domingo, 30 de junho de 2019

O perigo dos homens medíocres como Jair Bolsonaro

OBS: Tem estrangeiros que entendem melhor o Brasil do que muitos brasileiros. Além do brilhante Glenn Greenald, a espanhola Esther Solano tem escrito textos e feito declarações que ultrapassam o brilhantismo e possuem uma impressionante sensatez que merece indispenaével atenção. Leiam o texto abaixo falando sobre a mediocridade explícita dos personagens que tomaram o poder desde 2016, incluindo os ultra-estimados Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

O perigo dos homens medíocres como Jair Bolsonaro

Esther Solano - Carta Capital

São sujeitos feridos, mas na alma, que é muito pior do que estar ferido no corpo. São uma fraquejada
Nada mais perigoso do que um homem medíocre e triste que odeia a inteligência e a felicidade alheias. Esta é a cara do governo Bolsonaro. Personagens de uma mediocridade tão ostensiva que disfarçá-la é tarefa impossível. Como me disse um dia um aluno, é a burrice ostentação. Juntam-se a essa mediocridade as paixões tristes que o movem.  
Há dois tipos de medíocre: o que é consciente de sua limitação e fica recolhido nela humildemente ou se esforça para crescer e o que, incapaz dessa humildade ou desse crescimento, tenta destruir, exterminar tudo aquilo ou todos aqueles que brilham mais que ele. Não é preciso dizer a qual dos dois tipos pertencem os patéticos personagens bolsonaristas. 

Também há dois tipos de infelizes: os que lutam em construir a própria felicidade e os que detestam a felicidade alheia e se empenham em arruiná-la. Os que lutam por viver seus desejos livremente e os que odeiam quem os vive. Os que amam em toda a plenitude do amor e os que odeiam quem ama. Tampouco desta vez é preciso dizer a qual dos dois tipos pertencem os patéticos personagens bolsonaristas. 

Acrescente-se uma masculinidade complexada, frágil, mas tão autocentrada que não consegue enxergar para além dela mesma. Homens que odeiam outros homens, que odeiam mulheres, talvez porque, no fundo, esses homens odeiem a si mesmos. Durante minhas entrevistas com eleitores de Bolsonaro, várias mulheres me confessaram que tinham medo de seus maridos, porque a agressividade deles tinha aumentado muito depois de começarem a seguir o “mito”. São os cidadãos de bem. Eu, quando vejo um cidadão de bem na rua, mudo de lado ou saio correndo. São aqueles que não enxergam contradição em ir à igreja aos domingos e apedrejar um homossexual ou agredir a própria companheira em casa. Não veem incoerência em citar a Bíblia e aplaudir Bolsonaro, quando ele faz o gesto de arma na Marcha para Jesus. Suspeito que os homens que sentem tanto tesão por armas não são capazes de sentir tesão por mais nada. De qualquer forma, Jesus não estava nessa marcha, estava na Parada LGBT+.

O curioso nesses cidadãos de bem é que eles pensam ter um canal direto com Deus, como num grupo de WhatsApp ou Telegram, que agora está na moda. Queridos, se Deus existe, deve estar desesperado, se perguntando onde errou para que de um barro supostamente inócuo surgissem seres como vocês. “Deu merda”, Ele deve pensar. São sujeitos feridos, mas na alma, que é muito pior do que estar ferido no corpo. São uma fraquejada.

Não por acaso, querem acabar com as universidades públicas. Para quem é tão medíocre, a inteligência alheia deve ser estarrecedora. Não por acaso, quiseram acabar com Lula em um processo arbitrário. Não por acaso, Bolsonaro recusou-se a ir aos debates eleitorais e a enfrentar um professor. Não por acaso, queiram dominar os corpos das mulheres, pois mulheres livres e fortes devem ser assustadoras para eles. Não por acaso, querem proibir as diversas formas de amor e de família. A vida que eles representam é tão cinza que as cores da bandeira LGBT+ devem ser insuportáveis.

