segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Como uma ideia é assimilada e defendida no Brasil

Os brasileiros tradicionalmente não estão acostumados a usar o discernimento. Além da religiosidade forte de nossa população desestimular a análise e o questionamento, nosso sistema educacional é totalmente baseado na ideia de que "inteligência" é acúmulo de informação, ou seja, é a memorização dessas informações.

A inteligência como processamento de ideias, além de exigir esforço, pode arruinar alguns valores que a sociedade brasileira estabeleceu e criou uma confortável estima que a faz recusar em descartá-los. Como pensar é trabalhoso, desconfortável e destrói valores estabelecidos como "positivos", melhor mesmo é acreditar no que dizem.

Mas há três macetes - falsos em muitos casos - para que os brasileiros aceitem uma ideia como verdadeira, sem utilizar o raciocínio:
- quando uma ideia é seguida pela grande maioria das pessoas;
- quando uma ideia é lançada ou difundida por alguém de prestígio, seja um líder, celebridade, autoridade ou alguém de confiança;
- quando uma ideia é consagrada por um longuíssimo tempo.

Estes três macetes fazem com que os brasileiros tomem ideias como corretas sem precisar pensar a respeito. Aceitando tais ideias, incorporam ao repertório de valores pessoais e passam a defender com unhas e dentes como se fossem verdades absolutas e inquestionáveis.

E reparem que entre esses valores há muitas ideias erradas que vão se consagrando como corretas, como por exemplo a que define o futebol como "dever cívico" e a cerveja como "estimulante". Por não querer verificar se uma ideia faz ou não sentido, é muito mais cômodo acreditar que ela é verdadeira, se favorece a satisfação de nossos instintos.

E por aceitarmos sem verificar ideias erradas, a nossa sociedade vai arrastando muitos erros e problemas causados pela falta de discernimento e pela recusa em negar ideias que nos parecem muito confortáveis. 

Recusar nossa vocação racional é mau negócio

Para agravar tudo isso, ainda fomos educados a menosprezar o intelecto e desestimular o questionamento e ridicularizar qualquer coisa que de fato seja intelectual. gostamos de ser chamados de inteligentes, mas rimos da cara de quem é de fato inteligente.

Passamos a odiar formas de cultura intelectualizadas, embora roubemos destas o seu valor e embutimos este valor em formas menos intelectualizadas (como achar que um dançarino sem compromisso intelectual como Michael Jackson fosse mais "intelectualizado" do que Bob Dylan).

Odiando a intelectualização, estamos recusando nossa maior prerrogativa: a de sermos seres racionais, que deveriam estar pensando mais e contestando os erros cotidianos, muitos deles disfarçados de "acertos".

Enquanto aceitarmos facilmente o que nos dizem, continuaremos mantendo todos os erros que nos rodeiam sem perspectiva de resolução, já que para isso, é mais do que necessário abrirmos mão de alguns valores e esforçarmos mais os nossos cérebros em busca de soluções reais, ao invés de procuramos uma fuga em algum valor errado que se disfarce de "acerto". Pois a pior coisa é achar que certos erros nos beneficiam.

domingo, 30 de agosto de 2020

Efeito manada nas redes sociais

Tanto brasileiros quanto estadunidenses adoram modismos. Imitar a maioria é um meio de se sentir incluído socialmente e merecedor dos benefícios a serem adquiridos por decisão alheia, além de construir um prestígio que fará desta pessoa uma pessoa amada e idolatrada.

Por isso que muita gente repete as postagens nas redes sociais visando este objetivo. Por isso que quando entramos nas redes sociais e vemos aquela avalanche de postagens quase iguais ou sob o mesmo tema, feito por pessoas bem diferentes, mas que encanaram de pensar igual para se sentir incluído socialmente. É o comportamento de manada.

Comportamento de manada é isso: quando as pessoas necessitam imitar a maioria para se sentirem valorizadas socialmente. É complementar ao espiral do silêncio (este quando a pessoa se cala de suas convicções pessoais para não ser reprovada pelo grupos social) e mostra que frequentemente, as pessoas, pelo medo da solidão, preferem abrir mão daquilo que acreditam em nome da sociabilização.

Apesar da internet ter surgido para tentar eliminar o pensamento único, as corporações deram um jeito de estabilizá-lo, ou através de algoritmos que destaquem apenas o que é popular (pensado pela maioria) ou através mesmo de propaganda, que estimule as pessoas a fazerem todas a mesma coisa.

Mesmo assim, cada indivíduo se recusa a acreditar que está seguindo uma maioria, tratando seu comportamento de manada como algo espontâneo e "diferenciado". Assumir como um corpo inerte no meio da multidão pega mal socialmente, fazendo com que o integrante do gado finja que agiu espontaneamente, apenas como "solidariedade" a um ato cometido coletivamente.

Essa confusão que classifica a adesão a modismos e tradições como uma espécie de solidariedade tranquiliza quem imita a maioria. "Eu não estou sendo um Maria-vai-com-as-outras, porque apenas estou me solidarizando com causas coletivas", é o pensamento perfeito de quem quer seguir a maioria sem parecer uma pessoa "sem personalidade própria" Bingo" A reputação social está salva!

A pessoa agora pode postar sossegada coisas coerentes ao modismo do momento ou a tradição reinante que consagra a mesmice de uma sociedade que quer perpetuar o pensamento único, criando uma falsa concórdia que impõe a todos a agirem como um só. 

Legal que nada muda, permanecendo na mesma e os poderosos - empresários, importante destacar - continuam a roubar sossegadamente e influenciar as pessoas como se estas fossem um verdadeiro gado, manada, rebanho, a seguir cegamente as diretrizes dos vaqueiros do Capitalismo reinante. Uma excelente forma de derrotar a democracia usando uma atitude aparentemente democrática.

sábado, 29 de agosto de 2020

Defendendo o direito de ser irresponsável

A sociedade brasileira é uma sociedade sem valores. Despidos de bom senso e sequiosos para satisfazerem seus instintos mais primitivos, os brasileiros, numa verdadeira inversão de valores, passaram a aprovar equívocos, valorizar atrocidades e defender o "direito" de ser irresponsável.

É muito complexo analisar isso, mas o ponto de partida é que adultos, sobretudo os mais influentes, se acham no direito de fazer o que quiserem, por mais danoso que pareça ser. Quem tenta levá-los para o bom senso é automaticamente rotulado de moralista. Como se reprovar erros fosse ato de moralismo.

Para quem não sabe, moralismo é igualmente errado. De fato, é coisa de gente retrógrada. Tanto o moralismo que limita quanto a libertinagem, que é uma espécie de liberdade irresponsável, são nocivos.

O moralismo nos impede de tomarmos a decisão correta. A libertinagem nos estimula a tomarmos a decisão errada. E ambos jogam no lixo o bom senso, a lógica, a capacidade de resolver problemas e o respeito à essência humana. Todos os dias vemos coisas que mostram que nossa sociedade chegou ao que podemos chamar de Cúmulo da Babaquice.

Na verdade, tanto a libertinagem quanto o moralismo existem para impedir avanços, principalmente intelectuais. Os brasileiros são um povo que aprendeu a absurda tese que burrice liberta. Ser imbecil, idiota, irresponsável e ter o cérebro sem controle virou "direito" básico para os brasileiros.

Estranhamente, o nosso povo se empenha muito em lutar pelo direito de ser incoerente enquanto nunca luta de fato por direitos mais essenciais como o salário que ganham. Encher a cara, cheirar loló, berrar por futebol, acreditar em tolices religiosas, ser enganado por líderes e celebridades, se tornaram coisas bastante valorizadas em nossa sociedade cada vez mais desvalorizada. 

Para a maioria, ser errado é "não ser hipócrita"

Um exemplo da decadência humana das últimas décadas. Venho notado que as celebridades que cometem mais erros normalmente são as menos criticadas. Celebridades vulgares ou de comportamento irresponsável são protegidas de qualquer crítica.

Os que seguem uma vida pacata, sem escândalos são duramente criticados, humilhados e chamados de hipócritas. Algumas das celebridades pacatas tem que forjar defeitos para fugir das críticas. Mas porque isso acontece? Porque agora ter defeitos virou coisa admirável?

Sabemos que os seres humanos não são perfeitos. Todos erram. Mas isso não significa que errar seja o ideal. Erramos porque não aprendemos a viver. Mas como muitos erram e temos o péssimo hábito de imitar a maioria, continuamos errando e os erros, ao se consagrarem, se convertem em "acertos".

