terça-feira, 30 de junho de 2020

Porque as pessoas quando mudam, é quase sempre para pior?

Estou profundamente magoado com a humanidade nos últimos tempos. Realmente a humanidade fracassou. E fracassou porque quis fracassar. Nos recusamos a evoluir em troca da satisfação de instintos mais mesquinhos.

Aos poucos vamos negligenciando a nossa capacidade de raciocinar e sentir e voltamos ao primitivismo do reino animal. Cada dia isso fica mais evidente.

Fico me perguntando porque quando mudamos é quase sempre para pior? Porque na infância somos tão espontâneos, inteligentes e sensíveis e ao chegar já na adolescência nos livramos dessas qualidades sob a desculpa de entrarmos na concorrente lute pela sobrevivência?

Será que para sobreviver é necessário ser maldoso e burro? Talvez seja, pois muitos "vencedores" nesta luta quase sempre injusta são comprovadamente maldosos e burros. Mesmo sem assumir, pois não raramente a maldade e a burrice vem de nossa negligência, vem da lei do menor esforço, já que inteligência e altruísmo exigem esforço e abnegação, incluindo o desapego a ilusões, supérfluos que insistimos em nos agarrar como um ursinho de pelúcia mofado e encardido.

E não pense que estou apenas me referindo a pornografia, consumo de drogas e violência. Quase toda a sociedade está decadente de uma forma ou de outra. os religiosos, tão metidos a corretos nunca param de comprovar o que ateus como eu vivem dizendo: que a moralidade das religiões é uma farsa criada apenas para servir de escudo quando as ilusões alegadas pela fé irracional forem questionadas.

Interessante que todos que cometem algum tipo de atrocidade tem algum tipo de fé, mesmo que seja em ideologias político-econômicas de caráter nocivo como o fascismo e o Capitalismo, ou em personagens fictícios de jogos eletrônicos.

Toda a sociedade está falida. Até mesmo que propões melhorá-la se limita a medidas paliativas que não acabam com problemas, mas servem de compensação e consolação, ensinando a conviver com o problema do lado.

É o que fazem quase todos quando se lembram de solidariedade, caridade, responsabilidade social e outros nomes lindos dados a atitudes que na prática resolvem quase nada. Muitas ONGs e pessoas fazendo caridade há muitos anos para tudo ficar como está. Se a caridade não melhorava coletividade é porque ela está sendo feita da maneira errada.

A onda de direitismo que cresce no país só veio para cerejar o bolo fecal da ignorância do povo brasileiro, que chega a ser pior do que a mundial. É o mundo todo está decaindo, mas o Brasil pretende acelerar a sua decadência.

A impressão que tenho é que a burrice do brasileiro é uma vocação. A comemoração histérica do ouro no futebol em véspera da instalação de uma nova ditadura no país serve de um bom exemplo como ainda somos ignorantes e pueris. A brincadeira vem sempre em primeiro lugar. O dever, se der faz, se não der, se dane.

Outra coisa a observar é que estamos recuperando conceitos e costumes de tempos remotos. A nossa educação continua voltada exclusivamente ao mercado de trabalho. Pais e educadores jogam um para o outro a responsabilidade de formar a personalidade de uma criança, acabando no final com nenhum dos dois realizando a tarefa, que é infelizmente "cumprida" pela mídia mentirosa e tendenciosa e por amigos mal-intencionados.

A cultura em geral retoma as características vigentes em 1945, guardadas as diferenças de atualização. Nos rádios toca-se uma espécie de teeny bop pseudo-erótico, tipo de música hegemônica entre os jovens de hoje em dia. Não se fazem mais letras inteligentes, salvo uma e outra exceção.

Quase todos fazem música, cinema e outras manifestações artísticas por motivos financeiros, não hesitando em corromper suas obras em prol do lucro garantido. Mesmo neste mar de mediocridade cultural, ainda há muita gente que enxerga brilhantismo nisso.

Muitos fatores servem como comprovação de que estamos decaindo como seres humanos. Para completar essa decadência, estamos entrando em uma nova ditadura no Brasil. Nos EUA, mesmo não sendo o favorito, o empresário retrógrado Donald Trump consegue atrair muitas pessoas para o seu lado.

Governantes pelo mundo afora, salvo em nações mais evoluídas como as da Holanda, da Nova Zelândia e da região da Escandinávia, já demonstram incapazes de resolver problemas cotidianos.

Estamos falindo. Mas ha uma solução. Drástica para a grande maioria de pessoas: mudar de jeito. Ser mais racional e mais sensível, é esse o desafio. Nos livrar de crenças e de doces ilusões e parar de estabelecer conceitos com base na confiança depositada no emissor.

Parar de achar que um sujeito só porque usa terno e fala gramaticalmente correto, seja incapaz de mentir e de explorar a ingenuidade alheia para se beneficiar pessoalmente. Pessoas sempre mentem; fatos, não.

Mas como as pessoas, insistentemente teimosas por não querer sair de suas zonas de conforto, continuam agindo como sempre agiram, não esperemos melhorias para os próximos, digamos, 50 anos. A humanidade está falida mas só ela tem a poder de decisão para sair desta falência.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Youtube das antigas

Isso daí é mais ou menos como seria o anúncio do YouTube em 1969. Lembrando que existia computador na época, com o surgimento inclusive da internet no mesmo ano.

Só que os aparelhos de computador tinham uma tela preta com letras verdinhas. Com uma tela assim, o YouTube seria sem graça, não acham?

Como curiosidade, segue o primeiro vídeo colocado quando o YouTube foi inaugurado, em 2005, o simples Me at The Zoo (eu no zoológico):

 

Causas identitárias interessam para a direita moderada

As esquerdas brasileiras passaram a priorizar as causas identitárias. E de forma convicta, decisiva. Já chagaram a publicar textos batendo o martelo na decisão de colocar certa urgência nas causas identitárias. As causas trabalhistas, fundadoras do Socialismo, foram solenemente descartadas. Cada um que se vire se quiser ter salário digno para viver e pagar as suas contas.

Urgente mesmo é defender as causas identitárias. É defender cada classe isolada a ter dignidade mesmo sem ter um só tostão no bolso. É idolatrar ídolos de barro, mortos, sem dar a mínima as suas causas, cultuando-os como mero santos, desejosos de que ressuscitem das catacumbas para fazer a luta que recusamos a fazer.

Temos o agora suspeitíssimo Black Lives Matter (que segundo Pepe Escobar, é controlado pelo Deep State estadunidense, que controla tudo que acontece no mundo, tal e qual os Iluminati das lendas históricas), que une todas as classes em prol do fim do racismo, se esquecendo que os negros (ou pretos?) sofrem pelos poucos recursos que possuem.

Temos a causa gay, comemorada hoje, onde é dado aos homens o direito de se vestirem de mulher e se maquiarem. Tudo bem, até aí concordamos. cada um veste como gosta. Mas, resta saber de onde os homens vão arrumar dinheiro para comprar roupas e maquiagens caras, se ninguém mais tem dinheiro e as esquerdas enfiaram as causas trabalhistas para o fundo das gavetas.

Apesar de priorizarem as causas identitárias, se apossando delas como se fosse a essência da essência do Socialismo brasileiro, saibam os esquerdistas que as causas identitárias são muito bem vindas para os braços da direita moderada que se auto-rotula de "centro", cujo maior guru é ninguém menos que o eterno tucano velho Fernando Henrique Cardoso. Sim, ele mesmo! O Príncipe da Privataria!

São muitas as oportunidades que a direita moderada possui para defender causas identitárias. Como elas não envolvem redistribuição de renda, elas são facilmente defendidas por quem não quer ver ricos menos ricos e pobres menos pobres. Até porque existem negros, gays, mulheres e outras classes ricas, cheias de dinheiro, tão seguras quanto os brancos com mesmo padrão de vida.

A própria direita moderada se empenha em controlar, mesmo secretamente, os movimentos identitários. O Capitalismo descobriu que agradar as classes oprimidas (quando elas tem dinheiro para gastar) é um negócio extremamente lucrativo. Celebridades descobriram que aderir a essas causas aumenta a popularidade e todos os benefícios resultantes destas.

Ou seja, exaltar e defender causas identitárias nada tem de esquerdista: a direita já lançou esta ideia há tempos. Apenas a extrema direita (fascismo, nazismo, bolsonarismo, etc...) reprova as causas identitárias, por acreditar que apenas certos tipos de seres humanos merecem algum tipo de reconhecimento.

