sexta-feira, 30 de abril de 2021

Porque continuam a jogar lixo no chão?

As enchentes sempre mostraram como é "legal" jogar lixo no chão. É um monte de tralha se acumulando, acumulando sobre os bueiros, entupindo túneis de esgoto e até impedindo o curso dos rios. E os ignorantes achando que isso nada tem a ver com o lixo que eles jogam nas ruas. Acham que é "a natureza" que decidiu assim. Nada disso. A culpa é do homem.

As ruas de nossa cidade são extensões de nossas casas. Afinal, moramos nas cidades. Numa cidade é que se situa um bairro, que situa uma rua, que situa nossa casa. Ora, onde moramos e circulamos todos os dias também é nossa casa. Vivemos nela e é nela que andamos todos os dias para trabalhar, estudar e se divertir. Porque não cuidar dela?

Aí dizem: "ah, é só um lixinho. isso daqui não vai sujar a cidade." Imagine um milhão de pessoas fazendo a mesma coisa. Imagine um milhão de "lixinhos" espalhados pela cidade. Será que ninguém se manca?

Aí vão acusar prefeitos, governadores e o escambau. Claro que eles são responsáveis pela infra-estrutura. Mas como um trabalho de equipe, a população também deve fazer a parte dela, conservando e evitando sujeira. É muito fácil sujar para depois querer que o outro limpe. E se não der para limpar? 

E os animais que morrem engolindo lixo? Vi um dia, na internet, uma cena triste de uma frágil água viva puxando um monte de lixo (que para ela é pesado) que ficou preso em seus tentáculos. Um pássaro quase morreu engolindo plástico. Quando isso vai acabar?

Vamos todos evitar de jogar lixo no chão, rios ou o que quer que fosse. Lugar de lixo é na lixeira. os pobres lixeiros até estão aí para limpar a cidade mas sujar em excesso é abusar do serviço deles. Vamos colaborar para que haja menos lixo nas cidades.

E mais, nem tudo que a gente joga fora é inútil. Lixo pode ser reciclado. Reciclando, há economia de dinheiro, de matéria prima, há menos poluição e ainda ajuda a sustentar um monte de gente, dando a eles a oportunidade de ter uma vida digna. Reciclagem será a palavra do futuro.

Havendo pouco lixo, os benefícios serão muitos. Experimentem e depois me digam se não foi bom.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Essa bendita Diabetes...

Uma das coisas que aconteceu durante este hiato dos blogues é o fato de eu ter me descoberto diabético. Sim, infelizmente, a Dona Bete me pegou. Estranho que todos os exames que eu fiz antes disso davam açúcar e gorduras normalizados. Há suspeitas de estresse, além do fato de eu ser descendente de diabéticos, na parte materna de minha família.

Está sendo um pouco duro conviver com a doença. Sem falar no cansaço, na perda de tempo e na fome imensa - a sede e a vontade de fazer o "número 1" estão controladas graças a remédios que repõem a insulina - ainda tenho que encarar uma alimentação cara, rara e que costuma ter gosto meio ruim.

Nosso sistema sócio-econômico não é feito para diabéticos, apesar da doença não ser assim tão rara. As indústrias não estão dispostas a transformar toda a indústria de alimentos focando numa alimentação mais saudável, com menos carboidratos. O ideal que toda a alimentação, para qualquer tipo de pessoa, seguisse a mesma orientação da alimentação para diabéticos.

Bom, quem tem a doença tem que se virar para ter alguma qualidade de vida. Eu mesmo tenho que aprender a cozinhar, criando eu mesmo alguma alimentação que seja irrestrita para mim, pois encontrar algo que possa comer sem susto é um desafio muito complicado.

Mas mesmo assim, vou vivendo. Resta o consolo de estar mais "gostoso" como homem, pois meu sangue é puro açúcar. Quem está disposto a provar a minha doçura de pessoa?

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sociedade cria estereótipo para criminosos que pode prejudicar reputação de pessoas introvertidas

Toda vez que acontece algum tipo de atentado cometido por indivíduos (os cometidos por grupos não enfatizam isso) a sociedade, com a ajuda da mídia, sempre enfatiza o fato de que terroristas ou homicidas são pessoas solitárias, tímidas, com poucos amigos e gostos estranhos. Mesmo que isso não seja verdadeiro.

Há um estereótipo de que pessoas solitárias e introvertidas sejam cruéis. A sociedade acredita que pessoas com dificuldade de sociabilização podem se rebelar contra a sociedade que os excluiu ou com os problemas que possui em seu cotidiano graças a dificuldade de se relacionar com os outros.