Sujeitos pequenos, tacanhos, intelectualmente ínfimos, figuras que em tempos de normalidade democrática e institucional seriam irrisórias e desapareceriam, engolidas na própria irrelevância. Mas em tempos “desdemocráticos”, em tempos obscuros e autoritários, esses anões se fizeram gigantes e vomitaram sobre todos nós sua capacidade de destruição. Esses mesquinhos estão no poder. Encarnam o mito do homem medíocre. O medíocre que se apresenta como herói. Vejam que drama. Esses heróis iriam salvar o Brasil. Bolsonaro é o “mito”. Moro é o “herói”. 

Na manifestação verde-amarela da Avenida Paulista, em 16 de agosto de 2015, perguntei a vários manifestantes sobre o então juiz Sérgio Moro. A retórica heroica-salvacionista-messiânica era impressionante. Emergia a figura do juiz-Deus, o juiz-Messias, que tinha a tarefa de limpar o Brasil da corrupção, exterminar o câncer. “Moro é o nosso salvador. Moro tem uma missão, limpar o Brasil porque o câncer do Brasil são os políticos corruptos. É dever de todos os brasileiros apoiar a Lava Jato. Ele vai passar o Brasil a limpo. Ele é o homem que estávamos aguardando” (palavras de uma mulher branca de 45 anos). Para essa senhora, sentado à direita de Deus não está Jesus, mas o “conje”.

Estamos nas mãos de homens medíocres que nos odeiam e que se acham heróis. Homens que não têm nenhum problema em destruir as instituições e muito menos a democracia, pois a democracia não os representa. Eles despertaram os monstros e a escuridão. É nosso papel trazer a luz de volta.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A lorota de que o Nazismo seria de esquerda tem intenção de criminalizar as forças progressivas

Com o fim do pensamento único causado pelo surgimento da internet, que favoreceu a liberdade de expressão - bastante limitada na mídia oficial (TVs, rádios, jornais, revistas) - que surgiu para o bem mas também para o mal. 

Todo mundo resolveu brincar de "revisionismo histórico" e a falta de noção do que é real ou não e o desprezo pela análise intelectual favoreceram o surgimento de um monte de lendas e boatos que desafiam a lógica e o bom senso.

As esquerdas, que representam as forças progressistas e que tem lutado com muito dificuldade pelos direitos da maior parte das pessoas, sempre incomodou as elites gananciosas que querem todos os direitos e benefícios exclusivos para si.

Por isso, eles não cansam de difamar as esquerdas colocando os defeitos tipicamente direitistas nas forças progressistas, criando uma inversão de valores que transforma magnatas gananciosos em "benfeitores altruístas", enganando a opinião pública, forçando-as a aderir às forças conservadoras que desejam manter os privilégios das elites.

A idiota tese de que o Nazismo era de esquerda, inventada pelos extremistas de direita brasileiros é um exemplo disso. A ideia é dar características de vilania às forças progressistas, além de isentar os fascistas brasileiros de qualquer cumplicidade com o Nazismo.

O Nazismo, com a finalidade de fortalecer o Capitalismo, praticou um enorme genocídio para diminuir a quantidade de pessoas e garantir a exclusividade de direitos e benefícios apenas para as grandes elites alemãs. Os extremistas brasileiros não querem ficar com a culpa e a jogam para cima das esquerdas, com a finalidade de criminalizá-las e tirar do cotidiano político.

Apesar da enorme semelhança entre o extremismo de direita brasileiro e o fascismo alemão conhecido como Nazismo, os brasileiros sabem que a comparação pega mal e pode punir os fascistas tupiniquins. É como recusar a segurar uma bomba prestes a estourar nas mãos de quem segura.

Inventar que o nazismo era de esquerda é uma excelente forma de criminalizar as forças progressistas e tranquilizar as elites de que a renda e direitos nunca serão repartidos, ficando retidos nas contas bancárias e nas mansões das grandes elites, favorecendo e aumentando a concentração de renda e de poder. Dá para os extremistas de direita se fingirem de democratas e atraírem para si a simpatia da opinião pública, favorecendo a satisfação de seus interesses.

Está mais do que na cara que a extrema direita brasileira é igual aos nazistas. A tentativa de diferenciar as duas ideologias pelo rótulo é na verdade uma oportunidade de se aproveitar da ignorância da maioria das pessoas e jogá-las contra adversários. Se o Nazismo não fosse malvisto, certamente os extremistas brasileiro teriam o maior orgulho de se rotularem neonazistas. Pois no fundo, eles nunca passam disso.