A direita moderada, representada aqui pelo PSDB, DEM, PMDB e ideólogos afins (como o empresário e aspirante a político Luciano Huck) adora causas identitárias. O que mostra que se as esquerdas continuarem colocando estas causas como prioridade, acima das causas trabalhistas, elas poderão ser engolidas pela direita moderada, representante política do Grande Capital e que no fundo sempre governou o país.

domingo, 28 de junho de 2020

A Hipocrisia se converteu numa pandemia pior que a Covid

Perdi a confiança nos seres humanos. Previsto como era de grandes avanços não somente tecnológicos como também humanitários, por futurólogos científicos e "profetas" místicos, o século XXI está decepcionando, não na tecnologia, mas na humanidade.

Parece que a tecnologia veio para estimular uma certa estagnação na humanidade. Continuamos com os mesmos defeitos de séculos atrás. Nada nos fez evoluir. Pelo contrário, parecemos cada vez piores. As lições que aprendemos nos séculos anteriores foram jogadas na incineradora, mas sequer suas cinzas sobraram.

Estamos mais burros e mais gananciosos. Queremos tudo para nós. O padrão de vida da classe média alta se tornou nosso parâmetro. Queremos todos ter um SUV, uma gata inteligente como esposa e um cachorrão como bicho de estimação, a cuidar de um grande quintal de uma casa cheia de cômodos.

Queremos ter um time de futebol para sermos simpáticos aos outros, louvar a um deus invisível que governa sozinho um universo imenso e encher a cara de álcool para nos sentirmos felizes. como verdadeiras crianças, ainda nos prendemos a ilusões, enquanto assistimos de braços cruzados, resmungando sem agir, a realidade se esfarelar.

Mas todos fingem estar fazendo alguma coisa. Todos fingem humildade dentro de suas vidas prósperas, onde não somente o necessário é satisfeito de forma abundante, como há espaço - e muita renda - para que supérfluos se tornem cada vez mais excessivos. Tudo aplaudido por uma multidão de miseráveis que mal tem o mínimo para se alimentar.

A hipocrisia da classe média, sempre querendo sair da história de forma heroica, sem mexer um único dedo para melhorar a realidade, contribui para que tudo permaneça como está, com problemas insolúveis que são resolvidos de forma paliativa. É só dar sopas aguadas, casacos e cobertores rasgados e cadernos riscados que tudo está resolvido. E tais "heróis" ainda exigem a canonização, o reconhecimento do heroísmo não praticado.

Todo mundo querendo posar de bondoso sem ser. Os direitistas se auto-rotulando de "homens de bem" sonhando com um "país bom". Os esquerdistas fazendo discursos longos e rebuscados sobre a necessidade de fazer algo pela sociedade e nada fazem. Apolíticos se auto-declarando humanistas e embarcando na primeira campanha solidária que aparece, também se fazer absolutamente nada.

Mas todos, sem exceção, querendo posar de bondosos. Parecer bondoso é muito bom para o prestígio social. Ninguém quer se aproximar de um malvado declarado. Mas ser bondoso de fato exige esforço e abnegação. Ser bondoso de verdade exige abrir mão da vida confortável de classe média alta que se tem. Trocar um SUV novo por um Fusca velho? Nem pensar!

Sinceramente, a hipocrisia contaminou quase todo mundo. Se tornou uma pandemia muito mais contagiosa que a Covid que nos surpreendeu neste 2020 que acabará distópico. A falsidade daqueles que fazem questão de serem tratados como bons sem ter feito um só benefício, no máximo dando paliativos para que se suportem problemas crônicos que nunca se resolvem, é impressionante.

Estou cada vez mais deprimido por viver diante de uma sociedade mentirosa que finge estar fazendo alguma coisa quando diante dos meus olhos assisto a um show de inércia que perpetua características mundanas que deveriam ter desaparecido muitas décadas atrás.

Eu não confio mais nas pessoas. Ninguém merece minha confiança. Se der para lutar, lutarei sozinho. Se alguém quiser me ajudar, aceito. Mas a esperança morreu e sou proibido de sonhar, de fazer planos. Vou vivendo e observando o andar dos acontecimentos. Se der para ser feliz, serei. Mas se não der, o que é mais provável, fazer o quê? É seguir andando. Só, mas andando...

sábado, 27 de junho de 2020

Causas identitárias são prioridade para os que vivem bem

Pelo jeito, para pessoas que vivem bem, que têm as contas bancárias muito bem alimentadas a cada mês, seja qual for a fonte de renda, a luta por causas trabalhistas não é problema deste tipo de gente. Tranquilos por um recebimento de renda que é constante e garantido (se não eternamente, pelo menos por um longo período), a luta por melhores salários e condições de vida e de trabalho é algo que somente os interessados devem lutar.

Nossa sociedade ocidental é naturalmente egoísta. As esquerdas brasileiras estão contaminadas por uma hipocrisia crônica que parece não ter cura. Fingem lutar por causas trabalhistas, mas nada se vê de prático. Quando vamos ver como esses esquerdistas vivem, é de uma relativa prosperidade que choca com o desalento da maioria da população.

Todos que querem posar de altruístas, mas sem ser de fato, pois não desistem de um só supérfluo para converter em uma forma de dar dignidade a quem não tem o mínimo necessário. São lives, são exaltações a classes oprimidas. Tudo que analogicamente lembra o aplauso que damos a um mico de realejo. Mas sem querer saber se tal mico vive bem, se alimenta direito, etc..

Muito lindo ver campanhas identitárias que defendem - de forma isolada, como não se deveria -  cada classe oprimida, uma de cada vez, não a sua qualidade de vida mas a sua honra. Como se fosse possível ter honra sem ter um salário digno para pagar suas necessidades essenciais.

É muito fácil defender campanhas como Gay Pride e o Black Lives Matter. Ora, são campanhas que não exigem o abandono de seus supérfluos e o fato de  ter que tirar o dinheiro desnecessário para alimentar quem necessita. Legal, todo mundo de repente virou altruísta sem precisar doar seus excessos para os mais carentes.

Já causas trabalhistas são difíceis de serem defendidas porque soam como um assunto alheio ao interesse das classes médias que tem uma relativa prosperidade que lhes permite a ter um certo supérfluo que os fazem sentir melhores que as outras pessoas. As causas identitárias surgem para que essas classes prósperas posem de bondosas sem precisar dar dinheiro e direitos a ninguém.

Essas campanhas identitárias são de uma hipocrisia sem vergonha. Quase todos acabam se esquecendo que sem dinheiro não há dignidade. Teria, se não vivêssemos em uma sociedade em que quase tudo é pago.  Mas meu amigo, infelizmente, tudo é pago e a verdadeira caridade consiste em aumentar a renda, de forma constante e se possível, eterna, de pessoas carentes, seja em sub-emprego ou desempregadas.

Como os progressistas ou pessoas que se acham como tais não se interessam em mudar o sistema como um todo, ganhar um salário digno deveria ser uma prioridade máxima em todo tipo de luta altruísta. Fazer campanhas sociais sem defender salário digno às classes oprimidas é hipocrisia e mera forma de promoção pessoal.

Até porque a maioria das pessoas é egoísta, a ganância é presente em várias delas e o altruísmo exige esforço e abnegação. Se não querem ajudar, assumam seu egoísmo. Campanhas identitárias sem melhoria da distribuição de renda, não fazem sentido.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

A esquerda é capitalista quando trata de entretenimento

Eu sou esquerdista. Mas não é por ser esquerdista que tenho que aplaudir os erros cometidos pela esquerda brasileira. Aliás a esquerda brasileira é muito ruim. Mas mesmo sendo ruim não vou trocá-la por um Capitalismo que é sempre péssimo. Prefiro lutar por uma esquerda melhor.

Um dos cacoetes da esquerda brasileira é exaltar formas capitalistas de entretenimento. Ingenuamente, esquerdistas acreditam que o entretenimento é um território que não foi tocado pelo dedo podre do Capitalismo. Baseando em estereótipos, costumam rotular as tendências com base no público e não em que cria as obras.

Noto que há uma espécie de apologia a decadência cultural, além de uma ênfase ao consumismo. Como se cultura de mercado fosse a cultura em estado puro e consumismo fosse sinônimo de qualidade de vida. Esquerdistas são bons em política, mas péssimos em analisar cultura.

Obviamente isso acontece por boa fé. Acredito que isso vem de um conceito equivocado sobre cultura. Capazes de analisar a complexidade das relações políticas, os esquerdistas frequentemente se esquecem que a mesma complexidade é estendida para a cultura.

Desde os anos 90, as elites descobriram que a cultura é uma excelente forma de dominação. Muito mais eficiente, por ser mais convincente, descontraída e não depender de armas e agressividade para imobilizar multidões Através da dominação cultural, conceitos distorcido vão se espalhando e as pessoas acabam tendo uma visão míope da realidade que os cerca.

E não falo apenas de manifestações como música, cinema e televisão. A religiosidade e o esporte estão no pacote da dominação cultural. Ontem mesmo um portal de esquerda colocou como manchete principal a vitória da "seleção" nas Olimpíadas, em um texto passional e alienado. Parecia que havíamos ganhado uma guerra política e não um joguinho de bola. Temer & CIA agradecem.

