sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Texto reflete sobre nosso desejo de pertencer a um grupo

OBS: Os seres humanos são seres sociais. Os brasileiros são ainda mais sociais. Pertencer a um grupo favorece a satisfação de muitas necessidades. Mas isso não é de graça, pois em troca, há regras a serem obedecidas. Como envolvem descontração e hedonismo, são regras que a maioria concorda em seguir de forma bastante descontraída. Os que se recusam são desprezados ou até expulsos do grupo.

O convívio em grupo é tão instintivo para nós que mesmo o mais ignorante, sem o mínimo de escolaridade, têm a consciência desta necessidade. Resta aos que se recusam a cumprir as regras de convívio social - no caso do grupo de "brasileiros", gostar de futebol e de cerveja - a solidão que pode ser encarada positivamente.

Embora esta solidão exija do solitário uma batalha pela sobrevivência que será mais difícil que a que estivesse se fizesse parte de um grupo social. Em grupo, todos sabem que se conquistarmos a simpatia alheia, conquistamos também as pessoas que irão nos ajudar nas necessidades mais básicas.

O texto abaixo, do escritor Gutto Carrer Lima, faz esta inportante reflexão sobre o pertencimento a um grupo, meta de 90% dos brasileiros. Leia com atenção e veja se não é isso mesmo.

Pertencimento

Publicado em Obvious, por Gutto Carrer Lima

Precisamos e queremos pertencer a algo que não nos possua. A solidão é a solitude que não sabe viver sozinha, e por isso busca desesperadamente a companhia do pertencer, por vezes ignorando a sua qualidade e o peso das suas regras.

Solitude errante

A SEGURANÇA DO PERTENCIMENTO: Podemos aprender e ensinar muito sobre um assunto específico vivendo sob o guarda-chuva do pertencimento a um grupo. É seguro, raramente os integrantes de um grupo de participantes espontâneos discordarão entre si, a menos que o integrante seja novo nele e esteja aprendendo. Discordar num grupo, especialmente se for novato, é pedir para ser excluído. Assim, as "tribos" se formam. E se fecham, como modo de protegerem-se para garantir que os seus conceitos perdurem em paz.

FUGA À SOLIDÃO: Apesar desta segurança e do muito que se aprende, quanto deixa-se de conhecer acerca de si mesmo preso aos ditames de um grupo? Até que ponto somos capazes de nos desvincular dos conceitos prontos? O quanto somos dependentes da sensação de pertencimento? Precisamos realmente pertencer a algo? Onde está a nossa liberdade de ser, considerando que quem "pertence" nunca poderá ser plenamente livre? Precisamos e queremos sim, pertencer, a algo que não nos possua.

AUTO-SUFICIÊNCIA: Quanto menos preciso pertencer, mais me aproprio de mim mesmo e maior é a liberdade que conquisto. O preço da liberdade é também a sua recompensa: a solitude, o desapego, que são causas e efeitos da auto-suficiência. Como um cometa errante, a solitude viaja pelo universo visitando astros de maior grandeza sem se prender a nenhum deles, exceto à supremacia do sol, que limita sua rota mas também lhe confere o seu movimento.

SOLITUDE NÃO É SOLIDÃO: Viver em solitude não é viver em solidão. A solitude encontra companhia de muitas formas. A solidão é a solitude que não sabe viver sozinha, e por isso busca constante e desesperadamente a companhia do pertencer, por vezes ignorando a sua qualidade e o peso das suas regras.

UTOPIA: As regras do convívio são tão difíceis de serem integralmente seguidas que geram a necessidade das normas e leis. E o que é lei é soberano à vontade. Numa sociedade em que todos fossem conscientes o bastante em todos os aspectos do respeito, as vontades de cada um convergiriam para o bem comum. Uma utopia, porque nossos desejos são facilmente manipulados. E por quem? Pelos grupos! Sejam eles quais forem, de uma mesa de bar à uma Nação.

VIVENDO A SOLITUDE: Minha experiência mais forte com a solitude deu-se circunstancialmente quando morei no campo. Nunca imaginei ir para lá e de repente lá eu estava, conhecendo-me sem nenhuma distração de mim mesmo além do espelho e do céu aberto numa romântica casinha com varanda. As mãos de Deus também se encarregaram de queimar a televisão com um raio numa tarde tempestuosa... e tempestiva. O celular só funcionava quando queria, de sorte, combinado com ter crédito para tal. E internet, somente na lan house a 15 quilômetros de distância, na cidade.

SOLITUDE PERDIDA: Ao voltar à vida urbana, perdi muito do que só no campo eu pude enxergar, além da paisagem. É um típico exemplo de como podemos regredir quando fora do ambiente adequado e distanciados de nossas legítimas vontades e afinidades.

Hoje necessito mais de outras pessoas, não tanto de suas presenças físicas, mas do delicioso olhar virtual diante o qual a internet me colocou. Ou seja, pertencimento, nos grupos em que participo ou eu mesmo formo. Há regras? Sim. Elas estão nas linguagens da expressão. Se eu quiser o olhar de muitos, bastará eu escrever o que muitos gostam. Se eu escrever o que sinto, serei excluído por muitos e aceito por outros, no entanto nem sempre e nem por todos, entre os poucos.

REENCONTRO: Esse é um dos aprendizados da rede social: não se pode agradar a todos o tempo todo. Portanto, o pertencimento é limitado e me limitará quanto maior for a busca insistente pelo outro, em vez de o encontro comigo mesmo.