O nazismo é de extrema direita: igualzinho ao que pensam os admiradores e seguidores do "Coiso".

terça-feira, 25 de junho de 2019

Lula, Bolsonaro e os Estereótipos

Estereótipo é uma marca consagrada relacionada a pessoas ou a coisas em que um grupo de características aparentes serve para defini-las de forma superficial e não raramente equivocada. Para muita gente, as aparências é que contam, pois definir as coisas apenas com os olhos ou com o conhecimento de poucas informações não exige esforço e pode-se fazer um diagnóstico rápido, embora com grandes chances de se cometer uma injustiça.

Para muitos, um líder teria a obrigação de possuir u diploma de nível superior, pois ainda acreditamos que a inteligência plena só seria adquirida após um curso universitário, o que não é verdade. A inteligência é na verdade um processo resultante de uma combinação de fatores, como análise, crítica, verificação de informações, etc.. 

Outra coisa a saber: se é difícil entrar em uma faculdade, graças a provas que na verdade examinam não a inteligência, mas a memória - reparem que as pessoas que tiram melhores notas em qualquer tipo de provas são muito boas em memória - é muito fácil sair delas. Basta frequentar assiduamente aulas e assinar o nome em trabalhos de grupo que o caminho para o diploma é francamente facilitado.

A inteligência deve vir da capacidade cognitiva da pessoa e não adquirida por meios burocráticos como em uma aula acadêmica. Bobagem achar que um pedaço de papel chamado "diploma" seria uma forma segura de comprovar a inteligência de uma pessoa. Membros da equipe deste blog conhecem muitas pessoas portadoras de diploma que demonstram uma burrice surpreendente em muitos assuntos, inclusive nas áreas em que se formaram no nível superior.

Quem é o sábio? Quem é o Analfabeto?

Duas figuras da política brasileira são ótimos exemplos do equívoco resultante de nosso cacoete em definir as coisas através de estereótipos: o ex-sindicalista e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-militar Jair Messias Bolsonaro.

Para quem se baseia em estereótipos, entre as duas figuras políticas citadas, certamente definiriam Bolsonaro como "sábio" e Lula como "analfabeto". Bolsonaro, por ser capitão, é oficial e para ser oficial militar, a graduação superior é mais do que obrigatória. Lula só possui o ensino médio, exigido pela profissão de metalúrgico que exerceu antes de entrar na política.

Mas se despirmos do estereótipo e analisarmos atitude e falas de cada um, vamos inverter o conceito. A entrevista dada por Bolsonaro no Roda Viva (programa de uma rede de TV que deveria ser pública e que foi devidamente sequestrada pelo PSDB) mostrou um troglodita ignorante cujo nível intelectual é inferior ao de um doente mental com cinco anos de idade. O ex-militar já começa a ser chacota mundial e só consegue ser defendido por gente tão ignorante quanto ele.

Do outro lado, ouça os discursos de Lula ou leia seus textos escritos. São de uma sabedoria ímpar. A própria gestão como presidente foi exemplar, sendo objeto de estudo em faculdades do mundo todo. Lula é definido por cientistas políticos como o melhor presidente brasileiro de todo os tempos e não cansa de demonstrar sua verdadeira inteligência quando fala. E quando mais fala, mais sábio se mostra. Impossível ser a mesma pessoa após ouvir Lula falar, pois sempre se aprende com ele.

Ou seja, enquanto um portador de diploma desfila besteiras quando abre a boca, numa exibição de total desprezo pelo mundo real e total falta de análise, o que não possui diploma dá lições de verdadeira sabedoria. Seria muito perigosa uma guerra comandada por Bolsonaro, um irresponsável desastrado sem noção do mundo real que certamente atiraria para todos os lados, matando muitos inocentes por falta de análise objetiva dos fatos.

Resta saber o que Bolsonaro fazia enquanto estava na universidade, pois estudar é o que ele não estava fazendo. Enquanto isso, o sindicalista "bronco" observava tudo ao seu redor e tirava grandes lições dos menores detalhes de tudo o que via. Lula estudou a vida, que é muito mais complexa do que qualquer coisa ensinada nas melhores faculdades. 

