A crise em que se encontram as empresas do Grupo Abril, agravadas pela morte de seu patriarca, colocou várias cabeças a rolar. Demissões e fins de revistas e de sites tem se sucedido dentro da empresa. Já falei que a Abril se livrou da franquia da MTV, que agora será administrada pela sua dona verdadeira, a Viacom. Outras revistas como a Gloss e a Bravo já estão sendo degoladas.
E a crise não atingiu apenas as revistas nanicas. Havia rumores de que uma das mais famosas revistas publicadas pela editora (também em forma de franquia), a Playboy, dedicada ao público masculino, seria extinta. Uma comunicado escrito pelos editores-chefes da revista tranquilizou, de forma até descontraída, avisando que a revista não seria extinta. Pareceu que a decisão em manter a revista foi devido a importância da mesma e a tentativa de alegrar os compradores da mesma. Engano.
Na verdade, a revista Playboy está sendo mantida porque, para ser cancelada, a Abril teria que pagar uma multa de valores imensos, o que ajudaria a piorar ainda mais a situação. A Editora "optou" (na marra) por manter a revista, mas podem crer, ela irá cair e muito. Já estava caída há tempos.
A Playboy sempre foi ficada nos ensaios de nu feminino. Com a internet, os marmanjos que compravam a revista encontraram uma fartura de fotos muito maior do que a revista poderia oferecer, deixando da comprá-la.
Com a crise, a revista antes marcadas por ter ensaios com as mulheres mais desejadas do país, acabou priorizando subcelebridades, desconhecidas e musas que só interessam aos homens de baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo, daquelas que povoam reality shows e programas de auditório e de humor popularescos. O que fez a revista cair ainda mais, pois por ser bem cara, quem poderia pagar não se interessava pela musa estampada e quem se interessava pela musa não tinha condições de pagar pela revista. A Playboy, com isso, conseguiu desagradas gregos e troianos.
Com esse motivo finalmente revelado, teremos uma Playboy cada vez mais decadente, com musas de verdade posando apenas uma vez por ano (se isso ocorrer), mas servindo de catapulta da fama para mulheres de mente vazia, de sensualidade artificialmente forçada e corpos moldados cirurgicamente, todas interessadas em ganhar dinheiro as custas de homens ingênuos exclusivamente preocupados em satisfazer seus instintos mais básicos. A Playboy continua, mas vai morar na UTI.
Mas não precisamos dela. Em seus tempos áureos, fez muito a alegria de minha geração (e somos gratos por isso). Mas esse tempo já passou. Com a internet, procuramos e encontramos sessões com mulheres que realmente nos enchem de real prazer, na hora que queremos e pagando bem menos.

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