Para o povo brasileiro, parece que se divertir é mais importante que qualquer coisa. Não canso de receber textos revoltados de gente defendendo futilidades e idéias inúteis, muitas delas bem cretinas, argumentando que "querem respeito", como se as futilidades que defendem fossem coisas "sérias" e de "grande utilidade para o desenvolvimento da sociedade".Acontece em vários setores e também é muito frequente nas redes sociais. Em tempos de copa, essa defesa do direito de se divertir toma proporções absurdas. Antes que me acusem de ser contra diversão, esclareço que sou completamente a favor, já que é o básico de todo ser humano: afinal eu me divirto também.
O problema é que para esses defensores, diversão não é diversão. É algo superior. É cultura, patriotismo e outros valores superiores. Como se as roupas da Lady Gaga e os gols da "seleção" pudessem melhorar a vida das pessoas, coisa que nada tem a ver. Achar que o entretenimento puro vai mudar o mundo é driblar todo tipo de lógica.
Diversão é algo feito para passar o tempo, sem compromisso. É algo que serve apenas como fonte de prazer e distração. Nem Michael Jackson e muito menos a "seleção" brasileira vão melhorar a vida das pessoas. Ambos são exemplos de algo que tem o seu valor enquanto existe e que encerrada a sua função, tudo volta como era antes.
Esses defensores escrevem com muita raiva e teimosia sobre aquilo que defendem. Cresceram acreditando na utopia de que seus "bobos da corte" são na verdade "heróicos guerreiros" e querem convencer todos, incluindo a mim, de que isso é fato.
Gostaria de ver essas pessoas utilizando a mesma raiva e insistência na hora de reivindicar melhorias no salário, no atendimento em hospitais e bancos, na execução de um serviço, na fabricação de um produto, na qualidade dos alimentos e até na dedicação de nossas autoridades, que se comportam como se cargo político fosse um privilégio e não uma missão de responsabilidade.
Gostaria de ver essa mesma agressividade utilizada na defesa de suas ideias, diante de autoridades, reivindicando direitos e melhor atendimento. Mas ao saber que autoridades são protegidas por seguranças, militares e policiais, os"agressivos" defensores se recolhem de medo.
Gostaria de ver essas mesmas pessoas em passeatas sérias (carnaval e copa não vale), pedindo melhorias e criticando injustiças. Gostaria de ver boicotando produtos de empresários gananciosos, não votando em políticos de má índole, desprezando celebridades moralmente duvidosas (como o jogador Adriano, adorado pelas multidões, mesmo envolvido em situações sem qualquer pingo de moral).
Mas não. Para eles, a diversão é uma "alegria" que substitui as verdadeiras alegrias não conquistadas. "Deixa ele ser feliz" é o que dizem. Ser feliz como? Iludido? Uma felicidade fictícia substitui qualidade de vida? Não se tem comida, saúde, segurança, mas se tem TV e diversão, isso já basta? Quer dizer que se a "seleção" conquistar o tal hexa, eu não preciso ter emprego? Quer dizer que felicidade é isso?
Um dia, quando essa sociedade amadurecer, vai entender que diversão é apenas algo para se distrair, dar uma boa risada. Pois não se constroem trincheiras com chuteiras e com passos de dança. Trincheiras são construídas com muita inteligência e bom senso. Que só podem ser adquiridas com muita boa educação da qualidade (não confundir com instrução - educação nada tem a ver com matérias escolares) vinda sobretudo de familiares.
Pois uma verdadeira educação é algo que falta bastante em nosso país.
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