Uma longa pesquisa de campo ainda não divulgada (e talvez nem seja, para preservar interesses) e um estudo dos costumes sociais feito a partir de observações por um longo tempo, comprovaram uma tese que parece meio absurda, mas surpreendentemente é um fato a ser notado na sociedade brasileira: as mulheres brasileiras confiam mais em alcoólatras do que em sóbrios.
A tese pode parecer contraditória. Afinal, a lógica e o bom senso mostram que sóbrios, por saberem usar melhor o cérebro, por razões óbvias, deveriam ser mais confiáveis que os que estão sob o domínio do álcool, que altera a percepção e a capacidade de raciocínio.
Mas num país de absurdos onde futebol é patriotismo, onde pessoas conversam com estátuas e onde a cultura deve ser burra, tudo é possível.
O que levou a essa conclusão foi na verdade uma associação entre dois fatos. As mulheres alegam que não paqueram em lugares comuns (ruas, ônibus, praças, bibliotecas, etc.) porque não confiam nos homens que encontram nesses lugares. mas as mesmas mulheres estipularam como lugares de paquera apenas os lugares onde se possa consumir livremente bebidas alcoólicas (boates, Carnaval e todos os tipos de festas e reuniões onde se possa beber), onde a presença de embriagados é maciça. Apenas as religiosas preferem não paquerar em lugares desse tipo. Mas aí é outra história (e outro tipo de bebedeira).
Se as mulheres acham que nos lugares comuns os homens não são confiáveis, mas paqueram em lugares ébrios, o raciocínio lógico conclui que as mulheres acham os bêbados mais confiáveis. Que tipo de confiança os bêbados despertam, ainda não se sabe, mas é fato a ideia absurda de que homens sob o domínio do álcool transmitam confiança a grande parte das mulheres brasileiras.
E aí se casam e depois reclamam porque os maridos preferem ficar nos bares do que em casa.

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