Mas é na música que é mais nítida a obsessão das esquerdas na decadência cultural. Acreditando que a indústria cultural é a cultura propriamente dita, não se cansam de defender tendências duvidosas por acreditarem que "artistas" nascidos nas periferias seriam incorruptíveis ao entrarem dentro de esquemas midiáticos de gravadoras, produtoras de shows e empresas de comunicação. Vários ainda mais ingênuos acreditam que os populachos estejam fazendo uma "ocupação rebelde" ao assinar contratos com estas empresas midiáticas.

Os esquerdistas além de ingênuos, se esquecem de analisar a qualidade das obras que defendem. Quem entende de cultura sabe muito bem que muitas dessas tendências defendidas são claramente ruins, feitas por gente sem vocação artística e que está nessa só pelo dinheiro. Wesley Safadão e Anitta estão riquíssimos e a único traço da pobreza original deles é a tosqueira de suas composições, polida e moldada para consumo pelas empresas que os contrataram.

Isso fora o fato de que as tendências defendias pelas esquerdas, seja na cultura, no esporte ou o que quer que seja, são as mesmas defendidas pela mídia criticada por estas esquerdas. Não adianta falar mal da Globo e da Veja se fazem apologia da mesma música brega e do mesmo futebol já exaltados por estes citados meios de comunicação. Isso soa uma contradição.

Além disso, as esquerdas naturalizaram a relação entre o mercado capitalista e arte e cultura, como se a submissão as rígidas regras do mercado de entretenimento não atrapalhassem nem impedissem a espontaneidade artística. Criadores de cultura precisam comer, morar e pagar contas. Na ânsia de receber dinheiro, vale tudo, até mesmo produzir a "cultura" mais imbecil, rasteira e malfeita.

Acho que a esquerda deveria abrir os olhos e ouvidos e perceber que a "cultura" que passaram a defender é capitalista, feita ao gosto da elite, pomposa e bem-acabada, mas essencialmente medíocre e tematicamente alienante até quando brinca de fazer "canções de protesto". 

Ainda espero no Brasil uma cultura verdadeiramente de esquerda, de qualidade evidente e com o compromisso com a intelectualidade e não com a gananciosa industria cultural que a produz.

Kevin Smith usa inteligência para defender filha contra cyberbullying

Sempre gostei de Kevin Smith. O cinema dele, mais autoral que comercial, é criativo, animado e nada tedioso. Seu Mallrats é uma das melhores comedias juvenis na minha opinião, o Ferris Buller's Day Off dos anos 90. E ele, que se auto-define como nerd (no sentido antigo do termo), gosta de colocar muitas referências da tribo em seus filmes, senso um motivo a mais para tornar a obra de Smith (que costuma atuar em seus próprios filmes) ainda mais interessante.

Um cara criativo e inteligente só poderia utilizar a criatividade e inteligência em todas as coisas de seu cotidiano. Até mesmo para defender a sua filha. E foi isso que aconteceu.

Harley Quinn Smith, a gracinha que é filha do diretor, foi chamada de feia e sem talento por um trolleiro nas redes sociais (interessante como este tipo de ambiente tem sido o "paraíso" para essa gente constantemente mal humorada). O trolleiro também xingou o próprio Smith e o trabalho que este faz, fazendo comparações negativas com o filme de ficção científica Matrix.

O diretor escreveu uma bela mensagem de defesa a filha. Mas não como um pai comum faria. Smith usou a inteligência para responder ao trolleiro num texto completamente despido de ódio. Um texto tranquilo que vence pela argumentação convincente e pela certeza de estar fazendo a coisa certa. Digno de um diretor inteligente e sensato como Kevin Smith.

Eu que já admirava Kevin Smith, admirei ainda mais, pois ela calou o trolleiro oferecendo como arma a inteligência que o ofensor não possuía. Não houve meio do trolleiro contestar o extremamente sábio texto de Smith. O diretor Kevin merece nossos aplausos e de pé!

Reproduzo aqui o texto traduzido por Flávio Moreira para o site Escreva Lola Escreva, da amiga dele e militante de esquerda Lola Aronovich. Site que leio e gosto bastante. Veja a sabedoria de Kevin Smith ao defender a sua filha - linda, sim!: a foto confirma - do horrendo e infelizmente ainda impune cyberbullying.

"Como é ser minha filha: Harley Quinn Smith, 17 anos, recebeu essa mensagem simplesmente pelo crime atroz de postar uma foto de si mesma no Instagram. Não tenho a menor ideia do que a referência ao filme Matrix tem a ver mas, uau -- que forma de descontar numa adolescente o fato de VOCÊ não ter nada melhor para fazer da vida. Mas embora eu devesse estar furioso, minha filha achou isso engraçado. “Eu também ficaria zangada se tivesse pau pequeno e uma voz anônima”, disse ela, perplexa com a amargura [da pessoa]. 

Mas aqui vai de graça um conselho para fulanos como esse troll: se você odeia a mim (ou à minha filha) tanto assim, o melhor uso que você pode fazer do seu tempo é tornar os SEUS sonhos realidade, em vez de bater nos outros por fazerem isso. A melhor vingança é viver insanamente bem -- assim, se você quiser se vingar de uma garota de 17 anos pelo crime miserável de curtir a vida, a melhor forma de fazer isso é ter sucesso na sua PRÓPRIA existência. Mostre ao mundo PORQUE deveríamos estar prestando atenção em você em vez de em qualquer outra pessoa. Porque atacar outras pessoas aleatoriamente só mostra o quão emocional e criativamente fracassado você é. 

Você acredita que tem algo a oferecer ao mundo mas outros estão recebendo toda a atenção? Não fique se amargurando ou querendo castigar o mundo: apenas crie. Crie algo que ninguém tenha visto antes, e há uma boa chance de que o mundo note você. Atacar garotas adolescentes na internet é a forma mais triste de masturbação que existe e não exige qualquer habilidade ou talento. Você quer atenção? Não se irrite, faça algo original e divertido. Porque se você não está fazendo nada de útil nesse mundo você está sendo imprestável. Não seja um inútil: vá fazer coisas que deixem as pessoas felizes!"

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Belas fotografias ganham prêmio

Aqui estão algumas das mais belas fotos concurso Underwater Photography Contest, promovido anos atrás pela Universidade de Miami para fotógrafos amadores. A foto vencedora mostra dois engraçados peixes da espécie Bryaninops natans se acasalando, de Tobias Friedirich.

Veja as outras belas fotos abaixo. Na ordem, os créditos:
Tobias Friedrich
David Barrio Colongues
Luc Rooman
Laura Rock
Michael Gallagher (nada a ver com Oasis, nem com o "Sandy de OC, viu?)
Jordi Benitez
Laura Rock (essa foi agraciada com duas fotos escolhidas?)













Desmontando o mito de Michael Jackson


A importância de Michael Jackson para a música pop pode até ter sido grande. Mas não da maneira que quase todos pensam. Mediano como artista, Jackson na verdade foi o impulsionador do comercialismo na música, da música como produto e negócio. Foi o pioneiro de toda a pompa que vemos hoje no pop juvenil. 

Mas isso tudo nada tem a ver com a verdadeira música de qualidade, que passa longe disso e passa longe do público em geral, que quer ver pirotecnia, luzes, multidões de dançarinos no palco e muito mais pose do que canções caprichadas. E Jackson soube oferecer boa pirotecnia que salta aos olhos enquanto os ouvidos de seu público carecem de algo que supere a qualidade mediana de sua obra.

Mas como a visão é o sentido mais aguçado no ser humano, e Michael Jackson atuou como um excelente ilusionista, damos a obra mediana que ele produziu, sob a orientação de muita gente graúda, pois no fundo, Jackson não era criador de suas ideias, o caráter de brilhantismo e perfeição que não há na prática, somente no coração de cada admirador.

Temos medo de associá-lo ao pop adolescente de hoje, que adoramos odiar, apesar das semelhanças escancaradas. Conhece o primeiro álbum dos Backstreet Boys? Ouça-o, com muita atenção. Depois, sem uma grande pausa, pegue o Bad do Michael Jackson e ouça com a mesma atenção. A semelhança é enorme. 

Mas temos medo. Preferimos igualar Jackson aos maiores roqueiros do mundo, mesmo que as diferenças de sonoridade e de atitude sejam altamente explícitas. Fazemos isso não porque realmente enxerguemos, na base do pensamento desejoso (Wishful Thinking) a ausente semelhança entre Jackson e os roqueiros, mas porque sonhamos em ver o garoto da cidade de Gary com o mesmo prestígio dos roqueiros.

