quinta-feira, 30 de abril de 2020

É preciso criticar as esquerdas quando erram. Mas erros reais, não os inventados pela direita

Antes que façam qualquer tipo de acusação equivocada por criticar as esquerdas nos textos mais recentes, sou um esquerdista convicto. Gosto das ideologias que estimulam o progresso e  o bem estar de um número maior de pessoas. 

Mas não cultuo esquerdistas, pois sou daqueles que cultuam ideias, não pessoas. Pessoas erram, tem interesses e estão em processo infinito de aprendizagem. E esquerdistas erram para cacete!

Claro que não são os supostos erros inventados pela direita, sempre interessada em destruir ideologias que prejudicam a ganância capitalista, que beneficia alguns felizardos, sob desculpa da luta pela sobrevivência ser uma competição onde um punhadinho de felizardos chega à vitória. 

A direita estigmatizou os esquerdistas como incompetentes e anti-liberdade e em casos extremos chega a acusar esquerdistas de corruptas e de genocidas, com base em um bando de governantes stalinistas que distorceram os conceitos de esquerda, mas agindo feito fascistas. 

Desmoralizados, estes ditadores stalinistas que agiram "em nome do Socialismo", acabaram dando oportunidade para direitistas usarem o estereótipo negativo criado pelo stalinismo para acabarem com políticas pró-população e imporem a gananciosa máquina destrutiva do Capitalismo. 

Não é sobre estes erros que eu estou me referindo. Até porque não-stalinistas são acusados dos mesmos erros, sem cometer. Os erros que as esquerdas brasileiras mais cometem tem mais a ver com um certo conservadorismo que os impede de mudar o mundo e que acaba mantendo a raiz que perpetua o sistema capitalista em todo o planeta.

O Capitalismo é endeusado pelos direitistas como o único sistema correto e bem sucedido, e muitos meios são criados para manter este alimentador de magnatas como sistema perpétuo. E um dos meios é desmoralizar as esquerdas através de mentiras ou do aproveitamento dos erros cometidos. 

O conservadorismo das esquerdas brasileiras acaba por torná-las inofensivas para o sistema, já que esquerdistas se recusam a cortá-lo pela raiz, dando oportunidade que vários galhos nasçam para que, senão o Capitalismo, seus valores, que preservam a ganância, de forma direta ou indireta, como uma base importante a controlar as vidas de multidões.

O que eu critico nestas esquerdas são erros reais, relacionados a este enrustido conservadorismo. Brasileiros são conservadores e esquerdistas, como brasileiros, são conservadores, gostam do sistema capitalista, desde que ele inclua mais pessoas como beneficiários. Mas quanto ao sistema? Deixe-o em paz, com todos os seus defeitos, desde que a distribuição de renda e direitos seja justa.

Mas a manutenção do sistema, como eu disse, preserva seus erros. É um sistema que não permite muita variedade de pensamento, que trata 70% da população como 100%, segregando quem não faz parte destes 70%.  Por isso que ateus, pessoas que não curtem futebol ou que tenham gostos e convicções diferentes da grande maioria, são desprezados pelas forças de esquerda.

Isso deveria ser corrigido com a mudança do sistema. Uma mudança que não aparece no horizonte de qualquer esquerdista, que se sente feliz em viver relativamente bem em um sistema ainda injusto e totalmente seletivo, que prefere multidões com um só pensamento e diferentes direitos, quando deveria ser o contrário.

Vou continuar criticando as esquerdas pelos seus erros reais. Mas não se animem os direitistas. Não aplaudo erros, mas também não os invento. A direita tem que assumir que defende um sistema ultrapassado que mostrou a sua incompetência e merece ser substituído por outro. 

Não dá para esperar, como querem os direitistas, que gananciosos magnatas tenham a missão de mudar o mundo para melhor. Não faz parte de sua competência e de seus planos. Deixem a missão de mudar o mundo para as esquerdas. Quando as esquerdas se disporem a executar esta missão.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

10 coisas que só existem ou só acontecem no Brasil

O Brasil não é um país. É um manicômio. Graças ao nosso desprezo pela intelectualidade, somada ao mito de que a fé é a maior qualidade que devemos ter, vivemos em uma dimensão paralela diferente do mundo real. É muito fácil nos iludirmos e definirmos conceitos totalmente diferentes dos verdadeiros.

Isso faz com que certas coisas só aconteçam no Brasil. E vou listar para vocês, lembrando que para muitos brasileiros, estas coisas, além de aceitas como normalidade, para muitos, existe no mundo todo, como se fizesse parte da biologia da humanidade. Várias são aceitas como verdades absolutas.

Vamos a lista de 10 coisas que só existem no Brasil e que nos fazem chacota do resto do mundo, que sabe muito bem que não passamos de um monte de alienados trancafiados em um alegre manicômio. A lista não obedece nenhum critério de ordem.

1) Pátria de Chuteiras

Futebol foi eleito como o chamado "consenso coletivo" do brasileiro e para isso, foi transformado em "orgulho nacional". Algo consagrado, cobrado e repetido ad nauseam pela mídia e pela opinião pública em geral. Transformado em lei máxima, o hábito de torcer é cobrado com impressionante rigor. cada um deve ter um time na carteira de identidade e no enfartante coração.

Torcer por futebol é uma obrigação. No Rio de Janeiro é regra de etiqueta. Para cariocas, é uma ofensa assumir publicamente o desprezo pelo futebol. Quem não gosta, trata logo de comprar seu uniforme e flâmula do América ou do Bangu para não ficar de fora, fingindo gostar de algo que de fato é muito chato para quem se recusa a aderir.

Pode ser que os brasileiros não sejam os únicos a serem fanáticos pelo futebol. Mas são os únicos que confundem futebol com o próprio país. Não raramente, o famoso uniforme amarelado da CBF é usado como símbolo do Brasil, algo que os bolsonaristas, que amam o futebol mais que os outros brasileiros, sabem muito bem.

2) Classe média metida a rica

Embora não tenha nem a fortuna infinita e nem o poder de manobrar mídia e política, a classe média brasileira adora brincar de ser rica. Ganha pouco menos de 10.000 por mês mas quer viver como quem ganha 100 vezes mais.

Claro que não vão poder comprar exatamente o que os maiores magnatas do mundo possuem. Mas dá para forjar, comprando similares.  Não chega a ser os produtos falsificados comprados pela "ralezada", mas dá para se contentar com um , por exemplo SUV mais barato e de segunda mão.

Mas mentalmente, a classe média brasileira tem o orgulho típico dos grandes barões. Filhos no exterior, casas imensas (miniaturas de mansões em bairros valorizados de cidades), cachorros (muito mais amados que quaisquer seres humanos, inclusive os membros das próprias famílias), festas ostensivas, roupas caras...

Ah! E aquela ideologia idiota que trata as classes economicamente inferiores como sub-humanos, para o mal e para bem. Já que caridade para eles é dar comida de cachorro e jaula para quem não nasceu com a bunda virada para a lua.

Apesar de arrogante e patriota em relação aos EUA e Europa, a classe média brasileira se esquece que a classe média desses lugares é mais modesta, trabalha mais, e não fica querendo imitar magnata nenhum, tendo um estilo de vida mais parecido com a classe trabalhadora desprezada por estas caricaturas de burguesia.

3) Esquerda Caviar e Namastê

Pior que a classe média brasileira, só a classe média brasileira de esquerda. Com todos os defeitos da classe média brasileira, eles só não tem a  incapacidade de compaixão. Até a ganância eles possuem, pois querem do mesmo jeito ter o padrão alto de vida que os faz caricatura da burguesia, iguais a classe média direitista.

A classe média de esquerda dá um excelente show de hipocrisia, falando feito tagarela sobre como melhorar a distribuição de renda, sem mexer um dedo para que isso seja posto em prática. Mas dentro do cotidiano dessas versões mixurucas de Lenin, vemos tudo que existe no estilo de vida sub-glamoroso da classe média direitista, apenas temperada com um pouco de compaixão teórica.

No exterior, a ideologia de esquerda é levada a sério e o desejo de mudanças sociais é real e não raramente radical. Até mesmo mudança de gostos, costumes e convicções são levados em conta, por uma questão de fidelidade ideológica e coerência de classe, algo que as esquerdas brasileiras se sentem confusas para compreender.

4) "Espiritismo" brasileiro

Se há uma coisa que praticamente só existe no Brasil é a gororoba igrejeira conhecida como "Espiritismo" brasileiro. Totalmente diferente do Espiritismo original - que caiu no esquecimento em seu país-matriz, a França - ela se tornou uma versão amalucada do Catolicismo medieval. Pelos seus dogmas, parece ter nascido de um acordo entre o Clero e os bruxos, existentes na Idade Média.

Esta religião doida de dogmas contraditórios e chefiada por um beato esquizofrênico que morreu no dia do futebol, só é seguida no Brasil e por brasileiros isolados em redutos no exterior. Por ser uma religião doida - embora viva dizendo que é científica, da mesma forma que um maluco berra dizendo que é "normal" - ela só poderia ser praticada aqui, pois alienação é o requisito mínimo para aceitá-la.

