sábado, 26 de junho de 2021

Pós verdade e subjetivismo: opiniões compartilhadas são confundidas com fatos

A lei do menor esforço diz que a racionalidade exige muito esforço. É ruim ter que contestar, analisar, verificar. Exige muito trabalho, muito tempo de dedicação e não raramente, abnegação, ou seja, a recusa em atividades e valores considerados positivos e agradáveis. Pensar é muito ruim. Mas posar de inteligente e alegar que pensou sem ter pensado, aí é bom demais.

Essa recusa a pensar acabou criando o fenômeno da pós verdade, quando as fronteiras entre opiniões (compreensão subjetiva da realidade) e fatos (o que realmente acontece) praticamente desaparecem. Muitos nem mais sabe a diferença entre um e outro e o achismo acaba sendo uma forma usada por quem não quer verificar informações para definir qualquer conceito sem parecer um ignorante.

Só que há o problema de muitas pessoas concordarem com algum conceito obtido de forma subjetiva e, pelo espiral do silêncio, acabarem transformando tais conceitos em fatos, como se fossem verdades absolutas e fatos realmente ocorrentes. Acontece muito com a religião, no Brasil, a fé cristã, cujas crenças se tornam fatos só porque são compartilhadas com um número gigantesco de pessoas.

Trocando em miúdos, uma ideia falsa, quando compartilhada por muitas pessoas, se torna verdadeira, pois ainda acreditamos que, se muitas pessoas pensam a mesma coisa é porque é este pensamento é verdadeiro, embora seja possível logicamente que muitas pessoas possam errar ao mesmo tempo. A burrice e a loucura podem sim, serem coisas de maioria, males de grandes multidões.

Por isso que muitos mitos nascem, fazendo as pessoas transformarem algo que não é verdadeiro em uma ideia defendida como uma verdade inquestionável, mudando a compreensão da realidade e distorcendo conceitos, fazendo algo parecer o que não é para os olhos da maioria.

Assim nascem os estereótipos, as fake-news, os wishful thinkings, o otimismo exagerado, a fé religiosa e os preconceitos resultantes de todos esses fenômenos. Por isso que brigamos, que deixamos de melhorar a sociedade entre outros erros que cometemos graças a nossa incapacidade de compreender o mundo. Não raramente, recusar a pensar cobra um preço muito caro de toda a humanidade.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Fazer obras de ficção sobre pobres pode ter intenções manipuladoras

No Brasil, praticamente só se escreve obras de ficção onde os protagonistas ou os principais núcleos sejam de pessoas financeiramente carentes. Uma obra como o seriado setentista Dallas, que mostra o cotidiano de uma grande família de ricaços, é algo praticamente impensável nas mentes de produtores e diretores das obras realizadas no Brasil.

Argumentam esses diretores e produtores que a vida dos pobres é mais interessante, tem mais coisas a se falar. Ué, se a vida de pobre é "tão interessante", porque boa parte desses diretores e produtores vivem - ou anseiam viver - com toda a fartura caracterizada pela família que protagonizava Dallas? Fazer filmes sobre pobres deve ter na verdade outra intenção.

Embora os responsáveis pelos meios de comunicação vivam negando o tempo todo, estamos carecas de saber que a mídia manipula a população, ditando costumes, impondo ideias e induzindo a gostos bem duvidosos, que acabam prendendo a população numa alienante inércia que só tranquiliza a classe poderosa, que permanece tranquila na manutenção das injustiças que satisfazem seus interesses.

E como isso acontece?

Pode parecer estranho enxergar más intenções na criação dessas obras que "pretendem mostrar o lado humilde da humanidade brasileira", mas não podemos esquecer que quem patrocina, quem investe dinheiro nestas obras, é gente interessada diretamente na manutenção das injustiças sociais. Falando curto e grosso, as obras são financiadas por gente que se beneficia com as injustiças sociais. Até porque para existir ricos, tem que existir pobres e vice versa, já que os ricos possuem o excesso que deveria estar na mão de quem está na pobreza.

E essas obras são feitas para criar uma identificação, mostrando apenas pobres mansos, tranquilos, que nunca prejudicam as classes abastadas. Como animaizinhos dóceis que sorriem diante do imponente dono. Uma beleza.

Aí usa-se essas obras como uma espécie de "manual" de como os pobres devem se comportar, que para sair da pobreza deve sofrer e muito, lutando contra os obstáculos ("sabiamente" colocados pelas classes abastadas para dificultar ainda mais a subida dos pobres) atá sangrar, para depois utilizar essa experiência passada como escudo para possíveis críticas futuras, como é comum hoje em dia.

O curioso que a sociedade quer que o pobre se esforce para vencer, mas cria condições para que esse esforço fracasse. É como se a mesma pessoa que estende a mão para salvar alguém que está no fundo de um poço, empurre a mesma pessoa para baixo com a outra mão.

E assim vemos muitas obras sobre pobres "batalhadores", mostrando que se as classes carentes quiserem sair de sua humilhante condição, devem seguir as regras impostas pelas classes abastadas, neste interminável jogo de poucos vencedores, onde a realidade consegue ser muito mais cruel do que a ficção, graças justamente a essa glamourização que transforma qualquer vida de pobre em um conto de fadas, com doces "Cinderelas" que logo se transformarão em "Gatas Borralheiras", assim que passarem os créditos finais de qualquer obra que as retrate.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Qual a vantagem de se morar em uma mansão?

Eis a mansão gigantesca que a modelo brasileira com cara, corpo e nome de alemã, Gisele Bundchen comprou com seu marido, o esportista Tom Brady, para viverem junto com a sua família. Tem praticamente um tamanho e estrutura de um shopping de médio porte, só que feito para uma única família.

Muita gente sonha em viver numa mansão dessas, o que é algo que para mim foge de qualquer lógica. Que vantagem poucas pessoas viverem em um lugar tão grande e cheio de compartimentos? Só se for para se exibir aos outros, como se isso fosse uma qualidade da pessoa. Como se fosse uma espécie de troféu por ter sido uma pessoa agradável e amada por muitos.

Eu nunca gostei de casas ou apartamentos grandes justamente pela sensação de vazio que geram. É a mesma sensação de uma casa vazia, ou uma casa abandonada, em construção, etc.. Um vazio total. Uma inevitável sensação de solidão. Prefiro casas pequenas, como a que eu moro atualmente.

Mansões, além de serem símbolos da arrogância e de ganância das celebridades, é na verdade um pesadelo que contribui ainda mais para a manutenção da tristeza de uma vida normalmente sem amor e sem simplicidade. Uma vida triste falsamente compensada com o excesso de dinheiro depositado constantemente em gordas contas bancárias em paraísos fiscais.

A sua única manifestação de algum romantismo se dá por gestos apenas aparentes, numa falsa fachada que acaba por iludir os fãs dessa celebridade, que correm o sério risco de serem decepcionadas pelo - aí sim, natural e legítimo - comportamento antipático da tal celebridade que, com razão, pede desesperadamente pelo sossego que não consegue ter.

E o benefício que a mansão dará para quem a adquiriu? A resposta certa: nenhum. Vai confinar a família numa solidão tenebrosa, onde os membros da família permanecerão isolados entre si e do mundo, acompanhados apenas da verdadeira tristeza que o isolamento sabe dar como ninguém.

Nem o pseudo-prestígio que o fato de ter uma mansão, coisa típica de ricaço e um dos maiores símbolos da arrogância capitalista, irá compensar a tristeza do isolamento de um imenso ambiente desolador. 

Mas no mundo das celebridades, sem o amor verdadeiro, onde as pessoas se juntam por interesses particulares e vivem de se exibir umas para as outras, não importa viver isolado do mundo real, fugindo do amor e tratando a irritante solidão como se fosse uma grande amiga. 

Ser melhor que os outros conforta o ego dos mais ricos que, sem qualidades marcantes de humanidade, coloca o poder e o acúmulo de bens como substitutos para as virtudes de caráter que não possui. Pois se possuísse, recusaria de forma decisiva a ter uma vida nababesca como essa.

Essa mansão é uma verdadeira casa mal assombrada, cujos fantasmas são a ganância, o isolamento e a arrogância típica das celebridades que não tem nada melhor a fazer do que se trancar e fugir do mundo real em castelos inúteis e sombrios.

Os 50 anos da série "Chaves" e a futilidade do povo brasileiro

A série mexicana Chaves (nome conhecido no Brasil - no original é El Chavo del Ocho), completa 50 anos de quando começou a ser produzida, portanto não sendo nenhum produto dos anos 80 e sim do começo dos anos 70. A série só faz sucesso atualmente no Brasil. E um sucesso mais do que estrondoso, que chega a surpreender os atores do mesmo, bem idosos, que atualmente vivem em dificuldades financeiras, fazendo apresentações em stand up comedy para sobreviver.

