O Brasil não é um país. É um manicômio. Graças ao nosso desprezo pela intelectualidade, somada ao mito de que a fé é a maior qualidade que devemos ter, vivemos em uma dimensão paralela diferente do mundo real. É muito fácil nos iludirmos e definirmos conceitos totalmente diferentes dos verdadeiros.
Isso faz com que certas coisas só aconteçam no Brasil. E vou listar para vocês, lembrando que para muitos brasileiros, estas coisas, além de aceitas como normalidade, para muitos, existe no mundo todo, como se fizesse parte da biologia da humanidade. Várias são aceitas como verdades absolutas.
Vamos a lista de 10 coisas que só existem no Brasil e que nos fazem chacota do resto do mundo, que sabe muito bem que não passamos de um monte de alienados trancafiados em um alegre manicômio. A lista não obedece nenhum critério de ordem.
1) Pátria de Chuteiras
Futebol foi eleito como o chamado "consenso coletivo" do brasileiro e para isso, foi transformado em "orgulho nacional". Algo consagrado, cobrado e repetido ad nauseam pela mídia e pela opinião pública em geral. Transformado em lei máxima, o hábito de torcer é cobrado com impressionante rigor. cada um deve ter um time na carteira de identidade e no enfartante coração.
Torcer por futebol é uma obrigação. No Rio de Janeiro é regra de etiqueta. Para cariocas, é uma ofensa assumir publicamente o desprezo pelo futebol. Quem não gosta, trata logo de comprar seu uniforme e flâmula do América ou do Bangu para não ficar de fora, fingindo gostar de algo que de fato é muito chato para quem se recusa a aderir.
Pode ser que os brasileiros não sejam os únicos a serem fanáticos pelo futebol. Mas são os únicos que confundem futebol com o próprio país. Não raramente, o famoso uniforme amarelado da CBF é usado como símbolo do Brasil, algo que os bolsonaristas, que amam o futebol mais que os outros brasileiros, sabem muito bem.
2) Classe média metida a rica
Embora não tenha nem a fortuna infinita e nem o poder de manobrar mídia e política, a classe média brasileira adora brincar de ser rica. Ganha pouco menos de 10.000 por mês mas quer viver como quem ganha 100 vezes mais.
Claro que não vão poder comprar exatamente o que os maiores magnatas do mundo possuem. Mas dá para forjar, comprando similares. Não chega a ser os produtos falsificados comprados pela "ralezada", mas dá para se contentar com um , por exemplo SUV mais barato e de segunda mão.
Mas mentalmente, a classe média brasileira tem o orgulho típico dos grandes barões. Filhos no exterior, casas imensas (miniaturas de mansões em bairros valorizados de cidades), cachorros (muito mais amados que quaisquer seres humanos, inclusive os membros das próprias famílias), festas ostensivas, roupas caras...
Ah! E aquela ideologia idiota que trata as classes economicamente inferiores como sub-humanos, para o mal e para bem. Já que caridade para eles é dar comida de cachorro e jaula para quem não nasceu com a bunda virada para a lua.
Apesar de arrogante e patriota em relação aos EUA e Europa, a classe média brasileira se esquece que a classe média desses lugares é mais modesta, trabalha mais, e não fica querendo imitar magnata nenhum, tendo um estilo de vida mais parecido com a classe trabalhadora desprezada por estas caricaturas de burguesia.
3) Esquerda Caviar e Namastê
Pior que a classe média brasileira, só a classe média brasileira de esquerda. Com todos os defeitos da classe média brasileira, eles só não tem a incapacidade de compaixão. Até a ganância eles possuem, pois querem do mesmo jeito ter o padrão alto de vida que os faz caricatura da burguesia, iguais a classe média direitista.
A classe média de esquerda dá um excelente show de hipocrisia, falando feito tagarela sobre como melhorar a distribuição de renda, sem mexer um dedo para que isso seja posto em prática. Mas dentro do cotidiano dessas versões mixurucas de Lenin, vemos tudo que existe no estilo de vida sub-glamoroso da classe média direitista, apenas temperada com um pouco de compaixão teórica.
No exterior, a ideologia de esquerda é levada a sério e o desejo de mudanças sociais é real e não raramente radical. Até mesmo mudança de gostos, costumes e convicções são levados em conta, por uma questão de fidelidade ideológica e coerência de classe, algo que as esquerdas brasileiras se sentem confusas para compreender.
