sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Drew Barrymore se sente bem sozinha. Acho que eu deveria também fazer o mesmo

Além de ser uma mulher lindíssima, simpática, charmosa e deliciosa, Drew Barrymore demonstra também ser uma pessoa super sensata e super legal. Uma mulher que eu gostaria muito de ter como companheira.

Ela declarou há cinco anos que não há mal algum em estar sozinha. De lá para cá, ela se casou, teve filhos e recentemente retomou a solteirice. Ela afirmou que se estivesse com uma pessoa errada, aí sim que seria um problema. Concordo plenamente.

Nunca namorei sério na vida, apesar de ser um quarentão (tenho 45 anos, cinco a mais que a citada atriz). As pessoas não entendem isso e várias delas, ao tomar conhecimento deste fato, me colocam rótulos ofensivos e caluniosos, com referencias a características que eu não tenho. Gente que não passou pelo que eu passei.

Acontece que nunca encontrei alguém legal para me envolver. Quer dizer, encontrei, mas na adolescência. Mas quando eu era adolescente era muito imaturo. Não dava para ter um relacionamento sério com ninguém. Não estava preparado.

Mas quando eu amadureci, as oportunidades foram se escasseando, já que vivemos no Brasil, onde as mulheres são educadas para casar. As mulheres da minha geração tiveram a (in) feliz ideia de se casarem com pressa, com o primeiro "profissionalmente resolvido" que encontraram pela frente. Fiquei sem direito de escolher namorada. Por isso, fiz o mesmo, aceitei quem me aceitava e fui tentar ser (in) feliz durante o namoro. Consegui ser infeliz.

Foram vários namoros mal-sucedidos. Não vou ficar detalhando os motivos dos insucessos, mas sendo direto, digo que se eu pudesse ter escolhido namorada, nunca seria com nenhuma que eu namorei. As que eu realmente gostava e que tinham uma personalidade que combinasse com a minha estavam unidas com verdadeiros maridos e/ou namorados babacas, que só conseguem sentir se excitar por copos de cerveja e pernas de jogadores de futebol. Mas como eles estavam "feitos na vida"...

Hoje eu sinto que é complicado para pensar em uma vida afetiva estável. Me sinto velho. Ah, mas aí vão aparecer engraçadinhos dizendo "mas nunca é tarde para ser feliz". Quem quer casar tarde, que case, nada tenho a ver com a vida dos outros. Eu falo dos meus projetos de vida, nada mais.

As mulheres hoje em dia estão muito confusas, não sabem o que querem. Parece que o objetivo de vida delas se resume a noitadas, roupas caras e filhos. Isto é, nada a ver com meu jeito de ser. Está cada vez mais difícil arrumar alguém com capacidade de me fazer feliz. Até daria, se muitos homens tivessem a feliz e heroica ideia de se suicidarem. Normalmente as mulheres que combinam comigo estão em relacionamentos estáveis com homens que não combinam com elas.

Tenho absoluta certeza que não tenho direito de escolher namorada, porque as mulheres tem tido facilidade de escolher homem. Se a quantidade de homens fosse drasticamente menor, sobretudo nas classes médias e altas*, as mulheres poderiam me aceitar. Eu tenho a consciência que nos (pré-históricos) critérios de provedor/protetor, utilizados cada vez mais, por incrível que pareça, pelas mulheres mais cultas e de classe, eu deixo bastante a desejar. 

Sou excelente companheiro, inteligente, carinhoso e bem-humorado, mas além de não ser rico, sou baixinho e considerado fracote. A diminuição de concorrentes me ajudaria muito.

Mas como tenho moral e altruísmo, prefiro não desejar essa facilidade. Deixarei os outros a continuarem com suas vidas afetivas, merecendo ou não, sendo felizes ou não. Isso é problema deles. O jeito mesmo é eu me conformar com a solidão e transformar a ausência de companhia em minha melhor companhia. A solidão é a única companheira 100% fiel. Ela não traz problemas, não é interesseira e não chateia.

