Antigamente (mas muito antigamente - nem meus pais eram nascidos), acreditava-se que a popularidade de uma música servia como atestado de qualidade musical pelo fato de que as pessoas só iriam procurar pelo melhor. Com o surgimento da música de mercado, na década de 40, esse tese foi por água abaixo, já que a publicidade transformou as músicas em produtos a serem impostos através de muita persuasão. A música não mais precisaria de qualidade para ser aceita. A publicidade se encarregaria de induzir as pessoas a aderirem ao modismo a ser vendido.
E a cada década a música vai piorando, para que o ruim da década anterior possa ser considerado bom. Por exemplo, Michael Jackson foi muito beneficiado pela decadência cultural: de símbolo do lixo cultural americano a ser despejado nos países emergentes nos anos 80, a símbolo máximo da "arte pura" nos dias de hoje. Só op parecimento de tendencias bem piores que o superestimado cantor para que ele passasse a ser visto como um "gênio", tendo uma obra que não fede nem cheira.
Marketing da exclusão e apologia da pobreza
Mas a música vai piorando cada vez mais eliminando de vez o senso do ridículo. Hoje temos os dois piores tipos de música do mundo, extremamente toscos, malfeitos e bem ridículos: o "funk" e o pagodão baiano. Nos atentemos a este último, já que o carnaval está tentando jogá-lo para o resto do país.
O pagodão baiano, em sua terra natal é considerado "samba", mas no país todo é vendido como axé music. Ele é caracterizado por uma discreta pornografia e danças ridículas e atitude bocó. Seus intérpretes costumam ter baixíssima escolaridade e não tem medo de fazer o papel de ridículo. Seu ritmo é pobre, com arranjos malfeitos e letras imbecis que nem mesmo uma criança de 5 anos é capaz de criar. Falando nisso, apesar de pornográfico, ele é jogado para a apreciação do público infantil, estimulando (sem assumir, pois é cadeia na certa) a pornografia infantil.
O maior nome deste estilo medonho de música atende pelo nome de Psirico, na verdade focado na imagem de Márcio Victor, seu cantor com aparência de estivador multicolorido.
Vindo das classes pobres, Victor sempre teve o apoio de empresários e gravadoras, com uma poderosa estrutura de entretenimento por trás. Mesmo assim, o cantor foi orientado a capitalizar sua origem pobre (como se isso melhorasse sua qualidade musical) para satisfazer o marketing da exclusão.
Sua atitude dá a entender, falsamente, que Victor é um "mendigo" que grava por conta própria e a compra de seus discos e ingressos seria uma forma de tirá-lo da suposta miséria, despertando a comoção coletiva que ajudará muito no aumento de sua popularidade. Ciente disso, Victor não hesitou em chorar diante das câmeras em um programa de TV, o que deve ter lhe trazido muitos novos fãs, comovidos com a suposta condição miserável do cantor.
É uma tática usada por quase todos os popularescos para despertar este tipo de comoção. Numa época de apologia da pobreza e de falsa nova classe média, isso vem a calhar. Como se ser pobre significasse ser mais espontâneo, embora se investigarmos fundo, espontaneidade que o que menos tem nesses intérpretes de proveta.
Desaparecimento do senso do ridículo
Embora muita publicidade tem sido feita para tentar vender a música do Psirico, Lepo Lepo como uma "obra prima revolucionária", quem ouviu a música e tem bom senso sabe muito bem que é uma cançãozinha fraca, improvisada, mal feita e sem qualquer tipo de qualidade que pudesse acrescentar alguma coisa de positivo à cultura brasileira. É uma típica musiquinha de farra para batucar no fundo de ônibus e só. Mas elogios e mais elogios estão sendo feitos para tentar elevar o prestígio do ridicularizante Psirico. Está dando certo para os incautos, mas quem é esperto sabe que tudo não passa de um fogo de palha, desaparecendo daqui a poucos verões.
Tentar colocar esta palhaçada de Lepo Lepo na lista das grandes obras da MPB é uma imbecilidade sem tamanho. Música de entretenimento foi feita para ser descartável, pois a sua finalidade é apenas distrair as pessoas que não te nada de importante para fazer. Se as marchinhas de carnaval, ainda tocadas hoje em dia, já deveriam ter desaprecido faz tempo, por estarem bem longe da realidade atual, op que dirá dessa tolice de Lepo Lepo, que serve para menos coisas ainda.
E um recado para Márcio Victor: há muito tempo você não é pobre, condição abandonada em seu remoto passado. Graças as tolices que você produz, você está podre de rico. E isso porque existe tolos dispostos a lhe dar dinheiro, sem verificar o conteúdo. Mas torça para que a sociedade nunca amadureça, pois uma sociedade esclarecida gosta de desprezar verdadeiros embusteiros como você e seus patrões, interessados em enganar a todos oferecendo cultura da pior qualidade como se fosse pérola cultural. O tempo, juiz justo, lhe trancafiará nos dias atuais, sem qualquer tipo de glória eterna.
Somente tolos podem valorizar uma tolice como Lepo Lepo. Até porque tolos só gostam de tolices.