quarta-feira, 29 de julho de 2020

Classes sociais que as esquerdas brasileiras desprezam ou às vezes humilham

Os esquerdistas vivem batendo no peito garantindo que não são preconceituosos. Não é bem assim. As esquerdas trabalham em prol da maioria - pois entendem que a democracia é a defesa dos interesses da maioria, já que a lógica impossibilita a satisfação a todos - e não raramente acabam desprezando classes Classes sociais que as esquerdas brasileiras desprezam ou às vezes humilham, minoritárias não apenas em prestígio sócio-econômico como minoritárias em número de pessoas. Vamos listar as classes sociais que as esquerdas nunca se empenham em lutar a favor.

1. ATEUS

Apesar do patrono dos esquerdistas, Karl Marx ter sido ateu, e mesmo havendo alguns ateus entre os esquerdistas brasileiros, os esquerdistas brasileiros estão cada vez mais religiosos, repetindo "Amen", "Amen" e "Amen" com muito mais frequência do que sai da boca de Edir Macedo. Sabendo que religiosos são maioria em um país religioso, as esquerdas preferiram se unir a quem tem fé, visando benefícios. Ateus, por serem minoria esmagada, não oferecem benefícios. Apoiá-los ou desprezá-los não faz muito diferença.


2. AVESSOS AO FUTEBOL

Um dogmas dos esquerdistas brasileiros consagrou a ideia - criada pela direita - de que o futebol é um dos símbolos cívicos do Brasil. Mesmo sendo símbolos culturais, o samba e a feijoada não desfrutam deste privilégio de se igualar à bandeira e ao hino. O futebol, sendo um símbolo não somente cultural, mas cívico, como a bandeira nacional, se tornou obrigação nacional. Quem se recusa a gostar de futebol é desertor e deve ser punido, no mínimo com desprezo. Dito e feito.


3. ABSTÊMIOS NÃO RELIGIOSOS

Nem todo mundo gosta de vida agitada. E nem todo mundo é obrigado a cumprir certos rituais sociais. Beber ou não deveria ser considerado uma opção. Mas os adultos ignorantes tratam a obrigatoriedade de beber álcool como "liberdade". A liberdade de se cumprir uma obrigação? Que contradição! De qualquer forma, as esquerdas não perderão tempo para defender o direito de quem não quer beber álcool. Até porque as esquerdas estão ocupadas, enchendo a cara de álcool em algum bar da esquina.


4. VITIMAS DE BULLYING

Apesar de existirem no exterior muitas campanhas anti-bullying, as esquerdas parecem meio paradas em relação ao assunto. Não há campanhas em defesa de jovens humilhados por colegas de escola e nem mesmo do assédio moral, que é o bullying no trabalho. Por mais que esquerdistas se assumam contra bullying, há uma certa inércia em combater isto.


5. HOMENS NÃO-MACHISTAS PREJUDICADOS POR MULHERES

Apesar do feminismo ter características que lembram atitudes fascistas, as feministas se assumem de esquerda. E o apoio é recíproco, já que as esquerdas apoiam sem restrições o feminismo, sem medir as suas consequências. Para os esquerdistas, o feminismo beneficia toda a humanidade (embora as medidas divulgadas beneficiem apenas as mulheres), o que ajuda muito a calar a voz dos homens prejudicados, principalmente os não-machistas, que sofrem todo e qualquer abuso feminino (sobretudo na área financeira), sem ter com quem reclamar.


6. LOOSERS SOLITÁRIOS

A conquista amorosa sempre foi cheia de regras. Elas aumentaram ainda mais com o aumento dos casos de assédio e com o fim do romantismo (substituído por uma espécie de sensualismo leve e bebum). Ficou muito difícil arrumar alguém para contrair matrimônio. Ainda mais em tempos em que as pessoas, incluindo seguidores de políticas de esquerda, estão perfeitamente idiotizadas. Mas as esquerdas nunca se empanham em resolver estes problemas, preferindo humilhar homens solitários, tratados como nazistas frustrados e solteironas, tratadas como piranhas alcoolizadas. Com maior parte de personalidades muito bem casadas, as esquerdas nunca conseguem entender os solitários.


7. DESEMPREGADOS

Sim, acredite. Esta classe é solenemente desprezada pelas esquerdas brasileiras. Mesmo demonstrando alguma preocupação com o aumento dos níveis de desemprego, os desempregados são uma classe bastante desprezada por uma política muito mais voltada às causas identitárias (prioridade das esquerdas brasileiras) que as trabalhistas. Quando há alguma ajuda, é sempre no mesmo padrão das religiões e das organização não-governamentais, quase sempre paliativa. Mas nada é feito de fato, nem mesmo através de meras campanhas, para combater o desemprego de forma prática.


8. AVESSOS À NOITADAS

As regras de convívio social decretaram que adulto se diverte de noite. Com uma carga de trabalho alta, só resta o turno da noite como tempo livre, o que acabou consagrando o horário como típico para a diversão adulta. Com o tempo, as noitadas se consagraram como diversão de adulto, se tornando uma obrigação para quem quer manter a vida social ativa e constante. Mas nem todo mundo gosta e muita gente prefer usar a noite para descansar, sem se preocupar em aumentar o número de amigos, preferindo um estilo de vida mais pacato. Mas para quem entende a felicidade como sinônimo de agito e enlouquecimento, pra quê defender o direito a uma vida pacata. Quem gosta de sossego que se vire e vamos defender o direito de quem quer viver de acordo com a maioria, no meio da multidão.

domingo, 26 de julho de 2020

A Hipocrisia da "Cultura das Ruas"

Os ricos encontraram um modo de fingir que são contra as desigualdades sociais sem distribuir suas polpudas renda e bens: pegar para si a cultura supostamente dos guetos, favelas e periferias e "assimilá-las" como se com isso estivessem se "solidarizando" com os pobres.

Mas ultimamente, com a "cultura das ruas" já devidamente inserida entre os ricos jovens sobretudo dos EUA, do Japão e do Brasil, já ficou praticamente impossível esconder a hipocrisia que está por trás disso tudo. A sociedade não melhorou, a renda continua concentrada e os pobres além de não  recuperarem a dignidade ainda tem que conviver crônicamente com os problemas tradicionais que nunca se encerram. Na verdade essa adesão dos ricos, sobretudo celebridades a "cultura das ruas" é uma farsa e tem objetivos cruéis por trás disso.

Pode ser uma forma de iludir os mais pobres, transformando o rico explorador em "alguém que a gente pode confiar e que poderá nos ajudar". Assim, o rico não fica com má imagem e poderá explorar à vontade, pois ele "não parece mau, pois está do nosso lado". Desta forma as injustiças são até mais suportadas pois a adesão dos ricos a uma cultura supostamente de pobres os torna simpáticos diante a massa necessitada.

"Cultura das Ruas" não é cultura legítima

Tem outra coisa: a chamada "Cultura das Ruas" na verdade é uma farsa. Não é a cultura legítima das classes pobres e sim um tipo de "cultura" que os ricos querem que os pobres curtam. Se pararmos para pensar e observarmos os detalhes mínimos, perceberemos que o que os ricos fazem em fingir que "são da periferia" é na verdade uma propaganda de um produto crido pelos ricos para os pobres consumirem. É uma forma de impedir a intelectualização do povo pobre. A burguesia sabe muito bem que a inteligência é uma poderosa arma nas cabeças de uma pessoa economicamente carente.

Os ricos querem que os pobres sejam ridículos e burros. Que não tenham classe nem elegância. Que tenham uma imagem negativa para que não possam afastar autoridades na hora da negociação. Ou acham possível que um pobre dançando os passos ridículos do "funk" possam ser levados a sério em um debate? Na melhor das hipóteses,  a ideia é fazer com que os pobres sejam vistos como micos de realejo, bonitinhos enquanto estão apenas dançando, mas assustadores quando começam a reclamar.

Claro que há pobres inteligentes - e não são poucos! - que gostariam muito de não serem associados a formas ridículas e humilhantes de "cultura". Mas estes são isolados, escondidos dos holofotes ou mostrados como "exceções", como se estivesse "negando a sua essência natural". Normal mesmo é ver pobres fazendo o papel de ridículos na televisão ou nos palcos.