5) Dia "Mundial" do Rock

É, meu amigo e minha amiga, esta você não sabia! O Dia "Mundial" do Rock só existe no Brasil! E foi criada por uma rádio supostamente roqueira administrada por fãs de dance-music (grupos italianos do tipo Double You, que só faz sucesso no Brasil). De mundial ela não tem nada. A não ser que seja patrocinada pelos supermercados Mundial (cuja versão niteroiense tem quebrado muito o meu galho nestes tempos de coronga).

Curioso que o motivo de escolha da data também não é roqueiro: o início do festival de música Liva Aid, que tinha em seu elenco tipos de música para todos os gostos. Fazendo uma boa comparação, seria como escolher o Dia do Samba se baseando nos festivais de MPB que passavam nos anos 60 na TV Record.

Pior que a data coincide com o Dia do Sertanejo, que hoje em dia não passa de um country-rock malfeito com  letras de bebedeira cantadas por duplas de playboys musculosos e tatuados que só viram vacas em verbetes do Wikipedia e pensam que campo é igual a mar (este eles conhecem!). Genial ver duas datas tão imbecis ocorrendo juntas. Falsos roqueiros e breganejos deveriam comemorar juntos a data.

Enquanto isso, no exterior, o gênero, em decadência para a maioria dos jovens, não tem data a ser comemorada, seguindo ainda curtida por pessoas que tem no mínimo 45 anos de idade, salvo exceções.

6) Michael Jackson, a arte em estado puro

De onde tiraram a ideia de que Michael Jackson representa a pureza da arte? Uma ideia que de tão arraigada já virou dogma, como a virgindade de Maria, poucos tem a coragem de enxergar o fato real de que ele representa, pelo contrário, a melhor manifestação do Capitalismo na música, tornando-o de fato, um símbolo do comercialismo musical.

Não apenas a sua obra, que segue rigorosamente as características exigidas pelo mercado fonográfico, controlada por magnatas da indústria e produtores atrelados a estes, como a postura (coerente a alguém que já nasceu produto musical, uma criança contratada para cantar músicas compostas pelos seus patrões), mostram que é uma crença absurda a da perfeição artística tradicionalmente, mas equivocadamente atribuída ao cantor.

A crença é tão arraigada que faz com que os brasileiros fossem o povo que mais chorou a morte de Michael Jackson e a que mais se revolta com as acusações de pedofilia homossexual denunciadas. No exterior, sobretudo nos EUA, que conhecem a peça por dentro, Michael Jackson é só mais um nome da música e seu maior trunfo foi vender cópias e mais cópias de discos. E mais nada.

O culto ao Michael Jackson se parece como uma religião, não só pelo fanatismo, como também pelo costume de colocar crenças no lugar de fatos, criando teorias conspiratórias para tentar embutir qualidades em um cantor que no máximo, nunca passou de um nome mediano do entretenimento.

7) "Funk" Carioca

Falando em Michael Jackson, já que o tipo de música que ele cantava era o funk original - embora seus fãs brasileiros tenham horror em rotulá-lo desta maneira, achando que isso diminuiria a sua importância - vamos nos lembrar daquilo que os brasileiros hoje conhecem como "funk".

O "funk" brasileiro, que lá fora poderia ser rotulado de Miami Bass, é um troço irritante, malfeito, que envolve gente que não entende de música e que usa o vitimismo (??!!) como estratégia de marketing. Foi isso mesmo que eu disse: o "funk" é popular porque os seus nomes ficam como bebês chorões argumentando que a rejeição ao seu barulho irritante é "preconceito contra os mais pobres". Balela!

A origem do rótulo equivocado se dá porque o nefasto gênero nasceu nos mesmos bailes que nos anos 70 e 80, brilhantemente, tocavam as grandes - eram grandes mesmo, com muito membros! - bandas do verdadeiro funk, como Earth Wind & Fire, Kool & The Gang e Barry White, entre outros.

Nem vou mais falar desta desgraça que incomoda mesmo os ouvidos não muito exigentes. Só sei que esta porcaria só faz sucesso aqui e se há intelectuais de meia tigela a defender através de teorias conspiratórias (o "funk" nasceu no Quilombo dos Palmares) é porque estão pagando muito bem para este troço ficar hegemônico tanto na mídia corporativa como na ingênua mídia alternativa.

8) Playboys e mauricinhos que se declaram nerds

Você deve ter ouvido falar do filme Vingança dos Nerds, com um bando de desajeitados, vítimas constantes de formas mais cruéis de bullying, por serem desengonçados e desatentos, muitos inteligentíssimos, alguns autistas, todos com baixa auto-estima, e que lutam com as maiores dificuldades para serem socialmente aceitos. No final do filme, até conseguem ser aceitos, mas após sofrerem muito.

Certo. Agora pegue tudo que você leu no parágrafo anterior e apague de sua mente. No Brasil, o conceito de Nerd é totalmente diferente do estadunidense e chega a ser oposto em alguns aspectos. Nada a ver com gênios desengonçados com dificuldades de sociabilizar.

No Brasil, o conceito mais direto de "Nerd" é o sujeito que adora quadrinhos e cinema de aventura e que conhece informática mais do que as outras pessoas. E só. É este o conceito. Mesmo que esteja fora de forma, vista mal e use óculos, este aspecto deixou de ser algo exclusivo. Já existem galãs, com visual de playboys ou de mauricinhos, que se auto-definem como nerd, com grande número de amigos e vida social mais do que movimentada.

Também a baixa auto-estima, absoluta e frequente no conceito estadunidense tradicional, está ausente na nova definição. Inclusive há nerds neo-nazistas, sádicos e que se acham superiores aos outros, vivendo apenas em prol de sua classe, que finge ser socialmente excluída, mas representa um bom número de pessoas a se assumir como tais.

9) Nazismo à Brasileira

Falando nisso, o nazismo brasileiro é outra coisa peculiar de nosso país. Embora a tendência de grupos neo-nazistas seja, infelizmente, mundial, a forma brasileira é bem peculiar. Para começar, ela não se assume como tal (alguns até jogam os nazistas alemães para o outro lado), por medo de possíveis punições ao ser associada às atrocidades cometidas pela vertente alemã dos anos 30.

Conhecidos como "cidadãos de bem", eles representam a classe média e parte da classe trabalhadora que se sentiu traída pelas esquerdas após anos assistindo mentiras em telejornais que colocavam as esquerdas como uma força incompetente e corrupta, quando fatos mostravam justamente o oposto

Eles não tem um símbolo próprio. Cultuam os símbolos nacionais de forma fútil e tem na camisa da CBF (para desespero dos esquerdistas que acreditam no terraplanismo da Pátria de Chuteiras) seu uniforme de guerra. Odeiam tudo que seja ideologicamente oposto e agem como beatos moralistas, cobrando uma moralidade que seja semelhante aos tempos medievais.

Mesmo não sendo a única manifestação fascista no mundo, é a mais peculiar, a mais criativa em suas características particulares. Foi responsável pela eleição de Jair Bolsonaro, o "Mito", da mesma forma que seu similar alemão era conhecido como "Fuhrer" e seu equivalente italiano, "Duce".

10) Gíria é meu idioma

Brasileiros adoram gírias. Símbolo de informalidade, descontração e simpatia, usar jargões sociais nos fazem pertencentes a grupos e transformam em uma forma de comunicação facilmente aceita.

Uma das má famas que os brasileiros tem é o do uso insistente de gírias, motivo de chacotas no exterior. Até mesmo instituições sérias brasileiras tem usado gírias em algumas peças publicitárias na tentativa de soarem mais simpáticas, agradáveis e atraentes.

Mas é um hábito estranho, raro em outros países e que no fundo mostra nosso caráter de povo irresponsável e meio ignorante, que não enxerga o contexto certo para pensar, falar e agir.

terça-feira, 28 de abril de 2020

As conquistas amorosas deveriam ser levadas a sério

É sempre assim. Quando se fala em paquera, em começo de conquista, tudo é levado na excessiva descontração. A paquera e o processo inicial de conquista sempre é tratado como se fosse uma brincadeira, nada levada a sério. Mesmo que tudo acabe em um matrimônio cheio de responsabilidade, com algum risco de se converter em uma violência doméstica.

É uma mania das pessoas de separarem os casos de violência doméstica do começo quando o casal se formou. Todo caso de violência doméstica se iniciou de forma amigável, descontraída e alegre. Como uma saudável brincadeira. É só ativar a memória.

A raiz de tudo está no começo da paquera e é preciso desde o início de haver uma seriedade e saber escolher o parceiro. O rigor da seleção deve existir em relação a personalidade da pessoa, não na aparência ou nas capacidades de proteção e sustento. 

Não raramente usamos a vida amorosa para satisfazer interesses particulares. Quase todos somos assim. Este é o verdadeiro motivo que faz mais de 90% se casarem, além de agradar a sociedade, fazendo algo para se sentir incluída nela. Não queremos amor nem companheirismo, mas o que o cônjuge pode nos oferecer: dinheiro, proteção, sexo, filhos e reconhecimento social.

É com base nestes interesses que escolhemos mos nossos parceiros, desprezando outros critérios que podem ser mais decisivos para um relacionamento bem sucedido. Escolher uma pessoa pelo caráter, por exemplo.