E onde está este encontro? Ele está aqui, neste exato momento em que escrevo sem elaborar antes, permitindo-me tomar consciência do que minha alma já sabe e desejando saber-me inteiro. Cada sentença escrita é uma lição para quem a escreveu. Só me resta aprender.

O COMPARTILHAR: Os termos: "fãs", "seguir", "seguidores", são inadequados ao meu ver, porque eles nos induzem a ser e/ou a ter fãs, a seguir e/ou a ter seguidores. Não sei que outros termos poderiam ser usados que não trouxessem significados subjetivos de pertencimento. Gosto do "compartilhar", esta ação que nos proporciona levar aos outros o que, sem ela, somente a nós pertenceria. Recebê-la ou não, concordar ou não, é uma escolha livre que nos exclui ou nos torna parte do que compartilhamos, sem necessariamente representarmos e pertencermos a um ou outro grupo.

ACOMPANHANDO E BEM ACOMPANHADO: Nossas reais companhias passarão por fases e poucas se manterão. E não será por falta delas. Acontece de querermos quem não nos quer, o que causa uma certa frustração e sentimento de exclusão. Acontece de não notarmos quem está nos querendo, e com isso podemos estar perdendo. Acompanhar é um ato de amor, é importar sem desprezar a própria importância. Bem acompanhado é quem consegue notar e aceitar a quem quer ter a sua companhia, e valorizá-la tanto quanto valoriza a quem gosta ou gostaria de acompanhar. Porém, por mais que alguém seja assediado, não dará conta de retribuir a todos individualmente, o amor que lhe é oferecido. Ganhando ou perdendo, o tempo e a afinidade filtrarão naturalmente quem vai e quem fica.

Este círculo vivo é minha real companhia, formado por quem respeita a minha solitude e nunca me deixa só, e sente minha presença mesmo quando distante, tal como também posso senti-la. Sem regras. Sem condições. Um fluxo regido pelo respeito recíproco de aceitar e ser aceito, como se é.

Este texto é parte do livro Desapego, de Gutto Carrer Lima (Copyright © 2017 Desapego)

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O problema da Solteirofobia

 A vida adulta exige que cada pessoa tenha seu companheiro. A solidão é algo meio reprovada na vida adulta e representa, para os estereótipos das regras sociais uma derrota. Quem fica sozinho é porque não conseguiu alguém, seja por falta de esforço, seja por defeitos na personalidade ou na aparência.

Os costumes sociais tentam, de uma forma ou de outra, ridicularizar os solitários, colocando-os estigmas bastante negativos e não raramente ofensivos, por achar que, sendo "perdedores sociais", os solitários mereçam ser humilhados.

Se não bastasse a tristeza de alguns - há quem se sinta feliz sozinho - de terem que viver sozinhos, seja por falta de oportunidades ou falta de algum pretendente que corresponda aos seus anseios, há a lamentável sina de ter que ser objeto de chacota alheia, o que ajuda a transformar a solidão em um fardo maior do que já é.

Para as mulheres, há o estereótipo de "putas". Mulher que não se casa é imediatamente rotulada de "prostituta". O medo da rotulação faz com que muitas se casem com o primeiro que encontram pela frente, mesmo que não corresponda exatamente ao perfil desejado.

Para os homens, há a pecha de "terroristas neonazistas", pois para muita gente, homem que fica só se torna odioso e desenvolve um desejo de matar os outros, o que não é verdade. Terroristas nazistas não são assim porque estão sós. São assim porque têm a natureza odiosa dentro de si.

Enquanto isso, há muitos homens e mulheres solitários que não são prostitutas ou terroristas nazistas. Há muita gente boa solitária por diversos motivos. Uns que gostam de solidão - por ter uma vida mais tranquila e barata, sem grandes gastos - e outros que tem dificuldade de sair dela.

Um dos motivos que estimulam muitas pessoas a continuarem sozinhos é o clima alienado dos ambientes onde os solteiros se reúnem. Graças a ridicularização dos solteiros, estipularam que, na ausência de responsabilidade conjugal, solteiros teriam que agir de forma infantilizada.

Mesmo bebendo bebidas alcoólicas - estigmatizadas como coisas de adulto, mas que não impedem um comportamento infantiloide - os ambientes de paquera estão cada vez mais fúteis, desestimulando quem espera um relacionamento mais sério, onde se possa adquirir uma experiência proveitosa.

Infelizmente, ninguém apareceu para resolver este problema. Os solteiros continuam encurralados entre aderir a um mundo de futilidades dispensáveis ou serem humilhados por uma sociedade que considera relacionamentos estáveis como a consagração da vida adulta, obrigando a todos a ter um companheiro.

É triste ver que a solteirofobia anda bem alta, forçando as pessoas a escolher entre serem humilhados pelo sistema ou aderirem a um relacionamento fadado ao fracasso, pela falta de alguém suficientemente amadurecido para levar um relacionamento a sério.

domingo, 13 de setembro de 2020

Domingo, na opinião de um verdadeiro nerd

Para a maioria das pessoas que tem a vida social intensa, o domingo é o melhor dia da semana, longe do trabalho e com o tempo livre para se fazer o que quer. Mas tudo fica fechado, ruas desertas, serviços parados. Para quem não tem uma vida social constante, os domingos representam dias vazios, tristonhos e solitários, já que este vazio nunca é preenchido por aqueles que não tem ombros amigos para consolar.