Em matéria de sabedoria natural, Lula já é Pós-PHD. Ou mais do que isto. Dando um banho no militar "letrado" Bolsonaro, que deve usar o diploma para se defender do mico em demonstrar total desconhecimento mínimo dos fatos reais. 

domingo, 23 de junho de 2019

O problema da Meritocracia

Muito se tem falado sobre Meritocracia. Para quem não sabe, Meritocracia, em tese, é quando alguém conquista uma posição social por base do esforço e do acúmulo de conhecimento. Até aí, nada demais. O problema é como essa Meritocracia é posta em prática.

Os defensores da Meritocracia acreditam que o sistema meritocrático é justo porque os "vencedores" (sei de razões que me obrigam a colocar aspas nessa palavra) são julgados de maneira objetiva, analisando suas aptidões e seu conhecimento. Mas os mesmos defensores se esquecem de algumas coisinhas. 

- As regras para essas conquistas são elaboradas subjetivamente pela classe dominante, composta por seres humanos tão falhos quanto os que eles pretendem julgar.

- Desconhecemos a trajetória de muitos "vencedores" e muitos deles podem ter "vencido" não pelos seus méritos, mas por satisfação subjetiva dos interesses de quem os julga, já que os "vencedores" fazem tem o privilégio de fazer as regras, que nem sempre são justas, já que há o desejo de não ferir os próprios interesses.

- Todos os seres humanos tem direitos básicos, que não costumam ser respeitados na Meritocracia.

- Competitividade é sinal de atraso, é coisa adequada ao Reino Animal. Se há competição, é porque um benefício não está sendo devidamente distribuído. A prática prova que sociedades mais atrasadas são mais competitivas, mesmo que essa competitividade seja praticada e defendida pela elite dessas sociedades atrasadas (e quem disse que elite não é ignorante?).

- E será que os critérios para a escolha dos vencedores são realmente justos? A grande ênfase dada ao comportamento durante as entrevistas de emprego (cujo entrevistador é um ser humano, com defeitos), em detrimento da observação das capacidades do candidato, tem contribuído muito para a queda na qualidade de produtos e serviços, praticados pro profissionais sem um mínimo de talento ou vocação. 

Esses fatores tem demonstrado que a Meritocracia exige um gigantesco senso de justiça para ser posta em prática. Um senso de justiça que nem os maiores juristas do Brasil possuem de fato. Algo que pode ser visto apenas em sociedades realmente  evoluídas, como a escandinava.

O Brasil está muito longe de por em prática qualquer tipo de melhoria, Políticos, empresários, celebridades, religiosos, esportistas e outros tipos de lideranças, vivem de oferecer promessas vazias respaldadas pelos seus prestígios sociais. Há muito tempo essas promessas tem se mostrado sem resultado. 

O que mostra que continuaremos com uma Meritocracia cada vez mais injusta e ineficiente, onde burros de gravata ditam regras para  que inteligentes obedeçam sem murmurar. 

terça-feira, 11 de junho de 2019

Dez pontos para entender a gravidade da relação entre Moro e Dallagnol

OBS: Talvez seja o maior escândalo já ocorrido no Brasil e revela que a Lava Jato não era uma operação contra a corrupção e sim para impedir que foras progressistas voltassem ao poder. 

Sabe-se que Moro e Dallagnol eram serviçais do capital internacional e sua missão era além de entregar as riquezas nacionais (como o petróleo, tipos de minério, etc., teria que reduzir salários e direitos dos trabalhadores que trabalharia para extrair estas riquezas que iria para as mãos de gananciosos magnatas estrangeiros. 

Esse é o resumo do objetivo dos golpistas que se aproveitaram da operação para proteger, aumentar e garantir a ganância capitalista internacional. Não admitir isso é estar muito mal informado.

Mas graças ao site The Intercept, do brilhante jornalista Glenn Greenwald, considerado por muitos o melhor jornalista do muno na atualidade, todos agora ficarão sabendo das verdadeiras intenções do golpe de 2016, que nada tinha de combate à corrupção e sim a de proteger intersses gananciosos de uma elite mesquinha e preconceituosa.

