terça-feira, 31 de março de 2020

Porque as pessoas continuam a se casar, se não se amam?

A vida adulta não é espontânea. Como os adultos vivem de compromissos, eles se acham obrigados a seguir uma série de rituais para obter aprovação e admiração social e consequentemente os benefícios que somente o bom convívio com outras pessoas pode oferecer. O casamento é um desses rituais.

Para quase toda a totalidade das pessoas, principalmente no lado ocidental do planeta, é essencial que cada pessoa fique vinculada a outra, como se algum ser humano pudesse ser propriedade de outro. A isso se chama casamento e quem não possui a sua "metade" se sente sozinho, é tratado como "perdedor" (mal-amado) e perde no mínimo o respeito social, não raramente se tornando objeto de chacotas.

Legal mesmo é ter a sua "metade". Mas isso esbarrara no instinto humano, que não é o de um ser monogâmico. Humanos são poligâmicos por natureza e a monogamia foi imposta pelas religiões como meio de criar padrões fixos de família. 

O amor-livre reivindicado no final dos anos 60, adequado a natureza poligâmica da humanidade, caiu em desuso. Nem mesmo os esquerdistas, metidos a querer mudar o mundo querem saber do amor-livre, preferindo relacionamentos estáveis cada um com a sua "metade", seguindo o que o Jesus medieval, mestre das catacumbas, mandou.

A obrigatoriedade do casamento cria uma situação que é contraditória: a necessidade de vínculo com outra pessoa, junto com a necessidade de se manter afastado dela periodicamente. Casais-grude, eu vivem a maior parte do tempo junto, causam nojo nas mesmas pessoas que reprovam o amor livre. O que significa que a função do casamento é criar vínculo, não em criar uma vida a dois.

Isso explica porque a maioria dos casais ou não se ama, ou não tem afinidades, ou nenhuma das duas coisas. Casar com a metade literal é quase impossível e depende de uma sorte extrema.É muito mais fácil ganhar milhões na loteria do que se casar com uma pessoa com afinidades quase totais. 

Geralmente, na melhor das hipóteses, casamentos bem sucedidos ocorrem, no mundo atual, com um nível de 40% de afinidade. Mesmo assim, não é raro que um dos cônjuges tenha que ceder para conviver pacificamente com o outro, que antes de conhecer seu parceiro, foi educado em um ambiente totalmente diferente da pessoa com quem se casou.

Afinidade e amor juntos, nunca separados, nem ausentes

O ideal que casamentos só pudessem envolver pessoas que se amam e se afinam totalmente, com as duas coisas juntas. Uma delas ausente não dá. Amor conjugal sem afinidades resulta em brigas. Afinidade sem amor conjugal é  coisa  de amiguinho, não casamento. A ausência das duas é pura catástrofe, relacionamentos feitos para caírem na ribanceira e se espatifar.

Só que mais ideal ainda seria que ninguém se casasse. Romantismo, num mundo tenso e competitivo, onde a ganância capitalista  faz as leis, torna a vida a dois como coisa de novela e de cinema. É impossível reconstituir com perfeição aquilo que nos faz chorar quando assistimos aquele pomposo filme romântico no cinema ou na sessão da tarde de uma televisão.

O instinto humano pede o fim dos casamentos. É mais democrático. Ninguém se sente excluído e todos os homens e todas as mulheres podem se curtir, sem padrões, sem interesses, sem hipocrisia. Mas queremos rituais e o casamento ainda é uma oportunidade de obter respeito social. 

Enquanto for assim, vamos querer nos casar, mas mantendo todas as injustiças existentes nos outros setores deste mundo perversamente ganancioso. Casamentos entre pessoas que não se gostam e não se afinam criados somente para agradar aos outros e se sentir incluído socialmente. Até que a sensatez os separe.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Anna Kendrick quer interpretar Laura Nyro em possível cinebiografia

Uma conversa informal nas redes sociais mostrou a sugestão para uma possível cinebiografia sobre a minha cantora favorita, a subestimada novaiorquina Laura Nyro, falecida em 1997 de câncer no ovário. Quando eu li a notícia, cheguei a pensar em uma cinebiografia em andamento, mas tudo não passou de uma conversa envolvendo uma atriz e seu amigo.

O curioso que a atriz na conversa era a famosíssima Anna Kendrick, que ao conversar com um tal de Louis Vertel, que achava Lady Gaga perfeita para interpretar Laura Nyro em uma possível cinebiografia, a atriz do musical Pitch Perfect se ofereceu para interpretar a cantora.

Vertel desafiou a atriz, que sabe cantar muito bem, sobre a versão dela para a bela Eli's Comin (que eu adoro) e Kendrick, ironicamente disse que se Vertel a conhecesse aos 14 anos teria "seu cérebro queimado", possivelmente querendo dizer que sua versão para a música seria brilhante.

Fisicamente, Anna Kendrick em nada se parece com Laura Nyro. Há atrizes bem mais parecidas com a cantora como Krysten Ritter, Margaret Qualley e a britânica Bel Powley. Mas há uma tendência em não colocar sósias em cinebiografias, focando muito mais na atuação do ator escolhido que na semelhança física da personalidade focalizada.

Além disso, Anna Kendrick é bastante conhecida, popular e ajudaria muito a romper a bolha que isola os fãs de Laura Nyro, que apesar da gigantesca qualidade artística, é bastante desconhecida do grande público. No Brasil, nem se fala, já que Nyro é tratada como se nunca tivesse existido.

A cinebiografia com uma atriz famosa ajudaria a mostrar a beleza da obra de Laura Nyro às massas, que ainda pensam que uma grande cantora é aquela que canta músicas lentas berrando como se estivesse parindo, como uma outra cantora, esta superestimada, falecida após se envolver em uma série de escândalos.

A obra de Laura Nyro merece muita atenção, pois a sua qualidade artística é forte, nivelada aos melhores compositores mundiais como Bob Dylan e os membros dos Beatles, e tomara que esta simples conversa se concretize em uma cinebiografia, aproveitando da boa vontade de Anna Kendrick - que demonstrou gostar da cantora/compositora, o que me deixa feliz - que se apresentaria imediatamente, caso algum produtor ou diretor se interessasse em dar a partida para a realização da obra.

domingo, 29 de março de 2020

Quando um vírus lhe impede de realizar seus planos

Hoje é o aniversário de Salvador (parabéns, Salvador!). Estava pensando em escrever algo sobre a cidade e, nestes tempos de quarentena por causa da tal de Covid-19, só poderia mesmo escrever sobre o adiamento de meu retorno a capital baiana, por motivos que todos sabem. Para evitar contágios, todo e qualquer projeto teve que ser cancelado e quando possível, adiado.

Eu estava animado para o retorno a Salvador. A volta a Niterói em 2008 foi resultado de uma imaturidade minha e da junção entre elitismo, saudosismo e confiança religiosa. Todas equivocadas. Percebi que Niterói não combina com o meu estilo de vida e com o meu pensamento e que se um dia gostei da cidade fluminense é porque a adolescência de qualquer pessoa é boa em qualquer lugar. Mesmo nos piores lugares.

Fui feliz em Salvador, mas não tive a maturidade necessária para perceber isso. Tive excelentes oportunidades que a minha falta de esperteza deixou passar. Oportunidades que seriam impossíveis em Niterói, dado o contexto da cidade e da mentalidade de sua população. A decisão de voltar foi sábia, mas o coronavírus estragou meus planos.

Não acredito em astrologia, mas um fato em minha vida coincide muito com Horóscopo Chinês: todo ano de Rato é ano de mudança de residência. 1972 foi assim, 1984, 1996 e 2008. Todos os indícios confirmavam que a tradição seria mantida e mais um ano de Rato se tornaria mudança de residência. Claro que o ano ainda está longe de acabar e muita coisa pode acontecer. Mas a tradição vai se confirmar?

Esquecendo horóscopos e afins, independente disso, a  própria vida minha, meus projetos e o que eu pretendo fazer com eles, exige o retorno a Salvador. A mentalidade da população, majoritariamente progressista (do contrário dos conservadores e elitistas niteroienses) e o fato de que Salvador está progredindo como cidade, são mais do que necessários para que a minha vida, com realização bastante tardia, pudesse obter algum tipo de impulso.

Antes desta crise de saúde virótica, já estava começando a criar as condições práticas para a minha mudança para Salvador. Mas além da demora em achar alguém que pudesse comprar o meu apartamento (dependo da grana da venda para comprar outro apartamento lá), veio esta quarentena e se depender das perspectivas de médicos e cientistas, vamos todos demorar bastante para sair da quarentena.

Isso significa que é possível, mesmo ainda não provável, que adie a minha transferência para 2021, curiosamente o ano em que eu completo a quinta década de vida. Devido a muitos erros que cometi na vida (incluindo a recusa involuntária de muitos acertos, por falta de orientação profissional), estarei, aos 50 anos numa situação em que uma pessoa normal estaria aos 20, cheios de incertezas e escasso de experiências e de perspectivas concretas.

