A música comercial, feita para ganhar dinheiro as custas de músicas chinfrins feitas sem espontaneidade, seguido regras e padrões impostos pela indústria do entretenimento, sempre quis tomar lugar da verdadeira música cultural.
E tudo bem que o Grammy é um evento feito para premiar este tipo de música, não a que é melhor feita, mas a que vende mais, gera mais renda e atrai mais público, cada vez menos exigente em relação ao que gostaria dever e ouvir.
Mas de vez e quando, o Grammy decide premiar artistas de verdade, não por serem de fato artistas de verdade, mas por estes também conseguirem popularidade e lucros financeiros considerados satisfatórios por gravadoras e editoras que integram a academia que oferece a premiação.
No último domingo, o cantor Beck, especializado em rock alternativo, recebeu o prêmio de melhor álbum. O rapper Kanye West, cantor de música de mercado e marido de uma insossa Zé-ninguém integrante da família Jenner/Kardashian, especializada em aparecer às custas de frivolidades, invadiu o palco para protestar contra a premiação, que segundo o rapper, deveria ser entregue a fútil Beyoncé, curiosamente casada com outro rapper, Jay Z, rival de West e tão metido quanto.
O pior é que West confundiu as coisas, falando em "defesa da arte" como se a verdadeira arte fosse os produtos mecânicos que pululam nas paradas de sucesso desde os anos 40. West também pediu "respeito" à industria e disse que"artistas melhores lutam para ter o prêmio" conquistado pelo impopular Beck. Só se obedecer as regras do hit-parade fosse sinônimo de"lutar".
O comercialismo tem destruído a arte em geral. A carreira artística se transformou em uma rentável fonte de dinheiro que tem sido opção de pessoas sem talento artístico que se recusam a trabalhar em empregos sem prestígio e pouco rentáveis.
Mas como é o tipo de "arte" mais conhecido pelas grandes massas de pessoas, é a chamada cultura de mercado que domina na conquista de premiações e na consagração da opinião pública. Para o grande público, a "verdadeira arte" é a de mercado, pois é o que chega aos olhos e ouvidos da massa em geral, carente de coisas melhores.
Mesmo o Grammy sendo uma premiação da música de mercado, Beck mereceu o reconhecimento, pois dá visibilidade à verdadeira música feita por ele, um verdadeiro artista que luta pelo reconhecimento da música de qualidade, mais criativa e espontânea. Música que passa bem longe dos refrigerados escritórios de gravadora, de onde saem as decisões que aprovam mediocridades como Kanye West, que não sabe o que é arte e que infelizmente conseguiu cooptar um consagrado roqueiro veterano, para promover a sua carreira como "maior rapper do mundo" e "dono da arte".
Como sempre digo, nunca confio em premiações. Quem sempre ganha não são os melhores, mas quem agrada mais o sistema.

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