terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os limites da "liberdade de corpo"

Nos últimos anos, tem aparecido uma forma - falsa - de feminismo onde as mulheres supostamente usam a condição de objeto para enganar os homens e obrigá-los a satisfazer seus interesses. É uma espécie de "feminismo" cruel em que além do ódio aos homens, há o "direito" de ser vulgar e promíscua, como prostitutas assumidas que usam o próprio corpo como razão de existência.

Ontem, eu soube que a ex-líder da banda de technopop oitentista Eurythmics, Annie Lennox, declarou que o suposto feminismo de uma cantora de dance music, a superestimada Beyoncé, é uma farsa e também excessivamente sexualizado. Quem não conhece o verdadeiro feminismo se revoltou contra a declaração da veterana cantora. Mas quem conhece o verdadeiro feminismo e detesta vulgaridade, como eu, concordou e aplaudiu. Ou Beyoncé não sabe o que é feminismo, ou decidiu chamar sua atitude com este nome para dar um ar de "causa nobre" a algo que na verdade não passa de publicidade meio sem vergonha.

O falso feminismo consagrado nas mentes ingênuas da sociedade

Enfiaram na cabeça dos tolos que esse "novo" feminismo é o que deve existir. Um feminismo meio confuso, onde as mulheres, agora satisfeitas com as conquistas do mercado de trabalho, decidem retomar a condição de "mulher-objeto" e usar isso para explorar ao máximo os homens. Como se o feminismo fosse uma "vingança" contra o machismo e tivesse que incluir a vulgaridade para isso. 

E infelizmente, esse falso conceito de "feminismo" tem se tornado arraigado em nossa sociedade que vive cometendo o cacoete de acreditar que as coisas estão acontecendo como deveriam acontecer. Muita gente - muita mesmo - apoia essa atitude vulgar e burra embutida de maneira postiça no movimento. Triste saber que conceitos errados se consagram a cada dia.

Outra coisa. Noto que os homens estão cada vez mais explorados pelas mulheres. Casamentos por interesse aumentam (apesar do estigma negativo dado ao costume e o desuso social da expressão "golpe do baú), mulheres passam a agir de maneira cada vez mais masculinizada (é raro haver mulheres realmente meigas e a "cultura de rua" embutiu gestos bem masculinos que as mulheres passaram a utilizar). Neste "feminismo" tosco, as mulheres pretendem ser uma caricatura dos homens, se aproveitando que tomaram o lugar deles.

E o incrível é que justamente os homens não-machistas que levam a pior nesse "feminismo" de fachada. Os machistas continuam firmes, fortes e felizes, muitas vezes se casando com verdadeiras feministas, que em certos momentos largam a causa para se satisfazer economicamente e sexualmente com um machão estereotipado. E essas acabam moldando a sua personalidade em favor deles, se tornando tão babacas quanto os maridos machistas.

E as mulheres que já nascem babacas, ficam reservadas aos não-machistas que as não querem. Caso um aceite a namorá-las, isso não significa que elas deixarão de ser babacas. Parece que na era da mediocridade em que vivemos, ser babaca virou uma qualidade admirável, já que os babacas s~´ao mais divertidos, dando aquele estigma de "simpático" previsível.

Essas mulheres babacas são tidas como as "novas feministas", que acreditam que o "feminismo" que elas defendem deva ser vingativo e excessivamente vulgar. E não há limites para essa vulgaridade. Chato que a sexualidade, que é algo feito para ser particular e bastante pessoal, seja exposto de maneira cada vez mais coletiva, como se liberdade fosse sinônimo de transformar as ruas numa verdadeira orgia feita a céu aberto.

A liberdade como uma orgia coletiva feita ao ar livre

Não sou pudico, valorizo a sexualidade. Mas entendo que é algo para ser feito a dois, dentro de quatro paredes e debaixo de um teto. Uma orgia feita ao ar livre, como se pretende hoje em dia (as fotos de nu que as celebridades e pessoas comuns tiram com seus celulares é uma prova incontestável desse mórbido desejo pela orgia coletiva) soa como algo fora do contexto e desprovido do real prazer.

E Lennox está correta em criticar esse falso feminismo que coloca a vulgaridade como sinônimo de "auto-respeito". Beyoncé, Miley Cyrus, Pussycat Dolls e todas as cantoras-dançarinas que sexualizam demais, são uma tontas pervertidas que preferem fugir da acusação de desvio psicológico, chamando as suas taras particulares (que desejam que sejam consumidas coletivamente, com fãs, amigos e conjugues) de "feminismo". 

O falso feminismo das cantoras ruins

Lembrando que este falso feminismo surge para compensar a péssima qualidade musical de suas cantoras que preferem usar a música como fundo de seu proselitismo visual, quando deveria ser o contrário. Shows musicais hoje se tornaram mistura de pornochanchadas com teatros de revista mal resolvidos que os tolos insistem em chamar de "shows de rock" (sem tocar a música rock, de fato). É muita informação embolada e gravemente distorcida.

Elas não sabem de nada num mundo onde se lê pouco, se raciocina menos ainda e se acredita demais (sobretudo em pessoas e instituições com prestígio consagrado), fazendo com que informações se embolem, gerando os conceitos errados que contribuem para que todos os problemas permaneçam como estão.

Se elas tem o direito de fazer o que quiser com seus corpos e suas vidas que façam. De preferência entre quatro paredes. Só não tem o direito de serem vulgares e promiscuas. Elas poderão pagar um preço bem caro por expor seus corpos de maneira exagerada e irresponsável.

Nerd de verdade odeia tecnobrega e similares

Realmente o PIG (Partido da Imprensa Golpista, nome dado por Paulo Henrique Amorim aos meios de comunicação de mentalidade capitalista) não sabe o que é nerd. Para eles, nerd deve ser um tipo de retardado mental. É o que a Folha de São Paulo demonstrou achar.

Que história é essa de anunciar uma festa "nerd" com tecnobrega, um dos ritmos mais ridículos - e corruptos, importante alertar - do país, integrante do esgoto cultural conhecido como popularesco, feito para as massas acéfalas e cujos ritmos integrantes estão o "sertanejo", o axé, o "funk" carioca, o pagode e o brega propriamente dito, além de suas variações? Isso significa negar os atributos de um verdadeiro nerd!

Nerd é intelectualizado. Até quem acredita na versão estereotipada do nerd sabe disso. Nerd normalmente tem bom gosto musical. É incoerente com a sua capacidade de raciocínio gostar de lixos sonoros feitos para o povão analfabeto.

Bola fora da Folha. Esses daí não são nerds coisa nenhuma. Só porque favelados começaram a fazer plec-plec no computador não significa que sejam nerds.

Até porque favelados são uma tribo. Nerds são outra tribo. E as duas tribos não têm nada em comum.

domingo, 28 de setembro de 2014

The Big Mexican Theory

Os fãs do seriado mais nerd da atualidade, The Big Bang Theory, estão na expectativa da estreia da nova temporada. Temporada que quase não iria ser produzida, já que o cast central exigiu um aumento em sua polpuda remuneração para fazer as três próximas temporadas do seriado.

Mas o que se viu no final da (fraquíssima) sétima temporada e que serve de perspectiva para a temporada consecutiva é que ele ficará centrado na vida afetiva dos personagens, sobretudo dos casais principais. Se você perceberam, sim é isso mesmo: é a transformação do já consagrado seriado numa novela mexicana: The Big Mexican Theory! O que na verdade é uma má notícia para os fãs.

É difícil manter um seriado sendo criativo por muito tempo. Estranhamente, os seriados com maior vocação de durabilidade (Grosse Pointe, Tru Calling, The Carrie Diaries, Almost Human, etc.), possuindo tramas que estimulem maior criatividade e diversidade de enredos, acabaram cedo. Enquanto seriados meio chochos são arrastados para a durabilidade, simplesmente porque geram audiência e consequentemente: grana. Quem assistiu a Friends, percebeu que a partir da 5ª temporada, o seriado desandou, se tornando enfadonho, incomodando até o elenco, desperdiçando seus talentos. E pelo que parece é o mesmo caminho que TBBT está começando a seguir a partir da 7ª temporada.

O legal do seriado era as referências ao mundo nerd, incluindo a dificuldade de socialização típica da "tribo".  Mas, transformados em "gente normal" e focados em suas relações de afeto conjugal, os personagens acabaram se descaracterizando e as situações engraçadas resultantes das gafes nerds poderão não mais acontecer. Virou uma espécie de "Friends com miopia".

Claro que vou assistir aos episódios, até por curiosidade. Mas observando o que está sendo divulgado a respeito da oitava temporada, o seriado, seguindo o rito da correnteza, acabou caindo no penhasco da romantismo mexicanizado, agradando mais as mocinhas muito mais interessadas em saber se fulano fica com sicrana do que aproveitar uma divertida e inteligente estória protagonizada por um grupo de cientistas meio amalucados, interpretado por um elenco de atores muito talentosos. 

É uma pena que TBBT corra o sério risco de perder suas maiores qualidades. Mas o show business é isso aí, não interessa se é bom ou ruim: interessa é gerar renda. Desculpem o trocadilho, mas as diversões do passado eram muito mais divertidas. Os nerds de Passadena já deram o seu recado. Seria melhor fechar as cortinas agora, se não conseguirem melhorar o seriado.

The Big Mexican Theory

Os fãs do seriado mais nerd da atualidade, The Big Bang Theory, estão na expectativa da estreia da nova temporada. Temporada que quase não iria ser produzida, já que o cast central exigiu um aumento em sua polpuda remuneração para fazer as três próximas temporadas do seriado.

