A esquerda anda meio doida, defendendo ideias um pouco estranhas, talvez naquela crença de que tudo que é empurrado para o povo pobre "na verdade faz parte dele". Mal sabem eles que a medíocre vida da população da periferia foi imposta pela elite através das limitações resultantes de uma visão elitista, visão cuja existência é ignorada pela esquerda.E a direita? Nessa guerra idiota contra uma esquerda que na verdade se parece muito com a sua suposta opositora, a direita se encanou de defender ideias sensatas, atraindo a simpatia de muita gente coerente em alguns aspectos, mas que comete a incoerente falha de defender a direita, o Capitalismo e os sempre egoísticos líderes e detentores do capital.
Muitas ideias progressistas, por incrível que pareça, tem sido defendidos por simpatizantes do Capitalismo, o que a primeira vista soa estranho (e é realmente estranho), mas tem a sua razão de ser, graças a um erro de interpretação que, pasmem, a esquerda também faz. Trocando em miúdos, a direita defende ideias progressistas pelo mesmo motivo que os esquerdistas defendem ideias retrógradas: a de que pobre ou qualquer tipo de excluído tem que ficar preso na sua mediocridade.
Os simpatizantes do Capitalismo, assim como os esquerdinhas de hoje, entendem que a mediocridade crônica em que se encontra a população das periferias, faz parte dela, e a recusa em concordar com esta mediocridade não se dá por sensatez ou discernimento - embora até pareça que eles estejam sendo discernentes - mas sim por puro elitismo e "raiva de pobre".
Para os Capitalistas, o popularesco não está errado por causa de seus defeitos inerentes, mas por que é "coisa de pobre". A religiosidade, o futebol, a vulgaridade, entre outras coisas, são condenadas pelos capitalistas não por serem alienantes, mas por serem "coisas de pobre".
E repito: o que mais impressiona é que esta visão da população pobre é a mesma, mesmíssima, entre a direita e a esquerda, com a diferença que um recusa e outro aceita. Mas ambos concordam que o pobre deve ficar trancafiado na mediocridade intelectual em que é forçado a ficar, acreditando ser esta a sua vida.
Ambos estão errados no ponto de vista. Os direitistas por acharem que os pobres devem ser medíocres e deixar para lá. Os esquerdinhas por acharem que os pobres devem ser medíocres e estimular a sua permanência nessa mediocridade.
Ninguém é pobre porque quer. As limitações que os pobres possuem são problemas que devem ser resolvidos. Onde eles moram, o que fazem e pensam, são coisas que deveriam ser extirpadas o mais rápido possível, pois vão contra a dignidade deles - que NÃO SÃO pobres, mas ESTÃO pobres - e o que os separa do resto da população.
Mas todos encanaram de pensar que estes problemas fazem parte da vida e da cultura dos pobres e isso acaba perpetuando estes problemas que, confundidos com a identidade dos pobres, se tornam crônicos e insolúveis. O pensamento defendido tanto por esquerdinhas como por direitistas acaba por reforçar essa insolubilidade.
Quando vão entender que o pobre não tem cultura, não tem qualidade de vida e muito menos dignidade, resolvendo essas mazelas disfarçadas de "identidade da periferia"?
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