Hoje parece que todo mundo quer virar celebridade. Aparecer na mídia, segundo a maioria, virou "direito básico" como comer, dormir e cagar (sobretudo cagar). E quando a mídia consagra, por mais idiota que pareça, ele vira um totem, um líder, alguém com credibilidade e poder de persuasão que possui um exército de defensores a sua volta a lhe oferecer a blindagem necessária para que o tal totem, como um vaso ruim, nunca quebre.
A nossa cultura tem estado numa gradual queda rumo ao precipício. Já está se espatifando, cheia de ferimentos e arranhões. Ainda não morreu, mas pelo jeito não vai demorar para isso acontecer. Até porque os verdadeiros intelectuais morreram e já estão morrendo. A maior parte está em idade elevada. No final só vão sobrar os bundões para entupirem a nossa cultura com obras que parecem ter sido retiradas do mais fundo esgoto. Coisas que nem o mais anencéfalo asno consegue criar.
E eis que um ingênuo professor de filosofia, provavelmente excitado pelo silicone de uma fulana que é conhecida com o nome de "Valesca Popozuda", porta voz dos trogloditas que representa, resolveu colocar um trecho de uma... digamos... "música" em uma prova, chamando-a de "pensadora contemporânea". Pensadora contemporânea? Se hoje é preciso ser ignorante e grosseiro para ser "pensador contemporâneo", para mim é uma novidade. Pelo jeito, o "burro" aqui sou eu.
E mesmo que as reações fossem de reprovação a atitude do professor que resolveu puxar o saco da rainha dos trogloditas, muita gente acabou gostando. Hoje, ser ambíguo e confuso soa muito mais legal do que ser claro, racional. Cada dia que passa as pessoas acabam achando que essa massa de cor cinza que existe dentro de nossas cabeças, só serve para colocar peso nela. As religiões (ainda bem fortes hoje em dia, pensando como a 2000 anos atrás) já estimulavam o não-raciocínio há tempos. Agora é a vez da mídia e de professores como essezinho daí, fazerem o mesmo.
A aceitação cega de totens é sintomática de povos carentes e idiotizados. Sempre queremos que alguém nos guie, não importa quem seja. Se não nos prejudica em nossos interesses particulares, já nos serve como "guia" e "tutor". A troglodete metida a cantora e agora também metida a intelectual, deve ter adorado a polêmica, que serviu para consagrá-la como tutora da humanidade.
Se uma musiquinha tola sobre amor (como a do Black Eyes Peas, definido como "engajada" em um espacial no canal Multishow) e um "funk" conformista como Rap da Felicidade são tidas como "intelectuais" é porque estamos cada vez mais medíocres, abrindo mão de qualquer exigência para aceitar tudo que aparece na mídia como "cerebral" e "revolucionário". Revolucionário de quê, se ao invés de revolucionar, só piora as coisas, tornando a sociedade cada vez mais atrasada?
Para quem gostou da polêmica, um aviso: tudo que está aí de errado existe e resiste graças a mentalidades como essas que ainda não conseguem resolver os problemas cotidianos que duram décadas e mais décadas sem perspectiva de melhoras. Pessoas que querem a cultura cada vez mais idiotizada são os mesmos que são a favor da corrupção, das desigualdades e dos problemas cotidianos como violência, engarrafamentos, falência de hospitais, etc. As favelas, defendidas pela mediocridade em geral, são o palco perfeito para problemas de todos os tipos. Muito ilustrativo lembrar desse detalhe.
O professorzinho agora virou uma celebridade, graças a uma besteira. A Popozuda ganhou mais um canal de divulgação para as suas asneiras. E o povo, perdido que nem cego no meio de tiroteio, sem saber o que é ou não intelectual, aplaude sem entender nada, pensando que o simples fato de alguém ser "muderno" possa lhes dar um novo sentido para o termo "revolução". Uma revolução que nada muda. Uma revolução que nos devolve aos tempos das cavernas, para muitos o nosso verdadeiro ponto de recomeço. Um retrocesso metido a futurista.

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