O seriado não chega a ser ruim, mas não merece a gigantesca popularidade que possui. É tosco e de humor bem circense. A trama geral é a seguinte: Um grupo de crianças em uma vila do subúrbio, aprontando criancices. As crianças em questão eram interpretadas por adultos de 45 anos. É um humorístico meio cretino, com humor bem infantil. Mas muito marmanjo brasileiro adora e leva à sério.

Aliás, o seriado, se não fosse levado a sério até dava para dar uma risadas (até pela tosqueira). Mas muita gente acha mais importante que muitas obras realmente sérias. A ponto de vários de seus personagens e seus clichês serem associados a estereótipos de modernidade no Brasil. Coisa que vai muito além das intenções dos produtores do seriado, feito para ser o que Os Trapalhões é no Brasil.

A admiração é tanta, que virou prioridade no canal do SBT, pois a audiência sempre aumenta quando o humorístico é exibido. O personagem ranzinza do seriado, o Seu Madruga (curiosamente interpretado por uma ator falecido há muitos anos) virou "ícone pop" no Brasil, aparecendo em muitas montagens de foto, de político, cantor, jogador de futebol e até numa sátira a Che Guevara (??!!).

A exagerada importância dada a um seriado tão fútil e cafona (que nem mais é lembrado em seu país natal, o México), mostra como o brasileiro virou um povo vulgar e que supervaloriza o fútil e o inútil, desprezando tudo aquilo que possa ajudar a evoluir. A copa de 2014 e a eleição de Bolsonaro deixaram clara a vocação imbecilizante da população brasileira, que se orgulha em permanecer nesse atraso pensando que já se evoluiu.

Hoje o seriado está fora do ar na TV Brasileira (além do SBT, que considerava o seriado sua galinha dos ovos de ouro, o canal Multishow, das Organizações Globo passava seus episódios) por problemas de direitos autorais envolvendo familiares dos atores do elenco, que proibiram as transmissões. As emissoras tentaram recorrer, sem sucesso. A batalha pelos direitos de transmissão ainda segue.

Mesmo assim, segue no imaginário popular, sendo mencionado em conversas e estampando camisetas "nerds" e outros tipos de badulaques mercadológicos. Sabe-se que tudo que envolve El Chavo del Ocho no Brasil é garantia de venda e sucesso pleno.

Pena que muitos jovens brasileiros prefiram perder tempo com algo bem inútil do que se interessar por coisas relevantes, que eles vivem rotulando de "chatas".

terça-feira, 22 de junho de 2021

Relacionamentos com homens de personalidade duvidosa fazem mulheres cultas e elegantes virarem babacas

Antigamente, as mulheres burras eram mais desejadas, pois os homens enxergavam nelas as oportunidades de dominar cada vez mais. Com a mudança dos tempos, o gosto de homens mudou e para mostrar a amigos e colegas de trabalho mais sofisticados, teriam que ter esposas que pudessem fazer bonito em ambientes de maior requinte e mais poder aquisitivo.

Mulheres de perfis mais sofisticado passaram a ser mais desejadas e por isso, passaram a ter mais facilidade de ter relacionamentos. Mas como homens de personalidade mais duvidosa conhecem melhor as táticas de conquista do que os homens mais sensíveis, são os babacas que estão levando a melhor, se casando com mulheres sofisticadas. 

Afinal, como também crescem profissionalmente, já que a personalidade duvidosa os faz menos temidos e mais atrevidos, avançando mais rápido na vida profissional - que na verdade nunca foi um jogo muito limpo - era preciso mostrar companheiras cujo perfil agrade a um meio considerado sofisticado.

Jornalistas e médicas estão entre os tipos de mulheres que mais se casam nas últimas décadas. Outras mulheres de perfil sofisticado também estão na mesma situação. Mas como os babacas é que detém as regras e instrumentos de conquista, é com este tipo de homens que elas se casam.

Só que algo ruim acontece, pois ainda vivemos em um mundo machista, onde a mulher, por mais independente que seja, ainda absorve características da personalidade do marido, por conviver com ele em grande parte do tempo. Dá para imaginar o que acontece com uma mulher fina, elegante, culta, charmosa, quando absorve características de um machão irresponsável, farrista e durão.

Não é de se surpreender que, chegando aos 50 anos, após inúmeros relacionamentos ou longos matrimônios com homens arrogantes e irresponsáveis, as mulheres demonstrem na maturidade do corpo uma mente infantiloide, imbecil, ao mesmo tempo bebuns e beatas, com gostos duvidosos e perspectiva de vida confusa. 

Curiosamente demonstrando muito mais imaturidade mental do que quando tinham 20 anos. Pior: demonstrando muito mais imaturidade mental do que as mulheres que hoje tem 20 anos. Mais estranho é que as mulheres chegam hoje belas aos 50 anos, pois se cuidam da aparência - até para agradar aos maridos imbecis - muito mais do que cuidam da mente, já que desprezaram o intelecto fora do emprego.

Lamentavelmente fica complicado aguentar mulheres que apesar da aparência agradável, agem como completas imbecis. Ironicamente, nessa situação, vai ficar melhor namorar mulheres trinta anos mais novas. Pelo jeito, estas ainda preservam um certo nível de amadurecimento mental, pois ainda se encontram imunes a personalidade dos babacas conquistadores.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Mulheres bonitas e comprometidas podem estar entrando em aplicativos de paquera para obter curtidas

Entrando no aplicativo Dating, embutido na versão celular do Facebook estranho a gigantesca presença de mulheres bonitas. Bem bonitas. Coisa digna de concurso de beleza. Mas espere aí! Segundo as regras sociais, a maioria esmagadora das mulheres deveria estar casada, pois é relativamente fácil para mulheres bonitas arrumarem homens. Ainda mais em um mundo onde morre mais mulheres que homens.

O aplicativo citado tem uma comunidade oficial no mesmo Facebook onde as pessoas podem fazer propaganda de si mesmas e comentar. Um dos missivistas comentou algo que me fez pensar sobre o excesso de lindas mulheres: a maioria pode ser de mulheres casadas querendo se divertir na comunidade ou no aplicativo e obter likes (curtidas) para se sentirem amadas.

Hummm... Mulheres casadas brincando de serem solteiras e "carentes" para obter curtidas. Tanto isso faz sentido que várias já me pediram para adicionar e nada escreveram para mim, se limitando a postar fotos onde vários homens elogiam e dão curtidas. As que respondem aos elogios, se limitam a agradecer. Mas a maioria, nem isso. Mas as curtidas continuam a rolar a cada foto publicada.

Vamos combinar que o Brasil não é um paraíso, que o amor foi privatizado e que o ódio rola solto na atmosfera, num cenário nada propicio para que o afeto possa se espalhar socialmente. Arrumar namorada está cada vez mais difícil e as campanhas anti-assédio trataram logo de filtrar os homens entre os que podem ou não ter namorada, nem sempre sob critérios justos.

Não é uma época para sucessos amorosos. Portanto esta avalanche de gatas invadindo aplicativos e comunidades de paquera é algo muito mais do que suspeito. Se não bastasse o risco de alguma delas serem possíveis criminosas, a melhor das hipóteses é a de que nenhuma delas quer nada sério. 

Essas bonitonas querem só curtidas quando visitam estes ambientes virtuais de paquera. Querem se sentir desejadas e "amadas", enquanto seus namorados noivos e maridos estão ocupados com futebol ou andando de moto para celebrar o mau-caratismo de um presidente neonazista. 

Todos homens cansados de suas companheiras pegas apenas para serem reles troféus de uma masculinidade vergonhosa, deprimente e perdedora.

domingo, 20 de junho de 2021

Com o fim das lojas de CD, álbuns são lançados sem repercussão

Muita gente pensa que não se lançam mais alguns desde que os CDs deixaram de ser vendidos em lojas. Eles ainda são produzidos, mas em escala reduzidíssima, mais como ítens de colecionador e mediante encomenda. As lojas ou foram extintas, ou mudaram de ramo ou simplesmente viraram sebos, vendendo velharias.

Além de perdermos um importante espaço cultural, pois as lojas de discos, seja de CDs, seja de vinil, cassete ou quaisquer formatos físicos, eram pontos de encontro de apreciadores de boa música onde poderiam manter ou fazer amizades através de audições e debates sobre os discos expostos nestes espaços.

Mas hoje, com o lançamento limitado a plataformas de streaming - venda através de meios virtuais - não só eliminou o prazer de se comprar discos e ter uma vida social baseada no gosto musical, como também perdeu-se importante meio de divulgação dos álbuns, que hoje são lançados sem repercussão.

Antes, as lojas eram meio de divulgação dos álbuns, através das seções de "lançamentos". Lembro de uma loja em uma galeria de Niterói, na esquina da Rua Lopes Trovão com a Rua Gavião Peixoto, que estampava em sua vitrine os mais recentes lançamentos. Hoje a loja virou uma ótica, após durante este tempo ter dado lugar a lojas de diversos ramos.

