Essa é a estória de um casal comum, sem opiniões e hábitos surpreendentes. Ele, formado em Administração, um executivo de uma empresa. Ela, uma bela advogada. Conheceram no cursinho de Vestibular, e se casaram após a formatura.Ambos são bonitos, ela uma morena de pele alva com cara de princesa europeia e físico de cheerleader. Ele, branco com porte físico de jogador de vôlei, bem mais alto que a esposa e com tronco bem esticado. Têm uma filha, no momento com 7 anos de idade.
Tinham muitos amigos, alguns estáveis. Ele, bastante extrovertido, ela mais discreta. Só se viam durante as noites e em finais de semana. Mas era comum ficarem se se ver por muito tempo, devido às viagens de trabalho do marido, que era fiel, já que sua rígida dedicação ao trabalho - e interesse exclusivo, pois sua auto-estima estava ligada a sua profissão prestigiada - não permitia que se divertisse durante as viagens.
Tinham uma vida confortável. A esposa nunca ficava sozinha, já que tinham três empregadas. Ela sempre teve seu carro próprio, usado para ir ao trabalho e levar a filha à escola.
Quando se divertiam juntos, normalmente iam com amigos a bares para conversar sobre banalidades regadas a muito álcool. Podia ser nas tardes de sábado ou domingo ou às noites dos mesmos dias e de sextas. Quando estavam juntos, o "happy hour" era considerado obrigatório.
Não tinham gostos nem opiniões surpreendentes. Ele era de direita, ela não tinha interesse por política. Se divertiam apenas para manter a sociabilização, pois no fundo não gostavam de nada.
Até mesmo o senso de romantismo deles era bem limitado, não indo além a beijos e abraços. De 15 em 15 dias tinham relações sexuais satisfatórias: o marido, fiel e rígido seguidor das regras sociais, nunca brochava. Gostavam da filha, mas não participavam muito da educação dela, responsabilidade entregue a humilde e bondosa babá, que por sua honestidade e boa índole, ficava muitas vezes a sós na casa com a filha do casal.
Hoje esta filha está na adolescência, namorando algum atletinha rico e drogado com físico de jogador de vôlei. É boa aluna, apesar de não gostar de estudar. Deverá ser uma advogada, tão medíocre quanto a mãe e casar com um marido tão insípido quanto o pai.
E o casamento desta família se arrasta nessa mesmice sem tamanho, mantendo a falsa aparência e colocando sentimentos vazios no lugar do ausente amor, essencial na vida de qualquer casal, mas substituído solenemente por sentimentos mais mesquinhos que acabam ganhando o mesmo nome.
Como o casal citado, muitos arrastam seus relacionamentos equivocados, para o mal de todos. Que acabam vivendo infelizes para sempre...
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