Belo exemplo da bela Drew (que seria uma excelente opção para a minha vida afetiva, mas ela é ianque e é famosa, um contexto que difere do meu - conviver com gente famosa é um inferno: privacidade zero). O jeito é continuar com a minha vida, ter o meu emprego (hoje começo a me dedicar a mais um curso) e cuidar das minhas coisas.

A solidão pode até trazer tristeza. Mas pelo menos ela não estraga vidas.

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*OBS: Vários textos que falam sobre estatísticas vem com aquela alegria macabra de que "está morrendo muito homem" e que cada dia que passa sobra mais mulheres. Só que mais de 90% desses homens são de classes mais pobres, cujas mulheres se encontram numa situação alheia a minha.

Homens pobres não são meus concorrentes. Na vida afectiva, a minha competição é com os homens pertencentes no mínimo a classe média. Ficar animado com a eliminação da concorrência dos homens pobres é o mesmo que um jogador de hóquei de uma equipe se animar com a eliminação da seleção de futebol de outra equipe. Esportes diferentes, competições diferentes.

Desculpem o ponto de vista meio cruel. mas vivemos em um mundo competitivo. Uns perdem para outros ganharem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

"Melhorias" apenas para serem vistas

Para a população, parece que os problemas deverão ficar como estão. O legal para ela é o consumismo, o espetáculo e as medidas paliativas. E aparência, muita aparência.

Observando o comportamento inerte das pessoas pelo jeito, os problemas fazem parte da vida cotidiana. O descaso de autoridades, a falta de amor, os preços caros, engarrafamentos, estresse, etc., nada é combatido. As soluções propostas não conseguem resolver os problemas, mas servem para "mostrar serviço" e maquiar a situação, que parece resolvida para quem não tem o senso crítico suficiente para entender a diferença entre maquiagem e solução.

Com o relativamente recente anúncio da situação que colocou o país em 6° lugar na economia mundial, somado aos grandes eventos que vem por aí e a frequente visita de celebridades estrangeiras de uns anos para cá, passam a errada ideia para o povo brasileiro de que somos um país próspero, feliz e pronto. Que nada mais é necessário a fazer e que só precisamos comemorar.

Mas não é assim. A religião, o futebol e o consumismo iludiram a população com uma ideia de falsa prosperidade, se baseando em crenças fictícias que servem para colocar no brasileiro uma falsa alegria que parece compensar a verdadeira alegria que nunca chega, por causa da perpetuação de problemas e injustiças.

O Brasil ainda tem muito de terceiro mundo. Não sofremos como anos atrás, mas ainda estamos muito longe da tão sonhada prosperidade. A má qualidade da educação (que promete piorar no governo Temer) e uma cultura postiça e mercenária têm contribuído - e muito - para que a população se mantenha ao mesmo tempo crédula e inerte.

Que a população possa amadurecer e não se deixar iludir com o primeiro cavalo de Troia que aparecer em sua frente. Dentro desse cavalo pode haver surpresas que poderão desagradar e até dar prejuízos a muita gente.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

E a carruagem virou abóbora...

As Olimpíadas podem ter servido de despedida para um Brasil democrático que estaria andando para a frente. Foi uma festa bem feita, linda, alegre, com boas conquistas, batimento de recordes e várias medalhas, incluindo feitos inéditos. Uma beleza.

Mas a festa acabou. A carruagem de ouro era linda, mas virou abóbora, a "Cinderela" Neymar caiu nos braços da princesinha da Globo e foi se isolar em seu belo e vasto castelo. Com o fechar das cortinas, nos preparamos para rocar um festivo evento esportivo por um verdadeiro filme de terror, onde um presidente com cara de vampiro promete eliminar não somente muitos importantes direitos dos brasileiros como também a nossa soberania, além de rasgar páginas da Constituição e toda a CLT.

