sábado, 31 de outubro de 2015

Enquanto a MPB perde espaços no Rio de Janeiro...

Enquanto a MPB autêntica - aquela que não depende de plateias lotadas feito gado reunido para ter reconhecimento - perde espaços no Rio de Janeiro, o comercialismo da bregalização musical expande seus espaços e cria reservas de mercado.

Há tempos uma casa de espetáculos na Barra da Tijuca se tornou reduto desses ídolos comerciais para os quais fazer música é algo tão tendencioso e mercenário quanto produzir um automóvel ou vender um sabão em pó. Música com M de mercadoria, que só se torna maleável quando a intenção é agradar a freguesia (ou seja, aquele tipo de demanda que a granda mídia define como "clientela").

Esses ídolos musicais já têm um monte de espaços. Seu domínio de mercado atinge 95% do mercado de casas noturnas, 75% das programações radiofônicas (isso porque parte das FMs hoje investem em blablablá) e 80% dos espaços nos cadernos culturais da grande imprensa. E volta-e-meia a gente vê "sertanejos", "funqueiros" e "pagodeiros" choramingando porque não tocam em rádios especializadas em MPB.

Por outro lado, os emepebistas de verdade - que não dependem de plateias lotadas e estas não são tratadas como gado de fazenda - perdem espaços em rádios, espaços culturais lhes fecham, e as notas de imprensa cada vez mais acanhadas e escondidas junto a listões de eventos de casas noturnas em geral e de cinemas. Até filmes de animação da Pixar terão mais cartaz do que um grande nome da MPB a anunciar turnê.

E isso numa época em que a MPB se encanou de apenas revisitar velhos repertórios, realizar os intermináveis tributos, sem sinalizar qualquer renovação que não sejam as cantoras ecléticas que apostam na já enjoativa mistureba de Jovem Guarda com Tropicalismo.

Infelizmente, parece que os apreciadores de MPB estão felizes com os espaços que lhes restam. Acham que lhes basta tocarem em locais longínquos, pequenos e inacessíveis, aparecer em programas obscuros de canais ainda mais obscuros da TV paga - é preciso ser médium (não confundir com Chico Xavier, no fundo um católico que "via coisas") para sintonizar um canal desses - ou fazer apresentações saudosistas celebrando um passado glorioso que muitos acreditam que acabou mas fingem continuar presente.

Fazer o quê? É costume de uma parcela da "boa sociedade" carioca e culta ficar celebrando e brindando por valores e movimentos que não existem mais...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Simone de Beauvoir e o crescente emburrecimento do jovem brasileiro

Burrice virou moda. Mas uma burrice enrustida, resultante da maior de nossas ignorâncias: a de que somos suficientemente inteligentes. Quem se acha sábio certamente não vai querer adquirir mais conhecimento por acreditar, na sua visão limitada, ter atingido o máximo da inteligência. O acesso a tecnologias complexas e o acúmulo de informações desconectadas entre si nos dão a ilusão de que oje sabemos tudo. Mas na verdade nada sabemos.

Numa burrice que hoje nem tem classe, pois os coxinhas e o sucesso da "cultura" popularesca entre os ricos e graduados (Chopada de Universidade? Xiii...) provam que até mesmo os privilegiados sociais tem colocado seu cérebro em stand-by, preferindo usar o seu dinheiro para curtir a vida, limitando o uso de seu diploma como escudo para exibir quando alguém realmente mais sábio o acusar de ignorante (aqui sem aspas, propositadamente).

Mas a burrice tem chegado a níveis assustadores. Estimulados por pseudo-intelectuais e por celebridades de baixíssima-escolaridade como artistas e jogadores de futebol, os jovens agora desprezam o esforço intelectual, preferindo deste apenas o rótulo. "Legal, se já somos inteligentes, para quê se tornar inteligente?". Inteligência é ruim porque exige esforço e abnegação. Mas o rótulo de inteligência é bom porque atrai prestígio e respeito e serve como fonte de influência social. Para os tolos, é muito bom usar o rótulo de "inteligente" para autenticar as besteiras que difundem.

E numa inversão de valores, uma famosa intelectual, falecida há tempos e consagradíssima, foi chamada de "burra" pelos burros que não conseguira entender a metáfora de seu brilhante ensaio "O Segundo Sexo", acusando-a de não entender Biologia. Isso aconteceu numa prova de ENEM, mas foi estendido pelas redes sociais na internet.

Os burraldos que acusaram a sábia filosofa de "burra" não sabem que a filosofa se referia não aos aspecto biológico, mas a essência feminina. Mas uma sociedade que não sabe a diferença entre essência e estereótipo, que acredita que o que é de fato supérfluo (Por exemplo, futebol: BRASIL-IL_IL_IL!...) é "essencial", fica complicado para entender um texto que se refere metaforicamente a uma essência do ser.

O que é mais estranho é que a Filosofia é dada no ensino médio atual, algo que não existia no tempo em que minha geração estava neste nível educacional. Ou seja, era para esta geração entender mais de Simone de Beauvoir do que a minha. Mas pelo jeito as aulas que falam sobre Beauvoir e suas ideias têm sido dadas de forma mais maçante possível, por professores despreparados e/ou desestimulados.

Não sabemos até onde a ignorância vai chegar. A volta de valores retrógrados (mesmo os positivos), a má qualidade da educação e o desprezo de pais e tutores, somados a influência midiática (a verdadeira "educadora" dos brasileiros) cada vez mais forte, tem criado uma geração de jovens ao mesmo tempo burros e sádicos, transformados em espantalhos móveis sem cérebro e sem coração a imporem na marra seus pontos de vista equivocados e contribuírem para uma sociedade que piora a cada dia, preservando problemas, injustiças, preconceitos e toda forma de erros.

Simone de Beauvoir não previu que a decadência social chegasse a esse nível.

Se protestar fosse mais comum...

Dias atrás, houve um protesto de movimento de mulheres pedindo a cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Foi na frente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Coisa rara de acontecer, gente protestando no Rio de Janeiro. Geralmente, as pessoas endeusam autoridades, tecnocratas, empresários e executivos em geral, fora celebridades, por qualquer coisa que impõem para a população.

Por exemplo, chega um paulista da gema como Luciano Huck - que, originalmente, é desses que dizem "dois chopes e um pastel", mas tornou-se carioca por adoção - , lança uma gíria como "balada" e o pessoal do Rio de Janeiro pensa que a gíria havia sido criada nas ruas cariocas.

O protesto deve ter ocorrido, portanto, porque Eduardo Cunha foi longe demais. E talvez porque a eleição desse "garoto-problema" do Poder Legislativo federal tenha envergonhado os cariocas, que precisavam mostrar que se indignavam de alguma coisa que não seja o Partido dos Trabalhadores e pessoas que tenham algum senso crítico para questionar o "estabelecido".

Esse protesto ocorreu há alguns dias atrás. Depois, voltamos à rotina. Daí um grupo de jovens que agora quer "diálogo" para melhorias no transporte coletivo carioca. Jovens que "pagam pau" para o sindicato patronal e aderem àquele papo furado de propor soluções que procurem não acabar com os problemas (dupla função do motorista-cobrador, pintura padronizada, trajetos mutilados etc). Voltamos ao rebanho bovino de sempre.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

"Boa sociedade" carioca decreta Lei do Silêncio

A "boa sociedade" do Rio de Janeiro, liderada pela elite carioca e por simpatizantes no restante do Estado do Rio de Janeiro e em outras partes do país (geralmente Sul e Sudeste), determinou agora a Lei do Silêncio.

Não, não! Não se trata de proibir a barulheira noturna, que continuará acontecendo livre e solta, sobretudo com trogloditas urrando e berrando feito monstros no cio depois que um time carioca favorito deles (Flamengo, Fluminense, Vasco ou Botafogo) fizer algum gol.

O "silêncio" em questão se refere à proibição de reclamar de problemas profundos, sobretudo relacionados às arbitrariedades de políticos, tecnocratas, empresários e executivos de mídia que impõem barbaridades que têm que ser aceitas para o bem do sucesso das Olimpíadas Rio 2016.

Afinal, o Rio 2016, mais que um evento esportivo - e bem mais, se percebermos que os brasileiros terão mais um desempenho medíocre, com muito menos medalhas, enquanto o chefão Carlos Arthur Nuzman fica com seus paletós e a Márcia Peltier - , é, acima de tudo, um evento turístico.