Cultura como forma de manipulação e imobilização

Com a derrubada do Muro de Berlin em 1989, a burguesia sentiu que o Capitalismo teria que ser fortalecido. Mas não fazia sentido usar os meios tradicionais de domínio. Descobriram que a manipulação cultural seria uma excelente forma de dominação, pois cortaria o mal pela raiz, impedindo as classes dominadas de se intelectualizar.

Por isso, as gravadoras, produtoras e meios de comunicação foram orientadas e treinadas para criar formas de "cultura" que ajudassem a "esvaziar" os cérebros das pessoas e que lançasse mão da alienação como uma forma de imobilização, impedindo que o pobre tenha conhecimento da realidade. Sem o conhecimento da realidade, as classes dominadas ficariam na inércia cotidiana de aceitar as coisas como estão, permitindo que as elites abusem, explorem e excluam de forma pacífica.

E daí surgem coisas como o brega-popularesco no Brasil, o hip-hop nos EUA e o Jpop no Japão (só para citar alguns exemplos), que se esforçam ao máximo em desviar as classes dominadas da intelectualidade, fazendo-os pensar que dançando alegremente "estarão mudando o mundo". Mudando só se for para pior.

E a adesão dos ricos a formas deturpadas e alienadas de "cultura", alem de ser hipócrita, por não influir na conquista da dignidade do povo mais humilde, pode ser uma propaganda a legitimar estas formas mercantis e toscas de "cultura" na tentativa de legitimar formas que impeçam o pobre a pensar, a sentir e a contribuir pela melhoria do mundo.

Com isso a cultura se torna o processo mais bem sucedido de dominação que imobiliza classes inteiras, sem soltar um tiro e sem derramar uma única gota de sangue.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Pandemia de Depressão

Especialistas em comportamento humano já haviam alertado há muitos anos: a depressão seria o mal do século XXI e poderia matar mais que o câncer, este o mal do século XX. A quarentena imposta pela covid 19 não somente confirmou como fortaleceu esta tese. A decepção com a humanidade, que se recusa a se evoluir, cada vez mais burra e gananciosa, agrava ainda mais o quadro.

O aumento de casos de depressão esta vindo com proporções estratosféricas. O número de suicídios ainda não é grande, mas aumenta a cada mês. Pessoas choram todos os dias. Mesmo os mais abastados demonstram cada vez mais insatisfação, aumentando ainda mais a ganância, na tentativa desesperada de procurar uma razão para viver (e nunca encontra, repetindo e aumentando o processo de aumento desenfreado de bens, direitos e recursos, sempre de forma fracassada).

A depressão que chega é resultado de nossa imaturidade coletiva. Os seres humanos ainda não estão preparados para respeitar o próximo. Cada um, baseando no instinto cada vez mais animalesco, trata de cuidar de seus interesses a ponto de arruinar o dos outros, chegando a matar os outros ou até se matar se a ocasião exigir.

Isso é algo preocupante e ainda não apareceu uma cura definitiva para este mal, que é quase sempre tratado com medidas paliativas. Se alegra durante momentos e minutos depois lá está a danada da depressão batendo em nossas portas para nos entristecer de vez.

Estudos seguem silenciosamente para tentar encontrar soluções para a depressão. Mas o problema é que a ganância dos mais bem sucedidos tem criado um sistema complexo cheio de ramos que impede que muitas pessoas tenham direito a uma dignidade seja material ou psicológica. Enquanto não resolvermos o problema da ganância, a depressão continuará. Lamentavelmente.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Respeitem a Miranda Cosgrove!

ENCORPANDO A VITAMINA: Estava usando o Instagram, lendo as notícias do dia e me reparei com este texto, publicado pelo responsável por uma página de fã dedicada a atriz e apresentadora do programa de ciências Mission Unstoppable, Miranda Cosgrove, que dedica a mostrar mulheres cientistas, seus trabalhos e como a ciência influencia a vida de mulheres no mundo atual.

Este texto, traduzido e revisado por mim, com ajuda do Google Tradutor, é um desabafo. Miranda Cosgrove, por quem tenho uma forte queda, costuma ser alvo de várias ofensas por ser uma celebridade pacata, que consegue manter a sua vida tranquila longe das encrencas costumeiras da maioria das celebridades. 

Muitas pessoas enxergam hipocrisia quando encontram celebridades discretas e de vida pacífica e tranquila e decidem ofendê-las, acreditando que esta suposta hipocrisia irá se dissipar e revelar uma pessoa perversa ou pervertida por trás da celebridade pacata. 

Por outro lado, nesta inversão de valores, celebridades assumidamente promiscuas como Miley Cyrus e Bella Thorne costumam ser respeitadas, pois, por serem meio pervertidas, não são consideradas hipócritas. Agem como as pessoas esperam que ajam.

Este texto abaixo é um texto em defesa de Miranda Cosgrove, uma das celebridades com melhor caráter do showbiz, que começou a carreira na infância, destruindo o mito de que toda celebridade que começa na infância enlouquece na vida adulta. 

Hoje Miranda segue sua vida normal, cursa duas faculdades (Artes cênicas e Psicologia), tem o seu próprio carro, onde costuma tirar selfies para agradar aos seus fãs sinceros e respeitosos (até porque ela sabe que é uma mulher lindíssima), além de divulgar seu trabalho recente como apresentadora de um programa tão interessante.

Miranda, felizmente não dá bola para ofensores e continua com a sua vida normal, com a cabeça absolutamente no lugar e seu jeitinho meigo e charmoso que é raro nas mulheres adultas. Dou todo o meu apoio a Miranda Cosgrove, exigindo dos outros mais respeito. Ela não causa problemas a ninguém! Porque insistem em causar problemas a ela?

Eu concordo plenamente com todo o texto abaixo.

Esta postagem é diferente das outras

Autoria do Responsável pelo perfil "____mirandacosgrove____" no Instagram

Ok, este post é algo diferente dos outros. Este é para dirigir a alguns idiotas que tentam desrespeitar e agredir Miranda Cosgrove de qualquer maneira possível. 

A foto aqui (publicada no Instagram - nota do tradutor) é Miranda e um homem que a estava perseguindo e depois foi preso. Não suporto pessoas que a tratam como um objeto e só querem ter um caso com ela e o que não. Como ousa alguém machucá-la assim? 

E então as pessoas a chamam de Michael Jackson ???? Como a sério ?? Mesmo que ela se parecesse com ele, ainda não está certo chamá-la de Michael Jackson, porque ele literalmente tinha uma condição médica que o levou à sua morte. 

Eu faria qualquer coisa para proteger Miranda de palhaços como estes. Ela merece ser respeitada de todas as maneiras possíveis. Qualquer um que a desrespeite merece ser desrespeitado de volta. Não vou deixar ninguém machucar Miranda porque ela significa muito para mim e para os outros. 

Me desculpe, Miranda. Eu realmente peço desculpas a você, porque você precisa lidar com alguns idiotas que não têm nenhum respeito por você. Eu sempre terei respeito por você, não importa o quê. Você é um anjo para mim. Deus te abençoe muito, e eu sempre orarei por você. Obrigado.

#Miranda Cosgrove

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Elitismo à moda baiana

É notável o fato de que a região nordeste do Brasil é mais humanista e mais inteligente que o sul-sudeste do país. Consegue resolver seus problemas com facilidade, mas se mantém na miséria por falta de recursos, já que as elites do país sempre sabotam para que os mais carentes nunca saiam de sua humilhante situação. Inclusive as elites nordestinas.

Ah, essas elites nordestinas... Conseguem ser piores que as elites de outros lugares. Acuadas por um grande número de pobres que ameaçam melhorar de vida, as elites nordestinas são ainda mais odiosas, por conviverem com algo que ameaça a sua confortável ganância e intrometido poder. 

Isso explica porque várias das empreitadas controladas pelas elites fracassam ou seguem precárias, como o sistema de transporte. Em Salvador, ônibus é "transporte de pobre". A classe média é programada desde a infância a ter automóvel, sinônimo de liberdade e dignidade para quem ganha mais de 5000 reais por mês. 

