domingo, 31 de maio de 2020

(Indi)gente como a gente

Celebridades são um tipo de liderança. Exercem uma influência definitiva no comportamento da sociedade. Se famosos são líderes, seus admiradores são os liderados. Muito do que os ídolos fazem ou dizem acabam por ditar a forma de como a sociedade vai encarar o seu cotidiano.

Quem trabalha com a fama e se torna uma pessoa influente deveria se lembrar de que tem a responsabilidade de influenciar os outros. Sem essa de que famosos tem o direito de viver como os normais, que isso é impossível. Não apenas pela falta de privacidade, como pela inevitável capacidade de formar opinião. Querendo ou não, celebridades são lideranças e o que eles fazem regula a vida social e os costumes da população em geral.

Portanto é sintomático em tempos de mediocrização e que nos encontramos, que as celebridades decidam também se mediocrizar para se igualar aos seus fãs, nm caminho oposto ao que deveria ser. Trocando de papéis, a celebridade, ao ser "influenciada" pelos seus mal-escolarizados fãs, acaba por legitimar a mediocridade de pensamento e de atitude, contribuindo para que a sociedade se involua e preserve muitos erros que deveriam ser corrigidos. Fala-se muito em crise no mundo atual, mas ela seria resolvida mais facilmente se pelo menos 70% da humanidade fosse intelectualizada.

É uma irresponsabilidade das celebridades em desperdiçarem seu prestígio e seu poder de influência para aderirem a utopia do "gente como a gente". Celebridades nunca foram, nunca são e nunca serão "gente como a gente". Ao invés de ficar se nivelando aos fãs mais emburrecidos, que tal, fazer o contrário e estimulá-los a se intelectualizar. Pelo menos nos EUA estão surgindo, mesmo em pequena quantidade, jovens celebridades dispostos a passar alguma lição de vida.

Enquanto no Brasil, a mediocrização de ídolos acaba estimulando ainda mais a mediocrização dos fãs, tornando a população brasileira a terceira mais ignorante do mundo, perdendo para muitos países africanos, supostamente de educação precária.

Temos as celebridades mais irresponsáveis do mundo que acham bonito se emburrecer para se igualar aos fãs ao invés de estimulá-los a crescer pessoalmente. Celebridades jogam no lixo uma excelente oportunidade de contribuir para mudar o país, preferindo perpetuar tudo de errado que marca nossa sociedade como uma das piores do mundo.

sábado, 30 de maio de 2020

A polêmica sobre "Stairway to Heavem" ser um plágio

Jimmy Page e Robert Plant, núcleo central do Led Zeppelin e autores responsáveis pela canção Stairway to Heaven, música mais conhecida da banda, foram processados por advogados de Randy California, líder da banda Spirit, que alega ter havido plágio de uma canção de sua autoria, Taurus, lançada cerca de 3 anos antes da famosa canção da banda de Page e Plant (1971, no em que eu nasci).

Não entendo da parte técnica da música, mas de forma meio leiga eu notei uma semelhança em um pequeno trecho de Taurus em relação a melodia usada na introdução de Stairway to Heaven. Mas apenas um trecho bem pequeno, que é repetido na música Taurus, foi utilizado.

A semelhança é grande, mas especialistas dizem que há diferenças nas notas e nos arranjos em alguns trechos. É algo que não posso afirmar. Obviamente a observação de especialistas será indispensável no julgamento de Page e Plant. Há quem diga que a intenção de Randy California é apenas que os dois creditem Taurus como música incidental (espécie de caso onde em um medley, uma das músicas aparece em um pequeno trecho), respeitando a autoria da dita cuja. Possivelmente a solução será esta.

De qualquer forma, achei a análise de um músico sobre a semelhança das duas faixas. Ele notou diferenças. Além da análise, coloco os videos com as belas músicas para serem comparadas, analisadas e - porque não? - curtidas. Tirem as suas conclusões.




sexta-feira, 29 de maio de 2020

Victoria saúda Elton John

É raro ver garotas nascidas nas décadas de 90 e 2000 fazerem alguma referência a nomes veteranos da música. Mas depois de Elle Fanning declarar sua empolgada admiração pelo Fleetwood Mac, agora é a vez de Victoria Justice saudar Elton John, criador de grandes canções e um dos melhores melodistas do mundo.

Alguns anos atrás, Vic postou este meme abaixo, exaltando o criador de Your Song. Vamos relembrar este momento e aproveitando, embaixo da foto coloco uma música de Elton que eu gostaria que fosse cantada pela Vic. Ficaria bem sexy na voz dela.


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Algoritmos: o Pensamento Único chega a Internet

Muito tem se falado sobre algoritmos. Falando em linguagem para leigos, seria uma espécie de programação que levaria em conta certos critérios - em geral popularidade - para realizar uma busca ou colocar postagens em determinadas ordens. 

Criadas sob a desculpa esfarrapada de tornar a internet mais pessoal e agradável ao usuário, na verdade ela tem servido com instrumento para evitar a mudança de paradigmas sociais para que interesses de poderosos magnatas sejam preservados.

Manter a humanidade presa a certos valores é uma meta desses magnatas, pois assim eles podem manipular multidões a fazer o que eles querem. A internet surgiu como uma ameaça ao pensamento único, colocando em cheque vários valores e conceitos que magnatas queriam que fossem consagrados e estabilizados na mente de multidões. Algo precisava ser feito.

E algo foi feito. Algo-ritmo. Fazer com que a busca da internet levasse em conta a popularidade de certos temas e a preguiça do usuário em procurar assuntos diferenciados. Magnatas perceberam que a maioria das pessoas tendia a seguir a maioria para não ficar sozinha. E fazê-las pensar igual seria uma ótima forma de manter conceitos e valores que tornariam a sociedade intelectualmente inerte.

Os algoritmos pioraram a internet, limitando resultados e forçando as pessoas a se prenderem a pontos de vista e com isso a humanidade desiste de progredir, pois ao consagrar conceitos e valores, acabam também consagrando interesses. 

A sociedade não evolui, os vencedores sociais continuam os mesmos e nada muda, fazendo com que ricos continuem ricos e pobres continuem pobres e por aí vai. Mas isso foi um exemplo, pois não é só na economia que os interesses particulares de alguns são colocados contra os de outros.

Até mesmo os esquerdistas, que se consideram imunes a ditaduras dos algoritmos são aprisionados nos algoritmos, já que nos assuntos relativos a cultura e costumes sociais demonstram um forte conservadorismo não visto quando eles falam sobre política, economia e direitos humanos. Os algoritmos impedem debates maiores sobre costumes sociais, que vão sendo mantidos por muitas décadas sem perspectivas de mudanças.

A Criminalização da Deep Web

Para preservar o pensamento único, a grande mídia presente na internet tratou de criminalizar a deep web, a parte da internet não encontrada nos sites de busca. Não confundir com a dark web, parte da deep web onde atividades ilícitas e criminosas são praticadas. A confusão entre as duas é benéfica para os tecnocratas que querem usar os sites de busca oficiais, incluindo o Google, como estabilizador do pensamento único.

A deep web se torna uma alternativa para quem busca algo diferente na internet. Seria como a mídia alternativa da internet, uma opção de extender os resultados de busca e encontrar aquele valioso material que não é mais reconhecido por sites de busca e que pessoas com espírito de garimpagem e pesquisa colocam em seus sites para preservar valiosos materiais. Criminaliza-la seria impedir o seu uso e favorecer os sites de busca oficiais, controlados e patrocinados por magnatas gananciosos.

O que me fez escrever esta postagem foi a tentativa de usar o Google para procurar um vídeo que eu gravei na rodoviária de Volta Redonda. Pasmem: eu não achei o vídeo na busca. Mesmo recente e divulgado em um blogue, o vídeo não aparecia na busca. Culpa do maldito algoritmo.

A redução de resultados de busca é outro dano causado pelos algoritmos. Muitas coisas que eram comuns na internet de 15 anos atrás não são mais encontradas nos sites de busca oficiais. Fiquei com dificuldades de realizar um trabalho particular graças a este motivo e tive que recorrer a amigos para arrumar material. Consegui fazer o trabalho, concluindo mais tarde que o esperado por causa da dificuldade.

Isso tudo para mostrar que os algoritmos pioraram a internet. O que era prazeroso e surpreendente virou algo banal, óbvio, repetitivo. Tudo para preservar os interesses financeiros e morais de uma meia dúzia de magnatas.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Posso ser seu amigo?: quando a realidade vira uma rede social

Esse humorista britânico mostrou como é estranha a amizade por meio das redes sociais. A ideia foi a seguinte: O cara ia abordando as pessoas do mesmo modo que se faz nas redes sociais da internet. Como o troço é frio, sem sensibilidade!

Por mais populares e úteis que sejam as redes sociais, o calor humano, a troca de energias afetivas nunca será substituída. Ainda mais quando muita gente utiliza as redes sociais para destilar seu ódio por aqueles que não compartilham das mesmas ideias e costumes.

