Os Estados Unidos são uma nação arrogante que possui o prazer de querer mandar nas outras nações e impôr seus costumes e obrigar as nações a comprarem seus produtos. Internamente é uma nação cheia de problemas, desconhecidos aos olhos das populações de outros países, com inflação, má distribuição de renda, corrupção de autoridades, etc. É claro que em escala inferior ao do Brasil, mas o suficiente para desmoronar a fama de "Nação Perfeita" que os EUA insistem em mostrar para o mundo.Desiludidos com os problemas, cidadãos mais esclarecidos dos EUA não se iludem fácil com as promessas veinculadas pela mídia e com isso, param de consumir tudo aquilo que mostreuma imagem ilusória ou estimule a alienação. A esquerda americana já é fraca, e quem pensa diferentemente da direita que predomina o país (nunca esqueçamos que Barack Obama é direitista; um direitista do bem, mas direitista) fica sem orientação. Afinal, ele é obrigado a escolher entre a direita ou a direita.
E com essa desilusão, os representantes culturais do ilusório "american way of life" são esnobados pela parcela esclarecida da população, que precisa de ídolos mais coerentes e que não iludam o povo com dancinhas, gracinhas e corpões sarados. Estão a procura de alguém que possa ajudar a pensar numa solução para os EUA.
E os artistas alienados? Para que público irão cantar se os americanos não querem mais saber deles, até por conhecer de perto toda a sujeira do showbusiness ianque? Convém lembrar que quem menos chorou com a morte de Michael Jackson, símbolo maior desse showbusiness, foram justamente os americanos, que mais conheciam "a peça".
Povo subdesenvolvido se deslumbra facilmente com estrangeiros
Lançando aquela ideia de que tudo é perfeito nos países desenvolvidos, cria-se a crença de que não existe cultura inferior nos EUA, que é considerado (mesmo erradamente), símbolo máximo do desenvolvimento mundial. Como se os "isteites" fossem o paraíso.Aí, baseado naquela famosa frase "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil", muita gente cai direitinho como patinho nesse verdadeiro conto do vigário lançado pela indústria cultural norte-americana. Ninguém sabe que há muito tempo rádios não são confiáveis para consagrar alguém como cultura?
E o que é realmente produzido em música de qualidade não chega aqui, ou é pouco divulgado. Mas os incautos/cultos, preferindo confiar cegamente em rádio e televisão, adota os ídolos fajutos como verdadeiros, como se eles não ganhassem nenhum dinheiro com as canções medíocres que eles "vomitam" em nossos ouvidos.
Para os fãs brasileiros dessa música comercial, seus ídolos passam a serem vistos como heróis, exemplos de sucesso e motivo de felicidade para eles, que muitas vezes possuem baixa auto-estima e compensam com o sucesso de seus ídolos o fracasso que tiverem em suas vidas particulares.
Não há problema nenhum em gostar de música comercial
Nem tudo que é comercial é necessariamente ruim, mas a ruindade serve como termômetro para o mercenarismo de um "artista", já que é um meio de ganhar dinheiro sem se esforçar muito, pelo contrário: é ganhar dinheiro se divertindo. Os "artistas" que não tem talento, acabam por se consagrar na mídia e viram "totens intocáveis" para seua fãs, graças a muita propaganda e muita mentira publicada. É um conto de fadas.
Mas não há problema algum em gostar de música comercial. O problema é achar que o que é agradável aos ouvidos, pode ser "importante" culturalmente. Ser agradável é uma coisa, ter importância cultural é outra completamente diferente. Mas os fãs de música comercial não conseguem perceber essa diferença.
Eu gosto de algumas músicas comerciais. Mas gosto, sabendo do que se trata. Não vou ficar aqui defendendo a Madonna, por exemplo, só porque gosto de muitas músicas gravadas por ela. Até porque se falam mal dela, consigo entender o motivo, mesmo que eu discorde. Respeito opiniões diferentes, só não respeito incoerência. E incoerência é o que os fãs de música comercial mais demonstram ter.
Voltando, Madonna é comercial, faz música para se divertir, apenas. Ela não tem compromisso com cultura nenhuma. O trabalho dela nada acrescenta para a evolução da sociedade como um todo. Vou continuar ouvindo Madonna, comprando seus discos, mas sem ficar achando que ela é uma "diva". Diva é Sarah Vaughan. Diva é Patti Smith. Diva é Laura Nyro. Diva é Elis Regina.
O que as pessoas precisam aprender é que existe muita diferença entre gostar, se divertir com "acrescentar algo para a sociedade", que o que caracteriza uma cultura de verdade. Senão vamos ficar eternamente enchendo nossas caras e fazendo passos de dança ridículos, que é o que a indústria cultural dos EUA e daqui quer que façamos.
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