Mas o que se viu no final da (fraquíssima) sétima temporada e que serve de perspectiva para a temporada consecutiva é que ele ficará centrado na vida afetiva dos personagens, sobretudo dos casais principais. Se você perceberam, sim é isso mesmo: é a transformação do já consagrado seriado numa novela mexicana: The Big Mexican Theory! O que na verdade é uma má notícia para os fãs.

É difícil manter um seriado sendo criativo por muito tempo. Estranhamente, os seriados com maior vocação de durabilidade (Grosse Pointe, Tru Calling, The Carrie Diaries, Almost Human, etc.), possuindo tramas que estimulem maior criatividade e diversidade de enredos, acabaram cedo. Enquanto seriados meio chochos são arrastados para a durabilidade, simplesmente porque geram audiência e consequentemente: grana. Quem assistiu a Friends, percebeu que a partir da 5ª temporada, o seriado desandou, se tornando enfadonho, incomodando até o elenco, desperdiçando seus talentos. E pelo que parece é o mesmo caminho que TBBT está começando a seguir a partir da 7ª temporada.

O legal do seriado era as referências ao mundo nerd, incluindo a dificuldade de socialização típica da "tribo".  Mas, transformados em "gente normal" e focados em suas relações de afeto conjugal, os personagens acabaram se descaracterizando e as situações engraçadas resultantes das gafes nerds poderão não mais acontecer. Virou uma espécie de "Friends com miopia".

Claro que vou assistir aos episódios, até por curiosidade. Mas observando o que está sendo divulgado a respeito da oitava temporada, o seriado, seguindo o rito da correnteza, acabou caindo no penhasco da romantismo mexicanizado, agradando mais as mocinhas muito mais interessadas em saber se fulano fica com sicrana do que aproveitar uma divertida e inteligente estória protagonizada por um grupo de cientistas meio amalucados, interpretado por um elenco de atores muito talentosos. 

É uma pena que TBBT corra o sério risco de perder suas maiores qualidades. Mas o show business é isso aí, não interessa se é bom ou ruim: interessa é gerar renda. Desculpem o trocadilho, mas as diversões do passado eram muito mais divertidas. Os nerds de Passadena já deram o seu recado. Seria melhor fechar as cortinas agora, se não conseguirem melhorar o seriado.

O Sexo Oprimido

Esta entrevista, publicada em 2003, mostra o pensamento masculinista, que caracteriza o movimento defendido por não-machistas como eu, que reconhece que o feminismo comete abusos, preferindo se vingar explorando os homens, aumentando a exigência nos aspectos de proteção/sustento, reduzindo a função dos homens a isso e impedindo-os de agirem como seres humanos, com emoções, razões e direitos.

Muita coisa há a fazer, já que até mesmo o feminismo, que ao conseguir colocar a mulher no mercado de trabalho e conquistar alguns aspectos, resolveu se relaxar, fazendo as mulheres a assimilarem aspectos machistas para poderem ter a ilusão de que são "livres". Mesmo assim, o discurso feminista ainda é usado quando necessário, não mais para reivindicar direitos, mas para sacanear os homens, sugando deles o que puderem sugar.

As mulheres não são coitadas. Tudo é fácil para elas, bastando um sorriso lindo e um pouco de simpatia. Aos homens, nem todo o esforço é garantia de sucesso. E aí, sabendo disso que foi dito, quem é o oprimido?

O sexo oprimido: entrevista com Martin Van Creveld

Diogo Schelp - Extraído da Revista Veja - 01/10/2003

O historiador israelense Martin Van Creveld, de 57 anos, está acostumado a tratar de questões polêmicas. Professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, especialista em história militar, Van Creveld é chamado com freqüência para opinar sobre conflitos mundiais, como os que atingem seu país. Lecionou nos principais institutos de estratégia, civis ou militares, do mundo ocidental, incluindo a Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos. Pesquisador respeitado, nos últimos anos Van Creveld tem se dedicado também a estudar outro tema explosivo: a guerra dos sexos. Em seu mais recente livro, O Sexo Privilegiado, publicado neste ano na Alemanha e recheado de estatísticas, ele defende que são os homens – não as mulheres – os verdadeiros oprimidos pela sociedade. Ph.D pela London School of Economics, da Inglaterra, e autor de dezessete livros, entre os quais obras de referência no meio acadêmico, como O Futuro das Guerras e As Mulheres e a Guerra, Van Creveld faz questão de dizer que é casado e vive muito feliz com sua esposa. Na entrevista a seguir, ele explica sua teoria antifeminista.

Diogo Schelp – O senhor é conhecido como historiador militar. Como se interessou pelo tema da discriminação contra os homens?
Van Creveld – Tudo começou alguns anos atrás, quando escrevi um livro sobre as mulheres e as guerras. Achei esse tema tão interessante que decidi fazer outro livro sobre o assunto. Como todo mundo, eu achava que os homens realmente oprimiam as mulheres e queria descobrir como era possível que essa situação pudesse persistir por milênios. Só depois de meses de pesquisa descobri que as evidências não davam suporte a minha tese e que, na realidade, são as mulheres o verdadeiro sexo privilegiado.

Diogo Schelp – E por que isso acontece?
Van Creveld – Simples. Os homens não podem existir sem as mulheres. Já as mulheres, enquanto houver um único doador de sêmen, podem existir perfeitamente sem os homens. Essa condição natural condenou o sexo masculino a trabalhar mais pesado para sustentar o sexo feminino. Também teve como resultado o fato de que os homens são tratados com mais rigidez na educação infantil e perante a Justiça, além de estarem sempre prontos a morrer pelas mulheres em tempos de guerra ou de paz.

Diogo Schelp – Por outro lado, no passado as mulheres eram condenadas a ficar em casa, não tinham a opção de trabalhar. Em muitas sociedades, isso ainda acontece. Tal fato não prova que as mulheres é que são oprimidas pelo homem?
Van Creveld – Não. Salvo raríssimos casos, o homem também não pode escolher se vai trabalhar ou não. Trabalhar, para o homem, é obrigação. Segundo a Bíblia, o trabalho foi um castigo dado para Adão, não para Eva. Além disso, as donas-de-casa são privilegiadas. De todos os grupos da população, elas são as que detêm a maior segurança e tempo disponível para dedicar a si próprias. Mesmo nas sociedades modernas, em que as mulheres já estão espalhadas no mercado de trabalho, as funções mais pesadas e sujas são realizadas por homens. Nos Estados Unidos, 93% dos mortos em acidentes de trabalho são homens. Isso ajuda a explicar outro indício de que as mulheres são privilegiadas: os homens vivem, em média, menos que elas. Por fim, poucas mulheres estão dispostas a sustentar o companheiro. Nos Estados Unidos, apenas 10% das mulheres ganham mais que o marido, e as estatísticas mostram que o índice de divórcio nesses casos é muito alto.

Diogo Schelp – E quanto às mulheres terem garantido o direito ao voto apenas recentemente?
Van Creveld – As mulheres são, em média, menos criativas. Isso explica por que são os homens os responsáveis por praticamente todas as grandes invenções, descobertas e inovações humanas. Os homens quase sempre iniciam algo; as mulheres quase sempre os imitam. Os homens inventaram o impressionismo e, depois, uma ou duas pintoras os imitaram. Os homens construíram e dirigiram carros, depois as mulheres quiseram dirigir também. Os homens inventaram os computadores e as mulheres aprenderam a usá-los. Os homens lutaram para ter direito ao voto. As mulheres ficaram com inveja e fizeram a mesma reivindicação.

Diogo Schelp – Se as mulheres é que sempre concentraram os privilégios, por que elas lutam, através do feminismo, para mudar sua situação?
Van Creveld – Como os homens, elas também querem ter mais privilégios. Como são, em média, mais fracas fisicamente que os homens, sua estratégia preferida para fazer isso é reclamar. Isso significa que, se todos os homens fossem enjaulados e todas as mulheres fossem declaradas donas de cada homem, elas continuariam reclamando. Para elas, reclamar funciona. Desde criança elas são criadas para acreditar nisso. Quando um garoto chora, ele é desprezado. Já as meninas, quando choram, são consoladas. O que é o feminismo se não uma eterna lamentação?

Diogo Schelp – O senhor acredita que no mundo moderno as mulheres são ainda mais privilegiadas que no passado?
Van Creveld – Em meu livro eu mostro que a sociedade sempre fez a vida dos homens ser mais difícil que a das mulheres. Desde o início dos tempos os homens foram criados para produzir e dar e as mulheres sempre para receber e reproduzir. Os homens sempre tentaram dar à companheira uma vida mais fácil, mais segura e mais confortável. Recentemente, o feminismo ajudou as mulheres a ter privilégios adicionais. Portanto, elas são, realmente, ainda mais privilegiadas que no passado e os homens, ainda mais oprimidos.

Diogo Schelp – Em tempo de guerra, crianças e mulheres formam a parcela da população que mais sofre. É verdade?
Van Creveld – Não. Em quase todas as formas de conflito armado os homens morrem em muito maior número que as mulheres. Há outras formas de sofrimento, mas eu não acredito que alguma possa ser pior do que morrer. A impressão de que as mulheres sofrem mais vem do fato de que os mortos (os homens), ao contrário dos vivos (as mulheres), não podem reclamar.