Lembro do prazer de visitar grandes lojas de discos. A Stop, em Icaraí, na mesma Niterói (na Rua Pereira da Silva) e seus vinis fabulosos de rock. Lembro também de uma que me esqueci o nome, no retiro em Salvador, que ficava num enorme balcão com inúmeras estantes de Cds e mais Cds. Um paraíso para quem colecionava Cds como eu.

Esse prazer acabou e a divulgação de álbuns também. Voltamos aos tempos dos anos 40, onde só se falavam em compactos (hoje com o barbarismo "single" colocado no lugar da palavra em português). Mesmo que álbuns ainda sejam produzidos, não é mais a mesma coisa. Um prazer que passa longe dos olhos e ouvidos da maioria, com muitas obras primas carentes de qualquer repercussão.

sábado, 19 de junho de 2021

Vida afetiva é algo bem específico: não é toda pessoa que serve as outras

É preciso dizer algo sobre a vida afetiva. Não é qualquer pessoa que serve para ser namorado ou namorada. Namoro é uma coisa bem específica, onde aparece um tipo de afeto bem peculiar, diferente de outros tipos de afeto. A pessoa tem que despertar um tipo de atração que não pode ser qualquer coisa.

Imagine que você vai contratar um fabricante de ladrilhos para por na parede da cozinha, que deve ser bem bonita. Um fabricante é especialista em estampas circulares enquanto outro só fabrica estampas com temas de bichinhos. Mas você gosta dos temas de bichinhos. Só que o fabricante de temas de bichinhos não está disponível para fornecer para você. 

Mas o de bolinhas quer. Mas você não quer o de bolinhas. Sua cozinha tem que estar decorada c om temas de bichinhos e isso está decidido. Você aguarda até que apareça algum outro fabricante de temas de bichinhos que esteja disponível.

Com o namoro é a mesma coisa. Não adianta uma mulher que você não considera interessante estar afim de você. Se ela não corresponde ao que você quer como namorada, paciência. Não adianta vir um bando de esquerdistas namastê e românticos piegas revoltados por você recusar uma mulher que está gamada em você. Não adianta. Se ela não serve para você, isso tem que ser aceito. Ela pode servir a outra pessoa.

Eu tenho o direito de recusar quem eu não quero. Se outros homens tem o direito de escolher as mulheres com quem desejam namorar, eu também tenho. Porque tenho que aceitar, seja por quaisquer motivos, uma mulher que não me atrai? Nada disso. Se as mulheres que quero tem o direito de me recusar, eu também vou recusar as mulheres que eu não quero. E ponto final.

Vida amorosa é questão dos dois aceitarem, pois é um acordo entre os envolvidos na relação. Ambos têm que querer, ambos têm que concordar com o que vai haver no relacionamento. Senão pode resultar em brigas que podem não acabar bem, dependendo da índole de quem discordar do acordo.

Espero que a maioria das pessoas pare com este romantismo infantil e entendam isso. Só vou namorar com quem me atrair. Não é preconceito nem algum tipo de rejeição injusta recusar quem não me atrai. Se eu não gosto de quem gosta de mim, eu não gosto e ponto final. O fato de gostar de mim não deve ser considerado uma qualidade a parte, que compense a falta de outras.

Se você, para executar um serviço , só contrata aquele que faz exatamente o que você quer, porque no namoro serve qualquer um? Nada disso! Eu vou escolher apenas quem me atrair e quem não me atrair que arrume outro. Outro que possa se sentir atraído por esta pessoa. Senão, nada feito.

Prefiro ficar sozinho do que mal acompanhado. Este é o meu lema.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

As causas identitárias vão destruir as esquerdas por dentro

Um fenômeno que vem sido discutido muito nos meios sociais é o que se chama de causas identitárias. É quando uma determinada classe ou individuo ganha o direito de empoderamento, ou seja, ganha uma voz perante a sociedade, independente de ter ou não a sua qualidade de vida reivindicada. Causas étnicas, gays, feminismo, veganismo, consumo de drogas, gosto pelo futebol, religião, etc., são exemplos disso.

Apesar destas causas serem lançadas e defendidas pela direita moderada - aquela que se auto-rotula de "Centrão" - e serem típicas dos interesses da classe média remediada, aquela que não precisa mais se preocupar com falta de dinheiro e de direitos, elas vem sido priorizadas pelas esquerdas, fazendo-as romper com as causas trabalhistas dos antigos bolcheviques. 

Com isso, saem os operários zangados de outrora para dar lugar a hippies alegres sentados na grama. Esse neo-hippismo nada agrada às classes trabalhadoras que, abandonadas pelas esquerdas, migraram para a direita, com ajuda dos neo-pentecostais, que adotaram os interesses das classes trabalhadoras que os esquerdistas resolveram colocar em segundo plano. 

Por isso que estranhamente vemos a classe média se tornando de esquerda, já que com o fim do antigo estereótipo dos operários mal-humorados e a troca por um neo-hipismo alegre, tem muito a ver com o que as pessoas sem preocupações trabalhistas desejam. 

Conversando com pessoas das classes trabalhadoras, percebo que o esquerdismo, com as suas estranhas causas identitárias convertidas em prioridade, se tornaram nefastas para quem tem que ralar para ganhar uns trocados. O abandono é nítido e nota-se que mesmo dando atenções aos trabalhadores, é fato que a prioridade dos governos petistas são as causas identitárias. Mesmo o partido sendo "dos Trabalhadores".

Muitos esquerdistas alienados pensam que as classes trabalhadoras estão com as esquerdas. Se estão, só uma meia dúzia. Isso acontece porque a classe média é heterogênea. Muitos dos remediados, nem tão remediados assim, a parte menos remunerada das classes médias, se acha trabalhadora e por isso tende a acreditar que os operários e similares estão com as esquerdas. Não estão e fatos comprovam isso.

Com isso, há um sério perigo de Bolsonaro ser reeleito. As classes trabalhadoras, que ainda acreditam na moral tradicional e quer dinheiro no bolso e comida na mesa, vê nas causas identitárias algo de outro planeta e fora do mundo real. As esquerdas vão se auto-destruir se continuarem priorizando as causas identitárias, como vem fazendo até este exato instante.

Nas próximas eleições, ganhará quem prometer dar emprego e salário digno para as classes trabalhadoras. Quem quiser transformar o Brasil numa gigantesca feira hippie vai perder feio, pois isso só interessa para a classe média remediada que sempre vê a geladeira cheia e dinheiro entrando na conta bancária sem parar. 

Aqui em baixo, as leis são diferentes. Aqui, o identitarismo não tem vez. É  surreal demais para fazer parte da vida de quem tem os calejados pés no chão.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Tidas como "mais maduras que os homens" mulheres chegam fúteis aos 50 anos graças a experiência com relacionamentos equivocados

Muito se comenta que as mulheres amadurecem mais rápido que os homens e que este amadurecimento não se limita ao corpo mas também à mente. É um mito que tem mais a ver com estereótipos de maturidade, pois durante uma conversa longa com qualquer mulher, salvo exceções, percebe-se que a coisa não é bem assim.

De qualquer forma, aos 20 anos de idade nota-se algum lampejo de maturidade nas mulheres, pois se preparando para encarar a profissão e a maternidade, é preciso estar atentas com o mundo real e com as oportunidades e perigos que são comuns na vida adulta.

Só que tradicionalmente, as mulheres não sabem escolher homens. Isso é fato. Mulheres se limitam a exigir aspectos relacionados com proteção e sustento. Para elas, o homem deve ser corajoso (ter atitude), forte, alto, experiente, com estabilidade financeira e saudável. Qualidades que estão longe destes aspectos (como bondade, inteligência e beleza facial) são dispensáveis, apesar de uma certa forma desejados.

Para as mulheres, o que interessa é um marido que ofereça proteção e sustento a ela e a seus filhos. Portanto todas as qualidades desejadas tem que estar ligadas aos aspectos de proteção e sustento. O escolhido sempre será aquele que demonstrar melhores condições de proteger e sustentar as mulheres, caso contrário nada feito.

Segundo estas regras, os "incapazes" (aqueles que foram reprovados nos critérios de proteção e sustento) perdem direito de escolher namoradas e se limitam a atrair as mulheres menos atraentes, ou de menor beleza ou que tenham algum problema na personalidade. Os perdedores na competição afetiva acabam se tornando "galãs" das mulheres solitárias. Eu sei o que é isso. E não é bom.

Mas saber proteger e ter condições de sustentar não significa que o homem seja inteligente e de caráter. Eu falei que inteligência e caráter são dispensáveis para as mulheres. Caráter? Mas ué, as mulheres vivem dizendo que sonham com um homem de caráter! Sobre caráter, é preciso esclarecer uma coisa...

Muitas mulheres afirmam exigir caráter do homem. Mas é preciso lembrar que o conceito de caráter pode ser bem diferente. Para as mulheres, ter caráter não significa ser altruísta e responsável. Significa ser fiel e fazer de tudo para que a companheira tenha bem estar. É isso que grande parte das mulheres chama de "caráter". 