Celebridades são tidas como "sobre-humanas". E sobre-humanos passa a ideia de perfeição (coisa difícil em um planeta atrasado como a Terra e impossível em um país bem mais atrasado como o Brasil). Quebrar esse mito é uma tentativa - equivocada - de "humanizar" as celebridades.

Era da mediocridade explica valorização dos defeitos

Desde os anos 90, quando surgiu a era da mediocridade que nós vivemos até hoje, tudo passou a ser nivelado por baixo. Como se tornar uma pessoa melhor exige muito esforço, principalmente intelectual e também nos exige de largar alguns valores que acreditamos ser positivo (fé, diversão, etc.), quase toda a sociedade brasileira se recusou a se evoluir.

Essa "nova" sociedade preferiu limitar a evolução à tecnologia, como se apertar uns botõezinhos fizesse uma pessoa ser melhor que as outras. Também como se fosse prerrogativa das maquinas e seus programas se evoluir, dispensando a humanidade de fazer o mesmo.

Tudo em nossa sociedade decaiu. Tudo mesmo. Não consigo ver um setor em que não tenha sofrido algum tipo de dano pela imbecilização social e pela submissão cega a líderes e celebridades. Está tudo errado: relações humanas, serviços, produtos: tudo se encontra em franca piora. Estamos indo rumo ao caos.

E numa sociedade já caótica, tudo é nivelado por baixo. Os defeitos são agora o referencial. Ninguém quer mais melhorar a sua personalidade. Para muitos, só o fato de completar 18 anos já é um sinal de perfeição de caráter, dispensando totalmente a correção de quaisquer defeitos.

Ser "perfeito" seria não cometer certos erros e até cometer outros. Há agora uma "nova" noção de "perfeição" onde ser irresponsável virou sinônimo de gente "que sabe o que quer". Muita gente acaba por legitimar como acerto uma comportamento que muitos se esquecem ser altamente danoso, sobretudo para o intelecto.

Muitas das atitudes altamente danosas são cometidas com a "cara cheia". Será que ninguém sabe que álcool danifica células cerebrais e na melhor das hipóteses, faz o cérebro perder algumas capacidades de discernimento e o seu controle? É perceptível que pessoas que consomem álcool com regularidade possuem o discernimento, senão ausente, bastante limitado.

Os adultos de hoje agem como crianças irresponsáveis

Porque acusar  de moralistas as pessoas que aconselham as outras? Será que acham bonito perder o seu próprio controle pessoal? E as pessoas também não perceberam o mico chato que muitos símbolos de classe e inteligência tiveram que pagar em prol de uma sociabilização falsa e verdadeiramente hipócrita.

Sim, porque se, como no exemplo citado nesta postagem, uma celebridade "não foi hipócrita" em agir "como a plebe", ela foi sim hipócrita por achar que uma atitude irresponsável iria fazê-la a ser incluída na sociedade comum.

Celebridades, assim como os adultos influenciados. também agem como crianças birrentas, ao elogiarem atos de irresponsabilidade. Para elas, o que os sensatos chamam de irresponsabilidade se trata de um direito. Tá, temos o "direito" de nos enlouquecer. Mas não temos também direito de salários melhores e qualidade de vida no mínimo dignas?

Defendendo seu direito de irresponsabilidade, muitos dão show de imaturidade e submissão a regras sociais mesquinhas, matando de vez, como num suicídio ético, o bom senso. E assim caminha a humanidade que ao mesmo tempo que se alegra em ver uma celebridade errando como a grande parte da plebe, usa o prestígio da fama para legitimar nossa irresponsabilidade. 

Isso é uma grande prova inegável que a sociedade brasileira é uma das mais atrasadas do mundo e não está nem um pouco afim de se evoluir e emadurecer. O que justifica a permanência quase eterna de problemas, preconceitos e injustiças que se arrastam por décadas em nosso cotidiano.

Para encerrar, algumas perguntas: que lição de vida uma celebridade pretende dar com o um episódio de embriaguez ou de qualquer atitude irresponsável? Que tipo de evolução social terá uma sociedade que aprova atitudes como essa? Vamos atingir a perfeição humana errando sem parar?

Os brasileiros e o terraplanismo em torno de Michael Jackson

Graças a muita propaganda midiática e o pouco interesse dos brasileiros em verificar informações, um gigantesco mito foi criado em torno do cantor Michael Jackson que nem mesmo os nativos do país-natal do mesmo conseguem aceitar. Pois lá nos EUA, Jackson é um cantor mediano como muitos e que teve a sorte de virar uma hegemonia midiática.

Para os brasileiros, mais que hegemonia midiática, Jackson se transformou no maior cantor de todos os tempos, considerado por muitos brasileiros - incluindo intelectuais da música, pasmem! - exemplo de arte pura e extremamente perfeita. Embora a prática mostre algo muito aquém disso.

Para que Michael Jackson, um cantor que não chega a ser ruim (há muita gente muito melhor que ele, mas sem ter 1% da repercussão do superestimado cantor), mas está bem longe do mínimo de genialidade, fosse considerado o supra-sumo da perfeição, teve que ser construído um festival de mentirosas lendas ao redor do cantor, que serão desmontadas nesta postagem. 

São coisas tão reais quanto a teoria da Terra Plana que são aceitas com naturalidade pelos admiradores - e até pelos não-admiradores - brasileiros de Jackson, que confundem pompa com qualidade e hegemonia midiática com reconhecimento de valor cultural.

Controle da obra

Para começar, o que os defensores de perfeição de Jackson não sabem é que ele nunca teve controle sobre a sua obra. Ele era cercado por produtores, cineastas e uma gama de profissionais, estes sim geniais, que com base de um senso de marketing, resolveram construir Michael como um gênio sedutor, se aproveitando da capacidade instintiva do público-alvo.

O que nós, brasileiros, entendemos como "perfeição artística", é na verdade fruto desta intensa propaganda midiática. os gestores por trás de Jackson construíram um cenário de pompa, luzes, sensualidade e falso intelectualismo que deslumbra qualquer pessoa. Esta soma de fatores, associada a imagem do cantor de Thriller causou um fascínio coletivo que nos fez ajoelhar diante dele.

Enxertos de qualidades não-existentes

A nossa tradição de confundir pompa com qualidade fortaleceu a mitologia que cerca o cantor, fazendo-nos enxergar qualidades que não existiram na carreira de Jackson. Para que ele fosse considerado gênio, foi preciso inventar estórias falsas sobre ele, recorrendo à fake news, ao pensamento desejoso e até ao terraplanismo, para promovê-lo.

Sem verificar a sua obra, mas baseando apenas em esterótipos ou em episódios isolados, Jackson é tido como um roqueiro intelectual preocupado com a humanidade, adepto do esquerdismo e que foi um incansável ativista dos direitos humanos. Não há fatos que comprovem isto e os poucos momentos supostamente ativistas, foi de forma meio precária, quase religiosa, sem transformações.

Quanto ao fato de ser roqueiro, é na verdade uma forma desesperada de tentar "melhorar a sua qualidade musical" através da rotulação. Embora tenha gravado poucos rocks (e Beat it não é um deles, pois apesar do escancarado solo de guitarra, tinha batida funk. Sim, funk), é tido como um roqueiro autêntico. Chico Buarque gravou mais de 100 sambas e nunca é rotulado de sambista.

Mas houve quem apelasse para o terraplanismo: o rotularam de "ativista do comunismo" (o jornalista Leonardo Stoppa), pesquisador de World Music (Gilvan Moura, da Beatles School), de revolucionário da cultura (Rede Globo), de "alma gêmea de Renato Russo" (um fã em uma comunidade da Legião urbana nas redes sociais), de percussor do rock mundial (um internauta disse que todos os roqueiros dos anos 80 para cá foram influenciados por Jackson, o que é um delírio) além de muitas outras barbaridades terraplanistas. Surreal!

Qualidade musical aquém do genial

O mito da perfeição sonora veio junto com o mito da genialidade. Michael Jackson nunca foi de fato genial, mas a pompa em torno dele fez nascer e crescer o falso mito de sua genialidade, pois no Brasil, a cultura é analisada de forma subjetiva e não objetiva. A crítica cultural brasileira, se existente, é bastante precária e não confiável.

Avaliando com objetividade o trabalho de Jackson, despido de qualquer paixão e gosto musical, chegamos a conclusão de que o eterno garoto nascido em Gary não era necessariamente excelente ou ruim. Pode se considerar bom, sem qualidades surpreendentes. 

O seu melhor trabalho é Off The Wall e não o ultra-festejado Thriller, por ter sido o mais vendido. Off The Wall foi o único trabalho de Jackson com alguma espontaneidade - mesmo que guiado por produtores como o maestro Quincy Jones e o fundador da banda Heatwave, Rod Temperton, hoje falecido. 

