quarta-feira, 31 de julho de 2024

Lula decreta "Dia do Funk"

As esquerdas brasileiras são muito esquisitas. Estigmatizadas como defensoras do povo pobre, ao invés de tirar as pessoas da miséria e as fazerem deixar de serem pobres, transformaram a pobreza em etnia, descartando qualquer forma de combate a miséria que fosse realmente eficaz.

Isso ocorre como se os favelados fossem os "novos indígenas", transformando favelas em aldeias, barracos em ocas, "funk" na "dança da chuva", além de dizer que "como indígenas modernos", pobres "não precisam de dinheiro", bastando um salário baixo e algumas esmolas (Bolsa Família) para ter dignidade.

Eis que Lula, que finge lutar contra a miséria, mas aprisiona os pobres nas precárias e perigosas favelas, com serviços públicos ruins, moradias ruins e um isolamento social graças ao preconceito contra os estereótipos do comportamento do povo pobre que os lulistas fazem questão de preservar.

Se não bastasse toda a queda de qualidade de tudo que está ao alcance do povo pobre, os favelados ainda tem a precarização de sua cultura, já que o samba, antiga música dos morros , foi sequestrada pela classe média, a ponto de várias celebridades femininas, brancas e bem nascidas, aprendem a se mexer como passistas de escola de samba, na sutil esperança de tirar de negras pobres esta profissão.

Estigmatizando o irritante "funk" (não aquele de Earth Wind & Fire, LTD, Kool & The Gang, James Brown, etc., mas o derivado do aguado Miami Bass adotado no Brasil) como "cultura legítima das favelas" (apesar de ter sido assimilado através de meios de comunicação controlados pela burguesia), Lula decidiu criar um "Dia do Funk", escolhendo a data de 12 de Julho para a patética homenagem.

A data é curiosa. Além de ser o dia anterior ao dia 13, o fajuto "Dia Mundial (sic) do Rock"(que além de ser comemorado só no Brasil, foi motivado por um festival de música de inúmeros gêneros musicais), também o Dia da Música Sertaneja, o Dia 12 de Julho tem um significado muito triste para mim, sendo o dia em que a minha mãe faleceu. Chato!

Lula fez elogios bastante exagerados ao "funk", que além de ser um gênero irritante por suas características, não passa de mero entretenimento. Suas alegadas funções de "cultura de protesto", de "identidade do povo pobre" e de "grito de dor do favelado" é falsa e prova como um gênero musical pode utilizar do vitimismo para uma campanha publicitária que se mostrou relativamente bem-sucedida.

Ao declarar seu apoio incondicional a um gênero musical tão controverso e que irrita quem está acostumado a melodias enriquecidas e letras inteligentes, Lula, que está decepcionando nesta 3ª gestão, medíocre e sem resultados práticos de melhoria no cotidiano (a não ser nos relatórios produzidos pelo próprio Lula e pelas instituições que o apoiam), reduz ainda mais a sua baixa popularidade.

Ao invés de se preocupar em fazer uma homenagem a um reles divertimento, que ainda mais é bastante controverso, Lula deveria observar que no Brasil de hoje, salários são baixos, desemprego cresce de forma monstruosa, os preços das mercadorias e serviços estão caros e as pessoas estão brigando muito entre si, por vários motivos, desde os mais fúteis a disputa pelos poucos benefícios que restam.

Lula dá o tiro no próprio pé e com isso põe em risco a sua reeleição. A sua popularidade está muito baixa, visto o número alto de reclamações, críticas e xingamentos ao presidente petista, nas redes sociais e no cotidiano das ruas. Se ele não fraudar as urnas, Lula certamente vai encerrar nesta a sua carreira política, pois está muito idoso e - pelo que se pode observar - muito gagá.

terça-feira, 30 de julho de 2024

"Incel" é o novo rótulo do antigo "Nerd"

O politicamente correto obrigou todo mundo a fingir humildade e sofrimento. Agora, todo mundo é rebelde, revolucionário, "esquisito", tímido, coitadinho e sofreu muito para chegar onde chegou. Incluindo os bem-nascidos da burguesia. A ordem é evitar ser visto como privilegiado, senão a vida social não rola.

Por isso, agora, todo mundo é nerd. Na verdade, "nerd" mudou o significado, se tornando aquele tipo de adulto que ainda age como criança, sendo fã de quadrinhos, filmes de herói ou de ficção científica e de tecnologia. Seu habitat é agora aquilo que se chama de comic-con, um evento de divulgação de obras relacionadas a este universo.

Mas antigamente, o significado de nerd era outro. Era aquele jovem tímido, desajeitado, extremamente inteligente e com gostos estranhos e que por estes fatores, adquire uma extrema dificuldade de sociabilização. Incluindo a vida amorosa, frequentemente fracassada. Sem falar dos inúmeros casos de bullying sofridos pelos outrora chamados nerd, um rótulo que era pejorativo.

Mas com a tecnologia, a sociedade percebeu o interesse intenso e intensivo dos nerds por este tema que decidiu roubar o rótulo e até mesmo pessoas sem qualquer tipo de timidez, e portadoras de extremamente bem sucedido traquejo social, passaram a se auto-rotula de nerd, pegando um termo que em outros tempos era pejorativo em um privilegiado status social.

Mas o antigo perfil do nerd? Como ficou agora? Uma tribo que já não tinha direitos, sendo humilhada por sua esquisitice e proibida de direitos adquiridos de forma social, perdeu seu rótulo que, mesmo pejorativo, destacava a sua diferença perante o resto da sociedade, de pessoas iguais feito clones. Como fica agora os desajeitados jovens socialmente desprestigiados?