Diogo Schelp – Os homens concentram mais riqueza e poder que as mulheres. Isso o senhor não contesta?
Van Creveld – Não. Mas isso não serve de prova de discriminação contra as mulheres. Sabe-se que, por liberarem mais testosterona, os homens são mais agressivos e portanto mais competitivos que as mulheres. São também mais fortes fisicamente, o que permite que exerçam funções de liderança com menos esforço. Além disso, eles abandonam com menos frequência uma carreira; as mulheres costumam sair do mercado de trabalho para satisfazer seu desejo de ter filhos e criá-los. Para completar, os estudos mostram que, se na média homens e mulheres são igualmente inteligentes, no grupo de pessoas com QI mais elevado, acima de 180, a proporção é de sete homens para cada mulher. Tudo isso explica por que os homens tendem a ocupar mais cargos de chefia e a ter mais facilidade para ganhar dinheiro.

Diogo Schelp – Em sua vida pessoal, o senhor também se sente discriminado?
Van Creveld – Como homem, eu sou constantemente discriminado em todas as formas de benefícios sociais. Por exemplo, minha esposa tem direito à licença-maternidade, eu não. O plano de saúde de minha universidade é mais benevolente na cobertura de doenças femininas, como o câncer de mama, que de doenças masculinas, como o câncer de próstata. Além disso, em Israel, como em muitos outros países, existe a crença de que as mulheres amam seus filhos mais do que os pais são capazes de amar. Não existe nada que prove que isso é verdade. No entanto, as leis tornam praticamente impossível para um pai divorciado obter a custódia dos filhos. Eu passei por um divórcio. A dor de não ter conseguido a guarda de meus filhos vai me acompanhar até meu último dia de vida.

Diogo Schelp – As feministas têm um arsenal de estatísticas para provar que são oprimidas. Elas apontam, por exemplo, o fato de que, em alguns países, todo dia 6.000 meninas sofrem dolorosas cirurgias nos órgãos genitais para não ter mais prazer com o sexo.
Van Creveld – A clitoridectomia, como é chamada essa operação, é algo que velhas mulheres, agindo como suas ancestrais, impõem a jovens mulheres. Os homens dificilmente estão envolvidos nisso. Além disso, simplesmente não é verdade que a operação priva a mulher de prazer no sexo. Na maioria dos casos, isso não acontece. É um mito. Não esqueça também que o número de garotas que passam por isso não se compara ao número de garotos que passam pelo processo de circuncisão. Por que ninguém se levanta contra esse hábito? A resposta é simples: nós, homens, somos feitos para aceitar a dor.

Diogo Schelp – No passado, as mulheres não eram mandadas para a guerra. Agora, vemos cada vez com mais freqüência garotas cometendo ataques suicidas em Israel e na Rússia, por exemplo. As mulheres perderam o privilégio de ser defendidas em tempo de guerra?
Van Creveld – A resposta está na palavra "mandadas". No passado, e em muitos países até hoje em dia, um número incontável de homens é recrutado e "mandado" para a guerra. Isso nunca aconteceu com as mulheres. Mesmo em Israel, as poucas combatentes mulheres que temos são voluntárias. O mesmo acontece com as palestinas suicidas. Como em muitos outros terrenos da vida, as mulheres têm o direito de escolher, enquanto os homens têm de agir contra a vontade própria.

Diogo Schelp – As feministas dizem que as mulheres são mais diplomáticas e menos violentas quando estão em funções de liderança ou que requeiram o uso da força. Nesse sentido, é interessante ter mulheres em corporações como a polícia e as Forças Armadas?
Van Creveld – Os machos são, em média, mais violentos que as fêmeas. Mas a história mostra que as líderes femininas estão fora do padrão médio das mulheres. Lembre-se de Indira Gandhi e Margaret Thatcher. Elas eram tão agressivas e belicosas quantos os homens, ou até mais. Mulheres que escolhem atuar na polícia, por exemplo, talvez tenham a mesma característica. Por outro lado, o corpo feminino é muito menos adequado para se envolver em situações de violência. No Exército americano, as recrutas têm só 55% de força na parte superior do corpo e 72% na parte inferior, em comparação aos homens. Ou seja, como os homens possuem maior capacidade de ganhar musculatura, em vez de o treinamento intensivo diminuir as diferenças entre os sexos, tende a aumentá-las ainda mais.

Diogo Schelp– As mulheres, por questões físicas, são mais propensas a ser vítimas de abuso sexual que os homens. As feministas dizem que todo homem é um estuprador em potencial. O que o senhor acha disso?
Van Creveld – As mulheres, talvez por passarem mais tempo com os filhos, matam mais crianças que os homens. Alguém diz que toda mulher é uma assassina de crianças em potencial?

Diogo Schelp – As estatísticas sobre agressões contra mulheres não colaboram com as teses feministas?
Van Creveld – Não as estatísticas que eu cito em meu livro. Pesquisas americanas e canadenses mostram que o número de agressões entre homens e mulheres é igual, 25% para cada sexo. Nos outros 50% dos casos, os ataques são mútuos. Além disso, 20% mais mulheres cometem danos graves aos seus parceiros. Mais: as mulheres cometem três vezes mais agressões com uso de armas do que os homens. Por fim, os homens, com medo de serem ridicularizados ou presos, costumam não dar queixa quando apanham de uma mulher.

Diogo Schelp – A Justiça é mais branda com as mulheres?
Van Creveld – Sem dúvida. Em todas as sociedades modernas, as mulheres recebem menos condenações que os homens. E, quando são condenadas, cumprem penas menores do que outros homens que cometeram o mesmo crime. Na Inglaterra, entre 1984 e 1992, 23% das mulheres acusadas de homicídio foram absolvidas, enquanto apenas 4% dos homens foram considerados inocentes. Na Califórnia, nos Estados Unidos, em todo o século XX foram condenados à morte 468 criminosos. Apenas quatro eram do sexo feminino.

Diogo Schelp – A discriminação contra o homem, da forma como o senhor a descreve, é um fato inalterável da natureza?
Van Creveld – Em muitos países, já existem movimentos para melhorar as condições de vida dos homens. Seu propósito é defender o sexo forte nas situações em que há mais discriminação, como nos divórcios e nas falsas acusações de abuso sexual ou de violência doméstica. Mas as coisas não tendem a mudar muito. O homem, como diz o provérbio árabe, é o jumento da casa. A natureza nos fez maiores, mais fortes e, nos casos extremos, até mais inteligentes. Tudo para sustentar e alimentar as mulheres. Afinal, antes disso uma mulher – nossa mãe – também nos carregou, nos alimentou e cuidou de nós.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Como conquistar uma namorada no Brasil

Resolvi escrever esta postagem muito mais como protesto do que como conselho. Poucos admitem, mas não é nada fácil conquistar uma mulher. Exige tanta estratégia como um ataque de militares invadindo o território inimigo. Às vezes é bem parecido mesmo.

O que vai ser dito aqui se baseia em observação de outros casais e de processos de conquista por aí a fora. Quem não concorda com estas regras, normalmente fica sozinho. Como diz o pegador Marcelo Falcão, de O Rappa: na palma da mão, para aliviar.

A sociedade brasileira adora regras. Dá a ilusão de organização. O problema não está em criar regras, mas na obsessão de criar regras. Cria-se regras a gosto, sem analisar critérios e a utilidade das regras. Muitas vezes criam só para dar ilusão de ordem e utilidade.

Para a vida afetiva é a mesma coisa. Ainda mais na sociedade brasileira, onde há muitos homens atraídos por uma mesma mulher, criando uma competitividade muito pior do que nos concursos para o emprego público (neste caso, 1000 candidatos a uma só vaga, sempre). Uma competição cruel onde quem vence nem sempre é o que vai fazer melhor uso do seu "troféu". Deixando as injustiças reais e inevitáveis, vamos às dicas.

Receita para um homem conquistar uma namorada no Brasil. 

O primeiro passo é checar se a gata pretendida não é propriedade privada de algum engraçadinho nascido com a bunda virada para a lua. Confirmada a - incrível - solteirice da "presa", o jeito é partir para o ataque.

1) Requisitos básicos:
- Um emprego relativamente estabilizado
- Porte físico de protetor (mais alto e/ou mais forte)
- Bom papo que indique personalidade decidida e raciocínio rápido

2) Onde encontrar:
As mulheres não dão mole em qualquer lugar. Acreditam que o motivo é porque não confiam em qualquer homem. Somente as carentes ou as vulgares (incluindo as prostitutas), paqueram em qualquer lugar, quando isso acontece. As mulheres normais só paqueram em duas situações:
- Em lugares de festa e/ou bebedeira (interessante que, para a maioria das mulheres, playboys bêbados sejam mais confiáveis que tímidos nerds em bibliotecas)
- Em lugares ou situações onde possam ver seus pretendentes de modo frequente, como vizinhança, trabalho, academias, escolas, igrejas, etc.

3) O que o homem deve fazer para conquistar:
- Deixe claro na conversa que está bem intencionado, mas nem tanto. Ambiguidade e ironia são boas táticas nos dias de hoje. Podem até ser anti-românticas, mas muitos processos de conquista tem dado certo com o uso desses "instrumentos".
- Evite opiniões ou atitudes surpreendentes. A experiência coletiva mostra que os homens que agem como a maioria, como "Marias vão com as outras", conquistam mulher com mais facilidade. Sem esquecer que homens convencionais são mais confiáveis. Dá para se imaginar o que eles vão fazer ou dizer, mesmo errado.
- Faça questão de pagar jantar, presentes, condução, etc. É para isso que você serve, bobão!