Isso não é verdade, pois além de existirem criminosos simpáticos, extrovertidos e cheios de amigos, há pessoas solitárias de  boa índole e mente equilibrada que por algum motivo (em geral gostos e convicções) tem dificuldade de sociabilizar, mas sem querer fazer mal a uma formiguinha.

Eu mesmo sou uma pessoa meio fechada. Tenho gostos e convicções diferentes da maioria e como vivemos em tempos de ódio (sobretudo por causa da onda direitista em que vivemos - ideais de direita costumam ser anti-humanos, preferindo preservar patrimônios, valores e instituições), me tornei uma pessoa desconfiada. Mais fácil os outros me prejudicarem do que eu prejudicar os outros.

Por outro lado há criminosos socialmente estabilizados. O desejo de cometer crimes não tem a ver com o objetivo de destruir a sociedade e sim para a satisfação de interesses particulares. A intenção de muitos criminosos é eliminar quem atrapalha seus interesses e normalmente não costumam prejudicar os que não atrapalham, principalmente os de seu círculo social.

Tenhamos cuidado em não criar estereótipos. Observemos as circunstâncias e usemos o bom senso para que não punamos inocentes e libertemos culpados. Estereótipos são marcas que não raramente correspondem a falsos conceitos. Estejamos atentos a eles!

terça-feira, 27 de abril de 2021

"Alguma coisa acontece com meu coração..."

Este retorno dos blogues está sendo marcado por uma série de mudanças. Mas nenhuma delas é tão marcante quanto a mudança de sede. Me mudei para São Paulo capital, cansado de viver em um Rio de Janeiro estagnado e em crise crescente. Já que muitas instituições e empresas estão siando do Rio, resolvi sair também, pois foi muito tempo sem ver alguma perspectiva na vida.

Mas porque São Paulo? A ideia não era voltar para Salvador? Sim, era. Mas pensei muito sobre o assunto e senti que em tempos de pandemia e crise financeira, a capital paulista sinalizava uma melhor oportunidade para mim. A Bahia nunca foi forte em matéria de empregos e com pandemia e crise financeira e política, não é agora que passará a ser um polo de emprego.

A decisão foi certa e já começam a aparecer oportunidades. Por isso, terei que fazer textos curtos para as postagens. Optar por São Paulo foi uma decisão de me agarrar a única opção certa e com alguma garantia de sobrevivência financeira e crescimento pessoal.

Espero crescer muito nesta cidade, conhecida como  "Terra da Garoa". Choveu muito aqui quando cheguei, mas deve chover oportunidades e alegrias. Sampa é uma cidade sempre em crescimento, que estabilizou suas qualidades e mostra perfeitamente preparada para os tempos difíceis que se instalaram desde 2020. O melhor lugar para estar neste momento.

domingo, 25 de abril de 2021

Desisti de desistir

  

Resolvi desistir de encerrar os blogues do consórcio. Eu estava muito triste pelo seu fim e pensei muito se tomei a decisão correta. Pois blogues hoje não são tão lidos e as pessoas preferem ler textos curtos em páginas de redes sociais. 

Mas eu gosto de escrever e percebi que gostaria que muita coisa estivesse aqui e não está. Além disso, por menos leitores que existam interessados em ler blogues, sempre há quem se interesse em lê-los. A leitura nunca é nula, por mais impopular que seja.

Outra coisa é que mesmo com a dificuldade de leitura causada pela minha doença - falarei dela em outra postagem - ainda dá para ler com algum esforço e posso produzir algo bem legal para ser lido. 

E mesmo os novos recursos do Blogger, apesar de mais difíceis de serem usados, ainda permitem a produção de forma satisfatória, mesmo com esforço.

Portanto, decidi retomar os blogues deste consórcio. Não será para já, pois vou dar uma pausa para ver como eles vão retornar. Mas achei melhor retornar, para que as novidades de minha vida possam aparecer aqui e que eu possa exercer meu prazer de escrever.

Portanto, esqueçam as postagens sobre o fim. Todos os blogues vão voltar. Mas só no ano que vem. 

Aguardem. O fim se encerrou. Na verdade é novo recomeço. O Consórcio Bela Vista está de volta!

sábado, 17 de abril de 2021

Porque na política, o "Centro" nunca pode ser considerado o centro


Diz uma conhecida lenda que uma pessoa, recusando a estar em quaisquer dos dois lugares que estão separados por um muro, decide ficar em cima deste, acreditando não estar em nenhum dos dois lugares, ficando protegido do que vier de qualquer um deles. Em um dos lados, chega um homem bem vestido e pede para que o tal sujeito saia de cima do muro, se apresentando como dono deste. O muro pertence a um dos lados.

Esta estória ilustra bem a política. Quem pensa política tem lado. Pode até não querer rotulo disto ou daquilo, mas todos, sem exceção, assumem uma postura. Até mesmo a "não-postura" em si é um posicionamento político. Somente palitos não possuem lados e quem se julga "neutro" ou isento", sem saber está agindo a favor de um dos lados, geralmente o mais poderoso e forte. O dono do muro.