Não é raro desprezarmos o caráter de uma pessoa. Mas para quê caráter, se casamos com alguém só por casar, passando pouco tempo ao lado do cônjuge, reservando o verdadeiro amor e companheirismo aos amigos, que desejariam que alguém fosse casado só para cumprir um ritual social? No fundo é para agradar aos amigos que queremos casar com alguém.

Por isso mesmo que erros são cometidos com frequência na hora de escolhermos nosso parceiro. Já é um erro tratarmos a paquera como uma brincadeira. Nesta brincadeira, de risadas e danças de rosto colado, nosso cérebro trava e nos esquecemos de analisar a personalidade e as intenções daquela pessoa que tentamos conquistar/ser conquistadas.

O isolamento para evitar o contágio da Covid-19 tem mostrado a cagada feita por aqueles que enxergam a conquista amorosa como uma descontraída brincadeira. Casais que se descobrem não-afins, porque com o convívio 24 horas - reduzido pela vida profissional dos cônjuges, provocando separação momentânea por mais de 8 horas por dia - começaram a se conhecer melhor. Realmente, o amor tem cheiro de mijo, como disse aquele grupo musical.

Seria muito bom que levássemos o processo de conquista a sério. É nele que está a raiz que cortará o mal que origina a violência doméstica e outros tipos de discórdia menos graves. Se levarmos a conquista a sério e prestarmos atenção na personalidade do pretendente, poderemos estar nos prevenindo e reduzindo a chance de levar um grande problema para conviver embaixo do mesmo teto. Todos os dias, 24 horas cada.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Combate a violência contra a mulher começa na mudança de critérios para escolher um namorado

Com o neo-conservadorismo, é nítido que houve um aumento gigantesco da violência contra as mulheres, principalmente praticadas pelos próprios companheiros das vítimas. Aumento acelerado com a chegada de Bolsonaro, ídolo dos machistas ao poder. A chegada de Bolsonaro ao poder dá uma ilusão de impunidade, já que machistas acreditam no falso mito da cumplicidade masculina.

Para os machistas, a mulher é um item de seu patrimônio. Ou seja, os machistas se acham donos das mulheres. Claro que um relacionamento estável com qualquer pessoa dá essa ilusão. Mas isso é assunto para outra oportunidade, já que o amor livre proposto pelo movimento hippie, coerente com o instinto poligâmico da espécie humana, acabaria com isso. 

Mas mesmo sendo os cônjuges donos uns dos outros, deveriam ter pelo menos respeito, pois antes de tudo são seres humanos e a noção de pertencimento é limitada. Não exclui o direito de cada um fazer oi que quiser da vida. Namorar e casar frequentemente significa conviver com diferenças e somente uma mente amadurecida está preparada para isso. E quase ninguém está.

O isolamento proposto como proteção contra a pandemia tem aumentado e muito as brigas entre casais, que descobrem o lado ruim de conviver com alguém com várias diferenças. Isso acontece - e aí a culpa é de ambos, homens e mulheres - porque todos se casam por obrigação, para agradar a sociedade e para cumprir um ritual imposto para a vida adulta, já que solteirões são malvistos, tratados como perdedores ou irresponsáveis.

Homens de índole violenta tem mais facilidade de conquista

Sem querer isentar a culpa inegável aos machistas, e sem querer culpas as vítimas, boa parte da raiz da violência doméstica está no fato de que as mulheres, que regulam as regras de conquista segundo os padrões sociais, não sabem escolher homens. Normalmente, as mulheres mantém os pre-históricos critérios de proteção/sustento e só querem ser paqueradas nos lugares onde homens de índole agressiva costumam frequentar.

Uma mudança radical nas regras de conquista, criando meios que, senão impeçam, mas dificultem muito a possibilidade de acesso a homens agressivos e mal intencionados, ajudaria bastante a diminuir as chances de uma mulher se casar com um brutamontes possessivo.

Mas não é o que vemos na sociedade, que prefere resolver o problema da violência contra a mulher cortando o mal pelo caule. Não dá para converter um brutamontes em gentleman. A solução é romper com o agressor e tentar mudar a tática de conquista para facilitar o acesso de homens bem intencionados, normalmente tímidos e ausentes nos lugares tradicionais de paquera.

Mas se livrar de maridos agressores não é tarefa fácil, pois além da dependência financeira - não esqueçam que a mulher levou em conta a situação profissional do homem ao escolhê-lo, mais do que o caráter - há um capital social, pois há uma rede de amigos e contatos que é beneficiada pela manutenção do relacionamento já estabilizado.

Mas a minha proposta de mudar as regras de conquista amorosa - sempre tratadas como brincadeira no início das paqueras - deveria ser entendida como um corte do mal pela raiz, merece discussão. Ou mudamos as maneiras de homens e mulheres se unirem ou vamos continuar tendo violência doméstica.

Poucos falam, mas é fat de que os homens mais agressivos se dão melhor na conquista pela cara de pau que possuem e por corresponder ao estereótipo do machão heroico e protetor que as mulheres ainda insistem em preferir. Melhor que se mudem as causas se quiserem que se mudem as consequências. 

Levar a sério o processo de conquista desde o início é uma excelente solução. Até porque relacionamentos não são comédias românticas e há um grande risco de terminarem como filmes mistos de terror e violência. Não podemos nos descontrair com algo que pode acabar muito mel. Pensem nisso.

domingo, 26 de abril de 2020

Feijoada deveria substituir o Futebol como símbolo nacional.

Muitos vão considerar essa proposta uma heresia. Mas como comida é um assunto que interessa a todos, pois todo mundo tem que comer, é uma proposta bem democrática e não se refere a apenas um hobby que, apesar de ser interesse de muitos, não é o de todos.

A minha proposta é a de transformar a feijoada em símbolo nacional do Brasil, no lugar do futebol. Acho muito mais democrático. E tem um caráter pessoal, um pouco egoísta, pois feijoada é uma das minha comidas favoritas e o futebol está muito longe de ser algo que eu tenha o mínimo de apreço. 

Ou seja, não vejo a menor graça em ficar 90 minutos vendo um monte de bonequinhos correndo para lá e pra cá em uma tela verde e muito menos o "orgulho" de colocar um escudo de time de futebol na carteira de idade, como se isso fosse tão importante quanto o número do CPF. Aliás, para muita gente é tão ou mais importante que o número do RG ou do CPF. Ter um time abre portas na vida social.

Pensei nisso hoje, após comer uma deliciosa feijoada feita pelo meu pai. Porque a feijoada não é símbolo nacional, se é algo tão típico? Feijão é o cereal mais nutritivo do mundo e pelo que pesquisei, feijão é como um poderoso suprimento de vitaminas e proteínas. Por isso que existe a gíria "tem que comer feijão" quando se quer dizer que alguém tem que se esforçar para ser melhor naquilo que faz. 

Feijoada, acrescida de carne, muita carne é bem nutritiva. Nutritiva e deliciosa. Aliás, os que irão detestar a minha proposta são os veganos. Para estes, a sensação vai ser similar a que eu tenho pelo futebol, que não enxergam nenhuma afinidade com o tal simbolismo da feijoada. Afinal, futebol não mata animais e para eles, ficar 90 minutos diante de uma TV ligada em algum jogo não morde. é, mas para mim, tédio me irrita. Tédio temperado com berros estridentes de torcedores histéricos.

Outros vão dizer que a feijoada não é um prato brasileiro, é português. Ué, mas o futebol também não é brasileiro, é inglês. Pelo menos Portugal colonizou - em termos, na verdade explorou - o Brasil e tem alguns aspectos culturais parecidos com o nosso. Já o inglês é diferente do brasileiro. Tanto é que lá, o futebol é curtido por roqueiros, enquanto aqui, salvo raríssimas exceções, jogadores de futebol detestam rock ou qualquer tipo de gênero musical que lhe assemelhe.

Acho uma ótima ideia transformar a feijoada em símbolo nacional. deveria até ter um evento, similar a copa, em que quase todos os brasileiros comessem feijoada em um dia. poderia ser um dia do tipo Dia Nacional da Feijoada. Seria ótimo que pessoas que não se conhecem pudessem usar a feijoada como um bom assunto a ser puxado.

Cá para nós, a feijoada nos deixa mais nutritivos, além de ser uma oportunidade, durante o seu consumo, de saborearmos algo bem gostoso. Do contrário do futebol, que só serve para nos deixarmos mais loucos, alienados e bastante chatos, enchendo o saco para obrigar os outros a ter o mesmo gosto futebolístico.

sábado, 25 de abril de 2020

A classe média de esquerda é igualzinha a classe média de direita


Apesar de ser muito melhor que qualquer direitista, os esquerdistas brasileiros são conservadores ao seu modo e não estão nem um pouco interessados em mudar o mundo. Toda e qualquer personalidade ou instituição de esquerda, do radical PCO ao conservadoríssimo PSOL, passando pelo PT e por influenciadores de esquerda, além de vários políticos.

Toda a meta das esquerdas brasileiras se resume à inclusão das classes oprimidas no sistema capitalista, com todas as suas regras de convívio (incluindo a santíssima trindade Cerveja-Futebol-Religião), todos os costumes sociais e o cumprimento rígido de um roteiro de vida e de cotidiano imposto para todos os adultos, com raríssimas variações. 

