Felizmente, eu pude adquirir o álbum em K7 (readquirido em CD, 9 anos depois) na época, testemunhando o impacto do álbum durante a sua divulgação.
É um album onde Gabriel usa o gênero art rock com o objetivo de tornar a sua fusão de rock progressivo e world music palatável para ouvidos acostumados com a superficialidade do pop da época.
Mas So, mesmo mais palatável que trabalhos anteriores, continuava sendo complexo, intelectualizado. A ponto de, por exemplo, optar por um ritmo africano dancante para embalar a canção mais romântica do álbum.
Para arrumar toda esta complexidade, Gabriel contou com o apoio de muita gente, além dos consagrados músicos de sua banda, o baterista Jerry Marrota (hoje fazendo turnê com uma enorme banda tocando canções do Steely Dan), e o meu baixista favorito, Tony Levin, integrande do King Crimson, liderado pelo Robert Fripp, que faz o solo de Solsbury Hill, do primeiro album de Gabriel.
E olha só que turma: Kate Bush, Laurie Anderson, Stewart Copeland (The Police), Youssou N'Dour, Jim Kerr (Simple Minds), Nile Rodgers (Chic, que era a primeira opçãopara produzir So), entre outros.
O Brasil é representado no álbum, pois a faixa Mercy Street, uma homenagem a uma poetisa de que Gabriel era fã, foi parcialmente gravada em um estúdio na Barra da Tijuca, na capital do Rio de Janeiro.
So é o perfeito álbum pop, no sentido sofisticado do termo. É acessível pela tentativa de oferecer música inteligente às massas, que não estão acostumadas coisas intelectualizadas. Mas pelo menos Gabriel tentou. Mas os intelectualizados adoraram So.
Hoje lembramos a importância deste maravilhoso álbum que virou a música de cabeça para baixo, numa época onde blushs, plumas, paetês e dancinhas de moonwalk dominavam o cenário musical.
Valeu, Peter Gabriel, por este belo e revolucionário álbum! E ainda assim, um album a ser compreendido apenas em um futuro remoto. Que venham mais 40 anos para ouvirmos So.

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