Neste momento está acontecendo a 12ª edição do Festival de Verão, em Salvador/BA. Um festival feito nos moldes do Rock in Rio, só que um pouco menor, mas com pequenos palcos paralelos. É montada uma pequena infra-estrutura de comércio no Parque de Exposições, onde acontece o citado festival. O evento em si seria bem divertido, se as atrações também fossem.
Eu fui em algumas edições do festival, quando morava lá, em um ou dois dias cada, quando tinha mais de duas atrações interessantes para assistir. Mas como todo mundo sabe, o festival é utilizado para servir de vitrine para os mercenários da axé-music, que aproveitam para aumentar seu próprio status em um festival de maior projeção. O festival é para eles. O resto atua como coadjuvante.
Pior que até em coadjuvantes o festival vem decaindo de qualidade, a medida que o preços do ingresso aumenta. breganejos, forrozeiros de araque, emos, e quejandos. Fica difícil assistir a algum show que preste. O festival resolveu incluir atrações internacionais, mas quem vem geralmente são nomes do quinto escalão ou hasbeens, nomes em franca decadência criativa ou midiática (ou ambas). Mas como eu falei em outro tópico, brasileiro se deslumbra com qualquer estrangeiro. E os decadentes sabem disso, pois são mais amados aqui do que em seus países.
É uma pena que o festival esteja decaindo em prol de ambições financeiras. Pior que o Festival Planeta Atlantida, na Região Sul do país, que surgiu como um festival de rock, tenha copiado o Festival de Verão de salvador nessa decadência. Vários popularescos estão agendados para tocar por lá.
E a nossa música legítima e a música brasileira de qualidade ficam sem espaço para mostrar o seu verdadeiro valor. Os picaretas estão no poder e não há quem os tire.
Festival da mistura? Só se for mistura de merda: merda de cavalo com merda de cachorro, com merda de porco, merda de elefante, de rato, cocô de passarinho e por aí vai...
Os Estados Unidos são uma nação arrogante que possui o prazer de querer mandar nas outras nações e impôr seus costumes e obrigar as nações a comprarem seus produtos. Internamente é uma nação cheia de problemas, desconhecidos aos olhos das populações de outros países, com inflação, má distribuição de renda, corrupção de autoridades, etc. É claro que em escala inferior ao do Brasil, mas o suficiente para desmoronar a fama de "Nação Perfeita" que os EUA insistem em mostrar para o mundo.
Desiludidos com os problemas, cidadãos mais esclarecidos dos EUA não se iludem fácil com as promessas veinculadas pela mídia e com isso, param de consumir tudo aquilo que mostreuma imagem ilusória ou estimule a alienação. A esquerda americana já é fraca, e quem pensa diferentemente da direita que predomina o país (nunca esqueçamos que Barack Obama é direitista; um direitista do bem, mas direitista) fica sem orientação. Afinal, ele é obrigado a escolher entre a direita ou a direita.
E com essa desilusão, os representantes culturais do ilusório "american way of life" são esnobados pela parcela esclarecida da população, que precisa de ídolos mais coerentes e que não iludam o povo com dancinhas, gracinhas e corpões sarados. Estão a procura de alguém que possa ajudar a pensar numa solução para os EUA.
E os artistas alienados? Para que público irão cantar se os americanos não querem mais saber deles, até por conhecer de perto toda a sujeira do showbusiness ianque? Convém lembrar que quem menos chorou com a morte de Michael Jackson, símbolo maior desse showbusiness, foram justamente os americanos, que mais conheciam "a peça".
Povo subdesenvolvido se deslumbra facilmente com estrangeiros
Lançando aquela ideia de que tudo é perfeito nos países desenvolvidos, cria-se a crença de que não existe cultura inferior nos EUA, que é considerado (mesmo erradamente), símbolo máximo do desenvolvimento mundial. Como se os "isteites" fossem o paraíso.
Aí, baseado naquela famosa frase "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil", muita gente cai direitinho como patinho nesse verdadeiro conto do vigário lançado pela indústria cultural norte-americana. Ninguém sabe que há muito tempo rádios não são confiáveis para consagrar alguém como cultura?
