segunda-feira, 31 de maio de 2021

Viva em lugares onde você possa ser amado

ENCORPANDO A VITAMINA: Este texto foi escrito em 2016 para um site extinto e pode conter algumas informações datadas e alguns erros de opinião, pois as minhas perspectivas na época eram diferentes das de hoje, quando eu planejava morar em Salvador, não em São Paulo, onde vivo atualmente.

Mas é um texto que achei importante colocar aqui, pois fala da importância em viver em lugares onde a pessoa possa se relacionar com outras pessoas de forma livre, sem ter que mudar a personalidade para agradar alguém.

Viva em lugares onde você possa ser amado

Marcelo Pereira, Planeta Laranja, 14/07/2016

Relações humanas são complicadas. Mais ainda em sociedades onde as regras sociais são mais rígidas. Embora em tese vivamos numa democracia, muitas pessoas na gostam muito de ser democráticas, acabando por exigir muito dos outros. Talvez por estarmos acostumados com o Capitalismo, achamos que tudo tem que funcionar como um mercado, como um sistema de trocas. Mesmo que esse sistema usado não passe de um escambo, as pessoas só oferecerão se também receberem.

E isso é notável, sobretudo nas regiões do Sul e Sudeste. Quanto mais elitista, mais desconfiada e interesseira será esta sociedade. Para receber o mínimo de afeto, e preciso cumprir algumas regrinhas um pouco (ou bastante?) desagradáveis.

Mas nunca esqueçamos que o afeto é alimento da alma e ter contatos com pessoas é um direito vital. O ser humano é um ser social e muitos indícios mostram que a solidão é o maior medo das pessoas, depois da morte. Por isso que as pessoas são tão "Marias vão com as outras", pois sociabilizar  é visto como mais importante que o prazer e até que a própria personalidade.

E porque escrevo isso? Vivo em um lugar onde não sou querido. Ou para ser querido e preciso cumprir algumas exigências. Exigências injustas, inúteis e que não tenho condições e muito menos vontade de cumpri-las. Se eu preciso de uma "moeda" para arrumar e manter amigos, isso é um sinal de alerta de que algo está errado. Muito errado.

Um conselho que eu sempre dou às pessoas: se você chega em um lugar para viver e percebe que as pessoas te estranham, ou são exigentes como você, ou simplesmente de desprezam, saia imediatamente deste lugar. Sem hesitar. E procure se instalar em um lugar onde as pessoas são capazes de te aceitar e de te amar. 

Viver isolado em uma multidão muitas vezes é até pior do que viver sozinho em um lugar deserto, pois você enxerga o que as outras pessoas estão fazendo, sem poder participar ou interagir com elas. Pode parecer normal para quem nunca vive sozinho, mas para muitos desprezados é um bom motivo para encorajar suicídios.

Procure um lugar onde você possa fazer amigos, arrumar namoradas, sem o desconforto de ter que satisfazer exigências mesquinhas. Um lugar onde as regras sociais possam ser mais flexíveis. Onde as pessoas possam ter como regra básica a confraternização de todos, independente de quem seja ou do que goste. É recomendável lembrar que lazer é algo bem pessoal e ninguém é obrigado a se divertir como a maioria. Se não dá prazer, não há diversão.

Por isso se lembre sempre: viva em um lugar onde você é amado, na em um onde você é apenas tolerado. O afeto que você vai receber será o melhor e mais útil presente que você poderá receber de alguém.

domingo, 30 de maio de 2021

Morreu ontem cantor de música que meu pai dedicou a mim quando eu era bebê

Infelizmente, o cantor romântico conhecido como BJ Thomas morreu ontem, de câncer de pulmão, após uma relativa longa batalha. provavelmente deve ter sido causada pelo cigarro, já que era um costume quase unânime celebridades fumarem na década de 70. O cantor faleceu em sua casa no Texas. Tinha 78 anos e ainda estava ativo, se retirando apenas para tratar da doença.

Por uma coincidência, eu havia pego ontem a música Long Ago Tomorrow, gravada por ele e que tocou muito na rádio Antena 1. Uma bela música que fala sobre o passado. Mas outra música gravada por ele tem uma relação muito íntima comigo.

Eu nasci com um defeito no intestino classificado como Megacolon Congênito, conhecido também com o complicado nome de Doença de Hirschprung, que me fazia chorar muito. Mesmo com a operação bem sucedida, tenho sequelas da doença até hoje, já que para mim, defecar é um sacrifício, pois eu não tenho as terminações nervosas no reto que facilitam a saída do excremento.

Tive que ser viajar de Florianópolis para o Rio de Janeiro para ser internado em 1972 para fazer a cirurgia, no hospital Nossa Senhora da Glória, na Tijuca. Curiosamente, Tijuca o bairro do Rio de Janeiro onde meu pai está morando agora, o que fez com que ele voltasse a ser atendido neste ano por este hospital, que pertence à Marinha (meu pai é sargento aposentado).

Comovido com meu sofrimento, meu pai dedicou a mim a música Rock'n'Roll Lullaby, de autoria dos hitmakers Barry Mann e Cynthia Weil e gravada por BJ Thomas, que a consagrou. É uma música bonita, mas não é a minha preferida das gravadas pelo cantor, de quem eu não sou fã (quem é fã é meu pai). Mas combina para embalar um bebezinho, ainda mais em situação ruim como aquela.

Gosto mais da citada Long Ago Tomorrow e de Raindrops Keep Falling on My Head, pois gosto muito de Burt Bacharach, autor desta última, com letra de Hal David. Esta bela canção foi o principal tema  de Butch Cassidy & Sundance Kid, divertido western com Paul Newman e Robert Redford, que eu nunca vi, mas desejo ver um dia, já que adoro filmes de faroeste.

Voltando a canção que meu pai dedicou a mim, cujo título significa, "Canção de Ninar Rock and Roll" (que apesar do nome, não é um rock e sim uma balada levemente country), ela fez com que meu pai se tornasse fã do cantor. Poucos anos atrás, eu fiz uma coletânea com músicas do cantor - selecionada por mim, com músicas pegas na internet - e dei a meu pai, que até onde sei, não sabe da morte do cantor.

Mas nem tudo são flores. Infelizmente, na Bahia, um grupelho de axé-music, liderado por um cantor arrogante metido a engraçadinho, fez uma versão medonha da música que nem é bom mencionar com detalhes aqui. Meu pai também detestou a versão. Quem quiser que pesquise e ouça.

De qualquer forma, mesmo não sendo fã de BJ Thomas, fico triste com o seu falecimento. Mas  fica aqui esta lembrança e a curiosidade que tem muito a ver comigo, na época um bebezinho de um pouco mais de 1 ano de idade a enfrentar o bisturi bem jovem para corrigir um defeito de nascença em uma operação bem sucedida, mas comovendo um amoroso pai que dedica uma bela canção ao seu filho pequenininho.

Valeu pai pela homenagem! E pelo apoio que está dando até hoje em minha nova fase da vida.

Valeu BJ Thomas, por ter gravado a canção dedicada a mim e muitas outras. Vá em paz, amigo!

sábado, 29 de maio de 2021

Porque mulheres sofisticadas tem que estar casadas e as jecas, solteiras

Do contrário que muitos pensam, não é o romantismo nem mesmo o afeto que faz com que as pessoas se casem. Há muito de agrado social na intenção de contrair matrimônio e numa sociedade em que a vida social é prioridade máxima como na sociedade brasileira, os casamentos sempre devem levar em conta o agrado alheio e os benefícios sócio-econômicos a serem obtidos com isso.

Parece coincidência, mas mulheres relacionadas com meios sociais mais sofisticados, com posturas de mulher independente, que sabe o que quer, curiosamente são estimuladas a se casar, construir família e ter filhos. Nas classes médias altas e nas ricas, a ordem é nunca deixar que mulheres de opinião própria permaneçam solteiras. Ser solteironas nas sociedades de classe pega mal pra cacete.

Enquanto isso, nos meios popularescos, há o estimulo a solteirice. Mulheres-objeto sem nada a dizer tem que permanecer sozinhas e de preferência, sem fazer filhos. Família, nestes meios, nem pensar. É preciso estimular a discórdia entre os casais. Casal pobre bom é casal que briga. Romantismo nestes ambientes, só o piegas e mais ridicularizado possível. 

Isso tudo parece nada ter a ver com o Capitalismo mas tem. O objetivo é sempre aquele: diminuir a quantidade de nascimento de pobres e manter o de ricos. Eugenia é a palavra certa, já que para a direita, é interessante que a humanidade seja "purificada", composta apenas "do melhor". 

Estimular o casamento nas classes mais abastadas, fazendo com que jovens apressem a sua vida amorosa, se casando cedo, em geral com homens muito bem sucedidos financeiramente - principalmente com homens em cargo de liderança, versões humanas dos animalescos "Machos-Alfa" - tendo a obrigação de gerar filhos, enquanto nas classes menos favorecidas a mesma coisa, desestimulada pelo sistema, acontece de forma acidentada, sem controle.

