segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pausa para o intervalo



Este blog ficará um tempinho sem postagens, para recarregar nossos neurotransmissores. Na melhor oportunidade, nós voltaremos.

Peço que releiam os tópicos antigos e reflitam para tentar fazer deste mundo um mundo mais justo, com menos gente sofrendo.

domingo, 26 de maio de 2013

Uma batalha perdida? Temos que continuar a nossa luta?

Estou muito decepcionado com os rumos que a sociedade está tomando. Desde o final dos anos 80 notamos que os valores estavam desaparecendo, substituídos pela satisfação de interesses, incluindo o hedonismo barato e fútil, que na verdade sai a procura do prazer que nunca encontra.

Isso, somado a ilusão de tempos melhores, dada pela queda do Muro de Berlin e pela acelerada evolução tecnológica, tem criado na humanidade em geral, mais evidente ainda na brasileira, uma sensação falsa de "mundo pronto", onde os questionamentos devem ser calados e que resta a humanidade apenas consumir e se divertir, mesmo que isso não leve a nada. Mas isso não importa para a maioria, pois a sensação de "mundo pronto" da a ilusão de que "chegamos aonde queríamos". Só resta agora curtir.

Junto a essa ilusão de "mundo pronto" (que consequentemente leva a outra ilusão a do "mundo evoluído", ou seja, "não precisamos mais evoluir: somos evoluídos"), nasce uma aversão a tudo que é útil e intelectualizado. O cérebro passa a ser util apenas para o trabalho e para os estudos. Mesmo assumindo a inteligência apenas no rótulo, a ordem é guardar o cérebro num copo d'água, feito uma dentadura, quando for a hora de se divertir.

E ai de quem tentar usar o cérebro para se divertir. Será condenado ao rótulo de antipático, mal humorado, e nos casos extremos, rejeitado cruelmente pelo grupo social. Pensar e principalmente fazer os outros pensarem virou algo bastante reprovado em nossa sociedade. Para o bem dos poderosos.

Essa aversão a valores intelectuais é na verdade um dos matizes da desvalorização social que vivemos, onde todos os valores (morais, intelectuais, culturais, etc.) caem para dar lugar a satisfação de interesses. O anti-intelectualismo inclusive virou assunto de um ensaio do jornalista Arnaldo Bloch, da família que criou a Revista Manchete. Um texto que, pelo seu caráter realista e contestador, se tornou raro na internet, felizmente resgatado pelo meu irmão para o site dele, O Kylocyclo.

Os poderosos adoram os anti-intelectuais

Sem saber, a maior parte da população está fazendo o que os poderosos sempre sonharam. Os capitalistas conseguiram, numa democracia de fachada, fazer aquilo que os militares dos tempos da ditadura não conseguiram nem com violência: transformar quase 200 milhões de brasileiros em carneirinhos submissos, acomodados com seu estilo de vida e totalmente obedientes aos ditames da mídia, sobretudo das grandes redes de televisão, que Stanislaw Ponte Preta sabiamente chamava de "máquina de fazer doido". E na época dele, a TV não era tão manipuladora como a de agora.

Mas se você chagar a um desses "carneirinhos" e acusá-lo de conformismo e submissão, obviamente ele vai negar. Ele vai assumir rótulos de "diferente", "inteligente", "autêntico" e outros nomes bonitos que se referem a qualidades não percebidas na pessoa que os assume. Mas porque isso acontece? Porque o submisso pensa que não é submisso.

Conversei com um amigo meu que é psicólogo e ele me disse que existe uma maneira, muito comum nos programas de TV e na publicidade, de colocar uma ideia na cabeça de uma pessoa, mas fazendo a mesma crer que essa ideia nasceu na mente dela. Ele não me explicou em detalhes, já que eu sou leigo em Psicologia*. Ele garante que é assim que as coisas funcionam na relação mídia/público no Brasil.

Devo desistir da luta, após a batalha perdida?

Desde a antiguidade a alienação é questionada. Há o famoso mito da caverna citado por Platão. E quem não se lembra dos avisos da incansável Cassandra, desprezada quando avisava sobre os perigos que se escondiam dentro do belo e fascinante Cavalo de Troia? E o grandes Cavalos de Troia que estamos cansados de ver na TV.

Às vezes eu me sinto como essa Cassandra, ignorada pelas pessoas que recebem meus conselhos. Tento postar algumas coisas interessantes aqui e no Facebook e o máximo que eu consigo é o apoio de quem já acreditava nos mesmos valores antes de ler meus textos. Os que nunca acreditaram no que escrevo mantém as suas - equivocadas - convicções (pois se dão bem com elas) e ainda me rotulam de chato, antipático, pra não dizer "louco".

Devo continuar escrevendo sobre coisas diferentes? Pelo menos se não mudo a cabeça das pessoas, faço elas perceberem que os valores que elas creem não são absolutos. O que já é alguma coisa. Isso quando leem.

Pois com o desinteresse tradicional do brasileiro pela leitura, muitos vão atrás das "palavras chaves", palavras que parecem resumir o conteúdo, mas quando lidas sem a leitura completa do texto que as contém, pode render mal entendidos. Eu mesmo notei muitos casos de mal entendimento pela falta de leitura integral dos meuis textos.

Penso em extinguir esse blogue. A luta travada por ele nestes dois anos aparenta estar perdida. Perco meu precioso tempo escrevendo para tudo continuar na mesma.

Talvez, como espírita, devo reconhecer que a humanidade ainda está imatura e deixá-la crescer sozinha com os erros que está cometendo. É deixá-las priorizar suas brincadeiras, como crianças que não gostam de estudar e só querem se divertir.

Como ser humano, devo aceitar - mas não concordar - os erros que estão aí e por isso mesmo deixar de priorizar a vida social, limitando o nível de intimidade, fazendo-me íntimo apenas de quem concorda com a maior parte de minhas ideias.

O que é certo é que essa noção de "mundo pronto" dada pela tecnologia, não passa de uma ilusão, de uma ideia falsa de um mundo que tem preguiça de andar para a frente.

Não o mundo não está pronto. Há muito - muito mesmo - o que fazer. E vai demorar muito para começarmos a fazer alguma coisa. Lamentavelmente.

Vou pensar se vale a pena manter esse blogue. Mesmo que sobreviva, ele se adaptará aos tempos de derrota. Depois de perder, é preciso mudar de tática para vencer depois.

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*NOTA: A Psicologia é a segunda área que eu mais gosto depois da Administração; às vezes penso em largar a Administração e virar psicólogo. Pelo menos poderei manter minhas convicções socialistas sem maiores problemas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Surfista veterano se emociona com exemplo de jovem surfista cego

OBS: Existem pessoas cujo exemplo nos dá esperança e vontade de viver. O surfe, que é um esporte difícil para muita gente que enxerga, como eu (eu mesmo ia ser um baita fracasso), é onde o brasileiro cego Derek Rabelo teve a oportunidade de mostrar que tem condições de enfrentar o que aparecer pela frente, mesmo sem ter a visão para perceber isto. E justamente com um esporte que já é complicado para quem enxerga bem.