E o que é realmente produzido em música de qualidade não chega aqui, ou é pouco divulgado. Mas os incautos/cultos, preferindo confiar cegamente em rádio e televisão, adota os ídolos fajutos como verdadeiros, como se eles não ganhassem nenhum dinheiro com as canções medíocres que eles "vomitam" em nossos ouvidos.
Para os fãs brasileiros dessa música comercial, seus ídolos passam a serem vistos como heróis, exemplos de sucesso e motivo de felicidade para eles, que muitas vezes possuem baixa auto-estima e compensam com o sucesso de seus ídolos o fracasso que tiverem em suas vidas particulares.
Não há problema nenhum em gostar de música comercial
Nem tudo que é comercial é necessariamente ruim, mas a ruindade serve como termômetro para o mercenarismo de um "artista", já que é um meio de ganhar dinheiro sem se esforçar muito, pelo contrário: é ganhar dinheiro se divertindo. Os "artistas" que não tem talento, acabam por se consagrar na mídia e viram "totens intocáveis" para seua fãs, graças a muita propaganda e muita mentira publicada. É um conto de fadas.
Mas não há problema algum em gostar de música comercial. O problema é achar que o que é agradável aos ouvidos, pode ser "importante" culturalmente. Ser agradável é uma coisa, ter importância cultural é outra completamente diferente. Mas os fãs de música comercial não conseguem perceber essa diferença.
Eu gosto de algumas músicas comerciais. Mas gosto, sabendo do que se trata. Não vou ficar aqui defendendo a Madonna, por exemplo, só porque gosto de muitas músicas gravadas por ela. Até porque se falam mal dela, consigo entender o motivo, mesmo que eu discorde. Respeito opiniões diferentes, só não respeito incoerência. E incoerência é o que os fãs de música comercial mais demonstram ter.
Voltando, Madonna é comercial, faz música para se divertir, apenas. Ela não tem compromisso com cultura nenhuma. O trabalho dela nada acrescenta para a evolução da sociedade como um todo. Vou continuar ouvindo Madonna, comprando seus discos, mas sem ficar achando que ela é uma "diva". Diva é Sarah Vaughan. Diva é Patti Smith. Diva é Laura Nyro. Diva é Elis Regina.
O que as pessoas precisam aprender é que existe muita diferença entre gostar, se divertir com "acrescentar algo para a sociedade", que o que caracteriza uma cultura de verdade. Senão vamos ficar eternamente enchendo nossas caras e fazendo passos de dança ridículos, que é o que a indústria cultural dos EUA e daqui quer que façamos.
Resolvi fazer um panorama do que observo entre as cantoras estrangeiras que tocam atualmente nas rádios. Não analisarei sobre a perspectiva de gosto, e se eu tiver que dizer se gostei ou não, especifico no texto sobre cada uma.
Mas as críticas são totalmente objetivas e se baseiam em fatos. Gostem ou não. Serão citadas as de maior sucesso e/ou execução nas rádios e presença na mídia (sobretudo a mídia "marrom"), independente da qualidade musical.
Vamos à lista das "rainhas do rádio" da atualidade:
Beyoncé - Considerada uma "diva" pela mídia e seus fãs, ele desmerece seu título, pois o tipo de música que canta, um charmezinho aguado com influências do gangsta-rap (cortesia do hubbyJay-Z) e o excesso de coreografias e exposições corporais (no melhor estilo "música é visual", lançado por Wacko Jacko), mostram a mediocridade artística de quem precisa de um rótulo pomposo para se promover gratuitamente. Ela demonstra arrogância proporcionalmente inversa a sua qualidade musical. O tempo sabe o que vai fazer com ela.
Britney Spears - Outra considerada, senão como "diva", mas como a "melhor cantora da atualidade". A imprensa cismou que ela tem a capacidade de produzir obras-primas, mas suas musiquinhas medíocres que misturam dance music com polkas mais lentas, com uma vozinha fraca, tratada com vocoders e letras sem pé nem cabeça, mostram que na verdade a crítica está realmente é excitada com o belo corpinho que ela tem. Outra que irá desaparecer.