As redes sociais, quando utilizadas com responsabilidade e inteligência, podem até quebrar um galhão quando não conseguimos contactar com alguém pessoalmente. Mas aquele chamego gostoso, aquele tapinha nas costas, isso é que caracteriza o prazer de se ter um amigo ou namorada.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Eu não me considero mais um nerd

Quando uma ideia é mal compreendida, gerando uma definição errada e essa definição se alastra, se transformando numa verdade, é sempre recomendável pular fora dela.

Como no Brasil, a cultura nerd foi mal entendida, criando uma nova definição que difere em muito à original, descaracterizando até, resolvi não me considerar mais um nerd, visto que a nova definição dada pela mídia brasileira não se encaixa mais no meu estilo de vida. prefiro me auto-rotular de hiperativo.

Para os brasileiros, nerd nada tem a ver com o filme Vingança dos Nerds, de onde foi consagrada a definição. Brasileiros não se gostam desse filme por achar que a imagem original da "tribo", mostrada no filme, hiperbólica e ridícula, sem saber que o rótulo surgiu da ridicularização do perfil de pessoas desajeitadas, mas inteligentes. Mas o filme deixa bem claro os problemas sofridos por essa gente desengonçada que quer mostrar seu valor.

A associação de estereótipos nerds com tecnologia transformou o rótulo que nasceu pejorativo como uma forma de promoção social. Despidos dos defeitos tradicionalmente associados a tribo, os "novos nerds" começam a se popularizar pela facilidade que possuem em utilizar e entender os aparatos tecnológicos. Tecnologia inclusive atrai lucros financeiros. Vários empresários da tecnologia se caracterizam como na nova definição. E quem não quer ser amigo de um ricaço, para sugá-lo depois?

Vejam a diferença entre os nerds tradicionais ianques e a nova definição brasileira:

Nerds Originais:

São fracotes, pacíficos, extremamente inteligentes e criativos, com gostos peculiares, sofrem bullying, tem personalidade esquisita (normalmente possuem TDAH), são desajeitados, vestem-se de maneira estranha, são caseiros e usam o computador e quadrinhos de ficção científica para compensar a vida social que não possuem.

Aliás vida social, para eles, se limita aos seus semelhantes, sempre com pessoas rejeitadas e problemáticas. Odeiam praticar e assistir esportes. Não são machistas e simpatizam com o socialismo e ideais de esquerda (embora esquerdistas brasileiros digam o contrário, acusando-os de terroristas de extrema-direita, só por estarem sozinhos ou com poucos amigos a maior parte do tempo).

VISUAL TÍPICO: fracote com óculos e roupas antiquadas.
FILME-DEFINIÇÃO: A Vingança dos Nerds.
BANDA SÍMBOLO: Devo.

Nerds Brasileiros:

São pessoas normais, farristas, que adoram computador, quadrinhos, filmes de ficção e similares. Agem como se tivessem menos da idade que possuem. Possuem gostos quase convencionais (o "Lado B" do mainstream). Apesar de meio diferentes na aparência (galãs barbudos fora de forma,  que fazem amizade normalmente com privilegiados (atletas, burgueses, etc).

Não são vitimas de bullying, embora finjam como tais para angariar simpatias e dissimular humildade. Adoram mulheres boazudas (à distância, pois nunca querem se casar com elas) e costumam ser tão machistas como os atletas.

Não são solitários e muitos tem vida social e afetiva estabilizada. Adoram assistir a eventos de esportes (praticar nem tanto), sobretudo o futebol. Apesar de muitos assumirem socialistas, sua maioria adota posturas tipicamente capitalistas: não são raros os coxinhas (tribo privilegiada) metidos a nerds (tribo de excluídos).

VISUAL TÍPICO: lenhador barbudo com roupas urbanas normais.
FILME-DEFINIÇÃO: Se beber, não case.
BANDA SÍMBOLO: Radiohead.

"Todos são nerds até prova ao contrário"

Argumentam os defensores da nova definição de "nerd" que a definição original é estereotipada e que hoje, qualquer um pode se tornar um nerd, desde que passe a gostar de quadrinhos e de tecnologia com maior frequência que as outras pessoas. Até mesmo o mais invejado atleta de porte apolíneo.

Sites como Jovem Nerd e Judão (oficialmente considerados como "sites nerds") e um catatau de perfis nas redes sociais com a palavra "nerd" no nome (há até um tal de "nerd conquistador", com a impensável função de mostrar um nerd ensinando os outros a conquistar mulher - exatamente o oposto da antiga definição da palavra), já mostram coisas que vão totalmente contra a rotina e os interesses dos nerds tradicionais, usando o rótulo apenas como forma de se beneficiar da imagem de coitado para angariar benefícios.

Por isso oficializo aqui a minha retirada da "tribo". Nada tenho a ver com a nova definição. Adeus caras-pálidas! RAU!

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Descrição sobre o "Minduim" é a descrição que deveria ser sobre um nerd

ENCORPANDO A VITAMINA: No Brasil, convencionou-se a considerar "nerd" apenas pessoas aficionadas em tecnologia. O significado original, lançado nos EUA, se não está se perdendo, deverá cair em desuso. Os desengonçados de outrora, que eram chamados de "nerds", após se acostumarem com o rótulo antes pejorativo, terão agora que procurar outro rótulo para se definirem.

Lembrando do antigo sentido da palavra "nerd", facilmente nos remetemos a Charlie Brown (o personagem, não a banda pós-Mamonas e pré-emo formada por playboys metidos a humilhados), o Minduim (Peanuts no original), uma espécie de herói dos fracassados de todo o mundo. Reparem se as descrições citadas pelo famoso teórico da Comunicação e autor do ainda mais famoso romance político O Nome da Rosa, não se encaixam em um legítimo nerd?

O Mundo de Minduim

Trecho escrito por Umberto Eco, com tradução de Pérola de Carvalho e extraído do livro "Apocalípticos e Integrados", 1969, Ed Perspectiva

O mundo dos Peanuts é um microcosmo, uma pequena comédia humana para todos os bolsos.

No meio está Minduim: ingênuo, cabeçudo, sempre inábil e, portanto, votado ao insucesso. Necessita até a neurose de comunicação e "popularidade", e recebendo em troca, das meninas matriarcais e sabichonas que o rodeiam, o desprezo, as alusões a sua cara de lua-cheia, as acusações de burrice, as pequenas maldades que o ferem profundamente. Minduim, impávido, procura ternura e afirmação em toda a parte: no beisebol, na construção de "papagaios", nas relações como o seu cão Snoopy, nos contatos de jogo com as meninas.

Fracassa sempre. Sua solidão torna-se abissal, seu complexo de inferioridade, esmagador (colorido pela suspeita contínua, que também atinge o leitor, de que Minduim não tenha nenhum complexo de inferioridade, mas seja realmente inferior). A tragédia é que Minduim não é inferior. Pior: é absolutamente normal. É como todos. Por isso, caminha sempre à beira do suicídio ou, na melhor das hipóteses, do colapso.: porque busca a salvação segundo as fórmulas comodamente propostas pela sociedade em que vive (a arte de fazer amigos, como tornar-se um solicitado animador de reuniões sociais, como conseguir cultura em quatro aulas, a busca da felicidade, como agradar as meninas... obviamente, o Doutor KinseyDale Carnegie e Lin Yutang o arruinaram).

Mas como o faz com absoluta pureza de coração, e nenhuma velhacaria, a sociedade está pronta a rejeitá-lo, na figura de Lucy, matriarcal, pérfida, segura de si, empresária de lucro certo, pronta a comercializar uma prosopopeia falsa de fio a pavio, mas de indubitável efeito (são as suas aulas de ciências naturais ao irmãozinho Linus, uma mixórdia de idiotices que dão náuseas a Minduim - "I can't stand it", não posso aguentar isso, geme o desgraçado, mas com que armas se pode deter a má-fé impecável, quando se tem a desventura de ser puro de coração?...)

domingo, 24 de maio de 2020

É Brasil, mas pode chamar de Abilene

Vi em um programa sobre estudos da mente que o ser humano tende a imitar a maioria dos integrantes de seu grupo com fins de sociabilização. Não importa o que estejam fazendo, importa é que se a maioria faz, está correto, mesmo que seja a maior gafe. E claro, ninguém vai rir de uma gafe que todos cometem, principalmente se quem poderia rir também comete.

Se os seres humanos tem essa tendência, por serem animais sociais, os brasileiros mais ainda. Brasileiros são educados desde pequenos a seguir a maioria. É o povo mais Maria-vai-com-as-outras que conheço. Esteja certo, esteja errado, melhor sempre é estar com a maioria. A solidão apavora mais do que qualquer coisa e todo risco é válido para se escapar da solidão. 

Eu sempre observei essa tendência do brasileiro imitar a maioria, desde a infância. Mas não tinha um embasamento teórico que pudesse me fazer entender porque isso acontece. Mas, lendo um livro sobre gestão, encontrei algo que explica de forma teórica esse costume tão comum de nossos brasileiros de topar fazer algo inútil, ridículo ou até nocivo em prol da sociabilização: o Paradoxo de Abilene.