Voltando, é comum que homens que satisfazem os critérios de proteção e sustento tendam a decepcionar em outros aspectos. É normal vermos galãs com personalidade burra, antipáticos, feios de rosto (mas com belo porte físico), mal intencionados, conservadores, etc. Homens que sabem proteger as mulheres e tem condições financeiras de mantê-las. Mas decepcionam como companheiros.

Infelizmente, é muito comum ver homens bem sucedidos financeiramente e prontos para proteger mulheres que são um horror como pessoas para se conviver. É este tipo de homem que se dá bem nas conquistas. Geralmente, babacas se dão melhor nas conquistas, embora não saibam conviver a dois.

Graças a tradição machista, as fêmeas acabam absorvendo a personalidade de seus companheiros, é uma oportunidade para as mulheres a piorarem a sua personalidade, se tornando menos racionais e mais alienadas. Aos poucos vão piorando seu gosto cultural, sua percepção da realidade e muito frequentemente agarram se a alguma religião como meio de compensar a racionalidade perdida.

Essa experiência de namorar homens de personalidade duvidosa acaba influindo nas mulheres que começam a achar que a babaquice é o correto a fazer. Afinal, elas são cercadas de babacas por todos os lados. Se todos no meio dela são babacas, é porque é correto ser babaca. E elas viram babacas também.

Por isso que aos 50 anos, aumenta o número de mulheres meio infantilizadas que enxergam o tempo livre fora da profissão com um alto nível de futilidade. Um show de imaturidade com o desejo estranho de recuperar a juventude perdida de forma tosca. Coisas que elas aprenderam com os sucessivos namorados e maridos fúteis com quem conviveram por muitos anos.

Sempre assim. Aos 20 queriam brincar de ter 50 anos. Aos 50 querem retomar não apenas os 20 anos, mas a adolescência perdida. Como se quisessem consertar alguma besteira feita durante a juventude que tiveram. Besteiras que resultaram em consequências irreversíveis. 

A solução encontrada foi a de aceitar a contradição de ser madura e infantil ao mesmo tempo. Ver o corpo envelhecer feito bagaço com a mentalidade de um feto. Algo ridículo que acaba afastando os homens mais sensatos.

Homens que vão procurar nas mais novas - pasmem! - a maturidade perdida, já que aos 20 anos, as mulheres ainda conseguem prestar atenção ao mundo real que as espera, antes de cometer os fatídicos e quase inevitáveis erros. Para depois se arrependerem aos 50 quando já é tarde demais...

“Essa frase não é minha”, diz Clarice Lispector, do além

OBS: Está cada vez mais comum o envio de mensagens e textos atribuídos a autores famosos, vivos ou mortos, mas que nunca foi de fato escrito por eles. Muitas coisas medíocres, que parecem escritas por alunos de 12 anos de idade para trabalhos escolares. Isso é ruim e confunde ainda mais quem já tem o costume de recusar uma boa leitura.

Por isso mesmo prefiro checar a autoria de certas declarações ao invés de aceitá-las de imediato. mesmo as mais brilhantes, pois é possível que frases de um autor sejam atribuídos a outros, para satisfação de interesses e defesa de pontos de vista.

“Essa frase não é minha”, diz Clarice Lispector, do além

Marco Antonio Araujo - Blog do Provocador - 2016

Um fantasma ronda as redes sociais. Deve ser alguma alma penada, provavelmente de um escritor frustrado e bem ruim. Ele quer destruir a reputação de autores honestos e jogar suas obras dignas na vala comum do Facebook.

Numa extenuante pesquisa feita pelo DataProvocador, foi possível aferir que as principais vítimas desse terrorista literário são Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, transformados, à revelia, em versões humilhantes de Gabriel Chalita e Paulo Coelho. Uma profanação.

Pululam na internet milhares de falsas citações constrangedoras, escritas em português lamentável, propagando pensamentos primários, conselhos cafonas, lugares comuns e chavões carcomidos pela ignorância. Só pode ser um ataque orquestrado, coisa da CIA ou do Talibã, tanto faz. As consequências são devastadoras.

O efeito que esses atentados causa no moral dos brasileiros já pode ser sentido. As novas gerações estão se tornando incapazes de discernir entre uma obra-prima, um raciocínio elegante, uma ideia autêntica e o lixo cultural gerado por entulhos de livros de autoajuda. Terra arrasada.

Logo mais, veremos Luís Fernando Veríssimo dando dicas de maquiagem. Chico Buarque assinará um artigo defendendo a poética de Michel Teló. Saramago vai revelar o segredo de Fátima. Imagine essas heresias replicadas, retuitadas, curtidas e encravadas no inconsciente coletivo? Danos irreparáveis.

Precisamos redobrar a atenção quando postarmos uma poesia, uma frase, uma citação. Qual a fonte? Será que Fernando Pessoa diria: "todas as manhãs, ao acordar, agradeço a Deus por mais um dia e prometo a mim mesmo que serei feliz"? Bertolt Brecht seria capaz de pedir à humanidade que "trate bem os animais e exija que os políticos matriculem seus filhos em escolas públicas"? Convenhamos.

Não sei dizer o motivo sórdido que leva alguém a, na calada do anonimato, sem nenhum lucro pessoal, espalhar por aí tanta mediocridade, ainda mais acobertado por nomes íntegros que nos legaram pensamentos corajosos, doloridos, imortais. É muita covardia. Por favor, não participem, não sejam cúmplices desse funeral.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

É um erro as esquerdas chamarem o entretenimento de "cultura"

As esquerdas tem o hábito de transformar qualquer atividade lúdica em "necessária" e "politizada". Isso explica o fato das esquerdas detestarem a palavras Entretenimento e Diversão. Para esquerdistas, o tempo livre é utilizado sempre e sem exceção, para a conscientização social, mesmo em atividades e obras puramente lúdicas, que nada fazem menção à política ou direitos humanos.

Fica a impressão de que, para as esquerdas, o trabalhador, cansado após 12 hores de trabalho, chega cansado à noite para depois decidir sair às ruas para lutar por um mundo melhor, por mais cansativo e arriscado que seja o ativismo social. Isso é uma ficção, pois tudo que uma pessoa quer evitar em períodos de cansaço é pensa, questionar. No lazer, você quer mais é descansar e se divertir. E só.

É infantil a ideia de que é inerente à atividade de lazer o esclarecimento político, econômico e social. Lazer não foi feito para isso, embora seja boa a ideia da utilização do tempo livre para o desenvolvimento intelectual. Mas isso não é frequente. 

O que é mais estranho é que as esquerdas não estão se referindo somente a trabalhos realmente intelectualizados, como as músicas de Bob Dylan e os filmes de Godard. Para as esquerdas, que enxergam trovoada dentro de um copo de água, até músicas com letras ingênuas do tipo "Vamos sair à noite para dançar e amar" tem um conteúdo político e altamente intelectualizado. Só se for delírio!

A palavra Cultura expressa muito mais do que uma simples diversão. Implica costumes, modo de pensamento, ação e coisas que resultam em consequências para a realidade cotidiana. O lazer é apenas uma atividade que você tem para relaxar e se distrair enquanto não dedica seu tempo a satisfazer os interesses de outras pessoas (o chamado Trabalho), em troca de uns míseros trocados.

As esquerdas deveriam perder o medo de usar a palavra Entretenimento, passando a usar as palavras certas. Ao menos que as esquerdas queiram criar uma manobra intelectual com o uso da palavra Cultura. Robert Fisk dizia que o uso de palavras pré-escolhidas significava o poder de manobra. Pode ser que a utilização da palavra Cultura pode estar escondendo interesses mesquinhos por trás disso.

De qualquer forma, é fato o de que a palavra Cultura passou a ser utilizada para definir também as atividades lúdicas que nada tem a ver com o processo de desenvolvimento intelectual so ser humano. Até uma reles brincadeira virou "cultura". Parece que teremos que reaprender a dar nomes às coisas.

terça-feira, 15 de junho de 2021

O Marketing da Exclusão

A era da mediocridade em que vivemos considera a perfeição como um defeito. Todos querem se sentir um pouco "inferiores" para poder com isso, obter mais benefícios. 

Daí nasce o que eu chamo de Marketing da Exclusão, onde uma pessoa bem sucedida ou sem defeitos se traveste de pessoa excluída para atrair atenção dos outros e obter vantagens desta forma. É uma versão ampliada da falsa humildade.

E aí não cansamos de nos deparar com exemplos disso:
- atores de comportamento claramente extrovertido se rotulando de tímidos;
- mauricinhos ricos posando de esquerdistas com direito a camisetas com a face de Che Guevara;
- caras normais que só por estarem um pouco fora de forma e usam computador mais de 4 horas por dia, se auto-rotulam de nerds;
- mulheres com vida social intensa que reclamam da falta de homens;
- pessoas muito bem de vida que acham pouco o alto salário que recebem;
- jogadores de futebol que não sofrem nenhum dano com o racismo de que alegam serem vítimas;
- empresários bem sucedidos que declaram falência só para receber algum tipo de ajuda de governos;
- cantores mercenários e de grande sucesso de público que se dizem alternativos e longe da mídia.