Duas coisas impedem os esquerdistas brasileiros de desejarem um mundo muito diferente do estabelecido pelo sistema capitalista, com regras criadas pela direita tradicional: o convívio social, pois amigos e contatos sempre cobram o cumprimento de várias regras sociais, e o apego a valores tradicionais considerados positivos, como o amor cívico pelo futebol e a fé religiosa.

Na verdade, a única diferença entre os esquerdistas de classe média (pequena-burguesia) é a vontade de justiça social. É o desejo de ver mais classes sociais usufruindo do feliz mundo das ilusões capitalistas, com todo o conforto obtido em troca de muito trabalho e submissão às regras sociais impostas silenciosamente pela maioria e consagradas pela mídia, mesmo a alternativa, que pretende trocar um pensamento único por outro, ao invés de lutar por uma diversidade ideológica.

Isso explica porque vários esquerdistas estão aprendendo a se apegar a estereótipos, exatamente como a classe média direitista, já habituada a preconceitos e estigmatizações. Sem lembrar que a pequeno-burguesia de esquerda pouco ou nada faz para melhorar o salário e a distribuição de renda, já que não passam de um bando de bons-vivant metidos a sofredores.

As esquerdas já se apressaram em estigmar os homens solitários e querer que pobres ouçam músicas de má qualidade, enquanto a própria classe média esquerdista finja que goste de lixo musical, enquanto empurra isso para as classes trabalhadoras que alegam defender.

Fica a impressão de que as pessoas que desejam mudanças reais no Brasil estão sendo enganadas. As esquerdas brasileiras querem mesmo melhorar o país ou na verdade usam isso para angariar simpatia, obtendo rios de dinheiro em lives pela internet e favorecimentos ocultos de instituições ligadas a filantropos de direita como George Soros e Bill Gates?

Cá para nós. Eu não estou otimista. Nada vai mudar após esta quarentena. Sendo otimista, digo que tudo ficará na mesma, com mesmos costumes e mesmas ideias, gostos e convicções. Este isolamento nada trará de lição e as esquerdas médias continuarão com seu blá-blá-blá inspiracional nada posto em prática. Até porque eles estão bem, seguindo as lições que o Tio Sam lhes ensinou.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Defesa do popularesco é ato politicamente correto

Vocês devem ter ouvido falar em "politicamente correto". É quando alguém toma uma atitude aparentemente correta, sem realmente gerar alguma melhoria ou avanço social ou individual.

O "politicamente correto" quer ser visto como bondoso sem ser e lança a mão de paliativos para tentar resolver problemas sérios da humanidade. No Brasil, o "politicamente correto" assume características próprias. E uma delas é uma nova ideologia que podemos chamar de "orgulho de ser pobre".

Simples: ao invés de tirar as pessoas da pobreza e dar melhores condições de vida, o que num sistema capitalista como o nosso pode ser nocivo aos interesses egoísticos das classes abastadas, cria-se um arremedo de "dignidade", colocando o consumismo no lugar da qualidade de vida, glamorizando a vida do povo pobre, muitas vezes transformando defeitos em qualidades e colocando na cabeça da população humilde que ela tem que viver assim e se orgulhar disso.

Essa "valorização" da pobreza inclui a valorização dos ritmos popularescos (axé, pagode "funk", "sertanejo", forró-brega, lambada, brega, e similares), inclusive transformando os mesmos em "patrimônio cultural", como os astros desses gêneros de qualidade duvidosa tivessem algo importante a dizer.

Fazer filmes com temática pobre é outro meio de glamorizar a pobreza. No Brasil, cineastas riquíssimos, com o apoio de gente mais rica ainda, que não sabe o que é passar fome, só faz filmes sobre pobres. Algo pejorativamente conhecido como "Cosmética da fome". Porque não fazem filme sobre rico? Ah, vão dizer que "rico não tem vida interessante". Porque então não deixam de ser ricos, distribuem dinheiro para quem realmente precisa e vão morar em um barraco em área de risco? A vida de vocês, magnatas frustrados que insistem em ser magnatas, poderá se tornar "mais interessante"!

Viver pobre não é digno coisa nenhuma. Pobre sofre todos os dias e não possui renda o suficiente para viver com a verdadeira dignidade. Quem defende a ideia de que ser pobre está "em alta" é gente da elite que quer manter as desigualdades e injustiças intactas, utilizando disso como meio de manter os pobres "quietinhos em seu canto", deixando os ricos gastarem suas riquezas sossegados, enquanto a população humilde passa a fome "alegremente" diante das câmeras, feito micos de realejo.

Digno é ter uma vida com renda que abasteça o mínimo necessário que uma vida de qualidade exige e ter educação que desenvolva o nível intelectual, para que o cidadão possa saber de seus direitos e deveres, conhecer a sua realidade cotidiana (não como a mídia diz) e possa reivindicar melhorias concretas de vida.

Mas essa ideologia do "orgulho de ser pobre" chegou para manter os pobres em total inércia, se conformando com a fictícia "missão" de "mandar" na "cultura" brasileira, enquanto suas dispensas continuam sempre vazias e as contas sempre subindo.

É muito cruel glamorizar a pobreza. Quem faz isso parece "bondoso", mas é tão malvado quanto qualquer fascista. Substitua "judeus" por "favelados" e "campos de concentração" por "favelas" e entenderão o que estou dizendo.

Essa elite cruel ainda vai pagar bem caro por isso.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Porque Acabou Chorare é uma obra-prima

Com a recente morte de Moraes Moreira, de enfarte, na semana passada, o álbum Acabou Chorare (Som Livre), gravado em 1972 pelo grupo que Moreira fazia parte, os Novos Baianos, voltou à discussão. Considerado pela crítica um dos melhores álbuns já gravados no Brasil (o melhor segundo alguns), o álbum realmente merece o título que possui. 

Para começar, é um álbum moderno demais para a época. Eu já conhecia algumas músicas, desde criança. Quando eu ouvi o álbum todo pela primeira vez, poucos anos atrás, foi impossível para mim de não lembrar o primeiro álbum dos Tribalistas (Phonomotor/EMI).

O grupo formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e o ex-Titãs Arnaldo Antunes, lançou um álbum espetacular. A impressão que se tem é que os Tribalistas quiseram fazer uma espécie de Acabou Chorare II. Na minha opinião, o primeiro álbum dos Tribalistas é o melhor álbum brasileiro lançado desde 1990 (o álbum é de 2002), junto com o álbum Tropicalia 2 (Mercury/Universal), gravado em 1993 por Gil & Caetano e o álbum Carioca (Biscoito Fino), que Chico Buarque lançou em 2006. 

Voltemos ao álbum de 1972. Realmente o álbum faz jus ao título. É um álbum ousado e atemporal. Vejo uma modernidade ainda não compreendida nele. Parece que ainda vai chegar o tempo que o álbum vai ser devidamente reconhecido. É um disco perfeito. O único defeito é a sua curta duração, pois você já se empolga com a leitura modernizada do clássico Brasil Pandeiro, escrita por Assis Valente em 1940 e pouco depois de encerrar o álbum fica o gostinho de quero mais.

O álbum, com instrumentais arranjados por Pepeu Gomes e Moraes Moreira, é cheio de ousadias. Se a gravação do clássico do baiano Valente tirou o traço de antiquado da canção, temos no variadíssimo cardápio sonoro do álbum várias músicas seminais que ainda soam bem atualizadas quase 50 anos depois. Como se o álbum tivesse feito para ser ouvido uns 10.000 anos depois.

Temos a belíssima Preta Pretinha e sua estória de conquista fracassada passada em Niterói (cidade aonde ainda moro e onde nasceu um dos integrantes do grupo, Baby Consuelo) na letra e com a sua melodia interessante que mistura o som de Dodô & Osmar com um tipo de modinha. 

É o maior sucesso do disco e marcou a carreira de Moraes Moreira, que cantou inúmeras vezes em sua carreira solo. Lembrando que Preta Pretinha são baianos (+ uma niteroiense) cantando sobre Niterói, e isso tem muito a ver comigo, já que estou com planos de sair de Niterói para voltar a morar em Salvador, plano interrompido pelo tal do coronga.

Àlbum para ouvir sem pular faixa

Mas o álbum tem mais ousadias, numa mistura que resultou num coquetel homogêneo entre várias vertentes do rock da época e diversos gêneros brasileiros, sobretudo do Rio de Janeiro e da Bahia. É um álbum para ouvir sem pular faixas, pois além da genialidade e inteligência, há a alegria em todas as faixas, com ritmos, harmonias e arranjos que combinados, soam contagiantes. 

A faixa Tinindo Trincando, com vocal de Baby, segue estilo meio parecido com que Gal Costa fez no início de carreira, com arranjos que lembram um Pink Floyd de Syd Barrett mais carnavalesco. Aliás é impossível não se lembrar da Tropicalia ouvindo esta faixa, considerando que os Novos baianos seriam continuadores tardios do movimento dundado por Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Swing do Campo Grande (nome tanto de um bairro do Rio de Janeiro, como o de um bairro em Salvador, com características muito diferentes), que destaca pela gíria "viro Moita" para "passar despercebido". A música é bem influenciada por João Gilberto, uma espécie de padrinho ou paraninfo do grupo de hippies malucos que gravou o álbum, só que numa versão mais empolgada, sem a calma típica do bossanovista.