Isso tudo explica porque as mulheres mais sofisticadas, de profissões prestigiadas como médicas, jornalistas e advogadas, ou celebridades com público alvo mais escolarizado, tendem a estar muito bem casadas, enquanto musas mais pobres ou sub-celebridades cuja única função é exibir seus corpos, admiradas por pessoas de baixa escolaridade, tem que permanecer sozinhas, mesmo contra a vontade.

Uma prova de que o Capitalismo, que manda em tudo e em todos, quer manter tudo no controle, inclusive a vida amorosa. Se você, caro amigo, não conseguiu conquistar a mulher que deseja, pode ser que o "Deus Mercado" possa estar atrapalhando um pouquinho os seus planos...

sexta-feira, 28 de maio de 2021

A decadência da TV paga

Há alguns anos, estava eu de noite tentando zapear a TV, através da VIA Embratel, e - caramba! - nada encontrei de interessante para assistir. Apenas um canal estava passando alguma coisa interessante, que era o excelente filme The Italian Job. Só que além de eu ter perdido boa parte do filme (que é daqueles que exigem atenção), ele estava dublado, com os atores falando com aquela vozinha de desenho animado.

Noto que está havendo uma queda na qualidade da TV paga, no intuito de atrair classes mais baixas. Pô, mas isso é nivelar por baixo. Isso já acontece com a música e com o cinema.

Ou seja, ao invés do ser humano estudar mais, se evoluir, os meios de comunicação, controlados por gente com, no mínimo, diploma de curso superior, é que têm que se adaptar para "falar com os analfabetos". Como naqueles falsetes ridículos que os adultos usam para conversar com bebês. Desse jeito, nada se evolui.

Noto que tem aumentado programas que valorizam o popularesco e filmes dublados, além dos intermináveis intervalos comerciais (que são inúteis, já que as emissoras já são sustentadas pelo que nos cobram pelos pacotes). O canal Multishow na prática virou uma TV aberta paga. Você está pagando por tudo aquilo que você assistiria de graça na TV aberta. Um horror.

Se não bastasse o sistema injusto de pacotes fixos, onde você não assiste ao que quer e paga pelo que nunca vai assistir, ainda temos que aguentar tudo aquilo que deveria estar ausente na TV Paga e que já é fartamente oferecido pela TV gratuita.

E nem adianta HD, tela plasma e coisa e tal se a programação oferecida é uma verdadeira porcaria. Não estou pagando para ver bunda cagada em alta definição.

Infelizmente, o Brasil é um país de povo sem cultura e de baixa auto-estima, acostumado a aceitar o que lhe empurram e achar maravilhosos toda mediocridade que aparece empetecada numa tela de plasma em alta-definição.

E assim a TV paga brasileira vai caindo cada vez mais de qualidade, e ainda por cima roubando o nosso suado dinheirinho.

Todos querem se divertir como peão. Trabalhar como peão ninguém quer

 Há 10 anos, toda vez que passava perto do supermercado Pomar, localizado na Rua 5 de julho, no Jardim Icaraí, Niterói, penso sobre o assunto. Há um bom tempo esta placa está colocada na frente do supermercado, com letras bem grandes e estrategicamente colocado para chamar a atenção. E a placa continuou por muitos meses.

Se a placa continua lá é porque ainda não apareceu algum interessado para ocupar a vaga descrita. Por ser uma profissão mal remunerada, pesada, estressante e acima de tudo, desprovida de prestígio social, nenhuma alma aparece disposta a pegá-la. Nem mesmo numa sociedade cada vez mais burra e alienada. Se os alienados não querem esta vaga, sou eu que vou querer?

Tenho notado que as funções menos prestigiadas estão sendo ocupadas por gente cada vez  mais pobre e menos escolarizada ( e não necessariamente mais burra - inteligência não vem de escola mas do discernimento desenvolvido por conta própria). isso não é sinal de que a sociedade está melhorando, pelo contrário, já que muita gente que recusa esse tipo de vaga é tão ou até menos inteligente do que quem se se propõe a aceitá-la. Vejam só, a sociedade brega, que tem nojo de intelectualidade, que quer se divertir como "peão", não quer trabalhar como "peão".

O mercado de trabalho encasquetou que todo mundo deveria fazer nível superior para ter direito a vida digna, desprestigiando as profissões de nível médio e básico e aumentando monstruosamente a concorrência pela entrada nas faculdades, de gente sem vocação para tal. Isso tem gerado uma aberração cultural que tem arruinado toda a sociedade.

É uma verdadeira hipocrisia social. Na hora da diversão estamos cansados de ver: riquinhos lindinhos falando gíria de pobre, ouvindo música de pobre, odiando música erudita, desprezando intelectuais, e o principal: se recusando a raciocinar. Todos querem construir réplicas de lajes de favelas dentro de seus condomínios de luxo, com direito aquelas musiquinhas horríveis que irritam qualquer ouvido sadio. Mas na hora de pegar em uma enxada, todos fogem. Todos querem ser "dotô".

E aí vemos aberrações como, por exemplo, as "Chopadas de Medicina", "de Direito", que servem como um bom exemplo de "Dotôs" que se divertem como "peões", de cara bem cheia e gestos bastante ridículos. Festas como essa soam como verdadeiras contradições ao prestígio normalmente atribuído a profissões como esta.

Legal ganhar salário e prestígio de "dotô", mas agir feito doutor de fato durante o lazer é chato, não é? Chato ter classe, linha e sobretudo inteligência durante os horários de lazer, pois para eles o cérebro cansa. Bom mesmo é torrar o gigantesco salário de "dotô" em uma festa tipicamente ralé, esdrúxula e cheia de gente ignorante pagando mico, dando nome a isso de "felicidade".

A sociedade está cheia de advogados, médicos e engenheiros que, na hora do lazer, se comportam bem pior do que qualquer trabalhador braçal. Aliás, conheço muitos trabalhadores braçais que dão show de classe e inteligência a esses "dotôs" metidos, que não sabem o que fazer com o prestigio e o dinheiro que tem de sobra. Não seria melhor esses "dotôs" trabalharem como "peões" e deixar as vagas de faculdades e de escritórios ou consultórios para quem realmente está preparado para ter nível superior?

De que adianta você se matar para entrar em uma faculdade, trabalhando numa profissão prestigiada, se você não se prestigia como ser humano, achando que seu intelecto deve se limitar ao trabalho, agindo, no lazer, de forma bem oposta ao que seu prestigio profissional diz afirmar? Não adianta.

O resultado está aí, faltam empregos para "dotô" e sobram os de "peão". Vai acontecer a longo prazo uma inversão de valores, pois os trabalhos de "peão" são tão importantes do que os trabalhos de "dotô" (a diferença se dá apenas pelo tipo de formação), mas a pouca procura pelos de "peão" poderá fazer com que estas funções passem a ser melhor remunerada para compensar a falta de prestígio que acaba por espantar uma demanda cada vez mais metida, achando que um simples pedaço de papel conhecido como "diploma" irá lhes dar a inteligência que não conseguem desenvolver por vontade, coragem, discernimento e principalmente humildade e bom senso.

Um dia os grandes "dotôs" da sociedade, que se acham as "grandes mentes do mundo" aprenderão grandes lições com os "peões" que acostumaram a desprezar e humilhar. (Original 14/02/2013)

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Brasileiros, cobaias da mídia

Os brasileiros são Marias-vão-com-as-outras. Tomam os costumes da maioria como corretos e seguem sem contestar, tendo a dificuldade (ou recusa?) em pensar por conta própria, tendo gostos, ideias, opiniões e valores próprios. Uns até sabem disso e argumentam que se não seguirem a maioria, ficariam sozinhos e sem os benefícios da vida em sociedade. Mas a maioria nem percebe que segue cegamente a maioria.

Conversando com um amigo meu psicólogo, ele garantiu que é possível uma ideia ser inserida na mente de alguém de uma forma que este alguém pense que a ideia surgiu na cabeça dele. Não sei como, mas sei que isso acontece. E a publicidade brasileira sempre lança mão desse recurso.

Lembram das cobaias de animais? Condicionando o comportamento dessas cobaias, através de um treinamento que envolve repetição de atitudes padronizadas, após algum tempo, elas passam a repetir esses comportamentos padronizados de maneira espontânea, como se não tivessem sendo induzidas a isso.

Já escrevi textos que fazem menção ao treinamento das cobaias e me fizeram pensar a respeito da comparação entre o comportamento dessas cobaias e o hábito de brasileiros padronizarem seus gostos, hábitos, ideias e valores. E isso tem muito a ver com o treinamento, já que a padronização verificada nestes aspectos, em muitos casos é irracional e equivocada, gerando inclusive uma perpetuação dos preconceitos, injustiças e problemas que estamos cansados em ver ao nosso redor.

Para que ideias incoerentes durem tanto tempo na mente de pessoas, é porque elas foram colocadas no consciente coletivo dos brasileiros. A maioria esmagadora de nosso valores é aceita por crença, sem verificação de sua validade e quando são justificadas, é quase sempre com argumentos subjetivos, ilógicos e bastante ingênuos.