Inventamos que ele era ativista (Michael, eles não cuidam da gente!). Inventamos que ele fazia pesquisa cultural. Inventamos que ele inventou tendências (inventou, mas justamente aquela tendência que tememos, a pompa na mediocridade da música juvenil). Inventamos que ele fazia arte pura, espontânea, revolucionária. 

O que é mais engraçado é que a fama de "gênio máximo da pura arte" é tida só no Brasil e em alguns países subdesenvolvidos. Nos países com educação mais elevada, Michael Jackson nunca passou de mero hit-maker, mais um entre as inúmeras amenidades surgidas nos anos 80 (Jackson surgiu antes, mas foi nesta década que ele se consagrou), que poderia ter caído no esquecimento.

Brasileiros são os que acreditam mais no mito de Michael Jackson

Mas os brasileiros, confiantes numa mídia mentirosa que adora fabricar ídolos e heróis, caíram no conto da perfeição artística de Michael Jackson e a suposta genialidade do menino que soube obedecer ordens se arraigou na cultura brasileira. A ponto de seduzir até gente sensata como Leonardo Attuch (TV 247), Gilvan Moura (Beatles School) e Regis Tadeu (músico e crítico musical), todos crentes no falso mito da genialidade de Jackson.

E o que é mais interessante: os dramas da vida pessoal de Michael Jackson, um homossexual enrustido que era pedófilo e que cujas relações com mulheres foram todas forjadas. Inclusive com a filha de Elvis Presley, Lisa, para satisfazer a obsessão dos empresários de Jackson em transformá-lo no novo Elvis, algo que empolga os fãs brasileiros mais alucinados do intérprete de Thriller.

Pior que este fanatismo que coloca o símbolo máximo da transformação da música em reles mercadoria a ser produzida feito fruta na horta, é compartilhado com Steven Spielberg, o Michael Jackson do cinema, tão comercial quanto (sempre seguindo as orientações do mercado), mas tão bajulado como "gênio máximo" como o garoto de Gary, Indiana.

Apesar de ser tratado como "intelectual" da música, Jackson nada tinha de intelectual. Era um entertainer, uma espécie de bobo da corte moderno, a divertir as massas em tempos de ócio. Soube, com ajuda de gente grande por trás, entre produtores, diretores e divulgadores,  a usar a grande mídia a seu favor e criar uma mitologia, que mesmo falsa é altamente convincente e poderosa.

Mas no fundo mesmo, quem prestar a atenção, Michael Jackson nunca passou de um nome mediano na música, que até tem seus bons momentos, mas longe do genial, e que na verdade influenciou o pop adolescente de hoje, que reprovamos, caracterizado por cantores masculinos de voz fina, excesso de dançarinos em shows pomposos e o uso do aparato visual para esconder a mediocridade sonora. É esse o legado de Michael Jackson. Achar que ele está acima disso, é recorrer às fake news.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Festas Juninas não fazem mais sentido como manifestações culturais

Há um cacoete da maioria das pessoas de achar que tudo é cultural e eterno. Na verdade elas se referem ao entretenimento, isto é, a simples diversão. Mas as pessoas gostam de usar rótulos e justificativas nobres para coisas banais e fúteis na tentativa de legitimá-las.

Há muitos anos as chamadas festas juninas (festas caipiras) já não fazem mais sentido. Até certo ponto chega a ser meio ofensivo, pois se baseiam na imagem estereotipada do homem do campo, tido como burro, grosseiro e cafona. Apesar de alguns de fato serem assim, há muitos que não correspondam ao estereótipo e que sofrem preconceitos pelo simples fato de morarem em cidades rurais.

Em tempos de agro-negócio e de desenvolvimento das cidades interioranas, os estereótipos do caipira cultuados nas festas juninas já não existem mais. Muitas cidades do interior já se desenvolvem mais que os grades centros, estes bastante saturados e alguns em franca decadência (como Niterói, no estado do RJ). O acesso à tecnologias de comunicação tem dado oportunidade para o homem do campo se intelectualizar e melhorar o seu comportamento social.

As festas juninas realizadas nas escolas podem até servir como meio de sociabilização mas como educação cultural são um grave equívoco. Serve mais para satisfazer o orgulho e os interesses dos pais e adultos envolvidos do que das crianças que participam, pois estas não raramente nem fazem ideia do que estão fazendo aí. Mas como não é pedofilia nem trabalho infantil, ninguém vê crueldade em explorar crianças para satisfazer orgulho paterno.

Quanto aos adolescentes e adultos, as festas juninas servem apenas como entretenimento e forma de sociabilização. Mulheres principalmente. Mulheres, que estranhamente são quase unânimes em gostar de festas juninas e de forró, só gostam de paquerar em certas situações, e esta é uma delas.

Festas juninas são formas de cultura ou mero entretenimento?

Mas chamar o ato de se divertir como "cultura" é um pouco de exagero. Mesmo que cultura seja a manifestação de um povo, não creio que ir se divertir para passar o tempo e satisfazer alguns instintos possa ser definido como tal. Festas juninas, assunto desta postagem, representam mera forma de entretenimento, diversão para extrair prazer e passar o tempo.

Não se pode defender o direito de beber, dançar e namorar como se defende algo importante como obter um conhecimento, o que seria a proposta de uma cultura. Até porque não é necessário apelar para a "cultura" para se defender o justo direito de se divertir. Diversão e cultura são coisas bem diferentes. Misturá-las tem sido um problema que tem feito com que manifestações artísticas caíssem de qualidade.

Para mim, é uma bobagem usar rótulos culturais para se defender uma forma de diversão. Divertir é algo muito bom, mas sem a necessidade de rótulos nobres para ser validado. As festas juninas deveriam assumir seu caráter lúdico e dispensar o aspecto cultural. Não dá para transmitir conhecimento com crianças vestidas de caipiras estereotipados ou com casais que dançam com as pernas entrelaçadas.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Homem tem a obrigação de viver sorrindo?

A depressão é um tabu masculino. Homens não choram e como gladiadores valentes que naturalmente são, devem lutar pelo seu bem estar, custe o que custar, sem murmurar. A obrigação dos homens de assumirem um comportamento de hiena (animais que riem, mas são bem agressivas e atacam sem piedade) é tanta que as mulheres em uníssono decretaram que só querem homens bem humorados. Homens que riem e as façam rir.

Nos últimos dias tenho andado bem deprimido. Não pelo isolamento, pois minha vida sempre foi meio caseira e de poucos amigos, já que a maioria das pessoas prefere ser amiga da farra desenfreada. Mas tenho a consciência de que, se pro um lado mulheres deprimidas comovem e atraem socorro, homens deprimidos decepcionam e afastam todo mundo, pois é obrigação de todo homem uma certa vocação para o heroísmo.

Tenho a certeza de um sol nascente de que vamos piorar depois dessa. O desemprego causado pelas inúmeras empresas em falência e a desconfiança de outras pessoas serem transmissoras de um vírus mortal vão obrigar mudanças de atitude que representarão um retrocesso nas relações humanas. 

Vamos nos amar menos e mesmo atitudes de solidariedade se limitaram aquelas medidas paliativas (tipo dar cestas básicas, cobertor, sopinha, etc.) que as religiões, incompetentes na capacidade de tirar os necessitados de sua condição indigna, sempre fazem.

Não estou esperançoso quanto ao futuro, embora pandemias sejam possíveis de serem dissipadas, se cumprirmos com rigor o isolamento social proposto. Mas estou velho demais para recomeçar qualquer coisa e tenho que definitivamente enterrar os meus sonhos em uma camada bem profunda de Terra. 

O jeito é, se eu viver, me conformar com o que aparecer de positivo. Esperando apenas que alguém entenda a minha depressão.  O que é difícil, pois a autoritária sociedade quer que eu seja alegre na pior das desgraças, pois sendo homem eu tenho a obrigação irrecusável de fazer os outros rirem. Mesmo que os motivos para eu chorar sejam abundantes.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Parem de tratar as mulheres como se elas fossem detergentes em supermercados!

"Não faz mal. Você arruma outra. Há muitos peixes no mar". Estou cansado de ouvir esta ladainha quando percebo que uma mulher que eu gosto está comprometida. Aliás, isso me irrita, pois perder mulheres para outros homens foi algo tão corriqueiro para a minha vida que se tornou um trauma. 

Normalmente eu fico bem magoado quando sou atraído por uma mulher e descubro depois que ela tem dono. Compreensível. Pelo menos deveria ser, por causa do trauma. Mas a oferta que existe entre as solteiras não compensa.

Tirando as que ficam sozinhas por opção - mulher atraente só fica sozinha quando quer e não enxerga a solidão como algo ruim - as que ficam sozinhas por obrigação, normalmente não prestam. Tem as feias, é verdade. Mas há muita solteira linda que se mostra uma cilada de acordo com a personalidade bastante duvidosa, seja em caráter, seja em intelecto.