Katy Perry - Essa parece que não se leva a sério. E isso é bom. Seu popinho fofo não chateia e soa bem melhor ao vivo (ela tem bela voz, mas abusou dos vocoders em estúdio), acompanhada com banda (em estúdio há mais teclados, como na dance-music). Como ela não faz questão de ser levada a sério, o que significa humildade e coerência, dá para curti-la sem susto. É uma gostosa bobagem. Ah, ela é lindíssima e tem beleza sofisticada, raro no meio musical onde ela se encontra.
Ke$ha - Essa é uma novidade que está começando a ser falado muito ultimamente. Imagine uma dessas cantrizes da Disney, com voz de criança, tentando fazer música para tocar na OI FM. A música Tik Tok é até legalzinha, estimula a dançar. Mas o jeito junkie dela poderá prejudicá-la. A maquiagem estilo "Pablo" serviu para diferenciá-la de sua quase sósia, a soulwoman britânica Joss Stone (que some cada vez da mídia na proporção em que sofistica cada vez mais seu som). Mas, do contrário da britânica, Ke$ha é para ser ouvida sem levar a sério.
Lady Gaga - Essa sí é uma kizumba que até agora não disse para que veio. Com visual escandaloso e de muito mau gosto, o som dela é uma reciclagem da dance music européia (Bélgica, Itália, Alemanha), tipo de som até então desconhecido nos EUA. Tem boa voz, mas seu som não tem personalidade. Merece ser esquecida.
Lily Allen - Seu som tem qualidade musical. Em seu primeiro disco, ela usou muito influências caribenhas. O interessante é que ela é britânica e não canta rock. Nada de rock. Em seu segundo álbum variou mais seu som com outras influências. Sua voz meiga e sua atuação nos clipes sugerem uma garota comportada, mas na vida real, ela é capaz de fazer coisas de deixar qualquer um de cabelos em pé. Ela foi citada na lista dos 10 corpos mais desejados e é uma das três únicas com seios pequenos a estar nesta lista cheia de peitudas. Possui uma beleza rara, sedutora, com carinha de meio pervertida.
Mariah Carey - O que seria da carreira dela se não fosse seu belo sorriso e seu corpo monumental. Porque a sonoridade dela é um desastre. Ela veio naquela leva de discípulas da Whitney Houston, que destruiram a música black americana e expulsou o jazz das rádios, substituído por essa gosma metida a sofisticada. Sua voz é até regular, mas limitada. Desafina quando tenta ir mais alto. O jeito é curtir o corpaço e o belo rosto, que representam o melhor que ela pode oferecer e sustentam sua carreira.
Miley Cyrus - Cria da Disney e filha do breganejo Billy Ray Cyrus, a adolescente de belos olhos resolveu fazer um popinho quase-roqueiro, baseado no que a personagem de seu seriado/filme de maior sucesso, Hannah Montana, fazia na ficção. Há quem não consiga separar Miley de Hannah. Ela prometeu dar um sumiço para reciclar o seu som. Vamos ver o que vêm por aí.
Shakira - Mesclando dance-music com influências latinas, essa colombiana mostra que não sabe o que quer da vida. Linda, com um corpo considerado um dos mais perfeitos, ela vive posando de politizada, conscientizada, mas, além de cantar letras cinfrins que não devem em ruindade a qualquer gangsta-rap, ela ainda é noiva do filho de um político corrupto. Ora, Shakira, vá dormir.
Taylor Swift - A mais humilde na lista. Parece que a bela cantora/compositora/musicista/produtora/designer/atriz nem tem consciência do sucesso que está fazendo. Responsável pela renovação do country de verdade nas paradas americanas (não confiem na breganeja Shania Twain), ela trouxe de volta o prazer de ouvir música. Música feita e produzida por ela, muitas vezes sozinha. Esta vendendo disco que uma barbaridade, embora a maioria de seus fãs não prestem atenção em sua música, achando que ela é mais um modismo, como as outras cantoras. E não é, pois faz um trabalho de alta qualidade (lembra o lado country de Suzanne Vega às vezes) e é a única da lista que merece a eternidade cultural.