Ideias padronizadas são impostas com sutileza pelas elites

É do interesse das classes dominantes que a população esteja submetida a certas regras e crenças, para que se mantenha quieta em seu cotidiano e aceite as injustiças que favorecem os privilégios das chamadas "elites", enquanto essas mesmas elites decidem, através de leis e da capacidade de financiá-las, o que deverá colocar na cabeças das pessoas, usando os meios de comunicação como instrumento de autenticação de valores.

Muitos dos valores autenticados pela mídia e que pensamos ser correto, foi induzido em nossas mentes na intenção de nos imobilizar. Por isso que nossos valores são tão padronizados. Por isso que preferimos seguir a maioria, ao invés de pensarmos por nós mesmos. Até porque seguir a maioria exige muito menos esforço (além de preservar as zonas de conforto) do que pensar por si só. É como navegar com a correnteza: é fácil, mas a gente se esquece que quase toda correnteza acaba num penhasco bem perigoso.

Deixemos de ser cobaias e analisemos todos os valores que nos empurram. É difícil remar contra a correnteza, mas isso pode salvar as nossas vidas.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Orgias sonoras noturnas aceitas numa boa

 Quando eu morei em Niterói, em uma noite de virada de sábado para domingo tive uma das piores noites de minha vida. Há um pouco mais de alguns anos, um grupo de jovens irresponsáveis teve a infeliz ideia de montar uma espécie de "república" na casa que fica diante das janelas de meu apartamento. A fauna que passou a habitar este lugar é bem barulhenta e além de musicas altas os caras só falam berrando. Isso em plena madrugada, quando não é de dia.

Mas na citada noite, a coisa extrapolou de vez. O som estava mais alto do que de costume e os habitantes, notórios consumidores de drogas, berravam ao mesmo tempo coisas sem sentido com a descontração típica das mais imaturas crianças. Não prestavam atenção nas músicas tocadas de uma FM popular que oscilava entre o breganejo, o pop juvenil estrangeiro (proibido para adolescentes com mais de 12 anos de idade, de tão imbecil que é) e o abominável "funk" brasileiro.

Graças a festança na boate improvisada na república sem governo, só fi dormir às 5:00 da manhã, quando a algazarra se encerrou. Como estou escrevendo este texto no domingo seguinte, devem estar imaginado em que estado estou fazendo isso. Esta postagem está sendo criada por um caco humano, o que restou de mim após uma noite mal dormida.

E aqui aproveito para fazer uma crítica aos progressistas mais alienados. Sou esquerdista, sou progressista, mas não aplaudo os erros cometidos por esquerdistas. Esse negócio de defender o consumo de drogas é logicamente uma irresponsabilidade. 

Drogas fazem mal ao organismo e danificam o já enfraquecido discernimento do jovem brasileiro, atrofiando a região responsável por esta atividade, quando não leva a morte das células ou da própria pessoa (cérebro é órgão vital, sabiam?). Defender o consumo de drogas é transformar em "direito" o processo de degeneração cerebral e os danos que resultam dele.

E o episódio ocorrido deu para perceber bem o que as drogas são capazes de fazer com o cérebro humano, transformando qualquer ser humano em uma besta-fera indomável. Como achar que isso é sinônimo de "felicidade" e de "bem estar"? Sinto dizer mas drogados merecem alguma punição já que não conseguem se livrar de algo tão nocivo, mas que infelizmente é socialmente aprovado.

Resultado disso tudo é que dormi mal, acordei pior e meu domingo, que tradicionalmente é bem chato está ainda mais porque me sinto debilitado. Os babacas que me impediram de dormir acordarão ao meio dia aparentemente melhores do que estavam quando dormiram. Eles usaram as drogas mas quem estava de ressaca fui eu. Graças a um vício que as pessoas nunca conseguem largar.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Pendurei a toalha! Não sou nerd, nem geek, nem loser, nem porra nenhuma!

Nem vou ficar aqui tentando celebrar seja que data for hoje. Dizem que é um tal de Dia da Toalha. Nada a ver comigo. Pendurei a toalha!

Falam que é uma data nerd. Antes nerd era quem sofria bullying. Agora nerd é todo mundo. Basta gostar de computador e quadrinhos e ver ficção científica até cansar para virar nerd.

Se bem que todo mundo agora diz que sofreu bullying. Tem até bullying reverso, com galã alto, lindo e rico dizendo que sofreu bullying por "inveja alheia". Tão idiota quanto a lenda do racismo reverso.

Hoje todos celebram a data como se usassem óculos de aro grosso e andassem mal vestidos. Comemoram como se o mais extrovertido dos extrovertidos alegasse sofrer por ter timidez crônica.

Sofrem de solidão mesmo tendo um milhão de amigos para poder cantar. Ou berrar feito alce no cio em jogos de futebol inúteis e supérfluos. Futebol que nada serve a não ser para aumentar ou estabilizar este milhão de amigos.

Esporte que nada tinha a ver com o nerd de outrora, mas se tornou essencial para os nerds de hoje, cada vez mais estabilizados socialmente e vacinados contra qualquer tipo de bullying.

Tá, querem comemorara a data, comemorem. Hoje nerd é outra coisa. Somem as vítimas de bullying de outrora para dar lugar a um monte de gordinhos barbudos cheios de mulheres para comer a vontade. Sem serem acusados de assédio, coitadinhos...

Comemorem! A data é de vocês, mas não é minha. Se ser nerd é isso, eu me recuso a adotar o rótulo. Não sou nerd, não sou geek e muito menos loser. Sou o Marcelo, o vencedor! Estou em outra.

Sou o pobre paulista, o demônio da garoa, o diabético apaixonado, o punk da periferia, o marginal do Tietê. Me chame de tudo. Mas não me enfiem nesta palhaçada ridícula de "cultura nerd".

O Dia da Toalha não me interessa. Eu pendurei definitivamente a toalha. Tomei meu banho gostoso e me livrei dessa sujeira geek idiota que vive de joguinhos que só serve para travar computador.

Enfiem o Dia do orgulho Nerd no lugar de onde sai o que sobra da pós digestão. Eu nada tenho a ver com isso. Pois eu sou vencedor, lutador. Sem essa dos losers geeks e nerds que parecem nunca ter saído das galáxias dos mochileiros. 

Que fiquem todos presos na Terra dos Jedis. Eu prefiro o mundo real. Feio, triste, cruel, mas real. Fui!

Estou velho demais para brincadeiras de geeks...

Feliz Dia do Orgulho Nerd!

Hoje é um dia que tem muito a ver com a "tribo" da qual pertenço: os nerds. E o mais legal é que ele caiu justamente no dia que considero o mais nerd da semana: o sábado.

O 25 de maio é estipulado como o Dia do Orgulho Nerd, ou simplesmente - sabe-se lá porque cargas d'água - Dia da Toalha. Na verdade a toalha é um elemento importante na saga Guia do mochileiro das galáxias, considerado uma obra de nerd para nerd. Na mesma data, outra obre apreciada por nerds (mas não feita por nerds) Star Wars, teve a sua primeira exibição, em 25/05/1977. Ou seja não faltam motivos para essa gente desengonçada que quer mostrar seu valor, comemorar.

E eu como nerd legítimo, claro que não ia ficar fora desta, apesar de ainda não ter tido a oportunidade de assistir ao Guia do mochileiro das galáxias. Mas para os nerds, normalmente desprezados pela sociedade, graças a seu jeito e gostos estranhos, comemorar o dia de hoje é uma oportunidade única de se sentir honrado.

Portanto para nerds como eu, desejo um feliz Dia da Toalha. E que dias melhores possam vir para nós, apesar de vivermos em uma sociedade cada vez mais metida a perfeita e exigente demais na hora de oferecer os benefícios que já são tão difíceis de conquistar com muita luta. 

Vida longa e próspera a todos. I'm a nerd and I'm proud of it!

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Sedentário Diário é literatura criativa! Vocês precisam conhecer!

O meu livro Sedentário Diário foi lançado em março. Foi um livro que reúne vários textos, de diversos tipos e mais variados assuntos e que me deu prazer em escrever e editar. É uma obra bem criativa que precisa ser conhecida pelo público. Até porque toca em assuntos nunca falados em outras obras.

O livro nem está caro. Num mercado onde um livro comum custa em média 60 reais, pagar 35 reais por uma obra criativa, gostosa de ser lida e com temas inéditos e instigantes, é bom demais!

Portanto, deem uma visitada no link abaixo e se deleitem com uma obra sem igual em todo o mundo. Aproveitem para ler e divulgar. É literatura original, criativa e deliciosa de se ler. Vocês vão amar!

https://loja.uiclap.com/titulo/ua6552/



domingo, 23 de maio de 2021

Conformidade: quando as pessoas só fazem o que os outros fazem ou dizem

Anos atrás, eu tive a oportunidade de assistir ao primeiro episódio do programa Jogos Cerebrais, que estreou no Discovery Channel. É uma espécie de concorrente do programa Truques da Mente que há no National Geographic. 

O episódio foi sobre a conformidade. Mostrou porque temos que seguir regras e formar gostos, hábitos e convicções só para obter aprovação social dos grupos ao qual queremos pertencer e usufruir dos benefícios oferecidos por este.