Eles passaram a ganhar um novo rótulo: "Incel". Involuntary celibataries, no original, significando aqueles que ficam solitários contra a própria vontade. A princípio, "Incel" seria usado apenas para tipos específicos de machistas, de homens que sentem raiva das mulheres por causa do desprezo dado por elas. 

Mas como o comportamento típico do incel está muito relacionado com o antigo perfil do nerd que agora pegou como o novo rótulo dos caras socialmente reprováveis. Até porque como ser nerd entrou na moda, o termo agora serve para rotular viciados em tecnologia e quadrinhos e isso envolve muita gente socialmente ativa, perfeitamente integrada ao sistema social, do contrário dos incels, que costumam viver isolados e com poucos e nada influentes amigos.

Infelizmente, a sina dos ex-nerds, agora incels continua a mesma: a de serem isolados socialmente graças aos sérios preconceitos que sofrem por sua estranha e mal-compreendida personalidade. Enquanto isso os novos nerds seguem divertindo no meio de multidões, agradando muito bem as opiniões alheias.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

A falsa rebeldia dos jovens de classe média

Eu estava em uma comunidade de conversas do Reddit e num tópico em que uma pessoa perguntou porque os jovens ricos gostam de posar de malandrão, houve uma discussão sobre esta falsa rebeldia. Estariam os jovens fazendo isso para angariar simpatia ou para gerar medo?

O tópico também mencionou que esses jovens bem vividos, com altas mesadas garantidas a todo mês, além das chaves de carro garantidas pelos pais afetivamente ausentes, mas distribuidores de presentes materiais, estariam, na ingenuidade deles, agindo contra o "sistema", sem saber que esses mesmos jovens são parte integrante do sistema. Ou seja, vomitando nos pratos em que comem.

Posar de rebelde atrai simpatia alheia, além de ser uma boa oportunidade de fingir de coitado e atrair mais benefícios. A insatisfação faz parte do instinto humano e para estes jovens bem vividos nada é suficiente. Eles querem sempre mais e mais. Muito mais.

Fingir de pobretões é uma excelente forma de angariar simpatia, embora seja um erro considerar esta atitude como uma rebeldia de verdade. Até porque estes jovens continuam consumindo o que o sistema oferece a elas: hobbies, bens de consumo, costumes, gírias. Ou seja, os jovens, pensando estar contra o sistema, acabam engolidos pelo próprio sistema, sem saber. Sistema controlado pelos mesmas instituições e lideranças que eles costumam falar mal.

Esta juventude pseudo-rebelde, que encontrou no identitarismo e no fingimento da pobreza uma forma de deboche e zombaria travestida de "inconformismo conscientizado" na verdade está é tentando se auto-afirmar, demonstrar empoderamento, mas sem combater de fato o sistema, mantendo intactas todas as formas de injustiça que existem espalhadas por todo o mundo real.

Resta saber se, com a chegada da maturidade, eles irão aderir a formas mais combativas de rebeldia real ou se vão abraçar os sistema, como bons yuppies acomodados a apenas curtir as coisas boas que o dinheiro, que os verdadeiros pobres que eles fingem ser não possuem, pode comprar.

domingo, 28 de julho de 2024

Saudades da bela Shannen Doherty

Na manhão domingo retrasado, há duas semanas atrás, acordei com uma triste notícia, dada pelo meu melhor amigo Márcio, que conheço há mais de 30 anos. Shannen Doherty, atriz conhecida no Brasil por interpretar a Brenda de Beverly Hills 90210 (cujo patético nome brasileiro, que nada tem a ver com a trama do seriado, vou evitar de colocar aqui) e a Prue de Charmed, faleceu na noite anterior, após uma luta longa contra o câncer. Coincidentemente, na noite do dia em que lembrei 5 anos do recebimento do falecimento de minha mãe.

A notícia, apesar de não ter me chocado, pois eu esperava pelo seu falecimento a qualquer momento. Pois, como fã, acompanhava toda a batalha contra o câncer que começou nas mamas e acabou se espalhando por todo o corpo. Mesmo assim, fiquei comovido com o fim da vida da bela atriz que foi meu maior crush na primeira metade dos anos 90. 

Shannen tinha a mesma idade que eu, nascida duas semanas depois de mim. Se casou várias vezes, mas não teve filhos, porque não conseguiu, o que deixou magoada, pois vivemos numa sociedade onde as mulheres são educadas para serem mães. Para quem vive numa sociedade assim, gerar filhos é a maior fonte de auto-estima para a maior parte das mulheres, com raras exceções. A doença cancelou este sonho.

Hoje aproveito que completa duas semanas de seu falecimento para fazer esta lembrança e colocar aqui uma foto, que ilustra esta postagem. Ela publicada em uma revista que acabei comprando na época do sucesso de Beverly Hills 90210, justamente por causa desta citada foto. Na época, tinha o hábito de ouvir músicas românticas paquerando esta foto da bela atriz.

Resta nos lembrarmos de tudo de bom que a atriz, que tinha voltado a atuar, mesmo com o avanço da doença, fez tanto na sua carreira, pelo seu talento, quanto na sua vida, com um exemplo de superação. Mas infelizmente, a luta foi perdida. A doença foi forte demais.

Bom, eu te amo, Shannen. Obrigado por tudo. Você foi sempre linda e será em minha memória. 

Vá em paz, amiga. Já sinto saudades suas.

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