Tem a faixa título com letra sem pé nem cabeça, o que sugere que foi composta a base de drogas alucinógenas, com um estilo que lembra as músicas mais lentas dos Tribalistas (a letra parece ter sido escrita por Arnaldo Antunes, especialista em letras meio doidas). Mais influência de João Gilberto, desta vez reconstituindo o clima de calma matinal do bossa novista. 

Mistério do Planeta lembra as músicas que Gilberto Gil gravava nos anos 60 e termina com solo de guitarra, combinado com forte bateria, em arranjo que lembra o rock progressivo dominante na época. Para mim, a mais ousada do álbum, além do rock-baião instrumental Um Bilhete para Didi.

A Menina Dança, cantada por Baby, serviu para criar o estilo que marcaria a carreira solo da cantora niteroiense, que mudou seu nome de "guerra" para Baby do Brasil e é evangélica, e por causa disso vive, infelizmente, renegando seu passado. A influência do início de carreira de Gal Costa é ainda mais explicita nesta faixa, embora a voz de Baby seja muito diferente de sua inspiradora de estilo.

O álbum tem o samba carioquizado Besta é Tú e uma reprise de Preta Pretinha, em uma versão mais curta. Creio que a faixa de encerramento seria uma forma de tornar Preta Pretinha mais adequada a tocara nas rádios, já que a primeira versão tem quase sete minutos, considerada longa demais. s|e bem que hoje, quando as rádios tocam a música, já tocam em sua versão mais longa, bem mais bonita.

E como eu disse, ao encerrar o álbum, fica um gosto de quero mais. Uma vontade de ouvir de novo. Para escrever este texto, ouvi duas vezes o álbum, que apesar da banda ter sido formada por um bando de hippies bagunceiros, foi muito bem produzido, arranjado e realmente mereceu o título de obra prima definitiva da música brasileira, tida por muitos como o melhor álbum da música brasileira.

Apesar de termos inúmeras obras primas na historiografia musical brasileira, ouvindo o álbum, é impossível de discordar de muitos críticos. Acabou Chorare é, senão o melhor, um dos melhores álbuns, não somente do Brasil, mas também do mundo.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Esquerdas querem mudar o mundo apenas na política e na economia. E o resto? Fica na mesma?

Esquerdistas brasileiros vivem dizendo que querem mudar o mundo. Mas isso é papo furado. No Brasil, a esquerda é conservadora. Menos que a direita, mas ainda conservadora. Até porque brasileiros são conservadores. E a esquerda brasileira é acima de tudo... brasileira!

Até as vidas particulares de esquerdistas mais conhecidos é bem conservadora, seguindo rigorosamente todo o roteiro imposto pelo sistema capitalista: se empregar, casar, ter filhos, se reunir em bares, ter uma religião, ter um time de futebol, carro, celular, cachorro, etc. Exatamente conforme o manual escrito pelo grand mondé e divulgado amplamente pela mídia corporativa.

É nítido que o desejo de mudança se limita a assuntos relativos a economia e política. Até assuntos sobre causas identitárias estão vinculadas a estes aspectos. Porque nos costumes sociais, não se vê um único esquerdistas propondo mudanças radicais que possam realmente transformar a realidade.

O apego a valores tradicionais, considerados positivos é um sintoma bem evidente do conservadorismo esquerdista. Gostos, hábitos, a função de cada pessoa na sociedade. Tudo permanece como há 100 anos atrás, com raríssimas alterações. Muito mais atualizações do que alterações de fato. Para muitos, manter estes valores é manter a essência humana.

Isso acontece também pelo fato de vários políticos, jornalistas e influenciadores de esquerda serem de classe média alta (classe média, segundo o sociólogo Jessé Souza). Esta classe é tradicionalmente conservadora e por viver com um certo conforto, acredita que uma mudança de mundo lhe forçará a abrir mão deste conforto. Por isso, nunca mudam.

Eu tenho uma tese bastante polêmica. Claro que isso é um assunto que merece ser amadurecido, portanto não vou me aprofundar nisso agora. Mas acho que o Brasil não tem esquerda. A esquerda é o verdadeiro centro. A direita moderada, que se acha "centro" é a direita moderada. A extrema direita é esta aberração que estamos conhecendo agora através de Jair Bolsonaro. 

E a verdadeira esquerda brasileira? Aonde, meu filho? Esquerdas deveriam desejar mudanças. Não se muda um sistema aos pedaços. Ou muda-se tudo, ou mantém-se como está. Não seria nada mal os esquerdistas brasileiros se assumirem como centro. Talvez desta forma possam se proteger melhor das agressões dos ignorantes de extrema-direita, que vêem Esquerdismo até no vácuo.

Mudanças? Somente na política e na economia

Para quem estuda e se informa de fato, sabe que os governos do PT nunca foram socialistas. Praticaram o Capitalismo de Maynard Keynes. Um Capitalismo menos agressivo e que tenta ser justo com os mais humildes, garantindo pelo menos o que é necessário para uma vida com dignidade. Eu estudei Keynes e posso confirmar isso.

Mudanças feitas aos pingos não são algo bom. O fato de Lula nada ter mudado de forma explicita deu uma ilusão de que nada mudou, fazendo com que sua gestão fosse atacada. Como as mudanças não foram evidentes, ficou a impressão de que Lula estava enganando a todos - o que foi reforçado pela mídia corporativa - pois as mudanças realmente feitas não eram aparentes.

Mas Lula não estava enganando. Apenas estava realizando as mudanças que pretendia fazer. Mudanças políticas e econômicas. Mesmo as mudanças sociais perceptíveis estavam vinculadas a estes dois aspectos. Pois continuávamos - assim como continuamos - com os mesmos gostos, os mesmos costumes, as mesmas crenças e as mesmas formas de nos relacionar. Exatamente como os capitalistas brasileiros estipularam no começo do século XX. 

Brasileiros odeiam grandes mudanças. Sabendo disso, porque os esquerdistas brasileiros desejariam mudar? Distribui-se renda, coloca-se esquerdistas no poder. E só, somente só. O resto, deixe como está. Para que a direita possa um dia reclamar o seu lugar no poder. 

Até porque, mesmo com a esquerda em campo, é a direita que faz as regras.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Pearl Jam lança o álbum que pode ser o melhor de 2020

Apesar da música estar dominada quase hegemonicamente por pós-adolescentes dançarinos e suas músicas vazias de conteúdo em apresentações cheias de dançarinos em climas de pseudo-erotismo - para um público menor de idade? - e rappers mais recentes de hip-hop, quando o gênero se encontra em franca decadência, há espaço, mesmo escasso para a música de qualidade.

Ano passado, muita gente não soube, mas vários artistas sérios lançaram bons álbuns. O Dr. Google lhe ajudará a saber e conhecer os excelentes álbuns de 2019. Este ano, com o isolamento, parece ser uma época boa para se preocupar em gravar mais do que se apresentar - se bem que shows caseiros pela internet ten feito muito sucesso - tendo a oportunidade de gerar novos álbuns.

Este ano, antes da chamada quarentena, foi lançado o novo álbum da banda estadunidense Pearl Jam, oriunda do chamado "movimento grunge". Apesar de surgida no movimento, a Pearl Jam nunca foi de fato grunge, tendo a sua originalidade mais a ver com a necessidade de atualização do rock básico dos anos 70. O álbum que a banda lançou anos atrás em parceria com o cantor canadense Neil Young serve de confirmação para este fato.

O tal álbum da banda, Gigaton (Republic/Universal Music), é um oásis no mar de mediocridade sonora dominante. Empolgante, alegre em alguns momentos e reflexivo em outros, consegue passar para os dias de hoje o espírito do verdadeiro rock. Ouvindo o álbum, dá até para concordar com aqueles que defendem a tese de que o rock não morreu. 

Há tempos não ouvia algo tão agradável que pudesse ser produzido nos últimos anos. É bem variado, evitando o risco do álbum parecer chato para uma juventude que não quer mais saber de rock, principalmente tocado por gente com mais de meio século de idade. Por falta de tempo - escrevo este texto durante um trabalho caseiro - e para não alongar o texto, não analisarem faixa por faixa. Cada um que faça a sua análise durante a audição.

Gigaton é muito melhor que o já excelente Ten (Epic/Sony Music), de 1991, que catapultou a banda para a fama. Motivo suficiente para despertar curiosidade para a audição do álbum. O álbum é bem melódico e o peso sonoro, apesar de presente, está equilibrado com as outras qualidades do álbum. Até mesmo uma canção de ninar - sem pieguice e bem bonita - Buckle Up, está no álbum.

Parabéns a Eddie Vedder e sua turma por ter lançado um álbum perfeito, que na minha opinião pode ser o melhor de 2020. A experiência conquistada em torno de 30 anos de atividade e o acerto em beber em fontes certeiras, como o bom rock clássico dos anos 70 ajudou muito na qualidade deste ´-album, feito para ser ouvido sem pular faixa e repetidamente. Maravilhoso! Arrume um jeito de ouvir. 

Pra quê tanto feriado?