4) "Espiritismo" brasileiro
Se há uma coisa que praticamente só existe no Brasil é a gororoba igrejeira conhecida como "Espiritismo" brasileiro. Totalmente diferente do Espiritismo original - que caiu no esquecimento em seu país-matriz, a França - ela se tornou uma versão amalucada do Catolicismo medieval. Pelos seus dogmas, parece ter nascido de um acordo entre o Clero e os bruxos, existentes na Idade Média.
Esta religião doida de dogmas contraditórios e chefiada por um beato esquizofrênico que morreu no dia do futebol, só é seguida no Brasil e por brasileiros isolados em redutos no exterior. Por ser uma religião doida - embora viva dizendo que é científica, da mesma forma que um maluco berra dizendo que é "normal" - ela só poderia ser praticada aqui, pois alienação é o requisito mínimo para aceitá-la.
5) Dia "Mundial" do Rock
É, meu amigo e minha amiga, esta você não sabia! O Dia "Mundial" do Rock só existe no Brasil! E foi criada por uma rádio supostamente roqueira administrada por fãs de dance-music (grupos italianos do tipo Double You, que só faz sucesso no Brasil). De mundial ela não tem nada. A não ser que seja patrocinada pelos supermercados Mundial (cuja versão niteroiense tem quebrado muito o meu galho nestes tempos de coronga).
Curioso que o motivo de escolha da data também não é roqueiro: o início do festival de música Liva Aid, que tinha em seu elenco tipos de música para todos os gostos. Fazendo uma boa comparação, seria como escolher o Dia do Samba se baseando nos festivais de MPB que passavam nos anos 60 na TV Record.
Pior que a data coincide com o Dia do Sertanejo, que hoje em dia não passa de um country-rock malfeito com letras de bebedeira cantadas por duplas de playboys musculosos e tatuados que só viram vacas em verbetes do Wikipedia e pensam que campo é igual a mar (este eles conhecem!). Genial ver duas datas tão imbecis ocorrendo juntas. Falsos roqueiros e breganejos deveriam comemorar juntos a data.
Enquanto isso, no exterior, o gênero, em decadência para a maioria dos jovens, não tem data a ser comemorada, seguindo ainda curtida por pessoas que tem no mínimo 45 anos de idade, salvo exceções.
6) Michael Jackson, a arte em estado puro
De onde tiraram a ideia de que Michael Jackson representa a pureza da arte? Uma ideia que de tão arraigada já virou dogma, como a virgindade de Maria, poucos tem a coragem de enxergar o fato real de que ele representa, pelo contrário, a melhor manifestação do Capitalismo na música, tornando-o de fato, um símbolo do comercialismo musical.
Não apenas a sua obra, que segue rigorosamente as características exigidas pelo mercado fonográfico, controlada por magnatas da indústria e produtores atrelados a estes, como a postura (coerente a alguém que já nasceu produto musical, uma criança contratada para cantar músicas compostas pelos seus patrões), mostram que é uma crença absurda a da perfeição artística tradicionalmente, mas equivocadamente atribuída ao cantor.
A crença é tão arraigada que faz com que os brasileiros fossem o povo que mais chorou a morte de Michael Jackson e a que mais se revolta com as acusações de pedofilia homossexual denunciadas. No exterior, sobretudo nos EUA, que conhecem a peça por dentro, Michael Jackson é só mais um nome da música e seu maior trunfo foi vender cópias e mais cópias de discos. E mais nada.
O culto ao Michael Jackson se parece como uma religião, não só pelo fanatismo, como também pelo costume de colocar crenças no lugar de fatos, criando teorias conspiratórias para tentar embutir qualidades em um cantor que no máximo, nunca passou de um nome mediano do entretenimento.
7) "Funk" Carioca
Falando em Michael Jackson, já que o tipo de música que ele cantava era o funk original - embora seus fãs brasileiros tenham horror em rotulá-lo desta maneira, achando que isso diminuiria a sua importância - vamos nos lembrar daquilo que os brasileiros hoje conhecem como "funk".
O "funk" brasileiro, que lá fora poderia ser rotulado de Miami Bass, é um troço irritante, malfeito, que envolve gente que não entende de música e que usa o vitimismo (??!!) como estratégia de marketing. Foi isso mesmo que eu disse: o "funk" é popular porque os seus nomes ficam como bebês chorões argumentando que a rejeição ao seu barulho irritante é "preconceito contra os mais pobres". Balela!