Comentários feitos, tirem suas conclusões. Só não queiram me matar.
A cantora Sandy Lima, que na vida artística pode até não ser grande coisa, demonstrou sensatez em um comentário no seu Twitter.
Ela disse: "Tudo bem que a quantidade de vítimas foi bem maior no Haiti, mas tenho ouvido muito mais notícias de gente se mobilizando para ajudar o Haiti do que eu vi acontecer por aqui. Será que isso é justificável? Não estou querendo desmerecer a tragédia que ocorreu por lá, mas pense nisso". E acrescentou:"Aos ignorantes de plantão: eu não disse q não deveria ajudar, muito pelo contrário. Só acho que o Brasil merece mais atenção do que tem tido".
A declaração de Sandy rendeu muita polêmica. Mas os que protestaram demonstraram total desconhecimento sobre o que está acontecendo, lá e no Brasil, se limitando a concentrar suas atenções à "tragédia da moda".
Eu penso do mesmo modo. Não que o pessoal do Haiti não mereça ajuda, pelo contrário. Tudo o que fizermos por eles ainda é pouco. Outros países também podem ajudar. Mas, no Brasil aconteceram tragédias horríveis, como as que recentemente aconteceram em Angra dos Reis e em Duque de Caxias.
Como não temos recursos para ajudar todo mundo, seria melhor que tentássemos ajudar as vítimas brasileiras. Elas tiveram as suas vidas tão arrasadas quanto as do haitianos.
Só quem passou pelo que eles estão passando é que sabe.
Hoje é uma data muito feliz para os brasileiros que gostam de música e boa música. Há exatos 25 anos, os portões da chamada "Cidade do Rock", em frente ao Rio Centro, centro de convenções localizado em Camorim, região de Jacarepaguá, eram abertos para um imenso público e para uma nova era no entretenimento musical brasileiro. Começava o Rock in Rio Festival.
Era o primeiro festival em proporções gigantescas que acontecia no Brasil. Tá certo que a maior parte do elenco era gente datada e fora de moda. Mas a inexperiência num evento desse porte justifica a falta de critério artístico. Mas o festival valeu por trazer credibilidade aos organizadores brasileiros, tecnologia para os nossos estúdios e muita, mas muita diversão a quem, como eu gosta de ir a um evento desse tipo.
Mas eu não fui. Uma pena. Eu tinha 14 anos na época e era meio imaturo, meio medroso em sair a um evento desse porte. Mas se fosse hoje eu iria (dizem que vai haver nova edição em 2011 no RJ: já estou contando as horas). De qualquer forma, o festival trouxe muito mais boas coisas que ruins como lição.
O Elenco de artistas
Como eu havia falado, a inexperiência fez com que a escalação do elenco fosse quase aleatória. De brasileiros poucos roqueiros, muitos nomes da MPB. Quanto a estrangeiros, nomes já em seu outono, nomes que nada tem de roqueiros e outras gororobas.
Mas foram o que conseguiram trazer. A negociação foi difícil, já que a fama de tecnologicamente precários e organizadores cafajestes dos brasileiros atrapalhava tudo. A coisa só começou a andar quando o empresário do Queen assinou a participação do grupo no festival. Isso acabou gerando a confiança necessária para a aceitação dos outros nomes.
Muitos nomes realmente em destaque na época foram chamados, mas por um motivo ou outro, não toparam, como o Dire Straits e a minha banda favorita U2. O Men at Work foi chamado, mas acabou (acabaria tocando em uma edição do similar baiano, o Festival de Verão, um ano antes do primeiro em que eu fui). O Pretenders entrou em férias por causa da gravidez da vocalista.Os farofeiros ingleses do Def Leppard (uma espécie de Bon Jovi para os súditos da Rainha Elizabeth) não vieram por causa de um acidente sofrido pelo baterista, que ficou maneta. O genial Bob Dylan também foi chamado, mas com sua desconfiança já clássica, recusou.
Mas o elenco conseguiu "aos trancos e barrancos" ser montado.