4) Convívio:
Do contrário que no processo de conquista, quando a "presa" cai na conversa e o relacionamento se inicia, os papéis se invertem: é a mulher que tem que se esforçar para manter o relacionamento. O tolo que se esforçou antes disso, agora age como um songa-monga preguiçoso que passa os fins de semana enterrado em um sofá, com um copo na mão e um controle remoto na outra, onde vai brincando com os botões até aparecer "aquele" jogo de futebol que seja capaz de o hipnotizar. E a boboca que se casou com ele continua na sua tentativa inútil de lhe dar afeto, sofrendo a consequência da vingança pelo esforço que o macho teve antes de iniciar o relacionamento.

5) Separação:
É engraçado. Mas as mulheres são difíceis de serem conquistadas. Quando elas são conquistadas e o relacionamento começa, aí a dificuldade é para encerrar. As mulheres normalmente só se apaixonam por um homem após o início do relacionamento. E aí, meus filhos, fica difícil para encerrar um sem mágoas ou ofensas, e consequentemente alguma vingança.

É, amigos, a vida a dois é complicada. Espero ter dado algumas dicas e bom proveito.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Não cobice a mulher do próximo

Boa parte das pessoas tem algum tipo de trauma. Uma experiência negativa que foi muito impactante ou constante, sempre acaba moldando a nossa personalidade, fazendo-nos reagir de certa forma a certos acontecimentos que nos chegam.

O meu trauma é o excesso de mulheres comprometidas. Por muitas vezes consecutivas, me interessei por mulheres que acabam se revelando como tais, por pertencerem a outros homens, seja como namoradas, noivas ou esposas. A sucessão disso por inúmeras vezes marcou meu subconsciente. Até hoje acredito que as mulheres que gosto pertencem a outros, enquanto as que eu posso conquistar não me interessam ou trazem graves problemas.

Segundo o que a Bíblia diz - e boa parte dela é de lendas, pois na Idade Antiga era muito comum explicar as coisas com alguma história inventada -,  Moisés, vivendo numa sociedade grosseira, teve que usar a redundância para estipular como "leis divinas" (para uma lei ser obedecida, ela deveria ter caráter divino), o que poderia ser resumido como "faça com os outros o que quer que façam com você". Daí surgiu Os Dez Mandamentos, que as religiões materialistas até hoje defendem como "leis de Deus". 

Uma delas diz que não se pode cobiçar a mulher do próximo (o homem da próxima pode, né?). Se realmente essa lei fosse divina e se Deus punisse (Deus não pune, quem pune é a nossa consciência, por consequência dos atos que cometemos), Deus escolheria a punição mais cruel para mim, já que o que mais faço é cobiçar a mulher do próximo. Pô, os caras pegam as melhores e só sobra bagaceira, fazer o quê?

E porque estou escrevendo sobre isso? Porque hoje, uma das mulheres mais maravilhosas do mundo, meu padrão preferido de beleza, uma mulher de personalidade decidida, bom gosto cultural, voz sedutora, corpo escultural e talento comprovado como atriz, produtora e diretora, Natalie Portman, israelense radicada nos EUA, há muito tempo casada, se tornando propriedade privada de um sortudo que, como a maioria dos homens que se casam, talvez nem faça muita questão das qualidades que ela tem, se casando com ela pela força das circunstâncias, podendo casar com qualquer outra, se estivesse ao seu alcance.

Hoje é um dia triste. Ainda mais que sabemos que sobram cada vez menos mulheres como Portman e sobram mais mulheres sem valor ou por serem burras ou pro serem vulgares, tirando o direito de escolha dos homens que por má sorte, acabam perdendo muitas oportunidades na vida afetiva.

Estamos de luto. As flores murcham , céu fecha e continuamos nós, com a sempre fiel solidão, aguardando os prometidos dia melhores que nunca chegam.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Se o Vitor Belfort usasse computador mais de 4 horas por dia, ele se tornaria um "nerd"?

O conceito de nerd no Brasil é totalmente diferente do conceito ianque, embora os próprios brasileiros não percebam isto. Nerd, para os brasileiros, é qualquer um que seja viciado em informática, ciência e histórias em quadrinhos. As outras características típicas dos nerds não são consideradas pelos brasileiros.

As dificuldades de sociabilização que tanto marcam os nerds ianques, sendo inspiração para muitos filmes e seriados sobre a estranha tribo, são consideradas pelos brasileiros como uma "estereotipação". O rótulo nem é considerado pejorativo, embora tenha surgido como tal nos EUA.

Nerd, originalmente era uma forma de dizer que o cara era ridículo, estranho e era um passaporte para inúmeras oportunidades de bullying. Sinceramente, se alguém se considera nerd e nunca foi vítima de bullying (quando uma ofensa gera danos graves - colocar apelidos e rir da cara são insuficientes para qualificar uma atitude como tal, se ela não gera dano grave), com certeza está mentindo e quer tomar o rótulo para si.

O rótulo de nerd ganhou um sentido positivo no Brasil por estar diretamente ligado à tecnologia. Isso cria uma espécie de status social. É como se dissesse que alguém é um "especialista em tecnologia" ou algo parecido. Em tempos de desenvolvimento - apenas - tecnológico, ter esse rótulo dá prestígio.

O que os brasileiros fizeram foi eliminar a parte ruim do fato de ser nerd, o que na verdadenão adianta nada. É como tirar a violência do traficante de drogas: ele vai parecer melhor por causa disso? Claro que não.

Soa uma hipocrisia ver muitos caras bastante alheios apo perfil de nerd assumirem o rótulo com estranha teimosia, como se isso fosse um título de doutorado que abre as portas para a vida profissional. Como se o próprio rótulo de nerd fosse tão valioso quanto uma barra de ouro.

Já imaginaram se alguém como Vitor Belfort, um lutador, ídolo daqueles que praticam o bullying (atitude reprovada pelo próprio lutador, hoje evangélico e boa pessoa na vida real), ficasse no computador por mais de 4 noras por dia? Para os brasileiros, ele facilmente receberia o rótulo de nerd, mesmo que seu estilo de vida fosse toralmente diferente.

Os brasileiros pegaram a mania de interpretarem tendencias mundiais de maneira errada. Não entenderam o rock, não entendem o Espiritismo, acham que mobilidade urbana é encher as ruas de ônibus articulados, acham que futebol é obrigação social e pensam que nerd é qualquer um que seja viciado em tecnologia. 

Eu é que nunca conseguirei entender os brasileiros.

sábado, 20 de setembro de 2014

Ultimate Facebook Combat

Tenho dito várias vezes aqui que as redes sociais se tornaram um termômetro para entender a sociedade em que vivemos, já que as pessoas colocam as suas convicções pessoais em seus perfis, como se seus gostos, crenças e ideias fizessem parte de seu patrimônio.

Estou careca de saber que a sociedade brasileira não é uma praticante do discernimento, preferindo adotar crenças muitas vezes erradas, como parte de suas convicções, carregando estas como se fossem jóias valiosas que lhes servirão de passaporte para o bem estar pessoal. A mídia e os costumes sociais acabaram consagrando muitos erros que, arraigados, acabaram se tornando difíceis de serem corrigidos.

Mas há quem tenha a coragem de tentar corrigir. Pessoas que, como eu, usam melhor o discernimento e não se deixam enganar facilmente pelo que a maioria acredita ou pelo que o tempo consagrou. Mas, na tentativa de esclarecer, nas redes sociais, e corrigir pontos de vista equivocados, trombamos com a teimosia de quem acha que ideias estabelecidas são sempre corretas. E aí surge discussões e inimizades, já que o teimoso, como o nome diz, não quer abrir mão de seu ponto de vista errado, justamente por acreditar que está correto. Defende seu ponto de vista não porque o analisou, mas porque acreditou que o que disseram sobre ele estava correto.

Muitas brigas tem acontecido em várias redes sociais por causa de teimosias resultantes da falta de discernimento. As pessoas perderam a noção da diferença entre fato e opinião e isso faz com que a convicção pessoal de cada um soe como verdade absoluta para aquele que a defende. O orgulho pessoal resultante disso, faz com que esta não dê razão aos argumentos da outra e prefere partir para a ignorância, já que é muito menos esforçante reagir com agressividade do que pensar sobre a questão.

Será que é muito difícil analisar uma questão proposta por outra pessoa? Não é melhor deixarmos o orgulho de lado e ouvir o que o outro tem a dizer, antes de mandá-lo calar a boca e ficarmos com o nosso ponto de vista errado? Por isso mesmo muita ideia errada vai se consagrando e continuamos mergulhados nosso nosso interminável atraso, acreditando que vamos viver melhor acreditando em ideias sem pé nem cabeça que as tradições sociais tiveram o grave erro de legitimar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Os melhores nomes da música na pior década

Hoje estamos vivendo uma espécie de revival dos anos 90. A década que prometia ser uma preparação para o futuro se mostrou um desastre e construiu essa arruinada cultura que conhecemos hoje, cada vez pior, menos espontânea e menos criativa e mais mercenária e mais ilusória. Os anos 90 definitivamente representaram a pior década cultural de todos os tempos, desde que o homem é homem.

Mas como toda regra tem exceção, os anos 90 também tem as suas coisas boas. Se lembrarmos que a década, de fato começou em 1993 (há 20 anos), não vale a pena falar sobre o que surgiu antes, já que até 1992 a mencionada decadência cultural não havia dados sinais de existência ainda. Portanto tomemos os exatos 20 anos como ponto de partida.

E vou me limitar a comentar sobre a música estrangeira. Não mencionarei os poucos brasileiros bons porque muitos deles acabaram, mesmo mantendo a qualidade de sua sonoridade, virando entusiastas (ou puxa-sacos?) de toda a decadência musical que se torna crescente hoje em dia, já que os intérpretes medíocres é que tomaram as rédeas daquilo que quase todos (menos eu) entendem como "cultura", atualmente.