Dez pontos para entender a gravidade da relação entre Moro e Dallagnol

Dir.: Fernando Frazão - ABR

A troca de mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, e outros integrantes da operação ratificou suspeitas e críticas de que o ex-magistrado atuava também como investigador, além de julgador dos casos

11 DE JUNHO DE 2019 ÀS 07:16

Por Paulo Donizetti de Souza e Rodrigo Gomes, da RBA - A troca de mensagens entre o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, e outros integrantes da operação ratificou suspeitas e críticas de que o ex-magistrado atuava também como investigador, além de julgador dos casos. Entre as conversas reveladas pelo site The Intercept Brasil, estão a combinação de ações, cobranças sobre a demora em realizar novas operações, orientações e dicas de como a força-tarefa da Lava Jato deveria proceder.

O Intercept revelou que até o procurador tinha dúvida sobre as acusações de propina da Petrobras horas antes da denúncia do caso do tríplex no Guarujá. E que a equipe de Ministério Público Federal atuou para impedir a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições por medo de que ajudasse a eleger o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. Cooperação ilegal, motivações políticas e sustentação de uma acusação frágil revelam os bastidores da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A RBA listou alguns aspectos importantes do que foi revelado até agora para tentar ajudar o leitor a traduzir o "juridiquês".

1. Separação de funções

No Brasil, o sistema de justiça funciona com partes separadas. A Constituição não considera o Ministério Público – estadual ou federal – como parte do Poder Judiciário. O MP representa a sociedade. A ele cabe reunir provas, formular a denúncia e sustentar a acusação – seus integrantes têm, então, procuração constitucional para advogar em nome da sociedade. Aos juízes e desembargadores, cabe julgar com base nas provas e argumentos, de acusação e de defesa.

Moro auxiliou procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e até sugeriu a alteração de ordem das fases da Operação Lava Jato. Perguntava o motivo de alguns pedidos do MPF e orientava a melhor forma de encaminhar as petições. Em um mês que não houve novas operações, Moro cobrou Dallagnol se não era "muito tempo sem operação".

2. O que é um juiz imparcial?

O Código de Ética da Magistratura proíbe essa relação entre juiz e procuradores. Em seu artigo 8 diz claramente: "O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes (acusação e defesa), e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito".

Mas, além de opinar sobre as ações do MPF, Moro também chegou a propor uma resposta conjunta quando o PT emitiu notas criticando a atuação da Operação Lava Jato. "O que acha dessas notas malucas do diretório nacional do PT? Deveríamos rebater oficialmente? Ou pela Ajufe (Associação de Juízes Federais)?", questiona o ex-juiz a Dallagnol.

3. Juiz suspeito

O Código de Processo Penal também é muito claro sobre os limites da atuação do juiz. O artigo 254 define que o magistrado deve se declarar suspeito de julgar um processo, entre outros motivos, "se tiver aconselhado qualquer das partes".

Moro não só aconselhou como incentivou e ofereceu pessoas a serem ouvidas pelos procuradores, com o objetivo de garantir o andamento do processo de acordo com seu objetivo.

4. A lei deveria ser para todos

Moro e Dallagnol também discutiram sobre contra quem dirigir investigações ou não. Quando 77 executivos da empreiteira Odebrecht apresentaram seus relatos, estariam implicados mais 150 nomes do mundo político. Embora costumassem dizer publicamente que "a lei é para todos", ambos conversaram sobre quem recairia a aplicar a lei.

Quando recebeu uma lista um pouco mais detalhada sobre os envolvidos, Moro foi categórico em dizer que as investigações deveriam ter foco sobre o Poder Executivo – à época em que o país fora presidido pelo PT. "Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e judiciário", escreveu o atual ministro da Justiça quando era juiz.

5. Processo capenga

Para garantir que o processo ficasse em Curitiba, nas mãos de Sergio Moro, Dallagnol fez uma manobra arriscada. Vinculou os supostos benefícios a Lula no caso do triplex de Guarujá ao esquema de corrupção na Petrobras. Para sustentar essa tese, o procurador não se fiou a provas robustas ou testemunhos inquestionáveis, mas a uma reportagem do jornal O Globo sobre o atraso nas obras do Edifício Solaris quando este ainda pertencia à Bancoop.