Esta tese foi contada pelo estudioso na área de gestão e dinâmica de grupos Jerry Harvey, e conta uma pequena estória acontecida na cidade texana de Abilene, o que justifica o nome do paradoxo.

O conto ocorreu da seguinte maneira:

Uma família recebe a sugestão do pai em fazer uma viagem até Abilene, distante de sua casa, para conhecer um restaurante que a família nunca tinha visitado. A viagem é arriscada, as condições precárias e nem se sabia se o restaurante era bom para justificar o esforço. Mas os integrantes da família, com o objetivo de manter a união familiar, aceitam sem questionar, mesmo sabendo das possibilidades do risco, para que a tranquilidade dessa união grupal pudesse ser mantida. Em caso da viagem fracassar e os problemas se confirmarem, basta achar um bode expiatório para assumir a culpa (no caso, o pai) e tudo fica bem.

Não parece o que acontece no Brasil?: 

- Porque gostamos de músicas ruins, com letras e danças ridículas? 
- Porque uma bebida que tem gosto ruim e é nociva a saúde é a mais popular? 
- Porque nos matamos por causa de meros escudos de times de futebol, comemorando por algo que não vai nos trazer benefício? 
- Porque a religiosidade, que se caracteriza pela crença em fatos e seres sem existência confirmada é cada vez mais alta em nossa sociedade? 
- Porque temos o hábito de fazer tudo que a maioria faz (fazer filho, comprar carros, morar em casas ou apartamentos enormes), mesmo que atrapalhe o nosso cotidiano? 
- Porque se alguém compra "aquele" produto cobiçado, passamos a querer comprar também, mesmo que não tenha qualquer tipo de serventia para nós?
- Porque modismos pegam aqui com tanta facilidade? 

O Paradoxo de Abilene responde a todas essas perguntas acima.

Se pararmos para pensar, as vidas de maior parte dos brasileiros é exatamente igual. Poucas diferenças ocorrem. Daria para fazer um ciclo de vida comum do brasileiro, já que nada muda pois o paradoxo citado faz qualquer brasileiro aceitar as coisas de forma natural, para não quebrar a união social da população.

E a mídia, reguladora das regras sociais, tem um papel enorme na manutenção desse paradoxo, pois embora ninguém goste de assumir - muitas vezes isso está arraigado no subconsciente, agindo de forma imperceptível - a mídia controla de maneira implacável as mentes das pessoas, que passam a achar correto o que é vinculado nela. É o chamado pensamento único, que transforma em leis, costumes que não estão escritos em nossa Constituição Federal, dando a ilusão daquilo que deve ser feito em nosso cotidiano. 

A mídia oficial (jornais, revistas, rádio e sobretudo a televisão) tem há muitas décadas legislado a respeito dos costumes sociais. A regionalidade das regiões brasileiras tem desparecido aos poucos. Mesmo que haja reduzidas diferenças, sabemos que os brasileiros do norte, sul, leste, oeste, no seu todo, agem da mesma forma nos aspectos gerais, graças a intervenção midiática. 

Brasileiros que resolvam criar a coragem para romper com o paradoxo, acabam se isolando, tem maior dificuldade de adquirir benefícios e frenquentemente são objeto de chacota, como punição de não "obedecer as regras da coletividade", que integram o Paradoxo de Abilene.

Por isso que para a maioria, é salutar fazer o que a maioria faz (desculpem o pleonasmo). Um entusiasta de ônibus, fã de rock pesado um dia me disse que ia a rodas de pagode pornográfico, que ele detestava, porque se não fosse, iria ficar sozinho. É esse o pensamento comum de quem segue sem questionar as ordens do sistema. Se pudéssemos fazer uma comparação, o papel do "pai" da família que estava indo a Abilene, poderia muito bem ser da mídia, das regras sociais ou do próprio sistema que vivemos. 

E é por isso que temos que aguentar os erros e problemas que temos em nossa sociedade há mais de 100 anos. A sociedade brasileira, calada e submissa a tudo que vem do alto (líderes, autoridades, celebridades), prefere mesmo ficar "vivendo em Abilene", confiando cegamente em qualquer um que pudesse fazer o papel de tutor e em caso de fracasso, é só procurar um bode expiatório para assumir a culpa e ser punido por um erro cuja real responsabilidade é de todos os envolvidos. 

Assim funciona a nossa sociedade. Não há nada mais tipicamente brasileiro do que desejar fazer uma viagem a Abilene. Mesmo que tudo dê errado.

sábado, 23 de maio de 2020

Beber álcool virou virtude?

Desde que eu me conheço como gente, qualidades humanas normalmente são relacionadas com inteligência e caráter. A pessoa deve ser valorizada pela forma como enxerga o mundo e como trata as pessoas. Pessoas mais altruístas, mais simpáticas, mais inteligentes, que analisam tudo que acontece ao redor de forma objetiva e realista: são qualidades importantes e pessoas assim deveriam atrair mais amigos e pretendentes.

Só que visitando as redes sociais, algo estranho começa a acontecer com frequência: pessoas ostentando o costume de beber bebidas alcoólicas, principalmente cerveja e vinho, como se isso fosse uma qualidade admirável. Estranho, porque o álcool é fonte primária de embriaguez e mesmo consumida em moderação, altera o comportamento, diminuindo um pouco a percepção do mundo real.

Mas aí eu pergunto: que valor positivo transmite o consumo de bebida alcoólica? O que uma pessoa ganha em beber álcool? Amigos? Amigos deste tipo? Sinceramente achei que a amizade deveria nascer do caráter e não do costume de encher a cara para cair depois. Mesmo que não caia.

O que tem de tão necessário encher a cara para gerar uma alegria que não é natural, que não vem da alma da pessoa? Uma alegria vinda de um copo de líquido? Como assim? Como uma alegria gerada desta forma pode se considerada verdadeira? Está na cara o fato de que quem precisa beber para se alegrar não é uma pessoa naturalmente alegre. Deve ser uma pessoa chata pra cacete!

Porque então surgiu o costume de ostentar o consumo de bebida alcoólica como se isso fosse ao mesmo tempo motivo de orgulho e qualidade a ser admirada? Se quer beber, beba! Mas para quê ostentar? 

Antigamente, em um passado não muito recente, ostentar bebedeira passaria uma imagem desagradável de pessoa irresponsável. Mas com o politicamente correto e o politicamente incorreto, que serviram para dar uma revisada nos conceitos de moralidade, tornando-os relativos, este tipo de ostentação passou a ser vista como positiva, dando a impressão de alguém que "sabe se divertir".

Talvez este novo conceito, ainda estranho, estimule as pessoas a ostentarem este tipo de consumo. "Olha, eu bebo, veja como eu sou divertido!". Parece a tônica deste tipo de ostentação.

Não sei. Acho melhor não ostentar. E ainda acho que a verdadeira alegria deve vir de dentro. Sei que vivemos em uma realidade complicada e se alegrar nela de forma natural é tarefa para poucos. Por isso muita gente prefere colocar uma substância que altera o cérebro para se sentir bem. 

Mas cá para nós, se você tem que beber para ser feliz, é porque VOCÊ NÃO É FELIZ! De gente chata estou cheio! Prefiro aguardar alguém que se alegre de verdade. Nem que eu morra antes disso.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Queremos a volta da Matchbox para o Brasil!

Sou um colecionador de carrinhos de ferro. Até me arrependi de ter me livrado de muitas raridades que tinha quando criança. Achava que adolescentes e adultos não colecionavam carrinhos do tipo. Retomei a coleção no começo dos 30 anos e hoje tenho cerca de 100 carrinhos, de diversas fabricantes, Hot Wheels, Maisto, Majorette, Welly e Matchbox.

Esta última é a minha favorita pois, além de ser a principal marca que existia na minha infancia, é a que oferece maior diversidade de modelos. Ainda havia a Rei, que foi extinta, mas era marcada pelo realismo de seus modelos (havia até uma miniatura da Viação Cometa estampada em um modelo real da GMC, que a empresa não chegou ater na realidade). Da Majorette, eu tive o brinquedo que mais gostei em toda a minha vida, uma miniatura de um ônibus francês real.

Mas a Matchbox, marca que era representada no Brasil pela mesma Mattel que distribui a Hot Wheels, não está chegando aqui. Fala-se até em extinção, apesar de ter um público fixo e de ser sucesso de vendas. Desconhece a verdadeira causa disso, e fala-se até que a marca está "bobeando".

