Quando digo que o brasileiro virou um povo burro, ninguém acredita. E dos mais burros, capaz de asneiras gigantescas resultantes da falta de discernimento, da falta de informação e da preguiça em investigar e verificar a veracidade de uma tese, que infelizmente é aceita automaticamente como uma comida que é engolida sem ser mastigada.
Tenho lido bobagens colossais escritas ou faladas na internet. Coisas que uma criança bem educada de 5 anos de idade não seria capaz de dizer. São tolices dignas de um louco no hospício e que me faz perceber porque o Brasil nunca consegue resolver seus problemas. Peço perdão aos asnos, pois as bobagens ditas são tão grandes que envergonham o menos racional dos animais.
Axé despretensiosa confundida como "autêntica canção de protesto"
Meu irmão foi surpreendido com uma postagem onde uma deslumbrada "esquerdista", integrante daquele movimento intelectualoide liderado pelos antropólogos do Fora do Eixo, patrocinado pelo especulador financeiro George Soros, que defende a degradação cultural como forma de "evolução" (???!!!) da mesma, considera que uma musiquinha de um grupinho efêmero de axé-music, totalmente desprovido de engajamento socio-político, e composta por um empresário, o famoso Wesley Rangel, é uma canção de protesto de linha "socialista".
Vários deslumbrados começaram a concordar com a tese, mas com argumentos bastante superficiais. Também aproveitaram para citar outras músicas alienadas como exemplos de "canções de protesto". É interessante que só citaram músicas dançantes e alegres, dando um sinal de que existe uma aversão silenciosa a verdadeira música de protesto, considerada chata, triste e "complicada", fazendo muita gente sair a procura de uma canção "de protesto" que não tivesse os tais "defeitos" alegados.
Para piorar, o trecho da letra que serviu como "prova" de que a música era "socialista" (repare que o trecho nada cita sobre a teoria de Marx - eu li O Capital - mas apenas faz um comentário óbvio a cotidiana injustiça social) é na verdade um plágio descarado de um trecho da música A Cidade, do saudoso músico pernambucano Chico Science, este sim, engajado com causas sociais e com vocação para escrever canções verdadeiramente de protesto.
Falta de lógica, análise e discernimento favorece aceitação de absurdos
Como se pode ver, o deslumbramento só foi permitido porque vivemos num tempo de nítida imbecilização cultural, estimulada pela má qualidade da educação, pela avalanche de informações mal selecionadas e pelo anti-cabecismo que desestimula as pessoas a serem mais racionais, preferindo acreditar no que dizem.
Ao invés de checar a informação recebida, as pessoas, sobretudo os mais jovens, preferem aceitar cegamente, confiando no prestígio do emissor de tal ideia, tentando criar associações que não fazem sentido e que ferem a historiografia de um fato, tentando inventar inclusive fatos do passado que nunca aconteceram na tentativa de viabilizar um absurdo.
O citado grupo de Axé, As Meninas, nunca foi engajado socialmente e gravou a música como uma brincadeira. Não teve a intenção de mudar o mundo e nem de defender teses socialistas (que as integrantes do grupo não assumiram publicamente o seu conhecimento). Além de ter sido composta por um empresário musical (de mentalidade capitalista), o trecho "esquerdista" inserido na música foi sim, escrito por um cara engajado, Chico Science, morto em um acidente causado por um defeito em um carro então recém adquirido.
As pessoas deveriam investigar mais, se informar mais, antes de defender qualquer besteira. A polêmica desnecessária só se deu porque existe muita gente ignorante em nosso país, ao mesmo tempo crédula e preguiçosa. Somente dois tipos de pessoas aceitaram de bom grado a tese de que a música gravada pelo grupo As Meninas é uma canção de protesto: quem quer enganar e quem quer ser enganado.
E sinceramente: como eu havia falado em outro texto, eu prefiro escutar uma canção "alienada" gravada por um autêntico artista engajado do que uma música "de protesto" gravada por uma alienado como é o caso do único sucesso de As Meninas e muitas outras canções de pseudo-protesto que andam fazendo por aí, sem qualquer compromisso de mudança social.

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