"A denúncia é baseada em muita prova indireta de autoria, mas não caberia dizer isso na denúncia e na comunicação evitamos esse ponto", avisou o procurador a Moro. Para dar mais força à denúncia, ele estava ciente que era preciso conquistar a induzir a opinião pública. E não o juiz com quem trocava mensagens quase diariamente. E o fez: construiu uma apresentação de slides em powerpoint e colocou Lula como "chefe" de um esquema de corrupção gigantesco, chamando-o de "líder máximo", mesmo sem ter prova alguma, apenas "convicções".

6. Agentes públicos x privacidade

"Ah, mas as conversas foram obtidas por um hacker. Foi um crime. As autoridades têm direito à privacidade", alegam alguns apoiadores do esquema Lava Jato. Ainda que a obtenção das informações tenham sido obra de um hacker, a divulgação não. Como se tratam de informações de interesse público, de ilegalidades cometidas por agentes públicos no exercício da função, os jornalistas do Intercept se consideraram na obrigação de divulgar (avisando que foi só início). E quando se trata de má conduta de servidores públicos não cabe evocar direito à privacidade, com escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

É provável que Moro, Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato não possam ser punidos com base em uma prova obtida dessa forma. Por outro lado, a contaminação dos processo em que eles atuaram pelo que foi revelado pode levar a anulação de condenações e de processos que ainda estão em andamento.

7. Inflando protestos

As motivações políticas de Moro e Dallagnol ficam evidentes em uma conversa de 13 de março de 2016, quando as manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff atingiram o ápice. O ex-juiz diz querer "limpar o Congresso". O diálogo entre eles revela que as ações da Lava Jato buscavam influenciar a opinião pública contra o governo petista.

Dallagnol: E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal.

Moro: Fiz uma manifestação oficial. Parabéns a todos nós.

8. Aos inimigos, nem a lei

Apesar de reclamar da divulgação de suas conversas, Moro e Dallagnol dialogaram sobre a revelação das conversas grampeadas ilegalmente entre Lula e Dilma, quando ela o indicou para o cargo de ministro da Casa Civil. No cargo, Lula empregaria de sua capacidade política para tentar conter a escalada da crise que derrubaria Dilma naquele mesmo ano. A ação era ilegal: um juiz de primeira instância não pode autorizar grampo telefônico contra a presidência da República e a gravação foi obtida após o prazo limite da decisão que permitiu o grampo nos aparelhos de Lula.

Moro chegou a pedir desculpas públicas, mas nas conversas com Dallagnol se dizia convicto de ter agido conforme seus objetivos. "Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim", escreveu o ex-juiz.

9. Operação anti-PT

Os procuradores da Lava Jato atuam de modo "técnico, imparcial e apartidário, buscando a responsabilização de quem quer que tenha praticado crimes no contexto do mega-esquema de corrupção na Petrobras", segundo escreveu Dallagnol nas redes sociais. Mas quando o STF autorizou uma entrevista de Lula ao jornal Folha de S. Paulo, o partidarismo da equipe ficou evidente. Tanto em lamentações quanto em ações para impedir a entrevista. O medo? Que Lula ajudasse Fernando Haddad a vencer a eleição.

Nas trocas de mensagens, os procuradores buscam formas de impedir a entrevista: descumprir a decisão judicial buscando brechas legais, alegar que a decisão valia para todos os condenados na Lava Jato, convidar outros veículos de comunicação à revelia da decisão judicial. Quando o STF acatou pedido do Partido Novo contra a entrevista, os procuradores deixaram qualquer profissionalismo de lado e comemoraram como final de campeonato: "Devemos agradecer à nossa PGR: Partido Novo!!!"

10. Quem investiga procurador e juiz

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) é o órgão encarregado de controlar e fiscalizar a atuação dos órgãos integrantes do Ministério Público nacional e de seus membros. Integrantes do CNMP já pediram que a conduta de Deltan Dallagnol seja investigada.

O conselho é presidido pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e composto por outros 13 membros: quatro provenientes do Ministério Público Federal; três dos MPs estaduais; dois juízes, indicados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); dois advogados indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); e dois cidadãos de notório saber jurídico, indicados pela Câmara e pelo Senado.