A Matchbox deveria se aproveitar da pouca diversidade dos modelos da Hot Wheels, que é a mais famosa atualmente, mas que vem deixando a desejar nos modelos que oferece nos últimos anos. Geralmente poucos carros interessantes e muito relançamento com outras pinturas (o que até gosto, mas é motivo de  reclamação de muita gente. Outras marcas como a Greenlight e a M2 chegam ao Brasil para oferecer miniaturas de melhor acabamento para concorrer coma Hot Wheels. A Maisto e a Majorette, com varias exceções, oferecem acabamento inferior ao da HW, afastando a clientela. A Maisto pelo menos capricha em miniaturas de dimensões maiores, bem caras.

Que a direção da Mattel pense e volte a trazer a marca Matchbox ao Brasil, ou que pelo menos outra fabricante se interessem trazer a marca para cá, agradando fãs e colecionadores que gostam de diversidade nos modelos de miniaturas. Essa marca marcou (sem trocadilhos) a minha infância e gostaria de comprar as remessas mais recentes, cheios de modelos interessantes.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O futuro dos blogues diante da hegemonia das redes sociais

Um jovem blogueiro asiático havia dito poucos anos atrás que as redes sociais estavam matando os blogues. As redes sociais possuem características simples demais que favorecem a leitura e a interação de quem não quer "perder tempo" com análises mais profundas. 

Isso inclusive facilitou o crescimento do direitismo em nosso país, pois boatos que inventavam uma vilania das ideias e personalidades de esquerda foram difundidas de forma mais simplória possível, numa linguagem fácil de ser assimilada por quem não tem o hábito de pensar, questionar e analisar.

A facilidade das redes sociais e a possibilidade de ser lida facilmente em celulares, dispensando o uso de computadores, acabou transformando os blogues em algo que, se ainda não está obsoleto, caminha para ser em um futuro próximo. 

Blogues e mais blogues veem reduzidas drasticamente suas leituras. Este blogue está com o número de visitar drasticamente reduzido. Apesar de publicado na internet e com boa presença em sites de busca (acreditem, apesar das visitas ínfimas, não estou na deep web. Me procurem no Google e irão achar), o índice de leitura pouco vai além de uma média de 30 visualizações diárias, baixíssimo por sinal.

Não sei se está valendo a pena manter este blogue. A impressão que tenho que ele está sendo escrito para mim mesmo. Penso em acabar com ele, mas lanço aqui temas que ninguém tem o costume de escrever. O que se vê nas redes sociais é majoritariamente a repetição de conceitos e estereótipos consagrados pela mídia oficial, sobretudo a televisão. Será que ampla maioria das pessoas gosta mesmo de mesmice, como eu sempre acreditei?

O certo é que algo precisa ser feito. Pois é incômodo escrever um blogue diário para ser lido apenas pelo próprio autor. Não vale a pena.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Mulheres solteiras são mais presas a ilusões. Será que é por isso que estão solteiras?

Não estou tendo paciência com aplicativos de paquera. Salvo raras exceções, a maioria das mulheres demonstram uma vida bem fútil, descerebrada, idiota mesmo. Há a frequente mistura entre futebol-religião-cerveja que é ostentada com estranho orgulho. Orgulho de quê? De ser alienada?

Fora a trilha sonora meio duvidosa mostra nos perfis. Mesmo as que colocam música de qualidade neles, parece ter sido colocado só para aparecer. Como bibliotecas cheias de bons livros nunca lidos em lives do YouTube. No fundo, legal mesmo é aquele "funk" grotesco, o "sertanejo" machista e bebum e aquele popinho juvenil com muitos dançarinos com letras que falam mal dos namorados dos cantores.

Curioso que quase todas elas reivindicam um relacionamento sério. Mas como ter um relacionamento sério sem ser sério. Ah! "Não se pode ser sério o tempo todo", dizem muitos. Mas quem disse que o oposto de sério é ser idiota? Como querer um relacionamento sério mostrando em seu perfil referenciais cretinos? Futilidade garante o sucesso dos relacionamentos? Creio que não.

Tudo bem que o povo brasileiro é meio fútil - por isso que tem o fútil-bol como seu maior ópio pseudo-cívico. Afinal é um bebê grandalhão de apenas 520 aninhos de pura travessura. Mas é um bebê que , salvo exceções, se recusa a sair de seus balbucios pueris. O comportamento mostrado nas redes sociais é um sintoma desta imaturidade, ainda crônica.

Mas aí eu me ponho a pensar: porque as mulheres de aplicativos de namoro fazem questão de serem tão fúteis? Se observarmos que existem mulheres de personalidade marcante que estão casadas, podemos imaginar que esta futilidade pode ser a razão das mulheres estarem encalhadas.

É sabido, embora pouquíssimo comentado, que nos últimos 20 anos, homens tem dado preferência para mulheres mais intelectualizadas e independentes. Mesmo homens riquíssimos e influentemente poderosos já preferem mulheres independentes para não pagar mico com  gafes resultantes da burrice e para explorar a independência delas, para evitar o mito do "casal grude", que desagrada as elites, as liberando para elas circularem sozinhas para onde quiserem.

Sendo as inteligentes e classudas as mais cobiçadas, o que sobra? Sobra o oposto. Isso acaba por derrubar vários mitos, o de que os homens preferem as burras e o mito de que as solteiras são as melhores. Uma lenda sem pé nem cabeça que estimula o otimismo desenfreado de muita gente, que pensa que estes aplicativos de paquera são o verdadeiro paraíso.

Não há "muitos peixes no mar". Nem adianta insistir. Imagine que até um certo nível do mar habite os peixes mais bonitos e suculentos. E que na profundeza vivem os peixes mais estranhos, vários venenosos. Agora entenda que os peixes das camadas mais são mais pescados do que os das profundezas. Os aplicativos de paquera representam estas profundezas. Cada coisa que aparece!

Enquanto a publicidade vai inventando maravilhas sobre os aplicativos de paqueras, cheio de solteiras chatas para encher o saco da qualquer homem, as pessoas normais continuam a arrumar seus parceiros de forma tradicional, a maioria se envolvendo com colegas de trabalho, colegas de colégio, vizinhos ou frequentadores de bares e boates. 

Tem gente que sabe onde conseguir o que realmente é bom para si, sem cair na conversa mole publicitária de quem ganha dinheiro oferecendo aplicativos de paquera.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

As polêmicas em torno da imbecilização cultural

ENCORPANDO A VITAMINA: O texto abaixo, escrito pelo jornalista Alexandre Figueiredo, hoje editor chefe e redator do portal Linhaça Atômica, mostra o que estamos fazendo com a nossa cultura, refém do mercado e da mídia, cada vez mais transformada em fonte de renda para quem não quer se envolver com utras formas mais honestas de ganho.

Cultura é coisa sagrada e associá-la ao mercado tem sido fatal e está muito difícil reverter esta situação. Só que, sociedade e mídia, ao invés de proporem soluções, só aumentam ainda mais o problema, resultando tudo nisso aí como está e impedindo a evolução intelectual de toda a sociedade, transformada em um monte de zumbis alegres e submissos.

As Polêmicas em torno da Imbecilização cultural

Por Alexandre Figueiredo - Blogue Mingau de Aço 14/09/2014


Felizmente, recomeçamos a debater a cultura. Depois de dez anos intimidados por uma intelectualidade - de Milton Moura a Pedro Alexandre Sanches, passando pelo tecnocrático Ronaldo Lemos - que defendia, com "categoria", as tendências duvidosas lançadas pelo jabaculê, retomamos o debate sério que não teme desmitificar o "estabelecido".

Afinal, era muito simplório acreditar no que a intelectualidade dominante dizia, achando que basta a Economia para salvar a Cultura. Prevalecia a utopia, que depois se tornou inútil, de que bastasse um programa trainée para transformar os ídolos brega-popularescos em "novos gênios da MPB".

Muitos apostaram, em vão, que Chitãozinho & Xororó reviveriam o Clube da Esquina, que Alexandre Pires seria o novo Wilson Simonal, que o "funk carioca" seria o novo mangue bit, que Joelma e Chimbinha trariam de volta a Tropicália, que Frank Aguiar faria renascer o baião e Victor & Léo a moda de viola, felizes na tese confortável mas não muito confiável de que "tudo é MPB". Há quem ache, pasmem, que até o MC Naldo e MC Buchecha fariam reviver o astral da Bossa Nova no nosso país.

Pois nem tudo é MPB, porque a MPB não se define por lotações de plateia. A sigla é uma combinação entre os termos "música", "popular" e "brasileira". Evidentemente ocorrem eventuais tensões entre essas três palavras, mas o que prevaleceu, nos últimos dez anos, no discurso intelectual, foi a ênfase, ainda que um tanto discutível, da palavra "popular" na referida sigla.

Um tanto discutível, sim. Afinal, o que é "popular" hoje em dia? Será que o povo realmente gosta de brega-popularesco? A ditadura midiática inclui no seu cardápio a ditadura do marketing, e o chamado gosto popular é claramente manipulado pelas intervenções midiáticas, processo há muito conhecido na Teoria da Comunicação.