Só são alguns exemplos, já que fingir de "coitadinho" virou moda nos últimos tempos. E isso pode ser nocivo, já que pode impedir ajuda aos verdadeiros sofredores, já que os falsos receberão a ajuda no lugar dos verdadeiros.

Cabe a sociedade não confiar nesses farsantes e ajudar apenas a quem realmente precisa.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Viajar para o exterior pra quê? Pra tudo ficar na mesma?

Com a proximidade das férias, muita gente, sobretudo os mais afortunados, decidem fazer longas viagens para curtir o longo período de folga. Mas mesmo com um país imenso cheio de atrações únicas, sejam paisagens naturais, artificiais ou cultura e culinária únicas, muitos preferem viajar a outros países. Mas será que vale mesmo a pena sair de nosso território para viajar?

Sinceramente nem sei porque. Parece que há um status social em viajar para o exterior. Ricos e celebridades só conseguem passar as férias indo a outros países. Para a sociedade, viajar para o exterior, por ser mais caro, serve para elevar o prestígio de quem viaja. Mas e a utilidade disto?

Pelo que se vê nas ostentadas imagens e em relatos de quem viaja, parece que tentar aprender com uma cultura mais evolutiva está bem longe do objetivo de nossos felizardos viajantes. para eles, fugir da rotina conhecendo lugares tão falados (interessante que eles só vão ver os pontos turísticos), mas nunca visitados por eles, já os satisfaz, compensando, pelo menos para eles, o imenso gasto despendido.

Mas quando voltam, ou voltam os mesmo que estavam antes ou até pior, talvez decepcionados em saber que outras sociedades são tão normais quanto a nossa, dissipando a nuvem de conto-de-fadas que as viagens ao exterior tanto trazem em seu estereótipo.

Porque não aproveitar uma viagem para tentar evoluir o intelecto, conhecendo coisas realmente evoluídas? Se é para voltar do mesmo jeito que saiu, porque gastar muito com uma viagem ao exterior que não adiantará de nada? Será que não aprenderíamos mais sobre os outros e sobre nós mesmos viajando por dentro de nosso imenso país? 

Sinceramente, se essas viagens ao exterior existem apenas para satisfazer o ego materialista de quem viaje, sinto dizer que o gasto foi em vão. Melhor ter ficado dormindo na própria casa.

domingo, 13 de junho de 2021

Mulheres decretaram o fim do romantismo

Nos últimos anos, as mulheres tem andado menos românticas. Ainda usando a vida amorosa como trampolim social, as mulheres entenderam agora que a "obrigação" de serem sensíveis estaria ligada ao perfil da mulher submissa e sem voz.

Como as mulheres acharam que fazer tudo que os homens fazem é sinônimo de liberdade, resolveram também ser duronas e insensíveis. Romantismo virou coisa de mulher otária. Importante para as mulheres é ser livre e fazer tudo que estiver ao alcance, sem medir consequências. Mesmo que isso seja prejudicial a elas.

Os estereótipos de liberdade lançados pelo machismo tradicional viraram uma espécie de causa para as mulheres. Ao invés de reivindicarem uma liberdade nova que mantenha a essência feminina, as mulheres enfiaram na cabeça a ideia de que ser livre é sinônimo de se transformarem em "homens sem pênis".

A ideia cretina, lançada pelos identitaristas, de eliminar as diferenças de gêneros contribui muito para o fim da meiguice e do romantismo. As novas feministas ficaram chatas de tão masculinizadas. Curiosamente várias delas estão caminhando para a solidão crônica ou virando lésbicas.

Na contramão, os homens, se arrependeram dos antigos estereótipos machistas e se tornam mais sensíveis, respeitadores e românticos. Li em um texto que os homens estão hoje mais românticos que as mulheres, o que está criando um tremendo conflito em fóruns de sites de paquera. 

Está havendo uma inversão das características de sensibilidade entre homens e mulheres, porque ambos resolveram, cada um a seu modo, se livrar dos antigos estereótipos. Com a diferença que os homens não querem acabar com a essência masculina, sendo homens sensíveis e não "mulheres com pênis".

Eu sempre fui um cara sensível. Estou achando muito ruim este fim do romantismo. É um dos fatores que me fazem aceitar melhor a solidão ao invés de tentar me unir com quem não combina comigo. Se o romantismo está em baixa, então para quê namorar? É melhor mesmo ficar sozinho e encontrar outra forma de manifestar a minha sensibilidade. Vendo uma bela paisagem, por exemplo.

sábado, 12 de junho de 2021

Porque núcleos pobres de novelas têm que ser alegres?

Já repararam que em todas as novelas o núcleo pobre sempre tem que ser bem humorado? Porque não transformar os problemas de uma classe tradicionalmente problemática em um drama choroso sem fim? Ajudaria muito a conscientizar a população sobre o sofrimento desta classe.

Que nada! Bom mesmo é fazer as classes mais abastadas pensarem que os pobres são felizes. Já mencionei várias vezes que a mídia está com uma intensa, mas discreta campanha de defesa do suposto "Orgulho de Ser Pobre", onde a classe dominada se sente feliz em sua humilhante condição de ter pouco dinheiro, baixo nível cultural e muitos problemas, se tornando acomodada e com isso, não incomodando as classes superiores, que continuam mantendo toda a injustiça social intacta, onde ricos ficam mais ricos e pobres cada vez mais pobres.

Essa glamourização da pobreza, já consagrada pelo cinema brasileiro, aparece desta forma em novelas, mostrando pobres sorridentes e engraçados.

Como se fosse bom viver quase sem dinheiro e com problemas que não param de crescer.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Mensagem para o Dia dos Namorados

Pela primeira vez na vida, estou muito tranquilo em relação ao Dia dos Namorados.

Estou muito feliz com a solidão aqui no Brasil. A maturidade transformou a solidão em companhia agradável.

Está quase impossível achar uma mulher brasileira que se afine comigo. Que pense como eu.

Brasileiros são teimosos em defender valores duvidosos considerados positivos e "nobres".

Se fosse em outro país, mais racional que o nosso, talvez tivesse alguma esperança.

Mas no Brasil, país decadente de povo alienado e teimoso, sem chance. No way.

Melhor só do que mal acompanhado.

Aos casais, ficam aqui os meus parabéns.

Aos solitários, que sigam lutando.

Quanto a mim, comemorarei a data como se comemora o dia do médico, já que eu não sou médico.

Essa data nada tem a ver comigo.

Gostaria de ter um amor. Mas se você está com sede e toda a água disponível estiver contaminada, o jeito é aguentar a sede.

É o que eu farei. Feliz dia 12!

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Conservadorismo das esquerdas brasileiras em relação a cultura, esporte e costumes sociais, é herança do Pensamento Único antes da internet

No Brasil, esquerdistas sempre gostam de se gabar que sonham em mudar o mundo. Mas quando verificamos as suas propostas e observamos o estilo de vida de vários esquerdistas, percebemos que esse discurso de "revolução" de "mudar o mundo" nunca passou de conversa para boi dormir. 

Esquerdistas não querem mudança. Estão satisfeitos com o mundo que está aí, com os paliativos benefícios que a tecnologia oferece. Apenas desejam que um número maior de pessoas, consideradas excluídas, participe deste "maravilhoso mundo" do século XXI. 

Mas porque esta postura não-revolucionária das esquerdas brasileiras, que preferem ser conciliadoras e manter valores e costumes arcaicos, que temos desde o início do século XX, com pouquíssimas atualizações? A resposta pode estar na consagração destes valores e costumes em uma época em que a internet não existia.

Valores como o jeito como nos divertimos, como nos amamos, como pensamos e tomamos decisões. Valores como religião, futebol, cultura, casamento, etc. Valores que defendemos há muitas décadas e que consagramos pelo uso a ponto de acharmos naturais, como se fizessem parte de nossos organismos físicos. Como se fossem nossas razões de viver. Tudo lançado e consagrado pela mídia dominante.

Sem outro meio de comunicação para contestar, valores difundidos pelos meios de comunicação até a primeira metade da década de 1990 acabaram se consagrando e fazendo parte do subconsciente da população, moldando seus interesses particulares a ponto das pessoas construírem e solidificarem seus projetos de vida baseados nestes valores, que com o tempo ganharam caráter de nobreza e imutabilidade.

Isso explica o conservadorismo das esquerdas que, acreditando que respeitar seres humanos significa respeitar suas tradições, fazendo com que o esquerdismo brasileiro se torne protetor desses valores imutáveis. Isso atrapalha muito os planos de revolução das esquerdas que se limitam ao discurso, que acaba por se tornar hipócrita.

As esquerdas precisavam se desfazer desses valores se quisessem realmente mudanças reais na sociedade. Mas sem abrir mão dos valores aprendidos pela grande mídia, nos tempos de pensamento único, esquerdistas preferiram tomar para si o copyright desses valores, já que se tornaram arraigados para a população que eles querem tutelar.