Thriller (considerado o mais perfeito álbum do mundo segundo Ricardo Seelig da Collector's Room) é um bom álbum, com altos (Human Nature) e baixos (P.Y.T.). É um álbum mediano, mas gostoso de ouvir em alguns momentos. Mas culturalmente não tem muito valor, a não ser economicamente, por ter sido um dos álbuns mais vendidos da história. Mas vendagem e importância cultural não são sinônimos, embora muita gente pense que seja.

Do Bad em diante, Jackson só faria álbuns entre medíocres e ruins. Bad inclusive, inspirou a sonoridade que muitas boy bands usam até hoje. Aliás, graças a Jackson que não temos mais cantores jovens de voz grossa: todos cantam fininho usando coreografias inspiradas no falecido cantor. 

Mas associar Jackson às duvidosas boy bands incomoda, mas é um fato nitidamente incontestável. Se Michael Jackson realmente influenciou alguém foi o pop juvenil atual, de sonoridade repetitiva e preocupação visual maior que a auditiva.

Pessoas tendem a confundir popularidade com qualidade e se um disco foi o mais vendido é porque tem extrema qualidade, o que é falso. O disco da banana do Velvet Underground vendeu pouco e foi bem impopular e é uma obra prima inquestionável, muito melhor que qualquer coisa feita por Jackson.

Conclusão

O resumo da ópera: Michael Jackson foi um nome mediano da música, um produto comercial, feito para vender, sem plena espontaneidade, de valor cultural duvidoso, ciente das regras da cultura de mercado, gravando apenas o que pudesse ser vendido e que o marketing direcionado para o terceiro Mundo (EUA e Europa são espertos demais para caírem nessa) o transformou em gênio máximo.

Quase tudo que se fala sobre Michael Jackson é uma mentira e se no Brasil há muitos que acreditam na genialidade e na perfeição do cantor (falecido por problemas de saúde, com o corpo fragilizado pro inúmeras cirurgias plásticas, e não por conspirações políticas como andaram espalhando) é porque o povo brasileiro ainda cada vez mais emburrecido e incapaz de analisar fatos, estando preso na credulidade herdada das religiões, o que faz aceitar qualquer mito que surja diante dele.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Ué, mas barzinhos não eram os melhores lugares para paqueras?

O Brasil é o país onde é natural e totalmente aceitável existir contradições. Para muitos brasileiros, é possível uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. A alta religiosidade do brasileiro acabou influenciando também nos assuntos não religiosos e somada à preguiça de raciocinar, permite que conceitos se embaralhem e façam as pessoas definirem as coisas de modo errado.

É consagrado o mito de que beres, boates e lugares de bebedeira são os melhores lugares para se sociabilizar e também para paquerar. Iludidos com o fato das bebidas alcoólicas serem estimulantes do humor (na verdade são dopantes - o estímulo é apenas um sintoma inicial e passageiro), logo criaram a regra rígida de que todos deveriam beber álcool para se sociabilizar. O famoso "bebo socialmente".

Só que algo estranho que contradiz com este mito e pode destruí-lo, desfazendo a fama dos bares como "paraísos" das paqueras começa a aparecer de forma muito frequente: as solitárias frequentadoras de bares e que não conseguem  arrumar namorados nem mesmo estando no meio da multidão, cheia de opções para conquistar. Sobre isso, há várias coisas a falar.

É nítida a quase unanimidade de mulheres nas redes sociais que se assumem "bebendo socialmente". "Beber socialmente" é um eufemismo para "bebo por obrigação, senão eu fico sozinho", já que é uma característica que marca a vida adulta e que somente doentes e religiosos são dispensados de fazer.

Só que mesmo bebendo para não ficar sozinhas, elas ficam sozinhas (não de amigos, mas de pretendentes). Apesar de consagrados como melhores lugares para paqueras, bares, boates e afins já não representam mais a garantia de sair desses lugares com um namorado a tiracolo. Há um motivo de que todos precisam saber.

Do contrário das mulheres, que ainda continuam usando critérios e costumes do tempo da pedra lascada para arrumar seus candidatos a marido, os homens começam a amadurecer e modernizar seus critérios. Além de preferirem mulheres mais intelectualizadas e elegantes, já não elegem os bares como lugares de paquera. 

Homens, quando vão a bares, é para beber mesmo ou para conversar com amigos. Normalmente frequentam de dia. Os homens que frequentam bares a noite normalmente são fúteis e não levam a vida a sério, algo coerente com quem tem o hábito de não consegue passar a madrugada de sábado sem encher a cara.

Ou seja, para as mulheres, que não perceberam que houve uma mudança, pequena, mas considerável no mundo das paqueras, está faltando homens não no mundo, mas nos lugares onde elas frequentam. Por isso que elas reclamam da falta de homens: os homens que elas querem não vão mais aos bares. 

Barzinho nunca foi, não é e nem vai ser lugar de paquera para quem quer um relacionamento sério. As mulheres não perceberam esta novidade. Bares são para farra, para gritaria, dança e brincadeiras. Não para quem quer romantismo, momentos meigos ao luar. É sempre bom lembrar que as mais belas estórias de amor nunca começaram em bares.

As mulheres precisam mudar seus critérios, não só de escolha de homens mas também das formas como paqueram. É preciso esquecer a ideia tola de que para ser livre, a mulher tem que fazer o mesmo que os homens fazem, inclusive as suas loucuras.

Mulher atraente é mulher meiga, inteligente, elegante e suave. Mulheres grosseiras e que enlouquecem para se sentir felizes estão em baixa. Aceitem! Depois não reclamem que os homens que vocês conseguem só pensam em sexo. É para isso que as mulheres fúteis servem.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Rio de Janeiro, polícia dos costumes sociais


A imagem ensolarada e alegre do Rio de Janeiro gerou um estereótipo de que o estado seria uma meca do progressismo. Puro engano. O Rio de Janeiro é um surpreendente exemplo de um conservadorismo não-estereotipado que enfraquece as esquerdas locais e torna os habitantes do estado verdadeiros fiscais policialescos dos costumes sociais.

No Rio de Janeiro, diversidade é um verdadeiro palavrão. A regra é todo mundo igual, satisfazendo o cumprimento de uma série de rituais que devem ser seguidos rigorosamente, sem o mínimo de desvio. É complicado imaginar os cariocas como ultra-conservadores porque o bom humor e o bom mocismo do povo local vai contra ao que se espera de um conservador, estigmatizado como ranzinza.

Surpresa ou não, o fato é que o povo carioca é muito rígido em relação aos costumes sociais. Influente no Brasil todo, coerente com a reputação de ser a capital cultural do país, quer que os brasileiros todos se comportam como cariocas. Algo difundido há décadas e seguido pela classe média de todos os estados brasileiros. Resultado da não regionalização da mídia.

Um sintoma claro disso é que as práticas de bullying são muito frequentes no Rio de Janeiro. Nem é preciso esforço para ser humilhado no estado. Basta pisar errado que sempre virão vaias e xingamentos para quem não age como a maioria. E nem adiante reclamar, pois qualquer ato de bullying será tratado "como uma brincadeira sadia que visa o bom convívio entre amigos". Então tá.

Mas a "punição" a quem se recusa a seguir o gado carioca pode variar: além do bullying, pode haver desprezo, estranheza, perda de direitos e até atos violentos que podem acabar com a vida de quem é diferente. Cariocas sonham com uma sociedade padronizada e nunca perdem a oportunidade de humilhar quem lhes parece estranho e fora da "normalidade".

Uma pesquisa de poucos anos atrás, descobriu que em casos de ciberbullying praticados no Brasil, grande maioria dos IP's dos computadores (uma espécie de RG's de PCs, Notebooks e celulares) era do Rio de Janeiro, confirmando a índole autoritária do mitológico ensolarado povo carioca, estereotipado como gentil só por viver sorrindo o tempo todo. Ué, mas não se pode agredir sorrindo?

Sim, pode se agredir sorrindo. Pode se agredir inclusive se estiver realizado na vida, com estabilidade financeira e afetiva. Pode se agredir para tentar proteger o privilégio conquistado. O que explica muito a agressividade do carioca, majoritariamente de classe média a rica e que, cercado de pobres por todos os lados luta com unhas e dentes para proteger a sua ganância.

E nada melhor para proteger a ganância do que estipular, através de regras sociais rígidas, quem deve ou não ter direito aos escassos privilégios oferecidos pela sociedade carioca. Aí dá se os direitos como prêmios para quem se comporta de acordo com a maioria, cumprindo o que se espera de uma pessoa considerada "normal". 