É infantil acreditar que as melhores estão sozinhas. Seria como se os homens fossem idiotas ao ponto de escolherem as piores mulheres para se casarem. Não esqueçamos que mesmo os machistas revisaram seus critérios de escolha feminina e hoje, mulheres inteligentes e de postura mais sóbria e elegante (padrão Audrey Hepburn) desencalham com maior facilidade que as burras e "sensuais".

Mas quando você está atraído por uma determinada mulher, é porque ela tem as qualidades diferenciadas que você quer. É uma crueldade dizer que se um homem não pode ter mulher X porque ela se casou com outro (que estranhamente não faz questão das qualidades desejadas pelo homem perdedor) deve aceitar Y, porque ela é bonita ou bondosa. Como se ela não tem tais qualidades?

Para quem ouve um conselho alheio de aceitar qualquer mulher como se esta fosse capaz de substituir a mulher desejada fica a impressão de que mulheres são como garrafas de detergente em um supermercado: se uma garrafa foi pega, basta pegar a outra que está do lado que dá no mesmo. Dá no mesmo?!

Mesmo que entre as solteiras aconteça um festival de mesmice que as faz agirem de forma igual - ou até por isso mesmo - quando você fica atraído por uma mulher é porque ela consegue se diferenciar das outras. Aquela que casou com o outro - que não dá a ela tanto valor quanto você dá - é a mulher diferenciada que você estava procurando. A substituta tem grandes chances de não agradar tanto.

Seria muito bom que a gente chegasse para um homem casado e dissesse: "essa mulher combina mais comigo do que com você. Daria para você se divorciar dela para que ela pudesse se casar comigo?". Ah, como seria bom se as coisas fossem assim. Mas as regras sociais não permitem, até porque as religiões impõem - mesmo para não-religiosos - o matrimônio como algo indissolúvel.

Mas o que fazer diante desse cenário. Pegar outra garrafa de detergente? Mesmo sabendo que a essência da garrafa anterior adquirida por outro era rara e em edição limitada? Aceitar a comum, sem essência, igual às outras? Complicado.

Isso explica porque tantos homens tem optado pela solteirice crônica. E também explica porque tem tanta chata sozinha, clamando por amor. Chatice não gera matrimônio...

domingo, 21 de junho de 2020

Girls just want to have fun

Achar uma mulher solteira que preste no Brasil está complicado. parece que todas as brasileiras entraram em um acordo e resolveram uniformizar as suas personalidades, como se fossem uma só. Ou seja, nunca a frase "mulheres, vocês são todas iguais" fez tanto sentido.

Aquele mito insistentemente espalhado de que é entre as solteiras que se encontram as melhores mulheres (como se os homens fossem otários a escolher as piores para se casar. Natalie Portman é pior? Kristen Bell é pior? Naomi Klein é pior? Elaine Bast é pior?) ainda continua a enganar muita gente, que vê fartura e esperança plena em aplicativos de paquera.

Há um estimulo estranho para que as pessoas solteiras ajam como perfeitos idiotas, se divertindo como se tivessem 5 anos de idade. Mesmo bebendo álcool, estereótipo máximo da vida adulta. Melhor dizendo, são adultos bebendo álcool com a responsabilidade de crianças de 5 anos. Fora as besteiras que vivem falando com o cérebro levemente danificado pela exaltada bebedeira.

Estranho ver mulheres se achando amadurecidas, sonhando com relacionamentos sérios sem seriedade. O que elas acham que é relacionamento sério? carregar elas embriagadas falando um monte de besteiras? Se reunir nos bares com um monte de estranhos agindo como delinquentes?

Eu gostaria de um relacionamento tranquilo, longe do universo dos bares, da curtição desenfreada. Um relacionamento realmente romântico, em um lugar com pouco barulho e muita beleza. Mas brasileiros só entendem a alegria como sinônimo de agito, de uma vida enlouquecida e sem controle. Ficar quieto vislumbrando belas paisagens é coisa de gente infeliz esperando a morte chegar. 

Praticamente a única opção entre as solteiras são mulheres burras que se acham inteligentes só porque tem diploma ou segue orientações políticas progressistas (como se burraldos não pudessem ser de "esquerda": mesmo sendo mais fácil encontrar inteligência em ambientes de esquerda, ela ainda não é absoluta. Você pode gostar das esquerdas por motivos subjetivos. nada impede isso).

Mulheres inteligentes de fato estão muito bem comprometidas. O gosto dos homens tem mudado nos últimos 30 anos. As burras é que estão sobrando. As burras falam besteira, cometem gafes, enchem o saco. Pior que as burras estão se achando inteligentes só pelo fato de estarem sozinhas, acreditando no falso mito de que homens tem medo de mulheres inteligentes. Socorro!

Parece que as solteiras querem no fundo é se divertir. Assumir rótulos nobres para atitudes idiotas ajuda a ter prestígio social, embora tudo morra na teoria, dissipando feito fumaça na atmosfera. No fundo os ambientes de paquera viraram novos hospícios e a expressão "loucas para ter um homem" passou a ter sentido literal. São uma loucas mesmo.

As sensatas casadas e as loucas encalhadas. O jeito é ficar sozinho, enxergar a vida a dois como utopia e cancelar qualquer romantismo. Pelo menos, sozinho terei tempo para cuidar de minhas coisas, muito mais importantes que um festival de bebedeira regada a um monte de besteiras.

Garotas só querem se divertir. Pelo menos em relação às solteiras, isto é fato consumado.

sábado, 20 de junho de 2020

Elas não querem romantismo

Interessante a sociedade. Ela gosta de manter o que é ruim ou inútil. Mas o que é bom ela faz questão de extinguir para depois ficar escrevendo em fóruns nas redes sociais como "era bom naqueles tempos". O romantismo é uma dessas coisas.

Apesar de ainda cultuarem o nome "romantismo" e alguns estereótipos ligados ao termo, o fato é que o verdadeiro romantismo, aquele que tem a ver com a nossa sensibilidade, aquilo que vem da alma, está praticamente extinto.

O romantismo acabou sendo substituído por um leve sensualismo meio pueril e que nada tem a ver com sensibilidade. Deixou de sentir pelo coração para sentir pelos... crianças na sala? Bom, vocês sabem!

Uma das provas da falta de romantismo é a troca, no Brasil, da música lenta pelo forró, ou sons mais "calientes". A música lenta agora é feita para se cantar junto com as mãos levantadas.Não se dança mais coladinho ao som daquela canção sensível. 

Dançar junto agora é sinônimo de esfregar corpos e mesmo que no passado as música s lentas causassem excitação, ainda estimulavam o sentimento, coisa que ritmos como forró evidentemente não fazem. Forró, para mim, soa um pouco grotesco. Parece mais coisa de cangaceiro do que de gente meiga. Nada contra, mas não é romântico.

Outra coisa a observar é que as mulheres não tiram mais fotos românticas. Nada de fotos em jardins floridos, poses meigas e sorrisos tranquilos. Nada de músicas realmente românticas, aquelas lentinhas de fazer os corações derreterem. Até o nojento hip-hop atual (desprovido da boa qualidade do hip hop antigo, tipo Grandmasterflash, Beastie Boys, Public Enemy, etc.) é usado como fundo musical para videos e slides de mulheres bonitas.

Parece que as mulheres entenderam o ponto de vista machista (que eu discordo, mesmos sendo homem) de que vida afetiva é para sexo e só. Ridículo, patético e retrógrado! Como conseguimos andar para atrás s recusar a nossa natureza humana. Pior que há animais muito mais românticos que as pessoas de hoje, como várias espécies de pequenos pássaros.

Nada contra sexo. Pelo contrário, tudo a favor. Só que sexo é uma coisa e romantismo é outra. Coisas totalmente diferentes. Além de ter mais a ver com o físico do que com o lado sentimental, acredite, sexo é o que os casais menos fazem. E sensibilidade, pelo menos para quem é sensível como eu, é algo que você sente quase o tempo todo, quando você gosta de verdade da pessoa amada.

Mas se romantismo está tão em baixa, porque as mulheres fazem questão de se casar? Bom, o casamento na verdade, é um ritual da vida adulta e portanto, uma obrigação social. Tem mais a ver com o fato de você pertencer a alguém (como um patrimônio) do que com amor e romantismo. Até porque ultimamente, as mulheres tem preferido passar o tempo com amigos e colegas da trabalho do que com maridos.

Mas no mundo onde qualquer coisa é chamada de "amor", inclusive relacionamentos por conveniência entre velhos pavorosos e gatinhas fofinhas que mal largaram a fralda, qualquer forma de união é válida. O cantor romântico que se vire, cantando em um salão vazio, decorado com flores.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Para a mídia infanto-juvenil, rock é música de criança. "Adulto ouve dance, hip hop e música de povão"

Uma coisa estranha que vendo notando na mídia infanto-juvenil. Parece estar havendo uma inversão de valores que poderá contribuir para o aumento da já crescente piora da cultura mundial. Para a mídia especializada em produtos para crianças e adolescentes, rock virou coisa de criança. 

