terça-feira, 19 de maio de 2026

Os 40 anos de So, de Peter Gabriel, o melhor álbum dos anos 80

Hoje completam 40 anos do lancamento daquele que considero o melhor álbum dos anos 80 (há quem discorde!), So, quinto album solo do fundador da banda Genesis, Peter Gabriel.

Felizmente, eu pude adquirir o álbum em K7 (readquirido em CD, 9 anos depois) na época,  testemunhando o impacto do álbum durante a sua divulgação.

É um album onde Gabriel usa o gênero art rock com o objetivo de tornar a sua fusão de rock progressivo e world music palatável para ouvidos acostumados com a superficialidade do pop da época.

Mas So, mesmo mais palatável que trabalhos anteriores, continuava sendo complexo, intelectualizado.  A ponto de, por exemplo, optar por um ritmo africano dancante para embalar a canção mais romântica do álbum.

Para arrumar toda esta complexidade, Gabriel contou com o apoio de muita gente, além dos consagrados músicos de sua banda, o baterista Jerry Marrota (hoje fazendo turnê com uma enorme banda tocando canções do Steely Dan), e o meu baixista favorito, Tony Levin, integrande do King Crimson, liderado pelo Robert Fripp, que faz o solo de Solsbury Hill,  do primeiro album de Gabriel.

E olha só que turma: Kate Bush, Laurie Anderson, Stewart Copeland (The Police), Youssou N'Dour, Jim Kerr (Simple Minds), Nile Rodgers (Chic, que era a primeira opçãopara produzir So), entre outros.

O Brasil é representado no álbum,  pois a faixa Mercy Street, uma homenagem a uma poetisa de que Gabriel era fã,  foi parcialmente gravada em um  estúdio na Barra da Tijuca,  na capital do Rio de Janeiro.

So é o perfeito álbum pop, no sentido sofisticado do termo. É acessível pela tentativa de oferecer música inteligente às massas, que não estão acostumadas coisas intelectualizadas. Mas pelo menos Gabriel tentou. Mas os intelectualizados adoraram So.

Hoje lembramos a importância deste maravilhoso álbum que virou a música de cabeça para baixo, numa época onde blushs, plumas, paetês e dancinhas de moonwalk dominavam o cenário musical.

Valeu, Peter Gabriel, por este belo e revolucionário álbum! E ainda assim, um album a ser compreendido apenas em um futuro remoto. Que venham mais 40 anos para ouvirmos So.

sábado, 16 de maio de 2026

Os 60 anos de Pet Sounds, o álbum que mudou toda a música

Hoje é um dia histórico. Completam 6 décadas do lancamento de um dos álbuns mais influentes da história da música: Pet Sounds, dos Beach Boys.

Tudo começou quando o líder daquela banda divertida de surf music, que até então só falava de praia, carros e garotas, ouviu os trabalhos de produção de Phil Spector (este, que mais tarde produziria o álbum Let it Be e álbuns solo de John Lennon e George Harrison).

Brian Wilson, líder dos Beach Boys, ficou obcecado pela qualidade de produção das gravações que recebiam as técnicas de estudio criadas por Spector. Enfiou na cabeça que criaria pelo menos uma música usando tais técnicas, mesmo sem sequer consultar o produtor.

Como a banda estava com shows agendados, escolheram um substituto, Bruce Johnston (que desde  então passaria a ser bastante ativo na banda) e foram para a estrada, deixando Brian isolado nos estúdios para tentar criar a sua obra.

Terminada a turnê, a banda se reuniu para completar o trabalho e o resultado não foi somente uma música,  mas um álbum inteiro.

Eu não me lembro em que ano comprei o álbum em CD. Foi no começo da década de 2000, numa loja que vendia vinhos e CDs que ficava no bairro de Itaigara, em Salvador/BA. Foi um dia gostoso e estava ensolarado, de acordo com o estado de espírito da banda.

Eu conhecia algumas faixas do álbum antes de adquirir,  mas quando eu ouvi, foi uma porrada. Que discaço!

Delicioso de se ouvir e com arranjos e mixagens que ultrapassam a perfeição.

Eu costumo dizer que o único defeito de Pet Sounds é a sua curta duração.  Mas dá para ouvi-lo repetidas vezes sem enjoar.

Finalmente pude entender a importância deste álbum, que é influente até hoje, e frequente nas listas de melhores álbuns do mundo.

