domingo, 29 de agosto de 2021

Causas identitárias: "o sonho do oprimido é ser opressor"

Infelizmente, as esquerdas brasileiras desistiram de seu glorioso passado e descartaram de vez as causas trabalhistas que fundaram o pensamento de esquerda. No lugar, colocaram as causas identitárias, mais condizentes com os interesses da classe média (majoritariamente formada por professores universitários) que passou não somente a aderir como a comandar a ideologia progressista no Brasil.

As causas identitárias correspondem a uma espécie de paliativo. Já que não se quer pode distribuir renda e direitos a todos os oprimidos, escolhe-se um ou poucos membros das classes oprimidas e o empodera, ou seja, coloca em uma situação em que um oprimido nunca estaria, dando a ilusão de representatividade e "mudança de mundo". Junto a isso, o falso mito de que um oprimido no poder lutaria por justiça social.

A realidade mostrou de forma prática de que as causas identitárias, hoje prioridade máxima das esquerdas brasileiras, são uma farsa. É na verdade uma armadilha feita para que a verdadeira justiça social nunca seja feita, a não ser de forma estereotipada e paliativa. 

O oprimido olha para um semelhante no pedestal do poder e se sente representado, mesmo que ainda haja diferença de aquisição de direitos entre ele e seu assemelhado bem sucedido. Se sentindo representado, o oprimido tem a ilusão de que, no poder, o oprimido bem sucedido vai lutar pelos seus assemelhados. E não luta. Pior: vira opressor, fazendo exatamente que os antigos opressores faziam.

Na foto que ilustra esta postagem, colocamos exemplos relacionados ao povo afro-descendente. Mas isso também acontece com mulheres, indígenas, gays, nerds, deficientes físicos e outros tipos de excluídos. Ao invés de mudar o sistema, beneficia-se um e outro integrante das classes oprimidas e tem -se a ilusão de que o problema foi resolvido, quando na verdade ele foi agravado.

Nesta foto, aparecem três casos envolvendo negros, 1) a superestimada cantora Beyoncé Knowles (aqui junto com seu marido, o arrogante Jay Z, rival de outro metido similar, Kanye West) usando uma joia caríssima. 2) o cantor conhecido como The Weeknd e sua gigantesca mansão. 3) Barack Obama, que na presidência, agiu igualzinho a qualquer presidente imperialista dos EUA.

Nos três casos citados, não ouve uma mudança de mundo ao ver três negros assumindo posturas de poder. Pelo contrário: o que se viu foi uma adequação ao injusto sistema neoliberal eternizado de forma insistente pelo Capitalismo mundial. Tudo sob os aplausos das esquerdas brasileiras, que fingem odiar o Capitalismo, mas desejam apenas adaptá-lo a favor das classes oprimidas, sem mudar um só aspecto.

As causas identitárias representam, na verdade, uma rebeldia domesticada, um meio de amansar as classes oprimidas sem satisfazer de fato os seus interesses de classe. Não adianta colocar oprimidos em situação de poder ou de realização plena se o sistema sócio-econômico continua o mesmo. Isso acaba tornando não só um paliativo como uma iniciativa clara de manter tudo como está.

No fundo, as causas identitárias servem mais para manter o sistema injusto de pé e atuante, mas dando a ilusão de justiça social que somente as pessoas de racionalidade precária conseguem compreender como tal. Até que o oprimido vire opressor e haja como os capitães do mato de outrora, esnobando os seus assemelhados e se fundindo com as classes dominantes que estão no poder há séculos.

domingo, 15 de agosto de 2021

Causas identitárias, representatividade e contracultura fake

Quase ninguém percebeu, mas no Brasil, o chamado esquerdismo mudou radicalmente. Saíram de cena os sindicalistas mal humorados para dar lugar a uma classe média alta festiva, esperançosa, desfilando alegremente em micaretas para supostamente exigir "direitos" que passam bem longe das causas trabalhistas de outrora. Até porque para essa classe, o trabalhismo foi suficientemente resolvido.

A esses novos "direitos" dá-se o nome de causas identitárias. Não são mais direitos de fato e sim empoderamento ou manutenção/reivindicação de interesses particulares desta classe que, ganha bem, vive uma vida confortável e goza de uma estabilidade que parece indestrutível. Causas trabalhistas? Econômicas? "Para quê, se todo mês entra uma boa quantidade de dinheiro em minhas contas?".