O programa é estadunidense, mas o hábito de ser submisso a regras sociais, abrindo mão de convicções pessoais e do livre arbítrio para agradar aos outros, é algo que a sociedade brasileira tradicionalmente faz melhor do que qualquer outra sociedade.

O ser humano sabe muito bem que ser aceito pelo grupo além de lhe dar satisfação cerebral, abre as portas para um conjunto de benefícios que só contando com a ajuda de terceiros  para que possa ser obtido. Afinal, a união faz a força e grupos sobrevivem mais do que indivíduos.

Isso explica porque a sociedade brasileira é quase homogênea, com pessoas tendo gostos convencionais, opiniões que não chocam a coletividade e convicções sem sentido que se consagram pelos costumes. Como disse a criadora do controverso aplicativo Lulu, o povo brasileiro é muito social. Brasileiros não quer pensar nem se divertir: seu tempo livre é quase todo dedicado á socialização.

Socializar é tão importante para o brasileiro que até mesmo o uso da internet é totalmente focado no contato com as outras pessoas. Usamos as redes sociais mais do que os outros. Atividades da internet não relacionadas com a vida social são desprezados. 

E a nossa preocupação em agradar aos outros é uma meta que todos pretendem alcançar. E como disse o programa, para a aprovação social, somos capazes até de fazermos algo ridículo.

Gostar daquilo que não dá prazer, acreditar em crenças absurdas, berrar insanamente por causa de futebol, fazer coisas só porque a maioria está fazendo: nada é medido quando se quer agradar aos outros e obter a aprovação social que nos favorecerá em outras conquistas, inclusive a social.

Até mesmo confiar em líderes de caráter duvidoso é válido, já que todos sabem que o prestígio de uma pessoa ajuda muito a fazer com que outras possam, senão usufruir dos privilégios do prestigiado, pelo menos obter algum tipo de favorecimento deste.

Tudo é feito para que a aceitação social seja alcançada. Por isso mesmo que o brasileiro tem fama de povo obediente. Modismos pagam aqui com muita facilidade, enquanto a cultura alternativa fracassa sempre. O que a maioria conhece como "alternativo" na verdade é o lado B do mainstream, tão popular quanto as tendências mais populares. Regras de etiqueta são seguidas rigidamente, mesmo com algumas brechas de atualização. A padronização das coisas dá uma falsa ilusão de organização, aceita sem qualquer questionamento.

Isso tudo explica porque a sociedade brasileira tem gostos, ideias, convicções e hábitos bem padronizados. Com a aceitação social como meta, não resta fazer outra coisa senão tentar agradar aos outros. E é para isso que existe o povo brasileiro, que vive e morre para isso.

sábado, 22 de maio de 2021

As esquerdas acham que cultura é imune a ganância capitalista

Parece que os esquerdistas querem dissociar a cultura de todo o processo de manipulação feito pelos capitalistas para que a população se mantenha anestesiada e incapaz de se rebelar contra a ganância dos maiores empresários instalados no Brasil, cujos interesses são vistos como altamente prioritários.

Para os esquerdistas brasileiros, os mesmos que descartaram as causas trabalhistas para colocar as duvidosas e individualistas causas identitárias, a cultura ainda segue forte e imune a qualquer manipulação capitalista, embora o mundo real mostre exatamente o oposto: uma cultura cada vez mais mercantilizada, com "artistas" mercenários e sem vocação, fazendo resultar em produtor culturais cada vez piores.

Mal sabem as esquerdas que quase tudo que se produz de cultura hoje é decidido por poderosos empresários, mas sem o visual e atitude estereotipadas dos empresários de outrora, se parecendo mais com professores universitários do que com magnatas arrogantes. 

Estes novos magnatas da indústria cultural usam e abusam de regras que conseguem manipular as massas sem que estas percebam que estão sendo manipuladas. Roubam estereótipos dos antigos ativismos de esquerda e implantam em seus produtos, fazendo surgir ídolos postiços que esbanjam simpatia para quem deseja um mundo mais moderno, igualitário e justo. Tudo fachada!

A cultura hoje é bastante mercantilizada e sem espontaneidade. "Artistas" não passam de pessoas desempregadas a procura de fontes de renda que exijam pouco e ofereçam muito, para que possam obter o seu sustento de forma mais fácil e garantida.

O fim da hegemonia das gravadoras e as facilidades de ter seus próprios estúdios e próprios meios de produção e divulgação não eliminaram o comercialismo cultural. Apenas deram um novo contexto para isso, além de favorecer o surgimento de novos magnatas, diferentes em postura dos antigos ricaços, mas não menos gananciosos que os antigos donos dos meios de produção.

As esquerdas parecem não estarem preparadas para este novo Capitalismo, menos estereotipado e muito mais ganancioso e também mais convincente, já que abre mão de muitos estereótipos para conseguir ser aceito por uma grande parcela da idade que sonha com a extinção do Capitalismo e com a transformação do planeta em um sistema mais justo e que dá oportunidade a classes tradicionalmente oprimidas.

Ilusão! O Capitalismo segue cada vez mais firme, forte e ganancioso, permitindo o surgimento de novos magnatas e enriquecendo ainda mais os magnatas que já existem. A Cultura se mostra cada vez mais um instrumento cada vez mais bem sucedido de manipulação das massas e as esquerdas ingenuamente preferem ignorar isso, vendo na cultura algo imaculado e imune a manipulações capitalistas.

Infelizmente, as coisas ainda não são favoráveis para uma justiça social. Os capitalistas finalmente encontraram um meio acima de qualquer suspeita para preservar seus interesses particulares. E nada como algo aparentemente positivo como a cultura para manter as massas imobilizadas.

Afinal, quem vai desconfiar dos "artistas", que vivem de dar somente alegrias ao seu público receptor?

sexta-feira, 21 de maio de 2021

A única vez em que consegui conquistar uma mulher por quem eu estava apaixonado. Mesmo assim não resultou em namoro

Eu havia mencionado em outras oportunidades que nunca namorei quem eu estivesse apaixonado. Conquistar mulher é uma tarefa difícil, graças as injustas e incoerentes regras de conquista impostas pela sociedade cada vez mais preguiçosa, preconceituosa e excludente.

Mas houve uma vez, uma única vez que consegui, quase sem querer, conquistar uma mulher por quem eu havia me apaixonado. Infelizmente não deu em namoro, pois o destino se intrometeu e estragou tudo. No final desta postagem vocês saberão como. Mas foi a única vez  nos meus quase 42 anos de vida que consegui conquistar uma mulher por quem eu havia me apaixonado antes.

Só para esclarecer: não confundam paixão com atração. Já conquistei muitas mulheres que eu estava a fim, mas não estava apaixonado. Estar a fim é uma coisa, estar apaixonado é algo muito mais intenso. 

E normalmente, a maioria das pessoas não consegue se casar com quem está realmente apaixonado. Normalmente se apaixona depois ou apenas um dos cônjuges está apaixonado, enquanto o outro só gosta, geralmente com amor fraterno. Existem exceções mas esta é a regra.

Já para mim, o normal é repelir quem eu me apaixono, como no caso da "Senhora A", a garota que em Março deste ano completa 30 anos que a conheci. Nunca namorei com esta e hoje ela nem me quer como amigo, me bloqueando em redes sociais. Ela está casada, com uma filha e aparentemente satisfeita em sua rotina e seu feudo limitado de amigos. falarei mais dela na segunda semana de Março, quando comemorar a fatídica data. Mas esqueçamos a "Senhora A" e vamos a outra mulher que consegui conquistar.

Quando o "cupido" virou paixão

Salvador, cerca de abril de 1991. Apesar de ser o segundo ano de minha estadia na capital baiana, era o primeiro em que pude realmente me sociabilizar. O ano anterior, 1990, eu estava em uma escola técnica onde a maioria dos alunos não se entrosava (deve ser porque era uma escola de ciências exatas, com alunos de personalidade maios "fria"). Eu, então recém chegado e normalmente com dificuldades de me sociabilizar, travei logo, podendo me soltar apenas no ano seguinte, quando a estoria que vou contar se passa.

Em 1991 mudei de escola. Era o primeiro ano do ensino médio (que tive que começar de novo, graças ao fracasso do ano anterior). Descobri que a tal escola técnica foi um erro.Me matriculei numa escola comum, o Colégio Águia, hoje extinto e que era situado em frente a movimentadíssima  Praça da piedade, coração do centro de Salvador.

Eu estava a fim, mas ainda não apaixonado por uma garota de aparência frágil chamada Márcia (calma, não é essa a musa desta postagem!). Como não consigo esconder minhas emoções, os colegas mais próximos acabaram sabendo disso. Uma colega da turma, amiga e vizinha de Márcia (moravam perto, no bairro do Bonfim, bairro que gosto muito e onde fica a famosa igreja, e pegavam ônibus juntas), de nome Kátia Valéria, de aparência indígena (da mesma etnia indígena, mas pouco semelhante a atriz da foto) se ofereceu a ajudar a conquistar. Não deu certo, pois Márcia acabou recusando, mesmo com o esforço da amiga.

