Claro que não. O Capitalismo é também uma ideologia. Mas como beneficia os homens mais ricos do planeta, tenta legitimar a ganância destes através de sua naturalização. O Capitalismo é considerado por muitos algo quase biológico, inerente a vida e que segundo quem defende, sem ele morreríamos.
Mas a ideologia capitalista, assim como outras ideologias, tem seus mitos, dogmas e no fundo existe para satisfazer os interesses de alguns, justamente os que se dão bem com o sistema. Balela imaginar que o Capitalismo existe para beneficiar a todos. Comprovadamente fracassado, o Capitalismo ainda é defendido porque continua a satisfazer com certa plenitude os interesses de homens poderosos, com poder de fazer as regras e leis agirem sempre a seu favor.
Entre os maiores mitos do Capitalismo está a Meritocracia, uma espécie de legitimação da ganância. Sua tese é a de que todo rico é um pobre que deu certo. Que apenas o esforço, e nada mais que o esforço, é capaz de fazer um pobretão sem nenhum tostão no bolso se tornar um poderoso magnata em um período relativamente curto.
O mito da Meritocracia ainda leva em conta que existe dinheiro suficiente para que todos fiquem bilionários - e que só é pobre quem quer, sejam os preguiçosos, sejam os incapazes. Mas a realidade mostra que a Meritocracia é uma farsa criada apenas para justificar as desigualdades, permitindo que ricos, seres humanos como outros quaisquer, tenham mais que o resto da população.
O Capitalismo tem muitas regras que favorecem a ganância, e tem como maior dano a miséria. Não dá para manter o Capitalismo sem miséria. O sistema tem características inerentes que tem a miséria como seu dano inevitável. Com o fracasso do Capitalismo, deveria haver outro sistema. Mas os ricaços não querem. O Capitalismo lhes beneficia.
Mas como o Capitalismo se mostrou fracassado e aumenta a cada dia a urgência de outro sistema, os capitalistas, donos dos meios de comunicação, lançam mão de mentiras e mais mentiras sobre os sistemas concorrentes, para impedir que o Capitalismo morra e que magnatas deixem de ser magnatas.
É preciso convencer as massas, mesmo de mentirinha, de que o Capitalismo é o melhor sistema e que um dia, nem que seja em um futuro remoto, todos se darão bem no sistema. Muito esforço e muito dinheiro é gasto para que esta ideia seja difundida e consagrada, para que todos se conformem com o Capitalismo, mesmo tendo que se virar para conviver com a inevitável miséria.
Por isso, defensores insistem em tirar do Capitalismo o rótulo de ideologia, para que este sistema seja visto como algo que faz parte da natureza biológica, que se estabilize e continue a gerar renda excessiva a magnatas que se auto-definem como "vencedores de uma competição biológica".
Isso sinaliza espécie de darwinismo que os capitalistas querem ver na economia e não na biologia, já que o próprio Capitalismo apoia as religiões, estigmatizadas como tutoras dos pobres, mesmo se limitando a oferecer migalhas. As religiões, servindo como compensação à ganância capitalista, acabam tendo a função de forjar justiça social em um sistema onde a mesma é solenemente reprovada.
Sim, defensores do Capitalismo! O Capitalismo é uma ideologia. Não faz parte de nenhuma natureza e foi criada para beneficiar alguns. Não é um sistema justo, legitima a ganância e usa a competitividade para criar guerras e ondas de ódio, fazendo pessoas se matarem por um pequeno pedaço de pão.
Livre será o mundo quando o Capitalismo for extinto e outros sistemas, muito mais justos e sem a ganância como base ideológica, o substituírem, se esforçando para repartir benefícios a um maior número de pessoas, sem exigir delas um esforço descomunal que as impede do acesso a dignidade e a direitos mais essenciais, hoje inalcançáveis graças as estúpidas regras do ganancioso Capitalismo.