Essas causas identitárias incluem, além da defesa de certas subclasses, cada uma de forma isolada (ao invés de lutar por toda a humanidade, em uma espécie de humanismo), como negros, gays, mulheres, etc., há também veganismo (em parceria com outras causas, as ecológicas), o consumo de drogas, o hedonismo (defesa do prazer a todo custo), e até mesmo causas já defendidas pelos conservadores como a fé religiosa e o gosto por esportes, sobretudo o futebol.

Nas cabeças desses novos esquerdistas, despreocupados e divorciados das causas trabalhistas, essas causas identitárias são prioritárias e correspondem a supostamente dar direitos a classes que tradicionalmente foram excluídas do sucesso capitalista. A ideia é incluí-los para que possam se dar bem no sistema sem mudá-lo completamente. Sim, foi isso que você leu. Sem mudar o sistema.

É uma ilusão achar que trocar o responsável pelo comando de alguma coisa irá mudar o sistema como um todo. A ideia original das esquerdas seria mudar completamente o sistema. Mas Lula e seus histéricos fãs comprovaram que não há interesse nenhum em mudar o sistema sócio-político-econômico. Somente o de incluir as classes oprimidas entre os beneficiados pelo sistema.

Essas causas acabam por gerar um monte de problemas. Um deles é o de simplesmente trocar o comando do sistema sem mudar as suas características. Uma das provas disso, por exemplo, é a colocação de um negro, Barack Obama, no comando dos Estados Unidos da América. 

Colocar um negro no comando para exatamente fazer o que todos os presidentes brancos sempre fizeram. Ou talvez pior, já que incluí o ressentimento de ter pertencido a uma classe oprimida. Com o tempo, há o risco de trocarmos de classe dominante, sem que a opressão e os problemas gerados pela desigualdade desapareçam. 

Além de negros, vemos gays, mulheres, indígenas e outras classes ocupando cargos de liderança e muitos deles seguindo a ideologia do opressor. Todos ocupando posições importantes no sistema, sem mudá-lo na prática.

Com isso, as causas identitárias se revelam uma farsa e mostrou uma bem sucedida forma de controlar as esquerdas para que elas não ameacem o sistema, mas pensando elas estarem sob o controle do mesmo. As causas identitárias ocupam as esquerdas em supostas lutas que não ameaçam o sistema, impedindo-as de tentar rompê-lo através de debates mais supérfluos e lutas mais inócuas.

Substituir as causas trabalhistas pelas identitárias conseguiu manter as esquerdas de pé sem que precisasse punir seus ideólogos e sem causar um caos que deixasse evidentes as tentativas de manter um sistema que continua injusto e desigual. Até permitindo algumas brechas para dar a ilusão de que "as desigualdades estão sendo resolvidas", sem estarem resolvidas de fato.

O que é mais interessante é que estas causas, apesar de inócuas para a essência do sistema injusto que se mantém, dão a ilusão aos esquerdistas de que estão agindo, de que a luta existe e de que alguma coisa está se resolvendo, mesmo que os reais problemas continuem intocáveis, se mantendo crônicos sem que haja uma alma ao mesmo tempo corajosa e compreensiva a  tentar resolvê-los.

Para piorar ainda mais essa inércia disfarçada de ativismo, a fé religiosa, não recomendada pelo esquerdismo original, de formação ateísta, foi incluída entre as causas identitárias e responsável pela sensação de otimismo e pela compreensão subjetiva da realidade, além de representar um altruísmo precário e puramente paliativo, que reforça a ilusão de que tudo está sendo resolvido.

As causas identitárias são uma prova de conservadorismo das esquerdas brasileiras, indispostas a mudar o sistema, pois se sentem muito confortáveis nele. Isso afastou as classes trabalhadoras e aproximou as classes médias. É fato verdadeiro o de que as classes trabalhadoras migraram para a direita, onde encontram quem esteja disposto a ouvir os seus apelos trabalhistas e econômicos.

Mesmo que defendam as classes oprimidas, as reivindicações dos esquerdistas de classe média alta escolhem os representantes mais abastados entre os oprimidos (negros, mulheres, gays, etc. que estejam economicamente estabilizados e socialmente prestigiados para ocupar cargos de liderança em um sistema que se mantém injusto) para dar ilusão de justiça social.