De qualquer forma, vou observar os fatos. Não vou me desesperar mas também não vou me alegrar. Vou aguardar o fim da quarentena e esperar as coisas acontecerem para eu poder tomar a decisão. A volta a Salvador ainda está de pé, mas pode acontecer mais tarde do que pensei. Só espero que as circunstâncias favoreçam a conquista de um emprego estabilizado para que eu possa ter meu restinho de vida com dignidade, alegria e a satisfação de minhas necessidades.

sábado, 28 de março de 2020

Considerações sobre o Tinder

Com a popularização das redes sociais, foram criadas também, com base nas comunidades de namoro das mesmas, aplicativos criados para paqueras. Analisei vários deles e cheguei a algumas conclusões. Apesar de ter analisado vários, vou falar aqui apenas do mais popular deles, o Tinder.

Antes de tudo, já vou logo estragando a festa: o Tinder é apenas uma brincadeira, como todos os aplicativos e redes sociais de namoro. É segredo de polichinelo o fato de que esses recursos são para perdedores e que os homens e mulheres que sabem o que querem, conquistam seu parceiro pessoalmente, nos meios tradicionais, principalmente entre vizinhos, colegas de estudo e de trabalho.

Aplicativos para namoro são feito para quem não leva a vida amorosa a sério (embora muita gente alegue querer "relacionamentos sérios, mostrando perfis que sugerem o oposto). Fotos e descrições nos perfis deixam bem clara a futilidade de seus usuários. São muito raras as pessoas que mostram um perfil adequado a uma pessoa que leva a vida amorosa a sério.

São fotos pseudo-sensuais, poses ridículas, em situações que sugerem alcoolismo, fanatismo religioso e futebolístico, fotos que sugerem infantilidade. Enfim, o pior do pior para todos os desgostos, perfis feitos para espantar qualquer pretendente.

Mesmo em fotos e perfis que nada denunciam, há sempre o risco de haver decepções. Brasileiros são seres mais sociais que a maioria dos seres humanos e isso significa fazer tudo o que a "manada" faz. Seguir a maioria parece sempre o correto a fazer, mesmo que a manada siga rumo ao despenhadeiro. Isso significa a adesão incondicional ao modismo do momento ou a tradições para lá de arcaicas.

Pessoas com perfis diferenciados são muito raras de encontrar em aplicativos de namoro. Até parece que para quem é diferenciado, há o conhecimento de que esses aplicativos só tem serventia para quem está disposto a pagar mico nas redes sociais, virando piada em quadros do tipo "os perfis mais hilários do Tinder". Como se o Tinder fosse criado apenas para pessoas serem ridicularizadas.

Como todos os aplicativos, o Tinder é pago, do contrário que muitos pensam. Os aplicativos de namoro só tendem a liberar gratuitamente apenas poucos recursos e se quiser utilizar de forma mais plena qualquer aplicativo, vai ter que soltar alguns trocadinhos. Senão, o jeito é se contentar em dar "Nope" para uma cacetada de nulidades humanas que aparecer na tela de seu celular.

Moral da estória: aplicativos são para perdedores. Quem tem o pé no chão sabe que conquista é presencial, ao vivo e a cores. Aplicativos são apenas para que otários paguem mico enquanto seus criadores ganham rios de dinheiro através da publicidade que exige número grande de inscritos. Muitos carneirinhos a alimentar um punhadinho de lobos famintos.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Os 60 anos de Renato Russo

Hoje se comemora os 60 anos de um nome, que junto a Cazuza e Chico Science, era dos últimos intelectuais da música brasileira (infelizmente todos falecidos), Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo.

De trajetória ímpar, Russo foi um importante nome da cena punk brasiliense, embora ele tivesse nascido no bairro da ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Curiosamente Brasília, a cidade que o acolheu também completa neste ano, 60 anos, quase um mês depois dos 60 de Renato.

As letras de Renato Russo eram diretas, com franqueza quase agressiva. Russo não enrolava, dizia o que deveria ser dito. A boa amostra do trabalho dele está em toda a discografia da Legião Urbana, para mim a melhor banda surgida no Brasil. A carreira solo de Russo privilegiou mais músicas alheias, dando férias a função de compositor. Mas a bela voz e as fartas informações musicais, o faziam recriar as canções.

Russo faz muita falta nos dias de hoje, quando a música aparece infectada pela mediocridade do mercenarismo musical de empresários gananciosos e da mediocridade artística de que quer, mesmo sem assumir, usar a música apenas para ganhar dinheiro fácil.

Renato Russo, parabéns!!! Não sabe como continuamos precisando de compositores como você. Saudades!!!!

"Índios"
(Renato Russo)

Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha

Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente

Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente

Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a
Cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes

Quem me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado

Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim

E é só você que tem a
Cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui

quinta-feira, 26 de março de 2020

Cores... Rótulos...

ENCORPANDO A VITAMINA: Este texto, escrito por mim em 2009 parece bem atual. A sociedade se confunde na hora de rotular estilos musicais, pois o assunto é tratado com alto nível de subjetividade. Cada um define como quer, apesar de certos conceitos equivocados se consagrarem com a ajuda da mídia, que define estilos e gêneros musicais não pela música em si, mas por um conjunto de estereótipos associados aos mesmos. Estes conceitos equivocados acabam sendo aceitos como consenso pela maioria das pessoas, como se fosse um fato real e inquestionável.

Cores... Rótulos...

Marcelo Pereira, Planeta Laranja, 16/08/2009

Interessante como as coisas que deveriam evoluir, ao contrário decaem até chegarem totalmente no ridículo. Hoje em dia, as pessoas, sobretudo os jovens, costumam rotular gêneros musicais baseados em critérios que não são a própria música. Se não bastassem medirem a qualidade musical usando como critérios, o gosto ou a popularidade, eles passaram a usar não a audição, mas a visão como ofrma de detectarem que tipo de música estão ouvindo.

Essa juventude, que pensa que gostar de música e entender de música são sinônimos, se acha no direito de posar de sabidona e muitas vezes essa mesma juventude é acatada pela mídia, já que nos setores de lazer e cultura, por não serem "setores importantes" da humanidade, qualquer julgamento subjetivo se torna válido. Aí vem os erros de rotulação, que facilitam tantas confusões e criam certos danos, sobretudo para quem não anda nos trilhos do maistream e do hit-parade.

O erro mais comum

Um dos erros mais comuns é o de rotular interpretes de pop dançante que alcançaram imensa popularidade de "roqueiros". Existe o estigma de que intérpretes de dance music não têm rosto conhecido e/ou tem fama e sucesso efêmeros, de pouca duração. Entende-se como pop dançante: o soul, o funk (legítimo, tipo James Brown, por exemplo), a disco-music, o techno, a dance-music propriamente dita. Mas quando o intérprete de dance-music, como Madonna, se torna imensamente conhecido, fazendo sucesso por muito tempo, recebe gratuita e automaticamente o rótulo de "roqueiro".

Mas um imbecil andou espalhando para todo mundo que "rock é atitude" e foi um prato cheio para quem não tem paciência de definir uma sonoridade apenas com o ouvido. O pior que esse erro veio importado, dos States. Aí é só um intérprete de pop dançante fazer cara de mau em clipe, encher a cara nos bastidores, aprontar algum escândalo em sua vida pessoal e pronto: ganha gratuitamente rótulo de "roqueiro", assim de graça, sem fazer nada, nadinha relacionado ao gênero. Gravar uma ou outra musiquinha de rock não garante o rótulo de "especialista em rock".

Um exemplo desse equívoco chegou ao extremo no episódio da morte de Michael Jackson, nome mais bem sucedido do funk legítimo (gozado, não vi ninguém associar o astro ao gênero que ele consagrou). Em textos na internet, seja em blogs ou em sites de relacionamento, muitos elogios exagerados foram atribuídos ao astro então recentemente morto. Os elogios chegavam a atribuir qualidades que Jackson não tinha e ignoravam as verdadeiras qualidades do astro, que era um hit-maker do funk autêntico, cantor e compositor mediano, que privilegiava o visual em clipes e coreografias e que era endeusado constantemente pela mídia, nada preocupada com o que ele escrevia ou cantava.

Ele quase não gravou nada de rock. Pelo que eu sei, somente "Dirty Diana" (em homenagem ao verdadeiro amor de sua vida, a cantora soul Diana Ross) e "Rock Robin" (dos tempos da Motown, a casa do soul), têm algo de rock. "Beat it", conhecidíssima por todos, menos por mim, como o "rock do Michael Jackson" não é um rock, pois seus arranjos, principalmente sua batida é de funk puro. Ritmo é batida, que é feita com a junção de bateria e baixo. Corretamente, o som do baixo e da bateria é que devem ser levados em conta na hora de rotular um gênero. Mas no caso de "Beat it", o coadjuvante (a guitarra) virou protagonista e Jackson ganhou gratuitamente o rótulo de "roqueiro" só por causa dessa música e pelas cara de malvado que fez em muitos de seus clipes. A título de comparação: os sambas de Chico Buarque são em muito maior quantidade do que os rocks de Jackson e nem por isso o compositor brasileiro é rotulado de "sambista".