Os concertos
Estava na cara que era o festival do Queen e do Iron Maiden. Foram as maiores bandas do festival, as únicas que sempre renderam fãs antes e depois desse festival e que estavam no auge na época. Elas também tinham cenários caprichados parao palco e excelentes equipamentos de som. Eles eram o sol desse Sistema Solar musical.
Outras coisas marcaram o festival, além de projetar o Brasil para o show-business internacional. Foi a ressurreição do cantor folkJames Taylor(ele nunca foi roqueiro coisa nenhuma; rock ballad não existe, é desculpa dada por quem não entende de música: nem a vó dele era rock ballad), curiosamente o mesmo nome artístico do líder da orquestra de funk autêntico Kool & The Gang. Taylor estava deprimido, isolado com a sua impopularidade e se surpreendeu quando no Rock in Rio todos cantavam suas músicas corretamente. Taylor escreveria anos depois uma canção em agradecimento ao público brasileiro, Only a Dream in Rio.
O festival também foi marcado pela consagração dos Paralamas do Sucesso, que surpreenderam fazendo um som denso com poucos músicos. Era o nosso power-trio, quando três músicos tocam como se fossem em número maior. O The Police, maior influência do trio brasileiro sempre foi um ótimo exemplo de power-trio.
É claro que haviam bobagens. Nina Hagen nem deveria ter vindo. Seu som nulo, patético, imbecil somado ao exótico visual de bruxa-má, hoje repousa merecidamente no limbo do esquecimento. Ela não faz falta. Cuidado, Lady Gaga, Hagen era o que você é hoje!!!! B'52's e Gogo's apesar de bonzinhos, não foram feitos para shows em grandes estádios. Lulu Santos perdeu tempo discursando e descendo o pau no Menudo. Tudo bem que sempre foi óbvio que Menudo era uma merda, e por isso mesmo, pra quê perder tempo com eles? E Lulu tinha ótimo repertório para mostrar, tinha que aproveitar o tempo (que era escasso para os artistas brasileiros).
Mas infelizmente marcante foi a humilhação sofrida por Erasmo Carlos, único nome da Jovem Guarda que continua até hoje com uma digna carreira musical, sem repetidos e humilhantes revivais, no festival. A inexperiência dos organizadores o escalou para um dia infeliz, os dos esquentadinhos headbangers, pejorativamente apelidados na época de metaleiros. Erasmo merecia respeito por ter heroicamente sobrevivido bem o fim do movimento que o consagrou. Até porque ele foi um dos principais participantes do festival que inspirou o Rock in Rio: O Hollywood Rock 75. Quem gosta de boa música com certeza ficou chateado, já que Erasmo, além de bom conhecedor de rock, mostrou que sabia fazer boa MPB. Mas em sua segunda apresentação, para um público mais adequado, Erasmo foi devidamente ovacionado e obteve a homenagem que realmente merecia. Afinal ele era um dos que abriram o caminho para aquele festival acontecer.
O Barão Vermelho fez um show imbatível. Vou ver se consigo comprar o DVD. Cazuza estava no auge mostrando suas composições firmes e com letras de insuperável qualidade. Um show consagrador, que coincidiu com o anúncio da vitória de Tancredo. A ditadura tinha terminado afinal.
A inexperiência fez muita confusão na hora de alimetar a platéia. Demoras, filas, falta de produtos, quem ia ao comércio instalado no local sofreu para se abastecer. Fora a lama causada pela chuva. Se bem que da lama, a maioria gostou. lembrava Woodstock e serviu para fazer a (equivocada, claro) comparação.
Não escreverei muito sobre o festival aqui. Muita gente vai falar ainda. Vou esperar a edição prometida para o ano que vem (belo ano que vou ter. Não há melhor modo de chegar aos 40 anos, aliás, idade da maioria dos cantores e músicos na época do festival).
Ficou a lição para eles de que o Brasil poderia sim, organizar bons eventos com tecnologia e honestidade. Para nós ficou a lição de tecnologia e infra-estrutura. E para o público a lição de que dá para se divertir muito em uma só noite (e foram 10 noites!). Noites que nunca mais se repetiram em nosso país. Pois nunca houve um festival como aquele. Nem sei se haverá.