Começando com o grunge. Ninguém entendeu o grunge, nem quem gostou e nem quem detestou. Na verdade, a sonoridade crua das bandas nos primeiros anos se mostrou, mais tarde, aperfeiçoável. Os sobreviventes que seguem até hoje, já fazem uma sonoridade mais bem acabada, sem aquela coisa do "barulho por si só", do início. Até mesmo o Nirvana, encerrado por causa da morte de seu líder Kurdt Cobain, deu sinais de aperfeiçoamento no acústico gravado para a MTV (e que tenho em DVD). Se Cobain não tivesse se matado, o Nirvana seria uma grande banda. O que observamos claramente na sua banda-filha, o Foo Fighters, liderada pelo baterista do Nirvana, Dave Grohl, multi-instrumentista convertido em principal guitarrista e vocalista da banda-filha.

A Foo Fighters se tornou uma das melhores bandas da atualidade e melhora a cada álbum lançado. Preferiu uma sonoridade que unisse a melodia dos Beatles (de quem Grohl é fã fanático) com o rock feito nos anos 70. Lembra muito o que a banda setentista Badfinger (apadrinhada pelos Beatles) fazia naquela década e que é conhecida como power-pop, um tipo de música altamente melódico, mas com a crueza do rock básico. Isso explica a excelente qualidade sonora da Foo Fighters. Palmas para do Dave Grohl!

Aliás, falando em Beatles, o Foofighters cumpre o que a Oasis só promete. E isso não diminui a Oasis, outra grande banda de uma década perdida. Se na prática há pouco Beatles, bem menos do que há na teoria, sobram influências de grandes bandas na sonoridade da banda dos irmãos Gallagher.

Este fato é pouco comentado, mas a banda Oasis, na verdade é um grupo retardatário de um grande movimento de rock britânico surgido na segunda metade dos anos 80. Bandas como Wedding Present, Wonder Stuff, Sundays, House of Love, Bodines, Big Dish, Blur, The LA's e Ride (que cedeu Andy Bell para tocar no Oasis), fazendo a mesma sonoridade desta última. É uma safra excelente de bandas claramente influenciadas na segunda metade dos anos 60, com melodias riquíssimas e letras inspiradas.

A Oasis, que não precisava de factóides de brigas entre os irmãos que disputavam a liderança da banda, pois havia talento musical que dispensa propagandas esdrúxulas, segue essa linha, acrescentando influências de bandas como Kinks e The Who. Dos Beatles, apesar da suposta fama de "cópia xerox", pegou muito pouco, se assemelhando mais com o The Who, banda favorita de Noel Gallagher. Coma divergência entre os irmãos, houve racha. Noel segue com uma banda que leva seu próprio nome e Liam ressuscitou o Oasis com outro nome, Beady Eye. Ambos mantem a excelente qualidade sonora consagrada com a Oasis.

A "filha" de Laura Nyro

E não é só as bandas que se destacam na tentativa de tirar a década do monopólio de mediocrização. Uma cantora, pianista e compositora se destacou por tentar tirar os anos 90 da mediocridade: Tori Amos, uma norte americana radicada na Inglaterra e cuja sonoridade e modo de cantar lembram e muito a Laura Nyro.

Nyro, foi uma cantora norte americana falecida no final da citada década e que apesar de desconhecida, foi bastante influente para muitos artistas como o músico e produtor Todd Rundgren (que descobriu as bandas de new wave Sparks e XTC), Elton John e a própria Tori Amos. Foi por causa de Tori Amos que conheci Laura Nyro e consegui entender o porquê da grande qualidade musical de Amos ( e virei fã de ambas, minhas cantoras favoritas). Para se ter uma ideia, sou capaz de comprar um CD de Tori Amos sem ouvir, com a certeza de que será bom. Tenho quatro álbuns dela em CD e não tenho mais porque são difíceis e muito caros.

Descrever a sonoridade de Amos é complicado. O que se pode dizer é que é altamente melódico, sedutor e comovente. Amos canta com a alma e seu talento (herdado de Laura Nyro) não é visto no padrão "Whitney Houston" considerado pelos que desconhecem a verdadeiro cultura como o padrão das "melhores cantoras do mundo". Pura falta de informação e senso artístico. Amos dá chinelada feia em cantoras desse tipo.

Alunos seguidos pelo professor

Voltando ao grunge, uma banda que tem avançado muito em qualidade musical é a Pearl Jam. De início eu nem me empolguei com a banda. Mas aconteceu com ela uma coisa bem peculiar, raramente vista em outras bandas: não só decidiu aperfeiçoar seu som, como contou com o apoio de sua maior influência.

Mantes antes, vamos às preliminares. Pearl Jam foi uma banda altamente influente em sua década. Não vou detalhar a complexa biografia porque vou ter que me alongar muito. Mas nos anos 90 todas as bandas queriam copiar o Pearl Jam. Houve até uma que surgiu como uma xerox, a Stone Temple Pilots.

A Stone Temple Pilots que, quando desistiu de imitar o PJ e fazer sua própria sonoridade, se revelou outra grande banda da década, lançando álbuns clássicos e transformando Scott Weiland, seu líder, num grande criador de grandes canções de rock. Weiland se demonstrou tão talentoso (teve um álbum solo merecidamente elogiadíssimo), a ponto de tirar os integrantes saídos da farofenta Guns'n'Roses da mediocridade tradicional estimulada pelo canastrão poser Axl Rose, através do excelente Velvet Revolver, que mais parece uma banda dos anos 70 que viajou na máquina do tempo. Weiland conseguiu fazer com que os ex-gunners forem perdoados pelos erros cometidos na banda farofa do ególatra Axl.

Voltando a banda de Eddie Vedder, todos queriam ser o Pearl Jam. Até mesmo boy-bands usavam o visual e copiavam os trejeitos vocais de Vedder. Este, cansado de tantos imitadores, mudou o seu modo de cantar e assumiu de vez a influência já visível do canadense Neil Young, um dos grandes mestres do rock de protesto. E aí que o improvável aconteceu, com mestre se convertendo a aluno de seus alunos.

A via foi de mão dupla, pois Young assumiu fã de Pearl Jam e de Nirvana e além de colaborar coma primeira em vários projetos e concertos, resolveu fazer a mesma sonoridade em seus álbuns mais recentes, admitindo ser influenciado pela banda que ele influenciara. E a boa música ganhou muito com isso pois Young rejuvenesceu seu som (sem trocadilho com o sobrenome do velho canadense) e o Pearl Jam ganhou maturidade, se tornando uma banda de rock clássico em plena d´pecada de 90.

O cometa que emprestou beleza à música

Outro grande nome dos anos 90 veio feito um cometa. Desapareceu da mesma forma como surgiu, mas surpreendentemente fazendo uma música criativa e de altíssima qualidade, influenciado nas músicas mais melódicas dos anos 80 e 70 e sobretudo em Todd Rundgren (tem dedo de Laura Nyro nisso?), citado ainda nesta postagem: New Radicals.

Os New Radicals eram liderados pelo cantor, multi-instrumentista e produtor Gregg Alexander e seu único álbum Maybe you've been brainwashed boo, era uma coisa nunca vista na década de 90. Músicas altamente melódicas, com arranjos e mixagem perfeitos e letras de protesto sincero (embora muito criticado por isso na época, graças ao predomínio de letras imbecis mais aceitas desde então), fugindo de qualquer padrão midiático. Triste em ser o único nome de qualidade de então, Alexander decide encerrar as atividades da banda e se limitar a ser um produtor e engenheiro de som para outros artistas. Triste fim para uma excelente ideia.

E com isso segue-se a mediocridade dominante, rejeitada por alguns bons nomes (a geração pós Strokes que o diga) que como os citados nesta postagem, seguem discretamente em nome da qualidade musical imperceptível pelas grandes massas, muito mais interessadas em algo que possa servir de fundo para as bebedeiras rotineiras de todos os finais de semana.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Bullying, uma forma particularmente danosa de violência

OBS: O Bullying arruinou a minha vida. Os problemas sociais afetivos e profissionais que tenho são sequelas de uma adolescência humilhante, onde fui ridicularizado por gente que pensava que era melhor do que eu (e claramente não era e nem é). Combater essa praga, incurável em uma sociedade competitiva e consumista, onde o objetivo de quase todos é um ser melhor que o outro, através de atitudes estereotipadas e acúmulo de bens e direitos, é quase impossível. Mas muita gente, felizmente, se esforça para acabar com este mal, denunciando e propondo soluções. A entrevista abaixo mostra um desses esforços.

Entrevista com Marcos Rolim: Bullying, uma forma particularmente danosa de violência.
Blogue Mundo em Colapso  

Marcos Rolim é jornalista formado pela UFSM, especialista em segurança pública pela Universidade de Oxford (UK)  e mestre em sociologia pela UFRGS, onde está concluindo seu doutoramento. É professor da Cátedra de Direitos Humanos do Centro Universitário Metodista (IPA) e coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). Atua, ainda, como consultor em segurança pública. É autor, entre outros trabalhos, de "Bullying, o pesadelo da escola" (Dom Quixote) e "A Síndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no século XXI" (Zahar/Oxford University).

Entrevista concedida e publicada no dia 14 de Fevereiro de 2013.

MUNDO EM COLAPSO:  Você acredita que o acesso da população a armas de fogo é a principal diferença que evita aqui os ataques psicopatas que acontecem nas escolas Estadunidenses?