Mas uma coisa bem estranha aconteceu. Aos poucos perdi o interesse por Márcia, o que fez com que me conformasse rápido com a rejeição. Mas passei a gostar de Kátia. Pior, o meu interesse por Kátia só foi aumentando gradativamente, se convertendo aos poucos em paixão.

Simultaneamente acabei sabendo que a paixão era recíproca. Apesar de ter me ajudado a conquistar outra mulher, Kátia acabou criando afeto por mim. Talvez por isso mesmo, pois foi a oportunidade da bela indiazinha perceber o meu jeito e criar afeto.

Mas a direção da escola arrumou um jeito de dificultar as coisas. Graças a dependência de Matemática, que ela não conseguiu aprovação na série anterior, a direção obrigou Kátia a estudar no turno da tarde, tendo que fazer a matéria Matemática de manhã, onde ela ficava pouco tempo e normalmente sentava longe de mim (embora os alunos não fosse obrigados a ter lugar fixo, muitos preferiram fixar seus lugares), indo embora logo em seguida após o fim da aula. Triste.

Mas teve uma época que ela sumiu mesmo. Não foi mais vista sequer nas aulas de Matemática. Ou ela desistiu da dependência (ela poderia optar por cursar integralmente a série anterior toda) ou se mudou para outra escola. Não a mais vi.

Mesmo com a ausência, fui nutrindo a paixão por ela, embora chegasse a me apaixonar por uma nerd, de nome Ioná, no ano seguinte, 1992, onde por causa da crise financeira me mudei para uma escola pública, a Central, que tem a mesma importância que o Liceu Nilo Peçanha de Niterói. Cerca de dez anos depois, ao fazer a prova de encerramento de curso superior, reencontrei Ioná e tive uma longa e excelente conversa com ela, mas sem sucesso de conquista, apesar de ter concluído que Ioná também era uma mulher ideal para um relacionamento sério.

O encontro inesperado e feliz, antes da ruptura brusca

Mas vamos a 1997. Como a conquista da nerd Ioná fracassou, voltemos a indiazinha Kátia. Como falei, fui nutrindo uma paixão por ela, embora conformado com a hipótese de nunca mais vê-la.

Passei no Vestibular para Letras (que escolhi meio sem convicção, só para ter um "diploma") na UFBA em 1996. O início do ano letivo seria no ano seguinte. Ao chegar na faculdade, no segundo dia (no primeiro, o campus estava vazio), uma grande surpresa: Kátia Valéria estava lá.

Uma curiosidade: é a mesma faculdade me deu a oportunidade de conhecer, em 1998, uma xará tão linda, Cátia Regina, que fez aniversário no último domingo e que também me apaixonei. Ainda tento conquistá-la on line (ela está no Facebook e mandei uma mensagem carinhosa de parabéns), embora tivesse tido uma oportunidade melhor nos últimos dias que morei na capital baiana, onde ela chegou a trabalhar perto de onde eu morava. Coincidentemente, além do mesmo nome (só que com "k"), Kátia Valéria faz aniversário na mesma semana de sua xará (não me lembro a data) e  paralelamente a Letras, fez Administração como também fez a outra Cátia. Letras e Administração (esta por vocação) são duas faculdades que tem a ver comigo. Um festival de coincidências que une as duas C(K)átias maravilhosas.

Mas voltando à indiazinha, ela estava soberba, ainda mais linda e gostosa. Demorei para conseguir conversar com ela, pois ela, tendo entrado no ano anterior, não estava nas mesmas disciplinas que as minhas. Mas coincidentemente no dia do meu aniversário (21/03) consegui e olhei bem nos olhos dela, apesar do assunto ser trivial. Como acreditava que veria mais vezes, não me apressei em me declarar ou tocar no assunto. Só que em pensamento, disse a mim mesmo, sem falar, "você é a mulher que eu quero". Jóia. Era uma sexta feira e passei o final de semana sonhando.

Mas a partir da semana seguinte ela sumiu. Achei normal no início pois achava qu era uma falta comum. Só que arrastou semanas, meses, anos e nenhuma notícia dela.

Na conversa ela, que ficou bem alegre ao me ver (ainda gostava de mim), me havia dito que estava fazendo simultaneamente administração em uma faculdade particular. Mas não fui procurá-la. Me conformei com a situação até porque havia muitas gatas no ambiente (faculdades são redutos de mulheres lindas em qualquer cidade: se você me pedir para mostrar as mulheres mais lindas de Niterói, te levo à UFF). Nunca mais tive notícia de Kátia Valéria e nem a encontrei na internet.

E assim foi esta postagem, sobre a única vez que consegui conquistar uma mulher que não somente admirava como estava apaixonado. Pena que o final não foi feliz.

"Pode matar, roubar e trapacear. Desde que não me prejudique, seja honesto e meu amigo!", diria a maioria dos brasileiros

Vivemos num sistema sem valores. Na verdade cada um constrói o seu, mas seguindo direitinho as "orientações" da grande mídia (legisladora e reguladora das regras sociais) e das tradições sociais. E mesmo assim, ainda continuamos perdidos na hora de definir quais os nossos valores.

Em muitos casos, há até inversão de valores, onde o correto e visto como errado e vice-versa, só por causa das aparências e dos estereótipos. Brasileiros adoram seguir estereótipos, mas isso é assunto para uma futura postagem. Vamos nos ater em como a ética se torna dispensável, se depender de interesses.

Muitas pessoas abrem mão de honestidade, hora e até de respeito humano quando os interesses estão em jogo. Pessoas desonestas, cruéis ou simplesmente bullies (que gostam de humilhar os outros), que deveriam ser desprezados pela sociedade, com direitos sendo reduzidos, continuam atraindo amigos e favores, desde que o prejuízo que eles causem, não atinja quem os admira.

Vi casos onde pessoas com índole duvidosa passam a integrar grupos prestigiados, mesmo tendo gerado danos a terceiros. A própria "seleção" brasileira roubou tanto para entrar na copa de 2002 quanto para vencer e ninguém falou e nem fala nada. Roubar para os outros é sempre ruim, roubar para nós não é? Cadê a ética? Estranho.

Os próprios direitistas e simpatizantes do Capitalismo agem dessa forma, pois não importam se a ganância dos ricaços lhes tragam grandes  limites em seus direitos."Desde que o ricaço deixe cair uma migalhinha, está bom demais", acreditam os entusiastas e personalidades de direita. Sobre se algum rico cometeu alguma atrocidade para se tornar rico, seus admiradores fazem vista grossa: "os fins justificam os meios".

Esta famosa frase escrita no livro O Príncipe, de Maquiavel, poderia muito bem ser o lema de nossa sociedade, com direito a estar escrito na nossa bandeira. Apesar de Comte, autor da frase "Ordem e progresso", estimular a mediocrização do país com a falácia de que "nada regride", a frase escrita na bandeira, assim como a letra de nosso hino, está muito longe de nossa realidade prática.

A memória curta estimulada por esta mediocrização é outro fator que faz com que haja a impunidade para os anti-éticos que são adotados como "gente boa" por grande maioria da sociedade. Nossa cúpula, não apenas política, mas empresarial (incluindo os setores de entretenimento e religião, onde a corrupção é maquiada pela imagem positiva que estes setores exalam) é altamente desonesta e tudo que vemos em nossa sociedade é resultado de manobras ocultas feitas para favorecer uma minoria de abastados, se aproveitando do desinteresse da sociedade como um todo por bastidores de qualquer tipo. Também, estimulados pela "fé" até mesmo nos assuntos laicos, preferem acreditar nos mitos do que em fatos. Mitos contam as estórias de forma mais bonita, apesar de irreal.

E os vilões? Claro que a sociedade não vai acreditar que não existam problemas em nosso cotidiano. Mas legal é responsabilizar aqueles que não tem a ver com a gente. Políticos e bandidos "de carreira" são os bodes expiatórios perfeitos para tudo que está errado em nossa sociedade. Os corruptos que não pertencem a essas citadas classes seguem impunes e até admiradas como se "heróis" fossem. Muitas pessoas eté se irritam quando os corruptos "de cara limpa" são acusados como tais, já que a sociedade brasileira sempre foi sedenta por "heróis", colocando falsos "mestres" no lugar.

Em muitos casos, as pessoas aderem a corruptos, criminosos, pessoas de má índole e bullies por questões de sobrevivência, ou porque estes crápulas garantem favores essenciais ou porque poderão se tornar ameaças se forem denunciados ou contrariados. Pessoas honestas frequentemente se tornam "reféns" de pessoas com capacidades de gerar danos e somente a união maciça de muitas pessoas de bem (o que nunca acontece) podem aniquilar o poder sombrio que os maldosos ainda tem em nossa sociedade. Mas até as pessoas se conscientizarem e foram mais altruístas (pensando mais no benefício coletivo da sociedade como um todo), os malvados seguem impunes e cada vez mais influentes.