Se você reclama que o mercado botou aquela rádio pop para ser a "FM do rock de verdade", com seus locutores engraçadinhos e sua mentalidade "só sucesso", aceite. Se você acha que as livrarias, livrarias e centros culturais estão se extinguindo e os que aparecem com esse nome só mostram best sellers bobos (como livros para colorir e diários de "vlogueiros"), no caso de livrarias, e atrações popularescas, no caso de centros culturais, aceite. Criaram até uma praia artificial, que o povo faça sua "orla" nela, dentro de seu laguinho ou por baixo de seus chuveirões.

Até seus amigos andam lhe abandonando nas mídias sociais por causa de seu senso crítico. Até quem é culto está resignado com a perda de espaços e anda evitando aqueles que reivindicam a sua recuperação. Fazer o quê, há quem esteja sonhando com as ruínas de Atenas, querendo também fazer as suas. Vejamos:

1) Os que não encontram uma rádio de rock que preste em FM (vá dizer que uma rádio com nome de Cidade e com aqueles radialistas poperó é realmente uma rádio de rock!), que se contentem com webradios que não dão para sintonizar fora de casa. Não dá para levar laptop para a praia porque ele enguiça com o salitre, e o celular gasta carga e créditos sintonizando rádio digital, o que dá uma conta amarga só por meia-hora de sintonia, que ainda assim "cai" o tempo todo.

2) Os que não encontram um espaço digno para a renovação da MPB ou têm que se contentar com os espaços mínimos de divulgação, que não conseguem ter divulgação digna na mídia - o jornal O Dia, por exemplo, bota uma nota lá num cantinho pequeno e olhe lá - e os programas obscuros em canais comunitários da TV paga.

3) Os que perdem livrarias têm que se contentar com os sebos que, por enquanto, existem nas praças e ruas do Centro carioca, mas nem todos os vendedores são profundos conhecedores de obras literárias. Geralmente são entendedores apenas do óbvio, de best sellers, fora autores manjados como Machado de Assis e Clarice Lispector, ou pelo fato do vendedor saber que Chico Buarque também escreve livros, sua compreensão não vai além do que é conhecido. E, além disso, os livros para colorir já estão invadindo os sebos de livros.

4) Os que perdem bons teatros têm que se contentar com os que restam. E, se alguém quer esperar uma grande peça brasileira de qualidade, é bom se contentar com comédias urbanas americanizadas, isso quando não são as franquias da Disney que se transformam em tolas montagens feitas aqui. Nos teatros, ver que a chance média de ver boas peças se dará de dois em dois meses é triste.

5) Para que centros culturais relevantes, se dá para fazer a tal "cultura de rua"? Chegamos ao ponto de grandes artistas se apresentarem na calçada, já que não se podem mais apresentar em casas de espetáculos, entregues a ídolos popularescos, que se apresentam até em espaços que eram reservados para a vanguarda cultural, como Circo Voador e Fundição Progresso. Se deixarmos, só terá "baile funk" e "sertanejo" no Teatro Municipal. E, com essas ruas cheias de marginais agindo livremente até em pleno dia...

Pior é que não dá para reclamar. Até quem há dois anos concordava com nossas queixas passou a nos chamar de "arredios", "chatos" e "insuportáveis". De repente todo mundo passou a buscar uma falsa felicidade nas mídias sociais, tudo para parecermos felizes e sorridentes para os gringos que virão ao Rio de Janeiro no próximo ano.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Barry MacBurroughs, o "Clássico dos Clássicos"

Ele é o pai dos mullets. O rei das baladas xaroposas. Barry MacBurroughs, o ídolo americano dos anos 70, queria apenas ter uma vida de sossego ao viajar para o Brasil, mas, ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, aqui no Rio de Janeiro, ele foi agarrado por multidões ensandecidas, uma delas mostrando um cartaz dizendo "Barry MacBurroughs, o Clássico dos Clássicos".

Conhecido por sua carreira de sucessos como "I'm Gonna Tonight" e "Love Me (Til The End of The Night)", o cantor romântico de barbas espessas e cabelo arrumadinho, influenciado pelo country e ex-integrante do grupo do final dos anos 60, Dark Blue Rangers, queria apenas curtir umas férias no Rio de Janeiro, mas a receptividade inesperada dos fãs já faz seu empresário agendar uma temporada na cidade.

Ele não imaginava a receptividade que os brasileiros tinham à sua música, tocada nas rádios FM de pop adulto. Ele havia saído de negociações fracassadas de turnês no próprio país, inclusive de rejeições até mesmo em estados ultraconservadores como o Alabama e o Texas, que pareciam receptivos para o estilo de música que ele fazia, calcado em Bee Gees e Kenny Rogers (MacBurroughs deve ter ouvido muito "You and I-I-I-I-I-I-I").

Deve ser por causa da "inclinação própria" dos brasileiros, principalmente cariocas, com o hit-parade, sendo os únicos a se lembrar dos esquecidos...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ninguém é obrigado a gostar de futebol. Mas alguém precisa avisar isso aos cariocas, que não sabem desta lei

O Rio de Janeiro é uma ditadura do futebol. Embora seja uma obrigação relativa em quase todos os estados do país, é no Rio de Janeiro que o futebol se torna uma condição sine qua non para a vida social. Numa atitude comparável ao racismo e à homofobia, quem assume não curtir futebol ou torcer para um time diferente dos "4 Fantásticos" (Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo), é violentamente discriminado, perdendo amigos e até mesmo direitos importantes.

Como uma lei sem legislador, a própria população se dedica voluntariamente a fiscalizar o gosto pelo futebol. A intenção é fazer do gosto pelo futebol uma unanimidade para dar uma ilusão de que "está no sangue", fazendo parte do organismo biológico das pessoas consideradas "normais". É como se fosse uma adaptação para aquela famosa música do baiano Dorival Caymmi, trocando a palavra "samba" por "futebol". Não curtir futebol é considerado um defeito e não-torcedores não raramente são considerados "psicopatas" ou portadores de algum tipo de sadismo. 

Futebol é uma obrigação tão autoritária que a sociedade é dividida entre os "4 Fantásticos". Para ser incluído socialmente, você tem que fazer parte do grupo de torcedores de cada um dos 4 times mais populares. Para flamenguistas, é salutar que alguém seja vascaíno, botafoguense ou tricolor. Mas é altamente incômodo não gostar de nenhum dos 4 times. 

Essa regra social é tao rígida, que até as mulheres são induzidas a gostar de futebol pois sabem que assumir publicamente o desprezo pelo esporte mais popular do país (e pelo jeito única forma de lazer do cada vez mais monótono Rio de Janeiro) lhes exclui automaticamente do convívio social. Conheço  pessoalmente várias mulheres que na prática detestam futebol mas tem que fingir que gostam para serem incluídas socialmente.

Mesmo assim, com todo o rigor, muitos se recusam a admitir na teoria o que fazem na prática: a discriminação contra os não-torcedores. Não há textos na internet em que os cariocas assumem a obrigação de gostar de futebol ou o desejo de impor esse gosto. 

Muitos textos até invertem os valores, sugerindo a tese absurda de que os torcedores é que sejam os "excluídos sociais" (numa manobra semelhante a "cristofobia" e a "heterofobia"do carioquíssimo Eduardo Cunha). Mas quem vive no Rio de Janeiro, mesmo sem alardear, sabe muito bem que torcedores são privilegiados num sistema social em que o futebol é dever e prioridade máxima.

Muita gente gosta de fingir democracia para não pegar mal, mas no cotidiano nada se vê dessa maravilhosa liberdade de se divertir como quiser. Mesmo que a Constituição Federal diga que ninguém pode ser obrigado a não ser em virtude da lei, vem as regras sociais par impor o que a Constituição não impõe e o gosto pelo futebol se torna um compromisso social obrigatório com direito a implacáveis penalidades para os recusantes.

Por isso que no Rio de Janeiro, o futebol parece ter um número de torcedores muito maior do que os que tem de fato. Muitas pessoas que não curtem futebol, receosas da exclusão social, fingem gostar e até compram apetrechos relacionados aos times escolhidos, assistindo a jogos sem entender o que se passa sobre a grama verde. Assiste, na verdade acreditando estar cumprindo um dever social.

