Será que eu vou ter que escrever milhões de textos para falar sobre isso? O Campus Party é um evento sobre internet e tecnologia. Qualquer pessoa vai. Pessoas de todos os tipos, cores, gostos, raças, credos.Mas a mídia e o senso comum estão arraigando a ideia equivocada de que é uma espécie de "Congresso Nerd", favorecendo inclusive a pseudo-nerds, gente normal, com vida social movimentada, que nunca foi vítima de bullying e só porque engordou um pouquinho, é míope e gosta de fazer "plec-plec" no computador, se acha o maior discípulo de Lewis Skolnick.
No Brasil, a definição de nerd é diferente dos EUA, onde o termo surgiu. Há a aceitação de alguns estereótipos do modelo original, mas os brasileiros acham ridículo o perfil mostrado no filme Vingança dos Nerds. Os brasileiros que se consideram nerds também detestam a imagem de "vitimas tradicionais de bullying" associadas à "tribo". Para mim, por mais que discordem, essa é a principal característica dos nerds, já que sendo estranhos (nerds não se parecem nem se divertem como a maioria das pessoas), o fato de se tornarem vítimas de humilhações é praticamente natural.
O modelo adotado pelos brasileiros, por incrível que pareça é totalmente diferente do modelo original, já que para o brasileiro, basta gostar de quadrinhos, computador e estar fora de forma para receber o rótulo. O modelo escolhido, pasmem, é o carinha comum das propagandas de cerveja, curiosamente defensores de um universo totalmente alheio ao do nerd original e com intensa vida social. Além disso, o modelo escolhido não é conhecido por sua inteligência e sim por sua esperteza. Mas o comportamento abobalhado dos cervejudos reforça o erro.
E essa má compreensão do que é o Campus Party reforça ainda mais a imagem errada de nerd, que na minha opinião, foi criada para que os verdadeiros nerds continuem impedidos de ter acesso aos benefícios da vida (quem viu Vingança dos Nerds sabe do que estou falando), fazendo com que falsos-nerds, com menos "defeitos", por esse motivo mais aceitos pela sociedade tomem o lugar dos verdadeiros.
E nesse episódio, os verdadeiros nerds, como eu, ficamos sem direito até mesmo ao rótulo, assistindo "de camarote" a (in) justiça social sendo feita com quem já se beneficiava dela há muito tempo.
Pelo jeito os atletas "alfa-betas" descobriram que o melhor jeito de combater os nerds é se disfarçar como os mesmos e fazer carinha de coitadinho diante de uma webcam. É a versão tecnológica do "lobo em pele de cordeiro".
Para os verdadeiros nerds, um recado: a luta continua, companheiros.
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