domingo, 31 de março de 2013

Modismos - todos na mesma direção

No último final de semana, ao entrar nos supermercados para comprar umas coisas essenciais, sobretudo na alimentação, notei que os ambientes estavam engarrafados, cheios de gente. Para quê? Comprar ovos de páscoa.

Ovos são caríssimos e supérfluos (pode se comprar chocolates mais baratos e bem mais gostosos - a casca dos ovos normalmente tem gosto medíocre, que não justifica o preço - em outro formato) e que a maioria das pessoas comprava mesmo pelo modismo. Lema: "se todo mundo compra ovo de páscoa, também vou comprar".

Brasileiro é um povo maria-vai-com-as-outras: se muitos fazem, outros muitos querem fazer. Acontece em todos os setores da humanidade: regras, costumes, futebol, música, vida afetiva, culinária, política, etc.. Em todas as coisas, até mesmo na hora de escolher quem irá ser sua esposa ou seu marido, os brasileiros estão sempre seguindo a maioria, agradando os outros. E o pior que nem sabem o porque de estarem seguindo.

Próximo ano é ano de copa de futebol, o maior e mais tradicional dos modismos brasileiros. E os brasileiros, modistas por excelência, estarão mais uma vez se "pintando" de verde e amarelo, esperando que os pés dos jogadores possam compensar (e mal) todo o fracasso que cada habitante dessa Terra-Brasilis possui em seu cotidiano. Porque o pior de um modista é que ele segue sem pensar, sem lógica, dando importância ao que não é importante. Superestimando o fútil e inútil.

E logo em seguida teremos eleição e os carneirinhos todos correndo para votar num mesmo sujeito, que continuará fazendo nada para beneficiar a população. Aliás é a eleição que é a mãe de todos os modismos, já que ela passa a (errada) idéia de que a maioria tem sempre razão.

Ainda bem que o Brasil não segue o islamismo xiita. Já pensou se seguisse? Milhões de pessoas matando-se umas as outras, simplesmente porque a maioria das pessoas também fez a mesma coisa. A densidade demográfica ia ter uma queda bastante vertiginosa.

O pior é que os modistas nunca assumem que são. Talvez tenham se tornado modistas sem saber. Ou acham normal uma pessoa seguir cegamente as decisões de uma maioria. Mesmo que essa maioria só esteja fazendo determinada coisa por puro modismo, sem gostar.

Os que se assumem, argumentam que se não o fizessem, estariam na solidão. O modismo existe porque todos tem medo de ficar sozinhos. E o pior que tem gente que prefere sofrer e até abre mão do que gosta ou precisa, para seguir um modismo.

Quer modismo pior que o da cerveja. Um modismo que dura séculos (aliás, modismos eternos, como as bebidas alcoólicas e o futebol, são os piores e mais difíceis de combater). Como é que uma bebida de gosto ruim, que faz mal ao fígado e que reduz a capacidade de atenção e raciocínio, além de matar os neurônios, é a mais popular. 95% dos brasileiros consomem cerveja. Será que não existe outra bebida? E porque tem que ser alcoólica? Não dá para ser alegre por si só?

Os argumentos que os modistas dão para justificar são tão vazios. Sinal de que todo modista é burro. Quem não tem personalidade e faz o que não gosta para agradar os outros, só pode ser burro. "O futebol alegra", "cerveja alegra", "ovo de páscoa alegra". Imagino os xiitas argumentando do mesmo jeito: "matar os outros alegra".

Gente, vamos acordar e para de sermos escravos das tradições e modismos. Os amigos e a sociedade tem que aceitar as diferenças e saber que nem todos devem gostar de tudo. Vivemos numa democracia.

Tudo bem que passamos cerca de 40 horas por semana subordinados à vontade de chefes e clientes. Mas precisa também passar essa submissão para a hora do lazer, a única que temos reservada para a realização de nossas vontades. Estamos tão mal-acostumados a obedecer que queremos também obedecer na hora do lazer.

Se não pararmos de imitar os outros feito macacos, não desenvolveremos nossa personalidade, não satisfaremos nossas necessidades e estaremos nos iludindo numa falsa confraternização imposta por costumes e ideias que não aprovamos, mas que somos obrigados a seguir para agradar aos outros.