Duas músicas que mostram essa visão de domingo, escritas e gravadas por verdadeiros nerds da música, Biquini Cavadão e Morrissey. São canções que mostram como nem sempre o domingo representa um dia feliz e ensolarado, que é o que a maioria (socialmente abastada) considera e que está presente na maioria das outras canções sobre o monótono dia internacional das ruas desertas.



quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Computador em Manutenção

A partir de hoje, vou realizar uma manutenção no computador e ficaremos sem postagens durante um tempo. Voltaremos em breve. Desculpem o transtorno.




quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Setembro amarelo e a ganância capitalista

É muito fácil para a classe média alta relativamente próspera chegar para alguém desesperado e dizer "não chore, dias melhores virão". Uma pessoa em que o sofrimento é crônico e nunca vê nada dar certo, reduzindo sua noção de otimismo a promessas vazias sem resultado prático, nunca vai confiar em mensagens positivas vindas de quem costuma viver bem.

Desde 2016, os motivos para uma pessoa entrar em depressão e cometer suicídio aumentaram drasticamente. A saída de Dilma Rousseff fez com que muitos brasileiros, da classe trabalhadora para baixo - e alguns de classe média que perderam seus privilégios - entrassem em uma situação catastrófica, tendo que abrir mão de parte do necessário para poder sobreviver.

Eu falei parte do NECESSÁRIO, pois supérfluos viraram artigo de luxo. A própria classe média abastada se agarra aos seus supérfluos como a criança teimosa que agarra um urso de pelúcia mofado e cheio de carrapatos. Fica fácil para quem tem o seu direito ao supérfluo satisfeito viver com otimismo e esperança.

Para quem ganha no máximo 2 salários mínimos, o que resta é escolher entre procurar fonte de renda complementar - que reduz o tempo livre para descanso ou lazer - ou abir mão de parte do necessário - como reduzir a quantidade de comida - o que pode ser prejudicial à saúde, fazendo surgir doenças cujo tratamento e remédios costumam ser bastante onerosos.

Fica complicado para alguém que chegou ao fundo do poço não pensar em encerrar a sua vida indigna. Num país onde nem mesmo as esquerdas estão dispostas a ajudar os mais carentes, preocupados com eleições e com causas supérfluas, resta aos mais carentes colocar a corda no pescoço e apertá-la para dar encerramento ao sofrimento que nunca se encerra.

Neste setembro amarelo é preciso cortar o mal pela raiz. Antes de tudo devemos enxergar a origem de tanta depressão e desespero que em muitos casos está na falta de dignidade da vida, graças ao salário baixíssimo e a falta de condições adequadas de vida. Coisas que a simples ida ao psicólogo nunca resolve.

É preciso lutar para que haja melhorias para todos para que os seres humanos estejam em condições de se sentirem fortes e felizes para poder viver e continuar lutando, com garra, mas sem desespero. Pois quando se luta com desespero é porque as condições s e escassearam. Aí o que resta é encerrar a vida. E não há psicólogo e nem otimista nenhum que consiga convencer do contrário.

Aquarius inova em sua divulgação e lança o anti-marketing

(Texto escrito na mesma data, no ano de 2016)

O filme Aquarius, do diretor Kleber Mendonça Filho, responsável pelo excelente O Som ao Redor, produção pernambucana que em si já tem material para uma boa polêmica, por envolver o problema da especulação imobiliária versus preservação de patrimônio histórico, um assunto que interfere diretamente no modo como a política e feita em nosso país. 

Mas o filme cresceu ainda mais quando a equipe de produção, junto com elenco, resolveu utilizar a divulgação no famoso e tradicional Festival de Cannes para avisar ao mundo sobre o triste golpe político que aconteceu no Brasil. Foi uma divulgação e tanto, além de mostrar que temos sim, celebridades dispostas a ficar do lado da população e da democracia.

Muito provavelmente por vingança, os respectivos ministros da Justiça e da Cultura, Alexandre Moraes e Marcelo Caleiro (curioso que eu sou Marcelo e tenho um irmão chamado Alexandre - que não faz parte da equipe deste blog, nem como colaborador - mas nós condenamos o golpe), combinaram de censurar Aquarius por causa de "relações sexuais complexas". Como é que é?

O sexo que aparece no filme é apenas um detalhe, como algo que faz parte do cotidiano da protagonista. Nem é o foco no filme. Será que o fato de envolver uma mulher de quase 70 anos incomodou os integrantes de um governo onde um presidente setentão é casado com uma menina que poderia ser sua neta? Provável que não, mas achei interessante  propor esta questão.

O primeiro Anti-marketing da publicidade brasileira

Na verdade a censura foi uma vingança contra elenco e equipe pela justa e importante denúncia feita sobre o golpe. Quase todas as instituições brasileiras, infelizmente, se tornaram cúmplices do golpe e os brasileiros ficaram sem ter a quem recorrer. Se não há brasileiros para nos socorrer, é preciso pedir socorro ao mundo, principalmente a sociedades que passaram por esta triste experiência antes.

A censura feita pelos ministros não foi aceita passivamente. Aliado aos golpistas, o jornalista de orientação fascista Reinaldo Azevedo, havia falado mal do filme recomendando que os "homens de bem" (como os fascistas gostam de ser chamados) não vejam o filme. A equipe de Aquarius pegou a frase e colocou no cartaz oficial do filme como uma "recomendação".