Por sua, vez, condutas consideradas suspeitas por parte de magistrados são investigadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão é presidido pelo presidente do STF, e um ministro do STJ exerce a função de corregedor. Os outros 13 demais integrantes são: um ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST); um desembargador de Tribunal de Justiça (TJ, segunda instância da esfera estadual); um juiz estadual; um juiz do Tribunal Regional Federal (TRF, segunda instância na esfera federal); um juiz federal; um juiz de Tribunal Regional do Trabalho (TRT); um juiz do trabalho; um membro do MPF; um membro de MP estadual; dois advogados (OAB); e dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados por Câmara e Senado.

Muita gente critica o fato de se ter poucas notícias de punição a procuradores ou juízes porque eles são investigados por seus próprios pares. Portanto, o corporativismo acaba fazendo com que denúncias não sejam levadas adiante. Diante da gravidade das infrações cometidas por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, entre outros cujos nomes estão por vir em novas reportagens, o meio especializado tem dito que não apenas o caráter desses dois está em cheque. A reputação do CNMP e do CNJ – enquanto instituições da República – também estará.

domingo, 9 de junho de 2019

Mesmo com a possibilidade de inocência, não vamos canonizar o Neymar

Ainda não temos confirmação dos fatos, mas parecem alguns indícios de que o ultra-estimado Neymar não cometeu o tal estupro. Mesmo que o jogador não tenha cometido tal atrocidade, é preciso nos controlar para não canonizá-lo. Embora para a maioria dos brasileiros, há a poderosa tentação de transformá-lo em um santo ou até em um semi-deus sem defeitos.

Os brasileiros te apenas 519 aninhos de idade, diante de um mundo cheio de nações milenares. A população brasileira é imatura e está aprendendo muitos conceitos, principalmente após o golpe de 2016, que revelou a tirania e a ganância por trás de muita gente amável ou no mínimo confiável.

A imaturidade do brasileiro, como acontece com a grande maioria das crianças, é a de priorizar a diversão em relação a assuntos de seriedade. O futebol, como nossa diversão favorita, é para nós a nossa maior prioridade, um orgulho cívico e uma obrigação a nunca ser adiada ou recusada. 

Por isso o empenho e tentar proteger o suposto melhor jogador da suposta melhor seleção do mundo. Tudo deve ser feito para evitar que Neymar possa ir para a cadeia. Neymar na cadeia é derrota da seleção brasileira. A admiração por Neymar é algo que une esquerdistas e direitistas no Brasil (mesmo sendo Neymar um bolsonarista assumido). 

O maior "herói" de uma nação que coloca a vitória no futebol acima mesmo da própria sobrevivência do povo deve ser protegido de todas as formas. Desde a copa de 2010 o povo aprendeu a idolatrar Neymar, que além de tudo é o símbolo de sucesso da mítica meritocracia, embora os esquerdistas se esqueçam com frequência disto.

Aliás o sonho dos esquerdistas é converter Neymar para que ele, com a sua força descomunal destrua as celas de Curitiba e arranque Lula de lá, voando e carregando o ex-presidente nas costas. Símbolo de um patriotismo infantil de um povo que costuma amar mais os EUA e a Europa que o próprio país, Neymar e tratado como uma solução para todos os problemas do país.

Aliás é interessante saber que boa parte dos que defendem Neymar não moveu uma palha para impedir Lula de ser preso injustamente numa confusa acusação sem provas mas com justificativas esfarrapadas, que não conseguem convencer nem o mais burro dos direitistas. Mas Lula, apesar de gostar muito de futebol, não é jogador, é político. Todos sabemos como brasileiros gostam de políticos.

Mesmo que seja inocentado, não canonizemos Neymar. Claro que ele, assim como todo ser humano, deve ser criticado pelos erros que comete e não por falsas acusações. Usar calúnia e difamação para destruir babacas é tão ruim quanto para acabar com a reputação de pessoas sensatas. nem mesmo um chato como Neymar merece ser difamado. Mas não há motivos para canonizá-lo.

Ele pode até não ter estuprado ninguém, mas não vai deixar de ser o playboyzinho que apagou de vez todo seu passado de pobre para se tornar um magnata cafona, um mulherengo feioso metido a galã que só vive cometendo gafes. 