Mas isso é muito fácil para quem abre mão do prazer e do direito de ser como é. A psicologia mostrou que imitar a maioria é um caminho seguro para a sobrevivência e embora ninguém admita, é lógico que modistas sobrevivam melhor que não modistas, pois obtém com maior facilidade os direitos cedidos pela facilidade de sociabilização. E o futebol, no Rio de Janeiro, apesar de supérfluo como diversão, se torna uma necessidade de sobrevivência social, graças a teimosia em transformar este supérfluo em prioridade máxima e falso motivo de orgulho de um povo.

Resta aos cariocas admitirem essa ditadura do futebol e a fobia doentia contra os que não curtem. Aos poucos, mulheres, negros, deficientes e gays conquistam o respeito social e a aquisição de direitos. Agora é a vez dos que desprezam o futebol lutarem pelo direito de viver em sociedade, com todas as suas necessidades básicas sendo satisfeitas, incluindo a de viver em grupos. 

Está mais do que na hora dos cariocas entenderem que futebol não é sinônimo de simpatia e civilidade e que os não-torcedores não são bichos selvagens a serem expulsos na marra. Se os cariocas se acham no direito de gostar de futebol, devem, antes disso, respeitar (que não é sinônimo de desprezo, como acontece muito na prática) quem não gosta de futebol. 

Não raramente aquele não-torcedor pode ser na verdade aquela pessoa legal, amiga que sempre estará do lado das outras nas horas de maior dificuldade. E vocês ainda vão recusar a oportunidade de contar com uma companhia agradável, só porque ele não gosta de futebol?

sábado, 24 de outubro de 2015

Ônibus começam a faltar no Rio. Mas sobram comerciais de carro na TV


Hoje a tesoura da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) agiu novamente em mais outras linhas de ônibus cariocas, ampliando a dificuldade de acesso do povo da Zona Norte à Zona Sul.

Rafael Picciani disse que a operação é para "otimizar" o sistema de ônibus na outrora conhecida como Cidade Maravilhosa.

Também pudera. Vejam quem é o mestre político do secretário Picciani: Eduardo Cunha!! Será que ele também serve para "otimizar" a vida dos brasileiros?

Pois se Rafael Picciani, no seu autismo tecnocrático, acredita que tudo vai melhorar com menos ônibus nas ruas, faz sentido sua ligação com o guru que queria precarizar o mercado de trabalho no país.

Só que, com menos ônibus nas ruas, mais automóveis. E ainda mais quando sobram comerciais de automóvel de sobrepondo nos intervalos de televisão.

Na manhã de ontem, só no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo de Televisão, um único intervalo mostrou dois comerciais de automóvel quase seguidos, só interrompidos por um de outro produto. Um comercial do Hyundai e outro da Volkswagen quase se atropelaram no mesmo módulo publicitário.

E aí a pessoa que toma o café-da-manhã vai achar que vida é comprar automóvel e ir a uma concessionária gastar seu parco dinheiro num carrão da moda. E é isso que enche mais as ruas, e, com a redução das frotas de ônibus em circulação, serão mais e mais carros rodando e causando os já imensos congestionamentos do trânsito carioca.

Realmente, confirmamos: essas mudanças nas linhas de ônibus cariocas são realmente de fechar o trânsito.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Vascaínos estão tranquilos diante da explosão em São Cristóvão

Diante da explosão que atingiu vários imóveis em São Cristóvão, os torcedores do Clube de Regatas Vasco da Gama podem estar tranquilos.

O estádio de São Januário está em pé e o Vascão, ou melhor, Eurico Miranda FC, não perde há semanas uma partida no Brasileirão.

Eles são corroborados pela "boa sociedade" carioca, que está indiferente à constatação de intensos retrocessos sofridos pelo Estado do Rio de Janeiro e sua respectiva capital, até porque eles precisam parecer felizes nas mídias sociais e no seu entretenimento em bares, boates e outros lugares sociais. Daí que, diante dos problemas, eles preferem ler livros para colorir e ver vídeos engraçados com bichinhos e bebês no WhatsApp.

No exterior, ônibus são feitos para unir. Aqui eles servem para desunir

Ônibus vem de uma palavra em latim, omnibus, que significa "para todos". Só não é sinônimo de coletivo para a turma de Eduardo Paes, Alexandre Sansão, Carlos Roberto Osório e Rafael Picciani.

Para estes, ônibus é um brinquedinho com o qual eles fazem o que querem, à revelia da população, mas como eles agem de maneira demagógica, o grupo político de Eduardo Paes pode até reprimir passeata de professores com bombas de gás lacrimogêneo que depois vai dizer que isso é lança-perfume e que aqueles policiais seriam foliões querendo homenagear a profissão de professor.

Esta foto mostra cidadãos da Coreia do Norte que, depois de 60 anos, se reencontraram. Eles sofrem com governos de extrema-esquerda militarizada e burocratizada que ameaçam produzir bombas e armamento bélico que poderá destruir uma boa parcela do planeta. E eis que amigos se reencontram, estando alguns deles ainda em viagem em ônibus.

Lá, se vê os ônibus contribuindo para a união de pessoas. Aqui, com as mudanças que eliminaram a integração Zona Norte - Zona Sul - a ligação direta era muito mais integradora do que essas linhas Norte - Centro e Sul - Centro que obrigam a baldeação - , o sistema de ônibus é feito para desunir. Criaram até uma praia artificial no entorno de Madureira - só deixaram fotografar os chuveirões, conhecidos como "cachoeiras artificiais" - para ver se o pessoal perde a vontade de frequentar as praias cariocas.

Depois os políticos chamam a imprensa para tentar desmentir tudo. Seria mais fácil que eles desmentissem a ideia de que trabalham pelo interesse da população. Seria cruel mas sincero.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Pasageiros de ônibus correm sempre risco no Rio de Janeiro

Passageiros de ônibus correm sempre risco no Rio de Janeiro.

Correm risco de serem assaltados até por cidadãos aparentemente inocentes que sentem ao seu lado.

Correm o risco de pegar ônibus errados por causa da pintura padronizada.

Correm o risco de receberem o troco errado porque, agora que tem o motorista-cobrador, ele fica sobrecarregado demais para guiar o volante e acertar o troco ao mesmo tempo.

Correm o risco de se atrasarem ao trabalho porque agora precisam fazer baldeação da Zona Norte para o Centro e daí para a Zona Sul, ou da Ilha para o Fundão e daí para Madureira, da Penha para Madureira e daí para a Zona Oeste etc.

Correm o risco de sofrerem acidente porque os ônibus estão sucateados, até mesmo as frotas de empresas antes consideradas boas.

Correm o risco de serem enganados pelo papo mole dos secretários de Transportes.

E ainda correm o risco de serem atropelados, como no caso desta foto, com um passageiro mexendo no retrovisor de um ônibus da Paranapuan (ou seria Verdun? Vila Real?) em pleno Viaduto do Gasômetro em grande movimento, no horário de pico hoje de manhã.

Passageiros de ônibus correm sempre risco no Rio de Janeiro.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Para autoridades, tempo não é dinheiro

Na mobilidade urbana que não mobiliza - você tem que andar mais ou pegar mais de um ônibus para ir para vários lugares - , sobretudo no Rio de Carneiro em que vivemos, a Prefeitura do Rio de Janeiro acha que trocar lixo reciclável por algumas cargas de BRT irá resolver o problema.

Pois a iniciativa, chamada "Mobilidade Reciclada" - nossa, as autoridades gostam dessas palavras modernas, "mobilidade", "reciclagem", "acessibilidade" e "sustentabilidade", mesmo adotando medidas do tempo do onça - , as pessoas depositarão material de lixo reciclável, como latas e garrafas, papel e plático, digitarão seu CPF na máquina e o cartão de Bilhete Único será recarregado.

Assim, haverá maior comodidade para os passageiros que continuarão viajando em pé nos BRTs superlotados e perdendo muito tempo na baldeação entre bairros antes ligados por linhas diretas. E como o órgão "Rio+", autor da iniciativa, acolhe sugestões, então poderemos sugerir que se criem cursos gratuitos de malabarismo circense sob os semáforos das ruas, para que os cariocas que fossem demitidos do trabalho com tantos atrasos causados por essas baldeações das linhas "alimentadoras" e "troncais" integradas possam ter alguma ocupação com um mínimo de remuneração, o suficiente para pelo menos comprar um lanche nos horários de café-da-manhã, almoço e jantar.

