Os protestos acontecidos no Brasil nas últimas semanas tem dividido a opinião de simpatizantes da esquerda e de simpatizantes da direita. Ao invés de tentarem entender os fatos e as reivindicações, políticos, aliados e simpatizantes preferiram trocar acusações, inconformados por não estarem participando das manifestações que lhes serviriam de um excelente palanque para as eleições de 2014.
Há muito os políticos e simpatizantes estão muito mais interessados em defender suas legendas do que defender o interesse da população. Para eles, os verdadeiros motivos dos protestos não lhes interessam e sim a oportunidade de angariar uma imensa quantidade de pessoas para lhes favorecer o acesso a um dos melhores empregos do país: a carreira política.
Como os manifestantes recusaram qualquer tipo de partidarização dos protestos, os políticos e seus simpatizantes entraram em desespero: "como perder uma oportunidade dessas para me eleger??!!", devem estar pensando cada político.
Para quem não se lembra, os protestos pedindo as Diretas Já, em 1984 foram altamente partidarizados. Os mesmos políticos que vemos aí (fora os que morreram) se aproveitaram da manifestação justa da população para se elegerem. O Fora Collor, altamente partidarizado transformou Lindbergh Farias e outros líderes estudantis em políticos, tão falíveis quanto a maioria da classe.
Os grêmios estudantis também são partidarizados. Participei do comitê neutro para o grêmio do colégio Central da Bahia, em 1992 e pude perceber os bastidores disso tudo. Infiltrados no movimento estudantil, os partidos tomam as rédeas e favorecem quem se alia a eles. Mesmo os partidos de "esquerda" trazem uma infeliz história por trás de seus bastidores, totalmente oposta a pose humanista que fazem questão de mostrar em público. São iguaizinhos aos partidos de direita, capazes de cometer os mesmos erros. Não é preciso dizer que o meu colega que se candidatou a chapa sem partido perdeu feio mas eleições para o grêmio.
E essa histeria pela anti-partidarização é resultante disso: da vontade de se intrometer nas causas populares e tirar delas a oportunidade para se elegerem e terem direito a maravilhosa vida de político que o sistema brasileiro infelizmente ainda pode oferecer.
Se esquecem todos que política não é emprego e que deveria se limitar a uma representação popular, já que é fisicamente impossível toda a população decidir pelas leis em Brasília, com espaço físico limitado a toda população do país. A carreira política não deveria ser remunerada e o interesse maior deveria ser a confecção de leis que possam melhorar o bem estar de quem elege o seu representante.
Mas como nada é assim, os políticos devem se afastar das causas populares. Eles não nos representam, além de arruinar a validade dos protestos por um mero desejo de se dar bem na vida. Políticos e simpatizantes, vão procurar outra coisa para fazer e deixem a população se manifestar!

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