Brasileiro é um povo interessante. Adora feriado e quer ainda mais, ao invés de reduzir a carga horária daquilo que eles chamam de trabalho (que na verdade é emprego - trabalho é qualquer atividade que produza algo), onde passam a maior parte da semana se dedicando a satisfazer chefe e clientela. O ideal que trabalhemos em nossos empregos apenas um turno por dia, com outra pessoa completando o mesmo serviço em outro turno.

Mas como brasileiro detesta lutar pelos seus direitos, sendo ao mesmo tempo um povo submisso, medroso e preguiçoso, aceitam de bom grado a carga excessiva que lhe impõem e preferem escolher que alguns dias fiquem o dia inteiro sem fazer nada de importante (se ao menos se dedicassem os feriados a algo que lhes pudesse desenvolver suas qualidades até seria bom, mas nem isso). Esses dias onde o cidadão se dedica para fazer porra nenhuma se chama "feriados".

E brasileiro adora feriado. Povo infantil, que se recusa a melhorar seu intelecto (embora adore ser chamado de "inteligente": elogios falsos são o "ouro de tolo" dos brasileiros), quer brincar e muito. Mesmo que sejam brincadeiras de adulto. Tudo bem que ninguém pode ser sério sempre, mas para não ser sério precisa ser idiota?

Everything is silent and grey

Eu detesto domingos e feriados. Aliás detesto qualquer coisa que lembre o vazio, o nada. Tenho mais medo do nada do que da morte. Em casa sempre procuro preencher as coisas, evitando qualquer vácuo. E o feriado é o "Dia do Vazio". Ruas vazias, comércio fechado, serviços parados e nada, absolutamente nada para se fazer. É um dia bom para quem quer passar dormindo. E é um dia muito triste pelo tédio e pela solidão tradicionais em feriados, domingos e dias parecidos.

Por isso mesmo o pior dia da semana para mim é o domingo. O que é um domingo senão um feriado obrigatório que temos que encarar a cada semana?

Feriados são bons para quem tem uma vida social intensa, pois os amigos  - incluído uma bela mulher que algum sortudo tenha o direito - fazem o pepel de "brinquedo", oferecendo emoções baratas (cheap thrills) o preguiçoso cidadão, que prefere pausas esparsas do que lutar para trabalhar menos todos os dias.

O ruim dos feriados é que você tem tempo livre para fazer algo importante, mas não pode porque está tudo fechado. Não posso ir a uma biblioteca* ler um bom livro, porque ela não funciona. Não posso comprar o que eu quero por que a loja que tem este produto está fechada. 

Os feriados e domingos são na verdade os dias que escolhi para atualizar blogues, pois nem para ler notícias na internet dá, pois boa parte dos sites diminui drasticamente suas postagens nesses dias. Como nada tenho mais a fazer, estou a escrever estas coisas que vocês muitas vezes se recusam a ler, já que os brasileiros só gostam de ideias estabelecidas, que sejam defendidas ou por uma maioria, ou por pessoas de prestígio, não de um Zé Ninguém como eu. E cultuar feriados como algo salutar, é uma dessas ideias estabelecidas.

Vou levando essa vida assim, pois não tenho o poder de mudar as coisas, embora tenha o discernimento que os poderosos e seus seguidores não tem e não querem ter. Enquanto utilizamos nosso tempo livre para bobagens, continuamos cada vez mais submissos aos "líderes" que nos escravizam para as suas vontades particulares, pois eles lucram e muito com a nossa inércia e o nosso fascínio pelo fútil e inútil.

De qualquer forma um bom feriado a todos. E que aprendam  a utilizá-lo de forma mais produtiva possível.

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* NOTA: Brasileiro odeia livros. E a mídia e as autoridades se aproveitam desta característica para estimularem ainda mais isso, sabendo que povo burro é mais submisso. A prática mostra que está tática está sendo bem sucedida. Livros caros, bibliotecas e livrarias que além de serem escassas em cada cidade - interessante, em cada cidade há poucas livrarias e bibliotecas, mas muitas igrejas e muitos bares - que só funcionam quando todos estão trabalhando, entre outras medidas, servem para afastar cada vez mais o povo de uma leitura saudável que possa lhes abrir a mente. E com isso tudo fica como está, estagnando nosso desenvolvimento e mantendo as injustiças e os problemas intactos que vão sendo passados como se fossem uma bomba prestes a explodir.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Sobre o preconceito dos esquerdistas brasileiros contra os homens solitários

Pelo jeito não vai parar o equivocado preconceito criado pelas esquerdas para estigmatizar os homens solitários. Composto de pessoas muito bem casadas, ou com relacionamentos mais do que estabilizados, todos iniciados em condições extremamente favoráveis, com nível de facilidade extremamente positivo, as esquerdas criaram um ponto de vista peculiar sobre a vida afetiva.

Nesta situação, fica complicado entender a solidão inalcançada. Fácil é estereotipar quem não se encontra nesta feliz condição, tachando através de rótulos ofensivos (como InCels, por exemplo. Vários esquerdistas passaram a achar que a dificuldade que muitos homens tem de conquistar suas companheiras, graças ao número de regras e a sua rigidez que transforma o processo de conquista num verdadeiro cassino.

As regras, que sempre foram rígidas, ganharam maior rigidez nos últimos tempos, não apenas pelas campanhas anti-assédio que limitam lugares e situações de paquera (como nos maravilhosos e "democráticos" bares e boates, como se mauricinhos embriagados fossem mais confiáveis que míopes losers que vivem se escondendo em bibliotecas, lendo imensos livros.

Nunca foi tão difícil conquistar uma mulher como nos últimos anos. A limitação de lugares e situações tem feito com que aumentasse a quantidade de homens solitários, que se encontram em um estado de desconfiança mútua em relação às mulheres. 

Isso se não levarmos em conta que a maioria das pessoas está comprometida, principalmente as melhores que serviriam como parceiros ideais para os que sobraram. É preciso destruir de uma vez por todas o mito terraplanista de que a maioria das mulheres adultas está solteira e que estas são as melhores. Dois fatos importantes precisam ser levados em conta:
- A melhor faixa etária para se iniciar um relacionamento está entre 15 e 25 anos, quando as opções ainda são fartas e variadas;
- Quem chega primeiro pega o melhor. No namoro isso também acontece, o que prova que as melhores mulheres, seja em aparência ou personalidade, estão muito bem casadas.

Nem mesmo os aplicativos de namoro tem servido para reverter a situação. Sem opções plausíveis (lembram que eu disse que as melhores estão casadas? E as piores? Adivinhem onde estão!) e com um sistema de uso que limita lugares (só se pode conhecer quem mora na mesma região) e funcionalidades, esses aplicativos só servem mesmo como brincadeira para quem nada tem a fazer, como um videogame.

Os esquerdistas, acostumados a uma ensolarada e florida facilidade de conquista amorosa, todos enfiados com o pé na jaca de seus relacionamentos estabilizados, ignoram estas dificuldades e entenderam que homem que permanece solitário é nazista e merece a solidão que tem, pois nada fizeram de corajosamente heroico para ir atrás de uma mulher para se relacionar. 

Mas como fazer se as condições não são favoráveis? Opções escassas, regras rígidas, falta de confiança, medo de errar, entre outras características de um mundo injusto em todos os setores. Impossível a conquista amorosa ser justa em um mundo injusto. 

Para piorar, além disso tudo, não contar com nenhuma ajuda e ainda ser vítima de preconceito por quem costuma ser altruísta em política e economia? Como ficar tranquilo numa situação como esta, sem soluções perceptíveis? É como estar numa sala fechada onde as paredes se movem para esmagar seu ocupante, sem que ele pudesse gritar para pedir para parar aquelas paredes móveis.

Realmente, os homens solitários se encontram em uma situação em que somente eles, e cada um deles pode resolver. No mundo machista, os homens devem ser valentes e romar a iniciativa para sair do sofrimento. Na vida amorosa isso não é diferente. Mesmo que as condições não favoreçam.

domingo, 19 de abril de 2020

Comportamento de bolsonaristas é coerente com a religiosidade. Esquerdistas que tomem cuidado!

Hoje, aconteceu o que eu considero a manifestação extrema da consequência de sempre termos esnobado as coisas do intelecto em detrimento da fé cega: os protestos de bolsonaristas pelo fim da quarentena. Um protesto que chegou ao extremo da estupidez: impediram o funcionamento de hospitais, estando na porta destes, fazendo um estrondoso barulho. 

Para os bolsonaristas, a doença Covid-19 não existe e as mortes, mesmo em números impressionantemente maiores, ocorrem por causa da gripe rotineira e outras causas mais comuns. O que justificou a escolha de hospitais como lugares de protesto, após as reuniões de bolsonaristas terem sido marcadas em quartéis do Exército.

Lançaram a tese maluca de que a quarentena é obra para instalar uma "ditadura comunista"a colocar favelados, gays, negros e mulheres no poder, supostamente prejudicando os"cidadãos de bem" de classe média alta, estes supostos "patriotas e amantes da democracia". Patriotas que amam mais os EUA e Europa que o Brasil, sempre desejando ir para lá, "metrópoles da civilização", nas férias.