As pessoas que defendem os ritmos do popularesco (brega, forró-brega, axé, pagode, "funk" carioca, sertanojo, pagode, sejam todos pornôs ou não, sejam universotários ou não) estão fazendo a mesma coisa que o Boris Casoy fez com os lixeiros.
É aquilo que já existe na educação, na saúde, moradia, segurança e infra-estrutura: dá o melhor, de qualidade para as classes abastadas. As classes mais humildes são limitadas a consumir a de pior qualidade. Agora é a vez da cultura sofrer essa degradação.
Para esses defensores, legal é ver o pobre idiotizado, empinando traseiro, fazendo danças ridículas, cantando letras de corno e dando o escasso dinheiro que mal possuem para sustentar picaretas corruptos que se auto-rotulam de "artistas".
É mais uma forma de acabar com a dignidade do povo pobre, que imobilizado por essa cultura de araque, deixa de reivindicar seus direitos essenciais e sorri alegremente diante das injustiças sociais que ele na sua ignorância acaba achando "justas", só porque ele viu na TV que vida justa com dignidade é viver dessa maneira.
Ser pobre é uma condição humilhante que deveria ser provisória. Enquando não aparece alguma alma evoluída para tentar melhorar a distribuição de renda no nosso país, vamos pelo menos respeitar as classes mais humildes, oferecendo cultura de qualidade que enriqueça seus conhecimentos e devolva sua dignidade, pelo menos a dignidade cultural.
Pois do contrário que os ricos pensam, os pobres são seres humanos. gente digna e honesta e que sofre todos os dias para tentar ser feliz.
OBS: Isso é que é mulher de classe, que não quer se vender como carne de rua, expondo gratuitamente seu corpo para um bando de trogloditas que não amam nem eles mesmos ficarem babando. Natalie, por essa e muitas outras que eu te amo!
Atriz Natalie Portman revela medo de sites pornôs
Extraído do site da Folha - 08/01/2010 - 15h47
A atriz Natalie Portman, 28, afirmou que evita protagonizar cenas de sexo na sua carreira em Hollywood porque ela não quer acabar "como uma cena editada em um site pornô".
À edição britânica da revista "Elle" de fevereiro, a atriz disse que se descola, deliberadamente, do status de "objeto sexual", depois que o filme "O Profissional" (no qual a atriz, então com 12 anos, atua com o ator francês Jean Reno, na época com 46) lhe rendeu a fama de "lolita" --e uma enxurrada de cartas "estranhas" de homens.
"A imagem de boa moça foi algo que eu cultivei conscientemente após 'O Profissional'", declarou a atriz à revista.
"Houve muita controvérsia sobre a imagem de Lolita. Meus pais eram superprotetores sobre isso, mas eu recebi um monte de cartas estranhas. Foi realmente perturbador. Eu não quero ser vista como um objeto sexual, então eu fui na direção oposta."
A atriz declara ainda que não é "puritana sobre sexo ou nudez", e que apenas não quer "fazer algo que acabe como uma cena editada em um site pornô."
"Você vê atrizes que venderam a si próprias a partir dos seus corpos, e eles podem ser bons. Mas, ao longo do tempo, elas só perdem, porque esse tipo de coisa não dura."
O que era para ser uma enciclopédia organizada de forma democrática (e responsável; vandalismos de todo o tipo devem ser evitados), está cada vez mais censora, impondo pontos de vista que estejam de acordo com os dogmas socio-economico-religiosos em que todos acreditam.
Após alterações subjetivas do verbete "Brega-popularesco" criado pelo meu irmão, da negação a criação de um verbete sobre um intelectual importante, mas não-famosos (Daniel Pádua), denuciado pelo blog parceiro The Angry Brazilian, os administradores do Wikipedia agora podem cancelar o verbete sobre o PiG, Partido da imprensa Golpista, grupo que reúne os mais fortes meios de comunicação do país e que pretendem direcionar a política brasileira na direção de seus interesses, num ato coerente ao rótulo de "Quarto Poder".