Impossível não se emocionar e não se orgulhar de Rabelo, um corajoso e persistente rapaz que prova a todos nós que quando se tem vocação e prazer, não existe limitações para se conquistar qualquer sonho. Ah, digo isso para mim também, pois eu mesmo não sigo esta dica. Vou dar bronca em mim mesmo: Marcelo, mexa-se e siga o exemplo de Derek Rabelo! Se ele pode seguir o sonho dele, porque não segue o seu!

Sem conseguir surfar de olho fechado, Slater se emociona com surfista cego
CBN - Publicado no blogue Turismo Adaptado

Aos 41 anos e com 11 títulos mundiais no currículo, Kelly Slater dificilmente ainda se surpreende no surfe. E foi um rapaz brasileiro, cego desde o nascimento, que proporcionou a ele uma das experiências mais impressionantes de sua vida. O americano é um dos surfistas que participam do documentário “Além da Visão”, que conta a história de Derek Rabelo, de 20 anos. O filme teve os trailers exibidos nesta semana, durante o Rio Pro, terceira etapa do Circuito Mundial, que segue suspensa pela falta de ondas.

Slater surfou com Derek Rabelo em setembro do ano passado. Botou uma venda nos olhos e…

- Não consegui pegar nenhuma onda… – conta o americano, sobre o dia de gravações em Trestles, na Califórnia, onda que ele conhece como poucos.

Slater não pôde comparecer aos eventos para divulgar o filme de Derek no Rio. Mas alguns  surfistas da elite mundial estiveram por lá. Entre eles, os irmãos gêmeos Damien e CJ Hobgood – CJ foi campeão mundial em 2001. Mick Fanning, Laird Hamilton, Mike Stewart, entre outros, também viraram fãs de Derek nos últimos meses. Inclusive, Derek Ho, havaiano campeão do mundo em 1994. Foi ele quem inspirou o nome do brasileiro.

Derek nasceu sem a visão – glaucoma congênito. Os pais, apaixonados por surfe, o batizaram em homenagem ao campeão mundial. E, aos 17 anos, o menino decidiu aprender a surfar. Hoje, faz parte da equipe de uma empresa de surfwear.

A caminhada de Derek entre os melhores do mundo começou de fato em 2011, quando, levado pelo amigo bodyboarder Magno Passos, surfou Pipeline, a onda mais tradicional e uma das mais temidas do Circuito Mundial.

Foi então que Bruno Lemos e  Luiz Werneck decidiram criar o documentário. Bryan Jennings é o produtor do filme, que deve ser lançado no fim deste ano.

- É inspirador. Tenho muito respeito pelo que ele faz. Ele nunca viu. Só sente a onda. Surfe é uma atividade muito visual. É impressionante o que ele consegue – disse Slater.

Ator de 'Senhor dos anéis' lança disco de heavy metal aos 91 anos

OBS: Um sinal de jovialidade que este senhor, velho conhecido dos nerds, pois atuou em muitas obras curtidas por esta gente desengonçada que quer mostrar seu valor, mostra a todos. Nunca é tarde para ser feliz e Lee mostra que idosos merecem curtir a vida sim, fazendo o que gostam.

Lee talvez seja o mais velho headbanger da face da Terra. Merece entrar para o Guiness.

Ator de 'Senhor dos anéis' lança disco de heavy metal aos 91 anos

Redação do site G1

O ator inglês Christopher Lee, que interpretou o mago Saruman na saga "Senhor dos anéis", vai lançar no dia 27 de maio, data de seu aniversário de 91 anos, o disco de heavy metal "Charlemagne: The omens of death". O álbum definido pelo artista como "100% heavy metal" já tem trechos disponíveis para audição em streaming em sua página oficial (ouça).

"Christopher Lee, o lendário ator de cinema ("Senhor dos anéis", "Star wars", "Drácula", "007 contra o homem com a pistola de ouro") está lançando seu primeiro álbum 100% heavy metal, chamado "Charlemagne: The omens of death", no seu aniversário de 91 anos", diz o texto de divulgação no site do artista. Os arranjos do novo disco foram feitos por Richie Faulkner, guitarrista do Judas Priest.
saiba mais

Outros papeis de destaque de Christopher Lee no cinema, além do mago de "Senhor dos Anéis" e "Hobbit", são Count Dooku em filmes da série de "Guerra nas estrelas" e o vilão Francisco Scaramanga de "007 contra o homem com a pistola de ouro" (1974).

Este é o segundo álbum lançado por Christopher Lee. Em 2010 ele lançou o disco "Charlemagne", definido por ele como "metal sinfônico". Ele também já colaborou com narrações em diversos discos da banda italiana Rhapsody of Fire e chegou a colaborar com o Manowar.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Porque continuar com a defesa de algo tão claramante ridículo e tosco?

O que passa na cabeça de quem defende essa verdadeira atrocidade musical que  é conhecida como "funk" carioca? Será que a ficha não caiu pela ridicularidade do gênero? Será que não perceberam que é tosco, mal feito por gente sem conhecimento cultural e de nível intelectual bem reduzido? E que isso é um fato, me isentando totalmente da acusação de ser preconceituoso e ofensivo?

O "funk" carioca, seja de "raiz", "melody", "proibidão" ou o raio que o parta, é um tipo de música de má qualidade que está sendo inserida na marra, forçando a barra para ser considerado algo cultural. O que o "funk" tem de "cultural", cara pálida? Só se for as duas primeiras letras da palavra! 

E não adianta tirar sexo e violência das letras de "funk". A ruindade e a ignorância cultural estarão ainda presentes, contribuindo para a decadência cultural. Se bem que sexo e violência fazem parte da vida dos funqueiros e tirá-los de suas letras é como tirar o H2O da água. Nada sobra.

Estou cansado desse discurso cada vez mais maçante feito por mais e mais celebridades e intelectualoides em defesa desse troço que nem parece música, tendo um som de carro pifando e que incomoda tanto as pessoas que deu origem a lei que proíbe som alto no interior de veículos coletivos.

Até quando vão ter o bom senso de reconhecer que o "funk" é ruim, é atraso e vem claramente do emburrecimento social resultante da péssima educação dada no país e da influência nociva da grande mídia que transforma a população brasileira em um bando de robôs a consumir qualquer modismo que vomitam em suas caras?

terça-feira, 21 de maio de 2013

Porta fechada

Ontem recebi uma triste notícia para quem gosta de música de qualidade: Ray Manzarek, o famoso tecladista da banda psicodélica The Doors, faleceu aos 74 anos, por causa de um câncer no fígado.

The Doors, uma das melhores bandas dos anos 60 e que, junto com o Velvet Underground, representou os EUA* numa década dominada pelas bandas britânicas, era uma banda peculiar e de excelente qualidade. 