Aos "anormais" reserva-se o vale dos excluídos, mas não sem antes humilhá-los. E aí que é posto em prática o autoritarismo do povo carioca, que obriga a todos a seguirem regras rígidas e cumprir rituais inadiáveis. Regras cobradas pela própria sociedade, com base no aprendizado através da mídia e das tradições sociais passadas de pais para filhos

 Assim se comporta a sociedade carioca, privilegiando os "normais" e condenando a humilhação, ao desprezo e a perda de direitos quem não "dançar conforme a música". Malditos os que se recusam a seguir o alegre gado carioca rumo ao precipício da mesmice institucionalizada.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Algoritmos impedem a evolução da humanidade

Durante muitas décadas, a hegemonia da mídia corporativa garantiu uma espécie de quase unanimidade entre os conceitos sobre qualquer assunto na opinião pública. Eram os valores relacionados a opinião particular que se consagravam na sociedade por meio da difusão insistente na base da "mentira que contada muitas vezes virava verdade".

Mas aí veio a internet, receptores viraram emissores e surgiu o medo de donos das grandes corporações de ver a opinião pública mudar e perceber conceitos que antes estavam escondidos. Surgiu a pluralidade das ideias e hoje os conceitos se tornaram confusos e ninguém mais sabe quem está mentindo ou está falando a verdade.

As corporações tiveram que agir para retomar o pensamento único e o controle da opinião pública. Tiveram a genial ideia dos algoritmos, programas de computador que destacam o que popular e ocultam o que não é popular. Um meio inteligente de impor o pensamento único e senão impedir, dificultar debates racionais pela internet.

Como a maioria das pessoas tende a aderir ao pensamento dominante das classes opressoras (inclusive as esquerdas, que ingenuamente não enxergam opressão nas ideias dominantes), os algoritmos dariam maior destaque aos que defendem ideias consagradas pela opinião pública, impedindo a humanidade de se evoluir através do amadurecimento de ideias.

Com os algoritmos, ideias de décadas atrás voltam a ter destaque, para a tranquilidade de grandes magnatas que dormirão tranquilos ao saber que grande parte da sociedade desconhecerá as desonestas e violentas tramas do poder que os fazem ricos e poderosos. Tudo parecerá natural aos olhos da maioria e basta culpar os conscientizados pela tentativa de destruir a suposta paz capitalista.

Graças aos algoritmos, não aceitamos bondade sem religião, alegria sem bebidas alcoólicas, patriotismo sem futebol, vida adulta sem casamento e filhos, entre outros conceitos tradicionais que sobrevivem num mundo onde a humanidade deixa de evoluir para que a tecnologia se evolua, inclusive para pior.

A burguesia dormirá tranquila sabendo que a revolução se torna uma utopia cujo nome é dado a pequenas mudanças que não conseguem mudar as relações do poder e muito menos o modo como nos divertimos e relacionamos com as outras pessoas. 

Seja bem vindo ao século XIX 2.0! Com tecnologia de primeira e humanidade de quinta. Exatamente como era antes no quartel de Abrantes.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

A Classe Média quer brincar


A vida é uma batalha de ações e ideias. Mas não para quem já lutou - ou conquistou com alguma sorte - a estabilizada prosperidade. A class média brasileira se sente muito confortável em sua situação. Para ela, que conquistou o que queria, só resta mesmo é... brincar!

Quando visitamos as redes sociais, percebemos que as discussões mais amadurecidas estão cada vez mais raras. Mesmo quando o assunto envolve política e melhorias na sociedade, ele é levado na brincadeira, mesmo que o desejo do emissor da postagem esteja aparentemente preocupado com as causas reais. Brincar é a ordem, já que não estamos sob o comando de algum patrão. 

A classe média brasileira é bem peculiar. Como não tem mais motivos para lutar - as classes mais pobres ainda lutam, sem muito sucesso, pela sobrevivência e as classes ricas, com conforto conquistado lutam pelo poder, sobretudo político - resolve sentar para respirar e na falta do que fazer, resolve se divertir.

Por isso que a classe média parece mais preocupada com futebol, religião, cerveja e o casamentinho enfadonho em que se meteu. A suposta preocupação com causas sociais da classe média é mais para "fazer média" (trocadilho proposital), lacrar diante da plateia, obtendo apoio de outras pessoas. Ou seja, a pose de "conscientizado" é muito mais para adquiri prestígio do que para melhorar as coisas.

Pois se uma coisa faz parte da preocupação da classe média brasileira é justamente a vida social. Ter um milhão de amigos para bem mais forte poder cantar é uma causa insistente das classes média aqui no Brasil. Até vejo sinais de que é a principal meta desta classe. É um fato de que nesta classe, a sociabilização tem uma importância maior do que para outras classes, cuja importância já é grande.

Para se sociabilizar é preciso ser simpático. Para ser simpático, é preciso se descontrair. E para se descontrair é preciso, brincar, falar besteira, jogar a lógica e a seriedade no lixo. Até mesmo nos assuntos religiosos, a seriedade não é tanta assim, pois em nome da bondade, pode se defender dogmas pra lá de alucinados, já que para quem tem fé tudo é possível, inclusive o impossível.

Por isso que não se vê empenho de luta na classe média, mesmo a de esquerda, que se diz progressista, mas é conservadora na cultura, no lazer e nas relações sociais. Confortável em sua situação sócio-econômica, indivíduos de classe média têm que ser muito altruístas se quiserem lutar por causas sociais, já que os problemas da classe operária não os atinge diretamente.

Essa e outras coisas fazem da classe média brasileira uma classe bem peculiar. E graças a ela que nada muda em nosso país.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

A influência da televisão ainda é poderosa

As pessoas ainda não assumiram, mas a televisão ainda é o meio de comunicação mais influente na sociedade brasileira. Deve ser porque as pessoas ainda confundem "mais influente" com "mais utilizado", resultado do emburrecimento causado pela famosa maquininha de fazer doido.

Estou cansado de notar que a internet ainda não conseguiu mudar o modo de pensar e os gostos da maioria dos brasileiros. E é visível a influência que a televisão exerce ainda sobra a população.

Só para lembrar, todos sabem que a televisão é o recordista de vendagens em lojas de eletrodomésticos. A invenção da TV de plasma, mais leve e mais fina facilitou ainda mais a sua vendagem, já que o próprio comprador pode levá-la para sua casa, debaixo do braço. Isso aumenta ainda mais a importância do aparelho para a população brasileira, sobretudo a mais carente.

Para muitos, a televisão é uma espécie de "cartório cultural". Para esses, a TV serve como "atestado de qualidade" para qualquer tendência cultural, boa ou - principalmente - ruim. As emissoras de TV têm contribuído e muito para a decadência de todos os valores que tínhamos na sociedade, além de resgatar os valores que deveriam ter sido extintos.

Internet para confirmar o que é aprendido via TV

Esperava-se que a sociedade iria evoluir com a internet. Isso ainda não aconteceu e não está dando sinais de que vai acontecer. Quase a totalidade da população brasileira utiliza a internet para confirmar e repetir os valores, crenças e gostos que aprendeu através de programas de televisão.

Além de mostrar o desinteresse dos brasileiros por novidades e coisas REALMENTE alternativas, só confirma ainda mais a influência poderosa da televisão na vida dos brasileiros. No Facebook, por exemplo, é nítida a postagens de coisas ligadas a televisão , de alguma forma.

Ídolos e tendências surgidos na internet são reproduções de tendências televisivas

Os que não assumem a televisão como meio influente, talvez para não assumirem rótulo de burras, argumentam que encontram na internet coisas que eles não veem na televisão. Mas se pararmos para prestar atenção, se tratam na verdade de coisas claramente influenciadas pelas tendências mais populares da televisão. Frustante para quem queria utilizar a internet para posar de "diferente".

Não vou citar exemplos. Mas os nomes, vídeos, músicas surgidas "na internet" são exatamente continuações daquilo que é visto na televisão. E porquê isso? Simples. As pessoas tem medo de coisas alternativas. Curtir algo que poucos curtem gera dificuldades de sociabilização que, pelo que sei, é o principal motivo de lazer para 9 entre 10 brasileiros. A maioria quer gostar do que a maioria gosta. Ninguém quer se divertir sozinho.