Para confrontar o caso de Jackson, uma situação curiosa e infeliz. Enquanto um funker como Jackson é rotulado de roqueiro influente, como um analfabeto musical falou em uma comunidade do Orkut, uma cantora teen, Demi Lovato, que realmete é roqueira, pois o tipo de música que ela faz é realmente rock (detectei com o ouvido), nunca é associada ao gênero, pois ela é vista frequentemente como "música infantil", rótulo que prejudica a percepção de alguma qualidade realmente existente no som que ela faz. Quer dizer que Britney Spears fazendo música infantil, é "roqueira" enquanto Demi Lovato fazendo rock é infantil? Ridículo.

Soul e Rock se parecem porque são irmãos

Muita gente acha que soul music e seus gêneros descendentes (funk, disco, dance-music), são subdivisões do rock. Os defensores alegam semelhanças nos gêneros, principalmente nos anos 60. Realmente, se observa semelhança, principalmente se lembrarmos que havia permuta entre as primeiras músicas do rock inglês e do soul americano, sobretudo o da Motown. Simples: ambos são filhos de um mesmo pai, o blues. Uma dupla de irmãos não pode ser considerada "uma mesma pessoa". Suas semelhanças são herdadas do blues, gênero-pai do rock e do soul. Observem as características.

POP-ROCKPOP/ROCKPOP ROCK: Rótulo para confundir ainda mais

Para piorar as coisas, nos últimos anos, para tentar acabar com a polêmica sobre quem era rock ou não, a mídia resolveu criar um estrambólico termo que pode ser escrito de três maneiras, citadas acima, tentando reunir tudo que é entendido como "música popular jovem de origem anglo-americana" num único rótulo. Um balaio de gatos em que até leões, tigres e peixes-gato são tidos como gatinhos domésticos.

O que ninguém sabe, é que pop, é abreviatura de popular, em oposição à música erudita. O termo também pode ser usado para dizer que algum artista aderiu a uma tendência mais popular (comercial) ou quando se está em dúvida quanto a rotulação musical, já que todos os gêneros não-eruditos são pop.

Mas esse rótulo é equivocado no sentido de servir como um sinônimo de rock. De acordo com o modo de como é escrito, pode se ter três significados verdadeiros:

POP-ROCK: Um gênero que pode ser entendido como fusão dos gêneros dançantes com o rock. Exemplos: New Order, Nação Zumbi, Red Hot Chili Peppers, etc.

POP/ROCK: Situação em que se deve decidir entre os gêneros não-roqueiros e o rock. Quando se quer dizer, por exemplo, que só uma das opções pode ser tocada num determinado momento.

POP ROCK: Literalmente, rock popular. Escrito sem barras ou hífens, se refere às bandas de rock que alcançaram bastante popularidade, como os Beatles e o U2.

As pessoas deveriam usar mais os ouvidos na hora de associar alguém com algum gênero musical. Música é, acima de tudo audição e usar os olhos para se definir quem é o quê, é um grande erro neste caso, já que visual nada tem a ver com som. E é recomendável ler livros que falam do assunto, usando muita coerência, pois não falta quem ensine errado . Vamos procurar se informar para não chegar a gigantesca pagação de mico (ou será de King Kong?) do "episódio Michael Jackson".

quarta-feira, 25 de março de 2020

Não se mede qualidade musical com sucesso

Minha nossa! A ludibriamento feita pelas gravadoras e meios de comunicação está dando certo! Muita gente iludida com os ídolos fabricados pela mídia, achando que tais ídolos são "poetas" e ignorando todo o esquema feito pelas gravadoras e mídia, formadas por empresas que tem como único objetivo ganhar dinheiro.

Saudades dos anos 60, a melhor década cultural de todos os tempos, em que artistas não eram submissos às gravadoras ou às paradas de sucessos e que criavam belíssimas canções que valorizavam a inteligência, a beleza e a criatividade.

Desde os anos 70, a indústria, cansada dos avanços sugeridos pelos artistas e intelectuais da década anterior, que ameaçavam a ganância capitalista, incluindo a de poderosos magnatas da indústria do entretenimento, optou por retomar o conservadorismo mercenário da cultura dos anos 40 e 50.

Aí o povo preferiu se esbaldar nas discotheques enquanto as desigualdades eram mantidas. A qualidade musical foi se deteriorando, artistas foram se tornando escravos das gravadoras e aí quem fazia música de qualidade ia aos poucos fadado ao esquecimento sob rótulo de "música para intelectual".

Nos anos 90 houve a consagração do mercantilismo cultural. Com a queda do muro de Berlim, os capitalistas se sentiram fortes e livres como nunca e invadiram todos os setores da humanidade, privatizando tudo, todos e quem estivesse na frente. Aí a qualidade musical foi pro brejo, literalmente.

Hoje, retomamos a ideia arcaica - que quase ia sendo derrubada, primeiro nos anos 60 e depois nos 80 - de que as paradas de sucesso, as vendagens e a presença na mídia são atestados de qualidade musical. Esta que também é medida pela plateia , pela posição nas paradas de sucesso e frequência em que é mencionado na mídia oficial. Independente de que som faça, com ou sem espontaneidade.

Os escravos de mídia, gente que acha que tudo que aparece na TV é o que existe de cultura e que por isso ignora a existência de qualquer artista que não apareça na mídia, se irrita quando tento estabelecer a diferença entre a mass-culture (o que eles curtem) e a cultura de verdade.

Gente que precisa aprender que gostar de algo não significa dar valor cultural. Particularmente não gosto da música de Leonard Cohen, mas reconheço que ele tem uma gigantesca importância cultural. Já gosto de muitas músicas da Madonna, mas acho ela apenas uma entertainer. Surgiu apenas para divertir, com valor cultural zero.

Podem continuar curtindo seus ídolos, compre seus discos e vejam seus vídeos e shows. Mas saibam o que estão consumindo e parem de vê-los como deuses. Esses mesmos ídolos não vão colocar a comida em suas mesas por vocês pensarem desta maneira.

terça-feira, 24 de março de 2020

Confinamento causará uma onda de divórcios, desmascarando casamentos de fachada

O ser humano é um ser social. Nasceu para viver em grupo, rodeado de muitas pessoas. Para viver em sociedade, cada ser humano se dispõe a seguir as regras impostas por cada grupo social. Isso implica na desistência da vontade e até mesmo do prazer. 

Sabendo que vários dos direitos básicos são adquiridos graças a vontade alheia, satisfazer o prazer acaba sendo menos necessário que a obediência as regras, o que obriga as pessoas a terem os mesmos gostos e opiniões da maioria, como moeda em troca de respeito e cooperação.

Isso inclui a vida afetiva, já que entre essas regras, está o adesão a uma série de rituais a serem rigorosamente cumpridos na vida adulta: se formar, arrumar emprego, casar, ter filhos, torcer para futebol, ir a bares, ter uma religião, etc. O cumprimento desse roteiro de rituais é essencial para obter respeito e o favorecimento que garantirá a ajuda alheia necessária para se obter o que nos mantém vivos e sadios.

Casamento como obrigação social

Vamos nos ater ao casamento, pois é o foco desta postagem. Para entendê-la é preciso lembrar que estamos em uma espécie de isolamento por causa de uma nova doença a COVID-19, causada por um coronavírus de que o ser humano ainda não possui anti-corpos. O isolamento nos obriga a ficar 24 horas por dia do lado de pessoas que, apesar de morarem com a gente, pensam e agem de forma diversa, o que levar a um risco de discórdia e consequentemente, de brigas.

Além disso, outra coisa a nos lembrar, o ritual imposto pela vida adulta nos obriga a casar com alguém. O ser humano não é monogâmico e por isso, o casamento é um sacrifício feito em troca de favores sociais que garantirão a nossa sobrevivência. 

E sem esse papo infantiloide de que todos se casam com suas "almas gêmeas" por que isso é uma tolice. Casa-se geralmente com o primeiro que aparece e satisfaz alguns anseios. Sempre obedecendo as regras impostas pela sociedade que é extremamente burocrática, sem assumir isso, nos assuntos envolvendo vida afetiva e conjugal.

Normalmente uma pessoa se casa com alguém que faz parte do meio social em que se está incluído, pois as mulheres, entusiastas da presunção de culpabilidade (o homem deve provar que não é uma ameaça à mulher que ele quer conquistar), odeiam se envolver com desconhecidos.