Gente graúda ouve músicas menos elaboradas e precariamente artísticos como o pop dançante (que predomina nas rádios), hip hop e os ritmos brasileiros conhecidos como "populachos" (axé, pagode, "funk", "sertanejo", brega e similares). Se prestarmos atenção, o que está sendo proposto é um retrocesso cultural, a completar o processo de desamadurecimento do adulto. 

É perceptível que segundo as regras sociais, os adultos devem, ao crescer, se livrar de qualidades importantes como a espontaneidade e o companheirismo incondicional (as amizades adultas são sempre condicionais) em prol do consumismo supérfluo e da competitividade pela sobrevivência. 

Se não bastasse chegar à vida adulta mais burros e insensíveis, os adultos ainda passam a consumir formas idiotas de cultura, como se fosse necessário desligar o cérebro durante os momentos de lazer. Inventaram a tola tradição de que intelecto só serve para emprego.

Noto que muitos doa atuais desenhos e atrações direcionadas ao público infantil, quando resolvem fazer menções a música, se utilizam do rock como formato. Star Darlings, da Disney e o Under Undergrounds da Nick são exemplos disso. Bandas com músicos e sem os supérfluos dançarinos que pipocam no pop supostamente direcionado aos pós-adolescentes e jovens adultos. Pior que os mesmos empresários que jogam o rock para crianças estão por trás do pop juvenil "para adultos", pois vários de seus pop stars vieram do meio infanto-juvenil.

Desconheço qual a intenção ideológica de colocar rock para crianças e pop dançante pseudo-erótico para os adultos. Acredito que os empresários de produtos infanto-juvenis estejam seguindo a tendência capitalista de desestimular a intelectualidade e o ativismo social para que não surjam subversivos dispostos a mudar as relações de poder vigentes no mundo. Como crianças não possuem condições legais para mudar as coisas, é inofensivo jogar para elas algo mais elaborado.

É somente uma hipótese, que faz bastante sentido. É muito estranho ver crianças consumindo algo mais palatável que os adultos, que quando crescem, acabam virando bestas, babando por musiquetas sobre traição amorosa com trezentos dançarinos rebolando ao redor dos cantores que cantam sobre um playback instrumental.

Deu a louca nas esquerdas

As novidades:
- Jornal Nacional virou telejornal comunista;
- Depois de Alexandre de Moraes, Merval é o novo comunista do pedaço;
- Weintraub sai para dar lugar a Paulo Freire;
- Chico Buarque é jogador de futebol;
- Popozuda virou feminista;
- Lula e Eduardo Suplicy são jovens galãs;
- A volta da democracia se tornou certa e rápida;
- Bolsonaro vai sair amanhã. Lula toma posse.

Essas e outras "noticias" publicadas nos sites de esquerda mostram o clima de otimismo alucinado que tomou conta dos cérebros das esquerdas. Pelo jeito, não é só o Weintraub que está fugindo do país. Os neurônios dos esquerdistas estão também lotando aviões para sair do Brasil.

O festival de otimismo e uma série de postagens sem pé nem cabeça mostram que a quarentena, somada a consumos desenfreados de álcool e maconha devem estar fazendo muito mal às esquerdas.

Parece que todos se mudaram para o País de OZ. Um festival de absurdos e idiotice passaram a fezer parte da noção de felicidade de muitos esquerdistas. Todos perfeitamente dopados, acreditando estar num mundo maravilhoso dos sonhos.

De repente a Covid 19 acabou e estamos todos curados ou imunizados. A felicidade passou a se tornar real, bastando para isso se entorpecer na maconha e na cerveja. Para os crentes basta a própria religião que já é de uma embriaguez só. Cheio de estorinhas mirabolantes e pessoas superpoderosas. SHAZAM!

Deve ser coisa da esquerda pequeno burguesa, tão bem de vida, que já não tem mais causas para lutar. Dinheiro chegando todos os dias na conta, resta somente defender loucuras e fabricar mártires. O resto é ser feliz, com Marielle no céu e Lula na Terra. Como deuses, não como intelectuais.

Sinceramente, não sei mais o que esperar das esquerdas. Melhor que Bolsonaro fique e faça as suas atrocidades. Quem sabe um pouco de pancada consegue pôr os cérebros dos esquerdistas no lugar.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Flaming Pie, a obra prima de Paul McCartney

Não é preciso dizer que hoje é o aniversário de Paul McCartney. Por isso mesmo e também por causa da proximidade do relançamento do excelente álbum de 1997, Flaming Pie, decidi fazer meus comentários sobre o tal álbum.

Na época eu estava na UFBA, dois meses de aulas e não tinha prestado atenção no lançamento do álbum, gerado pelo clima de revival de Anthology, a série de documentários sobre os Beatles, produzida na época  e que forçou um hiato de cerca de cinco anos para que Paul lançasse um álbum.

Flaming Pie será relançado no final do próximo mês, entupido de brindes, em um caixotão que inclui a versão em vinil do álbum. Será bem caro, pois será fabricado com poucas cópias, já que o mp3 quase matou qualquer versão física. Eu gostava de colecionar CDs e teria o maior prazer de voltar a comprá-los. Mas a ganância da indústria só entende o que dá lucro. Fazer o quê, se ninguém além de mim e de alguns poucos ainda deseja comprar discos?

Mas vamos ao álbum que, segundo a crítica é o melhor álbum de McCartney fora dos Beatles e do Wings, e é cheio de peculiaridades. para começar pelo nome. Estimulado pelo Anthology, McCartney lembrou de uma piada de John Lennon que disse ter sonhado com um homem segurando uma torta flamejante dizendo: "a partir de hoje vocês serão os Beetles (besouros) com a". Daí veio o título, que carrega uma aura de saudosismo do começo da carreira de McCartney, que marca todo o álbum.

O álbum também marca a parceria de McCartney com o líder da Electric Light Orchestra, Jeff Lynne, produtor do álbum e fã mais famoso dos Beatles, influencia marcante na banda que liderava. Lynne havia produzido o processo de conclusão das faixas Free as A Bird Real Love, feitas para serem incluídas nas coletâneas do Anthology, cheias de raridades, organizadas de forma didática.

A produção de Lynne foi importante para dar qualidade ao álbum, que é uma obra prima. Certamente é o melhor álbum sob o nome do próprio cantor, já que se incluirmos o trabalho nos Wings, na opinião geral é o Band on The Run, que eu tinha em vinil. Para mim, o Wings é outra carreira a parte de Paul McCartney e mesmo tendo sonoridade parecida com seu trabalho solo, prefiro considerar como algo a parte.

Estranho que o álbum, em seu todo é uma sequência de momentos alegres. É o último álbum com participação da esposa Linda Eastman, que estava tratando na época de um câncer de mama que a matou anos depois. Além da morte de Maureen Starkey, ex-esposa e mãe dos filhos de Ringo Starr, homenageada em uma das faixas.

Lynne, como fã dos Beatles, entendeu a proposta de McCartney usá-lo como uma homenagem aos Beatles quarteto de Liverpool. Realmente, em vários momentos, como na faixa título, que soa como "sobra" do famigerado Álbum Branco dos Beatles, a lembrança da banda mais famosa do mundo é inevitável. Vamos analisar as faixas uma a uma, pois o álbum merece ser deglutido detalhadamente e com atenção.

O recheio da torta flamejante: as faixas de Flaming Pie

The Song We Were Singing - O álbum começa bem com a faixa cuja melodia lembra o andamento de uma valsa, embora tenha arranjos folk, como se fosse um skiffle (música folclórica de Liverpool) lento. O refrão, com melodia (mas sem a tal famosa gaita, presente na antiga Mull of Kyntire) que lembra uma música folclórica escocesa,  é emocionante e dá vontade de cantar junto.

The World Tonight -  Faixa de trabalho do álbum, lembra o trabalho do Wings. Fez muito sucesso na época e surpreendeu por ser diferente de boa parte do trabalho feito pelo músico nos últimos anos. Tem o arranjo de guitarras bem agradável.

If You Wanna - A faixa mais inovadora do disco na minha opinião. Parece um shoegaze rápido e com arranjos mais simples. Seria como bandas como Ride fazendo folk music acelerada. É a faixa que eu mais gosto do álbum, além de Heaven of Sunday, embora nada nele esteja abaixo do genial. McCartney parece bem renovado nesta faixa, mostrando a capacidade de renovar que seria escancarada em New.

Somedays - Sensível como as melhores músicas lentas consagradas por McCartney, ela tem arranjo delicado e quase erudito. Não li nada a respeito, mas acredito que a faixa tenha inspirado Paul a compor o álbum erudito que lançaria pouco depois: Standing Stone. Excelente para ouvir deitado na cama, com a luz apagada, imaginando passeios em belas localidades.