Para as autoridades, tempo não é dinheiro. Elas farão tudo para facilitar o uso do Bilhete Único, e as autoridades até estão revendo o tempo de duas horas e meia que não queriam mudar. Só que as baldeações continuarão e os atrasos, na cidade congestionada com muitos carros e menos ônibus, também se seguirão. O Rio de Janeiro já é considerada a capital nacional do desemprego, deve firmar posição daqui a alguns meses.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O Rio de Janeiro dos desastres de todo dia

Sociedade submissa e imprudente. Autoridades prepotentes e irresponsáveis. São esses os ingredientes para muitas tragédias que acontecem no Rio de Janeiro, enquanto a "boa sociedade" finge que tudo isso são apenas "problemas pontuais da pós-modernidade urbana".

Acreditar que são "problemas pontuais" as tragédias que acontecem todo dia é dose. Inocentes morrendo assassinados, por balas perdidas ou por homicídio mesmo, seja um favelado num dia, uma jovem mulher noutro, um idoso adiante. Num dia é acidente com ônibus deixando mais de 20 feridos, noutro é local explodindo e destruindo várias casas, noutro é incêndio em área comercial destruindo lojas e estoques para venda, noutro são os assaltos e assassinatos ocorridos à luz do dia.

Isso ocorre toda semana. A explosão, ontem, de um imóvel no bairro de São Cristóvão, devido ao vazamento de gás, ferindo oito pessoas e cujo impacto causou a destruição de outros cerca de 50, ocorreu uma semana após o incêndio em uma zona de comércio informal na Rua Uruguaiana. E houve acidente com ônibus na Av. Brasil (transporte municipal carioca, executivo e com ar), deixando mais de 25 feridos, e, fora da (ex-)Cidade Maravilhosa, houve queda de ponte em Duque de Caxias e acidente com ônibus na Região Serrana.

Claro, para quem acredita que tragédia é o Vasco da Gama voltar para a Série B do Brasileirão, esses problemas são apenas piadas do A Praça é Nossa. É sério. É típico, nas rodas sociais cariocas, um cara vir e, ao ler as más notícias que acontecem no Rio de Janeiro, tomar um gole de chope e dizer, com ironia sarcástica: "Isso aqui não tem jeito".

Na verdade, o resmungão só está fazendo jogo de cena, feliz porque não é o bar onde ele está que vai sofrer explosão de gás, não será alvo de um acidente de ônibus desgovernado, não sofrerá assalto com morte nem sofrerá curto-circuito. Ele não passa de um feliz que fala de barriga cheia, que parece gozar dos problemas dos outros porque não é com ele que acontecem.

E, assim, vamos vendo as mídias sociais cheias da "boa sociedade" do Rio de Janeiro fingindo que os problemas são "algo menor" e depois vão mais uma vez exibindo seus selfies animados, cultuando vídeos engraçados com bichinhos e dando mais uma dica do novo livro para colorir. Para eles, o Rio de Janeiro continua lindo...

domingo, 18 de outubro de 2015

Jogo dos Sete Erros: Jive Bunny


Vamos apontar os sete erros comuns entre os jovens médios e relativos ao Jive Bunny, nome muito tocado nas festinhas nostálgicas do Rio de Janeiro, principalmente as dedicadas aos "anos 80" (qualquer coisa que é antiga é "anos 80", vale lembrar):

1) BANDA DE ROCK NORTE-AMERICANO - O grupo Jive Bunny and The Mastermixes foi, na verdade, um grupo de tecladistas e DJs britânicos que sampleava canções antigas;

2) CLÁSSICO DO ROCK - Não, o sucesso "That's What I Like" não é necessariamente um clássico do rock, porque amontoa várias músicas, algumas, sim, clássicos do rock, mas picotadas em pequenos trechos. Portanto, assim como picadinho não é file mignon...

3) REPERTÓRIO DOS ANOS 60 - De fato, a colagem possui músicas dos anos 1960, mas nem tudo é sessentista: a música mais antiga utilizada, por exemplo, "Razzle Dazzle" de Bill Haley and The Comets, é de 1955. 

4) INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO ROCK - Não, a colagem não serve para introduzir os jovens de hoje para os primórdios do rock'n'roll. O falecido Big Bopper, vítima do mesmo desastre aéreo que matou Richie Valens e Buddy Holly, só aparece com o falsete que dá título à colagem, "That's What I Like", retirada de "Chantilly Lace", sucesso do músico lançado em 1958.

5) "LA BAMBA" COMO "LADO B" - Muita gente imagina que "La Bamba", a gravação dos Los Lobos é lado B do "Jive Bunny". Pior: os jovens de hoje nunca ouviram a versão de Richie Valens e só conhecem a versão de Los Lobos para o famoso filme de 1987 sobre o jovem roqueiro. Pior: Los Lobos tem um repertório autoral consistente, mas é só conhecido pela versão dessa música.

6) ESPÍRITO DE UMA ÉPOCA - Sinceramente, a colagem envolve músicas de diferentes épocas. Vai do sucesso de Bill Haley and The Comets de 1955 até "Hawaii Five-0" dos Ventures que, apesar de ser uma banda do começo dos anos 1960, fez a canção cinematográfica em 1968, ano do auge da onda hippie. Não dá para, em quatro minutos, se lembrar de 13 anos de bailes e festas juvenis.

7) AUTOSSUFICIÊNCIA - Ouvir a música não é suficiente para conhecer os primórdios do rock'n'roll. A colagem é mais um tributo do que uma aula de História do Rock. Melhor se informar das canções que foram sampleadas e garimpar o passado do rock a partir das mesmas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lista de exigências do Pearl Jam poderá ser atendida, menos um item

O grupo Pearl Jam vai se apresentar no Brasil. Passará por várias cidades habitualmente receptivas para artistas estrangeiros de ponta, como São Paulo e Porto Alegre, e a turnê, que se iniciará no dia 11 de novembro, acontecerá no dia 22 no Rio de Janeiro, no Maracanã. Se bem que poderia ser no Caio Martins, já que 22 de novembro é aniversário de Niterói.

A banda, composta pelo cantor Eddie Vedder e por ex-membros do Green River e Mother Love Bone, lendárias bandas do rock de Seattle, divulgou sua lista de exigências para hospedagem na turnê.

Para o camarim, lista incluiu tortilhas de milho, pretzels, cookies, geleias de morango e framboesa, além de uvas, bananas, chicletes e chocolates. Energéticos, isotônicos, água de coco, e um pedido especial: a bebida kombucha, feita a partir da fermentação de chás ricos em cafeína foram os líquidos exigidos pelos músicos.

Agora, uma exigência não pode ser atendida: a Rádio Cidade tocar mais do que uns míseros "grandes sucessos", sob o anúncio de locutores engraçadinhos com vozes de animadores de festas infantis. Temos que aguentar os locutores da pretensa "rádio roque" tratando o Pearl Jam como se fosse o One Direction.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Novo CD de Anitta fez jovens se esquecerem que Luiz Carlos Miele morreu

Yes, nos temos hit-parade! O oba-oba que se tem em torno do novo CD de Anitta, Bang!, fez a juventude se esquecer que o Rio de Janeiro tem um patrimônio cultural a ser zelado, se não fosse, é claro, a intolerância das gerações mais novas para a palavra "cultura", que para elas só vale para o junk food "cultural" que consomem.

Pessoalmente, nada temos contra Anitta, muito simpática e bonitinha, mas o que ela faz é pop comercial e não vale essa repercussão toda do novo disco, que mais parece jogada de marketing. Achar que conquistamos o mundo por macaquear o que se faz de pior nos EUA é algo que, só para usar uma classificação mais educada, é uma enorme gafe.

Pois fomos bombardeados com a morte, ocorrida ontem, de Luiz Carlos Miele, aos 77 anos, depois de sentir um mal súbido em sua casa, na Gávea. O que ele fez em sua carreira não cabe em obituários, que precisam ser rápidos e concisos, até mesmo quando tentam ser menos superficiais. Miele havia sido ator, produtor, diretor, humorista, contador de histórias, e testemunhou todo aquele ambiente dinâmico e vibrante da Bossa Nova, tendo sido uma das brilhantes testemunhas desses tempos dourados.

A genialidade dele se atesta quando, nos primórdios do videoteipe, Miele aparecia "ao vivo", numa piscina do Copacabana Palace no sol de tarde carioca, no ano de 1959, para anunciar, no horário nobre da noite, a programação da TV Continental, numa época em que a hoje chamada TV aberta carioca só tinha três emissoras (Tupi, Rio e Continental; a TV Globo estava apenas no papel) e uma programação bem mais diversificada e interessante do que a TV paga de hoje.