Isso faz com que seja quase inevitável o casamento entre pessoas não afins, já que em um grupo social fechado e com número limitado de pessoas (já que as mulheres odeiam desconhecidos), as chances de encontrar a "alma gêmea" se reduz drasticamente. Mas a sociedade quer que todo adulto se case. Então, "se não tem tu, vai com tu mermo".

Por isso que muitos casamento de fachada, sem amor e afinidade (estas duas condições, e sempre juntas, não podem faltar uma delas, para o sucesso de um relacionamento conjugal) são formados, obrigando duas pessoas que apenas se suportam a viver 24 horas em baixo de um teto.

Pelo menos a vida profissional tem dado uma espécie de folga para que cônjuges deixem de se ver por um longo tempo na tentativa de usar o afastamento como uma forma de reacender a falsa chama da paixão e tentar inutilmente transformar o casamento de fachada em uma estória de amor daquelas que vemos em filmes e novelas.

Se casar para agradar a sociedade

Mas o confinamento imposto pelo coronavírus acabou com este afastamento. Agora os casamentos estão sendo colocados à prova: será que eu amo mesmo aquela pessoa que eu escolhi para casar, já que agora eu tenho a oportunidade de ficar sempre com ela e somente com ela, me distanciando de amigos e colegas de trabalho? 

O resultado disto é o aumento de divórcios que começa a acontecer no mundo, já que muita gente acabou descobrindo que se casou com a pessoa errada. Pois ao optar pelo matrimônio, estava mais preocupada a agradar a sociedade ao redor do que a ouvir as vozes de seu coração e de sua mente.

O período que estamos vivendo está servindo para destruir a hipocrisia não apenas de empresário gananciosos, mas de falsos românticos, que agora terão que ficar 24 horas aprisionado a monogamia contradizente com a natureza humana e que nos foi imposta pelas regras sociais.

Estamos em tempos difíceis. Mas pelo menos se aproxima o tempo em que não vai mais dar certo enganar os outros. A hipocrisia tão presente na humanidade há séculos terá que sumir. E nada com um vírus, invisível ao ser humano, para nos estimular a não sermos hipócritas.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Agora é o melhor tempo para cultuarmos os Beatles

ENCORPANDO A VITAMINA: Estou postando este texto, escrito por mim, curiosamente na mítica e mística data 09/09/09, porque estou ouvindo muito falar em Beatles nas redes sociais. Principalmente porque estou seguindo o perfil da Beatles School, comandada pelo genial professor mineiro Gilvan Moura, que literalmente nos ensina coisas que envolvem a carreira do quarteto de Liverpool e suas dissidências solo. 

Recentemente recebi uma dica de ver filmes dos Beatles - ou que falem sobre eles, como o recente Yesterday e a segunda parte do Clube dos Cinco - do mesmo perfil, sugerindo outro portal que disponibiliza tais filmes. Realmente, a música dos Beatles é fascinante (mais ainda na segunda fase, a partir de Revolver, meu álbum favorito) e por ser atemporal, não enjoa e nem fica caduca.

Este texto abaixo, eu comento sobre lançamentos póstumos dos Beatles que foram lançados até aquela data. Claro que mais coisas dos Beatles continuam a sair nas lojas (lá de fora, Brasil não vende mais CD), como o segundo volume de Live at The BBC, primeiro lançamento dos Beatles na Universal Music, que comprou o catálogo da banda após a extinção da EMI Records.

Este ano teremos a comemoração dos 50 anos de lançamento de Let it Be, o último disco lançado (e penúltimo gravado, já que Abbey Road foi gravado depois de Let it Be), com direito a um documentário dirigido pelo cineasta Peter Jackson, responsável por Senhor dos Anéis e  por aquele lindo filme que conta de forma delicada o amor lésbico protagonizado por duas deusas: a neozelandeza Melanie Lynskey (Two and a Half Man) e a britânica Kate Winslet (Titanic), Heavenly Creatures.

Nesta época de quarentena, nada melhor que ouvir muito Beatles, ver filmes sobre eles e ler bastante as inúmeras curiosidades sobre a banda, que nunca para de ter estórias para contar, mesmo tendo dois integrantes mortos. Ah, e dois deles celebram a oitava década de vida neste ano, Ringo e o saudoso John! O que significa que teremos muita festa envolvendo Beatles. Se liguem!


The Beatles em CDs póstumos


Marcelo Pereira, Planeta Laranja, 09/09/09

Em 1987, 1988 no Brasil, toda a discografia dos bardos de Liverpool foram lançados em CD e as faixas de compactos, não incluídas em nenhum álbum, foram reunidas na coletânea dupla Past Masters.

Porque estou falando disso aqui? É porque hoje, propositalmente no dia 09/09/09 (referência a Revolution #9 do "White Album"), além do lançamento do jogo de videogame The Beatles: Rock Band, toda a discografia da banda está sendo relançada com nova remasterização e com os primeiros títulos pela primeira vez em estéreo. Aliás, todos os estéreos foram corrigidos e aquela excessiva cristalização que George Harrison não gostava foi eliminada.

Os CDs foram relançados com o lamentável estojo digipak (papelão) e possui fotos inéditas em um encarte enfiado numa aba interna do papelão. Apesar disso, cada título avulso não sairá por menos de R$ 30 (Socorro! Pega ladrão!).

Aí me lembrei que desde o relançamento de 1987, sempre se procurou lançar algum título póstumo para tentar manter a Beatlemania viva. Todos lançados pela Apple/EMI. Vamos recapitular:
1987 - PAST MASTERS: As faixas avulsas de compactos e que só compareciam em coletâneas foram reunidas em dois CDs neste álbum.
1994 - LIVE AT THE BBC: As sessões de rádio na famosa emissora briitânica, trasmitidas durante o início de carreira da banda estão neste CD duplo, totalmente em mono.
1995 - ANTHOLOGY: Para acompanhar o especial de televisão, posteriormente lançado em 8 DVDs, um monte de raridades foram reunidas em três álbuns duplos (6 CDS!!!).
1999 - YELLOW SUBMARINE SOUNDTRACK: Uma edição diferente da trilha do famoso desenho com as outras faixas dos Beatles que tocaram no filme no lugar das instrumentais de George Martin.
2000 - 1 (COLETÂNEA): Um "Best of" dos Beatles com faixas conhecidas que serve de introdução para quem não conhece (quem?) o trabalho da banda.
2003 - LET IT BE NAKED: Paul McCartney sempre se mostrou insatisfeito com o resultado do Let It Be original, único álbum da banda produzido não por Martin, mas pelo inventor do "Wall of Sound" Phil Spector. Aí, em 2003, se decidiu re-editar o álbum do jeito que Macca queria, sem orquestrações e com a sequência alterada, além da substituição da vinheta cantada em ritmo de skiffle Maggie Mae por Don't Let Me Down, já incluída no Past Masters.
2006 - LOVE: Esse trabalho foi feito em parceria como famoso Cirque Du Soleil, famoso por dar uma cara ultra-moderna a arte circense. A equipe do circo montou um espetáculo inspirado nas músicas dos Beatles, chamado Love, e para isso foi montado uma espécie de coletânea em que a ordem das musicas seguisse a do espetáculo. Algumas faixas foram "casadas", formando medleys, já que o roteiro do espetáculo exigiu isso. Também foi lançado em DVD, com o making of do espetáculo.

    
    

Bom vou ver se compro algum dos títulos remasterizados e tentar guardá-los em estojos normais, com as capas das edições de 1987. Pelo menos em sonoridade vou sair ganhando.

domingo, 22 de março de 2020

Primeiro caso de suicídio após quarentena nos faz muito a pensar

Parecia que eu estava adivinhando. Quando foi anunciada a quarentena, eu comentei para meu pai e meu irmão, as únicas pessoas que estão comigo neste isolamento, que haveriam casos de suicídio, pois o ser humano, mais ainda o brasileiro, não suportaria viver sem vida social. 

Acredito que muita gente não concordaria comigo e acharia que o brasileiro é forte, aguenta sofrimento e iria sair dessa da melhor maneira. Mas não é que o primeiro caso de suicídio por não suportar o isolamento apareceu? E logo no Brasil?

Tivemos a notícia da morte de um talentoso roteirista e produtor da TV Globo e Globo News, Bruno Lima Penido. Era um dos responsáveis pelo roteiro das últimas temporadas de malhação. Ele não aguentou o isolamento e decidiu se jogar da janela de seu apartamento na manhã de ontem. Tinha aparência de galã e apenas 41 anos de idade.

O caso pode parecer isolado, mas é digno de muita reflexão. Eu mesmo tenho andado triste nestes últimos dias. Nem a doença me preocupa muito pois há anos sempre tive o cuidado de higiene recomendado ultimamente, iniciado quando nem imaginava este novo surto pandêmico. O que me preocupa é a minha vida profissional e a vida social e o que acontecerá quando a quarentena acabar.

O caso de Bruno Penido mostra que as pessoas que estão neste isolamento devem fazer uma reflexão profunda sobre si mesmas, caso não tenham condições de ter um acompanhamento profissional psicológico. Brasileiros gostam de estar em grupos e isso é caracterizado pelo costume de imitar os gostos e convicções das maiorias. 

