Esta semana duas notícias agitaram a cultura roqueira do Rio de Janeiro: a inauguração da Kiss FM e o anúncio da volta da fase "roqueira" da Rádio Cidade. Bom lembrar que em ambos os casos representam um tiro no escuro, pois até o mais alienado dos cidadãos sabe que rock está em baixa no Brasil de hoje.
Mesmo assim, as duas rádios não pretendem melhorar a cultura rock. Pelo contrário: ambas não passam de vitrolões a se limitar a um hit-parade roqueiro, desviando do espírito garimpeiro típico de um roqueiro de verdade. A Kiss pelo menos tem a vantagem de não focar o rock de péssima qualidade como faz a Cidade, onde o poser metal e o emocore são prioridades absolutas.
Mas um certeza é que ambas as rádios só agradam mesmo a quem se contenta com pouco na cultura rock. Se contentar com pouco virou moda. Medianidades como Spielberg e Michael Jackson são considerados gênios absolutos, mesmo tendo na cultura mundial gente capaz de fazer coisas muito melhores que os dois "gênios" superestimados eram capazes de fazer. E isso é só um exemplo, pois em tudo, se contentar com algo só porque não tem "aquele" defeito, virou um cacoete bem frequente.
E para a cultura roqueira, essa regra também é válida. Ninguém apareceu disposto a exigir o nível da Fluminense FM, essa sim, a melhor rádio de rock de todos os tempos. Mas como o bom senso costuma dizer: quem não conhece o melhor, exalta o mediano.
Eu não sou roqueiro, embora goste bastante de rock. Mas quando quero ouvir rock em rádio, exijo o o melhor, por mais difícil que pareça ser. Se contentar com alguns hits de boas bandas, programadas por gente que não entende nada de cultura rock, é coisa de medíocre. Coisa de gente que tem o hábito de não reclamar dos problemas, de achar que tudo é porque tem que ser. E os brasileiros sempre gostam de acreditar que as coisas são porque tem que ser. Principalmente as ruins.

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