Estamos perdidos. A ética virou uma utopia. A sociedade elege seus heróis e vilões não pelo que eles são capazes de fazer, mas pelos interesses que eles são capazes de atender. Favorecida, a sociedade se recusa a eleger como corrupto alguém que lhes dá um benefício aparente. Enquanto confiramos nos crápulas que nunca são denunciados, enquanto chamarmos para a nossa turma os pilantras que adoram estragar a vida de terceiros, a sociedade continua na mesma, transformando a impunidade numa estranha forma de "perdão" que estimula cada vez mais a prática de erros danosos, que se perpetuam sem qualquer previsão de prazo para se encerrar.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Pais depositam suas frustrações em seus próprios filhos: atitude contribui para que sistema nunca mude

Adultos imaturos são a pior coisa do mundo. Não sabem educar a si mesmos e ainda são metidos a querer "educar" seus próprios filhos, transferindo para eles os valores equivocados que a sua imaturidade lhes faz acreditar, pensando estar transmitindo maturidade para seus filhos. 

Além disso, fazem de seus filhos cópias em miniatura de si mesmos, como se usassem suas próprias crias para compensar as frustrações pessoais de não realizar o que gostaria. Como se seus filhos fossem bonequinhos feitos para imitar a vida dos adultos.

É muito triste saber que a maioria dos pais não dão aos seus próprios filhos a opção de decidir o que fazer na vida, preferindo embutir os valores de uma sociedade cronicamente falida, fazendo com que seus filhos, ao se tornarem adultos, nunca mudem a sociedade, perpetuando todos os erros, problemas, injustiças e preconceitos que estamos cansados de ver todos os dias e que não estão dando sinais de que irão acabar.

Se esquecem quase todos os pais que as crianças são seres em processo de aperfeiçoamento e que seus tutores na verdade tem a missão de prepará-las para que possam tentar melhorar o mundo. Mas ao invés disso, criam pessoas que serão adultos acomodados, submissos, medrosos e que se contentam com pouco, tratando os problemas como se estes fizessem parte da sociedade adulta, o que é uma mentira.

Colocando em seus próprios filhos as suas preferências e frustrações pessoais, desestimulam seus filhos a pensarem por conta própria, a decidir por si mesmos, na tentativa de pensar diferente apara fazer diferente. Pensando igualmente às gerações anteriores, acabam fazendo tudo igual, impedindo a mudança social brusca que a sociedade tanto precisa para poder se evoluir. Apenas pequenas mudanças, muitas irrelevantes, acontecem, geralmente na aparência. Enquanto na essência, tudo fica na mesma.

Que tal ouvir melhor seus filhos, por menores que eles sejam? Vale a pena impor os valores pessoais de uma vida adulta equivocada e jogar fora a chance de desenvolver um ser que poderia acabar com os problemas sociais? Pense bem nisso, todos os pais e mães e ouçam melhor seus filhos, deem liberdade para que eles aprendam que somente quem é livre de pensamento pode decidir por fazer  algo que realmente possa transformar a sociedade, preparando-a para o futuro.

Transformar filhos em reproduções em miniatura de seus próprios pais é um erro irresponsável e uma boa forma de dizer: "Está tudo bom como está. Eu não quero que nada mude". Então tá. Quando algum problema bater a porta de sua vida, pense como uma boa educação feita numa geração anterior, poderia ter evitado isso.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Peter Gabriel e os 35 anos de "So"

Hoje é um dia feliz para todos os fãs de Peter Gabriel, como eu. Nesta data se comemora os exatos 35 anos do lançamento do disco que é considerado por muitos o melhor da década de 80 em qualidade musical, So, a brilhante obra-prima do fundador do Genesis em sua carreira solo. Tive a felicidade de adquirir uma fita cassete importada - que não está mais comigo há muitos anos - na época do lançamento, graças a uma viagem que meu pai fez para o exterior em 1986.

So é a incursão de Gabriel para um som mais pop, mas não menos experimental e intelectualizado que seus álbuns anteriores. Como é de praxe em toda a carreira solo do cantor, houve a preocupação de reunir músicos gabaritados para formar sua banda de apoio. E que músicos: Stewart Copeland, Jim Kerr, Youssou'n'Dour, Kate Bush, Laurie Anderson, Nile Rodgers, além da banda fixa, com destaque ao superbaixista Toni Levin (integrante da espetacular formação oitentista do King Crimson do mestre Robert Fripp), cuja voz grave pode ser ouvida nas backing vocals de várias faixas do álbum.

O álbum foi gravado parcialmente no Brasil, já que as linhas de percussão, sobretudo da faixa Mercy Street - um baião suave! _ foram gravadas em um estúdio na Barra da Tijuca. A produção foi conduzida por Daniel Lanois que, junto com o ex-Roxy Music Brian Eno, produziu vários álbuns do U2, sobretudo o meu favorito, o The Unforgettable Fire, de 1984.

Especialistas em música consideram So um álbum arrebatador, definitivo não só para a carreira da Gabriel como para a música em geral, sobretudo numa época em que, pelo menos nos EUA e no hit parade britânico, a criatividade musical estava mal das pernas, com ênfase no visual e submissão as regras impostas pela MTV, instalada em 1981.

Gabriel conseguiu fazer um álbum pop que soasse dançante, mas que não aposentasse o cérebro, mantendo a intelectualidade marcante de sua carreira e o rigor na exigência da qualidade musical das músicas. Há quem diga que o disco tenha sido gravado várias vezes para que Gabriel chegasse à perfeição. E chegou.

Tudo bem que eu gosto muitíssimo do disco (um dos poucos para se ouvir inteiro, sem pular faixa), mas o que me fez escrever esse texto foi o valor cultural que ele tem, ajudando a evolução musical - infelizmente não absorvida pelo hit parade. Gabriel é um gênio e depois de quatro verdadeiras obras de arte, quis fazer de seu quinto álbum (o primeiro que não levava seu nome) um álbum ainda mais perfeito.

Gabriel era o verdadeiro gênio que atravessou os anos 80. Fundador do Genesis, foi o responsável pela melhor fase da banda, absolutamente experimental e lírica. Com a sua saída, a banda progressiva perdeu bastante, principalmente com a liderança de Collins, que levaria o grupo para um som menos progressivo e mais comercial (com exceção do excelente álbum de 1983, o único realmente progressivo feito sob as batutas de Collins). Gabriel por sua vez prosseguiu com sua bem sucedida carreira solo, que por incrível que pareça não possui pontos baixos.

Gabriel é que merecia todos os elogios do mundo. Num ato de verdadeiro fanatismo e desespero necrófilo, quiseram atribuir todas as qualidades de Gabriel a Michael Jackson (responsável pelo álbum mais vendido da década e ídolo absoluto da massa em geral naquele momento), que de gênio não tinha nada: era um cantor mediano, bom dançarino e que cercou de gente competente para ajudar a fazer sucesso. Tinha sorte, até morrer em 2009. Jackson não era um criador, como ainda é Peter Gabriel, que com seu So ainda teve a oportunidade de se aproveitar dos clipes, não para disfarçar a pouca qualidade do repertório como fez Jackson, mas como complemento visual de suas canções e isca para atrair jovens menos acostumados com a supostamente rebuscada obra do ex-Genesis.

So é um album para ficar para sempre. Aliás, toda a discografia de Gabriel foi concebida para a eternidade, já que o ex-Genesis sempre esteve a frente de seu tempo. Gabriel vive em outra dimensão, em que as relações tempo/espaço não podem ser entendidas normalmente, e sim através de suas obras primas imperecíveis que ainda tem muito a nos dizer.

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NOTA: Toni Levin é um músico subestimado. Músico americano, baixista de qualidade superior, Levin teve a felicidade de além de integrar a banda fixa de Peter Gabriel em vários álbuns e em concertos, ainda integrou a melhor fase do King Crimson de Robert Fripp, que com suas obras de arte deram "chinelada" na maior parte do que era produzido na época. Em qualquer trabalho, Levin já é uma atração a parte.

Levin (uma figura simpática, marcada por sua careca e seu bigode, que frequentemente faz as backings com sua voz bem grossa, nos trabalhos de Gabriel e do Crimson), junto com Peter Hook do New Order e com Paul McCartney (esses dois nesta semana se apresentando no Brasil), são os melhores baixistas que eu conheço.

O baixo já é um instrumento subestimado, utilizado mais para servir de graves para as músicas. Esse instrumento é tão esnobado, que no pop juvenil comercial ele é até ausente. Madonna, por exemplo nunca teve baixistas em sua banda de apoio, já que os graves eram feitos por sintetizadores, sempre presentes na pop de mercado.

O "preconceito" contra os burros não é preconceito

 

Ninguém gosta de ser chamado de burro. principalmente os burros. Por serem burros, só conseguem entender aquilo que está a seu alcance, acreditando ser o máximo de inteligência que existe. Por não enxergarem além do que sabem, acham que sabem tudo. E são justamente os burros que mais se irritam quando chamados de burros.

Na era da mediocridade, quando os poderosos entenderam que a melhor maneira de imobilizar a sociedade não é amordaçando-a e sim supervalorizando a burrice, calando a voz dos inteligentes e fazendo falar os ignorantes que, acabam ganhando poder e visibilidade, transformando a burrice numa nova forma de "inteligência.