Assim, brasileiros prometem sofrer mais que outros povos, sobretudo os escandinavos, acostumados com a solidão imposta pelo isolamento climático, já que ninguém sai as ruas quando se vive em frio extremo. Mesmo assim, em países com frio extremo, a sociabilização é estimulada através de clubes em lugares fechados, com clima mais ameno. Mas não é a mesma coisa que ir a uma praia, o que justifica o fato de que em países de clima quente, a população tende a ser mais alegre.

Para mim, o isolamento está sendo suportado com relativa tranquilidade. Isso se deve por eu ter uma vida mais caseira. Mesmo assim, gosto de vida social, de sair de vez em quando para ver as novidades. Além da sociabilização, a busca poor novidades faz parte do instinto humano. Isso significa que por mais tranquilo que seja, o isolamento me incomoda. Não minto: cheguei a pensar em me matar neste período.

Tudo tem sido feito para driblar o sentimento de solidão. As redes sociais só mostraram a sua razão de ser agora. Pois até então, as redes sociais tem sido palco de polêmicas e de discórdia, além de meios de difusão de mentiras e teorias que só servem para agradar certas classes sociais. 

Nesta quarentena, as redes sociais tem sido um meio de união entre as pessoas que estão sendo obrigadas a se isolar para não se contaminar pelo coronavírus, que causa uma doença fatal por asfixia. Celebridades e pessoas comuns se esforçam para transmitir amor e alegria para quem vive isolado. Eu mesmo passei a usar bastante o Instagram, que estava meio adormecido. 

De qualquer forma, o isolamento nos faz pensar muito sobre o que acontecerá  com a humanidade a partir de então. A única certeza é a de que a humanidade não será mais a mesma. Se será melhor ou pior, só o tempo dirá. Mas o suicídio de Bruno serve de alerta. Humanos não foram feitos para a solidão. 

Tomemos cuidado, pois o mal do século, a solidão, tem o poder de contaminação muito maior que qualquer vírus e o caso de Bruno Penido mostra que é tão fatal quanto.

sábado, 21 de março de 2020

Feliz aniversário para mim!!!!


Hoje estou um pouquinho mais velho (ai, minhas costas!), completando mais um ano dessa confusa trajetória chamada "vida". Tomara que eu consiga viver muito para encher o saco dessa sociedade medíocre que não está interessada em melhorar o mundo e muito menos em se melhorar (eu me melhorei muito nesses anos). Alguém tem que fazer alguma coisa e se ninguém faz, eu faço. Agradeço os parabéns antecipadamente. E vamos a festa!

sexta-feira, 20 de março de 2020

Há tempos estávamos muito medievais. Em tudo. Só faltava a praga. Agora não falta mais...

Só eu e poucas pessoas estavam notando a medievalização da sociedade mundial. Para os capitalistas mais gananciosos e autoritários não era interessante que a humanidade progredisse, sobretudo com base no que víamos nas obras futuristas, que previam para este início de século, uma era de gigantescos avanços, tanto tecnológicos quanto humanos.

Com ajuda da mídia, ainda reguladora absoluta das regras e costumes sociais, muito esforço foi empenhado em tornar a sociedade com caraterísticas medievais, apenas atualizando o seu contexto para o século XXI. O medievalismo garantiria o conservadorismo necessário para manter todas as crenças e regras que perpetuariam a ganância capitalista, evitando as mudanças que a ameaçariam.

Várias das características da Idade Média estavam sendo recuperadas desde os anos 90, década que se tornou preparatória para o século que viria. Esta preparação, somada com o fim de governos de esquerda, estimulados de derrubada do Muro de Berlin, transformaram a década de 90 em um ponto de partida para toda a desgraça que temos agora.

Vamos as comparações, entre a Idade Média e o que há desde os ano 90 até hoje:
- Estrutura de poder muito bem limitada;
- Celebridades e pseudo-intelectuais se fazendo de "Novo Clero";
- A religiosidade domina, com dogmas medievais transformados em "fatos históricos";
- Cantores e artistas em geral vindos de classes humildes e menos escolarizadas, como os bobos da corte da era medieval;
- Desprezo pela intelectualidade, considerada nos dias de hoje como coisa de gente mal humorada. Livros não chegam a ser destruídos, mas há o desestímulo a sua leitura;
- As "tribos" e os pequenos grupos sociais fixos se tornam os novos "feudos";
- A burguesia e a classe média alta representam a nova nobreza, com o mesmo status social;
- Grandes empresas se tornam castas familiares, transferindo para os descendentes o comando das mesmas, como nas antigas dinastias da realeza;
- A mídia como porta-voz da burguesia, como acontecia com os leitores de pergaminho que falavam em nome da nobreza.

Essas e outras características que não lembro no momento, trataram de transformar a humanidade atual em uma "Nova Idade Média" para que o progresso humano pudesse ser adiado para que não ameaçasse a ganância da burguesia (nobreza). As pessoas aceitaram com a maior tranquilidade tais regras e a medievalização da sociedade pós 1990 foi ocorrendo gradualmente, mas de forma natural, como se fizesse parte de um processo previsto para ocorrer.

Só faltava a praga. Agora não falta mais

Praticamente tudo que a Idade Média tinha, guardadas as suas diferenças de contexto, retornou em sua essência nos dias de hoje. Só faltava as pragas, doenças que se alastram a contaminar multidões. Pronto, não falta mais. A nossa Nova Idade Média está completa.

Algo que eu mesmo considerava impossível de ocorrer novamente está acontecendo e obrigando todo o planeta literalmente a se isolar para evitar contágio. Com o nome de COVID-19 e conhecido como "coronavírus" por ter um formato que lembra o de uma coroa (outra referência medieval?), o tal vírus acabou causando um verdadeiro estrago em toda a humanidade.

O coronavírus, suspeito de ser espalhado (foi confirmado de que ele é natural e não fabricado) com a intenção de ser uma arma biológica dos EUA contra a China, se tornou a atualização daquelas pragas que haviam na Idade Média. 

Houve outras tentativas de lançamento de pragas, mas somente agora a burguesia conseguiu espalhá-la com tanto êxito. O êxito é tanto que o vírus, como um Frankestein moderno, começa a se voltar contra seu tutor, causando estragos que podem destruir o Capitalismo. 

Aliás, é justamente de socialistas que está vindo as soluções de combate ao vírus, já que a direita, apavorada, vive correndo de um lado para o outro, gritando, xingando e colocando a cupa em outrem. As forças progressistas estão sabendo lidar melhor com a doença, que pode dar início a uma onda de solidariedade verdadeira que a burguesia, tão religiosa, nunca soube como praticar.

Não sabemos como vai acabar toda esta estória de confinamento a que estamos sendo obrigados, para nos preservar. A previsão é de dois meses de quarentena, com a normalização das atividades humanas só a partir do mês de agosto. 

Esperemos que a praga seja o canto do cisne do medievalismo iniciado nos anos 90. Para que voltemos a caminhar naturalmente em prol do progresso humano que o futuro sempre exigiu, interrompido por um punhadinho de gananciosos que sempre pensaram ser donos do planeta.

quinta-feira, 19 de março de 2020

The Unforgettable Fire e The Joshua Tree formam uma duologia


Quase ninguém fala, mas percebo que há uma duologia nos álbuns The Unforgettable Fire (1984) e The Joshua Tree (1987) do U2 e que ambos são álbuns quase conceituais, quase temáticos. Se considerarmos a coletânea de sobras e faixas ao vivo Rattle and Hum, temos uma trilogia. Se observarmos o que aconteceu com a banda, que nos anos 90 estava radicada nos EUA, vamos notar isso. 

Claro que esta postagem é subjetiva, com base em interpretações minhas, baseadas no que eu sei sobre a banda, uma de minhas favoritas. Mas quem quiser informações mais objetivas, recomendo que clique estes dois links so Wikipedia sobre The Unforgettable Fire e The Joshua Tree. Em inglês, pois lá as informações estão mais completas do que nos verbetes em português.

O álbum The Unforgettable Fire (fire, aqui, é metáfora; observando a letra, podemos traduzir o nome do álbum como "A paixão inesquecível") é uma espécie de despedida da terra natal, no caso Dublin, na Irlanda, para se preparar para a ida a um outro país, no caso os EUA. Embora o título do álbum seja referência a um quadro japonês sobre o desastre de Hiroshima.

Nas letras, há tanto a declaração de amor a terra natal, como referências a nova pátria, sobretudo nas faixas que lembram o assassinato cruel de Martin Luther King, na ode a Elvis Presley em Elvis Presley and America e na instrumental que recebeu o nome de 4th of July.