A grande mídia, supostamente tida como imparcial, sempre falou de "centro" político, se comportando como o desavisado que se coloca em cima do muro. Mas quem é bem informado, sabe que os meios de comunicação são controlados por grandes magnatas, todos com interesses bem particulares, sempre de acordo com a sua ganância de ter muito mais que a população inteira de um país. E trabalham por isso e para isso.

Sendo um enrustido porta-voz desses grandes magnatas, a grande mídia, sempre trabalhou para defender o tal "centro" político, que sem este disfarce, se mostra como a direita moderada, cheirosa, elegante como deve ser um magnata instalado na Avenida Faria Lima, o metro quadrado mais caro da cidade mais rica do país, São Paulo.

Mas ela tem que forjar imparcialidade para atrair o maior número de adeptos entre seus receptores. E não falta quem esteja pronto para cair feito patinho no conto da imparcialidade, vendo na grande mídia, aquele amigo confiável que conta as novidades que soube através de suas andanças. Afinal, a grande mídia, precisa de muitos ouvintes, e a pose de "imparcial" lhes permite atrair maior número deles.

Forjando imparcialidade de si mesma, se aproveita também para forjar imparcialidade do lado político que ela apoia. Nem a extrema direita, sempre sádica e de mau humor, nem a benevolente esquerda moderada, pois repartir renda, bens e direitos é a última coisa que os magnatas controladores da grande mídia desejam. É preciso criar uma terceira via que satisfaça o mega-empresariado.

Centro político não é centro... porque favorece apenas um dos lados

Eles se assumem de centro. Mas afinal, o que é centro? A ideia de centro passa, segundo a lógica, por alguém que esteja trabalhando em prol dos dois lados. Na teoria, seria alguém que tornaria os ricos menos ricos e os pobres menos pobres, criando uma situação onde ambos fossem satisfeitos em seus direitos, eliminando qualquer tipo de conflito entre classes. Isso em tese.

Mas não é isso que vemos na prática. Magnatas são gananciosos e por isso mesmo é que são magnatas. Controlam o poder de forma bem suja, mas invisível da opinião pública, que os enxerga como os pobres trabalhadores que deram certo na vida (meritocracia) e portanto, os "irmãos mais velhos" que merecem ser ouvidos e compreendidos. 

Magnatas são bondosamente nobres. Se não ajudam as pessoas, é porque "tem gente que atrapalha". E "quem atrapalha" é a esquerda. Podres são os esquerdistas, "imorais, arrivistas e sem condições reais de crescimento" - segundo a crença direitista - e apoiadores de "bandidos" e" corruptos".

Estranho que sendo "centro", os políticos e meios de comunicação que se assumem como tal só favorecem um lado, o dos magnatas. Claro que eles têm que forjar uma falsa preocupação com os mais pobres, pois é preciso atrair apoiou para ganhar poder. Fingir de coitados sofredores, de administradores cheios de dificuldades, para despertar comoção do povo e tornar justo o sistema cheio de desigualdades.

Como o modelo milionário no conto de Oscar Wilde, magnatas tiram o terno e o sapato de verniz e se travestem de povo com uma camiseta (cara, claro, a natureza não dá saltos), jeans e sapatênis, para que não despertem desconfianças. 

É preciso disfarçar de "gente como a gente" para que os pobres deem ouvidos aos magnatas, que fingindo preocupações sociais, se apresentam como tutores de uma carente humanidade e defensores árduos de uma justiça social que somente uma suposta posição centrista consegue resolver.

Portanto, é este pensamento de que existe um "centro", gente supostamente disposta a equilibrar os interesses de ricos e de pobres, que faz a população mal informada se tranquilizar, achando que o melhor a fazer é se contentar com o mínimo que possui, mesmo abaixo da dignidade, para que os privilégios do "bondoso capitalista" não sejam prejudicados. 

Afinal, esses capitalistas, tão bondosos, são o "centro". Eles não são maus. São apenas os nossos irmãos, "gente como a gente" que apenas teve a capacidade de vencer na batalha da sobrevivência econômica. Segundo este centro, um dia chegaremos lá. Todos seremos magnatas. Não sabemos quando. Mas no fundo, tolo é quem ainda acredita nisto.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Rio de Janeiro pode destruir a esquerda... por dentro!

Muita gente pensa que o estado do Rio de Janeiro é naturalmente esquerdista. Esta ideia tem base no estereótipo do carioca, alegre, simpático, extrovertido, dançarino, que coloca a diversão acima de tudo. 