Young Boy - Segunda faixa de trabalho do álbum, lembra as faixas mais folk da Electric Light Orchestra. Até a voz de apoio de Lynne é bem nítida. É uma música alegre, nem rápida, nem lenta e o título tem muito a ver com o clima de saudosismo juvenil de todo o álbum.

Calico Skies - lembrando um pouco o clima de faixas como Blackbird, é outro momento relaxante do álbum. Mas é uma faixa bem rural, com o agradável cheiro de mato molhado. Canção gostosa de ouvir tomando um café bem quentinho com um delicioso bolo de fubá de milho. Tente fazer isso.

Flaming Pie - Parecida com Lady Madonna, é uma das faixas mais Beatle do álbum. Óbvio, pois a faixa faz referências ao tal "Homem da Torta Flamejante " do sonho de Lennon. Parece uma sobra de Abbey Road, relançado com bastante repercussão no ano passado.

Heaven of Sunday - Outra favorita minha do álbum e outra música relaxante, mas bem mais romântica que as outras lentinhas. É a melhor do álbum para se pensar na pessoa amada ou ouvir junto com ela, se estiver por perto. Tem o solo de guitarra do filho do cantor, James, seguindo um estilo que lembra o de David Gilmour (que fez o solo bem reconhecível em No More Lonely Nigths, de 1984).

Used to be Bad - Participação nos vocais e na guitarra de Steve Miller (conhecido aqui por Abracadabra, de 1982), seguindo o estilo blues muito comum nas obras do participante, consagrado no mundo, mas pouco conhecido aqui, apenas pelo hit citado. Interessante ser um blues, estilo que só foi presente nos últimos anos do trabalho dos Beatles, quando desde o início dos 60, as muitas bandas da invasão britânica usaram este tipo de música como influência clara.

Souvenir - com andamento melódico que lembra muito Oh Darling (ou seja um cruzamento de blues e valsa), parecendo sobra de Let It Be. O título (souvenir, significa algo que você guarda para relembrar um passado) e a música em si (em que McCartney canta como em 1968,1969) fazem referência aos Beatles. A faixa encerra com o chiado de vinil, reforçando o elo com o passado.

Little Willow - Música singela e um dos poucos momentos tristes do álbum, foi escrita em homenagem à falecida ex-esposa de Ringo Starr, Maureen, que morreu de câncer na época. A revelação da mesma doença em Linda, que teria o mesmo destino, reforçou a tristeza da composição.

Really Love You - Outra faixa que parece ter saída do repertório dos Wings. É a mais fraca do álbum, embora seja ainda muito boa. Tem um arranjo de guitarra que usa o mesmo timbre de várias músicas da banda californiana contemporânea dos Beatles, The Byrds. McCartney também faz falsetes a lá Mick Jagger. Somando ao fato da melodia da música lembrar música dos Animals, fica a impressão de que esta faixa existe para homenagear as bandas contemporâneas dos Beatles. Ringo é co-autor na faixa.

Beautiful Night - Outra bela música lenta, que mostra não muito sutilmente a capacidade de McCartney de compor faixas eruditas, graças a rica melodia da música e dos arranjos de cordas do fundo. Como diz o título, é boa para ouvir olhando o luar junto da pessoa amada.

Great Day - O título da faixa, comparado à faixa anterior (posicionadas de propósito?), acaba fazendo uma parceria com a música anterior. A melodia lembra I've got a Felling, embora seja bem mais calma. Coincidentemente hoje, as esquerdas subiram a expressão #grandedia nas redes sociais para comemorar dois fatos ocorridos hoje: a prisão do tesoureiro de Bolsonaro Fabrício Queiroz e a demissão de Abraham Weintraub. É a faixa que encerra o álbum.

O caixote com o álbum remasterizado virá com muitos brindes, incluindo muitas músicas inéditas e versões diferentes das faixas oficiais. Aguardemos. Pelo menos em streaming deve dar para ouvir.

Parabéns, Paul! Pelo aniversário e pelo álbum maravilhoso que será relançado! Que discão!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Dakota finalmente vai contracenar com a irmã em filme

Dakota finalmente vai contracenar com a irmã Elle em um trabalho próximo. Será o filme The Nightingale (O Rouxinol), onde interpretarão uma dupla de irmãs francesas a fugir da ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Curioso que a dupla de irmãs, na vida real, é descendente de alemães.

Não sei se o filme entrou em fase de produção, por causa da pandemia, e muito menos se sabe quando estreará nas telas, provavelmente na segunda metade de 2021. As duas já haviam atuado em um mesmo filme, mas sem contracenar. Ambas interpretaram uma mesma personagem em I Am Sam, em idades diferentes.

Vai ser bom ver as duas atuando juntas em um mesmo trabalho. Tomara que seja o primeiro de vários.


terça-feira, 16 de junho de 2020

A hipocrisia das celebridades no Ativismo Social

Uma série de manifestações ocorreu por causa de um cruel assassinato de um cidadão negro, George Floyd, que teve o pescoço esmagado propositadamente pelo joelho de um policial racista. Policial que usou um motivo banal para matar Floyd, porque supostamente estaria fazendo compras com uma nota falsa de dinheiro. Mesmo que fosse verdade, não é motivo para morte e Floyd pode ter recebido a nota por engano de quem o pagou seja como troco ou outra forma.

A morte cruel de Floyd acabou sensibilizando multidões que hoje clamam pelo fim do racismo contra negros e pedem respeito, direitos e valorização às pessoas de cor. Justo. Apoio sem qualquer tipo de condição iniciativas que acabem com o racismo, tratando as pessoas de cor escura como iguais às pessoas de qualquer etnia. Até porque é fato: são seres humanos iguais a nós.

Os protestos acabaram atraindo muitas celebridades, a ponto delas um dis, colocarem uma estranha tela preta em seus perfis, como forma de protesto. Várias celebridades também saíram à ruas para companhar a população nas manifestações. Tudo seria muito lindo se não fosse por um detalhe: o estilo de vida nababesco destas celebridades, normalmente tão alheias aos direitos humanos.

Como pessoas que gostam de ostentar um estilo de vida nada modesto fingem agora se preocupar com a humanidade? É para se promover como "bondosos" e "conscientizados", para manter fãs ou angariar admiração popular? Para lucrar em cima do ativismo, para depois manter tudo como está.

É importante lembrar que Floyd não foi assassinado (sim, o termo é esse mesmo!) apenas porque era negro. Era negro e pobre. Will Smith, Denzel Washington e Kanye West no lugar de George Floyd seriam poupados. Não porque o tal policial goste deles, mas sabe que a repercussão (que foi péssima no caso de Floyd) seria ainda pior se fosse om um negro famoso e principalmente, rico.

As celebridades não estão nem aí para redistribuição de renda. Os EUA, admirados pelos brasileiros pelo imaginário senso de justiça, é uma sociedade injusta, com pobreza, serviços da má qualidade, desigualdades de todos os tipos e que lentamente vem perdendo o posto de potência mundial, a ponto de se inquietar e desafiar a nova potência a China, criando um vírus mortal para tentar destruí-la.

Famosos saíram para as manifestações com suas falsas indignações, para depois, sob medidas de higiene mais do que rigorosa, se limparem da "sujeira do povo", entrando em seus caríssimos carros para retornarem sãos e salvos para suas mansões e retomar a sua rotina de glamour e pose, consumindo vinhos caros e ostentando tudo do bom e do melhor.

Mera promoção pessoal para manter prestígio na opinião pública

Seriam estas celebridades, verdadeiros ativistas? Claro que não! É sempre bom posar de bondoso e conscientizado diante da população. Não somente ricos, mas todos os seres humanos gostam de posar de bons. Atrai confiança e admiração alheia, nos traz os benefícios que só poderiam ser conquistados pela decisão de outras pessoas e ainda nos livra de punições. 

É sempre bom parecer bondoso. Mas é ruim ser bondoso de fato. Um verdadeiro altruísta abre mão de pompa, de supérfluo, de luxo ou de outros tipos de excessos. Um verdadeiro conscientizado pensa, lê, e não raramente tem que se livrar das crenças (religiosas ou não) que trazem tanto conforto. É um baita esforço ser um ativista de fato e isso traz muitos incômodos.

Para mim, estamos em uma fase de hipocritização da humanidade. Eu, sinceramente não confio na maioria das pessoas . Pessoas tem interesses e estes são os limites que impedem um altruísmo mais verdadeiro e um desejo real de mudança. Preservar interesses é importante para muita gente e por isso que nada muda em pleno século XXI, previsto como "revolucionário" por futuristas do passado.

