Não tive a oportunidade de escrever sobre isso em data próxima por causa da copa. Era muita coisa para escrever. Mas pude observar a escassa repercussão do aniversário de morte do cantor Michael Jackson, símbolo máximo da música de entretenimento mundial.Quando foi anunciada sua morte, em 25 de junho de 2009, gerou uma comoção bastante histérica, sobretudo no Brasil. Com o desespero com a morte de um ídolo que todos estavam acostumados a ver vivo, muita asneira foi dita. As pessoas que não possuem conhecimento de música começaram a tratá-lo como se fosse um "filósofo da música", chegando a fazer comparações absurdamente exageradas. Todos afirmavam que a "música dele vai ficar para sempre". Será que alguém vai aguentar ouvindo durante mais de 100 anos que "Billie Jean não é minha amante"?
Um fato que a maioria dos brasileiros desconheceu é que os estadunidenses foram os que menos choraram a morte do ídolo, apesar dos meios de comunicação brasileiros (sobretudo a sempre hipnótica Rede Globo) tentarem dizer o contrário. O povo dos Estados Unidos é bem menos tapado que o brasileiro e sabe muito bem a diferença entre entretenimento e arte, além de conhecer o ídolo com a palma da mão.
Jackson é o maior nome da música de entretenimento e a qualidade de seu trabalho era feita para festas, para paradas de sucesso e para dançar. Uma prova disso é o excesso de dançarinos, devidamente colocados em ênfase no documentário caça-níqueis que serviu de apressada homenagem ao ídolo morto (e, claro, para compensar o dinheiro não ganho com a turnê que iria se iniciar).
Mas um ano depois, pouco se falou sobre o ídolo. Talvez por causa da copa de futebol, altamente hipnotizante para as mesmas pessoas que eram fãs de Jackson, com as atenções todas centradas ao mega-evento esportivo, qualquer coisa que surgisse simultaneamente era tratada com desprezo. Mas a verdade é que a repercussão de qualquer maneira foi menor do que se esperava. Até a transmissão do tal documentário ocorreu em horário de pouca audiência, num domingo, às 23h, provando que nem mesmo a Rede Globo estava disposta a lembrar o aniversário de morte do ídolo que mais divulgou.
Estranho o desprezo. Quando morreu, Jackson foi tratado como se ele fosse filho dos Marinho, tamanha a bajulação, com direito a uma edição especial do Bom Dia Brasil, privilégio que costuma ser concedido apenas à "seleção" brasileira de futebol (que é contratada da Globo, embora ninguém saiba).
Mas a pouca repercussão da lembrança de um ano de morte mostra que toda a "cultura" de entretenimento foi feita para ser efêmera, provisória. Suas características não permitem uma eternização. Entretenimento não foi criado para ser eterno. É algo para se curtir alguns momentos dançando, pulando e só. Tentaram eternizar a jovem guarda e a disco-music e não percebem que está ficando cada vez mais ridículo?
No próximo dia 29 seria os 52 anos do ídolo. Vamos ver como a mídia se comporte em relação a isso. Na minha opinião, deveria lembrar de maneira bem morna, pois assim como a "seleção" na copa, Jackson nada fez de concreto para beneficiar ou conscientizar a população. Apenas foi um mestre de ilusões que fez muita gente sonhar feito criança, admirando seus passos de dança e os efeitos especiais de seus clipes e... claro, rindo de suas esquisitices e escândalos.
Deixem Jackson descansar em paz e sua música também. Pois todas as danças que tinhas que ser feitas, foram feitas. A noitada acabou, a boate fechou as portas e é hora de dormir.
Bons sonhos a todos que acreditaram em Jackson. Amanhã todos deverão acordar.
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