Seu vocalista, Jim Morrison, que apesar da boa estampa, renegou a função de galã - reagindo até de maneira escandalosa contra isso - era um leitor assíduo de bons livros e influenciado sobretudo pela literatura beat (a dos beatniks como Jack Kerouac) e levava essa influência para as excelentes letras de suas músicas, bastante tensas e reflexivas. Suas letras eram embaladas pelo teclado de Manzarek, fazendo com que a banda tivesse o diferencial de ter um tecladista e não um guitarrista, como principal músico solista.

Manzarek tentou manter o grupo na ativa após a morte de Morrison, sem sucesso, já que o vocalista/letrista não só era bastante carismático como seu canto e suas letras deram ainda mais qualidade a sonoridade do grupo. Manzarek também teve uma carreira solo, com quatro álbuns e escreveu vários livros, um de romances. Em 1987 participou de uma gravação de Bad Bugs and Ballyhoo e autorizou pessoalmente a banda para regravar People Are Strange, do repertório dos Doors, no mesmo ano. Manzarek manteve a sua qualidade como tecladista, mesmo não conseguindo levar a banda ao prestígio dos tempos de Morrison.

Fica aqui o nosso pesar e lamento, acrescentando que o grande tecladista fará falta. Pelo menos fica a sua lição e sua grande experiência através da lendária e eterna banda The Doors.

Fico triste quando morre alguém responsável por uma grande fase da cultura, pois agrava o já crescente desinteresse da juventude por arte de qualidade, já que o público jovem prefere os "artistas" mercenários que predominam na mídia atualmente. Mais uma porta se fechou.

 
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* NOTA:Lembrando que apesar de americano nato, Jimi Hendrix na verdade representou o rock inglês, pois morava lá, onde desenvolveu sua carreira e integrou o Jimi Hendrix Experience, formada em Londres com mais dois britânicos, Noel Redding e Mitch Mitchell.

Desastres, desastres...

O Criador decidiu colocar alguns perigos para testar a humanidade e ajudá-la a desenvolver habilidades.

Num país ele colocou vulcões.

Noutro país ele colocou furacões.

Em outro, colocou terremoto.

Em, outras localidades, gelo em abundância.

E no Brasil? Este país não tem esses cataclismas...

No Brasil, o Criador decidiu colocar seu povo.

Um povo alienado, submisso à mídia, que obedece cegamente às autoridades, que só pensa em divertir, para quem o futebol é mais importante que a vida, além de ser um povo egoísta e interesseiro e que gosta de vencer e ganhar dinheiro com menor esforço possível.

Sim, sim, esse será o cataclisma do Brasil, disse o Criador.

Povo idiota.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Virada cultural e o que as pessoas pensam sobre o que é cultura

Depois do Rio, foi a vez de São Paulo ter o que os organizadores batizaram de "Viradão Cultural". Na verdade, um festiva de vários shows de vários cantores e bandas, com ênfase na música de mercado, que cá para nós, pouco ou nada tem de cultural.

As pessoas hoje estão confundindo os significados das palavras diversão e cultura. Diversão é algo que você faz para passar o tempo, se distrair e se alegrar. Cultura, não: é tudo aquilo com o propósito de acrescentar ideias, costumes e contribuir para a evolução, sobretudo intelectual, da sociedade. mas não é isso que acontece de fato, já que o nome "cultura" está sendo frequentemente associado a tudo que não transmite conhecimento. Coisas puramente lúdicas que nem merecem ser levadas a sério.

E mesmo que alguns nomes realmente culturais compareçam ao evento, não é nele que encontrarão a oportunidade de distribuir sabedoria para as massas, interessadas apenas em diversão gratuita.

Será que não seria melhor que este festival tivesse outro nome? Pelo menos seria mais honesto e mais de acordo com a proposta de divertir apenas, pois pelo que sei, esses viradões não tem a proposta de melhorar o intelecto a ninguém. Somente oferecer diversão gratuita para que as pessoas possam dançar, cantar e dar risada. Nada além disso.

sábado, 18 de maio de 2013

Os contestadores é que fazem a sociedade se evoluir

Gosto de postar coisas interessantes, de valor relevante nas minhas postagens do Facebook. Muita gente não gosta, pois prefere utilizar o site de relacionamentos para fins fúteis, como se dissesse: "cérebro é para usar no trabalho e nos estudos. No lazer eu quero repousar meu cérebro e me divertir". E abre a cabeça, tira a caixa craniana e põe no copa d'água para reutilizar no momento do trabalho.

Mas se esquecem todos que o horário livre é o que é reservado para a pessoa pensar por si mesma, sem ter que obedecer as ordens de chefes e satisfazer vontade de clientes. O tempo livre deveria ser utilizado para a evolução pessoal. Com a inércia do raciocínio, o ser humano não se evolui, a sociedade idem e muitos dos problemas cotidianos permanecem intocáveis e consequentemente, intactos.

Mas já pensaram se os homens da antiguidade assumissem um comportamento inerte? Estaríamos na pré-história até hoje, morando em cavernas e balbuciando sons indecifráveis. Me chamam de antipático por postar coisas esclarecedoras, mas saibam que o que usufruímos de avançado em nosso cotidiano, foi obra de algum "antipático" que viu erro naquilo que a sociedade achava correto.

Para que algum erro desapareça, é preciso admitir a existência desse erro. É assim que muitos avanços tecnológicos, por exemplo, surgem para consertar algo errado. E são os contestadores que percebem o erro e alertam para a sua existência.

O telefone fixo tem o incômodo de não poder ser levado na rua. Se o dono deste telefone não estivesse em casa, não haveria o contato com esta pessoa. Um "antipático" achou isso errado e resolveu contestar, estudando uma forma de mudar isto. Aí veio o telefone celular, portátil, que acompanha o dono, para que ele possa ser encontrado e o contato possa se estabelecer. Não é brilhante?

Nossa sociedade ainda é muito jovem. O Brasil tem apenas um pouco mais de 500 anos. Somos ainda uma sociedade muito infantil, que prioriza o divertimento, da mesma maneira que uma criança. Ainda precisamos aprender muito. E são "antipáticos" como eu que tentam ensinar algo para que as pessoas se evoluam.

Portanto, não se chateiem com o que posto aqui no blogue, no Facebook ou em qualquer outro lugar. Não faço por mal. Apenas quero que a sociedade brasileira largue a "chupeta" e cresça.

Brincadeira tem hora e tem prazo. Ou alguém ainda acha bonito ver um adulto engatinhando e balbuciando com um bico de borracha na boca?

Se não fossem os contestadores, estaríamos até hoje lascando pedra para sobreviver em uma caverna mofada.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

BRT, Futebol e os idiotas que estão no comando


Desde que tiveram a imaturidade de se oferecer para organizar essa maldita copa de futebol, as autoridades falam muito em "mobilidade urbana", "BRT" e o que vier, para tentar melhorar o transporte e o trânsito. Defensores da ideia cometem a contradição de dizer que o transporte não é para a copa, mas adoram fazer a associação entre os dois. Está na cara que é para a copa e para os turistas. Se não fosse, não teriam adotado uma fórmula pronta (inadequada as características de cada cidade) e onerosa.

