Acredito que muitos saibam que o mito do Papai Noel - invenção da Coca-Cola, sabiam? - foi inspirado no mito do São Nicolas, da Finlândia. Claro, a Finlândia faz parte da Escandinávia (além do citado país, fazem parte a Suécia, a Noruega, a Dinamarca e a Islândia), região com a maior evolução espiritual do mundo.
Escandinavos convivem com justiça social plena, distribuição de renda justa, além de saberem resolver problemas muito complexos com relativa facilidade. Mas um determinado paisinho da América do Sul, grande em tamanho, maior ainda em ego e microscópio em raciocínio e bom senso, prefere definir a evolução espiritual de forma muito diferente que os escandinavos - e a lógica - definem.
Pra começar, brasileiros descartam o desenvolvimento intelectual. Ninguém precisa ser inteligente de fato, só assumir o rótulo. Legal ser rotulado de inteligente sem ser porque nos poupamos do esforço de pensar ao mesmo tempo que parecemos evoluídos perante os outros. Ah, e isso também tranquiliza os ricos e poderosos, pois impede o surgimento de gente esclarecida que ameace o fim de seu poder e seus privilégios, pois falsos inteligentes são submissos, crédulos e manipuláveis.
O que interessa e ser bonzinho. Não o verdadeiro bondoso que transforma a sociedade, pois isso exigiria o fim do poder e dos privilégios mencionados acima. Não, mudar o mundo, acabar com problemas, jamais. A caridade referida deve ser paliativa, frouxa, aquela que apenas cria condições para que convivamos com problemas, que nunca devem ser resolvidos pois poderosos dependem deles para que continuem ricos e poderosos.
A caridade estimulada no Brasil é a caridade da esmola. É a caridade da lavagem cerebral das instituições de caridade que adotam jovens pobres para moldá-los ao seu bel prazer, criando adultos submissos e alienados que continuarão a manter o sistema intacto através da falta de senso crítico e da submissão ao seus tutores, amigos e sócios dos ricos e dos poderosos.
Uma caridade que faça com que o ajudado se conforma com a sua situação. Que lhe mantenha pobre, mas consumista. Que não melhore a distribuição de renda, mas o mantenha "alegre" o suficiente para não se revoltar contra o sistema. Que o ensine apenas a lutar pela sua sobrevivência, mas suportando os problemas cotidianos sem resolvê-lo de fato. Não é a toa que somos considerados o país do jeitinho. Já que os poderosos querem manter problemas, vamos aprender a suportá-los, não é mesmo?
Por isso que a caridade deve ser a mais paliativa possível. Se for fazer uma instituição ou uma ONG para "educar" e manter pessoas, deve evitar de todas as formas a fabricar subversivos. Manter um certo nível de emburrecimento e passividade intelectual é interessante, para que nada mude e os ricos e poderosos se mantenham na mesma.
E nisso todos vivem na falsa alegria, achando que estão ajudando os outros quando na verdade colaboram para que tudo fique na mesma,. mudando muito pouco os costumes e mantendo as relações de pode e de e status exatamente iguais como há 100 anos atrás.
Esse tipo de caridade praticada no Brasil, com ineficácia comprovada nada tem feito para mudar a sociedade e resolver os problemas cotidianos. Fiquemos assim eternamente até que possamos aprender a ter a coragem necessária para mudarmos tudo. De gente boazinha com os brasileiros altruístas de fachada, o inferno está cheio.

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