MARCOS ROLIM: As armas de fogo se transformaram em um problema de saúde pública nos EUA. Elas estão presentes em, pelo menos, 35 mil mortes e em mais de 100 mil ferimentos a cada ano nos EUA. Os Estados Unidos tiveram, em 1997,  34.436 mortes por armas de fogo. Deste total, 54% foram casos de suicídios (16.166), 42% foram homicídios (15.289) e 3% casos de mortes acidentais (981 casos).  Uma média impressionante de 88 mortes por arma de fogo ao dia, das quais 12 são de jovens (CSGV, 2001). Nos EUA, dois terços dos homicídios são praticados com armas de fogo e, entre os jovens de 15 a 24 anos que foram vítimas de homicídios, mais de 80% deles morreram por conta dos ferimentos causados por armas de fogo (Cook et al. 1995). Em sua história recente, os EUA tiveram vários atentados com armas de fogo contra seus presidentes, como John Kennedy e contra líderes da luta pelos direitos civis, como Martin Luther King.  Para piorar o quadro, os EUA têm convivido com uma seqüência de massacres praticados com armas de fogo envolvendo, basicamente, duas situações: atiradores perturbados mentalmente, munidos de armas automáticas, que alvejam aleatoriamente pessoas na rua, e jovens armados que descarregam suas pistolas dentro de escolas, matando alunos e professores.

Massacres em escolas já ocorreram em outros lugares, inclusive no Brasil. Em 1996, houve o Massacre de Dunblane, na Escócia, um sujeito de nome Thomas Hamilton, 43 anos, matou 16 crianças entre 5 e 6 anos e um professor, em apenas três minutos de disparos antes de se suicidar. No mesmo ano, ocorreu a Tragédia de Port Arthur, na Austrália, que resultou na morte de 35 pessoas e em sérios ferimentos em outras 37. A tragédia ocorreu nas ruínas da Prisão-colônia de Port Arthur, um lugar muito freqüentado por turistas.  O responsável pelos disparos, Marin Bryant, 29 anos, usou um rifle semi-automáico para atingir suas vítimas.  Antes destes dois casos, houve o Massacre de Montreal, no Canadá, em 1989, quando Marc Lepine, 25 anos, com uma mini metralhadora, atingiu 28 estudantes e professoras, matando 14 jovens mulheres na Escola Politécnica da Universidade de Montreal. O tema central nestes massacres foi o acesso a armas semi-automáticas e automáticas. A diferença é que na Grã Bretanha, Austrália e Canadá, a opinião pública pressionou os respectivos parlamentos que aprovaram leis que baniram as armas de fogo ou restringiram radicalmente o acesso a elas. Nos EUA isto nunca ocorreu. Agora, depois do massacre mais recente, Obama está tentando aprovar uma lei de maior controle. As propostas já anunciadas, entretanto, são muito tímidas e, mesmo assim, enfrentarão forte resistência.

No Brasil, o Estatuto do Desarmamento criou uma nova realidade a partir de 2004, tornando mais difícil o acesso às armas e praticamente inviabilizando o porte. Mesmo antes desta lei, entretanto, nunca tivemos a facilidade de comprar armas automáticas e semi-automáticas como ocorre na maioria dos estados americanos. Isto faz muita diferença quanto à letalidade potencial.

MUNDO EM COLAPSO: O bullying é uma prática que acontece apenas em ambiente escolar ou ela está presente no trabalho, nos espaços de convivência, pela polícia, políticas públicas e dentro dos lares? Hoje em dia a palavra "Bullying está na moda e sendo usada para muita coisa, o que caracteriza exatamente o bullying?

MARCOS ROLIM: O bullying é uma forma particularmente danosa de violência e suas conseqüências podem ser muito graves. Para que ele ocorra são necessárias duas características básicas: a violência (em qualquer das suas manifestações) deve ser praticada entre pares – vale dizer: entre pessoas que não estão submetidas por relações hierárquicas, e deve ser repetida.  É a repetição da violência sobre as mesmas vítimas que torna o bullying especialmente destrutivo e que costuma transformar a vida dos atingidos em um inferno.  Com a banalização da expressão, há muito emprego equivocado do conceito. Já ouvi falar, por exemplo, de “bullying” de professor sobre aluno, ou vice-versa. Ora, professores e alunos estão em uma relação hierárquica, não são “pares”, logo não há, conceitualmente, a possibilidade de bullying aí.  Pode haver – e há – bullying entre professores, assim como há entre alunos. Outras vezes, o bullying é confundido com o assédio moral, fenômeno muito diverso.  O bullying pode ocorrer em qualquer espaço, desde que entre pares e de forma repetida. Muito comumente, as agressões se prolongam por anos. Elas podem envolver agressões físicas ou não. Práticas de humilhação e de isolamento, por exemplo, são mais comuns e podem ser piores que as agressões físicas.

MUNDO EM COLAPSO: Como estão as iniciativas anti-bullying atualmente em seu estado? Que políticas públicas estão sendo realizadas ou projetadas?

MARCOS ROLIM: O RS saiu na frente e foi um dos primeiros estados a ter uma legislação anti-bullying, com o projeto de autoria do vereador Mauro Zacher (PDT) aprovado pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Logo depois, uma iniciativa inspirada nesta lei municipal se transformou em lei estadual, por iniciativa do então deputado Adroaldo Loureiro.  Até hoje, entretanto, nem a prefeitura de Porto Alegre, nem o governo do estado, desenvolveram uma política pública com base nestas legislações. Para que isso ocorra seria preciso que os governantes se interessassem pelo tema e delineassem políticas específicas que envolvem, basicamente, investimentos na formação dos professores e das direções das escolas.

MUNDO EM COLAPSO: Em seu site existem alguns livros para encomendar, como autor você já conseguiu algum lucro?

MARCOS ROLIM: Meus livros costumam vender razoavelmente. A “Síndrome da Rainha Vermelha”, por exemplo, já vai para a terceira edição, o que é uma raridade em se tratando de literatura científica e sociológica no Brasil. Mas o que os autores recebem por conta de direitos autorais é, quase sempre, insignificante. Há outros trabalhos meus sobre os quais abri mão dos direitos autorais, como o estudo sobre as armas – “Desarmamento: evidências científicas (ou: tudo aquilo que o lobby das armas não gostaria que você soubesse)” - que está disponível para download em minha página (www.rolim.com.br).  O melhor de escrever livros é ser lido. Escrever para mim é uma forma de lutar.

sábado, 13 de setembro de 2014

Evolução tecnológica? Que nada! Eles só querem que você compre mais e mais programas!

Eu uso o Windows XP. Ele foi instalado com CD original da Microsoft que me custou valiosos R$ 250,00. Cerca de mais de 1/3 de um salário mínimo (miserável e inconstitucional). Ultimamente, o meu Windows Update além de não ser mais automático, não está permitindo algumas atualizações. O que significa que, do contrário que eu pensava, o meu computador não está com defeito. O Windows XP é que ficou obsoleto. Até mesmo para a Microsoft.

Estou tentando instalar alguns programas necessários para certas atividades, que exigem uma atualização do Windows. Como o meu XP não atualiza mais, fiquei prejudicado com isso. Terei que adquirir a versão mais recente do Windows se eu quiser que estes programas funcionem.

Mas aí esbarro em alguns problemas: no mercado oficial, o Windows 7, a versão mais antiga aceita (o Vista é defeituoso, melhor esquecer), custa no mínimo R$ 300,00. E ele exige uma memória RAM maior, o que significa que terei que mudar toda a placa mãe de meu computador, já que ele só liga com 2GB e acabei de atualizá-la após a anterior pifar, com o aparelho funcionando apenas com 60% do disco rígido vazio. Uma placa mãe, com todos os itens é quase o computador todo, sem o gabinete. O que significa quase uns R$ 800,00 de despesa.

E aí pensei: porque eles ficam atualizando toda hora programas, aplicativos, sites, etc.? Para melhorar? Não se vê muita melhora. O verdadeiro motivo é simplesmente fazer você comprar pelas atualizações. Mesmo as atualizações gratuitas vistas, por exemplo, no Google, exigem uma memória maior. Após minha memória pifar, comprei uma de 1GB e o Google Images travava o Firefox sempre que acionado. Troquei por um pente de 2GB e agora está normal. Mas futuramente poderá não estar, já que os sacanas vão arrumar um jeito de você amplaiar a memória, favorecendo os fabricantes de pentes de memória.

Imaginemos que a evolução tecnológica chegue ao ideal e não precise mais de updates. As empresas de informática faliriam, já que todos, 100% satisfeitos com o desempenho perfeito de suas máquinas em todas as atividades, não comprariam mais nenhuma atualização. É esse o medo da indústria, não só de informática, mas como a de todas. Por isso mesmo os produtos vão piorando cada vez mais, para que possam dar futuros problemas e enriquecer indústrias e comércio, que dependem que as compras sejam eternas. 

O mais estranho é que este raciocínio é que impede o surgimento também de outras tecnologias, mais baratas e mais sustentáveis e resistentes. A indústria das tecnologias tradicionais (como por exemplo, combustíveis, construção civil...) não quer ser prejudicada adotando o que ela não sabe ou não quer fazer, recusando aquilo que já lhe traz muitos lucros há décadas.

E já reparou que a evolução tecnológica só atinge alguns produtos? O guarda chuva, o headfone e outros que não me lembro, estão claramente obsoletos e ainda ninguém se preocupou em evoluí-los. Porquê? Ora, falta de interesse em desenvolver tecnologia para estes produtos!