A ideia é ao mesmo tempo atrair as pessoas sensatas que reprovam todo tipo de intolerância e espantar fascistas e simpatizantes deste golpe. Pelo menos, ao ler o cartaz, os fãs e concordantes de Reinaldo Azevedo, troleiros em potencial, são impedidos de invadirem os cinemas para fazer arruaça durante a exibição do filme. Além de serem objeto de chacota por ver uma reprovação sendo utilizada como chamariz para valorização do excelente filme.

Foi uma boa sacada da equipe. Não vi o filme, mas recomendo. Vi O Som ao Redor e gostei muito Pretendo assisti-lo novamente, pois ele, por ser denso e inteligente (lembra bem os filmes de Goddard), lança questões que muitas vezes não aparecem na primeira audiência. 

Mas conhecendo o modo de pensar de Kleber Mendonça Filho e dos consagrados atores de seu Aquarius, essa estória de uma mulher que defende um edifício antigo prestes a ser demolido para dar lugar a um novo, dá para perceber que após assiti-lo, muitas lições de vida serão aprendidas pelo seu público, mostrando um novo modo de enxergar a nossa triste realidade.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Posar de ofendido exige menos esforço

Quando a gente faz uma crítica sobre o defeito de alguém, esse alguém (ou seu defensor) sempre posa de ofendido, dizendo que quer ser respeitado e coisas parecidas. Porque ao invés de "exigir respeito", o cara não aceita as críticas como construtivas e corrige aquilo que foi criticado? Simples: exige menos esforço.

As pessoas mais atrasadas intelectualmente (parece que ser burro hoje em dia virou moda, inclusive entre os progressistas e entre os portadores de diploma de nível superior) gostam de ter bons rótulos, mas sem realmente seguir o que o rótulo exige. Porque para adquirir qualidades não é nada fácil, pois exige esforço.

Portanto é muito mais conveniente para a maioria das pessoas ter um rótulo positivo, sem ter a qualidade atribuída pelo rótulo. E aí vem burros que pensam que são "inteligentes", mentirosos que se dizem "sinceros", conservadores que posam de "modernos", insensíveis que se acham "românticos", ditadores que querem ser donos da "democracia" (a burguesia brasileira é bem assim), egoístas que posam de caridosos, marias-vão-com-as-outras que se auto-rotulam de "esquisitas". Até mesmo a comunidade "Odeio Hipocrisia" é a que mais tem hipócritas (visite os perfis de cada membro e veja as referências), o que gerou até piadas sobre isso.

Sempre digo aos meus conhecidos: o primeiro passo para a correção de um defeito, é admitir que tal defeito existe. Mas o mesquinho orgulho humano não permite. Vivemos num país em que as pessoas se consideram prontas quando chegam a idade adulta, chegando a envelhecer com o mesmo defeito que possuía aos 17 anos.

Para gente desse tipo, é mais conveniente (e menos trabalhoso) chamar o defeito de "característica diferente" e posar de ofendido, quando criticado.

Desse modo, as pessoas não evoluem, a sociedade conserva suas injustiças e tudo fique na mesma, com problemas se acumulando. Até que algum fracasso ou até desastre, mostre a essa gente excessivamente vaidosa que defeito é defeito, e por ser defeito, tem que ser corrigido. Com urgência.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Brava gente? Que gente? Brasileira? Essa não!

Brasil não é para principiantes. O povo brasileiro e seu festival de crenças, costumes e gostos faz do nosso país a versão live-action de nações surreais da ficção como o País de OZ e o País das Maravilhas. E desde 2016 acrescente-se a isso, características distópicas de filmes pós-catastróficos como Mad Max, onde humanos desesperados lutam pelos bens que não existem mais.

Brasileiros são um povo doido. Com a imaturidade de um bebê de 520 aninhos, diante de nações com mais de 5000 anos, que passaram por experiências traumáticas ainda desconhecidas de nosso povo, os brasileiros ainda não sabem como sair de sua condição de sub-desenvolvimento.

Com o egoísmo em alta e com noções bem precárias de altruísmo - muito mais resultado de nossa religiosidade do que da vontade de ajudar os outros - apelamos para soluções estereotipadas que sempre se demonstraram fracassadas para resolver os problemas nacionais. 

Somos incapazes de criar novas soluções para novos problemas e por isso sempre recorremos, sem sucesso, a soluções antiquadas. Mesmo depois do fracasso, continuamos a procurar no passado, ignorando seus resultados pífios ou desastrosos, soluções comprovadamente fracassadas na esperança que um dia possam dar certo. E novamente dão errado. 

Graças a nossa incapacidade de resolver problemas, preferimos optar pela fuga. Mesmo a esquerda bravateira e a direita odiosa, mesmo com a oposição ideológica, são brasileiros. E como brasileiros, correm logo para os braços do futebol, do álcool e da religiosidade para procurar uma solução que não consegue sair de suas mentes ainda intelectualmente atrofiadas.

E festas, festas e mais festas. Fascinado por multidões reunidas fazendo a mesma coisa - revogando a vocação do Brasil para a diversidade - o povo brasileiro não resiste a uma festividade, onde encontra a compensação para o altruísmo que não sente. Afinal, se não deseja que a humanidade se evolua e viva com qualidade, desejar que muitos se divirtam parece bom e não precisa mudar nada.

Não sei o que esperar do Brasil. Estou cercado de gente desinteressada em melhorar o país:
- Por um lado, uma direita odiosa, negacionista e que deseja inverter realidade e ficção para que suas crenças tolas e interesses gananciosos prevaleçam. 
- Por outro lado, uma esquerda deslumbrada, conservadora no lazer, nas crenças e nas relações sociais, que mostra medo da direita. 
- No meio, capitalistas moderados, metidos a imparciais, que se recusam a assumir as culpas por toda a desgraça que acontece no país.