É uma pena que os adminsiatradores brasileiros do Wikipedia estejam agindo dessa forma. Gosto muito de postar links da enciclopédia para explicar coisas que ciro em meus textos.
É possível que alguém por trás dessas grandes empresas de comunicação esteja entre os admnistradores do Wikipedia ou é patrão de algum deles. O artigo sobre o PiG é considerado ofensivo. Quem está por dentro dos atos dessas grandes empresas de comunicação, que são acima de tudo, empresas, capitalistas (fazem tudo visando unicamente o lucro financeiro), sabe que não existe nada de ofensivo .
O Capitalismo forteleceu quando se uniu ao Liberalismo, ideologia que defende que só os poderosos possuem direitos plenos e que as outras classes sociais existem apenas para servir as classes mais fortes. E os interesses e as convicções dessas classes fortes tem que ser mantidos. E é nisso que está o propósito de cancelar o tal verbete.
Outra coisa que fortaleceu o Capitalismo foi a capacidade de se travestir de "representante do povo" (a própria Revolução Comercial foi rotulada pelos seus organizadores como um "movimento do povo"), para que as outras classes não se rebelem contra as mais fortes. Acreditando que o "tutor" é "bonzinho" fica mais fácil obedecer (acontece muito em nosso país).
Então, para manter os seus interesses, as empresas (eu disse, EMPRESAS) integrantes do PiG querem manter a fachada de "vozes do povo", machucados pela ditadura (leiam Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir e saberão que so contrário que a mídia fala, a mesma mídia colaborou e muito com a ditadura militar ) e "defensores da ética e da imparcialidade". Esse artigo do Wikipedia desmente esse confortável mito e a mídia teme que com as mascaras de "bonzinho" caindo, cai também o poder que essas grandes empresas de comunicação possuem.
O Wikipedia, com o cancelamento desse verbete, mostra que está sendo parcial, anti-democrática e o pior, que está do lado dos poderosos que querem que o povo se dane (se dene, mas sorrindo), emperrando o desenvolvimento de nosso país e perpetuando as desigualdades que tanto estragam o nosso cotidiano.
Agora há pouco tocou na "respeitada" MPB FM uma música do cantor mega-brega Odair José, um dos representantes tradicionais do esgoto musical brasileiro, a MPBosta.
A música em questão é a profética Eu vou tirar você desse lugar. Realmente, como vemos hoje, os bregas e os neo-bregas tomaram o lugar da verdadeira música brasileira, hoje esquecida nos bailes da vida das pessoas intelectualizadas.
Uma rádio que pretende tocar o "melhor da MPB" e que evita Ivetes, Chicletes, Chitãozinhos e Salgadinhos, Calcinhas e frutinhas, não deveria dar espaço ao pai dessa patota toda.
É muito ruim saber que existe gente que dá valor a nomes medíocres sem talento e que só entraram nessa para faturar uns bons trocados.
Não consigo entender como é que uma nação dá exagerada importância a uma vitória que não vai trazer nada de útil para o povo, apenas para os diretamente envolvidos.
Como é que mulheres, que não costumam gostar de futebol, passam a gostar em época de copa?
Porque ninguém liga para futebol de salão, futebol de praia, futebol feminino, Sub-20, Sub-17, com a mesma dedicação que tem em relação à seleção oficial?
E porque não os outros esportes? Natação? Basquete? Hóquei? Provavelmente porque não tem a festinha de gritaria que acontece em todo o final de jogo futebolístico.
Será que 5 títulos inúteis não são o suficiente para esse povinho ignorante? Querem mais?
Mesmos com esses títulos todos, ainda continuamos na miséria, com desigualdades sociais, analfabetismo, corrupção, violência, desastres, mortes precoces, etc?
E porque colocam as eleições presidenciais justamente em anos de copa? Para o patriotismo fictício de um simples divertimento impulsionar um resultado "correto" nas eleições?
Porque é tão necessário que 11 amarelados façam uma seleçãozinha ganhar um joguinho?