O resultado está aí: cultura ruim hegemonizada, a religiosidade medieval seduzindo a juventude, a superestima das festas, o lazer alienado, futebol como sinônimo de "patriotismo", além da incapacidade de resolução dos problemas, já que a população prefere usar o tempo em que não está no emprego para fugir dos problemas e não para resolvê-los.

E isso agrada e muito as elites, afinal mantém tudo isso aí como está. Quem critica esse sistema tosco e imbecil acaba sendo rotulado de preconceituoso. Como se a valorização do burro fizesse os burros mais felizes.

Mas como burro mais feliz? A felicidade de uma pessoa deveria incluir o direito de ser inteligente. Inteligente na prática, de fato e não apenas no rótulo. Também fazer como os direitistas que preferem falar mal dos burros do que ajudá-los a se educarem melhor é outro erro, tão cruel quanto entregar as rédeas da cultura na mão dos ignorantes.

Para mim, rejeitar os burros não é preconceito. Mas o erro é apenas rejeitar os burros. Mas burro crescido, teimoso, deve ser rejeitado. Não quer se evoluir, não dê pitaco. Fique na sua. Ou evolui o seu intelecto ou fica calado na sua. Agora, para quem quer se evoluir, sair da mesmice popularesca, esse merece uma oportunidade, desde que queira de fato sair do lodo que a "cultura das ruas" quer derramar na sociedade.

Deveria, desde o  início, ter uma educação melhor. Não aquela educação mnemônica que só serve para o mercado de trabalho. Mas uma educação cidadã, que ajude a desenvolver o discernimento, o senso crítico e uma independência intelectual das instituições e de líderes prestigiados. Uma educação que lhe fala pensar por si só e detectar os erros na sociedade sem que outra pessoa lhes diga como fazer. Essa sim é a verdadeira inteligência, ausente em quase toda a sociedade brasileira de hoje, acostumada até hoje a receber ordens de "líderes" mercenários e autoritários.

A suposta "liberdade" e as supostas "conquistas" das classes menos escolarizadas são pura fachada. os burros continuam cada vez mais burros e conquistando "poder", acabam por ensinar tudo errado para a sociedade, consagrando valores duvidosos e evitando o surgimento de soluções para os problemas, injustiças e preconceitos que duram séculos em nossa sociedade.

Ou seja, preconceito mesmo é aceitar a sociedade como está. Aliás, quem foi que disse que preconceito é só rejeição? Aceitar algo de qualidade duvidosa também é preconceito, pois aceita-se sem pensar, sem refletir. Consagramos o significado da palavra preconceito como rejeição. E a aceitação irresponsável não é também preconceito?

Temos que educar melhor a população, ao invés de idolatrarmos ignorantes que por causa da fama e do prestígio conquistado viram "líderes" de uma hora para a outra, aumentando ainda mais o estrago social que só prejudica ainda mais a sociedade através da consagração dos valores duvidosos que acostumamos a supervalorizar.

Quem não quer aprender, que fique calado na sua. Dar um microfone para um ignorante não vai resolver injustiça nenhuma. Pelo contrário, só aumenta essas injustiças, dando aparência de "justiça social conquistada".

Eu esperava que o século XXI fosse de grandes avanços e conquistas. O que vejo é uma estagnação intelectual somada ao emburrecimento coletivo que mantém a nossa estima bem baixa. Estima tão baixa que dependemos de uma supérflua vitória em uma competição esportiva para nos acharmos os "melhores do mundo".

terça-feira, 18 de maio de 2021

Brasileiros, esse povo estranho que só entende o "sim" e só sabe falar o "não"

Os brasileiros são um povo que adora ilusão. E o que são as ilusões senão uma espécie de "sim" artificial e fictício, colocado pelas pessoas para fugirem do "não"?

Os brasileiros são um povo estranho que adora dizer "não" aos outros, mas só quer ouvir essa palavra linda conhecida como "sim". Fazem de tudo para não ouvirem "não", embora digam essa palavra aos outros o tempo todo.

Muito provável que o povo brasileiro aja assim porque ainda não ouviu o "Grande Não", uma decepção de níveis homéricos, já ouvida por muitas das nações que acabaram se desenvolvendo.

E olha que ainda poderemos ouvir o "Grande Sim" na forma da conquista do hexacampeonato futebolista em nosso território. Um imenso "sim" que não traz benefícios, não evolui ninguém , mas traz aquele conforto paliativo desejado por quem quer fugir da palavra "não", mas que pode mergulhar toda a nação numa lisérgica letargia que certamente impedirá o desenvolvimento social. E, para acrescentar, como falei antes, o "sim" não educa.

E mergulhado em falsos "sims", a sociedade brasileira vai se acreditando próspera até que venha o inesperado "Grande Não" devolver a população à realidade, educando-a de uma vez por todas.

Fiquem felizes. O "não" pode ser incômodo. Mas não mata ninguém.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

O poder da palavra "Não"

Místicos e neurolinguistas (que na verdade são um tipo de místicos) detestam a palavra não. São capazes de escrever livros sem usar a tal palavra. Otimistas, acreditam que o não (olha eu usando a palavra!) uso dessa palavra atrai energia positiva. Bobagem. palavras não geram energias.

Na verdade o não nos educa bastante. Ouvir "não" pode até ser desagradável mas não mata. Gera alguns danos, verdade, mas é a palavra que mais ouvimos na vida.

Eu mesmo ouvi muito mais "nãos" do que "sims". Já ouvi inclusive "Sims" negativos, que matematicamente falando, são na verdade "nãos" ditos de outra forma. O que é um "sim" negativo?

Sabe quando você se dá bem naquilo que não se quer se dar bem? A conquista de uma garota que a gente não gosta, um emprego que nada tem ver com nossa capacidade, um prêmio inútil, são alguns exemplos de "Sims" negativos. É aquele sim que você não queria ouvir, preferindo neste caso um "não". Matematicamente, como eu disse, significa "não" por lembrança daquela regra que diz que um sinal negativo antes de uma conta, inverte a sua operação. É menos levado por mais.

Não, essa palavra tão íntima...

Nossa sociedade adora dizer não. E diz o tempo todo. Quase não diz sim. Para dizer "sim", exige algo. E não adianta negarmos essa exigência. O "sim" diante das exigências mais estapafúrdias é a possibilidade, mas não a garantia da aquisição de certos benefícios. benefícios que essa sociedade teria o maior prazer de negar, se não fosse essa troca, por mais injusta que seja. Em muitos casos te pagam apenas um centavo pela sua Ferrari. Te pagam bem pouco, quase nada. Mas você não pode dar a eles menos que uma Ferrari.

Dá para perceber porque o "não" é uma palavra bem conhecida de todos nós. Uma palavra íntima. Já o "sim", de aparição tão rara, nos torna um estranho tão inesperado, que quando ele aparece, muitas vezes nem acreditamos, ficamos nervosos. O que será que esse grande desconhecido fará conosco? Muitos acabam dizendo "não" ao sim (as mulheres adoram fazer isso), jogando fora excelentes oportunidades.

O "não" educa. Pois previne "nãos" bem piores

não educa. Educa mesmo. As limitações que vem carregadas em sua semântica muitas vezes nos privam do orgulho, do egoísmo e de todos os erros resultantes ou não destes. Muitas vezes um "não" previne um outro "não" ainda mais danoso.

Dizer "não" a alguém é bom, porque fere o orgulho. Já repararam que as pessoas mais arrogantes, teimosas e egoístas passaram a vida inteira só ouvindo "sim"? Estão tão acostumadas com esta palavra que quando encontram em seu caminho uma pessoa que lhes diga "não", entram em violenta cólera, algumas com vontade de tirar a vida de quem lhes pronunciou a incômoda palavra.

Por isso, um conselho a todos os país. Sempre digam o "não". Não façam sempre a vontade de seus filhos. Eles muitas vezes nem sabem direito o que querem. Dizer "não" irá prepará-los para um mundo que irá dizer muitos "nãos" em sua trajetória. Preparar o filho para essa palavra tão pronunciada é uma medida que prevenirá grandes transtornos.

domingo, 16 de maio de 2021

Linguista revela o nascimento de uma língua

ENCORPANDO A VITAMINA: Essa é uma grande notícia para quem estuda a linguagem. O normal é que línguas desapareçam, sufocadas pelos idiomas mais utilizados. isso é importante, pois junto cm as línguas, vem uma nova cultura, um novo estilo de vida. Tomara que estudos se aprofundem a respeito desta língua, ara que não desapareça como muitas outras.

E ainda tem gente que chama os povos tribais de "selvagens" e "ignorantes". O surgimento desta nova língua, para mim, é uma verdadeiro sinal de sabedoria e inteligência, pois línguas não nascem do nada.

Linguista revela o nascimento de uma língua

Por Nicholas Bakalar- The New York Times - 2013

Há muitas línguas que estão morrendo pelo mundo. Porém, ao menos uma parece ter nascido recentemente, criada pelas crianças que vivem em um vilarejo remoto do norte da Austrália.

Carmela O’Shannessy, linguista da Universidade do Michigan, tem estudado a fala dos jovens há mais de uma década e concluiu que eles não falam nem um dialeto, nem uma mistura de línguas conhecida como crioulo, mas uma nova língua com características gramaticais exclusivas.