A origem do rótulo equivocado se dá porque o nefasto gênero nasceu nos mesmos bailes que nos anos 70 e 80, brilhantemente, tocavam as grandes - eram grandes mesmo, com muito membros! - bandas do verdadeiro funk, como Earth Wind & Fire, Kool & The Gang e Barry White, entre outros.
Nem vou mais falar desta desgraça que incomoda mesmo os ouvidos não muito exigentes. Só sei que esta porcaria só faz sucesso aqui e se há intelectuais de meia tigela a defender através de teorias conspiratórias (o "funk" nasceu no Quilombo dos Palmares) é porque estão pagando muito bem para este troço ficar hegemônico tanto na mídia corporativa como na ingênua mídia alternativa.
8) Playboys e mauricinhos que se declaram nerds
Você deve ter ouvido falar do filme Vingança dos Nerds, com um bando de desajeitados, vítimas constantes de formas mais cruéis de bullying, por serem desengonçados e desatentos, muitos inteligentíssimos, alguns autistas, todos com baixa auto-estima, e que lutam com as maiores dificuldades para serem socialmente aceitos. No final do filme, até conseguem ser aceitos, mas após sofrerem muito.
Certo. Agora pegue tudo que você leu no parágrafo anterior e apague de sua mente. No Brasil, o conceito de Nerd é totalmente diferente do estadunidense e chega a ser oposto em alguns aspectos. Nada a ver com gênios desengonçados com dificuldades de sociabilizar.
No Brasil, o conceito mais direto de "Nerd" é o sujeito que adora quadrinhos e cinema de aventura e que conhece informática mais do que as outras pessoas. E só. É este o conceito. Mesmo que esteja fora de forma, vista mal e use óculos, este aspecto deixou de ser algo exclusivo. Já existem galãs, com visual de playboys ou de mauricinhos, que se auto-definem como nerd, com grande número de amigos e vida social mais do que movimentada.
Também a baixa auto-estima, absoluta e frequente no conceito estadunidense tradicional, está ausente na nova definição. Inclusive há nerds neo-nazistas, sádicos e que se acham superiores aos outros, vivendo apenas em prol de sua classe, que finge ser socialmente excluída, mas representa um bom número de pessoas a se assumir como tais.
9) Nazismo à Brasileira
Falando nisso, o nazismo brasileiro é outra coisa peculiar de nosso país. Embora a tendência de grupos neo-nazistas seja, infelizmente, mundial, a forma brasileira é bem peculiar. Para começar, ela não se assume como tal (alguns até jogam os nazistas alemães para o outro lado), por medo de possíveis punições ao ser associada às atrocidades cometidas pela vertente alemã dos anos 30.
Conhecidos como "cidadãos de bem", eles representam a classe média e parte da classe trabalhadora que se sentiu traída pelas esquerdas após anos assistindo mentiras em telejornais que colocavam as esquerdas como uma força incompetente e corrupta, quando fatos mostravam justamente o oposto
Eles não tem um símbolo próprio. Cultuam os símbolos nacionais de forma fútil e tem na camisa da CBF (para desespero dos esquerdistas que acreditam no terraplanismo da Pátria de Chuteiras) seu uniforme de guerra. Odeiam tudo que seja ideologicamente oposto e agem como beatos moralistas, cobrando uma moralidade que seja semelhante aos tempos medievais.
Mesmo não sendo a única manifestação fascista no mundo, é a mais peculiar, a mais criativa em suas características particulares. Foi responsável pela eleição de Jair Bolsonaro, o "Mito", da mesma forma que seu similar alemão era conhecido como "Fuhrer" e seu equivalente italiano, "Duce".
10) Gíria é meu idioma
Brasileiros adoram gírias. Símbolo de informalidade, descontração e simpatia, usar jargões sociais nos fazem pertencentes a grupos e transformam em uma forma de comunicação facilmente aceita.
Uma das má famas que os brasileiros tem é o do uso insistente de gírias, motivo de chacotas no exterior. Até mesmo instituições sérias brasileiras tem usado gírias em algumas peças publicitárias na tentativa de soarem mais simpáticas, agradáveis e atraentes.
Mas é um hábito estranho, raro em outros países e que no fundo mostra nosso caráter de povo irresponsável e meio ignorante, que não enxerga o contexto certo para pensar, falar e agir.