Não curto futebol, não bebo álcool, detesto cerveja, não preciso de álcool para me alegrar, não gosto de sair à noite, não sou carola, não gosto de popularesco (axé pagode, "funk", "sertanejo"); não sou sisudo, detesto brigar; mulher para mim tem que ter personalidade e boa cultura e só me casarei se uma mulher for especial, gosto de admirar transportes coletivos, sobretudo ônibus; não pretendo ter carro, não pretendo ter filhos.

Eu vivo muito bem com o pensamento que eu tenho. Pois tenho personalidade e não sou submisso a regras, modismos e tradições. Vivo para me agradar, não para agradar os outros.

(Texto escrito por Marcos Pereira publicado no Planeta Laranja em 2010, mas com informações atualizadas).

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NOTA: Ah, adoro chocolate. Mas não preciso de Páscoa e nem dos caríssimos ovos para consumi-lo.

sábado, 30 de março de 2013

Robô suspende operações em Marte por problema em computador

OBS: É impossível ler esta nota sem me lembrar daquele episódio de Big Bang Theory em que por causa de uma garota, o personagem Howard (Simon Helberg), então responsável pelo jipe-robô, prende o  artefato em uma pedra, imobilizando-o. Para tentar consertar a situação, criou uma desculpa que foi entendida pela NASA como uma suposta descoberta de uma prova da existência de vida em Marte. Uau! Que loucura!

Robô suspende operações em Marte por problema em computador

Portal Terra - Dados da AFP - 02/03/2013

Curiosity, o robô americano enviado a Marte, suspendeu temporariamente suas experiências científicas até a solução de um problema em um computador, informa o site da Nasa neste sábado.

O robô foi colocado em estado de espera esta semana, em uma manobra que reduz ao mínimo sua atividade para preservar os sistemas informáticos enquanto se resolve o problema do mau funcionamento da memória "flash", explicou o Jet Propulsion Laboratory (JPL), em Pasadena, encarregado da missão.

Como a maioria das naves espaciais, Curiosity tem a bordo computadores de emergência que assumem o controle em caso de pane no computador principal. O robô continua em contato com a Terra, destacou o JPL.

Curiosity, o robô mais sofisticado já enviado a outro planeta, leva dez instrumentos científicos a bordo e pousou na cratera Gale em 6 de agosto passado. O objetivo de sua missão de dois anos é determinar se existiu vida microbiana no chamado Planeta Vermelho.

sábado, 23 de março de 2013

A nuvem com formato de anjo

Enquanto o novo papa era escolhido no Vaticano, bem longe dali, na Flórida, EUA, foi vista uma nuvem com o curioso formato de anjo, muito bem moldado, com direito a uma "auréola", estando em posição de exaltação. Coincidência?

Não sei dizer exatamente do que se trata, mas o meu palpite, por incrível que pareça, é que não foi uma coincidência. Como assim, se eu não sou católico e não acredito em dogmas?

Os fenômenos da natureza são conduzidos por espíritos. Posso até estar errado, mas creio que algum espírito que tenha sido católico em sua encarnação (e que manteve a crença no mundo espiritual) e que estava envolvido com a confecção da nuvem, pode ter decidido prestar a sua "homenagem" à escolha do papa. Eu sei que pode parecer delírio, mas se lembrarmos que pela natureza do planeta Terra, a maior parte dos espíritos ainda conserva um certo grau de materialismo, isso não é de todo impossível.

Se for coincidência, o formato foi muito bem feito. Não dá para imaginar outra coisa além de um anjo em exaltação. A Natureza faz cada coisa...

quinta-feira, 21 de março de 2013

A idade da razão

Neste dia completo 42 anos. Seria hoje um dia de festa, de sair pulando por aí? Não sei. Para mim me parece um dia para refletir.

É mais um ano, sei. Mais chances de renovação de aprendizado foram dadas a mim. Será que vou aproveitar? 

Bom, nesta vida tenho aproveitado muitas lições. Não me amadureci como a maioria das pessoas (será que elas realmente amadureceram?), mas cheguei onde deveria. 

Quanto mais idade a gente ganha, junto aumentam a experiência e a responsabilidade. Mas insatisfeitos como somos em nossa incurável imaturidade, temos a impressão que não amadurecemos ainda o bastante. Como crianças aguardando o novo ano letivo, aguardo o que me espera no 42º ano de minha vida.

