 1989), concluí-se que, apesar de vitorioso, Bolsonaro ainda desagrada a maior parte dos brasileiros. Mesmo assim os 55% de votos recebidos representam uma imensa quantidade de pessoas, um "exército" disposto a seguir as ordens de seu "capitão".
Isso acaba colocando um pulga atrás da orelha. Como é que uma imensa quantidade de pessoas cometeu o grave erro de colocar no poder uma pessoa claramente despreparada e com opiniões controversas, não raramente ofensivas e infantis? O chamado "voto de protesto" pode ajudar a explicar.
O que é nítido é o fato de que quase todos os eleitores de Bolsonaro desconhecem o programa de seu candidato. Desconhecem inclusive o responsável pelo programa, o economista neoliberal Paulo Guedes. Preocupados com pautas moralistas como o combate à corrupção e à criminalidade e o respeito a pautas religiosas e aos costumes da família cristã, os eleitores do ex-capitão estavam alheios a outras causas.
Os eleitores de Bolsonaro preferiram usar seu voto como forma de protestar contra o adversário, que segundo eles seria um obstáculo ao cumprimento das pautas moralistas citadas no parágrafo anterior. Não foram poucas as "fake news" criadas tentando associar Haddad ao descumprimento das pautas moralistas, tentando vender o professor como alguém corrupto e anti-humanitário.
O trabalho publicitário anti-PT, que existiu há muitos anos e foi reforçado na guerra híbrida iniciada em 2013, tratou de solidificar uma imagem negativa não somente do partido, mas de todas as forças progressistas, diante da opinião pública que agora inverte os valores, acreditando que fascistas vão ter mais responsabilidade social que os maculados socialistas.
Agora o estrago foi feito e Bolsonaro sentará na cadeira presidência a partir de janeiro de 2019, com o apoio de muitas forças retrógradas. O Brasil entrará numa fase difícil e seu desenvolvimento será adiado até que uma força progressista retorne ao poder.
O Brasil, país jovem com apenas 518 anos de existência, vai conhecer agora a sua "Idade Média". Resta saber se os brasileiros tirarão uma boa lição desta fase e amadurecer de vez para preparar a nossa "Renascença". Torço por isso.