Isso explica a influência insistente da TV para a maioria das pessoas. É mais garantido. "Posso curtir algo que sei que outra pessoa gosta", é o que quase todos pensam. Futebol, Humorísticos, músicas bregas, religião, moda, ideias, crenças, hábitos, enfim, uma reciclagem de valores inócuos que tornam o uso da internet muitas vezes inútil, a não ser como difusão desses valores tradicionalmente consagrados pela sociedade cada vez menos intelectualizada.

Mas isso não significa que o surgimento da internet foi inútil. Mas significa que a internet é um instrumento que será melhor utilizado por pessoas criativas, intelectualizadas e que não sejam submissas a regras sociais e à furiosa força hipnotizante da mídia. Algo que vai demorar décadas para acontecer.

domingo, 23 de agosto de 2020

Admirável Mundo Velho

Impressionante como em pleno seculo XXI estejamos caminhando para trás. O século definido pelos futuristas do passado como uma era de evolução, ameaça ser palco do maior retrocesso já acontecido desde que o homem é homem. 

Isso é resultado do emburrecimento humano estimulado pelos principais fatores:
- Educação precária e voltada apenas para o mercado de trabalho;
- Submissão a mídia, muitas vezes tartada como fonte de educação não-laboral;
- Estímulo a religiosidade e a substituição da racionalidade pela fé;
- Confiança cega em lideranças de índole duvidosa e com intenções ocultas;
- Absorção das convicções alheias, pela necessidade de sociabilização;
- Uso da mídia social que estabelece confusão entre virtualidade e realidade.

Estes fatores tem estimulado o emburrecimento social que hoje chega a níveis catastróficos. Eu nunca imaginei que a humanidade pudesse ser tão ignorante. Estamos desaprendendo tudo que os séculos anteriores nos ensinaram. O egoísmo e a ganância estão nos obrigando a querer a volta de valores que não servem mais para os dias atuais, além de fazer desenvolver em nós um sentimento de intolerância a grupos e indivíduos que representem ameaça a esses valores retrógrados.

Estamos quase certos de entrarmos em uma nova Idade Média, com todas as características adaptadas para o contexto atual, mas com a sua essência original fielmente obedecida. Já temos feudos, a dualidade suseranos x vassalos, clero, religiões, catacumbas, burgos e burgueses, imprensa sendo porta voz de lideranças, entre outros aspectos. Só falta mesmo admitir oficialmente a instalação da Nova Idade Média, com direito a documentos assinados e carimbados.

Estou bem triste com os rumos da humanidade. Os capitalistas estão tranquilos, pois eles, trancados em suas mansões e castelos, querem mais que o "resto" da humanidade se desentenda, já que eles lucram com os problemas alheios. Quanto pior a humanidade, mais dinheiro entra em suas contas.

Será que teremos que sofrer um grave dano irreparável para devolvermos a humanidade no caminho para a evolução que está sendo negligenciado por esta mesma humanidade, interessada em passar a perna no outro para proteger seus supérfluos?

sábado, 22 de agosto de 2020

As esquerdas brasileiras são conservadoras na cultura, no lazer e nas relações sociais

Brasileiros são conservadores por natureza. Tem medo de mudanças porque enxergam nelas a perda de privilégios. Brasileiros são seres sociais e ter um pouco mais que a maioria atrai admiração alheia. Além disso, a própria vida social exige a manutenção de certos costumes, ideias e valores que, segundo seus defensores, não devem ser descartados. Até porque têm interesses envolvidos.

As esquerdas brasileiras, mais brasileiras que esquerdistas, entenderam que certos valores não se mudam e trataram logo de defender um Brasil que continuasse o mesmo de 100 anos atrás, mas agregando para si um número maior de beneficiados. Essa é a única meta dos esquerdistas brasileiros, cujas lideranças pertencem à sempre conservadora classe média alta.

Só que as esquerdas não querem se assumir como conservadoras. Conservador parece que virou sinônimo de fascista. O que as esquerdas querem é o terraplanismo de mudar o Brasil sem mudar praticamente nada. Velhos costumes, velhas ideias e velhos valores. Mas com pobres, gays, negros, mulheres, indígenas e os oprimidos em geral incluídos neles.

Mesmo que as esquerdas queiram ousar na Política, na Economia e em alguns aspectos do Direito, é evidente que quando o assunto é cultura, lazer e o modo como as pessoas se relacionam, o conservadorismo se apresenta como solução. Mudar para quê, se fora dos assuntos mais sérios, somos todos felizes? Pelo menos, é o que as esquerdas consideram como "felicidade".

Um exemplo de como as esquerdas tem medo de mudar é o PTinder. Para os esquerdistas é muito mais fácil criar MAIS UM aplicativo de paquera, igualzinho aos outros, do que usar a já influente mídia alternativa para mudar o modo como paqueramos para que a vida afetiva se torna mais democrática, atingindo solitários de todos os perfis.

Mas preferiram manter os velhos costumes - apenas agregando mais gente, os oprimidos - que graças ao espiral do silêncio e ao espírito de manada, logo se adaptam aos velhos costumes, ideias e valores, dificultando ou até impossibilitando o desencalhe de quem pensa diferente, de quem gosta de coisas diferentes do que pensa a maioria.

Terraplanismo de esquerda

E foi só um exemplo. Situações em que envolve descontração (incluindo as sempre controversas drogas, como a ainda ilegal a maconha e as legalizadas bebidas alcoólicas) e moral positiva (como religião, família, etc.), até por serem consideradas como algo bom, prazeroso, ligado a valores que consideramos importantes, nunca são mudados, mesmo que não gerem benefícios reais.

Mas o terraplanismo de uma sociedade como a brasileira, pouco afeita a lógica e a racionalidade, mas que ama posar de inteligente e sábia, permite a hipocrisia de assumirmos um rótulo que equivale o oposto do que colocamos em prática. "Queremos conservar tudo que consideramos bom, mas não nos chame de conservadores. Faremos uma revolução vazia, mudando rótulos para que nada mude."

Por isso, nunca espere grandes mudanças, mesmo com as esquerdas no comando. Elas estão nos enganando: não querem mudar nada. Só querem agregar mais gente para usufruir das lindas ilusões do maravilhoso mundo capitalista em que vivemos. Não há socialismo e sim capitalismo inclusivo. Tudo como era antes no quartel de Abrantes.

Estamos encurralados, entre uma direita odiosa e gananciosa e uma esquerda deslumbrada e enrustidamente conservadora. Afinal, somos brasileiros, um povo com medo de mudanças e que só quer agarrar seu ursinho de pelúcia mofado, com claro medo de perdê-lo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

O Espiral do Silêncio no cotidiano das pessoas

Muito se fala sobre o chamado Espiral do Silêncio, quando a ideia original de uma pessoa se dissipa e perde força diante do pensamento único defendido pela maioria. Apesar de fazer parte do instinto humano e de ser comum em todo o planeta Terra, como forma de preservar a sociabilização (o ser humano é um ser social), os brasileiros levam ao extremo a necessidade de uniformizar o pensamento coletivo.

Os brasileiros gostam de imitar a maioria. Além de dar a ilusão de inclusão social (que deveria se dar através da satisfação de direitos e não através da uniformidade de pensamentos), seguir a maioria facilita muito a sociabilização e a conquista de direitos que só podem ser adquiridos pela satisfação da vontade alheia, como emprego e vida efetiva.

O Espiral do Silêncio é muito mais comum no sociedade brasileira do que se é capaz de imaginar. Somos praticamente robôs da vontade alheia. Quando crianças, somos mais espontâneos, mas esta espontaneidade começa a desaparecer quando percebemos a necessidade de pertencermos a um grupo para adquirir importantes benefícios.

Se pararmos para pensar, boa parte do que fazemos não tem qualquer necessidade lógica. Fazemos apenas porque a sociedade "exigiu". Exigiu não da forma convencional, senão perceberíamos isso. Mas o conjunto de valores que são defendidos pela coletividade exige o cumprimento de certos rituais que envolve a tomada de certas atitudes.

Para a maioria das pessoas, a vida segue um roteiro pre-determinado, com insignificantes variações de pessoa para pessoa: passar a infância brincando, a adolescência namorando e cometendo suas loucuras, na vida adulta arruma emprego, casa, faz filho, compra carro, viaja e na velhice adoece e morre. Tem sido assim com cerca de 99% das pessoas. E quem não cumpre este roteiro, ou parte dele, se sente excluído, abandonado.

Até mesmo nossos gostos e convicções são direcionados pela sociabilização. A cultura alternativa é um fracasso, mais ainda no Brasil. Até mesmo na hora das pessoas fingirem que são "diferentes" apelam para o Espiral do Silêncio, escolhendo uma tendência que não fosse muito diferente da cultura oficial (mainstream). 