Em resumo, tudo estrategicamente calculado para que o sistema cronicamente injusto e desigual nunca mude, mas dando a impressão de que está mudando. Na verdade mudando a embalagem para que o conteúdo continue perecendo por dentro dela. Colocando no poder os oprimidos para que novos atores possam fazer de novo a velha opressão, repetindo um velho filme com novos personagens.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Homens com perfis convencionais conquistam mulheres com maior facilidade

Mulheres vivem dizendo que gostam que homens as surpreendam durante as conquistas. Bem, surpreender não é o caso. Na verdade, há uma má interpretação em relação a isso.

Na verdade, as mulheres quando dizem isso, querem dizer que querem um homem que satisfaça os anseios de conquista delas, fazendo algo que muitos não fazem. Mas é algo desejado, algo que elas desejam e sonhem, alguma atitude que a maioria não faça. Algo desejado, imaginado, é bom destacar. Como um homem dar flores a uma mulher numa situação que nenhum outro a faça. É algo desejado e imaginado, mesmo que pareça "surpresa" na ocasião.

Porque falo sobre isso? Porque noto que homens com gostos, hábitos e ideias que diferem daquilo que a mulher espera de um homem, mesmo que sejam agradáveis, não são bem aceitos pelas mulheres. Além disso, é fácil perceber que a maioria dos homens que se dão bem na vida afetiva, podem até "surpreender" durante o processo de conquista, mas no cotidiano, são iguais à maioria. Como se fossem robôs programados pelo sistema, através da mídia e das regras sociais.

Homens sem ideias renovadoras, que não tenham um bom gosto musical, que adorem futebol, bebam cerveja, sejam infiéis, que passem os finais de semana com as bundas grudada nos sofás diante de uma modorrenta televisão com uma programação bem ruim, é o tipo esperado pelas mulheres. Ah, que tenham estabilidade nos empregos, bom dizer isso. Homens com este perfil nunca ficam sozinhos, a não ser que sejam extremamente tímidos ou autistas (loucos não, pois até malucos, capazes de berrar durante a madrugada, acordando a vizinhança, conseguem conquistá-las).

Algo que segue um padrão esperado sempre dá uma sensação de segurança, mesmo falsa às pessoas. E é por isso que os convencionais se tornam mais confiáveis para a sociedade, por agir de modo esperado pelas pessoas.

Agora, se você demonstra algo que não é esperado pelas mulheres, aí "fedeu". Um cara que, por exemplo, não curta futebol (algo que as mulheres esperam de um homem é a adoração deste pela famosa modalidade esportiva), é tratado como um estranho, um alienígena. Para as mulheres, não se sabe o que esperar de um homem deste tipo, mesmo que ele não ofereça perigo para ninguém. O mesmo para quem detesta álcool (algo compreensível apenas para religiosos e pessoas com problema de saúde), é fiel ou recuse algum estereótipo masculino. Elas sempre vão preferir o estereotipado.

E porque preferir o estereotipado? Porque é mais "seguro", dá para prever a consequência de seus atos. É melhor levar chifrada de alguém que adore futebol do que ter um marido fiel que deteste o famoso esporte, pois não se sabe do que um anti-boleiro é capaz de fazer, do contrário do caso estereotipado, onde se conhece perfeitamente o comportamento, mesmo danoso.

Venho notado um certo desprezo pelas mulheres em redes sociais pelo fato de eu fugir completamente do estereotipo de "macho", imposto pelas tradições sociais. Parece que elas enxergam num homem diferente um extraterrestre, ou um gay, ou alguém que soe ameaçador (normalmente psicopatas costumam fugir de estereótipos sociais para "pegar suas presas". Mas não vou pagar pelo erro de uns doidos que só vivem para prejudicar os outros), pois estranhos são tidos como "débeis mentais", num mundo em que ser "normal" é imitar a maioria.

Muitos casamentos que nascem fracassados vão se arrastando por essa preferência por homens convencionais, fazendo com que muitas mulheres se acomodem com os defeitos de seus maridos, pensando se tratar de "atributos da masculinidade". E assim, a sociedade nunca se evoluí, além de manter verdadeiros homens, que serviriam para excelentes maridos, na solidão crônica ou no casamentos igualmente fracassados com mulheres convencionais, submissas a regras sociais, que se negam a evoluir suas personalidades, achando que morreriam solitárias se tivessem personalidade e ideias próprias).