E quais os desafios que serão colocados desta vez? Serão bons? Serão ruins? Vou conseguir enfrentar? Não sei. A única coisa garantida é que tirarei algum tipo de lição. Que lição, eu não sei. Mas algo será aprendido, seja lá o que acontecer comigo.

Ainda me sinto imaturo. É um bom sinal. A verdadeira maturidade é ter a consciência de que ainda não se está suficientemente maduro. A vida é uma sucessão de aprendizados. E a cada coisa nova que a gente aprende, mais coisas aparecem para a gente aprender. É como aquele cara que aprende a dirigir e agora tem que conhecer o motor de seu carro. E após isso, conhecer o combustível, a sua composição e por aí vai.

Aprender é muito bom e considero o combustível da vida. Se nascêssemos sabendo tudo, a vida, além de ser um tédio, não teria utilidade. A cada coisa nova que a gente aprende, nos sentimos mais sábios e mais fortes. Mais sábios, mas ainda imaturos, pois ao percebermos nossa sapiência, percebemos também que não sabemos o bastante. Cada sabedoria exige mais sabedoria e isso conduz nossa caminhada.

Mas que bom que isso seja assim. Isso me faz feliz. Tenho muita coisa a aprender, sim e isso nos traz aquela ânsia gostosa de início de ano letivo quando éramos crianças em idade escolar. O cheirinho do material novo... A dúvida sobre quem serão os colegas... A cada aniversário não parece a mesma coisa?

Tudo o que aprendi em minha vida, a maioria por dor , muita dor, está me sendo útil cada vez mais a cada momento. E está servindo de ponto de partida para outros aprendizados que enriquecerão o meu caráter.

Portanto, ao chegar hoje aos 42, reconheço que não sou maduro o suficiente. Não serei tão cedo. Terei muitas vidas para aprender mais e mais. Mas o que me alegra é que continuo aprendendo. E aprender é absolutamente a coisa mais prazerosa na vida de qualquer pessoa.

Pois quando acaba um ano letivo, não dá aquela sensação de dever cumprido, antes de preparar para o próximo?

O "Rap" do Sheldon


Colagem com várias falas de Sheldon Cooper, engraçadíssimo personagem interpretado pelo excelente ator Jim Parsons (que é músico, compositor e cantor na vida real) em Big Bang Theory, editadas para parecer um rap de hip-hop. Ficou bem legal. 

Excelente forma de comemorar o meu aniversário.


terça-feira, 19 de março de 2013

Versão nerd de Audrey Hepburn entra para Big Bang Theory

Meses atrás, o Kibeloco havia colocado um engraçado vídeo com duas belas garotas americanas, uma loira alta e uma morena baixinha de olhos grandes, satirizando a música gospel sob o nome de Garfunkel & Oates. A morena me chamou a atenção, pois o seu estilo de beleza me agrada muito, lembrando uma versão destrambelhada de Audrey Hepburn ou uma versão mais simples da Maria de Medeiros.

E é essa morena gracinha, conhecida como Kate Micucci, humorista, atriz, cantora e compositora, que vai entrar em The Big Bang Theory, meu seriado favorito, com a missão de desencalhar o personagem Raj, que na ficção sofre do mutismo seletivo quando está diante das mulheres atraentes. Como apesar de nerd e humorista Kate é linda, inteligente e bem humorada, o que a faz muuuuito atraente, creio que desta vez Raj ainda vai travar e estragar tudo. Quem viver, verá. 

Pelo menos curtam a beleza exótica da versão nerd da Audrey Hepburn, Kate Micucci, que estará aqui muitas vezes desfilando seu gracioso (e engraçado) charme.










terça-feira, 12 de março de 2013

Telescópio Hubble registra imagem de 'bolha' gigante no espaço

OBS: Essa linda bolha é uma das coisas mais incríveis já fotografadas no espaço. Como existem coisas que ainda poderemos conhecer...

Telescópio Hubble registra imagem de 'bolha' de gás rosa no espaço

G1 - Globo.com - Com informações da NASA


Esfera é resultado de explosão da supernova SNR 0509. Distância da Terra é de 160 mil anos-luz.