A polarização iniciada há cerca de sete anos no Brasil e estabilizada desde o Golpe de 2016, tem mostrado a ganância, o sadismo e o preconceito de nossas elites e da classe média que a bajula. Elas sonham com um Brasil somente para elas e já não tem mais medo de mostrar que desejam a morte do resto dos brasileiros, para eles sub-humanos que só existem para "atrapalhar o progresso do país".

Mas porque a possibilidade de haver em pleno século XXI gente que pensa de forma tão medieval? A única explicação que encontro vai doer em boa parcela dos esquerdistas brasileiros, que agem de forma semelhante sem saber, embora não sejam sádicos como mos bolsonaristas: a fé religiosa.

Sim, a fé religiosa é que permite loucuras deste tipo porque coloca a crença no lugar da racionalidade, permitindo a aceitação de contradições e a confusão entre mundo real e mundo virtual. A religiosidade permite que desliguemos os nossos cérebros durante um tempo, exaltando teses sem sentido e exaltando seres cuja existência nunca foi comprovada. É um tipo de "boa loucura", socialmente aceita como algo normalíssimo.

Esquerdistas religiosos devem tomar cuidado com a sua fé

Mas um aviso às pessoas, que ultimamente andam muito religiosas por causa do isolamento que as obriga, em desespero, recorrer a seres imaginários e estórias mirabolantes: a religiosidade permite delírios como o manifestado pelos bolsonaristas. 

As chamadas teorias conspiratórias se parecem muito com dogmas religiosos e não há nada mais religioso do que negar fatos reais e acreditar em teses absurdas como se estas fossem a verdadeira realidade. A confusão entre o real e virtual, foi reforçada pela internet, mas existia desde os primórdios da humanidade.

E nem venham as pessoas boas, que não são bolsonaristas de tentar separar religião desses delírios, tentando criar uma falsamente indissolúvel associação entre religião e bondade. Bondade não depende de fé religiosa, mas do respeito aos direitos alheios. Por outro lado, quem ler a Bíblia do começo ao fim vai perceber estórias de violência inimaginável e de crueldade que ultrapassa aquilo que definimos como sadismo.

O conselho que eu dou para quem não é bolsonarista e ainda acredita na civilidade e no respeito alheio: minimizem a sua fé, trancafiando em suas igrejas, centros e templos. No mundo real, prefiram usar a racionalidade, pois o cérebro, este imenso computador existente dentro de nossas cabeças foi criado para muito mais funções do que simplesmente pesar as nossas cabeças.

Se colocarmos a fé acima da razão, vamos enlouquecer como os bolsonaristas. E os esquerdistas são capazes de serem tão loucos quanto bolsonaristas, algo que foi e ainda é manifestado em várias oportunidades como naquela idiotice de dizer que o PTinder funciona após um casal ter sido formado por dois esquerdistas que se conheciam pessoalmente há anos, dispensando o tal aplicativo inútil para iniciar seu relacionamento. Não é cruel, mas é puro delírio.

Bom lembrar que, além do fato de bolsonaristas serem religiosos - tão quanto os esquerdistas que se assumem como tais - agem em nome do Deus em que acreditam e sonham com uma teocracia, cujo repertório de moralidade seja imposto pelas religiões que seguem. 

Esquerdas, joguem a fé para segundo plano. Não é hora de ora e louvar. É hora de agir e lutar. Se priorizarmos a fé, vamos acabar igualzinho aos bolsonaristas, delirando ao colocar nossas convicções no lugar do mundo real, com cada um criando seu mundo particular e impondo ao outro como realidade fática, chocando com outros "mundos", resultando nessa loucura que arruína o nosso verdadeiro mundo real. Não há loucura que seja sadia e inofensiva.

sábado, 18 de abril de 2020

Aplicativos de namoro são apenas joguinhos. Pessoas normais continuam conquistando presencialmente

Acredito que as pessoas que foram aconselhadas a usarem aplicativos de namoro aos poucos vão percebendo que estão sendo feitas de otárias. Com gigantesco número de casais formados pelos modos tradicionais, fica a impressão de que esse negócio de aplicativos de namoro é coisa para perdedores. 

Na verdade, esses aplicativos em nada ajudam. A própria configuração não favorece a interação entre os usuários. Na verdade é uma forma para os administradores destes aplicativos de ganharem muito dinheiro com o grande número de inscritos. Afinal, não vivemos em um mundo altruísta e em tempos apocalípticos, cada um está cuidando de si.

Observando atentamente o funcionamento deste tipo de aplicativo, se chega a conclusão de que não passam de meros joguinhos em que você olha a foto de alguém, aperta "gostei" ou "não gostei". Se alguém que você gostou apertou "gostei" em alguma foto sua, dá "match" e você ganha o jogo. Só isso, pois o aplicativo não favorece o contato fora do mesmo.

Outro problema deste tipo de aplicativo é que não lhe dá a oportunidade de você verificar o perfil da pessoa antes de conhecê-la, salvo exceções. Não há um formulário obrigatório e a maioria dos usuários nada escreve em seus perfis ou suas informações são insuficientes para mostrar quem ele é. Tudo é limitado na observação de fotos, baseado no mito de que namoro se escolhe pela aparência.

O risco de se decepcionar com alguém é altíssimo, principalmente para quem tem personalidade e se recusa a seguir a manada da vida social (esta entusiasta da trindade futebol-cerveja-religião e cumpridora rigorosa do roteiro de vida imposto para a vida adulta). Brasileiros são educados a seguir a maioria e não é comum ver algum ter gostos e ideias próprias, sem seguir a maioria.

Aliás, a grande maioria dos normais sabe muito bem que namoro se conquista presencialmente, indo em direção do pretendente. Seja através de ajuda de amigos em comum, sejam colegas de trabalho ou de estudo, sejam vizinhos, seja nas festas, etc., a maioria dos relacionamentos não se inicia nos aplicativos de namoro.

Este é o caso em que a adesão à tecnologia não significa vantagem e muito menos status. Os benefícios da vida amorosa se sentem presencialmente e presencialmente deve ser a forma a iniciar. Deixemos os aplicativos aos trouxas se inscreverem para dar dinheiro aos seus criadores. Se nós, solitários olharmos ao redor, vamos perceber que estamos sendo feitos de trouxas. Se não bastasse termos perdido nossas oportunidades de ouro na vida afetiva...

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Millennials estadunidenses só gostam de hip-hop e desprezam músicas antigas

Há um mito que os brasileiros acreditam que diz que os estadunidenses são um povo evoluído e altamente intelectualizado. Falso. O fato de ser uma potência militar e ainda dominar na economia mundial, os Estados Unidos deixam muito a desejar em intelecto. 

Mesmo impondo a sua cultura ao mundo todo, ela, atualmente, costuma ser falha, ruim e ilude através da pompa, esta confundida como "atestado de qualidade".

Mesmo que em outros tempos a cultura estadunidense tenha tido melhor qualidade, a música comercial nos EUA teve um gradativo e inevitável ritmo de piora desde o fim dos anos 60. Hoje, o que se chama de "cultura norte-americana" é péssima e tem como base a pior fase do hip-hop.

Estranho que o hip-hop passou por uma mudança brusca e repentina para pior no início dos anos 90. Saem o excelente e divertido estilo consagrado por Sugarhill Gang, Grandmaster Flash e Kurtis Blow e entra o toast monocórdico de Snoopy Dog, Jay Z, Kanye West e uma cacetada de imitadores destes, com os nomes mais estranhos do mundo. 

Esta forma monótona - e odiosa - de fazer hip-hop ganhou muita popularidade e se tornou hegemônica na cultura estadunidense desde então. 95% do que é produzido para jovens hoje nos EUA toma como base o ritmo preguiçoso e as danças grotescas do hip-hop. E os jovens adoram.

O que faz a popularidade deste estilo de qualidade mais que duvidosa, é a catarse. Catarse é quando a pessoa sente necessidade de desabafar por meio da manifestação de instintos. Sexo e violência são muito usados neste tipo de música através das danças que unem uma pseudo-sensualidade com uma certa grosseria agressiva típica do gangsta rap, estilo que deu origem ao hip-hop atual.

Nascidos em um mundo sem certezas, do contrário das gerações anteriores, os jovens não tiveram tempo - e nem foram educados para isso - para desenvolver o gosto por coisas mais suaves, melódicas e sensíveis. O lazer, manifestação principal da cultura atual, se tornou uma forma de desabafo, de exalar uma espécie de ódio controlado contra problemas insolúveis e em seus causadores.

Isso justifica uma certa agressividade nas danças. Jovens mulheres, brancas e bem vividas, que dançam hip-hop como se fossem negões do gueto, são um bom sintoma do que acontece hoje em dia. A raiva, mesmo controlada, se tornou um meio de extravasar que acaba agradando muito bem a uma juventude desacostumada a amar e a exaltar o belo e o meigo.

O hip-hop atual tem esses ingredientes catárticos e por isso se tornou hegemônico no gosto dos jovens nascidos a partir de 1990, conhecidos como "millennials". Isso explica a adesão maciça de jovens ao hip-hop pós 1990 e em gêneros derivados. 