Um exemplo disso é procurar na banda Muse (menos popular) uma alternativa ao Coldplay (muito popular), mesmo que os dois façam exatamente o mesmo som e tenham a mesma atitude. É querer evirar se arriscar, pois quase todos tem medo de serem chamados de estranhos. Fingir ser autêntico e original é muito bom, desde que dentro daquilo que as pessoas conhecem como normalidade.

Por isso que as pessoas cada vez mais aderem a padronização de gostos, ideias e costumes, pois a sociabilização é muito mais importante que qualquer coisa. Imitar o outro para nunca ficar sozinho. Personalidade original só para enganar os outros, fingindo que tudo que fazemos é espontâneo. Pois fingir espontaneidade é outro truque para facilitar a sociabilização. 

Ninguém aceitaria como amigo alguém que faça as coisas só para agradar aos outros. Mesmo que no fundo qualquer um sabe que a imensa maioria das pessoas age com o único objetivo de se sociabilizar.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

"O futuro está na flauta de bambu"

Robert Fripp é um dos maiores guitarristas do mundo. Mesmo sendo um dos melhores amigos e parceiros do saudoso Jimi Hendrix e também do guitarrista do Police e mais novo "brasilianista" Andy Summers, ele ainda é bem subestimado e impopular até mesmo entre muitos fãs de rock. Mas mesmo assim, conseguiu fazer um trabalho ímpar com e sem o seu King Crimson, responsável por três dos quatro melhores álbuns dos anos 80 (o quarto é o So, de Peter Gabriel, que curiosamente contou com a participação do mega-baixista Tony Levin, integrante da formação oitentista do KC dos outros três álbuns).

Mas esta postagem não é sobre música, embora Fripp tenha utilizado a frase citada no título desta postagem sobre o futuro da criação musical. Vendo a decadência da música de hoje em dia, curiosamente bem tecnológica, cada vez mais a declaração de Fripp faz sentido. Mas esta postagem é sobre simplicidade e a frase de Fripp metaforicamente também serve para pensarmos sobe isto.

Quanto mais amadureço, mais desejo simplicidade. A vida louca das pseudo-modernidades que os grandes centros exigem me afasta cada vez mais. Minha ânsia atual tem sido estar a procura de mais calma e relativo silêncio. Barulho, somente o de pássaros, de um ventinho suave e das músicas que me agradam. O stress positivo que todos chamam de "adrenalina" não faz mais sentido para mim e até me incomoda.

Estou naquela de "casinha branca com varanda", em busca de um lugar que tenha obviamente a infra-estrutura de uma cidade, mas com a tranquilidade de uma cidade interiorana. Cidades como Aracaju, Três Rios e Feira de Santana me atraem bastante. Mulheres de beleza normal e personalidade meiga e que odeiem curtições me parecem as companheiras ideais. Na TV documentários em canais de ciência me parecem ser a programação mais adequada.

O século XXI traiu os futuristas mais antigos e posso dizer que se tornou uma verdadeira decepção. A evolução tecnológica, aplicada às pressas e sem planejamento e tempo necessários, se mostrou problemática. Não somente não eliminou problemas como criou outros piores. 

A tecnologia estimulou a inércia intelectual e afetiva dos seres humanos, que diante da hegemonia das máquinas, agem agora como verdadeiros autômatos. As relações humanas ficaram mais difíceis. Eu mesmo me tornei uma pessoa bem desconfiada. Não é qualquer um que consegue conquistar a minha confiança e afeto. E quem tentar, sabe que será uma tarefa bem complicada.

Simplicidade e tranquilidade viraram minha palavra de ordem e meta de vida. Quero fugir do caos em que se transformou a rotina dos grandes centros. Por isso a fase de Fripp veio como uma luva. Realmente vai cair o mito de que o futuro será da tecnologia. Não. A tecnologia é presente e não custará a virar passado. 

O futuro é realmente da flauta de bambu e das coisas simples que conseguem tocar nosso intelecto e nosso afeto. Coisa que nenhuma tecnologia conseguiu até agora.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Mulheres gostam de homens que as façam sorrir porque este é o comportamento dos vencedores

11 entre 10 mulheres sempre disseram que preferem os homens que as façam rir. Mas olhando bem os matrimônios após eles se concretizarem, através de seu cotidiano, vemos homens sisudos, mal-humorados, com roupas grossas e fechadas, andando com as suas esposas alegres vestidas com roupas descontraídas. Porque as mulheres usam esta justificativa se a realidade é outra?

O que acontece é que as mulheres não querem homens bem-humorados. O bom humor é apenas uma tática de conquista e uma forma de tornar a paquera mais relaxada. O que as mulheres querem é um homem sem problemas e que seja capaz de resolver os problemas (delas), com coragem, rapidez e decisão. Na verdade a imagem do homem bem humorado é a imagem de um vencedor.

Sim, o que as mulheres querem é um vencedor, um gladiador que conquistou seus prêmios e que não aborreça as mulheres com os problemas (deles). Um homem que dedique exclusivamente a sua vida para salvar as suas amadas dos perigos, proteger a prole e enfrentar tudo e todos que aparecerem pela frente com amplas chances de vitória.

É essa a ideia subliminar por trás dos homens bem humorados. Homem bem humorado é homem sem problema. Homem bem humorado é homem vencedor, feliz, vitorioso. Homem bem humorado é o homem disposto a sofrer o que for, por pior que fosse, para proteger a amada e sua prole.

Porque as mulheres não procuram um palhaço, um comediante. Por mais que palhaços e comediantes se deem bem nas conquistas femininas. Mas não se dão bem por serem palhaços e comediantes. Se dão bem porque o bom humor é o cacoete dos vitoriosos. 

Por isso que os homens são obrigados a serem alegres e extrovertidos. Por isso que há muito preconceito contra homens tristes e introvertidos. Ser alegre e extrovertido passa a confiança típica que temos diante de um vencedor. Pois sempre queremos estar do lado de quem está bem e pode nos socorrer. mesmo que de fato não socorra.

Isso é o verdadeiro motivo que faz as mulheres se fascinarem com aquele cara extrovertido, falante, alegre, aparentemente sem preocupações. Está muito longe das mulheres abrirem mão de seus instintos e escolher homens que possam ser seus companheiros e não gladiadores prontos para dar murro no primeiro que aparece pela frente.

Campanhas humanitárias são uma farsa se não envolvem abnegação

Parece que toda a humanidade, do nada, virou altruísta da noite para o dia. Um festival de campanhas filantrópicas como o Vidas Negras Importam, o Juntos e o Somos 70%, entre outras campanhas que surgem, não para melhorar a humanidade, mas para seus participantes se promoverem como pessoas bondosas e atraíssem a confiança alheia para que seus interesses particulares sejam preservados.

Todos sabem que uma pessoa bondosa atrai a atenção e a confiança de outras pessoas. Ninguém quer posar de vilão, por mais ganancioso que seja. Até uma ideologia foi criada para que a ganância não pareça malvada: a Meritocracia. "Eu sou rico porque lutei. Se você lutar, também enriquecerá", é o lema deste mito que legitima a ganância. Afinal, "os ricos são os pobres que deram certo, não é"?

A meritocracia é algo tão maravilhoso que até mesmo a esquerda apoia, embora finja que não. Só dá algumas características a menos que a meritocracia da direita. Ninguém aqui está a fim de reduzir seu pomposo padrão de vida cheio de supérfluos para que pobres possam ter o necessário. Mas através do discurso e da conversa fiada podemos sim posar de bons sem praticar a bondade.

Observem o apoio de esquerdistas "às religiões, aí temos o "ser humano perfeito". Ninguém aqui provou se Deus existe ou não, achando normal um universo inteiro sob o comando de uma só pessoa, com poderes extraordinários.Todas as religiões se contradizem, mas são rodas válidas e verdadeiras. A fé tem a possibilidade de legitimar absurdos e contradições. Além de canonizar qualquer pessoa.

Entrar nestas campanhas é muito bom para posar de bondoso.Tanto os "homens de bem" da direita que agridem os outros em nome da "bondade" quanto os esquerdistas que dizem que a favela é linda vivendo dentro de mansões muito bem abastecidas, desejam ser vistos como bondosos sem praticar a verdadeira bondade, mantendo todo o sistema como está, com todos os seus valores intactos.

Está na cara de que ninguém quer de fato mudanças. Mudar significa risco de se perder o que conquistou. Principalmente os supérfluos que fazem as pessoas se acharem melhores que as outras, nas horas de exibição (não dá para posar o tempo todo de bondoso e ter mais que os outros faz bem para o ego). Por isso é bom criar campanhas que não mudem muito, mas façam tudo parecer positivo.