Uma imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble e divulgada pela agência espacial norte-americana nesta quarta-feira (15) mostra uma "bolha" de gás remanescente da explosão de uma estrela na região. Catalogada como SNR 0509 e distante 160 mil anos-luz, a esfera se encontra dentro da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea, visível a olho nu. O formato mostra a expansão resultante de uma supernova, estágio final da vida das estrelas mais massivas. (Foto: Hubble / NASA / ESA / AP Photo)

Justin Timberlake entra para o Rock in Rio fazendo bagunça

O Rock in Rio não é um festival de rock, do contrário que o nome diz. É uma gororoba musical, uma espécie de Casa da Mãe Joana onde qualquer um que consiga levantar multidões entra sem a menor cerimônia. Se não bastasse a inclusão da "sabe se lá o que ela canta" Beyoncé, agora teremos Justin Timberlake. Tanto a cantora quanto o (excelente) ator e (medíocre) cantor são oriundos de grupinhos de menudos.

E não são apenas os fãs da Jessica Biel, beldade que se casou com o cantor, que estão fulos da vida com o fedelho. Os fãs dos grandes Bruce Springsteen e John Mayer, esses sim, nomes legítimos do rock, estão de cabelos em pé após a entrada do ex-N'Sync.

Para poder colocar Timberlake como atração principal (conhecida como "headliner" ou cabeça de linha), os organizadores tiveram que negociar para que Springsteen e Mayer pudessem mudar o dia de suas apresentações, exigindo um enorme esforço dos fãs, com os ingressos já em mãos, para que os shows desses legítimos roqueiros não pudessem ser perdidos. Como podem perceber, a dance music venceu o rock, justamente em um festival que usa o guitarrístico gênero em seu nome.

E com isso, mais uma edição chinfrim do festival  passa a acontecer, com prioridade absoluta a cantores-dançarinos (a intrometida axezeira-ditadora Ivete Sangalo já virou "sócia" do festival, tendo sua presença garantida em qualquer edição) em uma época onde o rock vai mal de popularidade, resumido a um mero nome a elevar o prestígio de cantores medíocres que sabem mais realizar espetáculos de dança que deixar mensagens que possam acrescentar algo mais a uma sociedade cada vez mais carente de cultura e enganada por uma mídia cada vez mais mercenária e manipuladora.

A cultura rock desagradece.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Choro, Chorão, Choradeira...

Não estou aguentando mais a choradeira histérica pela morte de Chorão, playboyzinho líder da banda medíocre Charlie Brown Jr. Somente na era da mediocridade onde as pessoas não exigem mais nada em relação ao que ouvem nas músicas pode explicar porque o finado rebelde sem causa morreu como um santo, um herói, um mártir!

Chorão, pelo que eu saiba nunca foi um exemplo de vida ou de mentalidade para ninguém. Suas letras eram de um narcisismo puro. Falsamente conscientizadoras, elas não iam muito além das críticas superficiais que qualquer cidadão comum faria, o que significa algo muito fácil para qualquer um fazer sem a necessidade de um porta-voz.

A submissão midiática faz qualquer celebridade se transformar em santo ou herói sem mexer uma só palha. Como se fazer os outros se divertirem fosse em si uma caridade. Chorão e sua banda foram favorecidos pela era da mediocridade, elevando o seu prestígio para um nível muito acima ao de seu repertório chinfrim caracterizado por uma mistura aguada de rap, reggae e skate rock, com letras de temas narcisistas do tipo "eu sou o tal e respeite a minha atitude". Se nem ele respeitou a atitude dele, morrendo por irresponsabilidade, quem sou eu para respeitar?

Se ele queria ser exemplo para a juventude, escolheu o prior caminho. Típico rebelde sem causa, Chorão vivia uma vida de um playboyzinho juvenil. Vida social intensa, bom esportista, tinha as mulheres mais lindas à sua disposição. Falava com jeito antipático, como aquela voz estereotipada de delinquente juvenil pouco interessado em se amadurecer. Embora não seja um militante como Marcelo D2 (outro que se morrer, vai virar "santo"), não é surpresa nenhuma o consumo de drogas para um cara como Chorão.