A língua, chamada warlpiri rampaku, ou warlpiri leve, é falada apenas por pessoas com menos de 35 anos em Lajamanu, um vilarejo isolado com cerca de 700 pessoas no Território do Norte da Austrália. Ao todo, cerca de 350 pessoas falam o idioma como língua nativa. O’Shannessy publicou diversos estudos sobre o warlpiri leve, o mais recente na edição de junho da revista Language.

“Muitos dos primeiros falantes dessa língua ainda estão vivos”, afirmou Mary Laughren, pesquisadora do departamento de linguística da Universidade e Queensland, na Austrália, que não estava envolvida no estudo. Uma das razões pelas quais a pesquisa de O’Shannessy é tão importante, afirmou, “é que ela foi capaz de gravar e documentar um ‘novo’ idioma em um estágio muito inicial de sua existência”.

Em Lajamanu todo mundo também fala Warlpiri “forte”, um idioma aborígine que não tem relação com o inglês e é falado por cerca de 4.000 pessoas em diversos vilarejos australianos. Muitos também falam kriol, um crioulo baseado no inglês que foi desenvolvido no fim do século XIX no norte da Austrália por aborígenes de diferentes idiomas.

Os pais de laja Manu gostam que os filhos aprendam inglês para poderem se comunicar com o restante do mundo, mas também desejam preservar o Warlpiri como língua de sua cultura.

O isolamento de Lajamanu pode ter algo a ver com a criação do novo idioma. O vilarejo fica a 880 quilômetros ao sul de Darwin, e o centro comercial mais próximo é Katherine, a cerca de 540 quilômetros ao norte. Não existem vias completamente pavimentadas.

Um avião, um dos sete que pertencem à linha aérea comunitária Lajamanu Air, pousa duas vezes por semana na pista de terra do vilarejo, trazendo o correio de Katherine, e uma vez por semana um caminhão traz comida e suprimentos que são vendidos na única loja do vilarejo. Um gerador a diesel e uma usina de energia solar fornecem eletricidade.

O vilarejo foi criado pelo governo australiano em 1948, sem o consentimento das pessoas que viveriam nele. O setor de relacionamento com os nativos do governo federal, preocupado com a superpopulação e a seca em Yuendumu, removeu 550 pessoas à força e as levou para Lajamanu. Ao menos duas vezes o grupo caminhou de volta até Yuendumu, apenas para ser novamente carregado depois de chegarem.

O contato com o inglês é bastante recente. ‘Essas pessoas eram caçadores e coletores, caminhando através do território’, afirmou O’Shannessy. ‘Mas então vieram os brancos, as fazendas de gado, as minas, e assim por diante. As pessoas foram forçadas a parar de caçar e coletar alimentos’.

Nos anos 1970 os aldeões já haviam aceitado a nova casa e o Conselho de Lajamanu foi criado como uma autoridade comunitária de autogestão, a primeira no Território do Norte. No censo de 2006, quase metade da população tinha menos de 20 anos e o governo australiano estima que em 2026 o número de indígenas com idades entre 15 e 64 anos passará de 440 a 650 pessoas.

O’Shannessy, que começou a estudar o idioma em 2002, passa entre três a oito semanas por ano em Lajamanu. Ela fala e entende tanto warlpiri, quanto warlpiri leve, mas não é fluente.

Os habitantes de Lajamanu frequentemente fazem o que os linguistas chamam de alternância de códigos, ou seja, a mistura de mais de um idioma ou a troca de idiomas durante a fala. Além disso, muitas palavras do warlpiri leve são derivadas do inglês ou do briol.

Porém, o warlpiri leve não é apenas uma combinação de palavras de idiomas diferentes. Peter Bakker, professor associado de Linguística da Universidade Aarhus, na Dinamarca, que tem inúmeras publicações sobre o desenvolvimento de idiomas, afirmou que o warlpiri leve não pode ser considerado um pidgin porque pidgins não possuem falantes nativos. Ele também não é um crioulo por que todo crioulo é um idioma novo que combina duas línguas distintas.

‘Esses jovens desenvolveram algo inteiramente novo’, afirmou. ‘O warlpiri leve é claramente um idioma nativo.’

O’Shannessy oferece o seguinte exemplo, falado por uma criança de quatro anos: Nganimpa-ng gen wi-m si-m worm mai aus-ria. (Nós também vimos vermes na minha casa.)

É fácil perceber a presença de diversos substantivos derivados do inglês, mas o sufixo -ria em ‘aus.’ (casa) significa ‘em’, ou ‘na’, e vem do Warlpiri. A terminação -m no verbo ‘si’ (ver) indica que o evento está acontecendo ou aconteceu no passado, um tempo verbal ‘presente ou passado, mas não futuro’ que não existe nem no inglês, nem no warlpiri. Essa é uma forma de falar tão diferente do warlpiri e do kriol que constitui uma nova língua.

Segundo O’Shannessy, o desenvolvimento da língua foi um processo que ocorreu em duas etapas. Ele começou como a fala infantilizada usada pelos pais com seus filhos, em uma combinação de três idiomas. Então, as crianças adotaram esse como seu idioma nativo, acrescentando inovações radicais na sintaxe, especialmente no uso das estruturas verbais, que não estavam presentes em nenhuma das línguas iniciais.

É difícil saber por que uma nova língua se desenvolveu nesse lugar, justamente nesse momento. Esse não era o caso de pessoas que precisavam se comunicar em um idioma comum, uma situação que pode levar ao surgimento de um pidgin ou um crioulo.

Bakker afirma que novas línguas são descobertas de tempos em tempos, mas que essa é a primeira vez que foi possível acompanhar o desenvolvimento de um idioma a partir da fala das crianças.

O’Shannessy sugere que forças sutis podem estar em ação. ‘Acho que a identidade tem um papel importante’, afirmou. ‘Depois que as crianças inventaram um novo sistema, ele se tornou um marcador de sua identidade como warlpiri jovem da comunidade de Lajamanu.’

A língua se estabeleceu tão bem entre os jovens que já se levantam questões sobre a sobrevivência do warlpiri forte. ‘Por quanto tempo as crianças falarão tantas línguas? Eu não sei’, afirmou O’Shannessy. ‘Os mais velhos desejam preservar o warlpiri, mas não sei se é isso que vai acontecer. O warlpiri leve parece ser bastante robusto.’

Cientista britânica imagina forma de vida alienígena alternativa

OBS: Ainda não temos condições de entender como funciona a vida extraterrestre. Mas não custa imaginá-la, com base de dados científicos lógicos e reais, sem a fantasia tola dos livros fantásticos e da alicinada Ufologia, já que a Astrobiologia parece explicar com maior realismo a vida fora da Terra.

Cientista britânica imagina forma de vida alienígena alternativa

06 de julho de 2012 • 10h34 - Texto e informações da BBC Brasil

Uma cientista britânica divulgou desenhos de como imagina seres alienígenas que poderiam ter se desenvolvido em um mundo com as características de Titã, uma das lua de Saturno.

As criaturas imaginadas por Maggie Alderin-Pocock lembram águas-vivas e poderiam, segundo ela, flutuar sobre nuvens de gás metano, recolhendo nutrientes químicos por fendas que servem de bocas. Bolsas com formas de cebolas se moveriam para cima e para baixo para ajudar na movimentação, e feixes de luz seriam usados para a comunicação.

Assim como os seres humanos não sobreviveriam sob as condições da atmosfera de Titã, as águas-vivas alienígenas seriam corroídas na atmosfera de oxigênio terrestre. Os alienígenas foram imaginados por Alderin-Polock como parte da promoção de um novo programa apresentado por ela no canal de documentários Eden, transmitido por cabo e satélite na Grã-Bretanha.

Imaginação limitada

"Nossas imaginações são naturalmente limitadas pelo que vemos no nosso entorno, e o senso comum é de que a vida precisa de água e é baseada em carbono. Mas alguns pesquisadores estão desenvolvendo trabalhos muito instigantes, jogando com ideias como formas de vida baseada em silício", observa Alderin-Pocock.

Ela observa que o silício está logo abaixo do carbono na tabela periódica e que os dois elementos têm muitas semelhanças químicas. Além disso, o elemento seria amplamente disponível no universo. "Talvez podemos imaginar instruções semelhantes para a formação do DNA, mas com silício em vez de carbono. Ou então a vida alienígena poderia não seguir nada parecido com o DNA", diz.

Ela diz que as últimas descobertas sobre planetas orbitando em volta de outras estrelas na Via Láctea a levam a acreditar que até quatro civilizações extraterrestres desenvolvidas poderiam existir nesses locais.

Mas ela adverte que a longa distância entre elas e a Terra significa que é remota a capacidade dos humanos de encontrá-los ou mesmo de comprovar sua existência.

"A sonda Voyager 1, que leva gravações de saudações da Terra em diferentes línguas, vem viajando pelo Sistema Solar desde os anos 1970 e somente agora chegou ao espaço profundo", observa. "Para chegar à estrela mais próxima do sistema Solar, Proxima Centauri, poderia levar 76 mil anos", diz.

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