Tudo isso porque as elites, com medo de perder privilégios e de ter que "repartir o pão", ressuscitou o histérico e alucinado clima de "anti-comunismo" e sob a hipócrita justificativa de "combater a corrupção", tirou os progressistas do poder, vários sem qualquer envolvimento com corrupção ara colocar direitistas que são tradicionais corruptos profissionais, todos com desejos de ganância e de exclusão social. Tudo para que o Brasil volte a ser um país feito apenas para as elites. Quer viver bem no Brasil? Lute para virar elite, ou se mate!

As Olimpíadas acabaram, ainda teremos as sub-estimadas Para-olimpíadas (pelo jeito muitos não gostam de ver gente aleijada praticando esporte), mas a verdadeira Olimpíada, a que iremos participar como "atletas" se iniciará quando o governo temeroso se estabilizar. Mesmo que Dilma consiga provar sua inocência, setores da mídia, do judiciário e de grandes empresas já estão a postos para fazer de tudo, mesmo tomar a mais imoral das atitudes, para impedir a volta de progressistas ao poder.

Depois da alegria da festa, muito bem brindada pela excelente festa de encerramento (que provou que o país que sabe fazer um excelente carnaval, sabe fazer grandes eventos), agora é a hora das trevas, Não somente a pira olímpica se apagou como também a luz de nosso caminho e também nossos sonhos. Entramos agora nas trevas da caverna de uma nova ditadura, menos estereotipada que a que se iniciou em 1964, mas não menos cruel. Muita gente vai se dar mal com ela, não se sabe como. 

O certo é que estamos perdidos. Nossas esperanças se converteram em típica claustrofobia. Até sabermos se esta caverna tem saída, muitos choros e ranger de dentes entoarão. Temos que aprender a viver no escuro das trevas fascistas até que algo possa ser feito para nos tirar dessa enrascada. Mas enquanto isso, choraremos. A alegria das Olimpíadas será passado remoto isolado em nossas memórias. 

A carruagem de ouro acaba de virar uma medonha abóbora de Halloween, sorrindo maliciosamente para o nosso tristonho futuro.

sábado, 20 de agosto de 2016

De onde tiraram a ideia de que Beyoncé é genial?

Embora poucos admitam, a música comercial é monstruosamente hegemônica. A carreira musical se tornou uma excelente fonte de renda e isso tem favorecido muita gente sem talento ou sem vocação a investir neste tipo de carreira em que se pode ganhar muito dinheiro sem o esforço braçal e intelectual de uma profissão convencional. Resultado: o que deveria ser espontâneo e criativo, sai falso e padronizado, como a  linha de montagem de uma indústria.

A superestimada Beyoncé Knowles. Knowles é considerada a "maior cantora da atualidade" e veio de um grupo vocal feminino conhecido como Destiny's Child, seguindo a linha oversinging de Whitney Houston, a cantora que arrasou com a música black, que antes dela, era uma maravilha e depois ficou medíocre. 

Com a carreira solo, Beyoncé foi trabalhada para ser um exemplo de mulher bem sucedida (como fazem com Ivete Sangalo aqui), conquistando em massa as jovens feministas mais ingênuas que enxergam na cantora um "Feminismo" sem ideias, mas com "atitude".

É uma bela embalagem que aberta se mostra com conteúdo chocho e sem utilidade. Beyoncé (que também lança mão do cabaret pseudo-erótico em suas apresentações, como em quase todo o pop pós-Michael Jackson), tem um repertório sofrível, alienado e padronizado, apesar de ter realmente uma bela voz, que é desperdiçada em seu tipo de música.

Estava em um shopping da cidade onde eu moro e estava tocando o álbum mais recente da cantora, chamado Lemonade*. Para os que enxergam genialidade na cantora, digo que estão vendo cabelo em casca de ovo. O álbum parece uma coletânea de tudo que é tocado no rádio em voz feminina. Uma cópia descarada do mais monótono do hit-parade dos dias atuais.