Até porque as autoridades querem continuar estimulando o fanatismo futebolístico que tanto imobiliza as pessoas, mergulhando as numa ilusão típica de conto de fadas. E associar futebol a esse transporte supostamente avançado (avançado? Ele até é velho, tem quase 40 anos de implantação) fascina a todos e aumenta ainda mais a falsa importância que o futebol tem para a sociedade brasileira, uma forma de lzaer levada excessivamente a sério, como se a entrada de uma bolinha em uma rede pudesse trazer dignidade à população. E o pior que tem muita gente que ainda acredita nisso.

Como resolver os problemas de mobilidade urbana com um minhocão inútil, que necessita de obras caras e muito transtorno (incluindo destruição de monumentos, reservas e expulsão de moradores de suas casas) para ser implantado? 

Para as autoridades, o BRT seria uma forma de estimular a população a largar o automóvel, por ser - supostamente - um serviço de ônibus de melhor qualidade. Só que não se lembraram que em nossa sociedade, automóvel é sinônimo de status e de conforto e até o mais alienado dos seres humanos sabe muito bem que o pior automóvel é mil vezes mais confortável que o melhor dos ônibus. Portanto que usa o BRT é quem já pegava ônibus, o que significa "chover no molhado".

A iniciativa de optar por uma fórmula pronta e cara para tentar (sem sucesso) resolver a mobilidade urbana não é para beneficiar a população e muito menos os turistas. Claro que encherá os olhos dos turistas pela imponente aparência, fazendo todo mundo pensar que o transporte brasileiro é do primeiro mundo. Balela.

O BRT surge para favorecer o superfaturamento das obras, maior fonte de renda de governos e prefeituras descompromissadas com a ética e com o bem estar da população, além de ser um projeto pronto, que não exige muito planejamento. Ao invés de adaptar um projeto a cada cidade, adapta-se cada cidade ao projeto, que não passa de uma fórmula pronta.

Ah, vocês já devem ter se perguntado. Para quem não sabe o que é superfaturamento, digo que é quando você pede ajuda financeira para fazer algo, você pede um valor bem mais alto do que o real para que o excedente fosse para o seu patrimônio pessoal. É muito comum na política e na filantropia, onde uma ajuda para mil pessoas na verdade, sustenta uma dez, ficando o resto para o administrador de uma instituição de caridade.

Voltando ao BRT em si, sua implantação não resolve problemas de mobilidade. Só resolve se ele estiver relacionado com projetos que estimulema redução de automóveis nas ruas. Mas a implantação em si não resolve nada, é um trem sobre oneus a rodar pelas cidades.

E que belo trem. Costumo dizer que os busólogos são os únicos beneficiados de fato pelo BRT, já que a aparência imponente dos articulados e de suas vias, enchem de beleza as cidades. É um meio de transporte bonito. Eu mesmo concordo com essa afirmação.

Mas como solução definitiva para os problemas de mobilidade? Francamente. É um modismo a agradar ingênuos e enriquecer autoridades, estas sendo os idiotas que estão no comando (acham que sabem tudo, mas não sabem coisa nenhuma). É para isso que o BRT existe. E só.

terça-feira, 14 de maio de 2013

'Star Wars' será dublado em língua indígena nos EUA

Os produtores e distribuidores decidiram dublar a saga Star Wars em idioma navajo, falado por um dos povos indígenas que ainda existem nos Estados Unidos.

A iniciativa tem por objetivo estimular a própria população da tribo Navajo a preservar o idioma, por meio da sua utilização por membros mais jovens da tribo. Para isso, estão sendo contratados falantes do idioma para dublar a saga. Linguistas foram os responsáveis por verter os diálogos. 

A versão traduzida será exibida no dia 4 de Julho, dia da Independência estadunidense, e depois em setembro, durante um festival sobre a cultura navaja.

Legal a iniciativa de traduzir o filme e sua saga para o idioma indigena, embora não aprove dublagens. Se percebe que lá nos EUA há um respeito maior aos indígenas, começando por sua língua. Nós, os brasileiros, somos uma nação formada basicamente de forasteiros, que se achando donos da terra, maltratamos os nosso indígenas e aniquilamos a cultura deles.

Mas aproveito a ocasião para perguntar se não era melhor também fazer em klingon, idioma de outro "Star", o Trek. Ficaria interessante e criaria uma conexão entre as duas obras, o que já deveria ter sido pensado há muito tempo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

É preconceito desejar que pobres se intelectualizem?

Virou bordão-padrão, repetido como mantra: toda vez que alguém critica alguma bobagem feita por um integrante ou pela população pobre, é chamado de preconceituoso. Meu amigo, onde está o preconceito?

Preconceito significa criticar sem conhecer. Mas como ser preconceito se estamos carecas de saber o que a população pobre, tradicionalmente mal escolarizada e estimulada pela mídia a não desenvolver seu intelecto, faz de ridículo? Claro que não vamos generalizar, há gente pobre fazendo coisas nobres. Mas a eles daremos o nome de exceção.

Será que a ficha não caiu que toda vez que damos um microfone para uma pessoa mal escolarizada ou priorizamos a sua presença na mídia, que a cultura sempre piora, aparecendo coisas claramente ridículas que demonstram claramente a escassez de intelecto? Ou ser burro virou nova forma de inteligência?

Mas todos se esquecem que quando criticamos, na verdade estamos alertando sobre esse erro, tentando empurrar o povo pobre para uma melhoria intelectual. Se eles se aborrecem com as críticas é porque falta auto-conhecimento e senso do ridículo, certamente resultantes da ignorância que insistem em manter.

O povo pobre não é incapaz de se intelectualizar. pelo contrário. Se quiser, pode avançar mais do que as elites, pois tem conhecimento prático de tudo que está errado em seu cotidiano. Mas esse é o medo da elite, o que faz com que esta, controladora dos meios de comunicação, estimule essa burrice que amordaça.

E justamente esta falta de interesse estimulada pela grande mídia que faz com que os pobres prefiram posar de ofendidos do que aceitar uma crítica e corrigir seus erros. Será que nem com a internet eles conseguem se livrar do estigma de "povo burro" que a sua ignorância voluntária e insistente lhes atribuí?

Se o povo pobre fosse realmente sábio, teríamos uma cultura mais rica, livre da ridicularização. Um Tom Jobim da Favela da Maré? Um Glauber Rocha do Morro do Alemão? Um Carlos Drummond de Andrade da Rocinha? A Orquestra Sinfônica do Morro do Vidigal? Porque não?

Sei que é mais fácil para qualquer um posar de ofendido do que se livrar dos valores falsamente positivos que não passam de uma ilusória zona de conforto. Pois para se intelectualizar, é exigido muito mais esforço do que o simples ato de ir a escola ou a faculdade. Se intelectualizar significa romper com muitos valores, inclusive muitos consagrados como "positivos", já que não passam de mera ilusão a entreter quem tem medo ou preguiça de resolver os problemas.