Decepção com a "nova pátria"

Se o álbum anterior  representava um "arrumar das malas para a viagem para os EUA", The Joshua Tree representaria a chegada aos EUA, "onde as ruas não tem nome", de forma um pouco decepcionante, sobretudo nas referências ao governo neoliberal de Ronald Reagan. Daí a referência ao deserto, como uma pessoa que chega a um lugar esperando algo e encontra o nada.

Em matéria de sonoridade, o álbum repete, a sua maneira, as ousadias do álbum anterior, acrescentando mais elementos, como o blues, guitarras espanholas e melodias um pouco agressivas. é neste álbum que encontramos a primeira música assumidamente romântica do U2, With or Without You. No álbum há também temas religiosos, já que os integrantes são católicos assumidos.

As capas dos dois álbuns seguem o mesmo estilo (com fotos do fotógrafo favorito das bandas alternativas, o holandês Anton Corbijn), tem o mesmo produtor o ex-Roxy Music (banda liderada pelo hoje chique Bryan Ferry) Brian Eno e engenheiro (e também co-produtor) Daniel Lanois (produtor do perfeito So, de Peter Gabriel, o que justifica a participação deste em uma versão alternativa para A Sort of Homecoming, incluída como bônus na nova versão de T.U.F.).

Posso estar sendo um pouco equivocado em classificar os dois álbuns como parte de uma duologia. Mas gosto de imaginá-los assim, embora ache T.U.F. muito mais agradável de ouvir que Joshua, que para mim é um álbum de altos e baixos, do contrário do impactante álbum de 1984, que ouço direto sem pular faixas. 

Aliás, considero The Unforgettable Fire o melhor álbum do U2 até hoje, tanto em preferência pessoal (o que gosto de ouvir), como em valor cultural (importância para a carreira da banda e para a história da música).

The Unforgettable Fire, para mim, um álbum realmente inesquecível

A propósito, The Unforgettable Fire tem um significado importante para mim, pois ganhei o álbum de mais pais no meu aniversário de 15 anos, em  21 de março de 1986. Recomprei em vinyl - já como Polygram (atual Universal), em 1996, com objetivos de atualização, já que a anterior ainda era fabricada pela Warner, que vendeu os direitos de distribuir a Island Records.

Comprei mais três edições em CD (uma com capa lilás - os primeiros CDS tinham cor alterada - outra com capa roxa, a mesma do vinil e a versão remasterizada de 2014, com um CD bônus). Em todas as vezes em que comprei o álbum, em várias versões, aconteceram coisas bem boas em minha vida particular, transformando o álbum em uma espécie de souvenir desses bons momentos. Um álbum inesquecível, para fazer trocadilho com o título.

Duas referências pessoais nas canções : eu havia dedicado a faixa título a uma paixão minha de adolescência (sem ela saber), pois pensava nela toda vez que eu prestava atenção na letra. A Sort of Homecoming (a oportunidade de voltar para casa) é o meu tema para a minha volta a Salvador, ainda em andamento. Outra coisa: meu pai considera Bad a música do U2 que ele mais gosta.

Já o The Joshua Tree, comprei em cassete em 1991 e em CD em 1998. Nada de pessoal aconteceu em especial em relação a este álbum, que apesar de não ser um dos seus melhores, é ainda melhor do que qualquer álbum que a banda é capaz de fazer desde 2000, quando a crise de criatividade contaminou a banda que curiosamente nunca mudou de formação desde 1976, quando surgiu.

quarta-feira, 18 de março de 2020

A utilidade das redes sociais no isolamento humano

Cerca de 20 anos atrás, eu comecei a ouvir falar de redes sociais. Cinco anos depois fui me apresentado a uma. Apesar de decepcionante na maioria das vezes, graças a natureza mesquinha da humanidade em modo beta, nunca as redes sociais tiveram tanta utilidade como agora, quando somos obrigados a nos isolar para evitar uma doença fatal que se alastra com facilidade.

A espécie humana é social. Seres humanos não conseguem viver sozinhos. Por instinto, gostamos de pertencer a grupos. Muitos dos benefícios necessários á vida, como emprego e vida afetiva (namoro, casamento) são adquiridos por decisão de outras pessoas e facilitados pela vida social. Agora imagine, na situação atual, quando somos obrigados a nos isolar para nos proteger?

O problema é mundial, mas no Brasil, quando pessoas são ainda mais sociais que o resto da humanidade, a ponto de moldar gostos e opiniões para agradar a maioria, o incômodo é amplificado. Se o coronavírus promete fazer mais estragos no Brasil, o isolamento também. Além de mortos pela doença, podemos ter um risco alto de suicidas que não suportaram a ausência de uma vida social ativa.

Ainda bem que existem as redes sociais, para amenizar a nossa solidão. Claro que isso não nos faz sentir acompanhados de fato, mas pelo menos serve para amenizar o sentimento de solidão. Mesmo longe, podemos interagir com outras pessoas e fugir não somente da solidão como também do tédio.

Por isso as redes sociais ganharam um novo sentido neste período de quarentena social. Assim, podemos, além de nos manter informados, ter a oportunidade de obter e transmitir afeto, mantendo, mesmo que de forma precária, a vida social tão necessária a nossa espécie, curiosamente ameaçada por um vírus que pode ter utilizado como uma arma de guerra de uma nação gananciosa ao norte do continente americano.

A quarentena está prevista para durar longuíssimos dois meses. Há quem fale que as coisas só normalizarão em agosto. Mas a maior dúvida não é quando irá acabar esta fase, mas o que virá depois. Pois tenho certeza que a humanidade não será a mesma, após ficar tanto tempo trancada. 

A experiência prova que longos períodos de isolamento geram danos irreversíveis no caráter das pessoas. É um grande mistério tentar adivinhar o que virá quando voltarmos a nos encontrar presencialmente. Isso se sobrevivermos até lá.

terça-feira, 17 de março de 2020

Coronavírus e crise econômica podem iniciar uma guerra civil

Ao mesmo tempo que estamos tendo uma pandemia de coronavírus, a Economia mundial começa a fracassar, se caracterizando em uma crise que é ainda maior do que as que aconteceram em 1929 e em 2008. Economistas haviam alertado, poucos anos atrás de que uma crise ainda maior estaria por vir. pronto, ela chegou. E trouxe doença junto com ela.

Sem querer detalhar a origem disso tudo, para não ficar em especulações ou teorias conspiratórias, vamos nos ater a possíveis consequências do caos que inevitavelmente surgirá a partir desta crise tanto na saúde como na economia.

Sabe-se que para evitar maiores contaminações, pessoas estão sendo recomendadas a ficar em casa. Sem detalhar, pois são muitos casos diferentes envolvidos e cada pessoa reage da sua forma aos acontecimentos, sabemos que o isolamento gerará danos econômicos gravíssimos, pois a economia não se movimenta com a população parada. 

Vão faltar produtos, pessoas ficarão sem freguesia. empresas pequenas vão falir (as grandes, pelo contrário, se manterão fortes diante da crise, até porque, sendo rentistas, possuem reservas financeiras que as protegem de crises). Enfim, muito do que é necessário a vida humana, como produtos e até afeto, vão desaparecer com este caos. 

A escassez de benefícios criada com este caos, vai gerar uma onda de ódio que pode multiplicar a ponto de se converter em uma guerra civil bastante sangrenta. O ódio que foi disseminado pela polarização política vai se agravar, fazendo com que pessoas, lutando pela escassez de bens e produtos, tenha que agredir e até matar os outro para sobreviver.

Do contrário que se pensava, a onda de ódio tem aumentado por causa da doença. Conservadores acusando progressistas de serem os responsáveis pelo caos, quando há suspeitas de que este coronavírus possa ser uma arma biológica criada para tentar defender o decadente Capitalismo. 

Enquanto isso, progressistas seguem encolhidos e de braços cruzados, como se dessem razão às acusações delirantes de conservadores odiosos, estes com medo de serem obrigados a ceder seus bens supérfluos para satisfazer a mínima necessidade de pobres desalentados.

A preocupação de uma guerra civil deve ser real e o ódio existente pela polarização político-econômica-social serve de um bom estopim para que a pólvora se estoure. falam muito que o Brasil será o novo Oriente Médio, com uma população em guerra, orientada pelo fanatismo religioso e pelo ódio de classe. 

A classe média que se acha rica não vai querer ceder e manterá seu ódio anti-progressistas até a morte, pois não estão dispostos a conversar e rever suas crenças. Ficaremos atentos, pois os conservadores já dão os seus gritos de guerra e quem estiver no caminho deles pode se dar mal, pois para salvar os interesses deles, vão matar primeiro para perguntar depois. 

segunda-feira, 16 de março de 2020

Coronavírus e isolamento: teremos grandes mudanças no mundo?

Como sabemos, estamos vivendo um período de pandemia mundial como não acontecia há cerca de 200 anos. Se tratando de uma arma química ou não, o que se sabe é que um novo vírus apareceu para causar um imenso genocídio, o que está causando um certo pânico na maioria das pessoas e cujas medidas podem ser tão catastróficas quanto a doença causada pelo vírus.

