O noticiário de hoje destaca o fato de estudantes do Ciência sem Fronteiras terem sido solicitados a usar o jeitinho brasileiro para tentar se manter com pouco dinheiro, já que os recursos demorariam para vir. Os estudantes se sentiram ofendidos. Mas se esquecem estes que estão sendo vítimas da própria armadilha que fizeram.
Brasileiro é um povo gozado. Cria uma imagem negativa de si mesmo, resultante da recusa em sair da zona de conforto e de superar suas limitações intelectuais. É um povo que superestima o lazer, confia na mídia, imita os outros, consome cultura ruim, se encanta com tudo que possui pompa, pensa que futebol é dignidade humana, aceita um salário minimo baixíssimo que desafia a Constituição, se esquecem que a corrupção não existe apenas no governo que está aí e pode ser vista até mesmo fora da política, e prefere se esforçar cada vez menos na hora do lazer, a única hora em que não está sob o comando de um líder imbecil. E ainda insiste em se considerar um povo melhor que os outros povos.
Estereótipos consagrados por muito tempo
Por muitos anos o brasileiro tem construído uma imagem negativa de um alienado que tem que se virar para conviver com problemas que se recusa a eliminar. Arrumar meios de se conviver com problemas crônicos se chama "jeitinho brasileiro". É confortável e pode se tranquilamente permanecer na zona de conforto, conjunto de valores inúteis, mas hiper-estimados, que insistimos em defender e cultuar. Curiosamente as nossas coisas mais típicas tem características de zonas de conforto. Parece que somos um povo que tem as zonas de conforto como sua principal identidade.
Mas agora os brasileiros, após décadas e décadas mostrando aos outros: "veja como eu sambo", "olha como faço embaixadinha", "vem transar comigo, gringo", "prove de nossa caipirinha", e outras coisas similares, vem fingir de povo sério e cobrar respeito. Respeito pela sua idiotice.
Anos atrás, vários estrangeiros, alguns famosos fizeram críticas realista sobre o povo brasileiro. Claro que os brasileiros se sentiram ofendidos, pois a reação automática do medíocre é transformar críticas em ofensa. Exige menos esforço do que assumir seus defeitos e tentar corrigi-lo.
E por isso mesmo vivemos numa era de mediocrização da sociedade brasileira. Ser burro virou moda, mas desde que use o rótulo de inteligente. Pois a burrice, pelo que parece, virou "nova forma de inteligência".
Estudantes pagando pelo estereótipo de décadas
Claro que os estudantes do citado projeto não mereciam pagar pelo estereótipo lançado durante muito tempo por outras pessoas e difundido pela mídia. Mas os mesmos nada fizeram para melhorar isso, aceitando muito bem todo o nosso estereótipo, além de se "esforçar" para mantê-lo.
Mas não culpo a instituição estadunidense. Eles se basearam na imagem que tem de nós. Eles se basearam na imagem que nós exportamos. A copa de futebol (a nossa maior zona de conforto) passada demonstrou que em prol da permanência em suas zonas de conforto, os brasileiros não tem medo de fazer o papel de idiotas desde que não sejam rotulados como tais. Mas infelizmente são. Vendo de longe dá para perceber que a idiotice é a maior vocação do brasileiro.
Enquanto o brasileiro não sair da zona de conforto e abrir mão de certos gostos, valores, deias e costumes, vai continuar fornecendo munição para que os povos bem mais educados que nós alertem sobre a nossa deficiência, sobre os erros que insistimos em manter.
Engulam essa, brasileiros. Não e a primeira vez que isso acontece, mas se não mudarmos todo nosso pensamento, descartando de vez a zona de conforto, com absoluta certeza vamos continuar ouvindo os estrangeiros a rir de nossas caras, enquanto nos escondemos na camiseta da "seleção" para tentar recuperar a dignidade perdida. Dignidade que nós mesmos jogamos voluntariamente na lixeira.

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