Não sei quando isso vai acabar. O que sei é que o discurso de "evolução tecnológica" cansou e temos que reconhecer que tudo é conversa para enganar consumidores e usuários e sugar muito dinheiro. Nesse papo, que já me soa velho e mentiroso, eu não caio mais.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Brasileiros ainda não sabem o que significa "nerd"

 

Para piorar, a divulgação do Comic Con e blogs como JudãoNerd somos Nozes e Jovem Nerd, jogam mais lenha na fogueira do significado errado da palavra "nerd".

No Brasil, "nerd" é qualquer pessoa que goste um pouco mais de quadrinhos e tecnologia, eliminando de vez a maior característica dos nerds, a dificuldade de sociabilização. Ou vocês acham que alguém considerado "normal" ia se dedicar 24 horas por dia a computadores e revistas em quadrinhos se tivesse uma vida social movimentada e intensa?

Não adiantou ninguém assistir Vingança dos Nerds, que considero o que melhor mostra a definição. Os brasileiros que se auto-rotulam de nerds (sem passar pela experiência dos mesmos), pensam que o perfil mostrado no filme é estereotipado, exagerado. Mas na verdade foi assim que a chamada "cultura nerd" começou, após muita humilhação social. 

Parece que no Brasil os nerds (verdadeiros) sofrem bem mais que os americanos. Além da clássica dificuldade de sociabilização, da miopia (em alguns) e da falta de atenção (em todos), pioradas por aqui, ainda temos que aguentar um bando de nerds falsificados que não passam de playboys mal vestidos, comedores de mulher extremamente espertos (xô TDAH!) e muito sociáveis!


Pô, se não bastasse ter um monte de direitos negados, será que nem rótulo a minha tão humilhada "tribo" tem direito de ter?

Brasileiros ainda não sabem o que é nerd

 

Para piorar, a divulgação do Comic Con e blogs como JudãoNerd somos Nozes e Jovem Nerd, jogam mais lenha na fogueira do significado errado da palavra "nerd".

No Brasil, "nerd" é qualquer pessoa que goste um pouco mais de quadrinhos e tecnologia, eliminando de vez a maior característica dos nerds, a dificuldade de sociabilização. Ou vocês acham que alguém considerado "normal" ia se dedicar 24 horas por dia a computadores e revistas em quadrinhos se tivesse uma vida social movimentada e intensa?

Não adiantou ninguém assistir Vingança dos Nerds, que considero o que melhor mostra a definição. Os brasileiros que se auto-rotulam de nerds (sem passar pela experiência dos mesmos), pensam que o perfil mostrado no filme é estereotipado, exagerado. Mas na verdade foi assim que a chamada "cultura nerd" começou, após muita humilhação social. 

Parece que no Brasil os nerds (verdadeiros) sofrem bem mais que os americanos. Além da clássica dificuldade de sociabilização, da miopia (em alguns) e da falta de atenção (em todos), pioradas por aqui, ainda temos que aguentar um bando de nerds falsificados que não passam de playboys mal vestidos, comedores de mulher extremamente espertos (xô TDAH!) e muito sociáveis!

Pô, se não bastasse ter um monte de direitos negados, será que nem rótulo a minha tão humilhada "tribo" tem direito de ter?

domingo, 7 de setembro de 2014

Racismo no futebol não combate o racismo cotidiano: serve apenas como propaganda pró-futebol

Antes que acusem esta postagem de qualquer coisa, quero esclarecer que racismo, assim como toda forma de agressão psicológica, nunca é bom. Vivemos, pelo menos eu creio que vivemos, em uma sociedade que pretende ser avançada e há muitos séculos deveríamos ter aprendido com as cruéis batalhas, a respeitar melhor os seres humanos. Deveríamos pensar mais coletivamente e entender que todos os seres humanos, seja quem fosse, merece ter bem estar e dignidade.

Mas, há casos onde a condição de vítima se torna meio de promoção pessoal e de estímulo proselitista em favor ao culto de certas atividades ultra-valorizadas. Como o superestimado futebol, que no Brasil é tratado com excessiva importância e seriedade. Como se a qualidade de vida da população dependesse da entrada de uma bolinha em uma rede.

Essa importância dada ao futebol pode ter aumentado a importância das lutas contra o racismo no futebol. OK, racismo nunca presta, mas sobre o racismo no futebol, precisamos nos lembrar de duas coisinhas:

- Os casos de racismo no futebol nunca geram danos aos jogadores ofendidos, que continuam ricos, populares. Pelo contrário: a condição de vítimas aumenta a popularidade e consagra o futebol como algo que parece humanitário (???!!!).

- Somente os jogadores de futebol merecem ser protegidos contra o racismo. Vejo episódios muito mais cruéis do que um simples xingamento de "macaco", que a sociedade deixa passar tranquilamente, onde as vítimas sofrem danos irreversíveis (muitas vezes para a vida toda), agravados pela falta de prestígio e de fama que os jogadores de futebol possuem.

Está ficando chato os casos de racismo no futebol. E pasmem: não é porque estou do lado das "vítimas" Pelo contrário. Os jogadores ofendidos é que são os responsáveis pela chatice. Ô caras chatos! Se incomodam com uma xingaçãozinha, ao invés de ignorar e levar as suas - privilegiadas - vidas! Racistas são sempre ignorantes, mas os jogadores-vítimas acabam transformando esses racistas em garotos-propaganda dos próprios jogadores.

Como eu falei, há casos de racismo muito mais cruéis e danosos que quase todos deixam passar, como se fosse normal um não-branco morrer surrado por policiais racistas (estranhamente alguns tão negros quanto as vítimas surradas - mas agem a serviço das leis criadas pelos brancos). Como se fosse pior ser chamado de "macaco" durante um jogo, mas sem qualquer tipo de dano físico ou prejuízo financeiro e social.

Que tipo de prerrogativa os jogadores de futebol possuem para que sejam protegidos de atos racistas, se o racismo sofrido por eles é muito mais brando que o racismo rotineiramente enfrentado por muitos negros, mestiços (quem lhes escreve é um mestiço - e já sofri coisas muito piores que os jogadores sofrem) e integrantes de outras etnias?

Mal sabem os jogadores (ou a vida cheia de mordomias, fama e de belas loiras a lhes abrir as pernas, lhes apaga da memória) que muitos cidadãos são vítimas diariamente de muita crueldade cotidiana, danosa e ofensiva e que não possuem um poder de persuasão para poder reivindicar o respeito que é o mínimo que deveriam ter. Vários deles tem que passar a vida toda com limitações por não ter nascido nas condições físicas que a sociedade define como "belo".

Caro que os jogadores poderiam usar o seu prestígio para combater o racismo em todas as esferas socais. Mas não é isso que se vê. O racismo no futebol só está servindo para combater o racismo NO FUTEBOL. Fora dos gramados a triste história de excluídos étnicos continua sendo contada com requintes que misturam ingredientes de filmes de ação e de terror. Muito longe dos holofotes midiáticos que sugerem que o racismo no futebol seja supostamente mais cruel do que os  cometidos no cotidiano das cidades ao redor do mundo.

E é bom frisar que o racismo sofrido pelos jogadores não gera qualquer tipo de dano. pelo contrário: acostumados a serem tratados como "heróis" (só porque sabem chutar uma bolinha? Ora, vamos e venhamos!), se aproveitam dos episódios para atrair publicidade e reforçar ainda mais a imagem de heróis, servindo de propagandistas para manter o fanatismo que transforma o futebol em algo muito mais importante que a qualidade de vida, sendo o esporte bretão a principal explicação porque ainda os brasileiros não atingiram a maturidade.

Os jogadores que alegaram ser vítimas de racismo vão muito bem, obrigado. Os casos lhes aumentaram a popularidade, pois posar de vítimas é muito legal e estimula a comoção coletiva. Mas bem longe dos estádios de futebol, vítimas reais de formas mais cruéis, não somente de racismo, mas de todas as formas de ofensas físicas ou morais, continuam a sofrer danos irreversíveis, sem a voz dos jogadores a gritar alto por eles. 

Essas vítimas silenciosas cujos gritos são abafados pelo anonimato, é que mereciam ser ouvidos, pois com morte ou não, as vidas deles sempre acabam, por não terem eles o direito pleno ao respeito e às realizações sonhadas. 

A luz dos holofotes que "clareia" as peles dos jogadores, dando a estes a oportunidade de serem vistos e ouvidos, ainda não atingiu os pobres cidadãos. O racismo, essa mazela cruel e burra praticada há séculos, ainda não tem data para acabar (talvez não acabe tão cedo). E não serão episódios onde algum jogador de futebol é ofendido com o uso da palavra "macaco", que fará com que a dignidade chegue aos não brancos que não ganham fortunas para jogar futebol.

O Hino Nacional e a realidade do Brasil

O Hino Nacional Brasileiro, apesar de não ser o nosso primeiro hino, é muito antigo. A sua rebuscada letra já não está de acordo com a realidade do país.

Mas com o hábito que o brasileiro herdou do catolicismo de divinizar os símbolos pátrios (a "seleção" também?), ele não pode mais ser mudado, já que a população não quer, talvez por pensar que "foi Deus" quem definiu os símbolos pátrios de nosso país e sua divisão territorial.

Hoje, no Dia da Pátria, resolvi analisar a letra do Hino e comparar o que aparece em seus versos, ao cenário atual de nosso país, mostrando que um de nossos maiores símbolos cívicos, por mais admirável que seja, está completamente fora da realidade que vemos em nosso dia a dia.

lembrando que patriotismo é uma farsa, que nações são artificiais e que o importante é lutarmos pelo bem estar da coletividade e não ficar parado cultuando símbolos abstratos. 