Estamos fritos. Essa "brava gente" que vive correndo de tudo não se empenha para que o Brasil melhore. Não tenho tempo de vida suficiente para ver o Brasil prosperar. É cenário de OZ, de País das Maravilhas. Com uma grande e picante pitada de Mad Max.

520 anos depois, ainda não sabemos viver como uma nação


O Brasil pelo jeito não tem vocação para país. Surgido para ser apenas uma espécie de estoque para exploração alheia, ele parece retomar a sua vocação de fonte de exploração após tentativas sabotadas de se tornar uma verdadeira nação. Sabe-se que as elites mais poderosas e aqueles que as apoiam não fazem questão que o Brasil seja um país, apenas se aproveitando desta condição para satisfazer interesses particulares.

O povo brasileiro sempre foi desestimulado pela racionalidade. Se existem pessoas racionais e sensatas no Brasil, foi por iniciativa própria, pois nenhuma instituição tradicional no Brasil serviu para estimular um pensamento que fosse ao mesmo tempo crítico, racional e verdadeiramente altruísta. Se somos o terceiro povo mais ignorante do mundo, é porque houve meios que facilitaram estra triste colocação.

Se em tempos melhores nunca fomos de fato um povo "heroico" que "não foge a luta", em tempos ruins, como o que se iniciou no último dia de agosto, um mês que é estigmatizado por ser azarento, mas que este ano foi relativamente tranquilo (por causa das Olimpíadas), mas que reservou o tradicional mau agouro para o último dia, com o fim da jovem democracia de apenas 35 anos.

Claro que em dias cívicos como o de hoje é um palco perfeito para hipócritas fingirem o seu patriotismo. A Pátria, entidade abstrata e por isso, quase irreal (só existe de fato em documentos), só existe de verdade com o seu povo. Prejudicar o povo para salvar a Pátria é uma insanidade sem tamanho. O que os defensores da "Pátria" achariam se toda a população brasileira fosse aniquilada, como querem alguns fascistas? Haveria país sem povo?

A mídia oficial conseguiu dividir o país em uma irresponsável polarização política. Ao invés de estimular os brasileiros a pensarem no povo como um todo, acabaram criando um clima de guerra que faz com que cada um defenda a sua preferência política, ao invés de pensar em melhorar a qualidade de vida e melhorar também a compreensão da realidade de nosso país.

Estamos divididos. Não nos comportamos como membros de uma nação. A direita vitoriosa se prepara para eliminar direitos e assassinar a soberania nacional. As elites protegem seus privilégios como rotweillers humanos babando ódio. Fascistas exigindo "limpeza" étnica para que seus bens e direitos sejam exclusividade sua. Enfim, o Brasil virou um pesadelo em forma de território.

Hoje estou muito triste. O Brasil de 7 de setembro de 2020 não pode mais ser considerado um país. Fragmentado em classes e ideologias e empenhado a entregar nossas maiores riquezas e gananciosos empresários estrangeiros, nos preparamos para ser um novo Haiti, com uma próspera elite de poucos membros e uma gigantesca massa de carentes, abandonados por lideranças de todos os tipos.

Tempos tristes estes no Brasil. Infelizmente o Brasil morre como nação e sobrevive como fonte de exploração por mentes gananciosas do poder econômico-político-jurídico-midiático. Precisamos declarar Independência de todas as gananciosas elites, antes que morramos como nação.

domingo, 6 de setembro de 2020

A contradição entre se casar e não pertencer a ninguém

O ser humano ainda está aprendendo a raciocinar. Por isso aceita com naturalidade uma série de contradições, situação onde a compreensão humana permite aceitar uma coisa como sendo e não sendo ao mesmo tempo. Uma dessas contradições é querer se casar e não pertencer a seu cônjuge, tendo o direito a uma vida social com uma boa quantidade de amigos.

A explicação para o fato das pessoas fazerem questão de contraírem matrimônio ao mesmo tempo que querem uma vida livre na sociedade é complicada. Antes, é preciso entender porque existem regras sociais que impõem um ritual para todos os adultos, a ser seguido por toda a vida.

Como forma de impedir a subversão e deixar o sistema social "organizado" (apesar da inevitável geração de injustiças), os adultos foram obrigados a seguir uma série de rituais em suas vidas, que pouco ou nada deve variar de individuo para individuo. Esses rituais são difundidos pela mídia, consagrados pelos costumes sociais e cobrados pelos integrantes dos grupos sociais formados.

Esta série de rituais existe para que as pessoas se tornem mais confiáveis umas para as outras. Seguir a maioria é sinal de simpatia, inclusão e cooperação para a maioria das culturas mundiais, incluindo a brasileira. Por isso que há rituais. Entre esses rituais está o casamento.

Por mais romântico que possa parecer a união entre duas pessoas, vamos combinar que quando há namoro, noivado e casamento significa que uma pessoa passa a pertencer a outra, como se fosse um patrimônio. Os Cônjuges são donos uns dos outros e o sentimento de posse é inevitável. 

Contraditoriamente, as mesmas pessoas repelem a ideia de posse e afirmam que ninguém é de ninguém, mesmo se casando. O nojo que a maioria das pessoas têm do "casal grude" vem dessa ideia. Então para quê se casam? Para agradar a sociedade, ora!