É muito fácil para quem está feliz e bem sucedido ter esperança e acreditar nestas campanhas que têm muito discurso e quase nenhuma ação. Difícil é você largar sua vidinha confortável para ajudar quem não tem nem 10% da qualidade de vida que você possui. 

Ninguém luta por melhorias salariais, achando que muita gente consegue viver com apenas 1000 reais por mês. Mas se a própria pessoa, bem de vida com seu salário de 5 ou 6 dígitos, pudesse se imaginar na situação de inúmeras pessoas que estão longe de ver nas mãos a quantidade de renda necessária para uma vida realmente digna? Desistiria da vida boa para ganhar apenas 1000 reais?

É muito fácil posar de bondoso sem reduzir o padrão de vida. Todos casados com pessoas bonitas e inteligentes, com filhos, carros do ano, cachorrões, tudo bem guardado em pequenas mansões em bairros nobres de centros urbanos. É um tipo de ativismo hipócrita, já que o suposto benfeitor não se encontra na situação desgraçada de quem tem o pescoço esmagado por um joelho branco.

Não, meus queridos filantropos de ocasião. Não quero que vocês se empobreçam para agradar os pobres. Basta priorizar as causas trabalhistas, lutar por salários mais justos. O DIEESE já calculou em torno de 4000 reais, o salário mínimo que garante uma vida digna. 

Mas ao invés disso ficam defendendo vício de drogas, pobres empinando os rabos, homens vestidos de mulher, esposas torrando cartões de créditos dos maridos e torcedores de futebol batendo em policiais, como se bastasse isso para o mundo melhorar.

As desigualdades vão continuar. E não são pomposas campanhas de altruísmo teórico que vão acabar com elas. Pelo menos os vilões da sociedade continuarão posando de bons, sem fazer absolutamente nada, através das campanhas fajutas que s´po servem para aumentar ainda mais a nossa auto-estima, colocando-nos gratuitamente na galeria de honra dos homens bons.

Ora, vamos assumir. Somos todos hipócritas. Somos todos Derek Chauvin. Somos todos Bolsonaro. Até que saiamos de nosso conforto para fazer alguma coisa.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

O subjetivismo está substituindo a racionalidade. E há quem veja nisso um direito a ser defendido

Fatos sugerem que entramos na era do achismo. Antes da internet, com o monopólio dos meios de comunicação, várias ideias difundidas por estes meios se solidificaram como verdades, nos desestimulando a pensar e questionar. As definições, mesmo erradas, pareciam estabilizadas e crescemos nos acostumando com elas.

Mas graças a internet, muitos conceitos foram questionados. Até aí tudo bem. Mas o problema que até conceitos fatídicos também começaram a ser questionados, principalmente por negativistas. Mesmo verdades comprovadas racionalmente passaram a despertar dúvidas, já que praticamente tudo que nós acreditamos passou a ser questionado.

Cada pessoa começou a ser achar sabidona e com base não em fatos mas em crenças começou cada um a lançar sua tese particular sobre a realidade. Muitas destas teses são extremamente delirantes, coisas de gente com sérios problemas psiquiátricos. Crenças que seriam facilmente derrubadas se a humanidade, sobretudo os brasileiros, fôssemos mais racionais.

Isso explica porque muitos dos conceitos de várias coisas se tornaram bastante duvidosas. Sendo subjetivas, ou seja, vindo do achismo de cada pessoa, consagrada pelo fato de ser também opiniões da mídia influente, é frequente que definições equivocadas sobre as coisas se consagrem e conceitos acabem sendo assimilados de forma errada. Como se, por exemplo, abacaxi fosse um tipo de carro.

Pior que se você tenta corrigir, é imediatamente agredido, no mínimo com uma ofensa. Opiniões são tratadas como patrimônio e para quem acredita, suas opiniões são baseadas em fatos reais, mesmo que esta realidade virtual exista apenas na cabeça de quem acredita.

O brasileiro, sendo um povo nada afeito a racionalidade e totalmente fiel às lideranças que confia, acaba não verificando os contextos das coias e aceita a orientação nem sempre acertada da liderança confiada, definindo de forma errada aquilo que se vê. Acreditar em conceitos equivocados virou um direito a ser defendido. É isso que fortalece as religiões nos últimos anos.

Assim, o Brasil segue atrasado perante o mundo, sempre cometendo erros e se recusando a se evoluir, entendendo como progresso a adesão a modismos e a falsa esperança que as religiões, que nos ensinaram a confiar mais que raciocinar, resolvam tudo na pessoa surreal do Líder-maior Deus.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Reality Show

Olá. Eu sou a realidade. Você me conhece. Mas vive fugindo de mim. Só se lembra de mim na hora do trabalho, dos estudos e quando você sai para pagar as contas. Não sou bonita, não sou sadia e nem bondosa. Mas sou real. E fiel. Estou sempre contigo, sendo a sua mais fiel amiga. Embora você não goste de mim.

Estou em todos os lugares, mas há quem finja que eu não existo. Não me procure na TV. Eu não estou lá. Falam que estou, mas não tente me procurar. Você não me verá na TV. E nem no rádio, que descreve a minha aparência totalmente diferente daquela que possuo.  Às vezes estou na internet, único lugar onde há a possibilidade de me encontrar. Mas tem que me buscar nos lugares certos, pois não estou em todos os sites, blogues e redes sociais que pululam por aí.

Eu sou ateia. Nunca me dou bem com religiões. Quando alguma igreja ou seita se mete comigo, sempre acontece problemas. É melhor que elas nunca se envolvam comigo e permaneçam nas suas lendas fantasiosas sem sentido.

Os políticos vivem me bagunçando. Sempre que me encontro com eles, me deixam em frangalhos. Políticos sempre falam bem de mim. Vivem dizendo que estou sempre melhorando, que estou sempre mais bonita e saudável. Mas aí eu me olho no espelho e sempre estou acabada. Me convenço que mentir é o que os políticos sabem fazer melhor.

Falei que você vive fugindo de mim. Você faz tudo para fugir de mim. Criou meios para se livrar de mim, embora saiba que eu nunca te abandono. Fuma, bebe, cheira, transa. Me ignora, mas estou sempre do seu lado. A cerveja me faz tornar invisível para você. Viagens tentam me fazer distante de você, mesmo que isso não adiante de nada. Até o futebol você criou para esquecer a minha existência. Mas após o apito final do juiz, você olha ao redor e volta a se lembrar de mim.

Queira ou não, você é responsável por mim. Eu dependo de você para me melhorar. Mesmo que você me ignore, você é responsável por meu bem estar. Meu tutor. Você me odeia mas deveria saber que se sou desagradável é porque você quer que eu seja desagradável. Pelo menos age para isso. Você nunca se empenha para que eu me torne algo dingo de se admirar.

Mas estou eu, viva, ativa e do teu lado. Nunca vou morrer, pois apesar da morte ser algo real, ela nunca me atinge. A ilusão, a minha rival adorada por todos, acaba feito fumaça. Mas eu sempre estou de pé. Mesmo doente, em estado terminal, sempre vivo e ajo sem descansar. 

Eu nunca desapareço. Nunca irei embora. Você pode até me ignorar, mas estou sempre contigo. Sou sua fiel amiga, por mais que você me deteste. Estarei sempre do teu lado, enquanto você viver. 

Pois sou a realidade, a mais fiel, sincera e honesta amiga de todas as que você teve. A última que você encontrará no último dos dias.

(Parte de meu vindouro primeiro livro, Sedentário Diário, em processo de compilação. Quando estiver pronto para ser lançado, eu avisarei aqui).

domingo, 16 de agosto de 2020

Mediocridade, instinto e a lei do menor esforço

Eu cresci acreditando que no século XXI, não somente a tecnologia se evoluiria, como a espécie humana também. Me enganei redondamente. As máquinas e robôs seguem na sua evolução predestinada, enquanto nós, os seres humanos...

Uma vez, o líder da banda de new wave Devo, Mark Mothersbaugh, havia brincado com uma teoria imaginada por ele chamada "Teoria da Devolução", onde os seres humanos regrediriam ao primitivismo na contramão da evolução tecnológica. 

Quando a banda veio ao Brasil, um reporter brasileiro se lembrou disso e perguntou ao líder da banda o que eles estava achando de ver a sua teoria sendo posta em prática, de forma séria, através da decadência da humanidade, cada vez mais burra e egoísta. Mothersbaugh lamentou que algo criado  como uma brincadeira tenha sido involuntariamente levado tão a sério.