Pouso sei sobre o coronavírus mas vou tentar resumir do que se trata. É um vírus, provavelmente descoberto no laboratório de Fort Detrick, nos EUA (imediatamente fechado após a descoberta), mas detectado na cidade de Wuhan, na China, onde acontecia um evento internacional, o que leva a crer que algum não-chinês, o "paciente zero", pode ter levado a praga para lá.

O vírus causa uma doença respiratória grave que limita a respiração e pode levar a morte. A doença gerada pelo vírus é curável, mas deixa sequelas: a fibrose pulmonar, que torna o pulmão menos elástico, dificultando a respiração e causando cansaço excessivo e uma certa fraqueza física. Este texto do site progressista Cinegnose, fala muito mais sobre o assunto.

Há muita suspeita de que o coronavírus seja uma arma química a ser usada na guerra híbrida líderada pelos EUA. Ainda não há confirmação disto, mas indícios são fortes. Não é a primeira vez que doenças são usadas em guerras entre nações. Além disto, o alerta do surgimento de uma possível guerra biológica já tem sido dado há anos.

As consequências disso tudo é a possível morte maciça de muitos seres humanos e a destruição econômica causada do cancelamento de eventos para evitar maiores contaminações. A vida social tem sido desestimulada, muita gente ficando em casa e ainda bem que temos as redes sociais na internet para amenizar nosso sentimento de solidão. O que não ajuda muito, já que o calor humano pelo contato presencial é instintamente benéfico e nunca será substituído.

Coronavírus e Solidão

O cancelamento de eventos sociais e o desestimulo de reuniões com muitas pessoas não somente tem sido nocivos a uma economia que é caótica desde 2008 em que quedas constantes nas bolsas tem obrigado grandes corporações a forjarem golpes políticos para saquear bens e riquezas de países com muitos recursos naturais, como também tem estimulado o isolamento de pessoas acostumadas a uma vida social intensa e movimentada.

As gerações mais recentes, acostumadas a integrar grandes grupos sociais, as chamadas "galeras", apesar das intensas atividades em redes sociais, vão ter que abrir mão de grandes reuniões sociais para evitar - ou tentar evitar - a doença, vivendo em uma espécie de "quarentena" se isolando em casa e se virando para se distrair. Um sacrifício enorme para quem está acostumado a vida nas ruas e em bares, boates, clubes, estádios e templos religiosos.

O que me leva a crer que não somente a doença causada pelo coronavírus seja responsável pelo imenso número de mortes que ameaça acontecer. Muita gente poderá querer se suicidar, por não mais aguentar o isolamento forçado pelas circunstâncias. O ser humano é um ser social e gosta de novidades e movimentação. Ficar em casa é uma espécie de prisão e a angústia relativa a isso pode ser inevitável.

Uma pesquisa relativamente recente mostra que as pessoas tem mais medo da solidão do que da morte. O que faz com que muita gente se arrisque e desobedeça as recomendações para ficar em casa. Domingo passado, um bando de lunáticos pró-fascismo saiu as ruas em uma manifestação, felizmente fracassada, se arriscando em ficar doente. Apesar de que, entusiastas de teorias conspiratórias, os manifestantes tratassem a doença como um mero chilique midiático.

Mesmo assim o medo da solidão é algo presente em quase todos os brasileiros, muito mais dependentes da sociabilização que outros povos. Brasileiros são marias-vão-com-as-outras, uniformizando gostos (cerveja, futebol, etc.) para que ninguém se sinta deslocado de seu grupo social, que impõe uma unanimidade que contrasta com a vocação para a diversidade que o Brasil tem.

Mas não sabemos o que virá depois desta onda de coronavírus. É bem provável que tenhamos uma mudança de conceitos e de estilos de vida. O isolamento forçará a mudança de hábitos e quem sobreviver não compreenderá as coisas como eram antes do vírus se espalhar.

Seja por reflexão, seja pelo medo de novos contágios, os seres humanos não serão mais os mesmos após o coronavírus. Como o caso é mundial, nos preparemos por grandes mudanças sociais e econômicas que estarão por vir, exigindo maior altruísmo e um cuidado maior com a saúde a começar por uma vida menos frenética, com menos drogas, bebidas e agitação.

domingo, 15 de março de 2020

Porque a maioria dos defensores da decadência cultural tem formação antropológica?

Não sei se alguém já reparou, mas sabiam que a maioria dos intelectuais que defendem o popularesco e toda essa baderna cultural que se tenta empurrar para as massas, tem formação antropológica?

Muitos desses intelectuais tem diploma de antropólogo, mas nem todos. Vários deles são sociólogos ou historiadores, mas conhecem muito bem (pelo menos de acordo com o que é ensinado nas faculdades de um sistema de ensino interessado mais em formar profissionais do que seres humanos) antropologia, por ter sido uma disciplina obrigatória em seu cursos. E porque essa estranha coincidência?

Simples: percebe-se facilmente que os intelectuais que defendem essa decadência cultural na verdade estão aplicando de forma errada e mal interpretada as ideias de Claude Levi Strauss, um dos mais importantes antropólogos da humanidade, quiçá o maior. A foto desta postagem ilustra a má interpretação feita por estes intelectuais brasileiros, muitos com alto - e imerecido - prestígio.

Não sou antropólogo, sou leigo no assunto, mas pelo pouco que sei, dá para perceber uma analogia equivocada e até cruel entre as favelas e o povo indígena, um dos objetos de estudo da antropologia tradicional.

Para esses antropólogos, historiadores e sociólogos oportunistas, os pobres são os novos indígenas e o que eles produzem "culturalmente" (bom lembrar que esses defensores ignoram a influência quase totalitária do entretenimento de mercado na produção "cultural" das favelas e periferias) deve ser analisado e respeitado.

Para estes intelectuais (que são pagos por instituições estrangeiras para pensar assim), enquanto os pobres são os novos índios, as favelas são as novas aldeias, os barracos são as novas ocas. Para escrachar, faltou dizer que os traficantes são os novos caciques.

Essa analogia toda é presente nos discursos de defesa não somente do "funk" mas de qualquer um dos ritmos popularescos, mesmo que não sejam mais produzidos nas favelas como a axé music e o breganejo, por exemplos, que mesmo tendo conquistado as elites, possui a tosqueira típica do que é produzido nas periferias que deslumbram tanto estes intelectuais.

Mas tudo isso não passa de uma má interpretação do que é a Antropologia, além de fazerem vista grossa para o fato de que não existe mais uma cultura que seja totalmente espontânea e imune da contaminação pelas mídias mercenárias. As tendências do popularesco, hoje hegemônicas, são, sem exceção, resultado da ganancia financeira de gravadoras, produtoras (sejam grandes ou pequenas) e meios de comunicação, além de "artistas" que não passam de meros cidadãos humildes que preferiram ganhar dinheiro de modo mais fácil e lucrativo, sem pegar na enxada.

Além do que, ser pobre não é nada bom, sendo uma situação que deveria ser provisória, com a saída desta condição impulsionada não somente pela melhoria financeira, mas pela melhora intelectual garantida por uma educação de qualidade e insubmissão a autoridades, à mídia e aos equivocados conceitos sociais. A ideia de "pobre feliz" é um absurdo que só tem gerado ainda mais absurdos, defendidos por essa intelectualidade burra, mercenária, chata e metida.

Não dá mais para falar sobre cultura atualmente, a não ser que fujamos de qualquer tendência de grande popularidade. Não dá para esperar uma cultura legítima de um povo submisso a mídia e louco para ganhar dinheiro, não o dinheiro suado conquistado para sobrevivência, mas o ganho para se sentir "melhor" que os outros, verdadeira meta dessa sociedade falida em que vivemos.