Por isso que as esquerdas insistem em defender esses valores como se fossem seus, embora tenham nascido nos berços da mídia capitalista. Como não querem mudar a mente das pessoas e serem considerados "manipuladores" por causa disso, preferem acatar tais valores como "sagrados" e defendê-los como se fossem seus.

Isso explica o conservadorismo enrustido da esquerda brasileira, que não quer mudar o mundo de fato, mas lutar pela inclusão de mais pessoas a beneficiar desses valores sociais gerados pelo capitalismo e que as esquerdas lutam para ter o direito autoral sobre eles. 

Portanto, se você percebe que os esquerdistas andam defendendo velhas ideias, velhos costumes e velhos conceitos, já sabe porque acontece. Ninguém se preocupou em oferecer alternativas de pensamento antes que o pensamento oficial se consagrasse. 

Mas agora que se consagrou, paciência. Restou às esquerdas lutarem pelo seu copyright. Como se isso melhorasse a vida das pessoas.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

"Inteligente" sim, intelectual, nem pensar!

Brasileiro não está mais a fim de usar o cérebro nas horas de lazer. A diversão é um período de descanso, ócio e o cérebro já foi muito utilizado no trabalho. Por isso o lazer nunca deve ser pensado e o que seria uma grande oportunidade de crescimento pessoal, já que é no período de "ócio" que podemos nos dedicar a nós mesmos (o tempo de trabalho normalmente é dedicado aos outros), é desperdiçada por causa dessa preguiça de pensar.

Por isso mesmo, o lazer tem se tornado cada vez mais alienado, além do povo brasileiro despertar maior interesse aquilo que é fútil ou inútil, aquilo que desperta instintos. Pensar não dá prazer, acreditam, então se descarta aquilo que é considerado "coisa de intelectual".

Mas ser chamado de "burro" é considerado "ofensivo". mas ao mesmo tempo tornar um intelectual exige esforço. E agora? Como se livrar desse cabo-de-guerra? Simples. Pega-se aquilo que é fútil e coloca-se rótulo de "cultural". Beleza, o povo já pode ser considerado inteligente sem ser. Sem mover um só neurônio.

E nisso, futebol é "patriotismo", Neymar é "gênio", Michael Jackson é "gênio", Spielberg é "intelectual", Mariah Carey é "boa música", "funk" carioca é a "expressão máxima do povo oprimido", Luciano Huck é "bom moço", Chaves é cult, Brega idem, Esporte educa, e lá vai fumaça.

Chatos, para a grande parte dos brasileiros são os realmente intelectualizados, que nessa inversão de valores é que são considerados "burros", "de mal com a vida". Bob Dylan é "chato", Hendrix é "chato", Joan Baez é "chata", Música clássica é "chata", Rock Progressivo é "chato", Noam Chomsky é "chato", Jogar Xadrez é "chato", cientistas são "chatos", socialista é "chato", até Julian Assange é "chato". Esses não empinam traseiro, não põem mão no saco, não falam bordão e nem fazem "gol". A massa hipnotizada pela TV se entendia com eles.

Toda a população tem a ilusão de que está evoluindo sem evoluir de fato, sem checar se aquilo que ela acredita ser superior é realmente superior. Até porque para checar, exige o esforço cerebral e pensar, meus amigos, não é coisa para os brasileiros de hoje em dia.

Aí quando a gente tenta desviar o povo do caminho da futilidade inútil, o povo se sente ofendido. Se ao invés de se sentirem ofendidos, eles acatassem os conselhos, eles muito certamente deixariam de ser criticados por abandonarem finalmente as "chupetas" da futilidade.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Sistema exige idioma inglês para emprego. Mas para lazer, dispensa totalmente

Interessante o que acontece na sociedade de hoje. Ao mesmo tempo que as empresas exigem cada vez mais outros idiomas para funções que se limitam a conversar com os caipiras daqui, na hora do lazer, essas mesmas empresas relaxam e dão prioridades a filmes dublados, se adaptando a quem tem dificuldade de ler legendas e de compreender idiomas estrangeiros.

Aldoux Huxley, em seu livro Admirável Mundo Novo, havia mostrado uma sociedade em que era extremamente séria no trabalho e extremamente idiota no lazer. O Brasil de hoje se parece muito com isso. O nosso mercado de trabalho é extremamente exigente -  não para melhorar o profissional como dizem, mas para filtrar o excesso de demanda de desempregados, já que os ricos não querem abrir mão de seus supérfluos para poder abrir mais vagas de emprego e/ou aumentar para salários que sejam realmente justos.

Para filtrar profissionais, surgiu a "maravilhosa" ideia de exigir um segundo idioma até mesmo para quem não vai se encontrar com nenhum estrangeiro, já que quanto mais exigências, maior é a filtragem, já que as vagas são sempre escassas. Eu disse SEMPRE!

Mas na hora do lazer, é exatamente o oposto. Como no lazer, as pessoas caminham com as próprias pernas, sem patrão para encher o saco, há o medo de subversão . Pois população bem educada conhece as tramoias que mantem os poderosos no poder. Para que o sistema continue com as injustiças que favorecem os poderosos, a meta é manter a sociedade burra no lazer. E estimulá-la a continuar burra é algo feito com insistência e sem medir esforços.

Por isso mesmo que o sistema que exige idioma estrangeiro para o trabalho, estimula o não aprendizado nas horas livres, pois conhecendo de fato um outro idioma podemos, por exemplo, checar em sites estrangeiros se o que a mídia local inventa sobre o que acontece fora de nosso país é verdade ou não (e muitas vezes não é). A mídia local não vai querer passar por mentirosa, mesmo mentindo para se beneficiar e favorecer seus tutelados.

Por isso mesmo é que num mesmo sistema onde a exigência de um idioma estrangeiro, sobretudo o inglês, no mercado de trabalho é chocada com o estimulo ao não aprendizado na hora do lazer, através de obras dubladas que além de incomodar a muitos com aquelas vozinhas artificiais e chatas, nos impedem de ouvir as vozes dos próprios atores, avaliando a sua atuação. Até porque não dá para dizer que fulano ou sicrano atua bem se ele está com a voz de outra pessoa.

Exigir idioma estrangeiro para o emprego, oferecendo obras dubladas no lazer é mais uma contradição num país cheio de contradições que insistem em não ser resolvidas, se transformando muitas vezes em tradições rotineiras que deveriam ser esquecidas.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Dois erros que as esquerdas cometem com a Cultura e com o Esporte

Entretenimento é tratado com uma certa ingenuidade pelas esquerdas. Mesmo sendo setores em que a seriedade é tratada de forma relativa, por estarem ligadas ao divertimento e a descontração, as esquerdas superestimam a sua importância e cometem erros de ignorar fatos ligados a eles que são bastante reais.

Essa ingenuidade de encarar cultura e esportes como coisas exclusivamente positivas, como virgens imaculadas e totalmente intocáveis, imune a erros, faz com que as esquerdas cometam dois erros graves: 1) o de ignorar a fortíssima influência capitalista em ambos; 2) a mania de embutir intelectualidade em algo feito apenas como diversão ou como mera fonte de obter renda e sustento.

A forte influência capitalista na cultura e no esporte

As esquerdas, ingenuamente, ignoram ou subestimam a influência capitalista na cultura e no esporte. Acreditam na lendária tese, com requintes de contos de fada, de que artistas e esportistas são sempre espontâneos e que decidiram por conta própria levar alegria e esperança às grandes massas, com se isso fosse um fim por si só.

Ignoram que além de uma excelente fonte de renda e trampolim relativamente fácil de mobilidade social, a cultura e o esporte são ferramentas importantes e tradicionalmente bem sucedidas de manipulação mental das massas, uma forma de mantê-las dóceis e acomodadas. 

O sucesso da manipulação tem muito a ver com os estereótipos de alegria, diversão relacionados a ambos. No esporte, o estereótipo ainda é mais nobre, pois envolve luta pela sobrevivência, cooperação entre as pessoas, competitividade (?!) e vitória após a dificuldade. Quer melhor valor que estes?

Essa associação entre cultura e esporte com estes valores considerados positivos e nobres consegue servir de meio de domesticação da população, que enxerga na cultura e nos esportes um substituto à revolta e um meio de subir na vida e livrar dos problemas de forma paliativa, sem mexer no sistema, mantendo as relações de poder e protegendo a ganância capitalista, mantendo a intacta.

Próteses de intelectualismo em atividades lúdicas

Outro erro que as esquerdas cometem em relação à cultura e ao esporte é embutir falsos referenciais de intelectualidade e rebeldia em atividades lúdicas e em seus praticantes, como se estes tivessem se envolvidos em tais atividades por motivos intelectuais ou políticos.

Se esquecem os esquerdistas que boa parte dos artistas e esportistas entram nesta ou apenas para se divertir ou para simplesmente ganhar dinheiro. Muitos tem um nível intelectual e de escolaridade um tanto atrofiados e demonstram estar interessados apenas em obter fama, dinheiro e diversão. 