Pois é nesta humanidade em que vivemos. Cada vez mais burra, ridícula, egoísta e até gananciosa, sem medir esforços nem moral, para defender o direito de ser e ter mais do que os outros. Teimamos em defender nossa ignorância como um patrimônio valioso.

Nossa estupidez, na verdade, tem muito a ver com a lei do menor esforço, algo bem instintivo para nós. Somos preguiçosos por natureza e se condenamos a preguiça, isso é muito mais por inveja daquele que se esforça menos do que para reprovar a preguiça em si. Que bom se pudermos ser bem remunerados por estar deixados numa cara e confortável poltrona.

Valores antigos, vida social, reputação e benefícios particulares

O fato também de nos prendermos a valores antiquados como religião, bebedeira e futebol, demonstra ainda mais a nossa preguiça, no caso, a de raciocinar. Não sabemos porque aderimos a estas três formas de ilusão, mas teimamos em nos agarrar a elas. Afinal, são os nossos maiores agregadores sociais. Nosso medo da solidão é o medo que nos faz largar estas três coisas.

O medo da solidão é outro de nossos instintos. Temos medo de perder a nossa reputação social e ficar sozinhos em um canto. Sabemos que a vida social facilita muitos benefícios. Num país falido como o Brasil, é importante que outras pessoas nos ajudem em uma nação cujas leis nunca favorecem a conquista do necessário. Isso nos faz lutar para melhorar a nossa reputação, custe o que custar.

Com a reputação cada vez mais alta - especialidade das classes média e alta da sociedade - ganhamos mais admiradores, mais amigos e todos se aproximam para nos ajudar, mesmo que não precisemos de ajuda. Tudo graças a reputação. 

Beleza, bom humor, "inteligência" (a acadêmica, não a nossa capacidade de raciocinar), "bondade" (aquela que reserva migalhas aos menos favorecidos), entre outros valores que mais servem para aumentar a nossa reputação do que realmente gerar benefícios coletivos. Embora pensemos que realmente gere benefícios coletivos, após conquistar benefícios particulares, estes reais.

Engraçado que nós, batemos no peito de que nos esforçamos, adoramos ser considerados inteligentes e altruístas. Aí chega o tempo livre para o ócio e arrancamos o cérebro e o coração de nossos corpos e como zumbis alegres, vamos a enlouquecida farra ou a alucinada louvação, se esquecendo do mundo triste, injusto e falido que está ao nosso redor.

Multidões fazendo a mesma coisa. Peraí! Isso não é gado?

Isso é ainda pior se imensas multidões fazem a mesma coisa. Por instinto, tendemos a acreditar que o que a maioria faz está correto. A maioria se embriaga? Correto! A maioria berra por causa de uma bolinha que entra na trave? Correto! A maioria louva o ar pensando ser seu pai celestial? Correto. Errado, para eles é não seguir a maioria, que age perfeitamente como o gado de que tanto fala mal.

Um gado obediente, que vai seguindo o líder escolhido - escolher líderes é outro de nossos instintos - deixando que ele pense por nós enquanto os nossos cérebros repousam na mais tranquila estupidez, sem o esforço chato de pensar para mudar. Exatamente como um gado a aceitar silenciosamente o que o vaqueiro determina, sem saber para onde de fato estamos indo...

Na verdade, somos bichos aprendendo a ser humanos. Do contrário que os místicos e religiosos dizem, estamos muito longe do progresso. Somos brutais como no começo da humanidade. Apenas polimos a nossa brutalidade, que segue adormecida até a primeira manifestação de discordância. 

Por instinto, sempre nos acreditamos corretos e os outros, errados. Como diálogo vai contra a lei do menor esforço, partimos para ofensas, agressões e se permitido, assassinatos. Para que a ideia tola que acreditemos continue viva e vigente, é preciso matar o responsável pela ideia oposta, mesmo que esta esteja mais correta. Para o orgulhoso, só o ponto de vista dele vale e merece permanecer.

Mundo tolo. Creio que vai levar trilhões de anos para que a humanidade comece a raciocinar para valer, revendo todas as suas tolices que acreditaram ser verdadeiras e sábias. Pois no fundo, a mediocridade faz parte de nossos instintos e é o que mais desejamos preservar.

sábado, 15 de agosto de 2020

Brasileiros vivem para agradar aos outros

Apesar da vocação à diversidade, é nítido que em boa parte dos costumes, os brasileiros parecem iguais, fazendo todos as mesmas coisas e mantendo um certo nível de conservadorismo que torna estes costumes como algo a nunca ser mudado. 

A explicação para isso está na obsessão do brasileiro pela vida social. A vida social é uma prioridade para os brasileiros. É desta forma que eles conseguem, num país cheio de dificuldades, namoro e emprego. Nossa preocupação com o prestígio social consegue ser maior do que deveria.

Nós, os brasileiros, vivemos para agradar aos outros. Ou outros nos darão emprego, vida amorosa e o que for necessário para a nossa sobrevivência. Os outros é que criarão a repercussão social necessária para que nunca nos metemos em enrascadas, ou sejamos punidos por qualquer erro.

Os favores obtidos por outros permitem que nos demos bem em um país que nunca consegue resolver seus crônicos problemas, seja porque não consegue, seja porque NÃO QUER. Sabe-se que nossas elites e a sua classe média bajuladora odeiam mudanças, pois significaria o fim de privilégios.

Ser os melhores facilitam muito as coisas e aumentam ainda mais as chances de realização. O prestígio social se torna um item de extrema urgência para muitos. Agradar aos outros, sobretudo quem está com a chave da realização de nossos sonhos é essencial. Por isso nos submetemos aos outros.

Para agradar aos outros, é preciso cumprir certos costumes sociais. Ter os mesmos gostos e pensamentos da maioria estimula confiança mútua e realização de certos desejos. Por isso, os brasileiros deram um chega-para-lá para a diversidade e decidiram, como um gado obediente, aderir aos memos costumes, pensar as mesmas ideias e fazer tudo igual.

Por isso que tem tanta gente com um gosto só, um pensamento só e nada mudando, numa verdadeira onda de conservadorismo crônico, mas enrustido, que faz com que o Brasil de hoje, não na forma, mas no conteúdo, seja exatamente igual na essência que o Brasil de mais de 100 anos atrás.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Porque as paqueras não podem ser sérias?

Um aviso extremamente importante para os que procuram romantismo na vida afetiva: paciência e risco. Não é de primeira que você vai achar uma mulher romântica, pois o processo inicial de paquera não é nada romântico. Esqueça a tolice de que todas as pessoas são românticas. Paquera é loteria. 

Só a sorte vai dizer, durante o processo de conquista, se esse alguém é romântico ou não. Com chances maiores de não ser. A certeza é a de que é praticamente impossível achar alguém romântico no começo da conquista, pois a grande maioria das pessoas prefere um jeito mais babaca de paquerar, pois é mais divertido e descontraído. Só com o tempo você perceberá a verdadeira cara de cada um.

Isso acontece porque as pessoas tratam a paquera como se fosse uma brincadeira, apesar de resultar em algo sério que é o convívio a dois sob o mesmo teto. Ignoram as pessoas que é na fase da paquera que deve existir as atitudes que evitarão a violência doméstica. Mas brasileiros não são prudentes e só resolvem resolver graves problemas quando é tarde demais.

Porque não colocar um pouco de seriedade nas paqueras e tocar em assuntos importantes que podem servir como garantia de sucesso aos relacionamentos? Claro que não devemos confundir seriedade com sisudez. Há como ser sério falando de modo descontraído. Várias palestras modernas de neuro-linguística comprovam que dá até para fazer piada com assuntos sérios, sem ridicularizá-los.

Será que as pessoas não percebem que limitar a bobagens o nível de conversas durante as paqueras pode significar erros e danos nos relacionamentos? Principalmente quando as paqueras envolvem adultos com uma faixa etária consideravelmente amadurecida?

Os erros de casais do passado e a onda de violência doméstica não estão servindo para tornar as paqueras mais sérias? Continuamos com velhos costumes e atitudes, com os velhos problemas se consagrando e gerando danos cada vez piores? Porque não mudar? Porque não tornar a paquera mais responsável? Ou vamos continuar a formar casais que, com a rotina, aprendam a se odiar mais?

As pessoas deveriam aprender a ser prudentes. Prevenir é sempre melhor que remediar. Se possível, deixar bem claro o que cada um espera do relacionamento que se inicia. Pois resolver as coisas quando se é tarde demais é um mau negócio que pode gerar danos graves e irreversíveis.

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