O rock, no Rio de Janeiro, virou uma grande palhaçada. "Rock de mãozinha", com pessoas fazendo sinal de demo com as mãos, e além disso botando a linguinha de fora.
Até parece que o rock virou uma grande piada. A idiotização aparece em todo lugar, do Caldeirão do Huck à Rádio Cidade, passando pelo Domingão do Faustão e por gestos de não-roqueiros, como Cláudia Leitte, adepta do tal "rock de mãozinha".
"Tudo babaquice", como cantava Pedro Luiz (de A Parede e do Monobloco), no passado roqueiro da banda Urge. Pois o rock não é visto como música, mas como um espetáculo circense, como se o público fosse ver no palco um monte de palhaços, malabaristas e mágicos ilusionistas, não músicos de rock.
Já tem roqueiro de verdade passando a ouvir dance music pelo constrangimento de ver tanta gente tratando o rock de forma idiotizada. E como ninguém vai se lembrar dos 45 anos sem Jimi Hendrix - que foram ontem - , então não há como levar a sério essa "cultura rock" que está na moda na cidade e na Cidade.
O caso do "Bigode do Queen" é ilustrativo. As pessoas ficam usando um bigode postiço, como se o coitado do Freddie Mercury - que teria feito 69 anos este ano, no último dia 05, e quase ninguém se deu conta - fosse um palhaço de circo, ele que sofreu na carne todo o martírio da AIDS que fez o mundo perder um grande cantor, pianista e performer. Freddie liderava plateias como poucos.
E aí vemos uma foto de um fã do Queen colocando um bigode postiço, achando que Freddie Mercury era irmão gêmeo do Senhor Madruga do seriado Chaves. O coitado deve se esquecer de que Freddie Mercury nem sempre foi bigodudo, ele havia começado a carreira de cara limpa - ou quase, nos momentos de barba por fazer - e encerrou a vida sem o "caraterístico" bigode. Mas se até a Fátima Bernardes caiu nessa cilada do "Bigode do Queen", é bom ficarmos preocupados.
Freddie estava de cara limpa até no disco que ele fez com a soprano Montserrat Caballé, que fez muito sucesso no Brasil (as rádios de pop adulto continuam tocando e devem tocar mais agora, com a lembrança saudosa do Queen). Da mesma forma, Freddie tinha o visual que vemos na foto acima, nos tempos em que lançou "Bohemian Rapshody", um dos clássicos da sua banda.
Portanto, ver que seu carisma se reduziu a um bigode transforma Freddie Mercury em mais um ícone cômico do porte de Groucho Marx. Completamente ridículo. E mostra o quanto a "cultura rock" que está aí no Rio de Janeiro é tão idiotizada quanto o "funk" e o "sertanejo universitário".

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