Para tornar mais claro, vamos imaginar uma situação: 

O homem se casa com uma mulher de vida social intensa. O homem se considera romântico e sensível e teve poucos relacionamentos. Finalmente se casa com a mulher, mas gostaria que ela se dedicasse mais a ele. Nos finais de semana, a mulher prefere estar com amigos em bares e boates. Ela preferia que o marido estivesse junto dela nesses lugares, compartilhando os amigos, mas o homem é caseiro e prefere atividades sossegadas, a sós com a mulher. Mas para ela, os amigos são prioridade e ela não os larga de jeito nenhum, assim como a diversão frenética gerada nestes ambientes.

Isso explica muito bem esta contradição. Mas então, se o ser humano, que não é monogâmico por natureza - os costumes sociais o obrigam a ser monogâmico - não pertence a ninguém, porque não decidir pelo amor livre reivindicado pelo movimento hippie na década de 60?

Acho que deveríamos decidir entre a dedicação total {as pessoas escolhidas para nossos parceiros afetivos, ou desistamos dos matrimônios, optando por uma vida mais livre, sem os compromissos que todas as famílias têm e que obrigam um certo nível de ganância, poisa vida familiar é  muito cara para se manter.

O amor livre seria uma solução, pois seria uma democratização da vida amorosa, dando oportunidade de todas as pessoas a se relacionarem com aquelas que realmente gostam. O casamento privatiza o afeto e transforma pessoas em patrimônios uma das outras. Isso faz com que as mulheres que eu quero sejam comprometidas e só sobrem as que eu não gosto. 

No amor livre, isso não acontece, Sem donos, posso ficar com as mulheres que eu quero, nos momentos que eu quiser, sem me apossar delas, como acontece no casamento. Evitaria brigas por ciúmes, mas também evitariam os casamentos por conveniência, tirando das mulheres a oportunidade de enriquecerem com facilidade.

O amor livre estaria de acordo com o instinto poligâmico do ser humano, tornaria a vida amorosa mais democrática e acabaria com os problemas gerados pelo sentimento de posse estimulado pelo namoro e pelo matrimônio. 

Parece menos romântico, mas é o ideal enquanto aprendemos a ser humanos. O relacionamento fixo com alguém exige dedicação total de cada cônjuge, pois queiram ou não, um passa a pertencer ao outro, como um patrimônio humano.

Se quisermos nos casar com alguém, é preciso amar mais esta pessoa do que as outras. Igualar o cônjuge aos amigos é desejar a poligamia, mesmo que não haja sexo com amigos, pois aquele pessoa eleita nunca vai gostar de ser colocada em um nível igual ou inferior aos amigos de seu parceiro.

Escolham: ou se casam e dedicam exclusividade aos seus namorados e cônjuges ou assumam o amor livre, se envolvendo sem compromisso com as pessoas que encontrar, respeitando o instinto poligâmico do ser humano. 

O que não dá é essa contradição de se casar e tratar o parceiro como se fosse "mais uma migo" no meio social. Parece coisa de quem não sabe o que quer, que gosta de seguir a maioria e cumprir os rituais por ela impostos. E não há nada de romântico em cumprir regras.

sábado, 5 de setembro de 2020

O fascínio dos brasileiros pelas aglomerações

O ser humano é, por instinto, um ser social. Mas o ser humano brasileiro é, culturalmente, ainda mais social. Aparentemente avesso a vocação à diversidade, o povo brasileiro sempre sonhou com imensas multidões fazendo a mesma coisa, numa falsa concórdia que é mais nociva do que benéfica.

A quarentena recomendada para a prevenir a contaminação da covid, esta nova doença nascida de uma guerra biológica política, irritou os brasileiros, que isolados sozinhos ou em pequenos grupos em suas casas, se sentiam incomodados com a falta de massivo convívio social da qual estavam acostumados.

Para muitos, vida social é estar no meio de multidões, fazendo a mesma coisa. As aglomerações são um item cultural tão valorizado que molda a personalidade dos brasileiros, fazendo com que gostos, ideias e costumes tenham relação quase direta ou até direta com aglomerações. Tudo que é popular é ultra-valorizado e o que é impopular, desprezado. Isso coloca rigidez nas regras sociais.

Como para muitos, sossego é sinônimo de tristeza e pequenos grupos é sinônimo de solidão, os brasileiros logo trataram de uniformizar seus pensamentos, para evitarem a solidão. Isso explica porque modismos pegam fácil no Brasil e porque a cultura alternativa é um fracasso entre brasileiros, que consideram "alternativas" tendências populares que soem um pouco esquisitas para a maioria.

Já com as tendências de altíssimo nível de popularidade, como futebol, cerveja, religiosidade, astrologia, casamento, etc., são perfeitamente institucionalizadas, se tornam "vacas sagradas" cuja reprovação se torna proibida e condenável. A voz das maiorias, mesmo quando erram, lhes dá a razão necessária para que se tornem intocáveis, imutáveis, colocadas num pedestal para serem admiradas.

Essas tendências tem muito a ver com aglomerações e isso exerce um estranho fascínio quase fetichista para os brasileiros. Como se o fato de ser seguido por imensas multidões em si oferecesse um prazer peculiar. Se já não bastasse o estereótipo de que tudo que é popular parece melhor do que o impopular, uma ideia consagrada em nosso país.