Nunca ouvi falar de algo que pudesse fazer do cantor um cara admirável. Pelo contrário, ele representava a imagem estereotipada do rebelde sem causa, do cara que estava de mal com o mundo sem realmente entender porque agia assim. Rebelde sem causa é a palavra perfeita para definir chorão, pois se ele posava de revoltado, é bom lembrar que ele era rico, tinha amigos e mulheres a sua total disposição e uma multidão de fãs fanáticos. Fãs que agora fazem por conta própria a canonização do cantor, agora padroeiro daquilo que o povo sem discernimento entende como "revolucionário".

Eu pergunto: Chorão melhorou a sociedade com sua música? Porque as pessoas entenderam suas mensagens narcisistas como "conscientização". Pelo que eu sei ninguém muda o mundo teimando em "ser o que é", ignorando conselhos e opiniões mais evoluídas e se mantendo preso na vidinha medíocre de ególatra falido.

Chorão, considerado como exemplo para muitos, não serviu de exemplo nem para si mesmo. A sua mania de dizer "eu sou assim, me respeite" acabou da pior maneira, revirando a casa feito um demolidor para em seguida cair num coma narcótico que finalmente o levou à morte. Se a forjada "rebeldia" de Chorão não serviu para salvar a si mesmo, como salvaria a sociedade?

O fanatismo pró-Chorão é cego e irresponsável. Tem muito a ver com o nosso desespero pela procura de alguém que faça o papel de um herói ou santo que faça o papel de babá de uma sociedade infantilizada que perdeu a capacidade de discernimento e que aguarda ansiosamente que um mero título no futebol a ser conquistado no ano que vem venha lhes trazer a redenção fictícia que compense a redenção real que nunca chega.

Pensando bem, não é estranho Chorão morrer como um mártir. Um povo idiota precisa de alguém tão idiota quanto este povo para que a afinidade de  pensamentos possa se converter na satisfação dos interesses vazios de ambos. Afinal, idiotas detestam sábios. Idiotas querem heróis igualmente idiotas.

Para quem gosta de emoções baratas e se contenta com elas, um playboy narcisista é o mártir perfeito. Um mártir pela rebeldia sem causa.

terça-feira, 5 de março de 2013

Até tu Brutus? Eu que confiava em ti...

Meses atrás, tinha lido em uma entrevista uma declaração da belíssima atriz Marjorie Estiano (que tive a oportunidade de ver pessoalmente - ainda mais linda que na TV e em revistas) em que criticava o Michel Teló. Fiquei animado, achando que ela tinha bom gosto e cheguei até a escrever uma postagem a respeito, comemorando a declaração.

Mas li nesta semana em um site dedicado a ela, algo que fez isso tudo desmoronar. Numa daquelas do tipo "bom demais para ser verdade", já que no Brasil, quase todas as mulheres tem péssimo gosto musical, já que é o que toca em festas, razão de existir das mulheres brasileiras, Estiano acabou mostrando que não era aquela maravilha de bom gosto que parecia ser.

Segundo o site dedicado a ela, a atriz é fã de Luiz Caldas e Zezé di Camargo & Luciano, representantes arcaicos e pioneiros da decadência cultural que insiste em não acabar, crescendo feito câncer e sufocando a cultura brasileira, prestes a ser substituída pelo entretenimento de mercado, do qual os ídolos da atriz e a maioria esmagadora dos "artistas" da atualidade, fazem parte.

Não dá para confiar nas mulheres brasileiras, que tratam seus belos ouvidinhos como vaso sanitário, só por achar que isso traz honra as mulheres, ansiosas por festas em que possam ser os centros das atenções, oportunidade perfeita para ostentar joias caras e roupas idem, muito bem gastas com o dinheiro de seus maridos ou namorados trouxas.

É Brutus, confiava em ti e tu me traíste.

segunda-feira, 4 de março de 2013

O besteirol que arruinou a cultura brasileira

Ontem, aniversário de morte do grupo humorístico Mamonas Assassinas, fui bombardeado no Facebook por mensagens saudosistas a respeito. Muitas dessas mensagens tratavam o grupo como se fizesse "música de qualidade". Fiquei chateado pois tenho acompanhado a mídia e tenho a certeza que o finado grupo contribuiu muito para a decadência cultural que vemos hoje.

Somente quem não tem discernimento ou é incapaz de associar fatos para não perceber que os Mamonas ajudaram muito para que a música brega e o rock ruim  pudessem se tornar populares e hegemônicos.

