Brasileiros fazem parte de um povo burro. Além de fútil, se irrita com amenidades, aos mesmo tempo em que aceita numa boa quando é sacaneado de verdade, perdendo direitos importantes. Estamos esperando até agora alguma reação de protesto contra a lei de terceirização. Mas até agora, nada.
Já a declaração de Ed Motta, que não tirou emprego de ninguém, não diminuiu salários, não cancelou concursos públicos, irritou muita gente que se sentiu ofendida com o que foi dito.
Tudo bem que Ed reagiu mal às réplicas de suas declarações. Mas o que ele falou não foi mentira nenhuma: brasileiro é realmente burro e mal educado e não entende arte de verdade. Tudo bem que Ed não é pra lá gaaande coisa como compositor (fazer disco a la Kool & The Gang não serve como exemplo de sofisticação), mas pelo menos bom senso ele demonstra ter e se esforça, nem sempre da melhor maneira, em empurrar o brasileiro para que este saia da zona de conforto da mediocridade intelectual.
O povo preferiu acusá-lo de arrogante e preconceituosos, numa atitude muito comum toda vez que os brasileiros são convidados a abandonar a amada e idolatrada zona de conforto. Brasileiros se acham no direito de agirem como idiotas e vão lutar muito para que o direito à idiotice seja respeitado.
Se por um lado, Ed deveria ter medido palavras para que pudesse ser compreendido, por outro os brasileiros deveriam aprender a ouvir críticas e mudar de atitude quando errados.
Pois sabemos que as atitudes, gostos, convicções que o brasileiro vem tendo há muitas décadas tem ajudado bastante para que tudo isso continue como está piorado cada vez mais, perpetuando problemas e fortalecendo líderes desonestos. Continuemos agindo assim para que tudo de errado seja mantido em nosso país.
E cá cara nós, deveríamos nos preocupar mais com assuntos sérios. Uma declaração mal humorada de alguém, seja correta ou errada, não tem condições de estragar a vida de ninguém.

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