Mundo doido esse. Ainda não apareceu alguém com poder e capacidade para consertar isto.

domingo, 8 de agosto de 2021

Esquerdas rotulam celebridades e esportistas de acordo com a opção política

Esqueçam se a música é boa ou ruim. Se o esportista é talentoso e dedicado ou um reles trapaceiro. Não importa a qualidade de quem, pois para as esquerdas, o que vale é em que candidato a celebridade ou o esportista escolheu na urna eletrônica quando foi votar.

Nos últimos anos, as esquerdas tem dado uma verdadeira lição de idiotice. Ou porque não sabem ser esquerdistas ou porque estão chapados de tanta maconha e cerveja, mas a verdade é que ao invés de usarem a lógica, a racionalidade recomendada por Karl Marx, preferem a credulidade cega das religiões que insistem em não largar, observando tudo ao redor de forma subjetiva.

Entre estas manias está a novidade de rotular e qualificar celebridades e esportistas de acordo com o botão que eles apertaram nas urnas. Muita gente talentosa tem sido esculhambada só porque teve a infelicidade de votar na direita ou na extrema-direita, mesmo quando isso não interfere no trabalho deste profissional. 

Por outro lado, há muita gente medíocre exaltada por ter votado na esquerda, como se fossem gênios incompreendidos. Gente sem talento e sem vocação para a arte ou para o esporte que só porque apertou 13 na urna e conseguiu alguma popularidade (o povo em geral não admira gênios, por serem "perfeitos demais" e difíceis de compreender, mas considera gênios os medíocres que amam) e sucesso midiático.

Para piorar as coisas, é criada uma polarização forjada entre dois nomes que fazem exatamente a mesma coisa, com o mesmo nível de qualidade - ou de falta dela - como se a diferença na orientação política pudesse ser usada para mensurar a qualidade musical ou esportiva de alguém.

Vemos esquerdistas esculhambando o surfista Gabriel Medina, considerado o melhor brasileiro na modalidade. Só porque ele teve a decisão infeliz de votar no Bolsonaro. Tudo bem que como cidadão, Medina deixa a desejar. mas é preciso ver alguma qualidade no trabalho profissional dele como esportista, pois mas ondas não costuma fazer a mesma merda que faz quando está diante da urna.

E o que dizer dos gêmeos idênticos da mediocridade tradicional, Odair José e Amado Batista? Ambos fazem exatamente o mesmo som, falando nas letras o mesmo tipo de assunto - a realidade cotidiana de quem frequenta prostíbulos - e só porque um virou esquerdista e outro bolsonarista, encanaram de rotular cada um de forma diferente. como se os dois tocassem tipos diferentes de música.

A mesma desgraça ocorre diante do espancador de mulheres DJ Ivis e da serelepe Gaby Amarantos, ambos representantes do forró brega. Gaby é considerada muito melhor artisticamente que Ivis só porque tem postura humanista e responsável. O bom comportamento da cidadã Gaby acaba medindo a qualidade musical dela, que é tão medíocre que a do DJ de pisadinha, nova face do forró brega.

Mas não é apenas entre os medíocres que isso acontece. Muita gente vem quebrando discos do Djavan e esculhambando o cantor e compositor por causa de seu direitismo, mesmo ele tendo sido parceiro do esquerdista Chico Buarque em um curto período. Há quem não suporte mais ouvir Fagner e Lobão pelo mesmo motivo, mesmo eles tendo sido responsáveis por grandes momentos na música brasileira, de qualidade inquestionável.

Para os esquerdistas, nada disso importa. Ruim, ou bom, seja qualquer tipo de música ou de esporte, o que importa é quem você votou na eleição passada. Isso talvez seja bom para os medíocres, que não precisaram mais se dedicar às suas atividades para fazer algo bom. Basta votar no candidato dos esquerdistas que qualquer um vira gênio. Para o bem ou para o mal...

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

A classe média remediada "sequestrou" a esquerda brasileira

Uma grande novidade para os esquerdistas em geral é o fato de que a classe trabalhadora não se sente mais representada pela esquerda brasileira. De regra, o esquerdismo acabou sendo "sequestrado" pela classe média, que fora do mundo real, enxergou no desprezo às causas trabalhistas uma oportunidade de aceitar melhor as forças progressistas.

