Nunca achei que a Campus Party fosse uma espécie de congresso de nerds. O evento é sobre tecnologia e atrai pessoas interessadas no assunto. Como a tecnologia é obrigatória hoje em dia, creio que não apenas nerds sejam interessados em estar no evento. Concluindo o evento é para todos: nerds ou não.Mas a mídia encanou de classificar o evento como "congresso nerd", talvez na tentativa de desarmar os verdadeiros nerds, gente acostumada a ser vítima de bullying e ter os seus direitos básicos negados. Dá-se o direito aos nerds falsificados para que não se dê aos nerds verdadeiros ("aquela gente ridícula que quer mostrar seu valor", diriam as pessoas "normais"). Ah! Nerds falsificados nunca cometem gafes.
Achei mais um detalhe que pode jogar um balde de gelo em cima dos que acreditam que o Campus Party é um evento de nerds. Um de seus fundadores, Paco Ragageles, têm aquela aparência estereotipada dos lutadores de jiu-jitsu, com direito até a orelha peculiar dos lutadores deste esporte, conhecidos pejorativamente como pit-boys. Se ele é um pit-boy ou não, não sei dizer, mas nerd ele não é mesmo. Nem na China dos produtos falsificados.
Aliás, cá para nós: dizer que pit-boy é nerd é o mesmo que dizer que nazistas são judeus. É unir tribos contrárias e mutuamente hostis.
Então está certo: vamos combinar de nunca nos referirmos ao Campus Party como evento de nerds, certo? É mais fácil classificar um retiro espiritual, daqueles que se fazem durante o Carnaval, como evento nerd. Não é a melhor comparação (religiosidade nada tem a ver com nerds, "tribo" onde a maioria é ateia), mas faz algum sentido.
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