Quem analisar friamente a história da música brasileira, etapa por etapa, vai perceber o processo que levou tudo a essa decadência que encontramos em nossa musica atual. E a origem está claramente nos Mamonas Assassinas.

Os Mamonas Assassinas na verdade é um grupo de comediantes que usavam a sua música como forma de fazer humor. Eram bons músicos, mas pecaram por levar a coisa muito ao besteirol, além de fazer permutas com a música brega, transferindo a esta um caráter de "seriedade" que eles abriram mão como banda de rock. Lembrando que antes de adotarem o famoso nome, seus integrantes formaram uma banda séria de rock, conhecida como Utopia.

Não há mal nenhum em associar humor a música. Frank Zappa e Devo faziam música de qualidade usando humor. Até mesmo o Police lançou mão do humor em seus primeiros álbuns e na faixa Mother de seu último álbum, Synchronicity, que completa 30 anos neste ano.

O problema é que os Mamonas descambaram claramente para o popularesco e para o besteirol. Eram uma versão musical do Zorra Total, humorístico sem criatividade que é caracterizado por um desfile de bordões e frases prontas. Os Mamonas destruíram o saudável "preconceito" que a juventude tinha com a música brega e outras formas de música ruim. Interromperam a evolução da música, retomando o descompromisso alienado comum na música dos anos 40. Em miúdos: um retrocesso.

Se esquecem os fãs dos Mamonas que muita coisa que eles reprovam existe por influência dos finados músicos paulistas. Na minha opinião, os Mamonas eram os precursores do "happy rock", representado hoje pelas bandas Restart e Cine. Não consigo olhar para os integrantes do Restart sem me lembrar dos Mamonas. Quem procurar na internet vai encontrar inclusive fotos bem parecidas das duas bandas, com as mesmas poses e roupas igualmente coloridas.

Sinceramente acho um erro achar que os Mamonas representam alguma qualidade musical. Ainda mais que a banda colaborou para toda esta decadência cultural que está aí, ensinando a juventude a "respeitar" a música de péssima qualidade, no entender que "não existe música ruim", naquele pensamento que ditou as regras do mercado musical há mais de 70 anos e que voltam a tona, para o mal da evolução cultural.

Sinceramente, os Mamonas Assassinas, mártires da breguice juvenil, não fazem falta. Se morreram, é porque o destino quis que fosse assim. Mesmo que nenhuma lição possa ser tirada desse episódio.

domingo, 3 de março de 2013

Povo só vota com subjetividade

Hoje, o programa mais popular do dia, o Domingão do Faustão, irá mostrar os nomes que são considerados como os "melhores" da televisão. É uma espécie de Troféu Imprensa da Globo, só que com votação popular. E como é o telespectador que vota, já se sabe: critérios subjetivos, de gosto, de simpatia, usando apenas a emoção e não o raciocínio. Critérios que não servem como atestado de qualidade.

E é com estes critérios bastante duvidosos que os votos foram dados, resultando no especial que vai  rolar hoje, com a entrega dos prêmios. Pode até ser que os resultados coincidam com algum critério técnico, mas é muito pouco provável que a população, de baixíssima escolaridade, com informações embaralhadas em suas mentes, e sem o discernimento adequado, possa ter condições de avaliar uma boa atuação ou ouvir uma boa música.

Por isso eu não confio nessas premiações. Aliás,não confio em premiação nenhuma. Se um cara gabaritado tem condições de errar, imagine os pobres mortais! Já vi absurdos em resultados de votações, dignos de votos sem pé nem cabeça. Listas e mais listas de "melhores" praticamente só tem os nomes do momento (mais parece uma lista de "mais lembrados" do que de "melhores"). 

Curtam o programa que promete ser divertido. Mas não levem a sério o resultado. A cultura não irá melhorar com a definição de quem é ou não melhor segundo um programa popularesco. 

A qualidade de um artista está na obra em si e na postura que assume em relação a ela. Mercenários (que tem o lucro financeiro como único fim, sem medir esforços e ética para isso) nunca estão interessados em evoluir cultura nenhuma e sim ganhar muito dinheiro as custas dela. E isso é que deve ser levado em conta ao analisar os "artistas" que estão em voga nos últimos 20 anos.

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