O transporte público soteropolitano ainda segue sofrível. Apesar de algumas melhorias, graças a implantação do metrô, o sistema de ônibus segue caótico. A maior empresa local, a Salvador Norte, está quase falida e cedeu linhas para as outras duas operarem. A frota mais antiga deixa a desejar em conservação. Como empresários costumam ser de elite, a preocupação com melhorias é nula.

Mas conversando com integrantes da classe média, a classe que pensa que é rica e por isso vive puxando o saco das elites, com um estilo de vida que parece uma caricatura do "life style" de magnatas poderosos. Justamente é da classe média que vieram os baianos que votaram em Bolsonaro.

Tenho parentes baianos que pertencem a classe média alta e sei o que estou dizendo. São pessoas deslumbradas, fora do mundo real, que se acham o máximo e que ficam chatadas quando tem que ajudar alguém, mesmo que seja um parente. Religiosos, acham que caridade é dar migalhas aos pobres em instituições religiosas comendadas por verdadeiros charlatões. 

A classe média baiana é um nojo. Metida, se sente claramente incomodada com o "excesso" de pobres que veem pelas ruas. Consideram os pobres como bichos (o que justifica a caridade precária) e isoladas em seus condomínios de luxo ou mansões, falam das maravilhas de ter um mundo só para si, dentro da bolha de sua classe, sem esquecer de bajular os ricaços, sua fonte de inspiração.

Mas não se iludam, a classe média baiana é imbecil, burra e otária. Tratou de se apossar da delirante axé-music, deixando os risíveis arrocha e pagodão para imobilizar os mais pobres. O axé-music, elitizado mas tão ruim quanto os citados ritmos empurrados para os pobres, virou a trilha sonora desta classe imbecil que se acha melhor que quaisquer outras. 

Dois nomes do axé ilustram bem o elitismo baiano: o Netinho do Axé e Ivete Sangalo. O primeiro, falido após sobreviver a um câncer gerado por bombas de vitamina para cavalo, que o deixavam musculoso, virou bolsonarista e não perde a oportunidade de vomitar seu fascismo anti-pobres sempre que pode. No GIF que ilustra esta postagem, o cantor ensina Bolsonaro a dançar.

Quanto a Ivete Sangalo, cantora medíocre que se acha a melhor do Brasil, cujos "melhores momentos" mais parecem versões tupiniquins da intragável Celine Dion, tem origem nobre, embora viva fingindo ser "do povão" e é uma tucana enrustida, participante da passeata direitista "Cansei" e, podre de rica, nunca fez nada que pudesse desenvolver de fato a Bahia. Embora muitos gostem dela, graças ao seu jeito quase masculinizado de fazer piada.

São exemplos de uma elite que idolatra o falecido Toninho Malvadeza (ACM), líder da oligarquia do estado, que é muito bom em criar paisagens urbanas, mas é péssimo no trato com os mais carentes. Afinal, cidade linda com gente feia é coisa que incomoda muito a classe média e sua bajulada elite local. Para muitos abastados (e abestalhados) da classe média baiana, seria melhor que pobres morressem.

É triste ver que a capital baiana possui gente deste nível entre os mais abastados. Isso explica porque um estado com tantos recursos naturais e gente disposta a trabalhar (do contrário do falso mito do baiano preguiçoso), se mantém em crônico atraso. Mas vamos ver se as coisas mudam nos próximos anos. Se essa elite ignorante metida a sabidona deixar...

domingo, 19 de julho de 2020

A classe média brasileira e a hipocrisia

Antes de começar este texto é recomendável saber que o conceito de classe média mudou, graças a obras do sociólogo Jessé Souza, que reclassificou as classes sociais. Classe média é o que chamávamos de classe média alta, enquanto a classe média baixa foi renomeada classe trabalhadora. Os diferentes sucessos obtidos pelas duas antigas classes médias forçaram a reclassificação.

Bom, neste texto vamos usar a classificação de Souza, se referindo a palavra classe média como a antiga classe média alta, que não chega a ser rica como os gigantescos capitalistas, mas tem situação financeira e conforto o suficiente para se achar imune a crises, a ponto de servir de puxa-saco das grandes elites capitalistas e defensora, mesmo enrustida, dois interesses do Grande Capital.

No fundo, é uma classe hipócrita. Mesmo sendo a classe responsável por cuidar do intelecto e da cultura no Brasil, a classe média age como se estivesse vacinada contra crises. Os problemas gerados pela desigualdade social passam bem longe deles. Suas atitudes são típicas de quem não setá muito preocupado com os problemas do país, embora tivessem eles as condições de resolvê-los.

Mas é uma classe influente. Isso, somado ao alerta dado no parágrafo anterior transforma a classe média numa classe perigosa e altamente responsável, cúmplice das elites capitalistas na manutenção do Brasil como um país desigual e sub-desenvolvido. Até porque, para a classe média, caso o Brasil piore, elas têm uma reserva capaz de fazê-la fugir para o exterior, sua verdadeira pátria.

O comportamento desta classe diante do mundo real tem sido no mínimo surreal. No lazer e nas relações sociais demonstram total alienação a ponto de agirem como pré-adolescentes de 12 anos em suas manifestações. Adequado para quem não possui preocupações reais em sua vida, tratando os problemas cotidianos como um asteroide que passa bem longe de nosso planeta.

Classe média de esquerda e o show ainda mais grandioso de hipocrisia

A classe média, por ser a classe mais influente da sociedade, é danada por se meter em causas sociais. Se engana quem pensa que a classe média a faz por altruísmo. Ela faz para melhorar a sua imagem diante da sociedade. Posar de bondoso aumenta o prestígio e garante a confiança que pode ser revertida em benefícios futuros para o integrante da classe média.

Imagine então para os integrantes da classe média que se assumem de esquerda, fenômeno que tem crescido após os desastres causados por Jair Bolsonrao, antigo ídolo desta classe e tido como um "corajoso salvador da pátria". Esquerdistas, que deveriam estar comprometidos com as causas sociais, sobretudo trabalhistas, usam também o altruísmo como forma de auto-promoção.

Além do comportamento típico de classe média, com todos os seus privilégios e cacoetes, os esquerdistas de classe média ainda demonstram um hipocrisia sem precedentes que chega a contrastar com a pseudo-preocupação com os mais carentes. No fundo, desejam atrair não só a audiência das classes trabalhadoras como também impor a estas formas duvidosas de cultura que as humilham.

Na verdade, toda a classe média é hipócrita, seja de direita, de esquerda, de cima, de lado, etc.. Ela nada esta interessada em melhorar o país porque ela está muito bem, obrigada. Dentro de suas casas muito bem confortáveis e muito bem abastecidas se mostram alheias a qualquer crise. Se alguma crise lhes ameaçar aqui no Brasil, a Europa, os EUA, o Japão e a Oceania estão prestes a lhes receber.

sábado, 18 de julho de 2020

O fortalecimento do racismo em tempos de ódio

A intolerância é a parte prática do ódio. Existem muitos tipos de intolerância e o racismo é um deles. Como hoje é uma data importante para lembrarmos o infeliz racismo anti-negros, vamos nos conter a este tipo de intolerância, que como as outras, cresce assustadoramente em tempos de conservadorismo ganancioso e preconceituoso.

Infelizmente o preconceito contra não-brancos não só continua como se fortaleceu nos últimos anos. O neo-conservadorismo altamente excludente reforçou vários tipos de preconceito e o racismo não iria ficar de fora desta triste onda.

As elites estavam com medo de ter que repartir privilégios e patrimônios e acharam por bem ter que limitar o "conceito de humanidade" para que continuassem com seus excessivos supérfluos que les garantem riqueza e poder.

O racismo contra negros, segundo informações contidas no livro O que é Racismo?, do saudoso historiador e escritor Joel Rufino dos Santos, tem origem na necessidade de escolher uma classe a ser excluída da competitividade pela sobrevivência, impor um "defeito" nesta classe para que ela fosse "naturalmente" eliminada da luta pelo alcance a algum direito ou beneficio.

Ou seja, o racismo contra negros e não-bancos é muito mais cruel do que qualquer um pensa e a intenção dos racistas é tirar os não-brancos de seu caminho, para que diminua a concorrência pela aquisição de bens e direitos. Como não-brancos são numerosos, para a elite branca isso representaria uma diminuição brusca de adversários na luta pela sobrevivência.