Na próxima vez que algum pobre for criticado, evite a palavra preconceito (quem critica conhece as suas falhas) e pare de posar de ofendido. Encare a crítica como um alerta de mudança de atitude e aja como uma pessoa que abandona os brinquedos da infância: amadureça e dispa-se de suas ilusões. Se quer mandar na cultura mostre realmente que tem cultura, não isso aí que estamos cansados de ver.

A decadência da versão brasileira da revista Playboy e de suas similares

A mais famosa revista dedicada ao público masculino, priorizada por ensaios geralmente bem feitos com mulheres nuas, está dando sinais de franca decadência em sua edição tupiniquim. Embora possa parecer sinal dos tempos, na verdade pode estar sugerindo uma crise.

Há tempos a revista não vem investindo em ensaios interessantes. Não vou analisar aqui o aspecto técnico pois não entendo da parte técnica de fotografia. Deixo isso para outros analisarem. Falarei como antigo leitor da revista, que não compro desde o final dos anos 90. Nem me lembro qual a última edição que comprei, mas a internet me tirou a necessidade de comprá-la. Até porque não quero acumular papel, ainda mais depois de uma experiência muito desagradável com um grande enxame de cupins, em 2010.

Musas de proveta

Será que a qualidade das musas influencia? Sim, pois houve um tempo em que a revista chamava musas de verdade para mostrarem seus belos corpos ao natural. Hoje, além dos programas de edição de imagem que alteram tudo, temos musas criadas apenas para serem símbolos sexuais. 

As chamadas boazudas, as paniquetes, frutas, musas de brasileirão, "modelos" (não confundam com as de grife: as modelos vendem roupas e produtos de beleza, as "modelos" vendem seus corpos) e similares, foram criadas para fazerem o papel exclusivo de símbolos sexuais, sem nada mais a fazer de relevante além disso. É o que eu chamo de símbolos sexuais de proveta, pois criadas para tal, são moldadas como tal. 

Até enjoa, pois elas, além de insossas e artificiais (Silicone? Anabolizantes? Hã?), o fato de serem criadas apenas para servirem de entretenimento sexual masculino, tira a graça da fantasia sexual. O fato de não serem nada além de meros objetos tira a graça. Até porque roupas minúsculas se tornam o "uniforme" dessas musas sem nada a dizer.

Antes não era assim. Tínhamos atrizes, cantoras, esportistas e até jornalistas dispostas a posar nuas. Era legal porque você tinha a oportunidade de ver em uma sessão sensual uma mulher que normalmente não era associada a esse universo. Mulheres já admiradas em outras ocasiões, mas que eram colocadas em um contexto sensualizante.

Isso tem muito a ver com o fato de não pensarmos em sexo o tempo todo. Sexo é algo que se faz por alguns minutos e creio que musas também devem ser valorizadas também em outros momentos. Aí está a graça. Sexy, por exemplo é ver uma jornalista como Fátima Bernardes, mulher realmente linda e gostosa, de bíquini de vez em quando. Por outro lado é chato ver uma Nicole Bahls o tempo todo de biquíni ou roupas indiscretas, já que não consegue se vestir sem se "sensualizar". Isso não.

Revistas sobre saúde física excitam mais

Falei um pouco sobre as musas vazias porque é uma das razões da decadência da versão brasileira da revista, que está ameaçando a não publicar mais nus. Mas vai publicar sessões sensuais leves de musas vazias? Sites como Morango caíram justamente por causa disso.

E as musas de verdade, elas não estão sendo chamadas ou elas exigem caché alto demais? A segunda alternativa faz mais sentido. E mais: creio que as musas de verdade estejam aliviadas por existirem as musas de proveta, pois assim, as mulheres de classe são dispensadas de posar nuas. Coloca-se uma paniquete no lugar de uma atriz que "está ótimo".

Perdi o gosto de ver a revista Playboy, a não ser quando aparece uma musa de verdade, como, para dizer uma sessão mais recente, a Leona Cavalli, talentosa atriz e subestimada como musa, uma mulher lindíssima, inteligente e altamente sedutora que teve a felicidade (Nossa? Dela?) de mostrar a sua perfeição física para a revista Playboy, no ano passado. Mas antes regra, mulheres como Leona virou exceção.

Hoje sinto muito mais excitado com sessões de biquíni de revistas como Boa Forma e Shape, que ainda tem a oportunidade de mostrar mulheres de verdade, mesmo com fotos alteradas digitalmente. Estas revistas ainda servem como ótima vitrine da beleza de belas mulheres, com direito a ensaios com uma discreta sensualidade, mas que agrada na dose certa. A Women's Health inclusive tem se destacado mostrando desconhecidas com impressionante beleza de alto nível , se tornando a "marca registrada" da revista. Uma capa, colocada nesta postagem mostra o que eu quero dizer (clique na foto para vê-la maior).

Com a internet, fotos de nu explicito dispensaram as revistas, já que além de fotos da fase clássica da Playboy e outras similares, temos inúmeras fotos espalhadas com mulheres que dão de 1000 a zero nessas musas de proveta que só sabem balançar o rabo e criar polêmicas.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Há 120 anos, nascia um mestre: Graciliano Ramos

OBS: Tive pouco contato com a obra de Graciliano, mas o suficiente para admirá-lo e considerá-lo um dos maiores escritores do país, um de meus favoritos. Li toda a obra Vidas Secas e participei de uma encenação de uma peça sobre esta obra em uma matéria na escola. Na faculdade, participei de um estudo sobre a obra Memórias no Cárcere, onde cada aluno do grupo analisava uma parte do livro. Tirei uma ótima nota na ocasião. E um prazer enorme de ter feito o trabalho.

E consegui ler inteiramente um dos livros que mais gostei: Em Liberdade, de Silviano Santiago, onde o autor, genialmente, se imagina no lugar de Graciliano na tentativa de fazer uma continuação de Memórias no Cárcere. Como eu consegui ler após o citado trabalho, entendi o conteúdo do livro e amei de imediato. Santiago também é um dos nossos melhores escritores e a coragem de continuar uma obra de Graciliano se imaginando na pele dele, exige um talento ímpar.

Grande Graciliano! Um país que teve Graciliano Ramos como um de seus maiores representantes na literatura é um país privilegiado. Pena que atualmente quase todos prefiram esnobar gente do talento dele. Talvez se Graciliano fosse vivo e jovem e começasse sua carreira hoje, ele não teria espaço, se tornando abandonado no ostracismo, ignorado até mesmo por acadêmicos sustentados pelos órgãos da CIA, hegemonicos em qualquer faculdade da atualidade.

Há 120 anos, nascia um mestre: Graciliano Ramos
 
Milton Ribeiro  - Sul21 

Graciliano Ramos viveu 60 anos e nasceu há 120, precisamente em 27 de outubro de 1892. Durante sua vida, publicou 10 livros. Tal simetria combina bem com o estilo do escritor – seco, elegante, de um regionalismo muito particular, discreto e onde estavam presentes mais a condição social e a psicologia do que as descrições de costumes e o ambiente. A política, aliás, apareceu em sua vida antes do escritor. Graciliano nascera em Alagoas, na cidade de Quebrângulo. Aos dezoito anos de idade, mudou-se para Palmeira dos Índios, onde o pai era comerciante. Em 1928, tornou-se prefeito. Um excelente prefeito. Permaneceu no cargo por dois anos, renunciando em 1930.

