Eu estava há muito tempo para escrever este texto, mas como ele é meio polêmico, hesitei muito. Mas com a data de hoje, que é a verdadeira data pela luta contra o racismo, resolvi encarar o desafio de desabafar sobre o assunto, com muito cuidado para evitar mal-entendidos graves.
Falarei do racismo contra homens não-brancos (negros, mestiços, indígenas, árabes, etc..). O racismo contra mulheres não será comentado. Primeiro porque não sou racista (adoro e respeito com muito carinho as mulheres negras). Segundo porque a intenção desta postagem é dar o ponto de vista de vítima, já que sou mestiço.
Apesar dos traços finos, minha testa é grande, minha cabeça redonda, meu cabelo é crespo e meu traseiro... deixa pra lá. Meu avô paterno, já falecido foi um misto de negro e indígena. Por parte de mãe, sou descendente de ingleses.
Escolher tipo favorito não é erro. Erro é rejeitar por erro de impressão
Antes de qualquer coisa, tenho que esclarecer algo. Não há nada de errado uma mulher optar por não namorar um não-branco por uma questão de preferência. Namoro, por ser algo bem subjetivo, permite que uma pessoa escolha quem quiser para ser seu parceiro.
O racismo na vida afetiva, na verdade é quando a pessoa recusa um não-branco por achar que ele corresponde a valores estereotipados que nem sempre condizem com a realidade. Aí sim, é cruel.
Por exemplo: achar que um mestiço é burro, grosseiro e cafona só porque não é branco. Um erro grave, já que numa sociedade diversificada como a nossa, muitos brancos são burros, grosseiros e cafonas, enquanto muitos negros e mestiços são cultos, educados e de bom gosto. Não há regra quanto a isso.
Julgar pela aparência algo que não condiz com a realidade, além de cruel, é danoso. Não só para o não-branco rejeitado como para a própria mulher que acaba levando gato por lebre, aguentando a as grosserias e a cafonice do branquelo que ela julgava culto e educado.
Brancos vencem na vida mais facilmente. Mulheres sabem disso
Outra coisa é que as mulheres, ao escolherem um branco para namorar, recusando um não-branco, na verdade está sendo interesseira. Sabem muito bem que brancos crescem muito mais facilmente na vida profissional que não-brancos. Já senti isso na pele, algumas vezes. E é horrível.
As mulheres que optam por namorar não-brancos apelam para outra crueldade: exigir mais de não-brancos. Negros e mestiços, por exemplo, tem a obrigação de serem fortes e/ou altos, isso quando não são ricos. O tipo "buiu" (negro baixinho e fracote), é automaticamente descartado, enquanto para brancos, ser baixo ou fraco, mesmo sendo um obstáculo, não é empecilho para respeito social e para conquista de uma mulher.
Para as mulheres é como se um homem, não sendo branco, tivesse deixado de preencher um importante requisito, tendo que compensar com o preenchimento de outros.
No Brasil, sudestinas e sulistas são mais interesseiras e racistas
A minha experiência pessoal de vida indica que sofro mais racismo afetivo no Sudeste e no Sul (eu sou um sulista (SC) criado no Sudeste (RJ)). Mesmo sendo paquerado em Niterói (com muito maior frequência durante a adolescência, a Idade das Oportunidades), só quando fui morar em Salvador que pude mesmo ser valorizado como um homem atraente.
Na Bahia, fui muito mais paquerado do que em Niterói. A qualidade das mulheres até melhorava na Bahia, pois mulheres cultas e de beleza chamativa já demonstraram interesse por mim. Só não namorei com várias delas por timidez ou falta de oportunidade de namoro (distância, falta de tempo, etc.). Lá em Salvador sou considerado atraente, enquanto para a maioria das niteroienses, me confundo com a paisagem, de tão sem graça que pareço ser.
Imagine na terra onde eu nasci, Florianópolis! Na minha viagem de1982, sofri uma xingação racista de um rapaz. Isso foi uma amostra, já que ainda era criança e não tive contato com garotas catarinenses na ocasião. Mas certamente teria dificuldades. Só mesmo a sorte poderia reverter, como no caso do pardo baiano que conquistou uma branquela catarinense neta de ingleses: meus pais, o casal que se uniu para dar vida a este que vos escreve.
O que deve ser feito para acabar com isso?
Somente uma educação maciça e duradoura fará com que o racismo desapareça da sociedade brasileira. O racismo ainda é bem forte, embora tenha havido avanços bem nítidos em combate a esta forma cruel e imbecil de preconceito que julga as pessoas pelos traços étnicos.
Educar as meninas desde cedo a valorizar os homens não pela etnia, pela posição social ou pelas posses materiais e sim pela capacidade de amar, respeitar e conviver ao lado delas. Isso é o que interessa.
O racismo é uma das piores coisas que surgiram em nosso mundo. É muito mais cruel do que qualquer pessoa é capaz de imaginar. Um desrespeito inaceitável ao ser humano, se esquecendo que o conceito de raças é equivocado e que todos nós somos muito mais parecidos do que pensamos. Na verdade somos todos de uma raça só: a raça humana. O resto é detalhe.

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