As entidades tidas de "esquerda", mas que no aspecto de cultura, adotam posturas claramente de direita (embora estejam pensando que sejam posturas de esquerda), estão festejando a visibilidade que o Fora do Eixo vem tendo nas últimas semanas, seja através de seus pupilos musicais, seja através de sua mais recente empreitada, o Mídia Ninja.
Apesar de se assumirem como vanguarda e como representantes "autênticos" dos interesses populares, os integrantes de coletivos culturais como o Fora do Eixo, na verdade escondem muita coisa estranha em seus bastidores. Não é objetivo desta postagem relacioná-las, por isso vou me limitar a relatar sobre o que eles entendem como cultura e o que eles pretendem fazer com isso, além de seu papel na epidêmica mediocrização cultural que marca os tempos atuais em nossa sociedade.
"Evolução" cultural pela eliminação de qualidades
Os projetos que levam o carimbo do FdE são em geral compostos por híbridos entre culturas intelectualizadas com popularesco (a "cultura" dos incultos, em hegemonia na grande mídia), esta, caracterizada por produtos culturais de péssima qualidade. A ideia deles é tentar usar o verniz de vanguarda e de "intelectual" ao que foi produzido e lançado por gente sem informação cultural, de escolaridade baixa e que só resolveu fazer cultura para ganhar dinheiro, escapando do trabalho braçal e desprestigiado, normelmente destinado a pessoas desse nível sócio-intelectual.
O popularesco (a cultura do "povão" em suas mais diversas modalidades) é uma forma primitiva de cultura, pois ela se caracteriza apenas pelos aspectos mais básicos, renegando a evolução cultural ocorrida durante os tempos. A proposta dos coletivos é estimular produções puramente lúdicas e que desprezem o intelecto em prol de uma atitude que estimule a auro-ridicularização - sem assumir - das classes mais pobres.
É um tipo de"cultura" burra, que descarta o senso crítico, anula o senso do rídiculo e prioriza temas mais supérfluos em suas letras, além de dar tratamento tosco às suas gravações (e em alguns casos, pomposo só na aparência, como na produção de entretenimento hegemônica na atualidade, como por exemplo, nos shows ultra-produzidos das vaquejadas) e uma total falta de engajamento cultural de seus criadores.Mas como ninguém discerne nada na sociedade brasileira que considera pensar como um defeito e crer como sua maior qualidade, estabeleceu que defender formas precárias de cultura seria uma forma de "altruísmo social", como se aplaudir o popularesco pudesse compensar a crônica má qualidade devida das classes pobres, que nem mesmo o crescente consumismo consegue eliminar.
Os integrantes do FdE, assim como muitos intelectuais de mentalidade semelhante, pensam desta forma. Sabe que o popularesco desestimula a verdadeira inteligência e o desenvolvimento das classes pobres. A dominação cultural se tornou a mais bem sucedida forma de domínio, por não despertar desconfiança, a não ser de pessoas muito bem informadas e de discernimento bastante desenvolvido. Como o discernimento dos brasileiros é atrofiado (mesmo que não esteja ausente) e a avalanche de informações não é selecionada, sendo aceita cegamente, conforme o interesse de cada um, o domínio cultural que domestica as classes pobres, transformando em "novos bons selvagens", tem sido muito bem sucedida e difícil de ser derrubada, apesar das constantes críticas que recebe pelas redes sociais.
Quem sustenta o Fora do Eixo quer pobreza não-intelectualizada
Um fato a observar e reforça ainda mais o pensamento do FdE e de muitos defensores da deturpação cultural das classes pobres, é que as entidades conhecidas como "coletivos de cultura", apesar de negarem até a morte, são patrocinados por uma elite interessada em imobilizar as classes populares, mantendo-os na ignorância crônica. Ignorância disfarçada de inteligência, of course, já que para um plano maléfico funcionar ele tem que parecer benéfico.
Há muito tempo os Estados Unidos tem tentado dominar o Brasil. Como o nosso país tem características muito parecidas como os EUA, somos tidos secretamente como rivais em potencial. Se tentou de tudo para impedir que nossa sociedade se desenvolva e supere a deles. Até a ditadura militar foi feita (embora todos pensem que foi iniciativa dos milicos, isso é mito, pois a DM aconteceu no Brasil por ordem da CIA - ela continua atuante em nosso país -, como reação a sovietização de Cuba), para imobilizar a população, sem sucesso, apesar de durar exatos 20 anos. Através da cultura, no início dos anos 90, finalmente foi encontrada uma forma de dominação que fosse pacífica e invisível, tornando assim, a forma mais bem sucedida de dominação social.Essa dominação, vigente até hoje é responsável pela mediocrização cultural que estamos cansados de ver ao nosso redor. Ela se caracteriza basicamente no seguinte: tentar melhorar a vida dos pobres apenas no aspecto consumista, estimulando a adquirir bens e ter acesso à tecnologia e à faculdade. quanto a isso, tenho que falar algumas coisas.
Diploma não é sinônimo de intelecto
Entrar na faculdade não garante um crescimento intelectual do povo pobre. Pelo contrário, já que nossos sistema de ensino, desde o mais tenro maternal até os pós-doutorados, é exclusivamente focado na formação de profissionais. O papo de que escola forma caráter e personalidade é mito que somente é derrubado quando você está dentro de uma sala de aula.
Mas mesmo ausente na prática, este mito de que educação forma cidadãos ainda é forte teoricamente, o que transforma títulos e diplomas em verdadeiros escudos de chumbo para essa massa de incautos que decidiu entrar na faculdade apenas para aumentar seu poder aquisitivo. Para quem tem um diploma, por mais ignorante que demonstre ser, tem no seu título, uma justificativa para evitar ser chamado de ignorante, já que legal mesmo é ter rótulos positivos. Mas só o rótulo, pois ser inteligente de fato, exige esforço e abnegação, incluindo a eliminação completa de muitas das crenças que para a maioria, oferecem um conforto irrecusável para avida de muita gente.
E o FdE e entidades similares sabem que é legal ser inteligente só na aparência. Ser inteligente de fato é perigoso para os interesses das elites. Por isso o FdE não mede esforços para dar um novo conceito de inteligência que seja apenas teórica, mas nunca prática.
E para isso, se aliou justamente a mesma CIA que mandou instalar a ditadura militar em nosso país, como prova de que a decadência cultural faz parte do mesmo pacote em que estava o golpe iniciado em 1964. Através da ajuda financeira de orgãos ligados diretamente ou não à CIA, que esses coletivos garantem o seu sustento e funcionamento, impondo a degradação cultural que domina a nossa produção cultural mais recente. Apesar de nunca assumirem, órgãos claramente ligados a CIA aparecem na lista de patrocinadores desses coletivos.
Não sabemos até onde pretendem esses deturpadores da cultura. Mas não devemos confiar cegamente neles. Observemos suas atitudes e seu ponto de vista e analisemos friamente, sem confiança cega, para que entendamos de uma vez por todas o malefício que esses coletivos fazem, matando aos poucos a nossa - até então - riquíssima cultura.
Um povo sem cultura é facílimo de se manobrar e de ser explorado e o Fora do Eixo e muitos coletivos de cultura sabem disso e não medem esforços para chegar a este objetivo.

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