Eu, como mestiço, já sofri racismo. Mesmo que não sofresse racismo, já sofri bullying, pois meu déficit de atenção me fez cometer muitas gafes e me faz ser um pouco tímido, com medo de tomar várias iniciativas. Quem sofreu bullying sabe o que é racismo (que poderíamos considerar uma espécie de bullying), pois mesmo variando o motivo, o sentimento de ser humilhado e privado de benefícios é exatamente o mesmo.

Sinto bastante tristeza em saber que o racismo ainda continua. Um sinal de que ainda estamos muito primitivos e muito longe de aprendermos o que significa humanidade. O jeito é usar o dia de hoje para refletirmos e tentar um dia a aprender a respeitar pessoas que são um pouco diferente de nós, seja no pensamento, seja na aparência, mas não na essência.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

O Dia do Rock e a burrice crônica do povo brasileiro

A aceitação de uma data criada sem critério e comemorada de forma quase infantil demonstra o caráter alienado do povo brasileiro, considerado por cientistas como um dos povos mais ignorantes do planeta. De fato, brasileiros preferem seguir os instintos e a fé do que raciocinar. Raciocinar exige esforço e abnegação e muitos temem perder bens e direitos pelo simples ato de pensar.

Foi um desfile de verdadeiro pedantismo temperado com um monte de pieguice, vindo principalmente por pessoas e instituições que, em dias normais, prefere passar bem longe de qualquer coisa que lembre a cultura rock. Afinal, vivemos na era de neo-conservadorismo e nada menos conservador que o rock. Só não fale para os roqueiros de direita, entusiastas da contradição que criam.

O fato de brasileiros aceitarem alegremente a comemoração de uma data que corresponde a algo que elas não dão muita importância - a não ser neste fatídico Dia do Rock - demonstra que os brasileiros são um povo burro, alienado e que nos momentos de lazer prefere agir como verdadeiros débeis mentais, a níveis próximos de alguém que precisa ser internado em hospício.

Afinal, um povo que trata o futebol como dever cívico, Michael Jackson o maior gênio do mundo, não vê irregularidades no farsesco "Espiritismo" brasileiro, acha que brigas temperam qualquer casamento, pensa que cerveja não embriaga e ainda cura covid, e ainda elegeu ummiliciano mal-caráter para governar o país, é de se esperar um comportamento tolo em qualquer situação.

Um povo sério teria criado um Dia do Rock mais expressivo, com base em um fato REALMENTE IMPORTANTE para a historia do rock, não um festival eclético pseudo-filantrópico que deu dor de cabeça e prejuízo para seus organizadores. Como por exemplo alguma coisa relacionada com Jimi Hendrix, o maior guitarrista de todos os tempos. Ou fatos tão importantes como Woodstock '69.

Para mim este Dia do Rock nem merece comemoração. Apesar de gostar de rock em suas várias nuances, não comemorei a data. Sei dos motivos por trás de sua criação, que são todos fajutos. E mesmo que a festa dos tolos esteja muito boa, prefiro estar fora. Meu cérebro exige respeito.

Matrimônio de esquerdistas os impede de entender solidão

É sabido que esquerdistas são quase todos casados. Muito bem estabilizados em seus relacionamentos, com filhos e uma vida relativamente confortável, são incapazes de entender a solidão, algo que não faz parte das vidas deles. Isso acaba criando uma série de preconceito, praticados por quem jura de joelhos que não é preconceituoso.

Entre os esquerdistas há um preconceito enorme contra solitários, ainda mais se estes se considerarem infelizes com a solidão. Solteiros alegres ainda são respeitados, enquanto solitários crônicos recebem rótulos pejorativos e são jogados para o canto do convívio social, quando deveria acontecer o oposto.

Por terem relacionamentos estáveis e vida social intensa e movimentada, os esquerdistas, que costumam ser altruístas com favelados (como se a única missão dos esquerdistas fosse apenas dar visibilidade a quem mora nas favelas), mas ignoram totalmente quem é solitário, um problema que não pertence a uma classe econômica definida mas é uma realidade que cresce silenciosamente.

A vida social, incluindo a amorosa, deve ser de responsabilidade de cada um. Pessoas felizes na vida afetiva não sabem resolver problemas de solidão alheia. Quando tentam, quase sempre sai um fracasso. E se ajudam, estão mais interessados em criar uma nova estória de amor do que realmente beneficiar uma pessoa cuja solidão o incomoda.

O PTinder é uma das soluções. Desnecessária, até. A capacidade de influência da mídia alternativa é suficiente para mudar os costumes sociais, tornando a vida social mais democrática, sem aquela mania de seguir a maioria ao estilo "se não pode vencê-los, junte-se a eles". Mas não é interesse de esquerdistas brasileiros mudarem costumes. Brasileiros de esquerda desejam apenas incluir mais pessoas na alegre festa do neoliberalismo.

Por isso que acharam mais fácil ligar o chuveiro em dia de chuva e criar mais uma rede social que de fato tem se mostrado uma rede igualzinha as outras, com pessoas que realmente são iguais a outras, com a única diferença que não votaram no Bolsonaro em 2018. 

Essa é apenas uma das inúmeras derrapadas de uma esquerda que deveria defender o amor livre, que seria uma forma mais democrática de amor, sem casamento (que na prática é uma privatização de seres humanos, como se um pertencesse ao outro, algo tipicamente capitalista). O amor livre corrigiria uma série de erros resultantes das injustiças afetivas de uma humanidade ainda imatura.

De qualquer forma, os esquerdistas, felizes em seus relacionamentos estabilizados e com um milhão de amigos pra bem mais forte poder esquerdizar, são incapazes de oferecer soluções para quem vive solitário. Estes que se virem, jogados em um canto, sob o rótulo de "fascistas", sem ter alguém para recorrer e tirar da triste sina de viver na solidão crônica. 

Uma crueldade, se lembrarmos que humanos são seres sociais e todos tem direito a afeto.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

A enxurrada de roqueiros de ocasião

No último dia 13 de julho, o fatídico "Dia do Rock", começaram a aparecer do nada um bando de figuras normalmente ausentes em outras ocasiões: os roqueiros de ocasião. Várias pessoas e instituições que em outros dias demonstram passar bem longe do rock, resolveram dedicar ao gênero por um dia, como se fosse seu gênero musical favorito. Como se fossem roqueiros desde crianças.

Mas claro! Um evento criado por radialistas não-roqueiros, inspirado em um evento não-roqueiro, só poderia mesmo é ser comemorado por não-roqueiros. Mas como a nossa moral ensina que efemérides sejam comemoradas, mesmo que o motivo não seja justo, todos decidiram botar as línguas para fora e fazer o sinal do capeta com os dedos. Como se rock se limitasse a isso. 

É uma prova de desconhecimento explícito sobre o que a cultura rock que, de fato, está em decadência. Virou coisa de velho e os jovens nem mais querem saber de rock, salvo uma e outra exceção. Mas como um gênero fora de moda é lembrado uma vez por ano de forma idiota por aqueles que preferem passar bem longe do gênero.

Pois foi justamente o que aconteceu. Além do fato dos festejantes demonstrarem claramente a sua falta de intimidade com o gênero, as manifestações foram um desfile de bobagens, como se rock fosse música de gente imbecil. Enquanto isso, muita gente se esforça para disfarçar o patético "funk" carioca em uma arte superior capaz de deleitar o mais elevado intelectual.

Claro que este tratamento dado ao rock teria que ser assim, pois vinha de gente que na verdade preferia estar mugindo numa vaquejada, empinando seus rabos em um baile "funk" ou descendo até o chão em um show de axé music. Para eles, a data serve apenas para dizerem "eu sou rebelde, quero mudar o mundo e vou dar a minha contribuição botando a língua para fora e fazendo o sinal da mão". Lamentável.

Sinceramente o show de homenagens ao rock foi do piegas ao ridículo. Se não bastasse a escolha errada da data - tinha tanta data bem mais representativa... - ainda apareceram um festival de pseudo roqueiros a ensaiar a sua hipocrisia com uma vassoura na mão fingindo ser guitarra.

