Por essa Mark Zuckerberg não esperava. Ele tinha criado uma rede social com o intuito de fazer com que as pessoas façam novos amigos e mantenham contato com estas e com aquelas que conheciam antes. Mas acabou criando a principal arma da revolução brasileira, a maior já ocorrida no país em todos os tempos e que pode, no mínimo, mudar o pensamento coletivo da humanidade brasileira. Interessante que um dos parceiros dele na criação do Facebook foi um brasileiro, Eduardo Saverin. O que ele, que vive atualmente em Singapura, deve estar achando disso tudo?
O Facebook é atualmente a rede mais utilizada pelos brasileiros, que eram a gorda fatia de público do Orkut, hoje esquecido. Neste momento estou me revezando entre a digitação desta postagem e a verificação de meu feed de notícias do Facebook.
Porque esses protestos não aconteceram nos tempos do Orkut e sim agora, com o Facebook? As características dessas duas formas de rede social, podem responder a esta pergunta.
O Orkut era uma comunidade formada por grupos. Essa era a sua principal característica. As discussões eram limitadas aos integrantes desses grupos, pois somente quem se interessava já de antemão por certos assuntos, estava disposto a entrar neles para discuti-los.
No Facebook, existe o feed de notícias, uma expansão das lacunas de recados onde você posta mensagens que serão lidas por todos os seus contatos e que podem ser espalhadas para os outros contatos desses contatos. As mensagens eram lidas por qualquer um que as recebesse, na cara. É nisso que está a raiz dos protestos que aconteceram.
As mensagens conscientizadoras (e eu tenho parte da responsabilidade nestes protestos, pois muitas mensagens do tipo foram enviadas por mim), foram espalhadas e acabou criando uma consciência coletiva nunca vista após 1968, onde se via protestos até mesmo em lugares menos imaginados, como em Porto Velho. O Brasil está prestes a ser uma nação de esclarecidos. Era o que eu sempre quis
E graças a essa invenção de um grupo de jovens engenheiros em informática, ganhamos um poderosos meio de comunicação que se mostrou muito mais poderoso que a TV aberta, forçando uma mudança de mentalidade que as circunstâncias não permitiam imaginar acontecer.
Zuckerberg, apesar de surpreso, foi coerente com a sua própria invenção e (supostamente) mandou uma mensagem aos brasileiros (reproduzida na foto inserida no cartaz editado por mim), possivelmente apoiando os protestos usando o slogan "não é só 20 centavos", que significa que os protestos não devem se limitar à redução das passagens (caracterizada como este valor).
O Brasil está mudando, o mundo todo está sabendo. Zuckerberg, sem querer e sem saber, virando o líder involuntário e invisível de uma gigantesca massa de heróis. Agradeçamos a ele essa oportunidade única.

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