Aí sim, podemos realmente condenar Neymar, por ser esse exemplo ruim para os jovens brasileiros. O exemplo de ser o farrista irresponsável que sempre foi.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Como conquistar uma mulher - versão realista

Com absoluta exclusividade, vou mostrar a vocês a versão franca e realista dos conselhos de como conseguir uma mulher, obedecendo toda a  ritualística social exigida pela coletividade, quase com unanimidade.

Este manual mostra o que um homem comum deve fazer para dar certo em sua vida afetiva. "Dar certo", entre aspas, pois o bom senso nos diz que nada melhor do que uma atitude sincera, altruísta e afetiva para que um relacionamento possa dar certo. Mas como em nossa sociedade de valores decadentes e cultura destruída quase não existe alguém realmente sincero, altruísta e muito menos afetivo, é bom tomar algumas medidas "simples":

- Primeiro: no início da adolescência, arrume um jeito de desenvolver seu físico. Homens altos ou no mínimo proporcionalmente esticados são mais valorizados pelas mulheres.

- Segundo: estabeleça uma meta profissional. Ao chegar aos 18 anos já saiba qual será a sua profissão. É bom lembrar que esta dica é a mais importante de todas, podendo inclusive dispensar as outras dicas deste manual. Todo mundo está careca de saber que mulher gosta mesmo é de dinheiro e que marido não passa de um meio para obter uma garantia financeira. nem que seja para abastecer aquela fútil coleção de sapatos.

- Terceiro: Vá a festas. Mulher só dá mole mesmo em festas. A não ser que você seja suficientemente extrovertido e esperto para tonar iniciativa em qualquer lugar, até mesmo na fila da receita federal. Mas se você não é, não tem escapatória. festas, boates, bares, carnaval, quermesses e qualquer coisa que se pareça com isso tudo, são os únicos lugares onde as mulheres estão mais receptivas para paqueras. Em outros lugares, as mulheres se retraem e ficam mais desconfiadas, achando que qualquer homem é estuprador.

- Quarto: Existe quarto? Bom. Depois de conquistadas, as mulheres não fazem muita questão que seus namorados e maridos tenham qualidades. Todo mundo sabe mas ninguém admite que depois que um relacionamento começa, o processo de conquista continua, mas com os papéis invertidos. Enquanto é o homem que conquista a mulher antes do início de um relacionamento, quando este começa, é a vez da mulher tentar conquistar o homem, já que após o "joguinho", o menininho em forma de homem se cansa e quer brincar de novo com outras "menininhas". Até porque é do joguinho que a maioria gosta, não da "presa" caçada.

Se você for realmente submisso ao sistema e às convenções sociais, recomendo que siga essas regras. Mas se você tem personalidade, deseja uma companheira em um relacionamento sem interesses fúteis e não se importa com padrões de atitude, rasgue esse manual, esqueça essas regras  e faça você mesmo as suas, conquistando a mulher com suas qualidades pessoais, sendo você mesmo, por mais difícil que seja, e não se preocupando com o que esta sociedade hipócrita irá pensar de você.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Argumentos mais comuns dos defensores do popularesco

Os defensores do popularesco são de um tipinho sem criatividade. Geralmente para defender seus ídolos e seu ponto de vista, usam sempre os mesmos argumentos, que são utilizados várias vezes, deixando evidentes a falta de inteligência, criatividade e senso-crítico. Vamos ver os argumentos mais comuns:

- Acusam os seus algozes de invejosos (inveja de quê? de ganhar dinheiro pagando mico com tosqueira?)

- Se consideram (ou consideram seus ídolos) vítimas de preconceito.

- Dizem que o popularesco é a cultura pura, feita pelo povo para o povo (sabemos que não).

- Tratam como eterno aquilo que é claramente efêmero.

- Confundem entretenimento puro com arte superior.

- Comparam a rejeição que sofrem com a rejeição sofrida pelos ritmos populares autênticos no passado (nada a ver).

- Tentam ignorar a tosqueira de seus ídolos, tratando-os como se seus ídolos fizessem algo que ninguém é capaz de fazer.

- Consideram o sucesso como atestado de qualidade do ídolo.

- Consideram o sucesso do popularesco como manifestação de felicidade, tanto dos ídolos quanto dos fãs.

- Usam intelectuais e artistas autênticos como lobistas de seus interesses.

- Apelam para xingamentos e agressividade quando percebem que seus argumentos não convencem.

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