Com seu senso de humor habitual, Miele anunciava o lançamento da TV Continental, ele diante de um ambiente ensolarado, para telespectadores que ligavam a televisão em preto e branco e transmissão sofrível - até esponja de aço, usada para lavar panelas, era usada para "melhorar" a sintonia - , numa noite em horário nobre.

Ele foi um ator como tantos, um produtor inigualável, um diretor dedicado, um humorista peculiar, um contador de histórias envolvente e um agitador cultural dos mais dinâmicos. Gravou teatro e TV, agitou a vida noturna carioca e procurou estimular a beleza e o lirismo nas barulheiras jazzísticas do Beco das Garrafas.

A morte de Miele é a morte de um grande nome que deu valiosas contribuições para a cultura carioca, em que a já não mais nova Bossa Nova soa entediante para ouvintes acomodados com funqueiros, breganejos e sambregas.

O falecimento de Miele é, para muitos, apenas uma nota fúnebre para a "gente bonita", mesmo a de nível universitário. E tem gente que se acha "muito inteligente" com sua memória curta, que não tem sequer 0,01% da poderosa bagagem que teve o brilhante Miele.

Ficamos aqui agradecendo a Miele pela sua contribuição de fazer um Rio de Janeiro mais moderno.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Paulista, portal UOL chama Icaraí de "bairro do Rio de Janeiro"

Que o Rio de Janeiro se atolou num surto de provincianismo de fazer pescador isolado no Acre ficar boquiaberto, isso é verdade. O provincianismo só não é visto pelos cariocas que gostam de ver coisas engraçadas no WhatsApp, porque eles simplesmente estão fugindo da realidade.

Mas Niterói, coitada, que um dia foi capital do Estado do Rio de Janeiro até uns quinze anos depois da cidade do Rio de Janeiro ter deixado de ser capital do país, sofre muito.

A cidade de Niterói é tratada como humilhante cidade-dormitório, cria prédios comerciais que ficam sem lojas, tem um sistema de abastecimento de produtos digna de cidade do interior do Amapá e há muito deixou de ter uma vibrante cena de rock alternativo e MPB de vanguarda.

Para piorar as coisas, de vez em quando Niterói é tratada como se fosse a Zona Leste do município vizinho, situação humilhante que volta e meia aparece na imprensa, mesmo a carioca (a TV Manchete, carioquíssima, fazia muito disso).

Pois a nota do portal UOL, feito por paulistas, mostra o caso de poluição da Baía da Guanabara, mas comete a infeliz ideia de dizer que Icaraí "fica no Rio de Janeiro". Para quem vive no Estado, pode até pensar em uma ideia implícita de que Niterói fica num Estado chamado Rio de Janeiro, mas quem vive fora pensa que Icaraí é um sub-bairro da região de Ipanema ou coisa parecida.

Nossos pesares aos niteroienses, que não bastassem o provincianismo quase rural da cidade, são obrigados a serem tratados como se fossem capachos dos cariocas...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Nova biografia diz que Lou Reed batia em mulheres

A biografia não-autorizada Notes from the Velvet Underground: The Life of Lou Reed, de Howard Sounes, que focaliza o trabalho artístico de Lou Reed, músico norte-americano que fundou o Velvet Underground e seguiu com produtiva carreira solo, mostra um lado sombrio do artista.

Ele era considerado um "monstro" e costumava bater em mulheres durante uma discussão. Segundo um amigo de infância, Alan Hyman, ele deu um soco na parte de trás da cabeça de uma antiga namorada, após uma briga. Já segundo a ex-mulher, Betty Kronstad, ele "era capaz de te jogar contra a parede. Brigar. Bater em você... Te chacoalhar... Certa vez ele até me deixou com um olho roxo".

O que o livro não mostra, já que ele foi feito nos EUA, é que Lou é um dos esculhambados pelos locutores animadinhos da Rádio Cidade, aquela "rádio do rock de verdade" que nem de longe deve ser considerada rádio de rock de verdade. Os locutores vão nos bastidores para esculhambar todo mundo do rock. São sobra sequer para o Bruce Dickinson e o Ozzy Osbourne, e nem para a "ridícula roupinha" do Angus Young. Lou Reed, então, que e mais "alternativo", apanha mais ainda, ao lado de Jimi Hendrix e Jim Morrison.

Desde os tempos do Rhoodes Dantas, aquele pitboy que "entregou" a Fluminense FM (que passava por uma fase decadente nos anos 90) a seus amigos DJs de pop dançante (dizem que Rhoodes é BFF do Orelhinha, hoje na Mix FM), a coisa era assim. O próprio Rhoodes afirmava que só trabalhava em "rádio de rock" por pura sacanagem. Se é para isso que esses locutores mauriçolas com vozes de radialistas de poperó, então não dá para levar essas "rádios rock" a sério.

Inaugurada a Prainha de Rocha Miranda, no Parque Madureira

Certo. Tudo bonito, dia ensolarado, prefeito do Rio de Janeiro banhando com o povo, todos se divertindo muito. Mas pouco se viu da "maravilhosa" Praia de Rocha Miranda, ou Praia de Madureira, ou Piscinão de Madureira, senão umas três cascatas, na verdade três chuveirões, e alguns parques, aparelhos de ginástica e praças.

A prometida "praia", propriamente dita, aparentemente não se viu, e falaram que iam colocar uns 500 metros de areia e tudo. Pesquisamos até na busca do Google, e não vimos a tal praia.

Tudo bem que é um espaço de lazer para os moradores do entorno de Madureira e outros quase dez bairros. O Parque Madureira, que é o local onde se situa a "praia", ainda vai se ampliar até Guadalupe, 

Aí vemos o prefeito Eduardo Paes, de chapéu, tomando banho de chuveirão com os banhistas, e nada de foto de praia, areia da praia etc. Além do mais, se é para desestimular o povo suburbano a ir para as praias da Zona Sul e da Barra da Tijuca, a novidade está longe de empolgar.

Afinal, espera-se que, além de mostrar a praia propriamente dita, e não se limitar ao chuveirão, deveria-se também haver uma cena de Bossa Nova própria no local, uma loja de discos de rock como a Satisfaction Discos de Copacabana ou um hotel que tenha ao menos 30% de imponência do Copacabana Palace, pelo menos com conforto suficiente para hospedar um Adam Sandler.

Só não vale botar grupo de "pagode romântico" para tocar Bossa Nova nem criar lojinhas "alternativas" que toquem Rádio Cidade, e nem reservar edifícios magros com pequenos alojamentos. Isso porque, se o projeto da Prainha de Rocha Miranda é uma coisa séria, deveria-se também complementar com outras coisas bem mais respeitosas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Rapper Wiz Khalifa foi multado por urinar em lugar público

O ídolo do hip hop Wiz Khalifa, do sucesso "Black and Yellow", foi detido pela polícia ao ser flagrado urinando em um lugar público. Ele recebeu uma multa por causa da infração da lei.

A notícia, publicada no portal TMZ, não ocorreu, evidentemente, no Rio de Janeiro, pois o ídolo não havia anunciado turnê pelo Brasil nem sequer viagem para a (ex-)Cidade Maravilhosa.

A ocorrência foi no seu país mesmo, os EUA, na cidade de Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia. Com isso, Wiz pode até não ter se livrado da multa, mas se livrou de uns transtornos a mais.

Ele se livrou, por exemplo, do transtorno que seus similares cariocas enfrentariam ao pegar a baldeação por ônibus da Zona Norte ao Centro e do Centro à Zona Sul, enfrentando demora na chegada de ônibus e superlotação e ainda pagando mais de uma passagem. Lá, pelo menos, parece não haver essa moleza das autoridades fazerem o que querem com os passageiros de ônibus.

domingo, 11 de outubro de 2015

Comércio pega fogo e águas morrem no Rio de Janeiro

Um incêndio atingiu o Camelódromo das ruas do comércio da Uruguaiana, no Centro do Rio de Janeiro, em mais um dos muitos incêndios que atingem seu entorno e transformam em cinzas o Centro Velho carioca.