Os grandes roqueiros consagrados mereciam muito mais respeito...

quarta-feira, 15 de julho de 2020

O Dia Nacional do Homem

Embora no mundo a data seja comemorada no dia 19 de Novembro, no Brasil é num dia como hoje que se comemora do Dia do Homem. E qual é a importância da data de hoje? Para facilitar o entendimento, convém estabelecer uma diferença entre "machismo" e "masculinismo".

Machismo é o domínio do homem sobre a mulher e a consciência de que valores como força e poder são inerentes a masculinidade, sem chance de questionamento e dissociação.

Masculinismo é, ao mesmo tempo, uma resposta aos abusos do feminismo e também a negação dos valores machistas, dando uma visão humanizada do macho, pregando uma igualdade de direitos e deveres entre os sexos.

Esta data tem a importância de lembrar que os homens não são aqueles durões estereotipados que a sociedade tanto acredita. Ainda vivemos numa sociedade que quer se vingar dos erros do machismo. Curioso que são justamente os não-machistas que pagam o preço mais caro pelos erros machistas.

Eu mesmo sinto várias limitações na vida por não corresponder a imagem estereotipada de macho que adora futebol, só se diverte à noite e arruma confusão para se auto-afirmar. Eu nada tenho a ver com isso, sendo um rapaz sensível (quando a emoção vaza, eu choro mesmo), altruísta e responsável. Até a infidelidade tipicamente machista é condenada por mim, pois sonho com uma mulher que possa merecer a minha fidelidade.

Esse ódio secular contra os homens é de uma irresponsabilidade total. Nem todos os homens são iguais. Eu me recuso entrar no estigma do machão dominador. Até porque não quero dominar, quero conviver pacificamente com todos. O comportamento tipicamente machista é muito parecido com o comportamento dos homens das cavernas. Não era hora de se ter esquecido esse estigma?

Hoje, no Dia do Homem, convido toda a sociedade para uma reflexão. Os homens, para ao mesmo tempo exigirem o direito de serem "fracos" e sensíveis e de negarem toda a exploração que as mulheres tem feito, ao confundir aquilo que deveria ser apenas uma gentileza com obrigação. As mulheres, por pararem de querer o dualismo provedor/protetor e pensarem mais no homem-companheiro, aquele que serve para a troca de experiências que irá ajudar a evolução moral e intelectual que tanto precisamos.

Que a sociedade pare de enxergar em qualquer homem um herói. Heróis não existem. O que existem são pessoas dispostas a um convívio altruísta, onde o bem estar de todos é o objetivo de cada pessoa. E é isso que importa.

Feliz Dia dos Homens a todos. Principalmente para mim mesmo!

terça-feira, 14 de julho de 2020

Qual a importância do Live Aid para a história do rock?

Na onda de projetos como o Band-Aid e sua versão americana, USA for Africa (que por incrível que pareça não foi o pioneiro nesta iniciativa), os organizadores do Banda-Aid (os músicos Bob Geldof, do Boomtown Rats e que atuou no filme The Wall, e Midge Ure, do Ultravox) decidiram se fazer um festival supostamente filantrópico chamado Live Aid, unindo partes dos elencos dos dois projetos. 

O objetivo era angariar fundos para ajudar projetos filantrópicos em países da África. Mas segundo dizem, em todos estes projetos aconteceram desvios de dinheiro que na verdade foram parar nos cofres de integrantes dos próprios projetos, incluindo alguns magnatas. 

Bom, mesmo após aquele projeto pomposo mas cheio de boas intenções, vemos a África cada vez mais abandonada, com governantes gananciosos e submissos cada vez mais às antigas colônias, apesar da aparente independência política. O continente segue ainda como o lugar mais miserável do planeta, impedido pelas grandes potências a se desenvolver.

Porque ao invés de fazer um concerto para celebridades musicais muito bem de vida juntarem esmola para dar aos pobres da África, não fizeram uma campanha para que as forças econômicas deixassem a África se desenvolver, usufruindo os vastos recursos naturais que o continente possui? Parece que a ideia da esmola parece mais atrativa em matéria de marketing.

O tal "Dia do Rock" e o festival eclético de música

Ontem, as redes sociais foram invadidas por uma horda de "roqueiros de ocasião", gente que normalmente detesta rock ou se limita a cultuar os medalhões mais famosos, postando mensagens piegas e pedantes em homenagem a data, só para atrair simpatia alheia. Vários exagerando na suposta importância da data que homenageia um gênero cada vez em decadência vertiginosa.

A data, que só é comemorada no Brasil, se revelou uma farsa. Para começar pelo nome, "Dia Mundial do Rock", para fazer com que os brasileiros alienados pensem que a data seja comemorada no mundo todo. O modo como a data foi escolhida também invalida mais ainda a sua alegada importância.

Ela surgiu por iniciativa de radialistas da 89 FM, uma rádio medíocre supostamente especializada em rock que trata o gênero da mesma forma que uma quitanda da esquina vende uma melancia. Pois nada do que foi feito na 89FM estava no nível de uma Fluminense FM, esta sim, realmente especializada, tratando o rock com o respeito que merece.

Além deste fato, que já é suficiente para não se levar a data a sério, ela foi inspirada justamente no citado Live Aid, que não foi um festival de rock e sim eclético. Se tivessem escolhido a edição original do festival de Woodstock como referência, faria mais sentido, pois até os não-roqueiros do festival de 1969 eram fortemente influenciados pelo rock. O que não acontece no Live Aid.

Mesmo a intenção de Geldof e Ure não era a de fazer um festival de rock. O ecletismo do Live Aid era de propósito. Parte dos participantes dos dois projetos Band Aid (predominado por roqueiros) e USA for Africa (predominado por não-roqueiros) estavam no festival, que era evidentemente eclético. Havia música para todos os gostos e sua relevância para a cultura rock é nula. 

O fato dos brasileiros elegerem a data como escolha para o "Dia do Rock" é mais uma demonstração de alienação do povo que é considerado um dos mais burros do mundo. A falta de informação somada a pieguice e o subjetivismo típicos do brasileiro, fizeram todos aceitarem tranquilamente a data, apesar do Live Aid - que completou ontem 35 anos - nem ter sido citado.

Sinceramente, preferiria a escolha de outra data. As comemorações de ontem foram patéticas! Muita língua para fora, muito sinal do capeta e nada de cultura rock de fato. As postagens de ontem chegaram a irritar de tanta pieguice e pedantismo. Ainda mais vindas quase todas de quem costuma detestar o rock...

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Senso comum quer inverter prestígio do rock e do "funk" brasileiro


É mais do que perceptível que o sistema, através do senso comum está interessada em trocar o irritante e malfeito "funk" brasileiro e o outrora revolucionário rock de lugar. O objetivo é tratar o "funk" como algo sério, importante e capaz de melhorar a música brasileira e o rock como uma bobagem festiva a estimular as pessoas a botarem a língua para fora e fazer o sinal do capeta.

Trocar o prestígio do "funk" e do rock, tornando sério algo realmente patético e ridicularizar um gênero que contribuiu muito para a evolução cultural pode parecer algo inócuo, mas tem um objetivo: alienar ainda mais as já bastante alienadas massas.

Pois levando a sério algo ridículo e ridicularizando algo que deveria ser levado a sério é um meio de evitar a conscientização popular, fazendo com que, nos momentos de esclarecimento, as pessoas se tornem ridículas burras, enquanto se ri da cara daqueles que tem algo sério a nos dizer.

Há campanhas intensas para que o "funk" seja levado a sério. O gênero, inclusive, é o primeiro a usar como estratégia de marketing o vitimismo.O "funk" brasileiro é o primeiro gênero musical que quando mais reclama de suposto "preconceito" (na verdade, a rejeição à sua irritante mediocridade), mais vende discos e bilhetes para shows. Embora seus intérpretes desapareçam dos holofotes após ganharem o desejado dinheirinho e melhorarem de vida.

Do outro lado, o rock, cada vez mais impopular, ganhou um dia para ser lembrado, principalmente pelos que detestam o gênero, dando a oportunidade para estes de um dia posarem de falsos rebeldes fingindo amar o gênero que odeiam para dizer, de maneira hipócrita, para a sociedade que "desejam mudar o mundo". E nunca mudam.