Por isso que, mesmo com a vocação para a diversidade, recusada pela maioria dos brasileiros, se observa tantas manifestações de pensamento único, sendo difícil encontrar pessoas com diferencial admirável, tendo a maioria que seguir um gado ideológico para se divertir sociabilizando, já que ainda acreditamos nesta lenda urbana consagrada de que a maioria sempre está correta.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Foco no receptor desvaloriza a arte

Em postagem recente, havíamos falado que pessoas progressistas resolveram mudar os conceitos de arte e cultura para favorecer formas mais medíocres, inserindo nelas características que não fazem parte delas, aumentando, sem merecimento, a sua importância.

Ao afirmar que a arte é polissemântica, ou seja, não tem significado próprio, acaba por dar ao público receptor a capacidade de definir qual o seu sentido. Isso ocorre quase sempre de forma subjetiva, permitindo falsos sentidos e portanto, fake news, teorias conspiratórias e vários tipos de absurdos.

Isso acaba tirando da arte a sua importância e desvalorizando o criador de uma obra considerada artística. Pergunto: para quê serve a arte se ela por si só não significa nada? Se o público receptor (subjetivo) é mais importante que o criador (factual) de uma obra, seria melhor não haver arte, pois ela não tem a função de comunicar, o que deveria ter.

Se o que o emissor quer dizer não tem sentido e a função de interpretar é do receptor, o diálogo entre eles nunca é estabelecido. É como se eu dissesse "vamos tomar um chá de erva mate" e o receptor me chamar de assassino, somente pelo uso da palavra mate, que tanto é o nome do chá quanto uma flexão do verbo matar.

Sem sentido, a arte acaba morrendo

Essa reinterpretação, somada ao foco dado ao público receptor, considerado pelas forças progressistas mais importante que o artista - e é quem julgará o emissor, definindo sua importância, com base em critérios subjetivos - tem favorecido com que uma confusão entre o que é bom ou não na arte/cultura se estabeleça, quase sempre provocando injustiças, valorizando os ruins e condenando os bons.

A iniciativa de entregar ao receptor a interpretação do que o emissor quer dizer destrói a arte e torna tudo confuso e sem sentido. Como a arte perde o sentido, ela perde a sua razão de ser, se tornando mais uma brincadeira a divertir a plateia como um jogo de advinhas. 

O pior que, mesmo assim, os progressistas continuam a levar a arte a sério, mesmo quando é malfeita ou fala verdadeiras asneiras ou quando é produzida de forma mercadológica, muito mais para gerar renda ao emissor ou ao produtor/empresário deste do que realmente para transmitir uma ideia.

Por isso, eu digo: a arte morreu na década de 40, ou talvez antes. Só que os progressistas se recusam a admitir isso, a fazer o velório e a enterrá-lo. Para os progressistas, a arte está em sua melhor fase, mesmo produzindo do ruim ao pior. 

Porque se é o receptor que interpreta a obra, digamos que uma produção ruim pode facilmente ser considerada maravilhosa, sob o ponto de vista do subjetivo receptor. Bom para o emissor, que não precisa se esforçar para criar algo bem feito, se quiser ganhar - muito, mas muito mesmo! - dinheiro às custas da ingenuidade alheia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Esquerdas e a noção errada do que é arte e cultura

As pessoas precisam sobreviver. E para sobreviver, você faz qualquer coisa. Inclusive o que detesta. Se o objetivo seu é enriquecer, também você faz qualquer coisa. Inclusive o que detesta. mesmo assim, há quem considere que alguém capaz de fazer o que detesta, ou age de acordo com o interesse alheio, ainda continuará fazendo arte e cultura. 

É muito estranho ver os esquerdistas ainda considerarem que a arte e a cultura continuam fortes, mesmo com a interferência do dinheiro nas carreiras de seus criadores e emissores e no desejo exclusivo de diversão do público receptor. Fazer algo só por dinheiro e consumir algo só por diversão tem um nome: ENTRETENIMENTO. Mas as esquerdas têm medo desta palavra.

Não dá para ver espontaneidade legítima em alguém que faz entretenimento para um público pouco afeito a racionalidade e mais interessado em se divertir. O nome entretenimento parece muito mais adequado aos dias de hoje, mas progressistas em geral detestam usar esta palavra, creio porque ela minimiza a importância daquilo que eles querem defender.

Mas desde a década de 40, creio, a transformação da atividade artística em profissão e fonte de renda, tirou a espontaneidade de suas obras, criadas muito mais para gerar renda do que para se comunicar com o público receptor, este desde então, pouco interessado em usar estas obras de forma intelectual, preferindo usa-las para passar o tempo e satisfazer instintos.

Mas as esquerdas ignoram isso e acabam por igualar os intelectuais que criam as suas obras para transmitir alguma lição de vida aos receptores com as armações criadas nos escritórios de gravadora, gravando bobagens só para entreter o público alvo. Não dá.

Para piorar, as esquerdas inventaram que a arte é polissemântica e que o receptor - sempre ele, único foco cultural das esquerdas - é que deve interpretar, a seu gosto, o que o emissor está dizendo. Pelo jeito passaram a achar as criações de Bob Dylan uma idiotice e as bobagens de menudos como o BTS, verdadeiras e puras obras de arte.