Marcadores

Administração dos Blogues (6) Álbuns (9) Alcoolismo (1) Alienação (114) Almoço (1) Alternativo (7) Altruísmo (11) Ambiguidades (1) Animação e Quadrinhos (6) Aniversário (1) Aniversários (14) Anos 60 (6) Anos 70 (3) Anos 80 (2) Ansiedade e Depressão (3) Anti-cabecismo (18) Anti-esquerdismo (6) Anti-humanismo (11) Aplicativos (1) Aplicativos de Namoro (1) Apocalipse e Distopia (6) Apologia da Pobreza (21) Armações Musicais (8) Arqueologia (4) Arquitetura (2) Arrogância (11) Arte (11) Assistencialismo (2) Astronomia (2) Astronomia e Física (3) Ateísmo (1) Autismo (1) Autocrítica (1) Automobilismo (2) Autoritarismo (3) Ava Cantrell (1) Bailee Madion (1) Baixaria (12) Beleza feminina (33) Bichos Fofos (1) Biologia (3) Biologia Marinha (5) Bizarrices (21) Boas ideias descartadas (12) Bom senso (1) Brasilidade (6) Brec Bassinger (1) Brega-popularesco (48) brinquedos (1) Bullying (15) Burocracia (15) busca (1) Camila Mendes (1) Caos Urbano (2) Capitalismo (38) Caráter (3) Carnaval (4) Catástrofes e pandemias (1) Causas Identitárias (2) Causas Trabalhistas (1) Celebridades (70) Censura (3) Chloe Grace Moretz (2) Choque Cultural (7) Cidades (1) Cidades e Localidades (13) Ciência (5) Cinema (14) Cinema Alternativo (2) Civismo (2) Coincidências (6) Comparações (8) Competitividade (4) Comportamento (59) Confiança Cega (4) Confiança nas Instituições (2) Conflito de classes (15) Conflito de Gerações (4) Conformismo (17) Consciência Social (1) Conservadorismo de esquerda (15) Consumismo (16) Contracultura (5) Contradições (8) Convicções Políticas (13) Corrupção (2) Costumes Antiquados (81) Crenças e Seitas (2) Crimes e delitos (1) Crise Financeira (1) Crônicas (1) Culinária (2) Cultura (59) Cultura Alternativa (13) Cultura de Mercado (86) Cultura de protesto (5) Cultura Nerd (49) Cultura Rock (29) Cultura Ruim (47) Curiosidades (27) Decepções (16) Declarações sensatas (13) Democracia (13) Depressão e decepção (6) Desabafos (3) Desconfiança (2) Desejo de mudança social (6) Desenhos Animados (3) Desfiles e Eventos de Moda (4) Desigualdade Social (5) Desprezo a talentos (3) Desrespeito ao Bom Senso (32) Dicas (1) Diplomacia Internacional (1) Direitos Humanos (7) Documentários Científicos (3) Drogas (1) Ecologia (2) Economia (8) Educação (9) Efemérides (31) Egoísmo e Egocentrismo (4) Egoísmo e ganância (1) Egoísmo e Individualismo (6) Eliana Michaelichen (1) Elitismo (4) Emma Myers (1) Emmy Rossum (1) Emprego (2) Entretenimento (20) Entrevistas (1) Erros Culturais (109) Erros de Identificação (3) Escassez (1) Espetáculos (1) Espírito de Manada (2) Esporte (15) Esquerda Caviar (8) Esquerda Cirandeira (3) Esquerda Namastê (6) Esquerdismo Alienado (26) Estatísticas (1) Estereótipos (71) Estilo de vida (3) Estudos e profissões (1) Eventos (5) Exclusão Social (6) Expectativas (1) Exposições e Eventos (1) Fake News (3) Falecimentos (22) Falsa prosperidade (1) Falsa Rebeldia (1) Falta de amor (13) Falta de Conhecimento (3) Família e parentesco (4) Fanatismo (4) Farra e diversão irresponsável (5) Fascismo (7) Feminismo (25) Férias (1) Fernanda Young (1) Festas e danças (5) Festivais de Música (14) Filosofia (1) Fora da Lei (1) Fotografias (1) Fracasso (1) Fuga da Realidade (6) futebol (1) Futebostilidade (3) Gafes (5) Gafes e Declarações Cretinas (2) Ganância e Mercenarismo (13) Gastronomia e Alimentação (4) Gênios incompreendidos (22) Gente Metida (7) Geologia (1) Giovanna Antonelli (1) Gírias e Expressões Idiomáticas (1) Glamorização da Pobreza (22) Grandes encontros (1) Gravadoras e Editoras (5) Hailee Steinfeld (1) Higiene (1) Hipocrisia (29) História (4) Hobbies (2) Humor (32) Ideias Progressistas (1) Identitarismo (2) Ilusões (1) Imaturidade (6) Infância (4) Informações Distorcidas (8) Informática (13) Infra-estrutura (2) Injustiças (17) Instintos (1) Intelectuais (1) Intelectualidade (15) Internet (17) Intervalo (3) Intolerância (3) Inversão de valores (8) Isabelle Drummond (1) Isolamento (4) Jessica Simpson (1) Jogos e Brinquedos (1) Jogos e Passatempos (1) Jovialidade (1) Karen Fukuhara (1) Kathryn Newton (2) Kiernan Shipka (1) Larissa Manoela (1) Legislação (2) Lembranças do Passado (6) Letras de Música (1) Lições de Vida (33) Lily Collins (1) Linguagem (1) Linguística (1) Literatura (2) Livrarias e Bibliotecas (1) Livros (1) Lizzy Greene (2) Lojas e Shoppings (1) Loucura e manicômios (1) Luta por Direitos (1) Machismo (37) Mainstream (11) Maisa Silva (1) Maisie Williams (1) Manifestos populares (7) Manipulação ideológica (18) Maniqueísmo (1) Manutenção (1) Marcas e Grifes (1) Margot Robbie (1) Mariana Ximenes (2) Masculinismo (4) Mau exemplo (6) Mckenna Grace (3) Mecanismos de Busca (1) Medicina e Saúde (11) Mediocridade Cultural (64) Meiguice (1) Meritocracia (1) Mídia (57) Mídia Alternativa (1) Mídia Corporativa (3) Mídia Impressa (1) Mikey Madison (1) Millennials (1) Millie Bobby Brown (1) Miranda Cosgrove (1) Mistérios Resolvidos (1) Mitos desmentidos (38) Mitos e lendas (17) Modelismo (1) Modismo (34) Modismos e Tradições (50) Momento Sedentário Diário (1) Monica Iozzi (1) Monique Alfradique (1) Monotonia & Tédio (2) Monumentos Culturais (1) Moralidade (2) Moralismo (3) Mudanças (2) Mulheres (10) Mundinho Pantanoso dos Famosos (5) Música (40) Música Comercial (16) Música eletrônica (2) Música Erudita (2) Música Eterna (26) Música para os olhos (1) Música Popular Brasileira (6) Música Romântica (2) Namoro e Matrimônios (14) Natureza (1) Neo-conservadorismo (25) Nivelamento por Baixo (1) Nostalgia (1) Notícias ruins (4) Notícias Surpreendentes (41) Novidades (1) Novo Normal (2) Obras-primas (6) Olimpíadas (4) Olivia Holt (1) Onda de ódio (5) Opinião Pública (2) Oportunidades (1) Orgulho Humano (1) Otimismo Exagerado (4) Padronização (1) Patriotada (6) Pausa (3) Pedantismo (1) Pensamento Único (6) Personalidades (5) Perspectivas (18) Pesquisas (4) Peyton Roi List (2) Polêmicas (9) Polêmicas inúteis (6) Política (27) Pop Adolescente (2) Pós-verdade (1) Postagens Íntimas (20) Preconceito (6) Preços Abusivos (1) Preços Exorbitantes (1) Premiações (6) Problemas cotidianos (4) Projetos Caça-níqueis (3) Promiscuidade e Excessos (4) Propaganda Enganosa (19) Proteção aos animais (1) Psicologia (1) Publicidade e propaganda (2) Quadrinhos (3) Qualidade de Vida (9) Quarentena (2) Quebra de Estereótipos (16) Química (1) Rachel Sheherazade (1) Racismo (4) Radialismo (6) Reality Shows (3) Rebeca Andrade (1) Recursos (1) Redes Sociais (39) Reedição de Textos (3) Reflexões (4) Regras Sociais (116) Relacionamentos fajutos (5) Relacionamentos por Conveniência (11) Relacionamentos Secretos (3) Religiosidade (10) Relíquias (1) Resenhas de álbuns (6) Resenhas de músicas (4) Respeito (1) Respeito às Diferenças (2) Retorno (1) Retrocesso (2) Retrospectiva (9) Retrospectivas (12) Revivals e Rebbots (1) Rituais (1) Rock Ruim (9) Romantismo (10) Roupas e Vestuário (1) Ryan Whitney Newman (1) Sabotagem (2) Sandy Lima (1) Seletividade (1) Seriados e Novelas (7) Séries (2) Sessões sensuais (2) Sexualidade (11) Simplicidade (2) Sociabilização (8) Sociedade de Classes (6) Solidão (19) Sósias Semelhantes e Similares (3) Soul & Black Music (1) Subjetividade (4) Submissão (1) Sugestões (1) Surpresas (9) Sydney Sweeney (1) Tabus (1) Tatá Werneck (1) Tecnologia (19) Teimosia (11) Televisão (23) Teorias Conspiratórias (1) Textos alheios (41) Totens e Falsos Mestres (8) Tragédias (2) Transportes (1) Transtornos (1) Tribos e classes sociais (4) Trocadilhos (1) Turismo (3) Ufanismo (2) Ufologia (5) Urbanismo (2) Vaidade e Presunção (1) Vestuário (1) Victoria Justice (1) Vida Afetiva (83) Vida Privada (14) Violência (2) Vitaminada (2) Vitimismo (1) Votações (1) Xenofobia (1) Z-detele (8) Zonas de Conforto (3)