Foi na madrugada de hoje, quando o Mercado Popular da Uruguaiana sofreu o incidente, com o fogo atingindo vários boxes de comércios de camelôs na área.O incêndio, controlado, forçou o Corpo de Bombeiros a interditar parte da pista lateral da Av. Pres. Vargas, causando retenção no trânsito, o que não causou muita preocupação. Afinal, o Vasco da Gama (isto é, o Eurico Miranda Futebol Clube) tem mais chances de alcançar boas posições no Brasileirão.

Enquanto isso, o Rio de Janeiro decai até mesmo nos seus rios. Estudo da fundação SOS Mata Atlântica aponta que 90% dos rios e canais que passam pela cidade e, em parte, desaguam na reconhecidamente poluída (exceto pelas autoridades e dirigentes olímpicos) Baía da Guanabara estão "mortos", já que as águas estão tão poluídas que não podem ser aproveitadas sequer para banho ou lavagem de roupa.

A poluição do Rio de Janeiro, que supera São Paulo, é tanta - apesar da ignorância dos cariocas, que não têm ideia da fumaça que respiram - , que a degradação é observada nos rios e canais, sendo o caso mais grave está no Rio Maracanã, com maior índice de poluição entre os que passam pela cidade.

Ficamos imaginando a hipótese do corredor praiano Leme-Pontal, imortalizado pelo sucesso de Tim Maia, for considerado impróprio para banho pelos técnicos especializados. Neste caso, todo mundo terá que ir para a praia artificial do Parque Madureira, o piscinão a ser inaugurado amanhã. Se preparem para enfrentar baldeação de ônibus superlotados!!!

Maturidade? Aonde?

Virou um mantra constantemente repetido quando celebridades teen chegam a maioridade dizer que seus trabalhos estão "mais maduros". Mesmo admitindo que biologicamente e legalmente os astros teen tenham atingido a maioridade, isso não significa que atingiram a maturidade. Até porque, desde a década de 90 a música tem ficado cada vez menos madura, visando lucro fácil e a conquista de um público cada vez menos intelectualizado.

A definição de maturidade se deve a confusão que muitos tem entre arte e entretenimento. Os astros teen fazem entretenimento, músicas somente para diversão, com foco priorizando a dança e a sexualidade. A enorme quantidade de supérfluos dançarinos nos palcos dos shows desses jovens cantores deixa claro isso.

Quase não há alguma lição de vida entre as letras de música jovem há mais de 20 anos. O mais próximo de alguma lição de vida está Love Myself, de Hailee Steinfeld, que mesmo assim, fala sobre amor, uma realidade conhecida pelos adolescentes mais futilizados. Love Myself está um pouco acima da música produzida atualmente por astros teen, mas deixa muito a desejar se comparada ao que era produzido em 1967, auge da melhor produção musical de todos os tempos.

Aventuras amorosas são o monotema dessas musicas juvenis. Quase não se fala sobre outra coisa. E apesar de rotuladas de "maduras" há uma arraigada infantilidade no ponto de vista dessas letras, pois muitas delas não passam de "lavagem de roupa suja" entre o que acontece nas vidas particulares desses astros, que apesar de muito ricos, nada tem de classudos.

Uma coisa a observar é a influência de gírias danças e costumes do povo de baixa escolaridade, o que sinaliza ainda mais a imaturidade desses astros, que evidentemente preferem cantar para quem pensa menos. O que soa uma hipocrisia, pois sendo ricos agindo como pobres, poderiam muito bem pagar fortunas aos donos das gírias que adotam, para tentar eliminar o sofrimento que somente o povo das ruas conhece em seu cotidiano.

A música estando mais emburrecida faz com que as pessoas mais racionais, ainda continuem esperando por uma música produzida a partir dos anos 90 que lhes diga algo consistente, como era na segunda metade dos anos 60, onde letras realmente amadurecidas eram produzidas em série para um público interessado em se intelectualizar.

Essas letrinhas de hoje, sinceramente, nada tem de amadurecidas. Não esperemos que Selena Gomez substitua Laura Nyro, que Demi Lovato (agora sexualizada) seja a nova Joni Mitchell, que Justin Bieber seja o novo Nick Drake, o One Direction o novo Pink Floyd e que a associação de Miley Cyrus com os falsos-alternativos do Flaming Lips digam algo de relevante à humanidade.

Se os recém ressuscitados Backstreet Boys e Spice Girls, hoje quarentões, nunca fizeram música amadurecida, o que esperar de relevante vindo dessa galerinha de 20 e poucos anos? Nada.

Antes, crianças poderiam ouvir músicas feitas para adultos. Hoje, os adultos ouvem músicas que parecem feitas para crianças, só que sexualizadas. E sexualidade, embora permitida apenas para maiores, não é sinal de maturidade, pois sendo exclusivamente instintiva, não exige nenhum preparo intelectual. Imaturos podem sexualizar perfeitamente, se tiverem permissão para isso.

Sem essa de maturidade musical. Há muitos anos ela está se divorciou da música, que hoje segue cada vez mais abilolada.

sábado, 10 de outubro de 2015

ONU denuncia violência policial como meio de "limpar" o Rio de Janeiro

Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (sic) estão sendo acusados de realizarem "limpeza social" para garantir a "paz" no Rio de Janeiro.

Para quem, entre os cariocas que continuam felizes da vida sonhando ainda viverem numa Cidade Maravilhosa que não existe mais, está desinformado das coisas, a acusação não veio de paulistas ou nordestinos frustrados com a suposta imponência, que não existe mais, da modernidade carioca, que já se extinguiu faz tempo, mas do Comitê pelos Direitos das Crianças da Organização das Nações Unidas.

Segundo o Comitê, o Brasil tem uma das maiores taxas de homicídios contra jovens, sobretudo pobres e negros, e o Rio de Janeiro é um dos piores casos. Os membros da ONU também perceberam a relutância dos governantes em responder certos problemas sobre segurança pública.

Recentemente, moradores do Morro da Providência filmaram policiais forjando falsas provas de auto de resistência - termo jurídico atribuído a bandidos que resistem ao mandado policial - no corpo morto do jovem Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, que tinha passagens por tráfico de drogas, mas não precisava ser morto dessa maneira. Além disso, não há prova de que ele tenha resistido à voz de prisão, mas os moradores conseguiram provar que houve abuso de autoridade policial, que além do mais simulou um tiroteio com um dos policiais atirando contra uma das paredes de uma casa antes de colocar uma espingarda no cadáver da vítima.

A violência policial nas periferias é denunciada como algo tão perigoso quanto a de traficantes e milicianos, e muitos favelados inocentes são mortos por balas perdidas ou pela própria violência dos envolvidos. O Complexo do Alemão, que envolve os bairros de Bonsucesso, Olaria, Penha, Ramos e Inhaúma, seu vizinho Complexo da Maré, que fica próximo da Cidade Universitária (Fundão) da UFRJ e da Ilha do Governador, são as áreas mais perigosas e se situam no caminho entre o Galeão e o Centro do Rio de Janeiro.

Mas isso não faz muita diferença para uma parcela de cariocas felizes que são os últimos a saber dos retrocessos que acontecem na sua cidade e no seu Estado, e ficam felizes vendo coisas engraçadas no WhatsApp (nada muito diferente das vídeocassetadas do Faustão e nos "vídeos da Internet" de programas da Record e da Rede TV!) ou se isolando em boates, igrejas ou estádios de futebol para sonhar com uma Cidade Maravilhosa que insistem em dizer que continua existindo. Eles ainda vivem sonhando, sonhando...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Para Rádio Cidade, maior clássico dos Beatles é "Twist and Shout"

ESCLARECENDO OS OUVINTES DA RÁDIO CIDADE: John Lennon é o último da esquerda para a direita. Ah, e esses aí da foto não são os Rolling Stones, mas os Beatles.

Ah, a rádio do "Rock de Verdade"... Mas se estamos no Estado do Rio de Janeiro, em que "estadista de verdade" é o deputado Eduardo Cunha, que cria conta na suíça para ele e sua família - incluindo a gatona Cláudia Cruz, ex-jornalista da Globo e mulher do cara - então faz sentido chamar de "verdadeira rádio de rock" uma emissora com nome bobo e locutores que deixam claro que aquilo não é mais do que uma radiozinha pop que "só toca rock".

Pois a Rádio Cidade, tão entendedora de rock - puxa, por que não deram o Nobel de Física para David Brazil, ele é "especialista" do ramo? - , define como "maior clássico" dos Beatles a música "Twist and Shout".