Quem é mais sensato e ouve Lemonade, é estimulado a perguntar: cadê a tão falada genialidade de Beyoncé? Porque ela é tão querida pelas jovens que se consideram feministas? Que tipo de contribuição cultural Beyoncé oferece fazendo uma sonoridade que não passa de produto fabricado pela indústria da música? 

A única resposta que se pode obter é que Beyoncé é comercial, existe apenas para divertir e sua importância para a evolução cultural é nula. A imagem de "mulher superpoderosa que influencia as feministas" é na verdade uma imagem construída para vender. Uma propaganda. 

Se Beyoncé não fosse levada a sério e fosse vista como música para divertir, tudo bem. Está bem claro que é para isso que ela existe. Mas embutir nela qualidades que combinariam mais com cantoras como Laura Nyro, Sarah Vaughan, Tori Amos e entre as mais recentes, Fiona Apple e Vanessa Carlton, só forçamento de barra. É querer que uma cantora competente mas, puramente comercial tomasse o lugar de cantoras mais compromissadas com a arte e com uma postura um pouco mais intelectual.

Beyoncé mostra que a música atual está cada vez mais comercial do que nunca, enganando muitos ouvintes e fãs. E que esse papo de "autenticidade" defendido por muitos jovens cantores atuais não passa de propaganda enganosa feita para embutir "espontaneidade" e intelectualidade" em algo que só é feito para se fazer sorrir e dançar.

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*OBS: Curioso que apesar da música atual ter se tornado monotemática, falando praticamente só de relações amorosas, os títulos de músicas e álbuns tem fugido desta tendência, o que significa que os entertainers de hoje apelam para a metáfora para disfarçar o monotema, já que quando ouvimos as obras, lá estão as relações amorosas, reais ou não, positivas ou negativas, sendo cantadas nas letras.  Estranho que o excesso de músicas sobre amor coincide com a atual época de ódio. Quem tem que provar o tempo todo que é alguma coisa, é porque não é esta coisa.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Sem ter mais o que contar, Big Bang Theory pode continuar após a 10 temporada.


A vida prova que tudo te hora para acabar. E acabar na hora certa pode representar um fim honroso, sem possibilidade de arruinar a reputação. Mas The Big Bang Theory, que poderia ter muito bem encerrado de cabeça erguida após o fim da 7ª temporada, segue desde então perdida como cego em tiroteio, cada vez mais sem graça. 

Mas no show business, dinheiro é muito melhor que ideias. Muitos bons seriados foram cancelados antes de dizerem para que vieram. Vários deles prometiam ser grandes clássicos. Mas acabaram, numa demonstração de mercenarismo e falta de bom senso.

Na contramão, seriados sem ter o que dizer se arrastam por anos, se tornando cada vez mais chatos, só porque rendem muito dinheiro. Esse parece ser o caso de The Big Bang Theory, que rompeu com o universo geek, preferiu focar na vida amorosa dos personagens (novelão mexicano?) e eliminou os engraçados defeitos dos personagens principais, transformando em pessoas nojentas de tão normais. Hoje mais parece uma comédia romântica, cujo estilo de humor é o menos engraçado possível. 

E não é que os produtores estão se reunindo para desistir de encerrar o seriado, fazendo-o continuar após a 10ª temporada? De onde eles vão tirar a criatividade para novos episódios, eu não sei, pois desde a 8ª temporada a série tem ido de mau a pior.

Se houver bom senso das partes, é melhor desistir de continuar o seriado e parar no fim da 10ª temporada, como haviam prometido. Os atores que são excelentes, merecem se envolver em trabalhos melhores e com personagens completamente diferentes. E o seriado já demonstra claramente não ter condições de continuar sem forçar a barra.

The Big Bang Theory já deu o que tinha que dar e a alterada cultura "nerd" já está bem atendida por séries sérias (desculpem o trocadilho) como Scorpion, Quantico e Robot, muito melhores que as três temporadas da moribunda série que insiste em continuar após seu fim.

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