Desprezo por tipos de música mais antigos

Para estes jovens, o mundo se divide em AM/DM (Antes dos Millennials, depois dos Millennials). Quase tudo que existiu na cultura antes de 1990 (exceto o que for influente para o que os millennials ouvem, como Michael Jackson, altamente influente no hip-hop atual e fundador do costume atual dos concertos musicais de terem mais de 300 dançarinos no palco) não interessa, principalmente se não conter os elementos catárticos procurados pela juventude.

É perceptível o desprezo que os jovens dão a tudo que surgiu antes deles nascerem. Casos como o daquela jovem atriz de Every Witch Way, que adora rock alternativo inglês dos anos 80 são raríssimos. A música surgida antes de 1990, mesmo as mais catárticas, não possui aquilo que os jovens de hoje esperam. Os jovens de hoje se identificam muito com rappers mais recentes e é deles que esperam algum tipo de alento.

Mesmo compreensível, é impressionante o desprezo dos jovens pela música mais antiga, mais ainda se ela tiver mais qualidade e menos popularidade. O próprio estilo de vida dos jovens atuais não estimula o inteleto e a sensibilidade durante o lazer e por isso torna a maior parte dos jovens incapazes de entender e de gostar de algo que seja mais intelectualizado ou mais poético.

Por isso o desprezo por produções mais antigas na música e a adesão incondicional ao hip-hop produzido a partir de 1990, inspirado no gangsta rap e com o repentismo mais baseado no toast jamaicano do que nos antigos rappers estadunidenses (tipo Sugarhill Gang). O violento e pornográfico hip-hop americano parece ter mais a dizer para jovens insensíveis e incomodados.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Progressistas na política, na economia e nos direitos humanos, esquerdistas brasileiros são conservadores na cultura, no lazer e na maneira como as pessoas se relacionam

Na vida adulta, você se casa e deve ter filhos. É recomendável que você tenha uma religião, uma crença para seguir. Para se divertir, seu lugar é o barzinho e você tem que ter um time de futebol no coração. Você terá que consumir, ter pelo menos um carro, um celular e uma casa de preferência bem grande. A música que você terá que ouvir é a que seus amigos curtem e no cinema o procedimento deverá ser o mesmo. Durante o lazer você deverá relaxar e pensar o menos possível em política e em intelectualidade.

Leu o texto acima? Achou que era um texto de direita? Pode até ser. Mas a esquerda brasileira segue exatamente este roteiro. Ipsis Literis. Mesmo que haja algumas diferenças, como incluir pobres, negros e gays neste roteiro, é um projeto a ser seguido de forma rigorosa, sem alterá-lo.

Progressistas nos assuntos que envolvem política, economia e direitos humanos (este até certo ponto), as esquerdas brasileiras são conservadoras quando se trata de cultura, lazer, religião e na forma como as pessoas se relacionam. 

O mais incrível não é apenas o fato dos esquerdistas serem conservadores nestes assuntos. Mas o rigor que as esquerdas tem em manter este roteiro inviolável. O roteiro é seguido com um rigor constitucional, como se existisse uma lei leonina que o estipule.

Isso explica o motivo que faz com que as esquerdas brasileiras não tenham espírito de ruptura, sendo condescendentes até mesmo com o Capitalismo. Há esquerdistas que desejam a manutenção do sistema capitalista, apenas o tornando um pouco mais justo. Lula e o jornalista e engenheiro Leonardo Stoppa pensam desta forma. Mesmo que o Capitalismo não permita de fato uma justiça plena e um bem estar a literalmente todas as pessoas.

Mas mesmo que a maioria dos esquerdistas sonhem com o fim do Capitalismo, o conservadorismo é nítido e explícito nas relações humanas. Adultos gostam de seguir rituais e a vida adulta exige um roteiro fixo a ser seguido por 90% das pessoas. 

Casar, ter filhos, religião, carro, bar, futebol são coisas que os adultos se sentem obrigados a fazer, mesmo por decisão própria. A obrigatoriedade voluntária (quando a própria pessoa decide cumprir uma obrigação, sema existência de alguma ordem superior) é um fato real que ainda não se tornou tema de debates no Brasil, mas é um fenômeno digno de ser estudado.

Como a obrigatoriedade voluntária, apesar do rigor como ela é cumprida, é inconsciente ( a pessoa adere como uma estranha naturalidade, como se fizesse parte da biologia humana), é complicado para pedir uma pessoa para explicar o porquê da adesão a certos costumes. Quase sempre as explicações chegam em forma de wishful thinking (pensamento desejoso) ou outras formas subjetivas de justificativa, sempre usando suposições e não fatos.

Ou seja, para as esquerdas, são costumes biológicos e por isso, irrecusáveis. O que permite aos esquerdistas continuarem acreditando no seu anti-conservadorismo, mesmo tendo costumes conservadores. Afinal, se não vamos ao bar, nos divertiremos aonde? Sem o futebol, como vamos nos orgulhar de nosso país? Sem filhos, para quem vamos deixar nosso patrimônio? E por aí vai.

Esta crença no suposto caráter biológico de certos costumes faz com que os esquerdistas continuem se considerando "terrivelmente progressistas em todos os setores da humanidade", como se manter certos hábitos e gostos nada tivesse a ver com conservadorismo.

Além disso, para as esquerdas, que também acreditam em estereótipos - embora neguem isso - o conceito de "conservador" ficou muito vinculado ao direitismo e principalmente à extrema-direita. Ignoram que "conservadorismo" é o ato de querer conservar as coisas. 

Frequentemente vemos esquerdistas defendendo costumes tradicionais, como futebol, religião e bebida alcoólica, por exemplo, nas redes sociais. Como acreditar que estão mudando o mundo defendendo costumes antigos, criados pela direita e integrantes do modo de vida capitalista?

Mas o certo é admitir que as esquerdas brasileiras não são progressistas em tudo. Brasileiros são conservadores. Como brasileiros, esquerdistas brasileiros tem que ser conservadores. Algumas mudanças sociais não são permitidas. Quebraria com o nível de formalidade que a vida social exige e que supostamente organiza uma sociedade diversificada como a nossa.

Mas eu gostaria de ver as esquerdas assumindo seu conservadorismo na cultura, no lazer e nas relações sociais. Para quem não se esforça a mudar o mundo, é bom que saiba que deseja conservar certos costumes, certos conceitos, certas ideias.

Um cenário inimaginável

Muita gente pensa que é brincadeira quando alguém fala que vivemos uma espécie de atualização remasterizada da Idade Média. Guardadas, as diferenças, toda a essência da era medieval foi retomada e podemos brincar com os amigos tentando comparar aspectos de hoje com aspectos medievais, um a um.

Só que não imaginávamos que o retorno a Idade Média incluiria uma praga em forma de pandemia. Confiantes nos avanços da ciência, sobretudo da medicina, não imaginávamos que assistiríamos um numero gigantesco de mortes ocorrendo diante de nossos olhos.

Provavelmente criado como uma arma química na guerra político/econômica entre EUA e China, o coronavírus, transmissor da doença Covid-19, se mostrou a grande surpresa capaz de parar o ano de 2020, já perdido antes mesmo de chegar à metade. 

Arma biológica?

O fechamento de um laboratório de infectologia, em Fort Detrick, de onde o vírus pode ter saído e a contaminação de um atleta militar que esteve nas proximidades do laboratório para depois viajar para a China para uma competição e iniciar ali a contaminação, foram fatos que despertaram muita suspeita, fazendo ter sentido a hipótese do novo vírus, natural, mas manipulado artificialmente, ser uma arma biológica.

Por mais que você não acredite neste fato bem provável, criado como forma dos EUA evitar que a China se torna a maior potência político/econômica do mundo, você tem que reconhecer que é uma doença nova, cujas características ainda são desconhecidas, obrigando a necessidade de isolamento e distanciamento social para evitar contágio.

A Covid-19 é uma doença respiratória de fácil contaminação que possui vários sintomas, a maioria semelhante a uma gripe e que pode matar por insuficiência respiratória. E está matando muito e de forma surpreendente. Fica aqui o insistente conselho para que permaneça em casa, saindo apenas quando necessário. Pelo menos até encontrarem um tratamento e a cura para a nova doença.

Claro que uma pandemia como esta, além de matar multidões, está causando um enorme estrago em vários setores sociais, incluindo a economia. Psicologicamente, o isolamento está fazendo muita gente surtar, mesmo de forma moderada. O ser humano é um ser social e sema vida em grupo, cada um em sua casa, está sendo um sacrifício sem precedentes para muita gente.

E o que virá depois disso tudo?

Não sabemos o que virá após o isolamento. Nem sabemos quando sairemos dele. O que se sabe, é que nada mais será o mesmo e na opinião da equipe deste blog, as coisas prometem piorar, pois num cenário apocalíptico que vem por aí, brigaremos pelo pouco que sobrar, além de aumentar a desconfiança uns dos outros, diante da possibilidade de contaminamos com uma doença fatal.

Tudo isso por caus ada ganância de algumas corporações, interessadas em tirar a China da chance maravilhosa de encerrar o sádico imperialismo estadunidense, que travou por muitas décadas a evolução do planeta e da humanidade. Desde já, a neblina se forma e não sabemos o que virá. Nos preparemos para o pior, pois assim, estaremos mais fortes e capazes, seja qual tipo de consequência se apresentará. nos preparemos.

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