Durante sua gestão, tomava atitudes polêmicas como a de soltar os presos para que construíssem estradas. Outra curiosidade é que seu talento para a literatura foi descoberto a partir dos relatórios que escrevia como prefeito. Ao escrever um relatório ao governador Álvaro Paes, chamado “Um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928”, publicado pela Imprensa Oficial de Alagoas em 1929, o escritor se revela mesmo ao abordar assuntos de rotina da administração. Seus relatórios impecáveis, mas também irônicos e apresentados em forma livre, dificilmente seriam lidos sem estranheza e admiração. Após a renúncia, foi nomeado diretor da Imprensa Oficial de Alagoas. (Aqui, temos o relatório enviado pelo prefeito Graciliano ao governador de Alagoas em 1930).

Uma foto rara de Graciliano, provavelmente dos anos 30

E efetivamente foram tais relatórios que pavimentaram o caminho para a literatura. Eles foram levados ao conhecimento do poeta e editor Augusto Schmidt, que aconselhou Graciliano a escrever mais, porém a respeito de outros temas. Em 1933, foi o mesmo Schmidt que publicou seu livro de estreia, Caetés, o qual vinha sendo escrito desde 1925.

Entre 1930 e 1936, viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e professor. Durante este período, publicou São Bernardo e, na tarde de 3 de março de 1936, após entregar o manuscrito de Angústia a sua datilógrafa, Dona Jeni, foi levado de sua casa, preso. O motivo era a suspeita – jamais formalizada – de que o escritor tivesse conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935. Preso em Maceió, Graciliano foi demitido do serviço público e enviado a Recife, onde embarcou com outros 115 presos no navio “Manaus”. O país estava sob a ditadura de Vargas. O escritor esteve preso no Rio de Janeiro — no Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção — e depois foi mandado para o presídio de Ilha Grande, onde passou a célebre temporada descrita em Memórias do Cárcere, livro apenas publicado postumamente. Com ajuda de amigos, consegue publicar Angústia, talvez sua melhor obra, em 1936. Foi libertado em janeiro de 1937, após dez meses.

O escritor Marcos Nunes observa, a respeito de Angústia: “Trata-se de um romance excepcional, que consegue ser ao mesmo tempo expressão de sua região e do mundo inteiro. A gente sai em frangalhos da leitura; é uma experiência quase única em literatura, porque o clima pesa em um contínuo massacrante mas, ao contrário do que se possa pensar, aquilo não nos faz rejeitar o romance, mas mergulhar nele como se dele pudéssemos extrair uma catarse de todo nosso sofrimento. A angústia é nuançada até a explosão desesperadora que nada redime enquanto tudo finaliza; a vida acaba, a do leitor continua e nunca mais será a mesma”.

É importante notar que o pessimismo de Graciliano não é produto de atuação ou de uma projeção. Não foi muito fácil ser Graciliano Ramos. As surras durante a infância; o adolescente inteligente a autodidata que lia Balzac e Marx em língua francesa; o aperto financeiro por toda a vida; as dificuldades para adequar-se à burocracia e aos caminhos tortuosos do Partidão; a prisão política em Ilha Grande; a volta à vida civil e ao inferno das dívidas; nada daquilo que era o material ficcional de Graciliano lhe era estranho. Havia autêntica tensão entre o homem, a atmosfera social e sua criação literária, como lembra seu biógrafo Dênis de Moraes, em O Velho Graça.

Após a prisão, o grande estilista Graciliano Ramos foi trabalhar como copidesque no Correio da Manhã. Seu livro seguinte foi Vidas Secas (1938). O livro, o primeiro narrado em terceira pessoa, aborda uma família de nordestinos retirantes às voltas com a seca, a pobreza e a fome. A narrativa não aponta apenas os problemas sociais, mas o efeito emocional que tais condições impõem aos personagens. Graciliano teve enorme cuidado com este livro, fazendo visitas frequentes à gráfica para ter certeza de que a revisão e as ilustrações não interfeririam em seu texto. Outros escreveram livros naturalistas sobre a pobreza do Brasil, mas talvez não da forma como fez Graciliano: sem opiniões do autor, sem discursos, sem indignação, com o mínimo de palavras, como se apenas abrisse uma cortina para a realidade e dissesse: é assim que é; eles se sentem assim.

A polícia de Vargas aparentemente o deixa em paz, mas anota em seus registros que na sede da revista “Diretrizes”, em 1940, o escritor frequentava assiduamente a sede da revista “Diretrizes”, junto de Álvaro Moreira, Joel Silveira, José Lins do Rego e outros “conhecidos comunistas e elementos de esquerda”.

Outro grande livro de Graciliano é o autobiográfico Infância (1945). Filho mais velho de um casal sertanejo de classe média, ele narra sua infância em meio a uma prole numerosa, afastado de manifestações de afeto e brincadeiras. A infância árdua, vivida na virada do século XIX para o XX, no interior de Alagoas, encontra suas maiores alegrias na solidão e na descoberta da literatura. Ao fundo, onipresente, pode ser espreitada a condição econômica, histórica e cultural da família.

O célebre Memórias do Cárcere (1953) é obra póstuma. É uma pena que este clássico tenho sido publicado com Graciliano morto meses antes de um câncer no pulmão. Falta-lhe o último capítulo. Sobra muita, muitíssima grande literatura nas esplêndidas páginas dos dois volumes de Memórias do Cárcere. Quando seu filho Ricardo perguntava sobre o final do livro, Graciliano respondia que faltava pouco, que era tarefa para uma semana. O título? Ora era um, ora era outro, Memórias do Cárcere ou simplesmente Cadeia. E o que pretendia com este último capítulo? Sensações de liberdade. A saída, uns restos de prisão a acompanhá-lo em ruas quase estranhas. Mas Graciliano nunca escreveu este final quase feliz.

Há uma querela a respeito do fato de que o texto de Memórias do Cárcere teria sido alterado por pressões do PCB. O neto de Graciliano, o escritor Ricardo Ramos Filho, desmente com veemência tal versão:

    É importante que esse equívoco seja desfeito de uma vez por todas. Embora o crítico Wilson Martins e minha tia Clara tenham se esforçado para trazer a público essa versão fantasiosa, jamais, embora o Partidão quisesse, o texto original de Memórias do Cárcere foi alterado. Quem aceita essa ideia certamente não conheceu meu pai, ou mesmo minha avó Heloísa. Isso seria inconcebível. Posso lhe garantir que o Memórias do Cárcere conhecido, a menos do último capítulo escrito por Ricardo Ramos, meu pai, foi publicado exatamente como Graciliano o escreveu.

