Uma polêmica tem aparecido nos últimos dias envolvendo o ex-beatle Paul McCartney. Um comentário dele foi mal interpretado por brasileiros nesta semana. Aliás, propositadamente mal interpretado.
Foi o seguinte: em uma conversa com Mark Ronson, famosos DJ e ex-cunhado da atriz-problema Lindsay Lohan, McCartney, perguntando sobre a banda brasileira (de Curitiba) Bonde do Rolê, queria saber onde consegue a energia que o grupo solta em seus shows bem animados. Aí, na base do "quem conta um conto, aumenta um ponto", na hora de divulgar a conversa, a confusão começou.
Para entender o que aconteceu, é bom lembrar que há um interesse enorme (e enrustido, pasmem!) da mídia oficial em torno do chamado "funk" carioca, o ritmo musical mais desprezível da atualidade e caracterizado por um trogloditismo explícito, mas que todos fingem não existir.
Como o citado ritmo faz parte do pacote de glamourização da pobreza que fez surgir a chamada "nova classe média", defender o "funk" passou a ser sinônimo de defender a "melhoria" dos pobres (se é que há "melhoria" mantendo-os na pobreza crônica) e virou o carro-chefe desta suposta elevação sócio-econômica, que melhora a aparência mas não altera em nada na essência, mantendo todos os problemas do jeito que estiveram, apenas abrindo as portas do consumismo as classes mais baixas.
Com a comoção de ver pobres sorrindo alegremente, mesmo sendo uma alegria falsa e acomodada, praticamente toda a elite midiática brasileira ficou a favor do "funk" carioca, por considerar o ritmo uma forma de "emancipação" dos pobres. E tudo é feito, sob a orientação de intelectuais pagos por empresas americanas, protegidos por grandes magnatas da mídia brasileira, para que o "funk" (assim como outros ritmos "de povão") se torne hegemônico, como se isso representasse (de fato não representa) a chegada dos pobres ao poder.
E para isso, nenhum esforço é medido. Qualquer estrangeiro que venha ao Brasil é "catequizado" para "aderir" ao "funk" carioca, na desesperada busca de um atestado para o malfadado gênero. E interpretar mal a conversa com McCartney foi importante para que o povo pobre (eternamente ignorante - se não fosse, contestava o "funk", toda a ridicularidade inerente a ele e toda o forçamento de barra publicitário feito para promovê-lo) pudesse "se orgulhar" do gênero que supostamente os representa.
E não foi nada disso, embora se saiba que as celebridades estrangeiras sempre procuram ser simpáticas aos brasileiros, levando na brincadeira esse tipo de coisa ("funk" carioca é visto como uma piada em sociedades mais evoluídas), na tentativa de agradar ao público brasileiro. É essa mesma tentativa de parecer simpático que faz com que muitos artistas - inclusive os que odeiam futebol - vistam a camisa da "seleção", acreditando ser uma forma de carinho para o povo brasileiro.
Mesmo que na conversa tenha havido alguma referência ao "funk" carioca, McCartney certamente quis ser simpático aos brasileiros, embora ele, com seu vasto conhecimento musical e experiência no rock, perceba que o "funk" não passa de uma simples espécie de dance music brasileira, tola e efêmera, feita apenas para servir de fonte de renda para os seus envolvidos, pobres que se recusam a estiva e outros trabalhos braçais, que além de cansativos, são muito mal remunerados.
E sinceramente, todos aqueles que acreditaram na conversa de que o ex-beatle virou "funqueiro", sem exceção, não passam de otários mal informados, forçando a barra para favorecer e tentar perpetuar um mero e tolo modismo feito e curtido por analfabetos funcionais.

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