Sim, meus amigos, com toda a obra artística de John Lennon - que faria 75 anos hoje - , Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, a "maior canção dos Beatles" é uma versão para o sucesso da soul music dos compositores Bert Russell e Phil Medley.

Claro, é certo que a Rádio Cidade hoje, com uma pequena ajuda dos amigos das grandes gravadoras - no caso dos Beatles, a Universal Music - , vai tocar algumas músicas a mais, embora seja difícil que se lembre dos lados B do quarteto de Liverpool. Se a Cidade tocar um pouco além de "Help", como "I Want To Hold Your Hand" e "Hello Goodbye", o que é muito para os padrões da rádio, tem que se agradecer de joelhos.

Isso porque a rádio trata como "clássicos absolutos do rock" bobagens como Smash Mouth, CPM 22, Guns N'Roses, Bon Jovi e The Outfield, cuja música "Your Love" só é clássico no Brasil e sua única contribuição foi ser regravada pelo funqueiro MC Batata e daí inspirar o "Rap das Armas" de MC Júnior e MC Leonardo (este ex-presidente da APAFUNK).

Os discos dos Beatles custam caro, rádio comercial não toca qualquer música e, portanto, os beatlemaníacos devem passar a mil léguas de distância dos 102,9 mhz e garimpar através dos contatos com especialistas ou na peregrinação nas lojas reais ou virtuais a procura de preciosidades. Se for nas ondas da Rádio Cidade, só vai ouvir "Twist and Shout" e mais uns três sucessinhos.

Necessário que abandonemos a infância

A pior derrota sofrida pela "seleção" na última copa, logo em casa, além da derrota de ontem para o Chile (a mesma equipe paga para faltar nas eliminatórias de 2001, favorecendo o fraudulento pentacampeonato dos brasileiros) servem de alerta: a infância dos brasileiros pode estar acabando. Talvez estejamos entrando na adolescência coletiva.

Muitas décadas acreditamos que um supérfluo seria a nossa maior necessidade, por supostamente nos trazer a ilusão da dignidade. Fomos "educados" a acreditar que sermos melhores no futebol nos traria orgulho e serviria como compensação para a realidade problemática que sempre marcou nosso cotidiano. 

Futebol sempre foi o nosso maior ópio e como tal era o melhor narcótico a nos tirar dessa realidade, mesmo momentaneamente. Até porque é muito mais fácil fugir da realidade do que enfrentá-la. Mas a fuga cobra seu preço e a realidade segue com seus problemas intactos sem que a gente perceba, pois sempre estivemos muito concentrados com o balançar das redes.

Agimos sempre como crianças que colocam as brincadeiras acima dos assuntos sérios. Futebol sempre foi a nossa prioridade. Somos o único povo a parar um país todo por causa de um mísero supérfluo que nunca nos trouxe benefício. Cultuamos os jogadores de futebol que não passam de uns pobretões que enriqueceram de uma hora a outra sem pegar em um só livro, servindo de péssimos exemplos de que estudar não vale a pena. Pelo menos não vale para o mercado de trabalho.

Falando neles, eu questiono se eles seriam capazes de resolver a crise que o país se encontra. Seria uma ótima oportunidade deles porem em prática o rótulo insistentemente recebido de "heróis da pátria". Ricos até não poderem mais, os jogadores da "seleção" seriam muito mais heroicos dando uma utilização mais justa ao seu dinheiro ganho sem o esforço escolar do que chutando uma bolinha em uma rede para iludir 200 milhões de otários.

Está mais do que na hora desse longuíssimo baile de Cinderela acabar. Temos que mudar nossos gostos, diversificar nossos interesses. O Brasil é o país da diversidade e qualquer tipo de monopólio ou padronização é nociva para a população. Não dá para milhões e milhões de pessoas com diversas mentalidades ficarem reféns de UMA ÚNICA forma de lazer. Um único supérfluo que só serve para nos iludir, colocando dignidade onde não deveria ter.

Tomara que a "seleção" não vá para esta copa* . Caso perca as eliminatórias, um fato histórico, pois seria a primeira copa sem a participação dos brasileiros. Quem gosta de se iludir está morrendo de medo dessa hipótese. Mas fiquem calmos. A realidade é dura, mas é real. De que adianta 90 minutos de glória quando o tempo restante é de desgraça e sofrimento?

Deveríamos nos amadurecer e largar a nossa maior chupeta. A puberdade intelectual pede passagem. Fiquem com a certeza de que ninguém morrerá se a "seleção" não for para a próxima copa. A não ser que morra se suicidando.

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*NOTA:  A possibilidade de não ir a copa incomoda os poderosos que patrocinam o futebol brasileiro. Sabemos que patrocinadores são capazes de pagar para que alguma fraude favoreça o Brasil, pois muito dinheiro é gerado quando a "seleção" amarelada está em campo. Faltar a uma copa seria uma heresia imperdoável e grande prejuízo financeiro para os donos da grana.

Mas do outro lado, lembremos que os "midas" da CBF, como Marin e Teixeira, estão presos ou sem moral para influenciar decisões. Além disso, patrocinadores tradicionais da "seleção" estão em maus lençóis: a Volkswagen envolvida em escândalo de fraude de tecnologia, a McDonalds praticando escravidão e a Nike mexendo nos resultados dos jogos. Fora o que não se sabe das outras patrocinadoras. 

A derrota sofrida na última copa, a pior desde que a "seleção" foi fundada, pode ter sido um sintoma do enfraquecimento da influência de cartolas e de patrocinadores . O que significa que a "seleção" foi "liberada" para perder honestamente. 

Torcemos que estes escândalos façam a "seleção" perder, acabando com o falso mito de "melhor futebol do mundo", que como poucos sabem, coincidiu com a influência de cartolas brasileiros na FIFA, o que dá margem para uma surpreendente, mas verdadeira, iconoclastia.

Busólogos chapa-branca do RJ dizem para imprensa "parar de falar besteira"

É certo que a grande imprensa anda muito moderada na cobertura das confusões ocorridas nas novas linhas de ônibus que valem desde o início do mês no Rio de Janeiro, que passaram a refletir os transtornos que os sistemas BRT Transoeste e Transcarioca puxaram em seu bojo.

Mas muitas coisas não podem ser escondidas, como os atrasos que os trabalhadores e estudantes - nem todo mundo vai à praia, senhor Rafael Picciani! - por causa de baldeações, e a imprensa é obrigada a noticiar, senão não vende mais jornal nem tem mais audiência em rádio e TV.

Só que algumas pessoas não gostam dessa cobertura, como certos busólogos - aqueles que curtem ônibus, se bem que o termo deveria ser "busófilo" - que apoiam qualquer arbitrariedade decidida pelos governantes, resolveram lançar um de seus dialetos para mostrar sua revolta contra a cobertura jornalística.

Eles dizem para a imprensa "parar de falar besteira". Este dialeto é tão pronunciado pelos busólogos enfezados que se vê nas mídias sociais e fóruns de Internet que a conhecida frase - "pare de falar besteira" - foi pronunciada até quando uma mulher pretendente estava quase se jogando nos braços de um deles, dizendo-se interessada por ele. "Cê para de falar besteira", disse ele, dando indício de que ele havia escrito a frase 300 vezes na Internet na véspera e o hábito pegou.

Acreditamos que, quando eram aluninhos travessos, esses caras devam ter, de castigo, escrito no quadro a referida frase "Pare de falar besteira". Deve ser decisão de suas professoras. É um jargão que diz mais ou menos "pare de dizer a verdade" e corresponde, hoje, ao fato de que não podemos dizer que os ônibus do Rio de Janeiro andam lotados, estão sucateados e deixam os passageiros de ônibus confusos.

A "verdade" tem que estar nos comerciais da Prefeitura do Rio de Janeiro. com BRTs vazios circulando por ruas de pouco movimento. Temos que acreditar que Papai Noel existe, que o Coelhinho da Páscoa põe ovos que são de chocolate e vêm com carrinho dentro e que os BRTs circulam sempre vazios e cabem o mundo inteiro neles. Se mostrarmos a realidade das ruas, somos "zé ruelas" e "falamos besteiras". Esses busólogos chapa-branca vivem sempre viajando...

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

MC Gui tocará para brasileiros em turnê pelo Japão

É sempre a mesma estória de ídolos popularescos se apresentando no exterior. Eles tocam em lugares menos expressivos, para públicos cuja maioria esmagadora é de brasileiros residentes nesses países e, às vezes, recebem resenhas "elogiosas" de jornalistas culturais menos expressivos.