Hino Nacional Brasileiro

Letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870 - 1927) e música de Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865)

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante - De "brado retumbante", a população brasileira só dá ouvidos ao que é consagrado pela mídia e pelos costumes sociais. Se alguém sem visibilidade e poder de convencimento lançar uma nova notícia, mesmo que esteja correta e verdadeira, a população não dá ouvidos, já que a posição social de quem fala algo é que dá credibilidade ao que é dito.

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos / Brilhou no céu da Pátria nesse instante

A liberdade, no Brasil, é relativa. E o pior que o povo gosta disso. Excesso de regras, leis, impostos. As autoridades, celebridades, grandes empresários ou qualquer tipo de liderança, fazem o que querem com o povo brasileiro e os obrigam, mesmo que de maneira subliminar, a seguir suas diretrizes e satisfazer seus interesses, mesmo sendo a nossa sociedade considerada uma "democracia". Só se for democracia de fachada.

Se o penhor dessa igualdade / Conseguimos conquistar com braço forte,

Não dá para falar de igualdade de direitos em nosso país. Estamos cansados de ver os privilégios concedidos a uma minoria. O neo direitismo surgido com as decepções com governos petistas fez ressurgir o culto ao bem estar individual, em detrimento do bem estar coletivo. E braços fortes? O nosso trabalho árduo muitas vezes só serve para adquirirmos um salário semi-escravista que não satisfaz as necessidades básicas garantidas pela Constituição Federal que, embora poucos saibam, também é um de nossos símbolos pátrios.

Em teu seio, ó Liberdade / Desafia o nosso peito a própria morte!

Correr o risco de morrer para lutar por uma utópica liberdade não parece um bom negócio. Por isso mesmo a população prefere permanecer acomodada, sorridente com os problemas que lhes apresentam ou usando o futebol, o álcool e outras formas de ilusão para fugir provisoriamente desses problemas, para encará-los logo em seguida, ainda maiores e mais difíceis de serem resolvidos. E como um circulo vicioso, quanto maior o problema, maior a necessidade de fuga.

Ó Pátria amada / Idolatrada / Salve! Salve!

O nosso patriotismo é hipócrita. Além da submissão aos ditames estrangeiros, sobretudo os vindos dos Estados Unidos, ainda achamos que a nossa "pátria" é a "seleção" brasileira de futebol, representante máxima da futilidade lúdica brasileira, a verdadeira fuga que engana a todos que pensam que uma mera jarra de ouro, conquistada após enfiar uma bola em uma rede, possa tirar a população da miséria. Como se a vitória da "seleção", que não passa de uma mera equipe de futebol, fosse mais importante que a melhoria de vida da população.

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido / De amor e de esperança à terra desce

O povo brasileiro adora sonhar. Acreditar que no futuro as coisas vão sempre melhorar. Aí quando o tal futuro vira presente, nada melhora. Stefan Zweig dizia que o Brasil "é o país do futuro". Claro. É o país do "deixa para depois". Vamos acreditar que seremos felizes no futuro, mesmo que nunca sejamos de fato, sempre adiando tal felicidade.

Se em teu formoso céu, risonho e límpido / A imagem do Cruzeiro resplandece.

Enfim, um verso realista! Realmente a nossa maior qualidade está nas paisagens e na diversidade de nosso território, com muitas atrações naturais e artificiais que agradam a todos - mas todos mesmo! - os gostos. Pena que isso não é valorizado em nosso país, pois além da imensa orla - a maior orla de um só país de todo o planeta - muito mal explorada, ainda tiveram a audácia de organizar eventos onerosos para atrair turistas para o país, mesmo sabendo que sem gastar muito poderíamos acelerar nossa vocação turística sem a realização de eventos inúteis que só servem para encher o bolso de autoridades e grandes empresários.

Gigante pela própria natureza / És belo, és forte, impávido colosso / E o teu futuro espelha essa grandeza.

Um gigante bobão, medroso e alienado que só pensa em se divertir. E que futuro podemos esperar de uma população inerte, submissa à mídia, às regras sociais e às autoridades, interesseira e egoísta, que só ajuda quando está na moda e que coloca diversões fúteis que nada contribuem para evolução intelectual e sentimental do povo, como prioridade máxima para as suas vidas?

Terra adorada / Entre outras mil / És tu, Brasil, / Ó Pátria amada!

Mais um verso que não tem coerência com o patriotismo hipócrita da população brasileira. Mas aproveito para dar um conselho: continue esperando se um gol do Neymar irá salvar a tua vida, para ver o que acontece.

Dos filhos deste solo / És mãe gentil, / Pátria amada, / Brasil!

A "mãe" é realmente gentil, mas seus filhos ingratos. Os brasileiros nunca valorizam as verdadeiras qualidades do país, preferindo se iludir com diversões ébrias e fúteis, que existem em qualquer lugar do mundo e que tanto estragam a vida de muita gente. Curioso que os mesmos indivíduos que posam de "apaixonados patriotas" em épocas de copa, quando as férias chegam, só viajam para o exterior, para ver coisas bem menos interessantes do que as que existem em nosso país.

Deitado eternamente em berço esplêndido, / Ao som do mar e à luz do céu profundo

Outro verso realista, mesmo que metaforicamente, já que quem está deitado não é o país e sim a sua acomodada população, que prefere priorizar a diversão do que lutar para resolver os seus problemas, o que exige esforço e risco. Vai que você invada o congresso para lutar por condições melhores de vida e aí vem a polícia, os seguranças e se necessário, as forças armadas, reagindo com violência, tirando a sua vida. Melhor para você é esquecer os problemas com algo narcotizante - nem que seja uma mera cerveja - deitado numa daquelas cadeiras de praia ao som de uma horrenda música cafona, à luz do espetáculo, coisas em moda hoje em dia. Mas não se preocupe: o problema irá retornar de surpresa, após o fim do "transe" narcótico.

Fulguras, ó Brasil, florão da América, / Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Para entender esses versos, temos que ir ao dicionário, já que foi escrito em "outro idioma", o "rebusquês". "Fulgurar" significa "brilhar" e "florão" - que não significa "flor grande" - uma espécia de ornamento em forma de flor que aparece nos tetos de edifícios bem antigos. Os versos sugerem que o Brasil se destaca no mundo. Só se for pelos seus defeitos. Os estrangeiros não se interessam pelo Brasil, país que eles pensam ser uma gigantesca selva (mito), com um povo que só quer saber de se divertir e lucrar com o menor esforço possível (fato). Estamos cansados de saber que em matéria de qualidade de vida, muitos países estão a frente do nosso.

Do que a terra mais garrida / Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,"Nossos bosques têm mais vida", "Nossa vida" no teu seio "mais amores"

Continuamos a ignorar nossas belezas naturais, relaxando em sua conservação e deixando de usufruir o que elas dão de melhor. Triste é o país cuja população ignora as suas belezas naturais típicas, ainda mais com uma fartura de beleza e diversidade que só existe em nosso país. As apas são justificadas pelo fato de serem versos extraídos da obra Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, num claro exemplo do que significa "trecho incidental".

Brasil, de amor eterno seja símbolo / O lábaro que ostentas estrelado,

Amor eterno? Só se for em troca de favor, já que boa parte da população é tradicionalmente interesseira, só agradando aos outros em troca de algum favor. "Lábaro", para quem não sabe, significa "bandeira". Realmente a nossa bandeira é estrelada, mantendo a nossa tradição de imitar os estadunidenses. Estrelas que para a população não significam bulhufas.

E diga o verde-louro dessa flâmula / - Paz no futuro e glória no passado.

Se o verde significa a nossa mata, não dá para entender porque a esta cor é referida a "fala" dita no outro verso que diz que teremos paz no futuro e tivemos glória no passado. Do jeito que estão acabando as nossas matas, não dá para imaginar glória ou paz, já que tradicionalmente nosso país nunca foi objeto de colonização e sim de exploração. Que tipo de paz teremos no futuro com os cataclimas que acontecerão por nossa irresponsabilidade com o meio-ambiente?

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Justiça? Ha, ha, ha! Inocentem os ricos e prendam os pobres! Esse é o lema de nossos "grandes juristas" (felizmente os verdadeiros juristas não pensam assim - mas não podem fazer nada pois não possuem o poder dos falsos), que não por acaso, pensam e agem como se fossem "deuses". Como se um diploma de Direito fosse fazer alguém ser melhor que os outros. Precisam estudar mais não apenas as leis, mas algum manual que ensine a defender o bem estar da coletividade e não de uma meia dúzia de bandidos enrustidos.

Verás que um filho teu não foge à luta, / Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Considero este o mais absurdo e o menos realista de todos os versos. Se fôssemos realmente um povo bravo que nunca foge a luta, teríamos aos milhões invadido o congresso e tirado na marra aqueles corruptos que vivem mentindo para nós, além de boicotarmos produtos de empresários gananciosos e compactuados com as sujeiras do poder. Mas não. O povo, feito cordeirinho, prefere ficar sentado na frente da hipnótica TV, achando que a vitória de um time de futebol - ou da "seleção" - irá resolver os seus muitos problemas corriqueiros.

Dos filhos deste solo / És mãe gentil, / Pátria amada, / Brasil!

Acho melhor nem tentar rimar este verso. Mas a obscena rima é para onde o país irá se a população não se conscientizar e lutar por melhorias reais, que não signifiquem estádios de futebol e um enorme trem sobre pneus a rodar em lugares onde moradias foram derrubadas.

Feliz Dia da Pátria. E juízo, hein?

(Texto de 2013 revisto e atualizado)

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