Curioso que este tal dia, que só é comemorado no Brasil (tinha que ser!), foi criado por uma rádio farsesca de rock, inspirado em um evento não-roqueiro, um festival de música bastante eclético chamado Live Aid, cuja suposta filantropia não passou de conversa para boi dormir, pois toda a renda destinada aos pobres foi solenemente desviada para os já lotados cofres de magnatas. Tudo errado.

Nesta data, os brasileiros agem como verdadeiros imbecis, tratando o rock, que se tornou música de velho, dado ao desprezo dado pelos jovens que só querem "funk" e "sertanejo", como se fosse uma música infantil. Erro reforçado pela colocação de rock em desenhos, seriados e eventos infantis.

Enquanto alguns idiotas vão fazendo o sinal do capeta com a língua para fora, outros vão tratando de usar as autoridades para legitimar, através de leis, o medonho "funk" brasileiro, que mais parece trilha de jogo de videogame tocado por aparelhos comprados na Feira de Acari, cantado por pessoas com sérios problemas de dicção e de articulação facial.

É uma grande inversão de valores que não só prejudica a cultura como também contribui para a maior alienação de um povo que, por tradição, vive se recusando a se conscientizar.

Dia do Rock é um dia para não-roqueiros

Hoje mais uma vez é comemorada esta farsa chamada "Dia Mundial do Rock", criada pela 89 FM, uma rádio administrada por partidários de Paulo Maluf e comandada por uma equipe de leigos na Cultura Rock.

Ela foi inspirada em um festival de música com inúmeros gêneros musicais, o Live Aid. Criar um Dia do Rock com base no Live Aid é o mesmo que criar o Dia do Samba com base nos festivais da TV Record.

Aos poucos a falsa data vai perdendo popularidade, não só porque o gênero já não é mais ouvido pelos jovens mas também porque a motivação fajuta da criação da data vem sendo aos poucos reveladas. 

A data vem sido somente comemorada por não roqueiros, como desculpa de se dedicar ao gênero por um dia apenas. Como essa gente desconhece a historiografia do rock, é mais fácil aceitar a data, pois não-roqueiros não tem noção do que está por trás de sua criação.

As homenagens aos roqueiros feitas nessa data tem um "quê" de hipocrisia. Como se estivessem mais interessados em puxar o saco dos velhos ídolos do que realmente destacar a sua importância. Afinal se os caras que criaram a data se inspiraram em um evento não-roqueiro, como acreditar que estes mesmos estejam realmente interessados em homenagear o rock?

Todo dia 13 de julho é sempre a mesma ladainha: alienadas celebridades não-roqueiras mostrando a língua para fora e o famoso sinal da mãozinha (a do "capeta"). Como se a cultura rock se resumisse a isso, desprezando as grandes lições de vida contidas em muitas belas obras do gênero. Algo que a música atual não consegue oferecer.

A data faz muito mais sentido para não-roqueiros brincarem de ser rebelde sem causa. Os roqueiros sérios e pessoas que valorizam a cultura ainda estão esperando uma nova data mais digna que pudesse realmente estar de acordo com a cultura rock. 

Pois uma data criada por não-roqueiros, inspirada em um evento não-roqueiro, só faria sentido para não-roqueiros, obviamente.

sábado, 11 de julho de 2020

"Funk" é o tipo de música que as elites querem que os pobres ouçam

Quem se considera progressista, infelizmente enxerga a cultura do ponto de vista de quem está em cima do palco: só consegue ver a plateia. As esquerdas brasileiras e alguns direitistas um pouco mais moderninhos (que apoiam causas identitárias) consideram qua a qualidade da cultura não está nas obras e sim no tipo de público. A qualidade da obra é tratada como algo subjetivo, embora não seja.

Isso faz com que os progressistas em geral tratem o irritante "funk" brasileiro como algo superior, moderno e bem feito, que merece o mesmo respeito das melhores obras de arte, embora nada haja de intelectual, cultural e artístico neste tipo de som que nem mesmo parece música, soando como um barulho incômodo. 

Reforçado pela decadência do pop estadunidense atual - que mais parece barulhinho de video-game - que é a sua fonte de inspiração, o "funk" brasileiro (que nada tem a ver com o funk original, roubando o rótulo pelo fato de que nasceu nos mesmos tipos de baile onde rolavam o funk original) que já nasceu ruim está cada vez pior e ainda mais irritante.

Mas como brasileiros só enxergam aparência e se mostram cegos para a essência, além de associarem a falsa modernidade (só porque surgiu há poucos anos e está na moda), associam a falsa rebeldia, pois confundem irritar os outros com protesto contra o sistema. Mas nada é mais sistemático que o "funk" brasileiro, que têm as sagradas bênção da grande mídia, sobretudo da Rede Globo.

Ignoram os defensores do "funk" brasileiro que o ritmo nada tem de cultural e não nasceu na periferia. Nasceu nos escritórios de gravadoras e produtoras de eventos e se aproveitou da má qualidade da educação que é oferecida pela periferia, onde o povo possui apenas meios tradicionais como a televisão como fonte de informação e de entretenimento.

Mesmo com celulares relativamente baratos e acesso a internet através de gratuitas - mas traiçoeiras - redes sociais, o povo pobre os usa mais para difundir o que aprende via mídia tradicional e outros meios (como igrejas evangélicas) do que para procurar novidades que desconhecem. Mesmo as novas tendências surgidas no Brasil recente nada diferem em essência do que existia na mídia décadas atrás.

O "funk" foi empurrado para o povo pobre para mantê-lo imobilizado quanto às questões sociais, sobretudo trabalhistas. Em troca, a periferia viu o samba e outros ritmos populares serem sequestrados pelas elites, dando um tratamento a gente como Cartola, Paulinho da Viola, Jackson do Pandeiro e Luís Gonzaga, como se fossem compositores de música erudita, tocando para magnatas.

 É uma armação muito bem feita a ponto de transformar o "funk" no primeiro gênero musical a usar o vitimismo como estratégia publicitária, com vários intérpretes e defensores chorando pelos cantos reclamando da rejeição de supostos elitistas que não conseguem sentir a "beleza" (sic) do "funk, usando sempre a ladainha de que "é a música que os pobres sabem fazer".

"Funk" é armadilha contra o povo pobre

Vejo muito de comercialismo no "funk" brasileiro. Além da precariedade de sua qualidade musical, o gênero tem servido de fato para tirar muitos pobres da miséria, usando o gênero musical para tirar alguns trocados. Nem que seja por alguns meses, pois os nomes do "funk" costumam ser efêmeros e desaparecer após algumas poucas temporadas em evidência na mídia.

Ou seja, nada da alegada espontaneidade do povo pobre. O "funk" não é um meio de comunicação. É um meio de gerar renda. E por dinheiro se faz tudo, até o que se detesta. Até o que não se identifica. Por ser um meio de gerar renda, não há nenhum compromisso do "funk" com a arte e com a cultura. 

É por isso que o "funk" brasileiro é tão ruim. Além de instrumento infelizmente bem sucedido de glamorização da pobreza, um meio do pobre aceitar a sua condição humilhante para que as classes economicamente superiores não tenham que reduzir seu ganancioso padrão de vida. Além disso, o "funk" humilha o povo pobre, ridicularizando-o e tornando objeto de chacota de direitistas.

O "funk" brasileiro é uma armadilha em que os pobres caíram e caem direitinho. Não é o seu tipo de música legítimo. Até porque a verdadeira cultura do povo pobre foi sequestrada pelas elites. Que já roubam tudo dos mais carentes, desde a honra até o mínimo de alimentação a estar sobre a mesa.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Como a apologia da pobreza estimula o conformismo do povo pobre

É óbvio que direitistas não gostam de pobres. Entusiasmados defensores da ganância da qual consideram justas ("a sobrevivência é uma competição; os ricos os vencedores; a riqueza é o seu prêmio"), direitistas (incluindo liberais) acham que pobres merecem o sofrimento que possuem e devem lutar muito, aos níveis do impossível, se quiserem sair de sua condição indigna.

Mas para parecerem bonzinhos perante a sociedade, os direitistas passaram a defender uma certa solidariedade precária e paliativa que só conforta durante um tempo limitadíssimo, além de não tirar essas pessoas da pobreza, aprisionando as em um estilo de vida que no mínimo, na melhor das hipóteses, pode ser chamado de indigno.