Muitos nem querem saber de engajamento político-social mas há os que se engajam muito mais como forma de promoção pessoal - pessoa engajadas atraem mais simpatizantes, aumentando a popularidade e as vendagens - do que por afinidade ideológica. Sabem que o público se comove facilmente com líderes engajados e agem de forma estratégica a aumentar as suas fontes de renda.

Mas no geral, artistas e esportistas não conhecem os referenciais que são embutidos por intelectuais espertos que querem se promover às custas destas celebridades. Mesmo sem saber nada, essas celebridades ganham fama de intelectualizadas graças às próteses artificialmente embutidas naquilo que fazem, dando autenticidade a algo criado apenas para gerar renda e acomodar as massas.

As esquerdas acabam corroborando com esta falsa intelectualidade embutida artificialmente e acabam difundindo de forma insistente esta falsa associação, como se o mero artista ou mero esportista, muito mais preocupado com as finanças que terá que pagar em sua vida cotidiana, fosse um guerrilheiro bolchevique preocupado com o bem estar das massas, com o cérebro fervendo de ideais.

Esses dois graves erros faz com que as esquerdas ajam de forma extremamente ingênua diante da cultura e do esporte, ignorando o lado ruim sempre presente, mas pouco comentado - a não ser por alguns direitistas - de usar os valores positivos relacionados a estas duas coisas, para manter multidões imensas cada vez mais passivas e esperançosas em benefícios de um futuro que nunca vai chegar.

domingo, 6 de junho de 2021

Macropinna Microstoma: um peixe muito estranho

Esse foi visto há alguns anos em um programa de TV. É o Macropinna microstoma. Além de ter a cabeça transparente, lembrando uma pequena nave espacial de desenho animado, seus olhos não estão na frente. São as duas bolas verdes no interior da "cabine", viradas para cima. Os dois círculos pretos na frente, por incrível que pareça, são apenas as narinas.

A posição dos olhos verdes é estratégica, pois já que o peixe vive nas profundezas, pode enxergar tanto acima quanto na frente e também dos lados, tendo condições de identificar,  de forma ampla, prováveis ameaças e se defender com atenção e rapidez.

Adoro os animais das profundezas, pois revelam a criatividade divina de fazer seres cada vez mais estranhos, em condições de vida ainda mais estranhas. Yes, os ETs vivem conosco... nas profundezas dos oceanos.

 

Ainda sobre os celulares no Campo de São Bento

Nada tenho contra o uso de celulares. São úteis para passar o tempo, se comunicar e para quem se interessa pode servir de fonte de informação e conhecimento. Mas deve se utilizar em situações e locais mais adequados. Precisa ser num parque lindo cheio de atrações naturais e gente para conversar pessoalmente?

Um lugar como o Campo de São Bento, na zona sul de Niterói (a poucos metros de onde eu moro) seria um lugar ótimo para admirar a natureza, assistir a boas apresentações artísticas e conhecer pessoas. Mas a prefeitura liberou o wi-fi gratuito no local, que acabou se transformando em uma imensa lan house. Tirou o parque de sua proposta original. Aumentou a frequência do local, mas isso não significou o aumento da interação social dos frequentadores no local. Pelo contrário.

O resultado que se vê disso são pessoas isoladas em seus cantos, olhando com cara apalermada para celulares. Como se conhece a mentalidade dos brasileiros, sabe-se que não é para coisas importantes e sim para futilidades. As pessoas ficam isoladas em seu mundinho virtual e acabam ignorando as belezas do parque que é uma das principais áreas de lazer do município.

Niterói é escasso de locais para lazer e sociabilização. O Campo de São Bento é uma das raras opções. Poderia ser usado para a sociabilização (porque ao invés de wi-fi, não estimular a paquera no local?) e para atividades de contemplação do meio ambiente.

A transformação do local em uma lan house foi um desperdício, alem de ser uma má ideia que vai afastar ainda mais as pessoas de si mesmas, coisa já reforçada pela onda de ódio que infectou a sociedade brasileira. Em tempos como esse, a prefeitura deveria estimular a interação entre as pessoas e não o seu isolamento em um mundo de fantasias.

sábado, 5 de junho de 2021

O fracasso do PTinder e o verdadeiro delírio "comunista" das esquerdas

Os esquerdistas alienados tem uma implicância com as pessoas solitárias. Mas ao invés de ser realmente progressista e mudar costumes sociais para que as pessoas comumente solitárias não sejam rejeitadas, decidiram pela solução mais preguiçosa e convencional: criaram uma rede social. Mais uma.

Mas o que se vê no perfil do Instagram dedicado ao aplicativo que há tempos está para ser lançado e até agora só ficou na promessa, é um bate-papo meio infantil sobre temas de interesse não da esquerda trabalhista de outrora, mas da esquerda cirandeira, lacradora, aquela que acha que drogas, veganismo, futebol, religião e travestismo estão muito acima de emprego com salário justo.

Quanto a formar casais que possuem a mesma orientação política - quanto a outros assuntos, o PTinder não garante afinidade - o perfil do Instagram tem sido um fracasso retumbante. A ideia de fazer mais uma rede social quando paquerar pela internet se tornar algo cada vez mais chato e até perigoso - muita gente mal intencionada aparece fantasiada de pretendente - sempre me pareceu inútil e imaturo.

Já basta que o PTinder, que dá sinais claros de que foi criado como uma brincadeira, como forma de descontração para os esquerdistas namastê, tem um nome nada criativo, foi idealizado por duas mulheres lindas e casadas - que não entendem de solidão - e foca mais um esquerdismo ao mesmo tempo místico e irresponsável, onde alcoolismo, astrologia e outras bobagens tem espaço certo, no lugar de assuntos mais sérios. Justamente quando as pessoas procuram alguém mais sério para se relacionar.

Na verdade, o verdadeiro mérito do PTinder é mostrar, através da participação de seus seguidores, que boa parte dos esquerdistas brasileiros rompeu definitivamente com a antiga e respeitável imagem das esquerdas bolcheviques: saem os operários zangados pelas más condições de trabalho e de vida e entram neo-hippies alucinados querendo que Deus e outras divindades resolvam seus problemas.

O identitarismo rola livre no PTinder e mesmo tendo apenas esquerdistas em seus fóruns de debates, as briga s não são inevitáveis, já que quem quer algo sério, bate contra quem entrou lá só para se descontrair e se sentir como uma criança de 5 anos a falar um monte de bobagens. Mas quem gostaria de se casar com alguém que só pensa em bobagens? A vida a dois é complicada e cheia de desafios!

Sinceramente, o PTinder foi um fracasso total. Foi uma perda de tempo ter criado. Em tempos em que o romantismo está em baixa - as feministas declararam o fim do romantismo, para elas "coisa de mulher submissa" - e as relações amorosas andam confusas e em alguns casos, violenta, para quem não estabilizou a sua vida afetiva, é melhor continuar só e viver a liberdade que a solidão pode oferecer.

O PTinder mostrou o verdadeiro delírio "comunista", que de comunista não tem nada: viver irresponsavelmente ao lado de outra pessoa, admirando ícones da esquerda, mas sem resolver nenhum problema do país. Se as criadoras do PTinder queriam mudar o mundo, erraram feio.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Ilusões como Cerveja, TV e religião destroem o discernimento

Viva o mundo real! A realidade é feia, é triste e é cruel. Mas é a realidade. Se não gosta da realidade como é, se esforce para mudar. Trabalhe (que não é sinônimo de ter emprego, do contrário de como muitos pensam) para que a realidade seja melhor, alegre, bonita e generosa. 

Mas mudar a realidade exige esforço e abnegação. Mudar a realidade exige aptidões que muita gente não possui. Exige que saiamos da mais do que agradável zona de conforto. Exige que desistamos de muitos valores que consideramos belos, positivos e nobres. Exige que abandonemos a preguiça, sobretudo a intelectual.

Como mudar a realidade se este tipo de mudança exige uma postura que não queremos ter? A solução? Fugir da realidade. A religião, a TV, a cerveja e o futebol, além de outros supérfluos, existem com esta função. Há tempos deixaram de ser meras fontes de prazer para se tornar verdadeiras fugas da realidade. Pois a covardia faz parte do instinto humano. E o que o covarde faz diante do problema? Fugir!

Pessoas que colocam estas ilusões como prioridades em suas vidas - e isso acontece com mais de 90% dos brasileiros, infelizmente, independente de idade, etnia, procedência, gênero e orientação política - tendem a emburrecer ainda mais, de entender de forma distorcida a realidade de que vive fugindo. 

Com esta atitude lamentável, sua capacidade de discernimento atrofia e sua personalidade começa a regredir a ponto de agir como um menino birrento de 4 anos de idade. Mesmo que entenda algumas coisas básicas da vida adulta, a essência infantil se manifesta na birra de ter que defender a zona de conforto em que insiste em permanecer. 