    “Há uma literatura antipática e insincera que só usa expressões corretas, só se ocupa de coisas agradáveis, não se molha em dias de inverno e por isso ignora que há pessoas que não podem comprar capas de borracha. Quando a chuva aparece, essa literatura fica em casa, bem aquecida, com as portas fechadas. E se é obrigada a sair, embrulha-se, enrola o pescoço e levanta os olhos, para não ver a lama dos sapatos”.

    Graciliano Ramos, em Linhas Tortas

Isso é tudo que não era Graciliano Ramos.

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OBS: * Pessoalmente, tomo a liberdade de dedicar esta singela matéria a Ricardo Ramos Filho, neto de Graciliano e a quem tenho como amigo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Paul McCartney, funkeiro? Agora vocês vão ver o que é isto!

Houve uma baita polêmica por causa de um mal entendido que se transformou em boato sendo espalhado com intensidade pela grande mídia. Os meios de comunicação oficiais inventaram que Paul McCartney tinha virado "funqueiro" porque num embolar de informações, se achou que o ex-Beatle estava interessado no infame gênero. Esse boato é um típico desespero de quem defende algo tão ridículo e grotesco como o "funk" carioca, que do contrário que seus defensores grunhem a todos os cantos, tem o total apoio da grande mídia, que o sustenta e lhes toma as rédeas.

Mas fiquemos tranquilos, Tudo foi um mero boato e Paul McCartney não se renderá a ruindade musical. Mas saibam que ele já fez funk um dia. Não esse cocô sonoro que querem empurrar goela abaixo. Funk mesmo, no bom sentido, tipo James Brown (Macca também é James, sabiam?), com todo o swing e a melodia que se tem direito e que está totalmente ausente no nefasto ritmo carioca.

A música em questão é a deliciosa Goodnight Tonight, gravada no final dos anos 70. Nela, Macca mostra seu consagrado talento de grande baixista, numa música totalmente conduzida por este instrumento, mas tendo trechos que simulam música flamenca. Mas é no baixo funkeado que mora a densidade que dá ritmo à música.

Isso sim, é Macca fazendo funk de verdade. Até porque de "MC" ele só tem as duas letras do seu sobrenome (MC Cartney,? Ora, imagine...). Curtam a contagiante música que faz McCartney mostrar a esses metidos lelekes idiotas como se faz funk autêntico.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Régis Tadeu desmascara a farsa que envolveu o nome de Paul McCartney

ESPREMENDO A LARANJA: Régis Tadeu, um dos poucos - e corajosos - jornalistas atuais a criticar sem dó nem piedade a decadência cultural que o país sofre nos últimos anos, revelou o que eu tinha a certeza: Paul McCartney não virou nem vai virar "funqueiro". O papo com Mark Ronson, famoso DJ e provável produtor do próximo álbum do ex-Beatle, era na verdade sobre sugestões de sonoridades para inovar a inspiração do famoso inglês. Contando com a assessoria de Ronson, com certeza será um álbum alegre e bem dançante.

Se a falácia difundida pela mídia brasileira fosse verdade, seria uma união de extremos: o compositor de muitas as melhores músicas do mundo e o pior gênero musical já surgido em toda a história da música, o tosco e altamente grotesco "funk" carioca. Felizmente, foi tudo mentira (como foi no caso do Roberto Carlos e sua simpática canção Furdúncio, que na verdade reviveu o passado black do Rei da música) e McCartney certamente nos brindará com outro grande álbum a confirmar ainda mais a sua genialidade.

Paul McCartney, “funk carioca”, boato desonesto e uma mentira desmascarada

Regis Tadeu - Na Mira do Regis – Yahoo Notícias

De uns tempos para cá tenho sido instado por inúmeros leitores a comentar uma suposta declaração do produtor Mark Ronson, de que Paul McCartney “quer trazer para si a energia do 'funk carioca'".

A princípio, tratei isto como mais um daqueles incríveis boatos que se espalham na internet, propagados à velocidade da luz por gente tão burra que seria capaz de comprar um urubu pintado de verde pensando que é um papagaio. Mas como o velho espírito do jornalismo investigativo ainda habita minha carcaça carcomida pelo tempo, resolvi ir atrás da veracidade de tal “declaração”.

Acabei descobrindo que Ronson – que será o produtor do novo disco de McCartney – realmente disse que o ex-Beatles anda inspirado por novos sons, que apareceu um dia destes no estúdio e tocou uma linha de baixo com uma levada de funk que o produtor identificou como algo parecido com o som do grupo brasileiro Bonde do Rolê e o mais importante: Paul mostrou a ele uma canção do cantor americano Usher, chamada “Climax”, perguntando “como podemos captar este tipo de energia?”. Veja a música aqui.

Até aí, nada demais. É muito comum que artistas, mesmo sendo do porte de McCartney, levem um monte de sons para seus produtores antes de começar a gravação de um novo álbum, a fim de buscarem uma pequena inspiração que possa dar uma leve direcionada no som. A leitura correta do que rolou com McCartney é que ele quer fazer um disco que saia “um pouquinho” da vertente que ele vem mostrando nos últimos tempos. Aliás, isto é algo que já aconteceu em seu mais recente disco de estúdio, o ótimo Kisses on the Bottom, que traz uma série de canções dos anos 30 e 40 que Paul ouvia na infância e adolescência no rádio da casa de seus pais. Foi então que percebi o que aconteceu...

De uma maneira absolutamente sórdida e mal-intencionada, algumas pessoas na mídia – inclusive jornalistas ditos “sérios” – resolveram espalhar a história de que Paul McCartney iria gravar um disco de “funk carioca”!!! Um absurdo tão inacreditável e mentiroso que chega a me dar náuseas.

Eu nem deveria ficar surpreso, já que há nas redações de jornais, revistas e sites especializados em fofocas de subcelebridades uma forte corrente midiática que, “$abe-$e” lá por “quai$” motivos, trata de ‘bombar’ todo tipo de informação, verdadeira ou não, a respeito de qualquer coisa relacionada ao mundo do “funk carioca”. Sem qualquer tipo de veracidade, “funkeiros” vomitam besteiras e bravatas a torto e a direito, que são imediatamente divulgadas na imprensa. E foi exatamente o que aconteceu no caso “Paul McCartney agora é funkeiro”. Mais um caso em que o sensacionalismo barato e mentiroso veio avacalhar ainda mais o estado de indigência intelectual que o Brasil vive atualmente.

Não vejo o menor problema de Paul usar a “energia” que, indubitavelmente, existe nas músicas ruins que o Bonde do Rolê faz, mas daí a “brigada midiática do funk carioca” sair cantando tal cascata aos quatro ventos é de uma desonestidade fétida. Para você ter uma ideia, teve um grande portal de notícias “globais” que chegou a promover uma matéria em que várias “celebridades” do "funk carioca" deram "sugestões" daquilo que Paul tem que ouvir para "renovar sua energia" na hora de botar seu novo show na estrada. Teve energúmeno que sugeriu a infame "Passinho do Volante", do horrível MC Federado & Os Lelekes. Não imagino quem poderia inventar algo mais estúpido que isto.