Só que além da direita liberal, mais comportada, ainda sádica, mas menos violenta, temos a esquerda brasileira que pelo jeito não está muito disposta a redistribuir renda. Famosas personalidades de esquerda na política e no entretenimento não param de ostentar uma boa vida que entra em contradição pornográfica com o altruísmo que a mesma esquerda diz ter.

Mas como ser bondoso na esquerda sem que a bem vivida pequena e média burguesia de esquerda tenha que reduzir seu padrão de vida? A salvação desta esquerda gananciosa veio de uma ideia surreal: a apologia da pobreza. Incluindo claro, o nefasto safari humano, onde pobres, como micos de realejo, rebolam e fazem dancinhas ridículas para entreter os confortáveis. Como eram os bobos da corte nos tempos medievais.

A apologia da pobreza, que em sua divisão mais empolgada é conhecida como glamourização da pobreza, tem feito com que o povo pobre seja admirado, não como ser humano com direitos, mas como aqueles que trarão alegria à humanidade (leia-se classe média muito bem vivida) através daquilo que as esquerdas chamam de "cultura" (entretenimento).

Enfiar na cabeça do pobre aquela ideia de se orgulhar da favela em que nasceu, como se a vida indigna que possui é digna e feliz é um bom meio de manter o pobre na desgraça crônica e também uma forma de aprisionamento. 

Quase ninguém fala, mas as favelas e bairros periféricos são os campos de concentração do fascismo tupiniquim. Se as esquerdas apoiam a permanência em favelas, isso é mal sinal. As esquerdas corroborando com os ideais de direita? Qualé?!

Os direitistas moderados como o sempre intrometido Luciano Huck estão sorrindo de orelha a orelha. As esquerdas fazendo apologia da pobreza como se viver com quase nenhuma grana em barracos caindo ou prestes a explodir com uma rotina de balas (armas, não doces) perdidas jogadas na atmosfera fosse a maravilha das maravilhas. Como se ser pobre fosse uma maravilha.

A ideia, que é cruel mas passa despercebida dos esquerdistas mais ingênuos, serve para que pobres desistam de mudar de classe social, deixando de ser uma ameaça ás classes economicamente superiores, que seguem tranquilas em sua abominável ganância.

Isso mostra que as esquerdas brasileiras estão pouco interessadas em melhorar o país, defendendo costumes e valores antiquados e aprisionando a classe pobre em sua desgraça perpétua e eternizando as injustiças que quase todos se recusam em combater.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Celebridades nunca farão campanhas por causas trabalhistas. Mortais da classe média seguem no mesmo caminho

Campanhas sociais que envolvem causas identitárias atraem muito mais simpatia das pessoas. São campanhas que não parecem chatas e ainda servem para pessoas normalmente gananciosas posarem de bondosas de vez em quando e angariarem a confiança alheia necessária para se beneficiar.

Já as causas trabalhistas parecem coisa de gente mal humorada, "de mal com a vida" que não sabe se virar e que ainda quer meter o dedo nos "direitos" (leia-se privilégios) dos outros. Embora vivamos num mundo capitalista onde uma vida digna é considerada cara, as causas trabalhistas quase sempre são jogadas para segundo (senão para o último) plano.

No fundo, não interessa para quem esta financeiramente bem, em lutar por causas trabalhistas. Elas representam um direito considerado alheio para os que estão bem. Além disso, existe o mito da meritocracia, que é forte na sociedade (embora seu nome não seja usado) que defende a tese de que a sobrevivência depende apenas dos esforço de cada um, de preferência sem ajuda.

Estes dois motivos, o bem estar de pessoas influentes e o mito da meritocracia, fazem com que não haja campanhas intensas que envolvam causas trabalhistas. Você não vai ver ônibus pintado com cores em prol de emprego e melhores salários. Você não verá celebridades pedindo a revogação da sádica reforma trabalhista e nem da melhoria da redistribuição de renda.

A meritocracia é uma tese vagabunda que tenta enxergar justiça na má distribuição de renda. A sobrevivência é uma competição, ricos são vencedores e pobres perdedores. Se os pobres querem justiça econômica, terão que batalhar neste jogo perverso cujas regras são feitas pelos ricos. Afinal, os vencedores, além de levarem os prêmios, ganham o privilégio de fazer as regras.

Isso explica porque não vemos nem veremos celebridades fazendo campanha por causas trabalhistas. Há celebridades que se acham humanistas se envolvendo em causas identitárias, como defesa de certos grupos sociais (negros, gays, etc.), da natureza (incluindo o hipócrita veganismo) e do consumo de drogas ilícitas para recreação, se esquecendo que todas estas causas necessitam de muito dinheiro para serem alcançadas. Algo impossível para quem ganha um salário mínimo.

Normalmente as causas trabalhistas só são manifestadas pelos próprios prejudicados, já que vivemos no mundo em que a meritocracia é lei e o ônus de exigir justiça é limitado às vítimas deste sistema. Quem é de classe média para cima não está nem aí para causas trabalhistas. "Pra quê defender justiça econômica se para mim, o dinheiro entra na conta todo o mês?", dirá algum felizardo.

Pior que a classe média brasileira entra no embarque do trem ganancioso de recusar causas trabalhistas. A própria esquerda brasileira, embora mencione causas trabalhistas em uma declaração ali e outra acolá, não mexe um só dedo para tentar mudar alguma coisas. A reforma trabalhista não atingem os esquerdistas, em boa parte bem de vida. Tal e qual as celebridades.

O egoísmo é instintivo, do contrário que Paulo Guedes disse. O altruísmo exige esforço e abnegação e não raramente para ser verdadeiramente bondoso deve-se diminuir seu padrão de vida, se livrar de uma boa parte de supérfluos, abrir mão da pompa. Isso ninguém quer. Nem mesmo os esquerdistas. Viver com dois salários mínimos? Nem pensar!

Por isso as coisas estão como estão e nada vai mudar. A maioria das pessoas é egoísta, gananciosa e fará de tudo para se manter em alto patamar. Ninguém vai abandonar a sua vida de felicidade aparente para ajudar os que estão mal. Quem chegou lá agarra seu troféu com ferocidade e ninguém o tira do topo para que a verdadeira e desprezada justiça social seja feita.

Aos que sofrem, sem ter a quem recorrer, resta a ilusão da religiosidade e do fictício Deus, tirano divino, para obter a ajuda que nunca chega. A não ser na forma de efêmeras cestinhas básicas que servem mais para promover falsos benfeitores do que para trazer o bem estar aos mais carentes.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Erro que se erra só é apenas um erro. Erro que se erra junto é puro acerto

A sociedade tem a mania de achar que uma ideia está certa quando recebe adesão da maior parte da sociedade. Trocando em miúdos, como se o fato da maioria das pessoas acreditar fosse atestado de que aquela ideia esteja correta. As pessoas não consideram como erro algo que feito pela imensa maioria. Teorias como a do Espiral do Silêncio e a do Comportamento de Manada ajudam a explicar porque isso acontece.

E aí temos supervalorização de futilidades, confiança em ídolos de valor duvidoso, defesa de ideias incoerentes, falsos romantismos, além de uma maciça e irresistível adesão a modismos, entre inúmeras outras crenças equivocadas. Isso fora do clima de intolerância que infelizmente se torna cada vez mais frequente, onde verdadeiras bestas feras agridem quem se recusa a agir como a maioria das obedientes "ovelhas" no rebanho.

Nossa sociedade está muito longe de evoluir, até porque somada a essa crença em valores e costumes defendidos pela maioria, tem-se a teimosia em manter esses pontos de vistas errados, como se a opinião de uma pessoa fosse um patrimônio a ser preservado, como moedas em um cofre.

Desta forma, a mentalidade do povo brasileiro em geral vai atrofiando e seguindo um rumo praticamente oposto ao da evolução tecnológica. E isso não pode acontecer.

Nem sempre o que a maioria defende está correto. Devemos antes checar se tal crença defendida pela maioria tem coerência ou não. As coisas devem ser analisadas por si só para serem finalmente compreendidas e evitar confusões. Só assim poderemos colocar a sociedade para evoluir intelectualmente.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Enfim, um filme brasileiro que não faz apologia da pobreza

ENCORPANDO A VITAMINA: Escrevi este texto para o meu extinto site em 2016. Ficava incomodado que no Brasil, a produção cinematográfica se limitava a contar estórias sobre pobres, com a maioria esmagadora enxergando a pobreza ou de forma positiva, ou como algo sem solução, que deve ser perpetuado. 