Críticas são confundidas com ofensas e resultam em brigas quase mortais. Conselhos são confundidos com intromissão à vida do teimoso em questão. Há a defesa do direito de ser imbecil - desde que não seja chamado como tal - pois "cada um pensa como quiser", mesmo que seja a mais absurda das ideias. Mesmo que tais ideias estejam em oposição prática do que acontece no mundo real.

Pessoas que ficam horas bebendo, assistindo TV e cultuando dogmas religiosos, são muito suscetíveis de abandonar o mundo real e passar a acreditar em bobagens, verdadeiras asneiras. Passam a ter dificuldade de entender certas coisas e vira presa fácil de publicitários a serviço de empresários gananciosos e dos fabricantes de fake news.

Nem adianta estabelecer um maniqueísmo entre cerveja x religião. As duas coisas fazem exatamente a mesma coisa: tirar a pessoa do mundo real. Impedi-la de raciocinar de forma plena, compreendendo o que acontece na realidade e conhecendo os verdadeiros vilões que nos prejudicam.

Não estou aqui dizendo para as pessoas largarem estas ilusões. Longe disso. Iludir de vez em quando, como forma de distração e divertimento, sem levar muito a sério, não é maléfico. Mas priorizar as ilusões gera danos, pois coloca aquilo que nos alucina no lugar da razão. Sem exercitar a razão, nosso cérebro se atrofia e criamos dificuldades de entendimento.

O ideal seria que todo mundo se intelectualizasse. Que tentasse verificar informações, que analisasse tudo e todos, que não confiasse muito em lideranças que se apresentem como confiáveis, sem antes verificar s e tal é realmente digno de ser acreditado.

Mas como ninguém quer raciocinar, pois além de difícil e chato, não tem a nobreza das religiões, a descontração de um copo de cerveja e o dinamismo de uma programação televisiva. Ser burro nada exige e traz - falso - bem ester para quem se recusa a pensar. por isso que as coisas estão como estão, com o mundo do jeito que está e problemas não resolvidos que só crescem.

O isolamento social no celular em lugares de convívio humano

Niterói é uma cidade com poucas opções de lazer. Por ser uma cidade de maioria rica, as melhores opções ou são caras ou ficam em outras cidades. Quem tem grana curta mas muita vontade de se contactar com outras pessoas, as opções são as mais escassas. 

Mas imagine se nem nessas opções escassas a sociabilização é possível? Já não basta a onda de ódio que acontece que faz com que todos fiquem no mínimo desconfiados uns dos outros? Agora veio essa maldita onda de ficar com os olhos mirados no celular, ao invés de querer um contato físico com outras pessoas.

Niterói tem um parque belíssimo conhecido como Campo de São Bento. É a sua melhor área de lazer gratuita. Tem muita beleza e várias atrações. Nos finais de semana tem quiosques com artesanato e shows musicais. A comida oferecida em vários quiosques é uma delícia. O local tem tudo para distrair as pessoas e servir de meio de sociabilização. Nestes tempos vivemos tão isolados que deveríamos sair e satisfazer nosso instintivo desejo de sociabilização.

Mas a prefeitura de Niterói teve uma ideia que seria boa, e não fosse viciante: instalar wi-fi em parques e praças. O Campo de São Bento foi agraciado. A ideia em si é boa e eu mesmo fui beneficiado pois tive que mandar um SMS urgente estando no parque e consegui me contactar com a pessoa que recebeu, adiantando um compromisso importante para mim.

Só que o problema é que celular virou um vício para a maioria das pessoas. E não é para fazer coisas importantes, não. É para ficar escrevendo bobagens ou ficar espalhando mentiras sobre política. Um horror. Para sentir o absurdo: pessoas marcam encontros com outras para ficarem no mesmo lugar com as caras grudadas em seus celulares. 

No último sábado, vi uma cena que considerei um horror: muitas pessoas em poucos metros quadrados com as caras viradas para seus celulares. Apenas poucos preferiram conversar presencialmente com outras. mas a maioria sempre com seu celular na mão fugindo da triste realidade que se recusam a mudar.

E como um círculo vicioso, as pessoas se isolam no celular porque não conseguem mais se relacionar pessoalmente e por isso acabam se isolando no celular. Fácil: o celular oferece um mundo de fantasias fácil de acessar, mas impossível de compensar a falta de afeto.

Com a mais absoluta das certezas digo que o contato presencial humano nunca será substituído nem compensado. Eu mesmo já desconfio de redes sociais como o Tinder que para mim não servem como fonte de afeto e sim uma mera brincadeira de clicar "curti" e "não curti".

Temos que aproveitar oportunidades como o Campo de Sao Bento para o contato orgânico com outras pessoas. Quer usar o celular, aproveite outro momento para isso. Um parque movimentado e lindo deve servir para que retomemos o hábito salutar do contato humano. 

Pois o contato humano é essencial para as nossas vidas. E para ele não há tecnologia que o substitua.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Comercialismo musical não acabou com o fim da hegemonia das grandes gravadoras. Ela ganhou um novo sentido e fortaleceu

 

Uma ideia frequentemente difundida e comentada que rola aos cântaros em todos os lugares é o de que o comercialismo cultural acabou e que vivemos a era do D.I.Y. (Do It Yourself, Faça Você Mesmo) e de que estamos livres das amarras do show business e do mercenarismo musical. Grande engano.

Para começar, o comercialismo musical foi tão hegemônico nestas últimas quatro décadas que a nossa noção de cultura anti-comercial é justamente esta cultura comercial, pois é a que temos, é a que nos chega aos olhos e ouvidos e a única que conhecemos. 

Na falta de um exemplo de anti-comercialismo, escolhemos o que foi mais esquisito ou que atenda algum estereótipo de rebeldia como exemplo de anti-comercial. Mesmo que o cara esteja lá só por dinheiro e repita como um papagaio o que os comerciais de outra sempre fizeram.

Mesmo que decidamos fazer por conta própria as nossas músicas, gastando pouco para alugar algum estúdio semi-profissional, estamos contaminados pela cultura comercial. Só conseguimos reproduzir o que aprendemos através dos meios de comunicação. E nestes meios, a cultura de mercado é hegemônica.

Idiotice achar que com o fim da hegemonia das grandes gravadoras estamos livres do comercialismo musical. Pelo contrário. Sem estereótipos, a cultura comercial ganha asas para voar ainda mais alto. Sem o estereótipo de comercial, mas mantendo o mercantilismo em sua essência, ele pode vender mais, pois pode falsamente ser oferecido como uma alternativa ao comercialismo, mesmo fazendo a mesma coisa.

Muita gente pensa que a pequena mídia é sinônimo de mídia diferenciada, alternativa. Mesmo antes da onda atual, na Itália por exemplo, gravadoras reduzidíssimas se empenhavam a oferecer o mesmo pop juvenil que as multinacionais ofereciam. Você ouvia exatamente aquele mesmo pop comercial dançante vendo um selo com nome desconhecido girando na vitrola. O mesmo som.

Algo a observar e que é frequentemente ignorado é que existem empresas locais poderosíssimas que aos olhos dos de fora parecem empresas pequenas, como a paraense SomZoom e a gravadora que contratou a onda coreana do momento, BTS. Só porque a sua atuação é local não significa que uma empresa seja menos rica, poderosa, influente e mercenária.

Mas porque as pessoas insistem em achar que só porque não é produzido por uma multinacional conhecida, algo pode ser considerado "alternativo", "diferente" mas soando exatamente igual ao que vemos e revemos através dos meios gigantescos de produção e divulgação?

Temos que parar com a crença de que o comercialismo musical acabou. O fim da hegemonia midiática apenas tirou o estereótipo de comercialismo da cultura que é feita apenas para gerar renda. Este fim do estereótipo foi benéfico para atrair quem procura algo supostamente diferenciado, mesmo sem ter as condições intelectuais de distinguir o que é realmente cultural do que é puramente mercenário.

Sem os estereótipos, o som do produto comercial parece "mais espontâneo" e "mais autêntico" e por isso o público se sente identificado com o "artista", naquele esquema do "gente como a gente", e compra mais, pensando ser ele o diferencial para a aos produtos culturais hegemônicos de outrora.

Mas tudo é uma enganação. O comercialismo segue forte, formando novos magnatas, criando tipos culturais cada vez menos espontâneos e sempre aproveitando da queda do nível intelectual do público receptor, que sem discernimento, aceita qualquer coisa como revolucionária.

Assim, continua a engordar os cofres, não mais das antigas gravadoras , mas do de novos produtores, formando novos magnatas e novos "artistas" de proveta a oferecer o mesmo tum tum tum de outrora, com nova roupagem e sem o estereótipo de quem está nesta só para ganhar dinheiro. Nunca foi tão fácil oferecer um produto fajuto com a embalagem linda de autenticidade.

 Emburrecer as massas faz muito bem para a cultura de mercado. Faz as pessoas comprarem mais.

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