Teoria hipodérmica? Talvez. Embora muitos vejam no exagero dessa teoria, que analisa o processo de manipulação midiática na vontade das pessoas, é evidente que muito do sucesso do tal "mau gosto" na apreciação popular se deve à insistente campanha persuasiva da grande mídia. A ditadura midiática manipula o povo pobre pela cultura, não pelo noticiário político que muitos não conseguem  entender.

IMBECILIZAÇÃO CULTURAL

O debate foi aquecido por um artigo de Mino Carta na sua revista Carta Capital, intitulado "A Imbecilização do Brasil". A ideia trabalhada pelo autor de que os grandes mestres de nossa cultura são em maioria idosos já foi descrita neste blogue no texto que se refere à MPB autêntica. Cabe destacar o primeiro parágrafo do impactuante texto de Mino.

"Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Claudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…"

Em seguida, veio o texto de Cynara Menezes, intitulado "Em Que Tipo de Arte Você Acredita? Ou: A Imbecilização da Elite", contestando a tese de Mino de que haja um "deserto cultural" no país, afirmando que "uma nova cultura está surgindo, mas é preciso ter olhos para vê-la".

Embora a exposição de Cynara seja correta, e ela é bastante pertinente quando se fala da imbecilização das elites, a abordagem dela a respeito da enorme produção criativa que vem em torno das periferias sempre requer alguma cautela.

Afinal, se aceitarmos apenas a tese de que tudo que vem do povo pobre é criativo, sem verificarmos sua qualidade ou seu processo, iremos cair nas mesmas armadilhas que os intelectuais dominantes montaram em torno do discurso que prevaleceu sobre a tal "cultura das periferias", misturando alhos com bugalhos, trigo com joio, juntando criativos e medíocres, honestos com fraudulentos, folclore com jabaculê.

AS ELITES IMBECIS SEMPRE ACEITARAM O "BREGA-POPULARESCO"

Evidentemente, seríamos injustos se disséssemos que não há um novo Chico Science surgindo nas garagens das zonas urbanas diversas. E devemos fazer justiça à arte dos grafiteiros, que não substitui a dos grandes quadros, mas a complementa como uma nova linguagem, um novo tipo de expressão.

Da mesma forma, o rap não substitui a música que tradicionalmente conhecemos, com voz cantada e instrumentos de verdade, mas é um outro tipo de expressão. O hip hop conquistou seu espaço, mas a intelectualidade é que costuma superestimar seu papel na sociedade brasileira.

Por outro lado, a intelectualidade dominante, aquela que acreditava que o jabaculê radiofônico dos últimos 20 anos iria definir o folclore de amanhã - através de acadêmicos-estrelas como Milton Moura, Hermano Vianna, Ronaldo Lemos, Paulo César Araújo e o festejado crítico Pedro Alexandre Sanches - tentou distorcer muitas abordagens em torno da cultura das classes populares.

Na sua gororoba discursiva em que o sofisticado "justificava" o grotesco e o moderno "justificava" o cafona, esses intelectuais chegaram mesmo a uma ideia simplória de que as periferias só ouviam duas coisas: hip hop e "funk carioca".

E esses intelectuais são contrários ou alheios ao poder midiático? Eles estão de fora da chamada elite imbecilizada? Não. Eles são produto dela, são produtos de um projeto intelectual sobre cultura popular lançado pelos mesmos acadêmicos que hoje estão no PSDB, a partir do próprio Fernando Henrique Cardoso, para o qual a cultura não deveria estar excluída de sua agenda neoliberal.

Muitos intelectuais também são gente de elite, e eles também têm seus preconceitos. São tão preconceituosos que ninguém percebeu que, quando alguém tem vergonha de seus defeitos, tenta parecer forçadamente o contrário deles. Daí o discurso "sem preconceitos" que enganou muita gente.

Os pontos de vista dessa intelectualidade eram empurrados para a agenda esquerdista, mas a grande mídia, mesmo a mais reacionária, assinava embaixo. Daí a desconfiança. Há vários jornalistas da Folha de São Paulo e de O Globo escrevendo igualzinho a Pedro Alexandre Sanches. Que escreve igualzinho a Caetano Veloso na sua coluna. Qual é a diferença?

Para uma geração que se educou com apenas o monopólio de três críticos musicais - Álvaro Pereira Jr., Tom Leão e Carlos Albuquerque - que sobrou depois do colapso da revista Bizz (que nos anos 80 era a principal fonte de aprendizado cultural da juventude moderna), as avaliações sobre cultura brasileira acabaram polarizando entre o elitismo de Reinaldo Azevedo e o paternalismo de Pedro A. Sanches.

De um lado, as elites mais fechadas querendo proteger seu gosto musical erudito. De outro, elites mais flexíveis que não deixam de proteger seu gosto musical, também flexível, mas sempre comprometido a alguma vanguarda artístico-cultural.

Os primeiros atacavam o brega-popularesco, porque querem ver os pobres na pior. Os segundos defendiam o brega-popularesco, porque querem ver os pobres no "menos ruim". Mas nem uns nem outros são muito diferentes assim. Afinal, os "generosos" defensores do brega-popularesco acreditam na domesticação do povo pobre, seu elitismo, em vez de ser intolerante, é tão somente paternalista.

Só que num caminho ou em outro, vemos Gilberto Dimenstein, Nelson Motta, Marcelo Madureira, Marcelo Tas, Carlos Alberto di Franco, Miriam Leitão e William Waack, todos da mídia direitista, expondo os mesmos pontos de vista que vemos em Pedro Alexandre Sanches e até mesmo num dirigente funqueiro protegido dessa intelectualidade, MC Leonardo. Coincidência? Não. É afinidade de interesses.

E por que o jornal O Globo dá tanto cartaz a Paulo César Araújo, queridinho das "esquerdas médias"? Outra coincidência? Até agora não soube de qualquer informação de que o autor dos livros Eu Não Sou Cachorro Não e Roberto Carlos em Detalhes tenha juntado guerrilheiros zapatistas para invadir o prédio do jornal na Cidade Nova e criar uma rebelião guevarista lá. Se houvesse, ao menos a Globo News teria noticiado, o que nunca ocorreu.

Deixemos de brincadeira. Tivemos uma intelectualidade cultural que também é reflexo da ditadura midiática em que vivemos. E Mino Carta, neste caso, tem razão, quando não temos mais um novo José Ramos Tinhorão para realizar verdadeiras polêmicas (ele ainda está vivo, mas se aposentou). Mas temos um Eugênio Arantes Raggi que soa como se Reinaldo Azevedo virasse uma caricatura do Tinhorão.

A intelectualidade cultural dominante apenas prolongou e agravou a imbecilização cultural que tomou conta das emissoras de tevê e do rádio, e que empurrou a breguice até para o público universitário. Isso por conta de seus malabarismos "científicos" para tentar provar que o jabaculê de hoje é o folclore do futuro, protegidos pelo rótulo "popular" que permite qualquer baixaria que ocorra nos subúrbios e roças do país.

Numa tentativa de equilibrar as duas teses, podemos concordar com Mino Carta de que não existem grandes mestres com visibilidade, como tínhamos em Tom Jobim, Cartola, Guimarães Rosa, Otto Maria Carpeaux, Joel Silveira, Mário de Andrade, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Rubem Braga,  Raymundo Faoro, Clarice Lispector etc.

Por outro lado, podemos concordar com Cynara Menezes, de que haja gente bastante criativa nos vários cantos de nosso país. E podemos reconhecer que, no exemplo da arte de atuar, temos grandes talentos como Lázaro Ramos e Marcelo Adnet, pessoas muito dinâmicas e criativas, grandiosos talentos. Adnet anda feito trabalhos medianos ultimamente, mas se ele quiser ele cria ou se envolve com grandes obras.

Talvez o grande problema está no desequilíbrio que temos entre a qualidade artística e criativa e a visibilidade midiática. Temos pessoas muito criativas hoje como há 50 anos atrás. O problema que elas não aparecem. É a grande mídia que não abre muito espaço a elas e, quando abre, é sempre em segundo plano.

Por outro lado, a grande mídia sempre acreditou que a imbecilização é que chama mais público. E que seus intelectuais associados (de forma não-assumida por eles) tentaram relativizar a imbecilização tentando promovê-la como "outros valores culturais". Essa visão não deu certo, até porque não ultrapassava os limites dos interesses midiáticos que não conseguiram resolver as tensões acerca do tema cultura brasileira.

40 anos do suicídio de Ian Curtis

Para quem gosta de New Order e Joy Division, como os membros que administram este blog, hoje é uma data especial. Triste, é verdade. Mas especial e marcante. Completa hoje a quarta década de ausência do poeta Ian Curtis, letrista e vocalista do Joy Division, banda cujos membros remanescentes criaram a New Order após o falecimento dele.

Muito se especula sobre os motivos do suicídio de Ian, encontrado enforcado em sua casa, após ouvir o álbum The Idiot de Iggy Pop (que, coincidência ou não, foi convidado para fazer a vocal décadas depois em uma música do New Order, Stray Dog, no álbum Music Complete), pendurado com cordas de varal de roupas.