Valeu, Brian Wilson! Você quis criar uma canção perfeita, criou um álbum perfeito.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Michael Jackson é patrono do pop coreografado atual

Há uma mania dos brasileiros em tentarem associar a figura de Michael Jackson ao rock, seja pelo considerável número de duetos com nomes do rock, seja por causa de uma música, Beat It, que nem rock direito e por ter batida de tecnofunk, apenas por ter um solo de guitarra, seja pelo forçamento (forçação não existe) de barra em vários fatos de sua vida, que na verdade são tentativas de se associar a etnia branca.

As pessoas parecem que hoje não ouvem música com o ouvido e pouco se interessam pelos bastidores do chamado mundo artístico. O que interessa é a pompa, o arregalar de olhos, o espetáculo. pouco interessa se uma coisa nada parece com o valor com que se quer associar, associa-se e pronto.

É realmente estranho ver que para muitos brasileiros, não apenas do sempre inculto povo, mas também de certos intelectuais da música (a roqueiros que assinam embaixo nos falsos mitos de Michael Jackson), o famosíssimo cantor nascido em Gary, Indiana, seja associado mais com o Iron Maiden do que com o pop juvenil de que ajudu a criar.

Pois Jackson não possui nenhuma característica que o defina como roqueiro. Seu som é o que antigamente se considerava funk. Mas para brasileiros, funk passou a ser outra coisa e muitos dos brasileiros passaram a considerar o antigo funk como "rock de preto" só por causa da presença de guitarristas em suas bandas e de solos de guitarras em suas músicas. Mas se ate baladas chorosas podem ter solos de guitarra...

Mas se ouvimos bem as canções de Michael Jackson e nos lembrarmos de que ele sempre enfatizou a dança - porque não chamá-lo de dance music? É ofensa? - chegamos a conclusão real de que ele inventou o pop coreografado cheios de dançarinos, com shows semelhantes a um cabaret moderno.

Quem ouvir o primeiro álbum dos Backsstreets Boys com muita atenção, vai ver muitas, muitas mesmo, semelhanças com o conteúdo do álbum Bad de Michael Jackson. Britney Spears, considerada a princesa do pop apesar de seu talento questionável, tem som exatamente igual ao de Janet Jackson, irmã de Michael. pelo jeito,  única diferença é que Janet é talentosa e tem belíssima voz. 

Mas porque insistem em chamar Michael Jackson de roqueiro?

Para começar o povão maciço não é intelectualizado. Não está interessado em se aprofundar em nada. No lazer aceita facilmente o que lhe dizem. Ouvem falar em certos conceitos, mas não tem acesso aos verdadeiros exemplos de tal conceito. Ou seja, ouvem falar muito da palavra "rock", mas não conhecem os verdadeiros expoentes do gênero. Por isso tendem a pegar algo mais parecido e associar ao rótulo. É aí que Jackson entra.

Para muitos brasileiros, basta cantar em inglês  ter jovens na plateia para ser considerado roqueiro. Existem até quem acha que o pop coreografado é subdivisão do rock, quando na verdade, o rock é que é a subdivisão do pop. Embora o rock tenha características próprias que o diferem do pop em geral.

Com certeza, Jackson é o nome do verdadeiro funk. Este é o seu verdadeiro rótulo e isso é um fato. Há a ênfase na dança e em seu repertório tem poucos rocks. Chico Buarque gravou muito mais sambas que o número de rocks de Jackson e ninguém chama Buarque de sambista.

Ainda bem que a contemporânea de Jackson, Madonna, deixou bem claro de que faz arte do universo do pop coreografado em sua participação junto com a jovem expoente do pop coreografado, Sabrina Carpenter. Madonna sempre fez um som calcado em influências da black music dançante e poucos reparam nisso.

Os últimos ensaios de Michael Jackson antes de morrer em nada lembravam os de um roqueiro. Ele estava ensaiando com dançarinos. Se estivesse vivo, sus shows também teriam um formato de um imenso cabaret, com inúmeros dançarinos, certamente cantando em playback.

É preciso se informar e perceber melhor as coisas. Michael Jackson e nome do funk, e do pop coreografado, que se relaciona com ritmos que colocam a dança e o visual como foco principal. Forçar a barra em associar Jackson ao rock é sinal de ignorância e falta de informação musical. Ou será que precisamos limpar melhor os ouvidos para ouvir corretamente?

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