O novo conceito de esquerda, que foge do antigo proletariado aos moldes soviéticos - o proletário brasileiro hoje é claramente direitista, enquanto somente a classe média abre seus braços para a nova esquerda, mais identitária e menos trabalhista - tem muito a ver com o perfil imaginado do fluminense, consagrado pela estereotipada figura do malandro carioca.

Mas como eu disse, é um estereótipo, uma imagem. A realidade cotidiana mostrada no Rio de Janeiro mostra justamente o contrário, provando que ser alegre, simpático e ter ginga não significa ser de esquerda. Uma pessoa alegre e simpática pode sim aderir a ideais retrógrados. Até melhor que um conservador aos moldes tradicionais, pois com simpatia, fica mais fácil convencer os outros a aderir ao seu ponto de vista.

O que nos inspirou a escrever este texto são dois episódios, o que está acontecendo em Maricá, com a morte de  vários jornalistas locais e a decisão de Marcelo Freixo, principal líder do PSOL, de se unir a Eduardo Paes (DEM/RJ), discípulo de César Maia, este pai de Rodrigo Maia, a uma frente ampla para  - supostamente - combater o bolsonarismo. A decisão causou polêmica dentro do partido e pode causar a saída de sua principal liderança dele.

Maricá é governada pelo PT e mostra ser o único caso bem sucedido da esquerda no estado do Rio de Janeiro. Esqueçam Niterói, tido como "meca atual da esquerda carioca". O grupo que lidera o município pula de partido em partido e segue a metodologia de Eduardo Paes, um maíaísta típico. 

Niterói inclusive, dá sinais de abandono, nada está sendo feito para melhorar a cidade que aos poucos se torna uma "nova Baixada Fluminense" e que usa a lorota do IDH alto para não ter que fazer nada no município. Isso apesar da classe média niteroiense pensar que a cidade está no auge de sua perfeição.

No fundo, o estado do Rio de Janeiro mostra um conservadorismo um pouco diferente do estereotipado. Digamos que seja o verdadeiro neo-conservadorismo, já que é um conservadorismo 2.0, mais convincente e mais adaptado aos tempos atuais, por tentar impor uma ideologia retrógrada com métodos ultra-modernos e fugindo de antigos estereótipos. Ficou fácil ser retrógrado sem parecer um.

É surpreendente para muitos esquerdistas acreditarem no suposto progressismo de um estado cujos principais municípios são subdesenvolvidos. Mal sabem eles que os trabalhadores de regiões subdesenvolvidas como a Baixada Fluminense e São Gonçalo, não estão mais com as esquerdas. 

A mudança de pensamento das esquerdas, mais preocupadas com empoderamento e identitarismo do que com qualidade de vida, afastou as classes trabalhadoras que votaram em massa em Bolsonaro e que ameaçam votar novamente, por entenderem as maluquices do capitão serem menos nocivas que o identitarismo esquerdista, que vai contra o senso moral de quem vive com uma igreja neo-pentecostal na frente de sua casa, algo muito comum nas regiões mais pobres do estado do Rio de Janeiro.

Mesmo com todo o identitarismo, o esquerdismo do Rio de Janeiro é fraco edm matéria de desejar mudanças sócio-econômicas. Mesmo assim, ele pode estar sendo influente em toda a esquerda nacional para que esta largue o trabalhismo e se torna identitária, defendendoi coisas so tipo "ao invés de tirar o pobre da pobreza, vamos criar um orgulho de ser pobre, para que o pobre se empodere, mesmo se mantendo em plena e insolúvel miséria".

Caso toda a esquerda brasileira use o modelo fluminense como modelo, preferindo torná-la mais identitária do que trabalhista - já que brigar com empresários nunca deu certo no Brasil - isso pode enfrequecer o pensamento progressista, fazendo com que a classe trabalhadora, já sequestrada pelos neo-pentecostais, procure outra liderança política que satisfaça suas convicções.

Infelizmente, em todo o Brasil, a esquerda tem optado pelo caminho do identitarismo. Embora não negue as causas trabalhistas, as subestima, considerado mais prioritário empoderar excluídos do que melhorar a qualidade de vida deles. Essa guinada tem afastado a classe trabalhadora e atraído a classe média remediada, esta sem grandes preocupações humanitárias que senão a paliatividade do identitarismo empoderador.

Por outro lado, mesmo sem dar a verdadeira dignidade ao povo pobre, pelo menos os neo-pentecostais resolvem de forma paliativa problemas da classe trabalhadora, que ainda acredita na bondade de Deus. E isso acaba por reforçar ainda mais o pensamento conservador do Rio de Janeiro, que sorri diante de um passado retrógrado, estabilizado no presente do século XXI, e que recusa a ser mudado. 

O malandro carioca tem ginga. Mas não quer mudança.

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