Eu desejava pelo menos uma variação temática, que não focasse o estilo e as condições de vida dos pobres, pois tinha a certeza que a simples aparição nos cinemas seria inútil para acabar com as injustiças e tirar os mais pobres da pobreza, que de fato é uma condição indigna.

Na época fiquei feliz em saber que Jorge Furtado, um cineasta que gosto bastante (e que sempre foi progressista, para a nossa felicidade, estando do lado certo da orientação política - o que justifica a trama interessante de ter um empresário corrupto e um político honesto, indo contra os mitos consagrados pela opinião pública), estava fazendo um filme que fugia desta tendência. 

O cinema brasileiro precisa de variedade e nos últimos anos, no meio underground, sei que há boas produções que fogem desta temática repetitiva que só serve para consagrar a pobreza seja como algo positivo (??!!) ou como algo insolúvel.

Parabéns para Jorge Furtado por esta e outras obras, sempre em busca da criatividade e de formas mais atraentes, ao mesmo tempo reflexivas e divertidas, de cinema. Leiam abaixo o texto que escrevi na época de divulgação do filme.

Enfim, um filme brasileiro que não faz apologia da pobreza

Marcelo Pereira, Planeta Laranja, 18/08/2016

No final de 2011, tive a felicidade de assistir a mais um filme produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre e dirigido pelo criativo Jorge Furtado (Saneamento Básico, O Homem que Copiava, Meu tio matou um cara, todos excelentes), para mim o melhor diretor brasileiros na atualidade.

O filme foge da mania dos outros diretores brasileiros de fazerem filmes exaltando a pobreza. Furtado, homem de esquerda, sempre procurou fugir desse tema, favorito de 7 entre 10 cineastas brasileiros. Para estes, o sofrimento dos pobres "rende boas histórias".

Homens de Bem é um filme feito para a televisão. Algo raro no Brasil, mas comum nos EUA (embora telefilmes tenham status menor, são menos valorizados por lá). Fala de um rapaz, interpretado com talento por Rodrigo Santoro, que é contratado pela Polícia Federal para armar um flagra contra um empresário corrupto que quer subornar um deputado honesto. Todos os atores atuam com maestria, mas aproveito para destacar o baiano Luiz Miranda, conhecido mais por comédias, que está magnífico num papel dramático.

Os filmes da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre são marcados pela grande criatividade e agilidade no roteiro, seguindo um estilo que se assemelha mais a filmes europeus. São bem inteligentes e não se prendem a padrões.

Apesar de fazerem parceria com a Globo Filmes, esta se limita apenas a distribuição, dando total liberdade para que a equipe da produtora possam manter viva a chama do cinema nacional, maculado pelo comercialismo da maioria dos filmes, que acabou criando padrões, estes negados sabiamente pela produtora gaúcha.

domingo, 5 de julho de 2020

Mito que diz que a maioria de mulheres é de solteiras é falso e foca turismo sexual

Para a grande maioria dos brasileiros, existe os mitos de que há mais mulheres que homens, de que a maioria de mulheres é de solteira e de que as solteiras são as melhores, mais bonitas e mais inteligentes. Como se os homens fossem uns imbecis que escolhem as piores para se casar.

Os fatos mostram o oposto. As inteligentes se casam primeiro, porque os homens, espertos, chegam mais rápido a ponto de poderem escolher as melhores, passando a perna nos homens mais tímidos, fracos, pobres ou simplesmente lerdos. O que sobra de mulheres deixa muito a desejar, o que faz a concorrência derrotada a comer poeira.

Este mitos que mencionei acima, que faz do Brasil um paraíso sexual, é na verdade um mito machista a estimular o turismo sexual e atrair homens - que supostamente seriam investidores, como se não existissem investidoras mulheres - para o país.

Pior que este mito, evidente machista, é defendido até pelas mulheres. Mulheres que ganham dinheiro exibindo o corpo - não para vender roupas, como no caso das top models quase sempre comprometidas - conhecidas como "periguetes" se beneficiam desses mitos para se tornar mais atraentes sobretudo para os homens fracotes e tímidos descartados por mulheres mais inteligentes, sensatas e elegantes, que estranhamente só se casam por interesses materiais.

Homens que preferem se casar com mulheres realmente independentes acabam tendo que escolher burraldas com referenciais culturais duvidosos e nível de beleza abaixo do medíocre, além de serem entusiasta de uma falsa sensualidade estereotipada que só consegue excitar brucutus das academias de ginástica da esquina, que estranhamente se casam com aquela nerd descolada que gosta de ler livros.

A vida amorosa tinha que ser injusta no mundo em que quase tudo é injusto. O pior é que o mito optimista relativo a isso é mantido por causa de más intenções de políticos e empresários interessados em usar a tara de magnatas - sim, eles não são a "perfeição de caráter" que sempre demonstrar ser - para lucrar muito. 

O povo otário acreditando nesta farsa e enriquecendo criadores de aplicativos de paquera pensando estarem no paraíso. Aí levam gata por lebre e se decepcionam com o que conquistaram, mantendo relacionamentos que mais parecem solidão a dois, sem afeto e sem empolgação.

Sinceramente, não vejo nenhum otimismo na vida amorosa. As regras são injustas, todos se casam cedo e as opções que aparecem depois deixam muito a desejar. Mais fácil ter um afeto sincero com uma cadelinha do que com uma mulher idiota que age como cadela no cio. Coerência, gente! Coerência!

Arrumando tudo. Tudo MESMO!!!!



Arrumando a sala. Todas as coisas da sala. Todas!

Dá para ver que a faxineira da estorinha entende de organização, mas não de obras de arte. Pelo menos cumpre direitinho e até além, a função a que lhe foi atribuída.

Mas enfim, a paz chegou a "Guernica". Tudo graças a uma faxineira.

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OBS: Não entendeu? Clique aqui.

Gravura: Quino, sobre a tela Guernica, de Pablo Picasso.

sábado, 4 de julho de 2020

Povo Brasileiro, Admirável Gado Novo

O povo brasileiro é um povo que gosta de seguir a maioria. Tem a ilusão de que o que a maioria pensa está correto, natural, faz parte da vida. Se a maioria acha uma coisa é porque esta coisa é real, palpável e não pode ser questionada. É um erro, pois a lógica não impede que uma imensa multidão de pessoas cometa erros e defenda ideias e teses absurdas.

A maioria das pessoas prefere uniformizar seus pensamentos e atitudes porque sabe que a conquista de benefícios importantes (principalmente nos ramos profissional e afetivo), que dependem de decisões alheias, são obtidas através de um bom prestígio social, angariado pelo convívio, que é facilitado pela concordância de ideias. Pensar igual aos outros traz benefícios.

Isso faz com que haja um verdadeiro comportamento de manada por parte dos brasileiros. O povo brasileiro é um povo gado, que segue a maioria, que é guiada por um líder confiável (seja um político ou até uma celebridade ou líder religioso), que supostamente pensa por todos e orienta a maioria sobre o que ela deve gostar, acreditar ou até mesmo como agir.

E não pense que isso é "privilégio" da direita. A esquerda age perfeitamente como gado. Acho atpe que as esquerdas, quando acusam a direita de ser "gado" está manifestando a projeção de Freud, que é quando um detentor de um defeito socialmente reprovável, coloca este defeito no seu inimigo, se esquecendo de que ele mesmo tem o tal defeito.

Por isso que é muito difícil encontrar uma pessoa diferenciada no Brasil. Gostar das mesmas coisas que os outros virou uma questão de sobrevivência. Claro que uma pessoa vai ficar feliz em ver outra que tenha os mesmos gostos e certamente, com a amizade conquistada, vai querer ajudar tal pessoa.

Isso tudo explica porque os brasileiros são tão uniformes em gostos, convicções e costumes, mesmo tendo vocação para a diversidade sempre recusada. Brasileiros são o Admirável Gado Novo: todo mundo igual para ninguém ficar de fora. Pois quem sai da manada perde o melhor da alimentação bovina.

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