Os meios de comunicação, sobretudo os popularescos, trataram o assunto da chacina do Realengo com muita parcialidade, excesso de emotividade e falta de informação. Preferiram tratar o assassino como se fosse um bandido ou um louco, como se tratá-lo desta forma pudesse resolver o problema. E não resolve. Nem o problema que ele criou muito menos os problemas que estavam por trás disso e que todos preferiram ignorar.Porque é mais conveniente para a sociedade o maniqueísmo de "bem" contra o "mal". A população se esquece que ninguém é 100% bom ou mau e que em atitudes como a tomada pelo assassino está por trás um histórico de intensa infelicidade que resultou em ódio, convertido na chacina que acabou acontecendo infelizmente.
E não adianta estampar o nome das vítimas com asas de anjo, como fez um jornal popularesco. As vítimas nem eram mais crianças e sim adolescentes. Não existe adolescente puro, pois é justamente nesta faixa etária que os instintos e as más tendências começam a aflorar. mania da sociedade de achar que adolescente e criança é a mesma coisa. O dia em que os grandes juristas separarem um estatuto para crianças e outro para adolescentes, vai ficar mais fácil de resolver quais quer problemas.
Colocar assas junto aos nomes das vítimas foi de uma histeria sensacionalista e desesperada, na inútil crença de que prestar uma "homenagem" desta forma, talvez "pudesse" reparar a dor pela ausência dos jovens. Não adiantou nada essa pieguice toda. Só faz piorar o sofrimento de parentes e amigos dos jovens mortos.
Os brasileiros tendem a se comportar de maneira muito histérica diante da morte. Vide as besteiras ditas sobre Michael Jackson, implantando qualidades postiças que ele nem mesmo tinha em seu melhores momentos, fazendo uma confusão que só conseguiu ser aceita por quem não conhece o histórico da música mundial.
Em mortes de jovens, a histeria é maior. Parece que no Brasil, jovens são proibidos de morrer. Não são, não. Cada pessoa vem com seu prazo de validade determinado pela providência, de acordo com a missão de vida que está destinada a ele. Muitos jovens morrem cedo para servir de lições aos que ficam. mas num país onde católicos e evangélicos mandam até na política, mesmo com o Estado Laico garantido por lei, a histeria é inevitável.
Portanto a mídia se comportou de maneira histérica, parcial e burra diante de um fato que iria acontecer de qualquer maneira, cedo ou tarde, já que toda a paz, a bondade e o companheirismo do brasileiro é só fachada e que as injustiças que insistem em permanecer por longas décadas garantem a pólvora que provocará uma explosão que virá cedo ou tarde.
Porque o brasileiro nunca sabe prevenir. E com a copa de 2014 vindo aí, numa hora perfeitamente inadequada, com um inacreditável acúmulo de problemas que nunca se resolvem, muitas lições ainda poderão ser tiradas, para que o brasileiro saia definitivamente dessa infância letárgica que quase toda a população insiste em permanecer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.