Na verdade, não deveria se falar em arte e cultura em um mundo distópico e mediocrizado como o dos últimos anos. O que há é entretenimento, diversão pura, que existe para dar dinheiro aos seus criadores e executores. Falar em arte e cultura é forçar a barra para que o medíocre seja tratado como genial e enganar a população dizendo que o mundo é muito melhor do que realmente é.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Não confundam Deep Web com Dark Web

Graças aos algoritmos, criados para satisfazer os interesses de lucros dos magnatas que controlam a internet, os mecanismos de busca, principalmente o mais famoso deles, o Google, têm limitado muito os resultados de busca, sempre omitindo resultados para quem quer fazer uma pesquisa detalhada e cheia de conteúdo.

Na verdade, muitas coisas existentes na internet não aparecem nos sites de busca mais conhecidos. Além dos lucros, há a intenção dos administradores de mecanismos de busca de priorizar resultados que fossem mais populares, para tentar manter o pensamento único na sociedade, impedindo mudanças de conceitos que interfiram nos gananciosos interesses desses e de quaisquer magnatas.

Mas como fazer uma pesquisa mais ampla, que fosse bem além das limitações do Google & CIA? Recorrendo a Deep Web, que, nada mais, nada menos, é tudo que existe na internet mas não é encontrado pelos mecanismos de busca tradicionais.

Só que no Brasil, tradicionalmente costumamos ter o medo do desconhecido e passamos a pensar que Deep Web é um antro de vírus, spyware e crimes tecnológicos. Isso nos faz conformar com os limitados resultados dos mecanismos de busca tradicionais, que consideramos mais confiáveis, embora nem estes impeçam vírus e crimes de internet.

O medo acaba por criar uma confusão entre Deep Web e Dark Web, este último sim, um espaço suspeito dentro da primeira. Deep Web é tudo que não aparece nos meios de busca tradicionais. Nele, situam-se sites existentes e que só são conhecidos por meio do boca-a-boca ou por browsers especiais capazes de achar o que não é encontrado pelos meios tradicionais.

Dark Web seria a parte da Deep Web onde ocorrem todo tipo de ação desagradável, criada intencionalmente para prejudicar usuários, seja roubando dados bancários, seja destruindo computadores e celulares. A Dark Web é que deveria despertar desconfiança dos usuários.

Esta confusão entre Deep Web e Dark Web, como se ambas fossem sinônimos de uma internet criminosa, é interessante para os administradores dos meios tradicionais, pois causariam medo nos usuários, que limitariam seu uso a estes meios, supostamente mais confiáveis, impedindo a evolução da internet e garantindo o pensamento único que protege a ganância capitalista.

A internet oficial, pelos maios tradicionais, tem piorado muito nos últimos anos. Browsers mais limitados, sites pesados com estética avançada inútil, buscas limitadas, etc.. A internet perdeu muito do prazer inicial cheio de novidades que empolgou usuários de 10 e 20 anos atrás.

Será que teremos que recorrer a Deep Web, por meio de browsers poderosos, para recuperar o prazer de uma internet sem limites e totalmente rápida e fácil de acessar?

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Maioria de mulheres solteiras costumam agir como idiotas em aplicativos de paquera

Para o sistema, mulheres inteligentes devem casar, enquanto as burras devem ficar solteiras para entreter homens solitários. O casamento serviria de uma espécie de "mordaça" para que a mulher inteligente não se emancipe. Embora o falso mito de que as mulheres mais racionais afastam os homens é espalhado para que as burras se assumam como "inteligentes e emancipadas".

Mulheres que sabem o que querem devem ficar casadas. O marido, este sim  com o dever de ser inteligente e emancipado, deve dominar a mulher realmente inteligente para que ela seja impedida de mudar o mundo. Casada, a única coisa que a mulher inteligente deve fazer é cuidar da família e do emprego que tiver (se ela for permitida pelo marido, geralmente arrogante e autoritário, para trabalhar).

Por outro lado, as solteiras não podem ser nem inteligentes nem emancipadas. Como estão sem as rédeas de um macho dominador, elas devem permanecer na ignorância para não mudar o mundo. Devem permanecer na ignorância e no lazer irresponsável para que os valores machistas se mantenham íntegros.

Por isso que as solteiras, imbecilizadas pela mídia e pelos costumes sociais, resolvem desfilar a sua ignorância nas redes sociais, em contradição ao fato de estarem procurando homens inteligentes. Mulheres nunca fizeram questão de afinidade, apenas de proteção e sustento. Por isso não é raro uma mulher burra se apaixonar por um homem inteligente, que detesta tudo que ela ama e vice-versa.

Visitando aplicativos de paquera, é muito raro encontrar mulheres cujo perfil se pareça com as it-girls inteligentes que se casam com magnatas mau-humorados. O domínio das solteiras se encaixa no perfil da BBB: beata-bebum-boleira. Mesmo que finjam gostar de "música de qualidade" - pelo menos o que elas entendem como tal - os referenciais culturais costumam ser os piores possíveis.

Por isso que enquanto a maioria das mulheres inteligentes, com algo a dizer e referencias culturais realmente importantes, se casam e entre as solteiras, predominam as idiotizadas - devem adorar aquela música de um pagodeiro-canastrão que pergunta "se ela não tem dono" - fazendo com que os aplicativos e fóruns de paquera sejam um desfile de babaquices.

Isso tira a opção de homens solitários de escolherem alguém decente para namorar. Por isso que muitos homens optam pela solidão a estar mal-acompanhados. Mesmo sendo acusados de "nazistas" por um bando de esquerdistas alienados que não sabem educar as suas mulheres a se tornarem menos idiotizadas. Mas pelo jeito ser imbecil está na moda. Afinal, temos um na presidência!

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