Claro que não dá para esperar um engajamento trabalhista em quem já está estabilizado economicamente. O ser humano não é naturalmente altruísta e gosta de menor esforço possível. Como se engajar de forma esforçada a uma causa que não é a sua? Se a classe média está quase toda com as esquerdas, é porque alguma coisa mudou. O antigo esquerdismo dos sindicalistas zangados não existe mais.

O fracasso das políticas trabalhistas fez com que as esquerdas se reinventassem. Até porque as esquerdas precisam de dinheiro e o secreto patrocínio de coletivos de esquerda - feito por grandes magnatas como George Soros e a família Koch, entre outros - os fez mudar de rumo, substituindo as causas trabalhistas pelas causas identitárias.

Causas identitárias são causas que envolvem mais empoderamento (dar poder a uma pessoa ou classe) e representatividade de classes isoladas, além da defesa de seus costumes e ideias. Não são exatamente defesa de direitos e muito menos o desejo de mudança no sistema. É apenas a adequação do mesmo sistema neoliberal a classes que não tinham espaço neste sistema. É o desejo de colocar o oprimido no lugar do opressor.

Fazem parte deste tipo de causa a defesa de grupos como gays, mulheres, negros, etc., além de veganismo, consumo de drogas, vida nas favelas, fé, esportes, e coisas que representem os interesses particulares de certas classes defendidas pelos esquerdistas.

Mas são coisas que não correspondem aos interesses das antigas classes trabalhadoras, tradicionalmente defendidas pela esquerda tradicional. Saem os sindicalistas zangados e entram os travestis alegres a lidera as manifestações das esquerdas. A classe operária olha para isso tudo, estranha e migra para a direita. Até porque na direita, começa haver quem passe a defender, mesmo de forma hipócrita, as causas trabalhistas. Nem que seja para cobrar o troco mais tarde.

O identitarismo transformou os esquerdistas brasileiros em um bando de alienados. Muitos continuam a defender ideia um pouco estranhas para as esquerdas, como astrologia, Cristianismo, ufanismo esportivo e cultura de massa da pior qualidade, normalmente objetos de crítica e de análises frias de intelectuais estrangeiros de esquerda.

Por serem quase todos de classe média alta (classe média na classificação de Jessé Souza), a perspectiva política dos novos esquerdistas brasileiros é bastante subjetiva. Nada é feito de forma realmente racional e o messianismo observado na extrema-direita é também visto nos esquerdistas, mas sem ser considerado como tal. 

Para ter uma ideia disto, Lula, por exemplo, não é visto como um gestor público competente, o que ele é de fato. Lula é tratado como uma espécie de "messias", de um "salvador da pátria". Um misto de Papai Noel com Dom Pedro II (um picareta vestido de "médium" até falou que o ex-presidente seria a reencarnação do segundo imperador do Brasil). Um pai, um reles tutor da população que o idolatra.

Por isso que é comum visitarmos as redes sociais dominadas por esquerdistas e lermos verdadeiras asneiras típicas de quem vive divorciado do mundo real. Isso acaba por fortalecer a direita moderada - a extrema segue também fracassada, por ser Bolsonaro um escandaloso evidente) e podemos ter a surpreendente vitória da direita moderada, sem o ódio dos extremistas e sem o deslumbre da esquerda.

O fato é que a esquerda não representa mais a classe trabalhadora. Representa a classe média, feliz com seu salário satisfatório, com filhos e parentes estudando no exterior, achando que tudo se resolverá de maneira fácil, apenas colocando, mesmo sem condições práticas, um esquerdista querido no poder.

Mas a política tem a complexidade muito difícil de ser compreendida por esta classe média, cuja inteligência é focada exclusivamente para as profissões de cada um. As esquerdas sofrem derrotas consecutivas justamente nos momentos em que está mais otimista. Acreditamos que a maior dessas derrotas acontecerá agora, pois o cenário não é favorável para as esquerdas.

Mas o que importa. Classe média vive fora do mundo real. Se os problemas baterem na portas de seus  confortáveis condomínios, a solução é ir para o aeroporto, comprar uma passagem para a Europa e curtir a vida. Deixem que o Lula resolva sozinho os problemas do país, para depois ser massacrado pela mídia corporativa, sua arqui-inimiga, e recuperar a falsa fama de um corrupto incompetente.

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