Nada é mais significativo do processo de emburrecimento coletivo que vivemos nos dias de hoje do que o tal de "funk carioca". O simples fato de pseudointelectuais defenderem uma veia "socializante" desta porcaria já mostra a falta de escrúpulos desta turma. Auxiliados por um “reforço” financeiro vindo de gente graúda deste meio, essa gente não tem pudor em criar contextos mirabolantes, oportunistas e risíveis, a ponto de elevar boatos e interpretações de textos canhestramente deturpadas a patamares de “fatos” que devem ser levados a sério.

Torço para que você e milhões de outras pessoas esclarecidas continuem repudiando este tipo de trapaça.

domingo, 5 de maio de 2013

As melhores mulheres nunca ficam encalhadas

Um mito muito repetido como mantra na sociedade hipócrita em que vivemos é o de que as melhores mulheres sempre ficam sozinhas. Um mito falso, mentiroso e que só serve para prejudicar os homens que tem dificuldades de se adaptar as rígidas regras de conquista, definidas pelas convenções sociais (e reguladas pela mídia).

Ninguém é idiota estando com o privilégio de ter acesso ao melhor e preferir o pior. Faz parte do instinto humano querer sempre o melhor. Se for para passar a perna nos outros para obter vantagem, melhor ainda. Serve para massagear os egos, se sentindo melhor que os outros. Mesmo que de fato não seja (e ninguém de fato é).

Claro que um homem acompanhado com uma mulher linda, inteligente, de classe, que não seja chata, é sempre bom aos olhos de outras pessoas. E justamente por isso, as melhores é que arrumam primeiro.

E não se enganem que as melhores mulheres se casam com os melhores homens. Muitas vezes é o contrário. Acontece que as mulheres, quando muito desejadas, filtram o número de pretendentes exigindo requisitos ligados a proteção e sustento, integrantes do instinto feminino. E na maioria dos casos, os homens que cumprem esses requisitos, acabam não cumprindo outros. E é nesta situação que um excelente conquistador, pegador mesmo, se transforma num péssimo marido. Daqueles de ficar enterrado no sofá todas as tardes de domingo.

Mas elas nem, ligam. Se o cara sabe proteger, tem porte físico e grana na conta, já serve. O resto se resolve depois ou se conforma mesmo. Tendo segurança e dinheiro garantidos, o resto é detalhe. Inclusive o convívio, o amor, o carinho e o respeito. Por isso que muitos defeitos comuns a muitos homens são tranquilamente tolerados pelas mulheres e até mesmo pela sociedade.

Até porque para conquistar uma gata dessas, como as das fotos acima (todas muito bem casadas com caras bem chatos e com filhos), não é preciso ser nenhum gentleman. Basta satisfazer os critérios de proteção e sustento que tá bom. Os caras que tem muitas qualidades, mas não satisfazem nos quesitos de proteção e sustento, ficam na mão - literalmente.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O provável fim do Dentista Mascarado

Mal estreou e já querem acabar com o seriado O Dentista Mascarado, dos sempre excelentes Alexandre Machado e Fernanda Young e protagonizado pelo humorista Marcelo Adnet.  A imprensa já faz duras críticas ao seriado, apesar de eu não ter visto nenhum defeito nele. O que eles esperariam do mesmo?

Em tempos de mediocrização, parece que virou moda falar do que é bom. O Zorra Total e seu péssimo humorístico de bordões, não leva nenhuma crítica. O "humor" troglodita de Rafinha Bastos é até elogiado. O Pânico na TV não para de atrair mais gente. Pôxa, porque os piores humorísticos são tão valorizados e quando resolvem pegar no pé escolhem logo um humorístico de qualidade?

O que eles esperariam de O Dentista Mascarado? Mais seriedade? Se acharam bobo demais, fiquem sabendo que o seriado é bobo propositadamente, pois é protagonizado por um dentista palerma e sua graça está justamente nisso! Adnet, excelente humorista que estava pesando a mão no enfadonho Comédia MTV, que estava caminhando para ser uma espécie de "Zorra Total" da MTV, retomou o seu bom caminho no seriado do dentista.

A Globo pegou a mania de acabar com as poucas boas ideias que surgem. Com a adesão das classes populares ao consumismo, parece que vivemos uma onda de desqualificação cultural e midiática, na tentativa de agradar a uma classe que se eleva financeiramente, sem deixar de ser pessimamente escolarizada. E qualquer coisa que reúna o mínimo de inteligência na TV aberta (e em muitos canais da paga também), vai direto para a guilhotina após não dar um índice de audiência satisfatório.

Não sabemos o que irá no lugar. Os outros seriados, bem inferiores ao protagonizado por Adnet continuam firmes e fortes, apesar da silenciosa crise criativa, todos presos a clichês. Pelo jeito a Globo quer seguir se auto-rebaixando para agradar a uma população que vive achando que cérebro só serve para enfeite.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O que está acontecendo com Amanda Bynes?

As últimas aparições de Amanda Bynes tem sido muito estranhas. A garota que encerrou a sua carreira de atriz tem feito a alegria dos paparazzi e dos inimigos de celebridades, agindo como se estivesse a beira da loucura. Será que a aposentadoria da carreira de atriz gerou alguma sequela?

Não adianta usar o argumento de que ela começou a sua carreira na infância. Apesar de ser comum ver atores que começaram quando crianças surtarem ao chegarem a vida adulta, isso tem sido cada vez mais raro. Já existem muitos atores com carreiras desde a infância que estão chegando numa boa à vida adulta e ainda melhores como profissionais e seres humanos respeitáveis e de ideias surpreendentemente amadurecidas. O que aconteceu com Bynes não pode ser justificada pela carreira precoce.

A Amanda Bynes de hoje em nada se parece com a linda e adorável garota, lançada através de um humorístico que levava o seu nome, The Amanda Show e com excelente atuação em outros seriados e filmes e que aprendemos a amar. Bynes hoje vive como uma junkie, é uma péssima motorista, com um longo histórico da batidas de carros e seu comportamento anda muito estranho, com direito a postagens meio loucas em redes sociais.

Ela não é a primeira a surtar desta forma. Britney Spears e Lindsay Lohan, também iniciadas na infância, também surtaram. Spears se recuperou, virou jurada de programa de sucesso, demonstra ser boa mãe e, após terminar um relacionamento, já iniciou outro, sinal de que ainda é bem admirada. Lohan, apesar de estar entrando em nova internação para se recuperar de vícios, dá sinais de recuperação. Lindsay Lohan, uma das melhores atrizes de sua geração, já voltou a participar de filmes e seriados, com direito a elogios a suas interpretações. Será que a solução para Bynes não seria retomar a carreira? Boa atriz ela é.

Não sabemos até onde vai Amanda Bynes. Muita gente já fala que ela não vai durar muito. Não queremos pensar desta maneira. Prefiro acreditar na recuperação de Bynes e que mesmo que não volte a atuar (opção dela), ela possa se recuperar dos surtos e viver uma vida normal, aproveitando a distância dos holofotes para tentar um pouco mais de sossego e privacidade. Pois agindo como nos últimos dias, privacidade é o que ela não terá mesmo.

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