Embora o Wikipedia fale que o estopim para o suicídio fosse a descoberta do relacionamento extra-conjugal de Ian, preferimos acreditar que a decisão de se matar foi resultado de uma série de fatores. Todos juntos, contribuindo para aumentar a depressão de alguém que sempre vivia infeliz. Cujos sucessos na vida eram incapazes de o alegrar.

Para começar, ele tinha depressão crônica desde a adolescência e era epiléptico, portando uma doença que além dos sintomas conhecidos (a estranha dança de Curtis seria na verdade um ataque de convulsão), gera ainda mais depressão, por gerar verdadeiras gafes diante de outras pessoas.

Curtis também se incomodava com o sucesso. Ele queria fazer música mas não se tornar uma estrela. Como seu "mentor", o falecido líder do Doors, o também poeta Jim Morrison, estava muito mais preocupado em fazer arte do que se tornar um pop star. Há versões que consideram a então vindoura turnê estadunidense da banda como estopim para o suicídio.

De qualquer forma, foi triste a morte de Ian, pois o Joy Division exalava beleza em sua tristeza. Era uma banda cuja sonoridade é atemporal e membros deste blog ouvem de vez em quando músicas do Joy Division para relaxar ou meditar.

Tudo bem que após o ocorrido, surgiu a excelente New Order, uma de nossas bandas favoritas. Mas reconhecemos que mesmo após o falecimento, o legado de Ian permanece até mesmo nas canções mais alegres da nova banda, pois há presença nítida das mesmas influências que frequentavam as vitrolas que o falecido líder do Joy Division usava para ouvir música.

Embora, em matéria de letras, o New Order nunca conseguiu atingir a metade da genialidade de Ian Curtis, já que a preocupação com o instrumental, mesmo nas faixas vocais, foi bem maior que as letras, na banda cuja liderança caiu sobre Bernard Sumner, que assinava como Bernard Albrecht, nos tempos em que o líder da banda anterior estava vivo.

Fica aqui a nossa singela homenagem a Ian Curtis e ao seu Joy Division e sua lindíssimas canções. Mesmo doente e deprimido, Ian conseguiu de certa forma levar alegria para muita gente, que mesmo triste, se consolava em ouvir as canções escritas por alguém que lhes assemelhava, tão triste quanto quais quer fãs.

domingo, 17 de maio de 2020

Ninguém leva a sério a paquera

É estranho que algo que resultaria em um relacionamento estável, compartilhando problemas, educando filhos e administrando o cotidiano, comece como uma brincadeira meio infantil. As pessoas, na fase inicial de paquera, agem como perfeitos imbecis, o que dá oportunidades gigantescas de cometer erros na escolha dos parceiros.

Mesmo que no início não se tenha compromisso e nesta fase o relacionamento se encontra na condição de teste, deveria haver uma certa seriedade no processo de conquista. A escolha de um parceiro deveria levar em conta um nível cada vez maior de afinidade, pois caso resulte em matrimônio, é com esta pessoa que você passará boa parte do tempo debaixo do mesmo teto.

Para se ter uma ideia de como ninguém leva a sério a conquista amorosa é só reparar no lugar imposto como lugar de paquera: bares, boates e lugares semelhantes. Uma espécie de "parque de diversões" para adultos, onde a embriaguez faz o papel de misto de "montanha russa" com "trem fantasma". Como analisar bem a personalidade de alguém com a cara cheia e a lucidez ausente?

Para piorar, muitos dos relacionamentos dão sinais bem claros de que foram pessimamente escolhidos. O aumento da violência doméstica tem servido de comprovação. Relações onde os cônjuges brigam violentamente, não raramente resultando em mortes e danos não somente para os próprios como para parentes, amigos e quaisquer envolvidos.

Mas mesmo com estes relacionamento danosos, as pessoas continuam a repetir o erro de infantilizar a fase inicial de conquista amorosa, com conversa mole e sem analisar de forma racional a personalidade do pretendente, adiando para depois do matrimônio a oportunidade de conhecê-lo melhor. Mas aí será tarde demais e danos fatais podem ser possíveis.

Porque as pessoas não levam a sério o processo de conquista? Porque a paquera tem que ser tratada como uma brincadeira? Porque as pessoas insistem no estereótipo de que pessoas bem humoradas são sinônimo de pessoas bem intencionadas? Fascista não tem seus momentos de descontração quando tudo está bem para o lado dele? Ou vamos ficar nessa de estereótipo do vilão de desenho animado?

Acho que a paquera deve levar em conta desde o início o que se pretende com o relacionamento. Os lugares de paquera e os métodos de conquista deveriam levar isso em conta. Quer alguém intelectualizado? Paquere em biblioteca. Quer alguém romântico? Paquere em floriculturas. Quer alcoólatra? Paquere em bar. E assim por diante.

Seria uma forma ótima de evitar erros na escolha de um companheiro. E uma forma de tentar garantir um relacionamento sadio e que sirva de um bom aprendizado de vida para o casal a ser formado.

Dennis Hopper faria 84 anos hoje

OBS: Hoje seria o aniversário de 84 anos Dennis Hopper. Daqui a poucos dias será o de 10 anos de seu falecimento. Um ator revolucionário, de papéis curiosos que faz muita falta na atuação hoje em dia.

Vamos lembrar do ator que marcou muito na atuação em Easy Rider e em Blue Velvet com uma curta postagem escrita por mim, há quase dez anos atrás, sobre o anúncio do falecimento do ator.

Dennis Hopper se foi

Augusto Gomes - Loucos por Facebook, 29/05/2010

Faleceu hoje o ator, diretor e roteirista Dennis Hopper. Ele tinha 74 anos e estava tratando de Câncer da Próstata (viu, encarar o dedo não é covardia e ainda salva vidas).

Era um excelente ator e a maior parte de seus papéis era de vilão, que sempre "roubavam" a cena, muitas vezes ofuscando o protagonista. Os destaques de sua carreira estão uma brilhante atuação em Blue Velvet, de David Lynch (como Woody Allen, um dos pouquíssimos cineastas realmente artísticos dos EUA) e a obra-prima do psicodelismo Easy Rider, no quel além de atuar, fez o roteiro e dirigiu. Ele também estava em Apocalypse Now, um dos filmes mais tristonhos que assisti.

Uma pena. Mas ele sempre será uma lição que vai ficar para jovens atores.

Valeu, Dennis! Obrigado por tudo! Descanse em paz!

sábado, 16 de maio de 2020

A questão da violência doméstica

Antes de tudo quero dizer que a violência contra a mulher me irrita. Não é preciso ser mulher para entender que uma situação como esta representa um pesadelo pavoroso para as suas vítimas. Quem tem compaixão, inteligência e um pouco de senso crítico é capaz de entender esta situação. Vítimas de bullying também compreendem a situação, que não é muito diferente.

A violência doméstica, infelizmente tem crescido junto com ideais fascistas e não considero isso uma coincidência. Vivemos em uma onda de ódio estimulada pela ganância capitalista, que transforma a luta pela sobrevivência em uma competição sanguinária em que todos lutam pelos poucos benefícios distribuídos à população, enquanto a prosperidade plena é reservada a um punhado de magnatas.

Esta onda de ódio tirou da Caixa de Pandora um festival de disputas e de preconceitos. que fazem pessoas no mundo inteiro brigarem entre si. Contrariando previsões de religiosos e místicos, a humanidade dá seus sinais de piora, o que mostra que precisamos de muito mais tempo para evoluirmos. 

O tempo que se iniciou com o primeiro homem e hoje é insuficiente para um aprendizado correto sobre nós mesmos e o mundo que nos rodeia. Ainda continuamos muito infantis (vejam a forma como nos divertimos, de forma alienada e irresponsável) e não sabemos como nos relacionar com os outros, ainda querendo ser mais e ter mais que outras pessoas. Falamos mal da corrupção, mas nuca recusamos a oportunidade de nos darmos bem através da trapaça.

Lavar a "honra" com sangue

Neste cenário de ódio ressurge o machismo com toda a sua força. Homens ainda são educados para serem fortes e destemidos e mesmo educados por mulheres, não se sabe como, desenvolvem um ódio contra o sexo oposto, convertido em um misto de troféu (de masculinidade? Ora, que ridículo!) e brinquedo sexual. Um item a mais no patrimônio masculino.

Quando a mulher falha em algum aspecto, o homem, que se acha dono dela, parte para a ignorância e seguindo um estranho dogma machista, agride a mulher sem ter medo de assassiná-la. Pois na mente irracional do machista, se deve "lavar a honra com sangue", mesmo que depois o homem seja punido, morto ou se mate. Na cabecinha oca do "machão", salvar a "honra" é prioridade máxima.

Mas que honra idiota é essa que se tem que matar uma mulher? Se nem por motivo justo se deve agredir alguém, pois não há nada que não seja possível de resolver com um diálogo, imagine por motivos fúteis, como errar na compra de um produto para casa? Se machistas agridem, é porque não sabem dialogar. Uma prova do caráter irracional do machista.

