Daqui a dois dias se inicia mais uma edição do Rock in Rio, um festival que apesar do nome e de toda a publicidade feita com o mesmo, não é um festival de rock. Nunca foi. É um festival multi-gênero que se tornou uma grife, uma marca lucrativa. Não vamos fazer um histórico sobre o festival porque há muita informação a respeito na internet. O verbete do Wikipedia é um bom ponto de partida para pesquisas sobre o festival.
A primeira edição, que completou 30 anos em janeiro deste ano, apesar de não ser exclusivamente rock e trazer majoritariamente nomes que na época já tinham saído de moda (agendar shows no Brasil naquele ano era complicado, pois não havia confiança nos organizadores brasileiros até então), foi um festival que marcou tanto fãs quanto os próprios artistas. Integrantes do Queen e o cantor James Taylor declararam que o festival mudou os rumos das carreiras de cada.
Mas desde a segunda edição, em 1991, festival deixou de ter importância cultural e se imitou a ser uma simples grife para atrair dinheiro. Não que angariar dinheiro não tivesse sido a preocupação do primeiro festival. Mas a primeira edição foi a única que foi um pouco mais criteriosa, pois ate mesmo os não roqueiros tinham boa relação com outros músicos de rock.
Agora virou uma espécie de versão ampliada do Festival de Verão baiano, festival que ao mesmo tempo é influenciado e influencia o Rock in Rio em suas características. Uma mistureba de nomes do momento que é obrigatória para que pudesse atrair um número maior de pessoas.
Do contrário de muitos alienados, incluindo os administradores de uma rádio paulista e outra carioca, Roberto Medina sabe que o rock não está em sua melhor fase. Sabe também que se abrir mão do ecletismo e colocar somente rock no festival, iria atrair uma quantidade bem reduzida de pessoas. Transformar o festival em multi-gênero foi a solução para que o festival não fracassasse. "Rock" fica apenas na publicidade, no nome e nas caras, bocas e gestos (\m/) dos desavisados que irão ao festival esperando ouvir rock com duzentos dançarinos em cima do palco.
Eu não me iludo com este tipo de coisa. Não vou ao festival por ser bem caro, embora seja legal assistir a alguns shows. Em 2013, Bruce Springsteen fez um puta showzaço aos 65 anos de idade, em grande forma e com a energia e alegria de um moleque de 15 anos, mas com madura sabedoria digna de um veterano de sua idade. Resta saber de quem será o grande show dessa edição, que comemora os 30 anos da primeira e melhor edição de todas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.