No entanto, como no Brasil e, sobretudo, no Rio de Janeiro hoje reduzido a um balneário interiorano banhado pelo Oceano Atlântico - que deságua na Baía da Guanabara, que, dizem, é o primeiro "piscinão" surgido no Rio de Janeiro - , impera os contos de pescador, dos quais mais se inventa do que se relata alguma coisa, esses nomes inexpressivos são noticiados como "grandes conquistadores do planeta" e dados como "vitoriosos" em suas turnês internacionais.

Não é por acaso que muitas dessas "façanhas" que fazem muitos incautos apostarem em centenas de recordes publicados no Guiness Book, que envolvem desde funkeiros inexpressivos até cantoras de axé mais ambiciosas, acabam na verdade "morrendo" no dia seguinte, o que significa que, na semana seguinte, aquela tão alardeada "conquista do mundo" é vista como se nunca tivesse acontecido.

E nunca aconteceu. Mas continua-se tentando. Desta vez, o funkeiro MC Gui, ícone do movimento "ostentação" - aquele que não conseguiu explicar por que defendia ao mesmo tempo a realidade das periferias e o consumo de produtos caros - , vai fazer uma turnê para brasileiros que vivem no Japão, incluindo descendentes de japoneses um tanto complacentes com o comercialismo musical.

Será como Mr. Catra se apresentando na Europa. O funkeiro de 32 filhos não conseguiu esconder que era cumprimentado por rapazes que mais pareciam terem nascido no interior de São Paulo, numa apresentação na Irlanda. Ou alguém esperaria algum sósia de Bono Vox nessas plateias?

Portanto, no caminho de volta, MC Gui será mais um que terá seus quinze minutos de "fama mundial" só conhecida entre os brasileiros, sobretudo os provincianos cariocas e paulistas.

Regras sociais são rígidas no Brasil

Brasileiros adoram regras. Dá uma ilusão de organização e seriedade. Cultua regras onde tem e inventa regras onde não tem. Mesmo que as regras desorganizem ao invés do contrário, as pessoas ainda as mantém. Até porque para os brasileiros, ruim com regras, pior sem elas.

E não adianta pedir para eliminá-las ou ser liberado de obedecê-las. Regras existem para ser obedecidas. E isso inclui as regras sociais, que embora não estivessem escritas na Constituição Federal (considerada a nossa maior lei - e endeusada por autoridades), são cobradas e executadas como o mesmo rigor de qualquer lei constitucional.

Ai de alguém se recusar a obedecer as regras sociais. Será punido com a exclusão social. Quando muito receberá um apelido pejorativo ou será tolerado como um antipático. Ou sempre vai aparecer alguma pessoa que mesmo que goste do "desertor", vai enfatizar a recusa deste nas conversas. Se um cara, por exemplo, não curte futebol, isso se tornará uma marca a ser lembrada enfaticamente em boa parte das vezes que alguém se direcionar ao não-torcedor.

E as regras são realmente rígidas. Essa rigidez obriga pessoas a tomarem certas atitudes se estiverem dispostas a obter certos benefícios. Quer uma namorada? Vá para bares e boates. Não curte bares e boates? Fica sozinho, pois não há outro meio, além deste, de se arrumar uma namorada se não fizer parte do seleto grupo de amigos de uma determinada mulher.

Essa rigidez das regras sociais se deve pelo fato dos brasileiros priorizarem a vida social. A sociabilização é tão importante para brasileiros que muitos abem mão do prazer e ate mesmo da personalidade para tentar agradar aos outros e obter a aprovação social que vai favorecer o acesso a vários benefícios. 

Todos sabem que sozinho, ninguém consegue nada. Empregos e namoro, por exemplo, são benefícios adquiridos em troca da aprovação de outras pessoas. E mudar isso soa uma imposição agressiva.

Agradar a maioria e/ou quem vai oferecer tal benefício é uma meta importante e até integrante do instinto de sobrevivência.por isso que muita gente abre mão de coisas importantes como o prazer e a personalidade pois o que interessa é obter o benefício necessário para a sobrevivência.

Por isso que as regras sociais são rígidas em um país em crise crônica como o Brasil, onde benefícios são distribuídos com desigualdade e o egoísmo é ainda muito forte. Agradar aos outros e obedecer regras impostas por eles é uma moeda valiosa para obter benefícios importantes. E os esquisitos que se recusarem a pagá-la que se virem para viver com dignidade.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mulheres famosas inspiram mulheres cariocas a serem interesseiras

E sabido que as mulheres cariocas são as mais difíceis de conquistar entre todas as brasileiras. Não é qualquer homem que tem a possibilidade de se unir a uma mulher desejada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, pois o nível de exigência das cariocas na hora de escolher um homem é extremamente alto. Esqueçam que isso se refere a beleza masculina, pois isso é supérfluo para a maioria das mulheres. De fato, qualidades masculinas são apenas ter capacidade de proteção e ter condições financeiras. Sem isso, nada feito.

E porque as mulheres cariocas tem uma personalidade insensível, uma falta de simpatia meiga e são altamente desconfiadas e exigentes? Isso pode ter a ver com o fato de que o Rio de Janeiro, sendo a capital cultural do país, ser a "Hollywood" brasileira, onde vivem e trabalham as celebridades mais famosas do país. Atrizes, cantoras e jornalistas famosas inspiram o estilo de vida que as mulheres cariocas desejam ter.

Claro que a proximidade das cariocas com as mulheres famosas lhes faz não querer estar abaixo delas. Por mais inalcançável que seja a vida de uma celebridade, as mulheres sempre tem como meta estar o mais próximo possível do padrão de vida das mulheres famosas. Mesmo que não tenham tudo que as famosas tem, se empenham em estar o mais perto possível. E por isso agem como agem, sendo insensíveis, interesseiras e um tanto vulgares (mas metidas a classudas, no sentido estereotipado do termo).

E obviamente, para facilitar o estilo de vida que as famosas inspiram, é necessário um belo de um empurrão, dado por um homem que além de ter dinheiro, deve ter também características que os galãs televisivos tem: branquelos de cabelo liso e testa pequena, de tronco esticado e não tendo menos que 1,75 de altura e principalmente: sucesso profissional. Nem precisa ter rosto bonito, pois preenchendo estes requisitos está bom demais. 

Desde meninas, as mulheres cariocas são "educadas" a serem interesseiras, a não batalharem para vencer. Até arrumam emprego, mas mais para fugir da humilhante vida domestica do que para realmente ter sucesso no mercado de trabalho. Até porque a parte financeira mesmo quem tem que bancar é o maridinho que cada uma delas irá escolher. E os homens ricos são tradicionalmente trouxas, nunca recusando as mulheres que fingem os amar.

E você já ouviu falar no estereótipo de que as cariocas traem seus maridos. Pois é, até isso tem a ver com o fato de serem interesseiras, pois se marido é para dar dinheiro, amante e para dar amor. Ou seja, mulher carioca quando gosta realmente de um homem, nunca se casa com ele.

Mais curioso ainda é saber que até mesmo as próprias famosas são interesseiras, pois raramente se casam com celebridades masculinas do mesmo nível sócio-econômico. Mesmo que as celebridades femininas sejam ricas, elas sempre procuram homens bem mais ricos do que elas e de preferência com alguma profissão de "liderança", como empresários, executivos, diretores e outros tipos de chefes.

Num estado onde até mesmo as mulheres ricas são interesseiras, não é surpresa saber que as mulheres cariocas sejam tão difíceis de se conquistar.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Movimento tranquilo no primeiro dia de mudança nos ônibus cariocas

Movimento muito tranquilo no Centro do Rio, no primeiro dia de mudanças nas linhas vindas da Zona Norte e Zona Sul.

Cotias, patos e gatos andavam tranquilamente na Praça da República, com livre espaço até mesmo para correrem de um lado para outro. Não houve tumultos e os animais pareciam animados, calmos e descontraídos. Dava até para acariciar alguns gatos, normalmente arredios.

Ah, os ônibus? Ah, desculpem, poucos foram os repórteres que puderam chegar ao local, diante de tanto tumulto, e só disseram que as linhas de ônibus tiveram embarque e lotação tranquilos para não assustar os turistas que visitarão o Rio de Janeiro nas Olimpíadas de 2016.

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