Sinceramente, não há honra nenhuma em ofender, agredir ou matar alguém. Mesmo que a outra pessoa esteja errada, afinal todos erramos por estarmos em processo de aprendizado constante, a melhor solução é, sem exceção, o diálogo. Se todos os casais conversassem mais, a violência doméstica seria uma ficção impensável. Lembrando que afinidade nem sempre é critério de escolha na hora de começar um relacionamento, embora dever ser.

Dá para prevenir a violência doméstica. E quase ninguém sabe disso

Claro que culpar a vítima é um erro, pois muita gente cai como vítima na violência, seja de qualquer tipo, sem saber qual a intenção do agressor. Mas há meios de se evitar a agressão, observando características típicas do agressor. Algo que as mulheres não sabem ou fingem não saber, pois na mente delas um comportamento brucutu é sinônimo de proteção e segurança.

Não dá para converter um brucutu em gentleman, salvo raríssimas exceções (e quando é da vontade do próprio homem mudar o seu comportamento). Esquece este romantismo idiota de que isso é altamente possível. A vida não é uma comédia romântica, como muitos pensam.

Sei que para as mulheres é prazeroso mudar o comportamento de um namorado ou marido. Mas a teimosia faz parte do machismo e mudar muitas vezes é um sinal de derrota para os "machões". E machistas odeiam derrotas. Justamente quando se acham derrotados é que os machistas partem para a agressão. E quem estiver na frente de um machista irado, vai apanhar.

O meu comentário deixou subentendido que uma das primeiras coisas a fazer para prevenir a violência doméstica é saber escolher homem. É algo bem complicado, pois a nossa sociedade não leva a sério o processo de conquista e o estereótipo do "Tio do Pavê" dificulta para que as pessoas enxerguem vilania em um grosseirão de tom de voz agressivo.

Muita gente pensa que o comportamento agressivo de uma pessoa não estereotipada como bandido é uma brincadeira que merece ser desprezada. Mas não é. As mulheres precisam parar de pensar que um comportamento agressivo é sinal de coragem e decisão. 

Até porque machistas, no fundo, são medrosos e indecisos. Não sabem o que querem até pelo fato de serem irracionais. Só usam o cérebro na hora de ganhar dinheiro. Fora disso, desligam totalmente a cabeça e agrem como primatas mesmo quando estão alegres. E alegria não é sinônimo de bom caráter, pois há maus que vivem sorrindo e muita gente boa que vive chorando.

As mulheres, aos poucos vão percebendo a necessidade de mudar critérios de escolha

Algumas mulheres já começam a mudar critérios de escolha de homens, principalmente nos países desenvolvidos. Homens mais meigos, que antes eram sinônimo de insegurança e frouxidão, tem sido escolhidos por mulheres lindas e cobiçadas e surpreendendo na capacidade de proteger as suas amadas, com um comportamento gentil, decido e racional.

No Brasil, isso acontece de forma tímida e muito lenta. Latinas ainda sentem um certo fascínio por bad boys e isso é reforçado pelo fato das conquistas amorosas ainda não serem muito levadas a sério, tratadas como brincadeiras de recreio em escola primária.

Mas se as mulheres mais jovens quiserem evitar a violência doméstica ainda forte nas gerações anteriores, é indispensável mudar os critérios de escolha de pretendentes. É importante nunca esquecer que o machismo continua forte e transmitido de geração a geração. O machismo ainda é bem forte em homens jovens, que enxergam na masculinidade motivo de orgulho e empoderamento capaz de fazer os homens passarem por cima de quaisquer pessoas que julguem inferiores.

Uma dica: procurar homens mais meigos e intelectualizados. As mulheres deveriam estudar mais sobre diversos assuntos para tornarem capazes de detectar intelectualismo em homens. Agressores são burros e por não saberem argumentar, agridem. Intelectuais conversam. 

Mas cuidado: se alguém parecer intelectual e agride é porque é um farsante. Mas o tom de voz denunciará o pseudo-intelectual mesmo quando está alegre. A um jeito agressivo de se alegrar muito peculiar de machões, que poderia servir como sinal para se prevenir contra a violência doméstica.

Procurar em lugares frequentados por homens sensíveis e inteligentes

Vejo muita semelhança na personalidade de todos os agressores. Todos tem os mesmos trejeitos e costumes e normalmente tem nos bares e boates o seu habitat natural. Mudar o lugar de paquera é outra medida a ser feita. As mulheres deveriam procurar seus pretendentes em lugares que possam ser frequentados por homens sensíveis e intelectualizados. 

Museus, bibliotecas, jardins, exposições de flores, feiras de livros, entre outros similares a estes, são lugares que podem oferecer às mulheres a oportunidade de encontrarem homens capazes de respeitar as mulheres e estabelecer diálogos frequentes que ajudarão o casal a se crescer junto no caminho da evolução humanitária. Pois o aprendizado mútuo é o verdadeira finalidade do relacionamento a dois. 

Pena que muita gente se esquece disto e insiste pelos velhos costumes na hora de paquerar e iniciar um relacionamento. Por isso que a violência doméstica é uma realidade que cresce e não dá sinais de que vai acabar. Até porque é resultante de costumes que a sociedade insiste em manter. Até porque causas antigas, consequências antigas. Que tal mudar isso?

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Eu não tenho esperanças na vida afetiva

Sei que, pela minha idade, eu já deveria estar comemorando um casamento longo ou tentando iniciar outro após fracasso anterior. Mas na verdade eu nunca casei. Namorei pouco e todos os relacionamentos foram fracassados. 

Cometi muitos erros na minha vida que me impediram de estabilizar a minha vida na idade certa e me encontro ainda numa fase de incerteza profissional e afetiva. O emprego vem, já que é uma questão de sobrevivência. Já o afeto, apesar de extremamente necessário, terei que abrir mão. Está complicado!

O problema é a mentalidade do povo brasileiro. Embora o Brasil tenha vocação para a diversidade, parece que um pacto invisível feito por cerca de 90% da população brasileira (90% de 200 milhões é muita gente!) tratou logo de uniformizar costumes, crenças, ideias e gostos. Isso acabou criando um padrão de comportamento que acabou infantilizando o povo brasileiro.

Como achar uma pessoa que corresponda a meu modo de pensar, divergente deste pensamento coletivo que perpetua a alienação? A vida a dois exige afinidade, senão total, em nível muito alto. Na falta de afinidade, o ideal seria o amor livre. Mas como casamento é regra social, tá, vamos casar. Mas como arrumar alguém com nível de afinidade alto para ser minha mulher?

Mas a maioria das pessoas esnoba a exigência de afinidade para o sucesso de um relacionamento. Existe até um considerável número de pessoas que sente fetiche por casais sem afinidade, com diferenças explícitas, acreditando que seria uma prova da capacidade do amor em firmar casais. Infantilidade e cretinice puras.

Se esquecem que a falta de afinidade é a raiz de desentendimentos entre casais. Em casos extremos, é justamente esta falta de afinidade que causa a chamada violência doméstica. Mas a prudência não é o forte do povo brasileiro, incapaz de prevenir erros. 

Felizmente para mim não tem essa de violência. Isso é prerrogativa para trogloditas. Ainda bem que sou gente boa, sou contra a violência e prefiro resolver a falta de afinidade encerrando o relacionamento e deixando a mulher em paz, como fiz em meus namoros anteriores.

Mas se unir com alguém com pouca afinidade não vale a pena. A experiência de conviver com um divergente é desagradável. O relacionamento não anda. Desanda. Gostaria de que, na fase da vida onde estou pudesse finalmente encontrar alguém que combine comigo. Mas reconheço que isso seria muito mais possível antes do 20 anos, com garotas sem personalidade definida.

Só que na beira dos 50, as mulheres não apenas estão com a personalidade solidificada, como estão presas a ilusões que para elas, senão trazem benefícios, dão prazer e prestígio social. Mudar a mente de uma mulher nesta idade é impossível - e socialmente reprovável, se imposto. Mudar a minha mente para agradá-la também é desagradável, pois muitos valores defendidos pela maioria das pessoas - que diacho as mulheres tem o cacoete de seguir maiorias? - me incomodam.

É triste não ter afeto, o alimento da alma. Mas afeto não é gratuito, exige o pagamento de ter que aderir à vontade alheia e a ideais divergentes. Um preço que não posso, não quero pagar. Se afeto fosse a única coisa a oferecer em troca de afeto, seria ótimo...

Diante deste cenário, o jeito é viver só, somente só. Melhor ficar sozinho do que mal acompanhado e vou vivendo a minha vida, fazendo o que eu mais gosto na companhia da pessoa em que mais confio: eu mesmo. Não causo problemas, não incomodo ninguém e vou seguindo em frente. 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O que eu aprendi com os aplicativos de namoro

Vida afetiva é complicada. Embora muita gente pense que não, a vida amorosa é acima de tudo você colocar em sua vida uma pessoa estranha, educada de forma diferente, e que conviverá com você até o resto da vida, caso o processo de conquista "dê certo". Coloco aspas porque nem sempre uma conquista bem sucedida resulta em um relacionamento bem sucedido. Divórcios me dão razão.

