
Ambos estiveram em evidência neste mês. Um pelo falecimento recente, outro pelo aniversário de 50 anos de carreira.
Ambos são apelidados de rei. Mas o que ninguém sabe ou finge não saber, é que ambos são mestres naquele gênero musical, filho da união do spirituals ( a música negra de origem evangélica) com o blues, que conhecemos como soul music e que teve mestres como Otis Redding, Ray Charles, A turma da Motown e da Stax e o nosso Tim Maia, e que acelerado por gente como James Brown, Earth Wind & Fire e Kool & The Gang virou o funk (não esse daí, erroneamente rotulado, que a "galera" conhece, que na verdade é miami-bass carioca).
Roberto Carlos teve 3 fases: A fase Jovem Guarda, até 1967, a fase soul, de 1969 a 1974 e a fase romântico-popularesca, de 1975 em diante, a sua pior fase. A fase soul é a sua mais criativa fase. Tinha que ser, jé que ele era integrante da "Turma da Rua Matoso", na Tijuca, de onde sairam Benjor, Tim Maia e Erasmo, todos bem sucedidos na soul music.
Michael Jackson, nem se fala. A Motown foi literalmente a sua escola. Foi lá que ele aprendeu a ser o que foi. Quem conhece a história da famosa gravadora black americana sabe o que estou dizendo.
Mas ambos nunca são lembrados como soul men, embora fosse desse gênero que saíram am canções mais inspiradas. Um é rotulado pelo rótulo de "Rei da MPB", mesmo passando alheio ao tipo de música que caracteriza o rótulo, inclusive tendo uma decadente fase que se iniciou em 1975. Outro é rotulado pelo vazio rótulo de "Rei do Pop", um rótulo que não faz sentido nenhum. Afinal o que é pop? Para muitos é sinônimo de rock, o que faz lamber os egos dos dementes que vivem rotulando o finado cantor de "roqueiro" só para dar status. Lembrando que até mesmo as faixas mais "roqueiras" de Michael Jackson, (como "Beat it" e "Black or White") carregavam na batida funky (ouçam a batida. Guitarra não gera ritmo!). Na verdade, "pop" é abreviatura de popular, de povão, sucesso entre as multidões. Se o fato de ter guitarras garantisse o rótulo de roqueiro, bregas como Zezé di Camargo, Fábio Jr e Alexandre Pires seriam os "reis do rock" brasileiros, já que guitarras não faltam em suas musiquetinhas medíocres.
Mas voltando, ambos têm na soul music sua verdadeira fonte de inspiração e se não fosse o gênero, eles nunca teriam composto boas canções. Afinal a soul music é bastante elaborada, bem melódica e exige arranjos complexos, do contrário do rock, onde bastam três acordes. Rotular Jackson e RC de soul men deveria ser visto como elogio e até celebrado com festa.
Vamos prestar atenção nas batidas (os rótulos geralmente estão ligados ao que as "cozinhas" - baixo e bateria - fazem) e no histórico dos artistas. Escândalos, posição de paradas de sucesso e puxassaquismo da mídia não servem para rotular um artista. E nossos fortes aplausos para os Reis da Soul Music.
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