Apesar de acreditar nas manifestações da população, não acredito na participação de celebridades. George Floyd, assim como milhões de negros e pobres são um nada para quem vive trancafiado no conforto de castelos, mansões e condomínios em bairros nobres. Sair para defendê-los me parece mais uma tática de publicidade do que de ativismo social. Morto Floyd, tudo volta como era antes.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

A utilização das obras da Legião Urbana pela direita é hipocrisia cara-de-pau

ENCORPANDO A VITAMINA: Este texto, escrito por mim em agosto de 2016, guardadas as diferenças de contexto, continua valendo. Crentes de que o rock é uma música de "elite" (e não é), acharam no direito de "privatizar" o rock nacional, como sendo um tipo de música de direita, quando em essência, o rock tem afinidade com ideais de esquerda.

Os manifestantes pró-Bolsonaro qinda continuam a usar músicas de rock nacional em suas manifestações (embora, felizmente, a mãe do Cazuza proibiu a utilização de músicas não somente gravadas, mas compostas pelo filho, esquerdista assumido). Quando é que os direitistas vão ter o simancol de que o rock não é tipo de música feito para eles?

A utilização das obras da Legião Urbana pela direita é hipocrisia cara-de-pau

Marcelo Pereira, Planeta Laranja, 27/08/2016


Renato Russo deveria mandar um médium lançar um processo judicial contra a direita pela utilização de suas obras. As ideias contidas nas letras de suas músicas, claramente progressistas e humanitárias estão sendo utilizadas com frequência por conservadores, defensores de ideais contrários aos do falecido compositor.

 A utilização das músicas compostas por Renato Russo por setores de direita tem servido para que políticos, empresários e ideólogos conservadores disfarcem a sua imagem real retrógrada com um verniz de progressividade e humanismo que estão claramente ausentes nas ideologias que estes conservadores defendem. É o que podemos chamar tranquilamente e sem hesitar de hipocrisia cara-de-pau.

Rock, ritmo tradicionalmente progressista, a serviço do retrocesso

Há poucos meses, o grupo Capital Inicial foi fazer uma show em Curitiba e convidou o juiz pró-PSDB Sérgio Moro para assistir em um camarote VIP. O público fascista (o Fascismo está em alta em Curitiba) que foi ao show delirou ao saber que o juiz-xerife (que foi adolescente nos anos 80, dois anos a menos que eu, e hoje é um quarentão com ideias e postura de 200 anos atrás) estava na plateia. 

Dinho Ouro Preto, descendente de nobres, dedicou a canção Que País é Esse? a Moro, ignorando que a letra fala em "sujeira para todo o lado", principalmente do lado de Moro, de Tucanos, de Temer & CIA. A foto que ilustra esta postagem é deste encontro bastante hipócrita que mostra o rock a serviço do retrocesso.

Recentemente eu assisti como parte de um curso, a uma palestra em vídeo de um executivo claramente conservador que abriu a mesma com a execução - na íntegra (!!!) - da música Tempo Perdido. Soou bem hipócrita, já que além de não utilizar a letra para ilustrar a sua palestra (ele se limitou a elogiar a banda, apenas), ao longo da palestra foi defendendo posturas contrárias a do famoso compositor, incluindo a falácia da Meritocracia, uma tese comprovadamente impossível. 

A música acabou soando deslocada da palestra, o que soou claramente uma tentativa do executivo-palestrante soar simpático aos mais jovens e os de mentalidade progressista, para depois arrancar a máscara da progressividade e mostrar as suas horrendas feições de capitalista-medieval. Hipocrisia, repito, é o melhor nome para isso.

Conservadores forçando a barra para parecer "progressistas"

Os conservadores querem forçar a barra para se tornar "mudernos", mas exigindo um mundo retrógrado, com direitos limitados poucos privilegiados, limitações ao bem estar de pobres, negros, gays, ateus, mulheres, socialistas e outros tipos de pessoas que não se enquadram nas convicções pessoais dos conservadores.

Já haviam feito coisa parecida com Cazuza, principalmente com a música Brasil. Os - minguados - protestos coxinhas de Niterói chegaram a tocar a tal faixa. mas certamente se lembraram que o compositor também gravou Burguesia, que soa como uma grave ofensa aos coxinhas, quase todos integrantes das mais abastadas elites. Cazuza certamente estaria apoiando Dilma e o PT se estivesse vivo.

Infelizmente muitos roqueiros resolveram se inclinar para a direita, após ganhar muito dinheiro e virar magnatas. O rock, ritmo que nasceu rebelde e humanista agora perde a sua vocação rebelde para atender interesses conservadores, nem que sejam os de tentar livrá-los dos estigmas de retrocesso. mas não adianta, a essência é algo que não se livra facilmente e a simbiose forçada de roqueiros e conservadores é um tiro no pé que representa o melhor exemplo de hipocrisia que se pode observar na atualidade.

domingo, 14 de junho de 2020

Ser doido é o novo normal?

Seres humanos, por instinto, gostam de aglomeração. Os brasileiros mais ainda. A ponto de moldar seus gostos, convicções e costumes às aglomerações. Por isso que os brasileiros preferem revogar a sua vocação à diversidade e seguir a manada no modo de pensar e agir.

Mas aí veio um monstrinho bem pequeninho, invisível até para as bactérias, causando estrago para todos os lados. Criou uma doença nova, de nome estranho, Covid 19, e obrigou todo mundo a se isolar em suas casas, senão correria alto risco de morrer asfixiado.

Pensem bem: isolar pessoas acostumadas com vida social constante é um horror. Para gente que tinha como rotina estar no meio de multidões de no mínimo 100 pessoas, ter que ficar com poucas pessoas, sozinho, no mesmo espaço físico todos os dias, é uma tortura.

Certamente, obrigar uma pessoa a fazer algo que ela não está acostumada, aos poucos a leva a loucura. Sinto que as pessoas estão aos poucos enlouquecendo. Em alguns casos não é aquele loucura estereotipada. Mas é loucura. É um sinal claro de que cérebro não está funcionando bem.

O tipo de loucura varia de pessoa para pessoa. Mas é loucura. Nota-se que a pessoa não está bem. No Instagram, já começam a aparecer postagens estranhas, que seriam normais se viessem de crianças de cinco anos de idade. Mas vem de gente de 20, 30, 40 e até 50 anos de idade. Aliás nem sessentões e setentões estão de fora desta fase de loucura. Todos nos enlouquecemos!

No começo da quarentena, acreditávamos que destas crisálidas sairiam borboletas lindas e formosas. Mas pelo jeito não sairão borboletas desses casulos. Poderemos tornar famintos gafanhotos, enxeridos marimbondos ou até mesmo asquerosas e venenosas aranhas (com a diferença que seus muitos olhos estão todos cegos). 

Deixando metáforas de lado, estaremos certamente mais enlouquecidos. Mais infantis, mais burros, mais insensíveis, etc.. Não pensem que o #vidasnegrasimportam está tornando as pessoas mais altruístas - pode ser um modismo: em tempos de crise, todos gostam de ajudar, para parecerem bondosos e angariar admiração e confiança alheias.

Há tempos que a racionalidade tem estado fora de moda. As religiões recuperaram a sua força e influência com a quarentena. Sem amigos reais, as pessoas apelam para amiguinhos imaginários. Até mortos conhecidos viraram santos a resolver problemas que a humanidade se recusa a resolver, por ignorância, incapacidade ou até por preguiça. Ou por medo de destruir ilusões.

Aliás estamos cada vez mais iludidos. Defender as ilusões se tornou tão importante quanto defender a própria honra. Viver iludido se tornou um direito. Até mesmo a Constituição Federal brasileira defende o direito de viver iludido. Então tá. Se a realidade é ruim, fujamos dela. Fácil, não?

A loucura já começa a se manifestar através das pessoas que, mesmo com dados escancarados na mídia que ela confia (sim, a mídia corporativa, a velha distribuidora de notícias), ignora uma doença mortal, causada por um germe desconhecido e capaz de se alterar misteriosamente e com rapidez, se tornando ainda mais mortal e mais difícil de combater.

Sim, somos doidos. Queremos nossa rotina de aglomeração de volta! Queremos bares lotados, igrejas lotadas, estádios de futebol lotados! Queremos ser gado, ser manada! Não deixemos apenas os bolsonaristas ter o privilégio de ser gado. A esquerda quer ser gado também! Todos os brasileiros querem ser gado! Queremos seguir maiorias, imitar maiorias, pensar e agir como maiorias!

Sozinhos, fica realmente difícil ser gado. Mesmo desfilando uma repetição de tendências nas redes sociais, com muitas pessoas postando as mesmas coisas para poder se sentir incluída na humanidade. 

Se prender a ilusões e sonhar um dia em voltar a se tornar gado está fazendo muita gente enlouquecer. Não sabemos o que acontecerá após voltarmos à normalidade. Mas quê normalidade? Ser doido é o novo normal? Certamente...

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