Resolvi entrar em vários aplicativos de namoro, não para arrumar namorada, mas para entender como funcionam e quais os perfis de seus usuários. Claro que como só gosto de mulher - nada contra os gays, mas não preciso ser gay para defendê-los - eu analisei o público feminino. Embora não seja difícil imaginar que tipo de homem adere a este tipo de aplicativo, cá para nós, nada democrático.

Vou listar aqui o que eu aprendi com a experiência em aplicativos de namoro. Admitindo, para o bem e para o mal, que as pessoas mais sensatas conquistam de forma presencial, aproveitando as oportunidades que aparecem diante de seus olhos. 

Quem procura namoro por aplicativos, ou está desesperado ou quer apenas brincar. Pois, estes aplicativos não passam de meros joguinhos de sim ou não. Vamos ao que eu aprendi.

Recursos são limitados - Esses aplicativos são muito limitados em recursos. Não estimula as pessoas a escreverem em seus perfis e não favorece o contato dos "matchs" fora do aplicativo. Tudo deve ser feito pelo aplicativo. Até as versões pagas tem limitações, estendendo pouco em relação às versões gratuitas.

Limitação de lugar - os criadores de aplicativos entenderam que a paquera deve ser imediata. Por isso trataram de orientar os algoritmos para limitar geograficamente as opções de paquera. Ou seja, você só por de paquerar quem vive em uma área próxima de onde seu celular atua. Nem adianta mentir, o GPS do seu celular comanda o algoritmo. Se você mora no Rio de Janeiro e a sua possível "metade" só tem condições de ser encontrada em Fortaleza, o algoritmo nunca vai oferecer ela para você, que tem que se contentar com as cariocas destrambelhadas que estão ao seu alcance.

Aparência é que vale - Os aplicativos de paquera se baseiam no mito de que apenas a beleza física é suficiente para atração. Nada disso. Eu mesmo sou mais conquistado pela voz do que a aparência, além de concordar que a personalidade é o fator crucial para o sucesso de um relacionamento. Afinal, se eu quisesse beleza sem personalidade, adquiria um quadro e não uma namorada.

O erro está nas pessoas, não nos aplicativos - Aplicativos são criados para dar dinheiro para quem os cria. Aplicativos em si nada tem de errado, fora as limitações mencionadas. O que estraga esse tipo de aplicativo é a mediocridade de 90% de seus usuários, já que as pessoas sérias preferem a paquera presencial. Sensatos são minoria esmagada neste tipo de aplicativo. Normalmente, usuários costumam ser fúteis, infantis e presos a ilusões. É o que arruína tudo.

Virgem Maria ou Loira Gelada ou Virgem Maria e Loira Gelada - Quase a totalidade das usuárias de aplicativos é composta por mulheres bebuns ou mulheres beatas ou ainda mulheres ao mesmo tempo bebuns e beatas. Se quer fugir simultaneamente de álcool e de religião, desista de aplicativos. São esses os tipos de mulheres que encontrará.

Eu e você e o futebol - Em se tratando de Brasil, todo relacionamento periga em se transformar num menage a tróis: Você, sa namorada e o time dela. Se você gosta de futebol, corre o risco dela torcer pelo seu adversário. Se você não curte futebol, isso é uma cilada. Neste caso, pode esquecer as tardes românticas de domingo, quando o time dela for jogar. Ela vai te trair com 11 homens de uma vez só.

No Bumble, mulheres não sabem que a iniciativa parte delas - No Bumble, a coisa fica mais complicada porque a regra deste aplicativo é a de que as mulheres devem tomar a iniciativa. Como brasileiros são conservadores, encasquetaram na cabecinha oca de que "mulher é a caça e o homem, caçador", forçando homens tímidos a terem que tomar inciativa com mulheres extrovertidas. Acostumadas a serem cortejadas, quando da "match" as mulheres brasileiras ficam esperando e o que poderia virar um relacionamento agradável desce direto para o ralo. Morre na praia.

Muitos entram só para brincar - Pelo clima de excessiva descontração - quase infantil - desse tipo de aplicativo, é razoável saber que a maioria só está nessa para brincar. É como um video gema em que você olha para uma foto e aprova ou não. Quando dá "match" você ganhou o jogo. Mesmo que as pessoas estejam a procura de namoro, os aplicativos não deixam de ser reles passatempos para quem nada tem de realmente importante para fazer.

Se nasce um relacionamento bem sucedido de um deles é por pura sorte - Podemos considerar este tipo de aplicativo um jogo de azar: somente após incontáveis tentativas ou por um sorte bem forte que a busca resultará em um relacionamento destinado ao sucesso. Mas é algo que pode demorar muito para se concretizar para as pessoas menos "abençoadas pelo destino". Mas não custa tentar, preparando a paciência para esperar bastante até que dê certo.

Escassez de informações sobre o pretendente - Como nenhum deles obriga a pessoa a escrever um perfil, apenas estimula (o que acaba, na verdade, desestimulando, seguindo a lei do menor esforço), os perfis são vagos e possuem poucas informações sobre os pretendentes. Os aplicativos entendem que você descobrirá mais coisas durante as conversas, mas o risco de constrangimento e decepções é alto, pois por não saber como é a pessoa, a chance é grande de se esbarrar com um divergente.

Analisando quanto a oferta de pretendentes

Maior parte destas características não somente se referem a aplicativos de paquera/namoro, mas também a comunidades de redes sociais. O PTinder, por exemplo, não possui aplicativo (ainda em construção), mas já atua no Instagram através de um perfil oficial. 

Abaixo, eu listo os principais aplicativos de paquera e namoro quanto ao tipo de público mais frequente, analisando o perfil predominante de pretendentes. Me refiro ao público feminino, pois é o que eu analisei. Outras pessoas podem traçar o perfil masculino predominante de cada aplicativo ou comunidade. Vejam o que observei quanto ao tipo de público feminino predominante de cada um:

Dating (Facebook) - É o mais cafona deles. O público predominante é o de baixa renda e baixa escolaridade. Há muita gente feia e vulgar entre os usuários. Não recomendável para quem busca algo mais intelectualizado ou mais meigo.

PTinder (Instagram) - É uma comunidade de esquerda. Mas como esquerdistas brasileiros tem certos dogmas, prepare-se para ver muito drogados no ambiente. Religiosos, torcedores de futebol e alcoólatras são comuns, já que as esquerdas brasileiras estão presas a estes valores. Ah, se você adora carnes, como eu, desista. Veganos e vegetarianos são maioria no PTinder. Até porque as esquerdas brasileiras, mesmo altruístas, decidiram proteger primeiro os animais para depois os seres humanos.

Bolsolteiros - É uma comunidade de direita. Nunca entrei nele, mas conheço um esquerdista amigo meu que entrou sem revelar a orientação política e o analisou. Por ser de direita, o aplicativo é menos altruísta, tem gente mais interesseira e menos humanitária. Se o PTinder decepciona pelo humanismo frouxo, aqui nem falso humanismo há. Religiosos, bebuns e torcedores de futebol também existem aos montes aqui (claro, se trata de Brasil), mas com um índice maior de fanatismo. Há muita pose de intelectual, mas não espere ideias brilhantes por aqui. É tudo fachada. Mas há gente mais bonita aqui do que no PTinder, já que as elites se esforçam na sua "pureza estética".

Tinder - Por ser mais popular e o que mais tem inscritos, é mais eclético. Mesmo assim, o ecletismo tem limites, pois ateus, pessoas que não curtem futebol e pessoas que detestam o sabor da cerveja e o barulho dos bares são muito raros.

Bumble - É um Tinder um pouco melhorado. Mulheres cafonas e vulgares são raridade por aqui. Mas há muitas alcoólatras (talvez associando o Bumble não ao mel de abelha, mas ao "mé" do Mussum dos Trapalhões) e a iniciativa tem que vir das mulheres. Mulheres tímidas, sem iniciativa ou até preguiçosas, tem que se mexer se quiserem namorar, sem esperar alguma coisa dos homens, já que o aplicativo não permite iniciativa masculina.

Badoo - Por ser menos popular, é um Tinder meio cafona. Não há muito o que falar sobre ele, além da escassez de opções de pretendentes.

Par Perfeito - Semelhante ao Tinder, só que mais popular no Brasil, que no exterior. Muito limitado em sua versão gratuita, com menos recursos que outros aplicativos. Pelo menos na época em que usai, pois não verifiquei suas versões mais recentes. 

Há outros aplicativos que não testei, mas pelo que pesquisei em sites de busca, o POF (Pleny of Fish) parece o melhor, pois estimula a colocação de informações. Algo que possui o OK Cupid, ainda inédito no Brasil. Talvez eu precise dar uma olhada neles.

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